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PROPOSTA
REQUALIFICAR A RÓTULA CENTRAL, O ANEL VIÁRIO DO CENTRO
ANA MARIA CICCACIO
No Centro de São Paulo existe um anel viário que conecta alguns dos mais
importantes eixos radiais da cidade,como as avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Tiradentes,
no sentido Norte-Sul,e Avenida do Estado, na direção Leste-Oeste. Esse anel
articula o acesso a órgãos públicos e serviços,equipamentos culturais e ruas de
comércio especializado e dá unidade ao núcleo central. É necessário recuperá-lo,
mas sem alterar sua especificidade
À exceção de urbanistas e técnicos em
transporte, poucos moradores de São Paulo já ouviram falar em Rótula Central, mas
certamente a maioria alguma vez já passou por ela a pé, de ônibus, táxi ou
automóvel. A Rótula Central é o anel viário que serve o Centro e é formado
pelas avenidas Mercúrio, Senador Queiroz, Ipiranga e São Luiz, viadutos 9 de
Julho e Jacareí, Rua Maria Paula, Viaduto Dona Paulina,Praça Dr. João Mendes,
Rua Anita Garibaldi, Avenida Rangel Pestana, viadutos 25 de Março e Mercúrio,
Rua da Figueira e Avenida Mercúrio novamente.
A Rótula Central, como se vê no
mapa esquemático abaixo, circunda o Centro Histórico e o conecta aos mais
importantes eixos radiais existentes na cidade de São Paulo, como as avenidas23
de Maio, 9 de Julho e Tiradentes,no sentido Norte-Sul; Avenida Celso Garcia, na
direção Leste-Oeste; Avenida do Estado, ligando com as cidades do ABC Paulista
e Avenida Cruzeiro do Sul; avenidas São João e Consolação, Rio Branco e
Liberdade, e,ainda, a Rua 25 de Março. A Rótula,portanto, articula todos os
atrativos do Centro, que compreendem desde os órgãos públicos municipais,
estaduais e federais com sede na área aos serviços,equipamentos culturais e ruas
de comércio especializado, entre elas a 25 de Março (armarinhos, utilidades
domésticas, tecidos, bijuterias), a Santa Ifigênia (eletrônicos e produtos de
informática) e a Florêncio de Abreu (máquinas,ferramentas, produtos
hidráulicos).
A Viva o Centro, em suas “10 Propostas
para o Centro” apresentadas ao poder público municipal ainda durante a campanha
eleitoral em 2004, reivindica qualidade urbanística em todo o trajeto da Rótula
Central não apenas em parte dele, como hoje. “O que falta em São Paulo é continuidade
de qualidade pública. E a Rótula é exemplar nesse sentido”, diz o
superintendente geral da Associação, Marco Antonio Ramos de Almeida. “Em alguns
trechos do percurso, calçadas, calçamento, postes de iluminação e mobiliário
urbano estão em ordem. Nos
demais, prevalece o caos. Assim, é preciso que a Prefeitura invista em
melhorias e na manutenção de todos os trechos que compõem esse importante anel
viário do Centro. Essas melhorias devem se tornar exemplos para as demais vias
do Centro.”
Articuladora
A Rótula Central não deve ser vista
como um anel viário para trânsito pesado. Ao longo de seu trajeto há calçadas
largas, com relativo padrão de qualidade, e canteiros centrais ajardinados em
muitos trechos. É preciso que na requalificação da rótula o pedestre seja
também privilegiado,ainda mais quando levada em conta a média diária de
freqüência ao Centro metropolitano, calculada pela Pesquisa Origem e Destino do
Metrô em mais de 2 milhões pessoas/dia.
“O Centro tem a fama de ser um
lugar com acessibilidade complicada,mas na verdade não é tanto. As pessoas não
fazem idéia de como funciona a Rótula Central, do que ela interliga e da
facilidade de acesso que proporciona. Com a Rótula requalificada e com o
projeto do Anhangabaú implantado, como proposto pela Associação Viva o Centro
(ler mais na urbs36 ou no site www.vivaocentro.org.br),vai ficar muito fácil
chegar e se movimentar no Centro”, observa o superintendente da Viva o Centro.
Se for dada uma unidade de projeto a todo o percurso da Rótula, como propõe a Associação,
as pessoas passarão a ter mais noção da existência desse anel. “As pessoas se
perdem no Centro porque não há essa unidade de projeto, ou seja, sinalização e
arborização descontínuas,piso de calçada e de leito carroçável diferentes em cada
trecho etc. Enfim, é importante que elementos visuais permitam identificá-la e
circular por elas em risco de se perder, estando em um automóvel ou a pé.”
O papel articulador da Rótula Central
é importantíssimo. Em algumas de suas ruas e avenidas, ou nas proximidades,
estão instaladas repartições públicas e instituições que recebem diariamente
intenso fluxo de usuários,sem contar equipamentos culturais com programação
atrativa a grandes públicos inclusive em fins de semana e feriados.
Percorrendo-as, pode-se dimensionar não só o valor da Rótula como a necessidade
de restaurá-la.
