ANO X   -   No. 41   -   junho / julho 2006
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Panorama  Viva o Centro, agente de mudanças

Reportagens  Capa Prrefeitura quer padronizar mobiliário urbano
Filantropia Novas regras para doação ao Funcad
Proposta Viva o Centro Rótula Central merece atenção
Bom Retiro O projeto que está mudando o bairro da moda
Manaus Restauro e requalificação da capital amazônica

Artigos

Meninos do Brasil, por Auro Danny Lescher

Governança, o caminho da reconstrução institucional do Estado,
por Adriana Andrade e José Paschoal Rossetti

Entrevista Mario Monzoni fala sobre a difícil equação da sustentabilidade

Cultura Liceu História e qualidade na formação profissional

Idéias Fragmentos da Luz
Avenida 9 de Julho: um percurso pela dança e pelo drama

Seções Carta ao Leitor
Cartas

Galeria
Mix Mesa
Mix Artes
Mix Livros
Mix Sites
Viva o Centro Notícias
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Caro Leitor  



Ainda há muito o que fazer para melhorar a cidade e, especialmente, seu Centro, mas às vezes algumas medidas simples dão resultados muito positivos. Nesta edição, a reportagem sobre mobiliário urbano discute a licitação que a Prefeitura pretende fazer para padronizar postes, cestos de lixo, pontos de ônibus, relógios... A questão levanta alguma polêmica, mas sua necessidade é incontestável: com a padronização e a terceirização, a cidade não fica sujeita ao gosto dos prefeitos, que alteram tudo a cada nova gestão, nem fica sem manutenção por falta de verbas. Outra medida simples foi a mudança na regulamentação do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad). Agora é possível doar diretamente para a instituição que se quer ajudar. Com isso, a arrecadação já aumentou. Vamos conhecer também o que está sendo feito no Centro de Manaus, onde o projeto Belle Époque está sendo implantado. Nem tão simples, porém, é resolver questões que exigem mudança de mentalidade.É o que afirma nosso entrevistado desta edição, o professor Mario Monzoni,da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Especialista em desenvolvimento sustentável, ele explica que as empresas precisam descobrir novas formas de fazer negócio, levando em conta as novas variáveis da equação imposta às empresas: problemas sociais e meio ambiente. Sem isso, não haverá recursos naturais suficientes para as próximas gerações. Os dois artigos também discutem a questão da mudança de mentalidade, fundamental para solucionar problemas como a infância nas ruas e a corrupção do Estado.O psiquiatra Auro Danny Lescher, coordenador do Projeto Quixote, explica como é o trabalho que desenvolve com crianças e jovens que vivem e trabalham nas ruas de São Paulo. Adriana Andrade e José Paschoal Rossetti, da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, mostram como os processos de governança corporativa, criados pelas empresas para promover a ética depois do escândalo da multinacional Enron, podem ser aplicados ao governo para reduzir a corrupção.

 

Boa leitura a todos!

Lizandra Magon de Almeida

Editora

 

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Cartas  



REVISTA URBS

 

Prezados Senhores,

Agradecemos o envio da revista URBS Viva o Centro, ano 10, nº. 40, mar/abr 2006, destinado ao acervo da nossa Biblioteca, por se tratar de um material bibliográfico imprescindível aos nossos usuários. Aguardamos as próximas publicações.

Marcelo Pivatti

Auxiliar de Biblioteca do Centro Universitário FIEO /

Fundação Instituto de Ensino para Osasco

Ilma. Sra. Lizandra Magon de Almeida

DD. Editora

Tem o presente a finalidade de registrar o recebimento do exemplar da revista Urbs Viva o Centro, ano X, nº. 40, março/abril 2006.

Agradecemos a gentileza e, na oportunidade,reiteramos os nossos protestos da mais elevada estima e distinta consideração.

 

Cordialmente,

Aurélio Nomura

Vereador

Prezadas Senhoras

Acusamos e agradecemos a recepção de exemplares do informe Viva o Centro, ano 14, nº. 221, e da revista Urbs, ano 10, nº. 40, ambos de março 2006.

Atenciosamente,

Claudia Candido

Bibliotecária

GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas

Prezados Senhores,

É com grande satisfação que recebo os exemplares da revista Urbs e agradeço pela atenção de todos. Parabenizo a equipe pelo trabalho competente que vem desenvolvendo ao longo desses anos, e desejo que a revista cresça e aumente o número de seus exemplares para atingir um público ainda maior. A população agradece.

Atenciosamente,

Marise Rangel

Caixa Cultural São Paulo

Estou com a última edição (40) e gostaria de saber como posso entrar em contato com Fabio Mattos, o fotógrafo que ilustra a reportagem Guichê Inteligente do Centro (página 26). Outro esclarecimento, vocês possuem acervo fotográfico? Qual a forma de consulta? É possível obter cópias das fotos? Fico aguardando resposta, e antecipadamente agradeço.

Sueli Emico, por e-mail

 

Prezada Sueli, Agradecemos o interesse pela revista. Possuímos um Banco de Imagens com mais de 7 mil fotos,parte dele é disponibilizado em meio digital para fins acadêmicos.Para consultá-lo,basta fazer uma visita a nossa biblioteca.

Para maiores informações, acesse nosso site: www.vivaocentro.org.br

 

ENTREVISTA ANDREA MATARAZZO

 

Olá,

Parabéns pela entrevista com o Subprefeito Andrea Matarazzo. Mas ficaram faltando muitas perguntas, como por exemplo, por que não tem banheiro no Centro. É um absurdo. Outro problema é sobre o Prédio do Parque D. Pedro, o treme-treme [São Vito]. Não se falou mais sobre o assunto. Isso sem contar o mato e o abandono do Parque, que só tem o nome. O que vai ser aquilo, afinal? Fala-se tanto do Mercado Municipal, mas sua volta está abandonada e sempre acontecem assaltos, sem que ninguém tome uma providência.

Atenciosamente,

Carlos, por e-mail

 

PRAÇAS

 

Na matéria publicada na última edição da revista URBS, Luís Alberto Chaves, da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, evoca um tal princípio de cidadania que é acionado toda vez que um governo (em qualquer um dos três níveis) precisa admitir que não consegue controlar bem os gastos públicos com o dinheiro cada vez maior que arrecada.

Governar virou também criar leis e decretos para, paulatinamente, transferir para o cidadão o que antes era dever do estado.

É claro que reclamamos que o Governo não faz, principalmente se sabemos que são os pobres que pagam a maioria do percentual de impostos. Uma coisa é permitir (por falta de proposta melhor) que as empresas patrocinem as áreas públicas que lhes convém – não raro, as que cercam suas propriedades. Mas só faltava agora querer que também a classe média-pobre andasse a tomar conta das praças do bairro. Nada contra as pessoas que “têm vocação comunitária”. Do jeito que as coisas caminham, com o estado admitindo, governo-após-governo, que quem dita as normas da organização social é o mercado e suas corporações, não há outra saída. É o cidadão arregaçar as mangas e pagar para ter o espaço público decente ou simplesmente não o terá. A menos que ele more em regiões comerciais, da Zona Sul ou Central, onde as empresas têm algum interesse em conservar locais públicos. Porque em zonas mais afastadas desses centros, a Prefeitura já viu que se não apelar para escolas (municipais, claro, já que particulares há bem menos nessas regiões), para ONGs e afins, vai ter de tirar dinheiro do próprio bolso. Ou deixar como está, como tem feito.

O cidadão não tem marca para estampar, mas bem que merecia uma plaquinha de agradecimento da Prefeitura. No centro da praça, de preferência.