Na Avenida Mercúrio (G4) estão o Parque
D. Pedro II (G5) com o Palácio das Indústrias (G5-60) e o Gasômetro ao fundo, o
edifício do Mercado Municipal (G4-59) recém-restaurado e, pouco à frente, o
Pátio do Pari (H3).As calçadas precisam de reparos e, em geral, o logradouro
requer limpeza já.Meses atrás a Prefeitura voltou a mencionar a possibilidade
de demolição do Viaduto Diário Popular (G4) e prometeu finalizar as obras do
Fula-Fila.
A Avenida Senador Queiroz (E-F4)é
a porta de entrada do Centro para quem vem do ABC ou do Interior do Estado, mas
se encontra abandonada,com canteiros muito mal cuidados,publicidade irregular e
calçadas em péssimo estado de conservação.
Na Avenida Ipiranga (D3 a B5)
onde se acham alguns dos edifícios ícones da cidade, como o Copan (B5-80) e o Itália
(B5-79), sem contar a Praça da República (B5) com a Secretaria de Estado da
Educação (B5-77) no histórico Edifício Caetano de Campos, apresenta uma série
de problemas, entre eles o piso das calçadas precisando urgentemente de
reparos, e camelôs por toda a parte, dificultando a circulação de pedestres,
ainda mais hoje, com os canteiros de obras do Metrô (Linha 4).
Já a Avenida São Luiz (B5), uma das
mais bonitas do Centro, bem poderia servir de modelo para a requalificação da
Rótula, por ter a aparência de um bulevar. Seus canteiros centrais estão em
ótimo estado, pois recentemente foram replantados com patrocínio do Sindicato
das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de
Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo (Sindeprestem),
depois de firmado Termo de Cooperação com a Subprefeitura da Sé, apesar de o
sistema de canteiros altos ser antiestético e dificultar a circulação de
pedestres. A maior parte do conjunto de edifícios da avenida, com grande
qualidade arquitetônica e construtiva, também teve suas fachadas recuperadas, e
a Praça D.José Gaspar (C6-81), no cruzamento com a Rua Xavier de Toledo (C6),
se tornou muito acolhedora depois dos trabalhos de conservação empreendidos
pela Maringá Turismo, mediante o mesmo processo de “adoção” assinado com a
Prefeitura.
A Rua Maria Paula (D7), onde está
instalada a Câmara Municipal de São Paulo (C6-82), ganhou também recentemente
uma praça bancada pela própria Câmara, mas os canteiros precisam de reforma
urgente, com poda de arbustos oportunistas e árvores, além de replantio nos
lugares que ficaram carecas. As calçadas apresentam as mesmas necessidades de
restauro que outros pontos da Rótula.
Na Praça João Mendes (E7), onde
funciona o Fórum (E7-22), e de onde se avista os fundos do Palácio da Justiça
(F7-17), vizinha à da sede da OAB e da Praça da Sé (E-F7), repete-se aladainha:
é preciso fazer reparos em calçadas, melhorar a limpeza pública e controlar o
comércio ambulante.
Não é melhor o estado da Avenida Rangel
Pestana (F6), onde estão o Poupatempo e a Secretaria de Estado da Fazenda
(G6-19). Os canteiros se acham depenados, sem nenhuma conservação, calçadas e
mobiliário urbano (telefones etc.) estão em péssimo estado.
“Como ação emergencial, poderiam
ser sanados os problemas pontuais, mas sem prejuízo da proposta da Associação
Viva o Centro em si, que é a de requalificação para conferir unidade de projeto
a todo o percurso da Rótula Central”, acrescenta o superintendente da entidade.
Conexões importantes
Na área central de São Paulo não
existe somente a Rótula Central, há também o que se convencionou chamar de
Contra-Rótula, utilíssimo anel viário para a ligação Leste-Oeste, mas com
características mais próximas de uma free way em certos trechos. O trajeto
desse segundo anel viário mais exterior ao Centro Histórico compreende: Parque
D. Pedro II/Avenida Exterior (G5 e 6), Avenida Prefeito Pereira Pessoa, Rua
Teixeira Leite,viadutos Leste Oeste, Jaceguai (C7)e Júlio Mesquita, túnel sob a
Praça Roosevelt, Rua Amaral Gurgel (A4 e5), Avenida Duque de Caxias (C2),Rua
Mauá (D2), Viaduto General Couto de Magalhães, Rua Prates (D1), Avenida João
Teodoro (F1),Avenida do Estado (H2) e Avenida Exterior novamente.
Rótula Central e Contra-Rótula se
conectam e por elas se pode chegar a equipamentos culturais como a Sala São
Paulo, no Complexo Cultural Júlio Prestes (C1-92 e 93), e, na vizinhança, à
Estação Pinacoteca (D2) e à Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (D2-95).
Também se pode chegar à Estação da Luz (E2-98) recém-recuperada e agora
abrigando o Museu da Língua Portuguesa, à Pinacoteca do Estado (E2-100) junto ao
Jardim da Luz (E1-99), e ao Museu de Arte Sacra (F1-103), na Avenida Tiradentes.
A Contra-Rótula é um anel viário que também precisa de atenção do poder
público.
O trecho central da Avenida 9 de Julho,
para o qual a Associação Viva o Centro chamou atenção alguns anos atrás, foi
motivo de requalificação, tendo atenção especial do poder público municipal.
Pode ser um bom exemplo,se bem que nem tanto. O que a Viva o Centro reivindica
é o mesmo para a Rótula Central, no entanto sem transformá-la em um corredor de
ônibus, de modo a não degradar nem o circuito para a circulação de pedestres
nem seu entorno. Este importante anel viário que circunda o núcleo do Centro
necessita urgentemente de um processo de requalificação de suas calçadas,
geometria veicular, paisagismo e iluminação, de modo a proporcionar conforto e
segurança aos pedestres e facilitar o trânsito de veículos coletivos e
particulares, diz a Associação em suas “10 Propostas para o Centro”.
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[BOX] PREFEITURA ESTUDA MELHORIAS
A requalificação da Rótula
Central está em discussão no âmbito técnico por diferentes setores da
Prefeitura. Respondendo a uma solicitação de informações pela revista Urbs, a
Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Transportes foi lacônica: “O
projeto da Rótula Central, no âmbito de trânsito e transporte, está sob análise
dos técnicos da Secretaria, CET e SPTrans. No momento não há novidades sobre o
assunto”. Já o vice-presidente da Emurb, economista Geraldo Biasoto Jr., também
coordenador do Programa Ação Centro, voltado à recuperação da área central de
São Paulo,atendeu à solicitação. Leia a seguir:
Procede a informação de que seria implantado um corredor de ônibus na
Rótula Central?
Geraldo Biasoto Jr.:Antes de mais
nada,vale a pena abrir um questionamento ao projeto anterior, voltado
exclusivamente ao transporte coletivo, que tem muito a ver com a estrutura de
corredores de ônibus desenhada entre os anos 2000 e 2001, que seria feito na
cidade como um todo com recursos do BNDES. Já não existe mais a coligação desse
projeto com recursos do BNDES. Existem recursos específicos destinados apenas
ao Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila).
A desistência deve-se apenas à escassez de recursos?
Não. É uma questão de concepção
também. Estabelecer um corredor de ônibus, em certos casos, traz como
subproduto a deterioração das vias, tanto por fracionar demais os seus dois lados
quanto por impedir paradas rápidas de veículos no meio-fio. Estamos trabalhando
muito mais numa ótica do trânsito em geral e da facilitação do transporte
coletivo e individual, com ênfase na requalificação do Centro, do que numa
ótica de transformá-lo, o que era um pouco a expectativa anterior, numa parte
dessa estrutura de corredores para o transporte coletivo em toda a cidade.
A tendência, então, não é transformara Rótula Central em corredor de
ônibus?
O formato corredor é aproveitável
em alguns pontos dela, mas não em sua totalidade. Na São Luiz, por exemplo, será
muito difícil implantar um corredor de ônibus.Nosso estudo envolve
monitoramento eletrônico, com câmeras e central de semaforização inteligente. O
sistema permite intervir rapidamente em caso de acidentes ou de qualquer outro problema
que prejudique o trânsito. Estamos avaliando, por conta do número de ônibus que
circulam pela Rótula, as intervenções que serão feitas, mas certamente todas
estarão voltadas à requalificação completa da área.
Há estudos para a Contra-Rótula?
Aí teremos dois trechos para
aumentar o estilo corredor de ônibus. Um no arco Norte, que vai do Parque D.
Pedro II à Amaral Gurgel, com obras começando em junho; e outro no arco Sul,
para a Consolação-Rebouças, com obras agendadas para julho. A implementação do
monitoramento eletrônico virá em seguida. Para o restante da Contra-Rótula estão
sendo feitos mais estudos e as intervenções na Rótula estão em revisão.
O que motivou os novos estudos?
O projeto antigo do corredor de transporte
dá muita ênfase aos terminais de transferência. Hoje, com o bilhete único,esses
terminais se tornaram supérfluos para muita gente. As pessoas descem do ônibus
em determinado local e caminham um pouco até tomar outra condução que as leve
aos seus destinos. Mudou muito a configuração das viagens com o bilhete único e
está mudando ainda mais com a integração ao metrô. Isso influi drasticamente no
número de ônibus necessários.
E esse número vai implicar na
necessidade,ou não, de se fazer um sistema viário exclusivo. Para finalizar
esse trabalho precisamos de mais dois ou três meses.Ao mesmo tempo, precisamos
avançar os estudos quanto ao que significará o Expresso Tiradentes. Ele chegará
ao Parque D. Pedro II e este distribuirá as pessoas, ou a pé ou outros veículos
sobre pneus e metrô, para outros locais.
Que órgãos se acham envolvidos nesses estudos?
Principalmente a Secretaria
Municipal de Transporte, com suas duas grandes áreas, CET e SPTrans, e o
Programa Ação Centro, na Emurb, por ter recursos destinados ao Centro.
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