Elen Campos, por e-mail

 

BRÁS

 

Muito interessante a matéria publicada na edição no 40 da revista urbs, sobre as iniciativas e parcerias públicas e privadas para a revitalização do Brás. É importante que elas sejam valorizadas pois, além de reordenar obairro, levantam uma discussão importante sobre a questão dos camelôs, e sua complicada relação com os lojistas. A solução apontada pela Subprefeitura da Mooca, de fazer a ‘feirinha da madrugada’, pode não ser ainda a ideal, mas acredito que seja um primeiro passo na direção certa, pois minimiza o conflito e permite que todos tenham seu espaço para trabalhar.

No entanto, vale ressaltar que o Brás não é só do comércio de roupas. A rua do Gasômetro e seus arredores, onde se concentram grandes lojas madeireiras da cidade, também enfrentam uma série de problemas típicos da região, e também é urgente que sejam elaboradas e divulgadas propostas para sua reurbanização.

Denise Conselheiro, por e-mail

 

Envie suas sugestões e comentários, com seu nome completo e profissão, para o e-mail: editora.urbs@vivaocentro.org.br

 

 

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  Panorama  

VIVA O CENTRO, AGENTE DE MUDANÇAS

 

MARCO ANTONIO RAMOS DE ALMEIDA

Superintendente Geral da Associação Viva o Centro.

 

Há 15 anos, quando a Associação Viva o Centro foi fundada, estabeleceu-se que ali se iniciava um projeto delongo prazo. Os fundadores da entidade tinham, já naquela época, consciência de que a recuperação do Centro de São Paulo era, antes de tudo, um processo de mudança cultural. Havia necessidade de se sensibilizar os governos, a iniciativa privada, a intelectualidade, a mídia e, por fim, a população em geral.À medida que o tempo foi passando, o trabalho da Associação foi alcançando repercussão cada vez maior, tanto que nas duas últimas eleições municipais a recuperação do Centro figurou com destaque entre os temas colocados,por exemplo, nos debates promovidos por emissoras de rádio e TV, assim como em reportagens e entrevistas publicadas pela mídia impressa com os candidatos a prefeito. Esta é a sexta gestão municipal pela qual a Associação está passando. Ao longo dessas seis gestões, a entidade conseguiu garantir continuidade ao projeto de recuperação do Centro como uma prioridade da Prefeitura. Desde sua fundação, a Viva o Centro traz os candidatos a prefeito à sua sede com o intuito de apresentar-lhes a pauta de reivindicações para a área central, mas não só. Como uma autêntica usina de idéias, a Associação tem inovado e, indo além de seu papel de porta-voz da sociedade civil organizada, tem elaborado e oferecido propostas e projetos ao poder público a título de colaboração, numa atuação participativa que acompanha a modernização e a maturidade do processo democrático brasileiro. Faz parte do perfil do Terceiro Setor, como observamvários pesquisadores em ciências sociais, reinventar a democracia e se tornar agente de mudanças. Hoje, nas cidades brasileiras, a sociedade civil organizada já influencia a qualidade e extensão dos serviços públicos. Trata-se de um fenômeno em expansão que, por apresentar retorno imediato às populações, amplifica o conceito de democracia participativa e, por isso mesmo, tem representatividade para interagir com o poder público.Uma cidade vitalizada e próspera depende da intensidade com que seus cidadãos participam da busca de soluções para os mais diversos problemas que dificultam a metade melhor qualidade de vida para seus habitantes. Depende, em síntese, do exercício da plena cidadania de quem sonha com melhorias em seu cotidiano, o que vai muito além do comparecimento às urnas. Reconhecida como entidade de utilidade pública, a Associação Viva o Centro assumiu um papel de agente de transformação, aproximando parceiros e tecendo com eles e o poder público uma rede mais complexa e eficiente de participação social. Com um elenco diversificado de associados nos mais variados estratos sociais e atividades, e uma ramificação com milhares de participantes da coletividade do Centro por meio do seu Programa de Ações Locais, a Viva o Centro vem chamando a atenção dos governantes para os problemas e fazendo sugestões que surgem de amplas discussões com técnicos e, principalmente, com aqueles que vivem, trabalham e conhecem os problemas do Centro.

 

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  Galeria  

(Por Claudia Casanova)

 

NA LUZ,O PRIMEIRO MUSEU DEDICADO A UM IDIOMA

Primeira instituição dedicada totalmente a um idioma, o Museu da Língua Portuguesa está atraindo centenas de visitantes desde a sua inauguração, em 21 de março. Com espaços interativos e obras de arte que buscam oferecer uma viagem sensorial e subjetiva pelo português, o Museu é, na verdade, uma imensa instalação audiovisual. Em seus espaços, o visitante assiste filmes, ouve leituras e observa os vários módulos interativos, que fazem perceber a Língua Portuguesa de uma maneira totalmente inovadora.

Ao chegar ao térreo, o visitante já encontra a “Árvore da Língua” e uma espécie de mantra brinca com as palavras “língua” e “palavras”, ditas em vários idiomas. No primeiro piso, ao qual se chega de elevador, está a área de exposições temporárias, os terminais multimídia, os escritórios de gestão do conteúdo, atividades educativas e programação.

O segundo piso abriga a Grande Galeria – painel feito de projeções e sons, que formam um mural em movimento; a Galeria das Influências – com oito totens dedicados às influências das línguas que contribuíram para a formação do idioma no país; a Linha do Tempo – com telas interativas e vídeos que ajudam a contar a história da Língua Portuguesa no Brasil; e o Beco das Palavras, um jogo interativo no qual o visitante pode brincar com a criação de palavras e aprender sobre a etimologia dos termos usados atualmente. No terceiro andar, está a Praça da Língua, onde o visitante encontra uma espécie de planetário,com uma antologia da literatura brasileira escolhida por José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.

O Museu da Língua Portuguesa é uma realização da Fundação Ro-berto Marinho e da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O projeto museográfico foi desenvolvido com a supervisão de Ralph Appelbaum, um dos grandes especialistas da área, tendo realizado, por exemplo, os projetos do Museu do Holocausto de Washington e a sala de biodiversidade do Museu de História Natural de Nova York.

Serviço: Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, s/nº (E2-98), tel. 3221-1820, de terça a domingo, das 10h às 18h. Os visitantes podem assistir a filmes, participar de audições de leitura e de outras atividades interativas. A entrada custa R$ 4 (meia para estudantes). Grátis aos sábados.

 

MUSEU DA CASA BRASILEIRA COMEMORA PREMIAÇÃO DE PAULO MENDES DA ROCHA

De 19 a 25 de junho, o Museu da Casa Brasileira (MCB) vai promover em São Paulo a Semana Paulo Mendes da Rocha, em homenagem ao renomado arquiteto brasileiro, que recebeu a medalha de ouro na edição 2006 do Prêmio Pritzker.

A semana contará com um tour pelas obras do arquiteto na capital paulistana, que farão parte de um Guia de Arquitetura, também a ser lançado durante o evento, além de debate com críticos e arquitetos sobre sua obra e uma festa de encerramento no próprio Museu, entre outras atividades.

O Prêmio Pritzker é uma das principais premiações da arquitetura mundial, muitas vezes chamado de o ‘Nobel da Arquitetura’. É concedido pela Fundação Hyatt todos os anos desde 1979. No Brasil,Paulo Mendes da Rocha será o segundo arquiteto a recebê-lo: apenas Oscar Niemeyer havia sido premiado antes, em 1987.

  

AGÊNCIA FESS INAUGURA NOVA SEDE NO CENTRO

Especializada em comunicação e publicidade, a agência Fess foi inaugurada na região central em 2002. Para comemorar seu crescimento e inaugurar uma nova fase, mudou-se para um espaço maior na Rua do Triunfo, região da Nova Luz.

“A nova Fess é a cara do Centro reformado, em que o antigo recebe intervenção do moderno e revive”, define Sérgio Rinaldi, diretor da empresa. A idéia, segundo ele, é trazer novos negócios para uma região que, com os recentes incentivos fiscais e reformas estruturais,tem atraído a atenção de diversas outras empresas de serviços.

Agora, em um novo espaço mais moderno e interativo, a Fess busca comprovar sua vinculação e aposta na requalificação do Centro. O projeto do novo espaço é de autoria do arquiteto Marcelo Nepomuceno.

 

CENTRO RETOMA A PROFISSÃO DE ALFAIATE

A Associação dos Alfaiates e Camiseiros do Estado de São Paulo (AACESP) lançou, no mês de março, o “Projeto Sob Medida”, que tem como objetivo manter viva a profissão de alfaiate, cujo período áureo aconteceu por volta dos anos 1950.Com o crescimento da produção industrial de roupas, o ofício perdeu espaço. Hoje, o Estado tem pouco mais de 1,5 mil profissionais na área, cuja média de idade é de70 anos. “A intenção de se criar um Centro Profissionalizante existe, na verdade,desde a fundação da AACEPS. O primeiro estatuto já mencionava isso, mas somente agora pudemos concretizar esse sonho”,conta Antônio Rached, diretor comercial da Associação.

Com três módulos – calça, camisa e paletó e blazer – o curso acontece de segunda a sexta-feira na Avenida Ipiranga,1.267 (D4), segundo andar. A primeira turma está tendo aulas à tarde, mas a intenção é formar grupos para diferentes horários. O público-alvo são as pessoas acima de 16 anos e alfabetizadas: “A primeira turma tem estudantes de moda,além de jovens e senhoras; o público é bastante diversificado”, explica Rashed.Cada módulo tem a duração de três meses e um custo mensal de R$ 350,00.

O Centro procura parcerias para tentar oferecer, por exemplo, bolsas de estudos para jovens carentes. Para a inauguração do Projeto, indústrias como Linhas Corrente,Tecelagem Panamericana e a Giz Águia doaram material para as aulas. Para mais informações sobre o curso, o telefone de contato é o (11) 3313-0250.

 

TEMPLO CULTURAL

Referência cultural do país em termos de acesso à informação e preservação de dólmen, este espaço guarda um precioso acervo com cerca de 350 mil livros e 11 mil títulos de periódicos. Sua fundação, na verdade, aconteceu em outro endereço, em 1925, mas com o decorrer dos anos – e o aumento grandioso do acervo e de usuários –, a transferência para um novo local tornou-se imprescindível, o que aconteceu em 25 de janeiro de 1942. O novo edifício foi idealizado pelos arquitetos Rubens Borba de Morais e Jacques Pilon e se transformou em marco da arquitetura art decóda cidade. Na época da mudança denominava-se, ainda,Biblioteca Municipal de São Paulo. Em 1960, o prédio localizado na Rua da Consolação, 94,mudou de nome e passou a homenagear um dos maiores escritores do país. Na foto, vista interior da Biblioteca Municipal Mário de Andrade (C6, 81). Foto de Fabio Mattos.

 

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL EM NOVO PRÉDIO DO CENTRO

Localizada na Rua Dr. Falcão Filho, 121 (D6), no Centro, a nova sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) foi inaugurada em março pelo seu então presidente, o desembargador Álvaro Lazzarini – que após a inauguração deixou o cargo, aos 70 anos de idade.Com uma área de 6.360 m², o prédio passa a abrigar parte da secretaria do órgão: são 15 andares, sendo11 pavimentos de escritórios e quatro de garagem.

O TRE conta hoje com mais de mil funcionários,sendo que a nova sede deve acomodar inicialmente os 200 funcionários da Secretaria de Recursos Humanos do Tribunal. Adquirido pelo TRE em outubro do ano passado, o prédio, que havia sido construído há dez anos e nunca tinha sido utilizado, estava inacabado e desocupado.

O Tribunal Regional Eleitoral é agora presidido pelo desembargador Paulo Henrique Barbosa Pereira.A instituição tem sido uma grande colaboradora da Associação Viva o Centro na realização das eleições gerais anuais nos 41 núcleos de Ações Locais, disponibilizando urnas e cabines para a votação.

  

AVENIDA NOVE DE JULHO GANHA NOVA FONTE

Parceria entre a Racional Engenharia e a Subprefeitura da Sé para o programa de adoção de áreas verdes, os novos chafarizes e canteiros laterais da Avenida Nove de Julho (B6, A7),nas saídas do túnel Daher Cutait, foram inaugurados em fevereiro. A instalação dos adereços começou em dezembro de 2005, com obras de instalação de novas bombas de ativação das cascatas, sistema elétrico e hidráulico, conserto das impermeabilizações e revitalização da pintura, além da iluminação cênica do local. O canteiro também ganhou um novo projeto paisagístico, assinado pelo arquiteto André Graziano.

Para o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, trata-se de uma conquista especial, já que o projeto com a Racional contabiliza 40 áreas preservadas por meio de parcerias na região. Em seu histórico, a empresa de engenharia tem a recuperação da cúpula de concreto armado da Oca, no Parque do Ibirapuera, a adaptação e ampliação do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e a revitalização de edifícios como o MASP e a Galeria Prestes Maia.

 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE MACAUVIRA FOCO DE CAMPANHA PRÓ-TURISMO
O ano de 2006 em Macau, cidade localizada no sudeste da China, foi classificado pela Direção de Serviços de Turismo (DST), órgão do governo local, como o “Ano do Patrimônio Mundial”. Trata-se de campanha internacional – direcionada principalmente aos mercados europeu, australiano e de Hong Kong –que visa promover o Centro Histórico, reforçando a face cultural da cidade que durante quatro séculos esteve sob domínio português.
Composto de diversas construções arquitetônicas seculares, entre elas as Ruínas de São Paulo, o Centro Histórico da cidade foi recentemente classificado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. A região inclui oito praças e 22 monumentos históricos que compreendem o Templo de A-Má, o Quartel dos Mouros, a Casa do Mandarim, a Igreja de S. Lourenço, a Igreja e Seminário de S.José, o Teatro Dom Pedro V, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Igreja de Santo Agostinho, o Edifício do Leal Senado, o Templo Sam Kai Vui Kun, a Santa Casa da Misericórdia, a Igreja da Sé, a Casa de Lou Kau, a Igreja de S. Domingos, as Ruínas de S. Paulo, o Templo de Na Tcha, o Troço das Antigas Muralhas da Defesa, a Fortaleza do Monte, a Igreja de Santo António, a Casa Garden, o Cemitério Protestante e a Fortaleza da Guia. Mais informações sobre a cidade e a campanha podem ser obtidas no site http://www.macautourism.gov.mo

 

9,2 MIL
É o número de estabelecimentos comerciais da área compreendida pela Subprefeitura da Sé. Fonte: Sumário de Dados 2004, Governo Municipal de São Paulo.

 

CCBB SÃO PAULO:CINCOANOS DEMOCRATIZANDO A CULTURA
Referência no cenário cultural do país, o Centro Cultural Banco do Brasil (E5- 45) é reconhecido, principalmente, pela alta qualidade de sua programação, que abrange todos os tipos de manifestações culturais. Inaugurada em2001, a filial paulistana do CCBB – que possui espaços em mais três cidades – completou cinco anos em abril e a data foi comemorada com uma programação especial: teatro, artes visuais e cinema marcaram a ocasião.
A data comemorativa teve, ainda, a inauguração da nova estrutura do prédio, que agora conta com uma placa indicativa, uma nova cafeteria no térreo e uma loja que comercializa produtos ligados a projetos sociais e à programação do CCBB.
Criado com o objetivo de formar novas platéias, democratizar o acesso à cultura e contribuir para sua promoção e incentivo, o CCBB São Paulo já patrocinou e realizou 781 eventos, nas mais diferentes áreas de atuação, o que representa um número de cerca de 10 mil apresentações. Desde sua inauguração, o espaço já recebeu, nesses últimos cinco anos, quase 3 milhões de visitantes. A revitalização do prédio no qual está instalado e a própria movimentação de pessoas – atualmente o espaço conta com uma visita média mensal de 2,5 mil pessoas –o transformaram em um dos principais pólos culturais do Centro.
Serviço: O CCBB (E5-45) fica localizado na Rua Álvares Penteado, 112.

 

ENQUANTO ISSO NA TV MOTOS INVISÍVEIS NO CENTRO

O prazer de pilotar um Honda é tão grande que o motociclista começa a dirigir antes mesmo de sua moto chegar. Com esse mote, a nova campanha da DM9DDB para o Consórcio Nacional Honda mostra homens e mulheres pilotando motocicletas invisíveis: eles aceleram, freiam, estacionam e dirigem por diversas ruas, entre elas, a Rua Riachuelo (foto), no Centro. Com direção de Criação de Sergio Valente,Fabio Saboya e Augusto Moya, a campanha usa o slogan “Quem tem Consórcio Nacional Honda já se sente pilotando”. A direção de arte é de Marco Minervino.

 

ESCRITÓRIO DE ORIENTAÇÃO JURÍDICANA REGIÃO CENTRAL ATENDE POPULAÇÃO CARENTE

A população carente de São Paulo tem acesso à orientação jurídica gratuita através do programa Orijuri – Escritório de Orientação Jurídica –, uma parceria entre o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (OAB-SP) e do Programa Educacional Capuano (PEC).

Localizado em um prédio do PEC – na Rua Barão de Monte Santo, 426, Mooca –, o Orijuri trabalha com quatro estagiários de Direito contratados pelo CIEE e supervisionados pela OAB-SP, que auxiliam as pessoas com problemas pertinentes a separação; expedição de documentos; compra, venda e locação de imóveis; dúvidas sobre aposentadoria e previdência; questões sobre pensão alimentícia; divisão de bens e inventário e questões trabalhistas. O serviço é destinado a cidadãos que ganham até três salários mínimos por mês.

A OAB-SP está entre os fundadores e mantenedores da Associação Viva o Centro.

 

CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM GANHA CIRCUITO

Permitir que estudantes do ensino médio de escolas públicas e particulares de Belém conheçam de perto a história dos casarões e monumentos históricos da Cidade Velha, o Centro Histórico de Belém, é a proposta do Circuito Landi, projeto coordenado pelo Fórum Landi, da Universidade Federal do Pará. Landi é o sobrenome do arquiteto italiano Antônio José, que chegou ao país em 1753 como desenhista em uma comissão enviada pelo governo português para demarcar as fronteiras da colônia. No legado deixado pelo arquiteto em Belém, apaixonado pelo ramo da botânica, estão as numerosas mangueiras, tão características da cidade.

O Circuito faz parte de um projeto ainda mais abrangente denominado “Landi: Cidade Viva”, que visa promover atividades culturais que contribuam com a revalorização da área. São atividades musicais, saraus em casarões do bairro, oficinas culturais e palestras que enfocam o ambiente urbano e social da cidade. O “Cidade Viva” também promoverá o mapeamento sociocultural dos moradores e o cadastramento dos imóveis do bairro da Cidade Velha.

 

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REPORTAGEM

ESPAÇOS PÚBLICOS

ORDEM NO CAOS DO MOBILIÁRIO URBANO

A cada nova gestão municipal, um novo visual invade o mobiliário urbano. Cada prefeito quer deixar sua marca, e por isso troca lixeiras, pontos de ônibus, relógios... A cada quatro anos, o caos estético aumenta e as verbas nunca são suficientes para a manutenção. A Prefeitura de São Paulo prepara agora uma licitação que visa padronizar o mobiliário urbano da metrópole. O Rio já fez isso e agora colhe os frutos

A exemplo do que foi feito no Rio de Janeiro em 1999, a Prefeitura de São Paulo realizará em 2006 uma licitação para reformular todo o mobiliário urbano da cidade: relógios de rua, cabines de segurança, lixeiras, abrigos de pontos de ônibus e de táxi, quiosques de informação turística e banheiros públicos serão padronizados e ganharão design mais moderno.

O edital está em fase de preparação na Secretaria de Planejamento e a Prefeitura não comenta a licitação até sua conclusão. Foi divulgado, no entanto, que a concorrência deverá envolver as maiores empresas do setor – multinacionais e brasileiras. O vencedor se encarregará por 20 anos da instalação e manutenção de quase 10 mil novos equipamentos,sem cobrar nada.

A contrapartida para a empresa concessionária deverá seguir também os moldes do que foi feito no Rio: a empresa poderá explorar por 20 anos as 14 mil faces de espaço publicitário dos equipamentos, faturando cerca de R$ 134 milhões a cada ano. Um percentual desse valor seria ainda repassado à Prefeitura.

O arquiteto Jorge Jáuregui, consultor das empresas responsáveis pelo mobiliário carioca, acredita que, pelo grande porte da licitação, deverão participar as empresas multinacionais que disputam o mercado internacional: a francesa JCDecaux, a espanhola Cemusa e a inglesa AdShel – as duas últimas, vencedoras da concorrência carioca. “A maior vantagem dessas empresas é que já têm expertise mundial e conseguiriam dar conta do investimento numa cidade da dimensão de São Paulo.”

Além do Rio, a Cemusa atua em Manaus, Brasília e Belo Horizonte. A JCDecaux explora o mobiliário urbano de 3,5 mil cidades do planeta, incluindo Salvador, que teve licitação semelhante em 2000, explorando a publicidade nos relógios de rua.

O edital da licitação paulistana passou recentemente para a responsabilidade da Secretaria de Planejamento. Quando ainda estava sendo elaborado pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), divulgou-se que a cidade não seria dividida em lotes, como no Rio de Janeiro. As empresas nacionais criticaram o modelo, já que ficariam virtual-mente fora da disputa. Elas também protestaram contra a possibilidade de a Prefeitura exigir um capital social mínimo para participação.

Apesar disso, o arquiteto não concedera impossível que se padronize bairros tão diferentes como o Morumbi, o Tatuapé e o Centro. “De fato, há inserções urbanas diferentes: uma parte que se pretende mais internacional, mais turística e outro setor mais funcional.Mas é possível atender às características dos múltiplos usuários. Em São Paulo a periferia é literalmente periférica, portanto penso que se poderia criar um mobiliário único. Acho que seria interessante uniformizar.”

O edital da licitação promovida pela Prefeitura carioca, em 1999, também foi muito criticado pelas exigências que inviabilizavam a participação de empresas nacionais – mesmo tendo dividido acidade em setores: a Cemusa ganhou a concorrência nas zonas Oeste e Norte,enquanto a AdShel ficou com o Centro e a Zona Sul. Segundo o secretário Municipal da Fazenda do Rio de Janeiro, Francisco Almeida e Silva, o problema foi contornado em parte pela associação de escritórios brasileiros de design às firmas internacionais.

Até hoje, segundo o secretário, existe uma disputa judicial no Rio de Janeiro envolvendo as empresas menores,que não conseguiram competir com as gigantes AdShel e Cemusa, vencedoras da concorrência. “Mesmo a JCDecaux,que é uma das líderes de mercado,questionou o resultado da licitação. O fato é que numa licitação grande e complicada como esta, sempre há controvérsia”, diz.

Silva considera naturais “as ponderações dos que estão interessados em explorar o mobiliário urbano”. Para ele,os mesmos questionamentos deverão aparecer em relação à licitação paulistana. “O importante é destacar que não se trata de uma empreitada pequena – não dá para trabalhar com empresas que não tenham expertise. E, se no Rio de Janeiro são quase 3 mil equipamentos instalados, imagine a magnitude do mobiliário urbano de São Paulo.”

Apesar das controvérsias, o secretário da Fazenda é categórico ao afirmar que a licitação feita em 1999 só trouxe vantagens à cidade. “Os equipamentos não só requalificam o ordenamento urbano, como prestam informação de caráter público para a população. As empresas que exploram a publicidade nos equipamentos fazem a manutenção e atendem aos pedidos da Prefeitura com muita agilidade”, afirma.

Em seis anos, foram instalados 2 mil abrigos de ônibus, 50 sanitários públicos, 500 totens informativos, 400 relógios eletrônicos, 500 placas direcionais,20 cabines de segurança para a guarda municipal, 25 colunas multiuso, 150bancas de jornais e 200 totens de identificação de bens. Os totens têm, numa face, um painel fixo com informações públicas. Na outra, três anúncios gira-tórios que se revezam mecanicamente.O conjunto de quase 3 mil faces perfaz11 mil metros quadrados de espaço publicitário.

Silva ressalta que a concessão do mobiliário urbano foi uma opção coerente com as diretrizes da Prefeitura carioca, que procura incentivar parcerias da iniciativa privada com o poder público. Para ele, se São Paulo seguir o mesmo caminho, terá benefícios estéticos e financeiros.

“Além das vantagens diretas para o cidadão, que tem uma cidade mais bonita, a Prefeitura fica com parte da renda de publicidade. Devemos arrecadar R$ 8,5 milhões com a nossa porcentagem sobre a publicidade nas2.975 unidades disponíveis. Acrescenta-se a isso uma vantagem financeira de outra natureza: além de arrecadar, a Prefeitura deixa de gastar com o reordenamento urbano. Este valor é difícil de calcular, mas seguramente já economizamos algumas dezenas de milhões de reais”, diz.

Na licitação carioca, durante os primeiros cinco anos, quando as empresas faziam investimentos mais elevados, de instalação de equipamentos, pagavam um valor fixo à Prefeitura. A partir de 2005, a Prefeitura passou a ficar com40% dos lucros publicitários da Zona Sul e Centro, 37,5% da receita da Zona Oeste e 22% da Zona Norte.

“Até 2004 a Prefeitura recebeu mais de R$ 24 milhões das duas empresas. A AdShel pagou R$ 8,8 milhões pela exploração da Zona Sul e Centro, enquanto a Cemusa pagou R$ 9,3 milhões pela Zona Oeste e R$ 6 milhões pela Zona Norte”, calcula o secretário.

Ele lembra que o mobiliário urbano carioca, antes de 1999, estava em situação semelhante à que se vê hoje em São Paulo: má conservação, pouca padronização e vestígios de várias gestões,com designs heterogêneos. “Havia uma coisa esparsa, sem coerência nem uniformidade. Quando se deu essa identidade ao mobiliário e se acoplou a publicidade à informação pública, gerou-se uma interação que faz com que a população passe a proteger os equipa-mentos”, diz.

Quando a gestão do mobiliário fica exclusivamente a cargo da administração pública, surge ainda um problema de identidade, segundo Almeida e Silva. “Cada prefeito quer colocar sua marca. O mobiliário urbano devia passar incólume pelas administrações, ser independente delas. Quando as empresas cuidam disso, além de manter uma impessoalidade, que é saudável, há muito menos gastos, já que não se vai mudar tudo a cada gestão.”

Identidade paulistana x design globalizado

O arquiteto Jorge Jáuregui acredita que, pela dimensão da capital paulista, a empresa vencedora deverá criar uma linha distintiva de mobiliário, obedecendo às características climáticas e culturais da cidade. “Quando se trata de uma cidade pequena, normalmente aplica-se uma das linhas já existentes no catálogo da empresa. Mas numa licitação deste porte, seria um erro usar linhas padronizadas e globalizadas. O ideal seria aproveitar a oportunidade para dar à cidade mais um elemento de identidade, marcando sua personalidade”, sugere.

Para o arquiteto, o mobiliário faz parte da cultura urbana da cidade e deve ser adaptado à realidade local. “Há uma questão cultural envolvida, não se trata apenas de aspectos funcionais. O equipamento precisa funcionar bem, mas é importante que se adapte à forma como as pessoas usam. Ele deve marcar as especificidades locais e reforçar a personalidade urbana”, defende.

Jáuregui utilizou esses critérios ao ser contratado pela AdShel para propor o design do mobiliário no Rio em1999. A proposta acabou não sendo utilizada no Rio, mas a empresa a adotou para outras cidades, segundo o arquiteto. “Minha proposta recolhia a trajetória da arquitetura de Burle Marx, onde o traço da curva é suave,amistosa, em concordância com as suaves curvas da Baixada Fluminense. Do meu ponto de vista, foi bem adaptada,mas eles preferiram um design que já fosse conhecido internacionalmente.Não concordo, acho que a linha que foi aplicada no Rio poderia ser usada em qualquer lugar”, opina.

A facilidade de manutenção é a pedra de toque do mobiliário urbano padronizado numa grande cidade, segundo o arquiteto Paulo Casé. Em parceria coma AdShel, Casé foi o responsável pelo design do mobiliário urbano implantado pela empresa na Zona Sul e Centro do Rio de Janeiro.

“O que há de fantástico no processo é a manutenção inteligente. A empresa,que é uma grande multinacional, é capaz de manter um verdadeiro esquadrão de preservação dos equipamentos”, afirma. No Rio, segundo o arquiteto, quando há um vidro quebrado ou um totem depredado, a empresa se encarrega da troca no mesmo dia. Uma manutenção desse porte seria, segundo ele, inviável para a Prefeitura. “O poder público não tem expertise nem recursos para fazer isso. Mas é o que cria uma cultura de preservação. É como acontece no metrô de São Paulo: as pessoas vêem tudo sempre limpo e não têm coragem de sujar”, explica.

A concorrência no Rio, segundo o arquiteto, foi ganha com equipamentos que já faziam parte da coleção da empresa vencedora. “Na época da licitação, a Prefeitura exigiu um protótipo em tamanho natural de todos os equipamentos, o que nos proporcionou uma análise mais acabada das soluções”, conta Casé. “Fomos a Londres e adaptamos uma família de equipa-mentos da AdShel. Ganhamos a concorrência tanto pela qualidade quanto pelo preço”, diz.

Ao contrário de Jorge Jáuregui, Casé defende um desenho internacional para o mobiliário de cidades como São Paulo. “Não gosto nem um pouco do que se fez em Salvador, com cabines em forma de cocos e bananas. Acho meio ridículo. A cultura local não se defende daquela forma, é xenofobia barata”, cri-tica. “Para mim, é como querer particularizar um automóvel ou geladeira.Além disso, quem vai comprar os espaços publicitários são grupos que já sabem as dimensões exatas dos anúncios.Por isso há modelos pré-determinados que valem no mundo inteiro.”

 

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REPORTAGEM

FILANTROPIA

 

MUITO ALÉM DA ESMOLA

Regulamentação das regras para doação ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente permite destinação a projetos específicos, o que deve ampliar arrecadação

 Por EDUARDO FIORA

Uma pequena mudança na legislação que regulamenta a doação de dinheiro por parte de pessoas físicas e jurídicas para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad) abre novas perspectivas para a arrecadação de verbas a serem aplicadas em projetos sociais. Anteriormente os doadores não tinham como acompanhar o destino dos recursos. Hoje eles já podem direcionar sua doação, indicando qual instituição pretendem apoiar. “O instrumento que prevê e normaliza essa iniciativa é a resolução 77/05”, afirma a presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA),Albertina Duarte. “Do valor destinado ao Fumcad, nessa modalidade de doação, 10% serão reservados para financia-mento de outros projetos aprovados pelo próprio CMDCA”, acrescenta, lembrando que as pessoas físicas podem destinar ao Fumcad até 6% do valor referente ao Imposto de Renda devido, e as pessoas jurídicas até 1%.

Os recursos obtidos por meio dessas contribuições são destinados ao financiamento de projetos de proteção às crianças e adolescentes apresentados e aprovados no CMDCA, órgão composto por 16 pessoas, sendo oito representantes das Secretarias da Prefeitura de São Paulo e oito de entidades sociais com atuação no setor. Além desses, integram o CMDCA os 16 conselheiros suplentes. Atualmente, existem 250projetos aptos a receber apoio financeiro dos contribuintes.

As doações devem ser realizadas via depósitos identificados (com nome,CPF ou CNPJ do depositante) na conta do Fundo Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente: Banco do Brasil agência 1897-X; conta corrente:5738-X. “A nova resolução fortalece esse mecanismo de financiamento de projetos de atendimento e proteção às crianças e adolescentes”, avalia Albertina Duarte.

 Arrecadação potencial

Criado há 15 anos, o Fumcad pratica-mente não é utilizado – e o motivo é o desconhecimento do grande público e das empresas. Em 2004, o município paulista, com uma população de cerca de 11 milhões de habitantes, arrecadou apenas R$ 2 milhões. Já em 2005, esse número saltou para mais de R$ 10,5 milhões, sendo que R$ 9 milhões tiveram direção já determinada, aproveitando a entrada em vigor da resolução77/05 no final do ano.

O total arrecadado ainda é pequeno se comparado ao grande número de empresas instaladas no município. Basta dizer que em Porto Alegre – com população de cerca de 1,5 milhão de habitantes –, o Fumcad local consegue doações da ordem de R$ 25 milhões anuais. De acordo com estimativas feitas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o fundo paulistano tem potencial de arrecadação de até R$ 400 milhões.

Se no passado os projetos eram apresentados e aprovados anualmente, hoje eles são avaliados pelo CMDCA a cada quatro meses. Os projetos selecionados têm validade de um ano a partir da data de publicação dos aprovados. A seleção baseia-se em critérios como a consonância com a legislação relacionada à criança e ao adolescente, cumprimento do edital do FUMCAD, proposta adequada à justificativa do projeto e custo compatível com a proposta. “As entidades relacionadas passam a constar da listados beneficiários do FUMCAD e podem ser escolhidas pelos contribuintes como objeto das doações do IR”, afirma Albertina Duarte.

Em 2005, o CMDCA recebeu 372projetos. Após um processo de seleção,250 foram aprovados, um número bem maior do que os 40 projetos regulamentados em 2004. Para o coordena-dor administrativo do Fumcad, Ricardo Ferreira, isso mostra que os esforços feitos na divulgação do fundo junto à sociedade deram o retorno esperado.“De um lado, mais empresas tomaram conhecimento do que é esse fundo. Do outro, novas entidades inscreveram-se no CMDCA com o objetivo de encaminhar seus respectivos projetos de ação social. Mas ainda temos muito a fazer no campo da difusão do Fumcad, de modo a sensibilizar mais e mais pessoas”, avalia Ferreira.

Segundo ele, a Resolução 77/05 foi bem recebida no meio empresarial. Nos encontros e palestras realizados pelo CMDCA na Fiesp e na Febraban (Federação Brasileira de Bancos) os empresários elogiaram a mudança que permite o acompanhamento do projeto apoiado. “Percebemos que os dirigentes empresariais entenderam essa resolução como algo que traz maior transparência ao processo de doação”,afirma Ricardo Ferreira. “A empresa pode, agora, acompanhar passo a passo o desenvolvimento das ações sociais que efetivamente apoiou. Com essa garantia, a tendência é que aumentem as doações feitas ao Fumcad, como já demonstram os números do ano passado.”

Exemplo concreto da eficácia da nova regra de doação vem da Fundação Projeto Travessia, que recebeu do Banco Volkswagen R$ 272 mil para dois projetos apresentados e aprovados em2005 pelo CMDCA. “Não fomos nós que procuramos o banco. Eles é que decidiram apoiar as nossas iniciativas”,revela o gerente de Comunicação do Travessia, Max Dante. “Isso desmistifica a crença de que a resolução 77/05beneficiaria somente as entidades que fossem a campo, de maneira articulada,buscar uma empresa apoiadora. Fica claro que vale muito a proposta de projeto que será analisada por empresas interessadas em doar para o Fumcad”,avalia Dante.

Outra empresa que decidiu doar parte de seu IR para o Fundo foi a AmBev.Nesse caso, o beneficiário foi a Fundação Gol de Letra, dirigida pelo ex-jogador de futebol Raí. Para o presidente do Conselho de Administração da AmBev,Vitório De Marchi, essa iniciativa é importante “pois tem como parceiros o CMDCA e uma ONG de sólida reputação”. “Assim, temos certeza de que esses recursos chegarão efetivamente ao seu destino”, afirma De Marchi. O total doado pela empresa supera os R$ 440mil. “É importante divulgar esse Fundo,para que outras empresas também façam doações e direcionem os recursos para instituições de sua confiança”, avalia Raí, lembrando que a Gol de Letra desenvolve projetos voltados para mais de 1.100 crianças em São Paulo e em Niterói (RJ).

O coordenador administrativo do Fumcad lembra que projetos de menor porte, muitas vezes propostos por entidades menos articuladas, também encontram espaços para a doação direta de verbas “A Cosipa doou R$ 40 mil,apoiando projetos ligados à Paróquia Nossa Senhora de Achiropita”, revela Ricardo Ferreira.

Doações no lugar de esmola

O secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro,afirma que o objetivo da Prefeitura é alcançar pelo menos R$ 100 milhões em doações. “Apelamos para que as pessoas e os empresários doem para Fumcad, para que possamos tirar as crianças das ruas de São Paulo”, afirma Pesaro, cuja pasta mantém o programa São Paulo Protege Suas Crianças. “O programa é direcionado para crianças e adolescentes que trabalham, que vi-vem nas ruas e adolescentes e que cumprem medida judicial em meio aberto”,explica o secretário.

O programa combina o controle de freqüência à escola com ações de complementação da jornada escolar, inclusão em programas e serviços de proteção social, fortalecimento da família e a geração de renda familiar, por meio do pagamento de subsídio financeiro mensal,como o Renda Mínima, e ações de natureza educativa e social. Abordagens sistemáticas das crianças e adolescentes em situação de rua, cadastro e acompanha-mento dessas famílias e a avaliação e monitoramento de todas essas ações também são prioridades.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) identificou cerca de 3 mil crianças e adolescentes em trabalho infantil em 180cruzamentos na cidade. Eles vêm de bairros periféricos ou de outras cidades da região metropolitana, moram com a família e vão à escola. Nos semáforos, vendem diversos produtos, fazem malabarismo e pedem esmolas. No Centro pelo menos 150 menores vivem em situação de rua, segundo dados da Fundação Projeto Travessia.

Foi dentro deste contexto que Pesaro decidiu lançar, no final do ano passado, a campanha “De mais que esmola. Dê futuro”, com o objetivo de sensibilizar a sociedade a apoiar concretamente o Fumcad. 


Box – DÚVIDAS MAIS FREQÜENTES
 

Todas as pessoas físicas podem fazer incentivos fiscais previstos na legislação do imposto renda?
 Não. Somente as que apresentarem Declaração do Imposto de Renda pelo modelo completo.

 

E quanto às pessoas jurídicas?

A pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real poderá deduzir do imposto devido em cada período de apuração o total das doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente - Nacional, Estaduais ou Municipais. A dedução está limitada a 1% do imposto normal de 15% devido (sem a inclusão do adicional), diminuído do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior.

 

A doação pode ser abatida diretamente como despesa operacional?

As doações somente podem ser deduzidas diretamente do imposto, não sendo passíveis de dedução como despesa operacional para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro.

 

Como fazer então para deduzir doações?

Isso significa que o valor debitado ao resultado como despesa deverá ser adicionado ao Lucro Líquido, no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), para efeito de apuração do Lucro Real.

 

Para efeito fiscais, quais cuidados devemos ter com o valor doado?

Para fins de comprovação a pessoa jurídica deverá registrar em sua escrituração os valores doados e manter em boa documentação correspondente. (Fonte: Sindicato dos Contabilistas de São Paulo)

 

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Reportagem

PROPOSTA

 

REQUALIFICAR A RÓTULA CENTRAL, O ANEL VIÁRIO DO CENTRO
 

ANA MARIA CICCACIO

 

No Centro de São Paulo existe um anel viário que conecta alguns dos mais importantes eixos radiais da cidade,como as avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Tiradentes, no sentido Norte-Sul,e Avenida do Estado, na direção Leste-Oeste. Esse anel articula o acesso a órgãos públicos e serviços,equipamentos culturais e ruas de comércio especializado e dá unidade ao núcleo central. É necessário recuperá-lo, mas sem alterar sua especificidade

 

 À exceção de urbanistas e técnicos em transporte, poucos moradores de São Paulo já ouviram falar em Rótula Central, mas certamente a maioria alguma vez já passou por ela a pé, de ônibus, táxi ou automóvel. A Rótula Central é o anel viário que serve o Centro e é formado pelas avenidas Mercúrio, Senador Queiroz, Ipiranga e São Luiz, viadutos 9 de Julho e Jacareí, Rua Maria Paula, Viaduto Dona Paulina,Praça Dr. João Mendes, Rua Anita Garibaldi, Avenida Rangel Pestana, viadutos 25 de Março e Mercúrio, Rua da Figueira e Avenida Mercúrio novamente.

 

A Rótula Central, como se vê no mapa esquemático abaixo, circunda o Centro Histórico e o conecta aos mais importantes eixos radiais existentes na cidade de São Paulo, como as avenidas23 de Maio, 9 de Julho e Tiradentes,no sentido Norte-Sul; Avenida Celso Garcia, na direção Leste-Oeste; Avenida do Estado, ligando com as cidades do ABC Paulista e Avenida Cruzeiro do Sul; avenidas São João e Consolação, Rio Branco e Liberdade, e,ainda, a Rua 25 de Março. A Rótula,portanto, articula todos os atrativos do Centro, que compreendem desde os órgãos públicos municipais, estaduais e federais com sede na área aos serviços,equipamentos culturais e ruas de comércio especializado, entre elas a 25 de Março (armarinhos, utilidades domésticas, tecidos, bijuterias), a Santa Ifigênia (eletrônicos e produtos de informática) e a Florêncio de Abreu (máquinas,ferramentas, produtos hidráulicos).

 

A Viva o Centro, em suas “10 Propostas para o Centro” apresentadas ao poder público municipal ainda durante a campanha eleitoral em 2004, reivindica qualidade urbanística em todo o trajeto da Rótula Central não apenas em parte dele, como hoje. “O que falta em São Paulo é continuidade de qualidade pública. E a Rótula é exemplar nesse sentido”, diz o superintendente geral da Associação, Marco Antonio Ramos de Almeida. “Em alguns trechos do percurso, calçadas, calçamento, postes de iluminação e mobiliário urbano estão em ordem. Nos demais, prevalece o caos. Assim, é preciso que a Prefeitura invista em melhorias e na manutenção de todos os trechos que compõem esse importante anel viário do Centro. Essas melhorias devem se tornar exemplos para as demais vias do Centro.”

 

Articuladora

 

A Rótula Central não deve ser vista como um anel viário para trânsito pesado. Ao longo de seu trajeto há calçadas largas, com relativo padrão de qualidade, e canteiros centrais ajardinados em muitos trechos. É preciso que na requalificação da rótula o pedestre seja também privilegiado,ainda mais quando levada em conta a média diária de freqüência ao Centro metropolitano, calculada pela Pesquisa Origem e Destino do Metrô em mais de 2 milhões pessoas/dia.

“O Centro tem a fama de ser um lugar com acessibilidade complicada,mas na verdade não é tanto. As pessoas não fazem idéia de como funciona a Rótula Central, do que ela interliga e da facilidade de acesso que proporciona. Com a Rótula requalificada e com o projeto do Anhangabaú implantado, como proposto pela Associação Viva o Centro (ler mais na urbs36 ou no site www.vivaocentro.org.br),vai ficar muito fácil chegar e se movimentar no Centro”, observa o superintendente da Viva o Centro. Se for dada uma unidade de projeto a todo o percurso da Rótula, como propõe a Associação, as pessoas passarão a ter mais noção da existência desse anel. “As pessoas se perdem no Centro porque não há essa unidade de projeto, ou seja, sinalização e arborização descontínuas,piso de calçada e de leito carroçável diferentes em cada trecho etc. Enfim, é importante que elementos visuais permitam identificá-la e circular por elas em risco de se perder, estando em um automóvel ou a pé.”

 

O papel articulador da Rótula Central é importantíssimo. Em algumas de suas ruas e avenidas, ou nas proximidades, estão instaladas repartições públicas e instituições que recebem diariamente intenso fluxo de usuários,sem contar equipamentos culturais com programação atrativa a grandes públicos inclusive em fins de semana e feriados. Percorrendo-as, pode-se dimensionar não só o valor da Rótula como a necessidade de restaurá-la.

 

Na Avenida Mercúrio (G4) estão o Parque D. Pedro II (G5) com o Palácio das Indústrias (G5-60) e o Gasômetro ao fundo, o edifício do Mercado Municipal (G4-59) recém-restaurado e, pouco à frente, o Pátio do Pari (H3).As calçadas precisam de reparos e, em geral, o logradouro requer limpeza já.Meses atrás a Prefeitura voltou a mencionar a possibilidade de demolição do Viaduto Diário Popular (G4) e prometeu finalizar as obras do Fula-Fila.

 

A Avenida Senador Queiroz (E-F4)é a porta de entrada do Centro para quem vem do ABC ou do Interior do Estado, mas se encontra abandonada,com canteiros muito mal cuidados,publicidade irregular e calçadas em péssimo estado de conservação.

 

Na Avenida Ipiranga (D3 a B5) onde se acham alguns dos edifícios ícones da cidade, como o Copan (B5-80) e o Itália (B5-79), sem contar a Praça da República (B5) com a Secretaria de Estado da Educação (B5-77) no histórico Edifício Caetano de Campos, apresenta uma série de problemas, entre eles o piso das calçadas precisando urgentemente de reparos, e camelôs por toda a parte, dificultando a circulação de pedestres, ainda mais hoje, com os canteiros de obras do Metrô (Linha 4).

 

Já a Avenida São Luiz (B5), uma das mais bonitas do Centro, bem poderia servir de modelo para a requalificação da Rótula, por ter a aparência de um bulevar. Seus canteiros centrais estão em ótimo estado, pois recentemente foram replantados com patrocínio do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo (Sindeprestem), depois de firmado Termo de Cooperação com a Subprefeitura da Sé, apesar de o sistema de canteiros altos ser antiestético e dificultar a circulação de pedestres. A maior parte do conjunto de edifícios da avenida, com grande qualidade arquitetônica e construtiva, também teve suas fachadas recuperadas, e a Praça D.José Gaspar (C6-81), no cruzamento com a Rua Xavier de Toledo (C6), se tornou muito acolhedora depois dos trabalhos de conservação empreendidos pela Maringá Turismo, mediante o mesmo processo de “adoção” assinado com a Prefeitura.

 

A Rua Maria Paula (D7), onde está instalada a Câmara Municipal de São Paulo (C6-82), ganhou também recentemente uma praça bancada pela própria Câmara, mas os canteiros precisam de reforma urgente, com poda de arbustos oportunistas e árvores, além de replantio nos lugares que ficaram carecas. As calçadas apresentam as mesmas necessidades de restauro que outros pontos da Rótula.

 

Na Praça João Mendes (E7), onde funciona o Fórum (E7-22), e de onde se avista os fundos do Palácio da Justiça (F7-17), vizinha à da sede da OAB e da Praça da Sé (E-F7), repete-se aladainha: é preciso fazer reparos em calçadas, melhorar a limpeza pública e controlar o comércio ambulante.

 

Não é melhor o estado da Avenida Rangel Pestana (F6), onde estão o Poupatempo e a Secretaria de Estado da Fazenda (G6-19). Os canteiros se acham depenados, sem nenhuma conservação, calçadas e mobiliário urbano (telefones etc.) estão em péssimo estado.

 

“Como ação emergencial, poderiam ser sanados os problemas pontuais, mas sem prejuízo da proposta da Associação Viva o Centro em si, que é a de requalificação para conferir unidade de projeto a todo o percurso da Rótula Central”, acrescenta o superintendente da entidade.

 

Conexões importantes

 

Na área central de São Paulo não existe somente a Rótula Central, há também o que se convencionou chamar de Contra-Rótula, utilíssimo anel viário para a ligação Leste-Oeste, mas com características mais próximas de uma free way em certos trechos. O trajeto desse segundo anel viário mais exterior ao Centro Histórico compreende: Parque D. Pedro II/Avenida Exterior (G5 e 6), Avenida Prefeito Pereira Pessoa, Rua Teixeira Leite,viadutos Leste Oeste, Jaceguai (C7)e Júlio Mesquita, túnel sob a Praça Roosevelt, Rua Amaral Gurgel (A4 e5), Avenida Duque de Caxias (C2),Rua Mauá (D2), Viaduto General Couto de Magalhães, Rua Prates (D1), Avenida João Teodoro (F1),Avenida do Estado (H2) e Avenida Exterior novamente.

 

Rótula Central e Contra-Rótula se conectam e por elas se pode chegar a equipamentos culturais como a Sala São Paulo, no Complexo Cultural Júlio Prestes (C1-92 e 93), e, na vizinhança, à Estação Pinacoteca (D2) e à Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (D2-95). Também se pode chegar à Estação da Luz (E2-98) recém-recuperada e agora abrigando o Museu da Língua Portuguesa, à Pinacoteca do Estado (E2-100) junto ao Jardim da Luz (E1-99), e ao Museu de Arte Sacra (F1-103), na Avenida Tiradentes. A Contra-Rótula é um anel viário que também precisa de atenção do poder público.

 

O trecho central da Avenida 9 de Julho, para o qual a Associação Viva o Centro chamou atenção alguns anos atrás, foi motivo de requalificação, tendo atenção especial do poder público municipal. Pode ser um bom exemplo,se bem que nem tanto. O que a Viva o Centro reivindica é o mesmo para a Rótula Central, no entanto sem transformá-la em um corredor de ônibus, de modo a não degradar nem o circuito para a circulação de pedestres nem seu entorno. Este importante anel viário que circunda o núcleo do Centro necessita urgentemente de um processo de requalificação de suas calçadas, geometria veicular, paisagismo e iluminação, de modo a proporcionar conforto e segurança aos pedestres e facilitar o trânsito de veículos coletivos e particulares, diz a Associação em suas “10 Propostas para o Centro”.

 

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[BOX] PREFEITURA ESTUDA MELHORIAS

 

A requalificação da Rótula Central está em discussão no âmbito técnico por diferentes setores da Prefeitura. Respondendo a uma solicitação de informações pela revista Urbs, a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Transportes foi lacônica: “O projeto da Rótula Central, no âmbito de trânsito e transporte, está sob análise dos técnicos da Secretaria, CET e SPTrans. No momento não há novidades sobre o assunto”. Já o vice-presidente da Emurb, economista Geraldo Biasoto Jr., também coordenador do Programa Ação Centro, voltado à recuperação da área central de São Paulo,atendeu à solicitação. Leia a seguir:

 

Procede a informação de que seria implantado um corredor de ônibus na Rótula Central?

Geraldo Biasoto Jr.:Antes de mais nada,vale a pena abrir um questionamento ao projeto anterior, voltado exclusivamente ao transporte coletivo, que tem muito a ver com a estrutura de corredores de ônibus desenhada entre os anos 2000 e 2001, que seria feito na cidade como um todo com recursos do BNDES. Já não existe mais a coligação desse projeto com recursos do BNDES. Existem recursos específicos destinados apenas ao Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila).

 

A desistência deve-se apenas à escassez de recursos?

Não. É uma questão de concepção também. Estabelecer um corredor de ônibus, em certos casos, traz como subproduto a deterioração das vias, tanto por fracionar demais os seus dois lados quanto por impedir paradas rápidas de veículos no meio-fio. Estamos trabalhando muito mais numa ótica do trânsito em geral e da facilitação do transporte coletivo e individual, com ênfase na requalificação do Centro, do que numa ótica de transformá-lo, o que era um pouco a expectativa anterior, numa parte dessa estrutura de corredores para o transporte coletivo em toda a cidade.

 

A tendência, então, não é transformara Rótula Central em corredor de ônibus?

O formato corredor é aproveitável em alguns pontos dela, mas não em sua totalidade. Na São Luiz, por exemplo, será muito difícil implantar um corredor de ônibus.Nosso estudo envolve monitoramento eletrônico, com câmeras e central de semaforização inteligente. O sistema permite intervir rapidamente em caso de acidentes ou de qualquer outro problema que prejudique o trânsito. Estamos avaliando, por conta do número de ônibus que circulam pela Rótula, as intervenções que serão feitas, mas certamente todas estarão voltadas à requalificação completa da área.

 

Há estudos para a Contra-Rótula?

Aí teremos dois trechos para aumentar o estilo corredor de ônibus. Um no arco Norte, que vai do Parque D. Pedro II à Amaral Gurgel, com obras começando em junho; e outro no arco Sul, para a Consolação-Rebouças, com obras agendadas para julho. A implementação do monitoramento eletrônico virá em seguida. Para o restante da Contra-Rótula estão sendo feitos mais estudos e as intervenções na Rótula estão em revisão.

 

O que motivou os novos estudos?

O projeto antigo do corredor de transporte dá muita ênfase aos terminais de transferência. Hoje, com o bilhete único,esses terminais se tornaram supérfluos para muita gente. As pessoas descem do ônibus em determinado local e caminham um pouco até tomar outra condução que as leve aos seus destinos. Mudou muito a configuração das viagens com o bilhete único e está mudando ainda mais com a integração ao metrô. Isso influi drasticamente no número de ônibus necessários.

 

E esse número vai implicar na necessidade,ou não, de se fazer um sistema viário exclusivo. Para finalizar esse trabalho precisamos de mais dois ou três meses.Ao mesmo tempo, precisamos avançar os estudos quanto ao que significará o Expresso Tiradentes. Ele chegará ao Parque D. Pedro II e este distribuirá as pessoas, ou a pé ou outros veículos sobre pneus e metrô, para outros locais.

 

Que órgãos se acham envolvidos nesses estudos?

Principalmente a Secretaria Municipal de Transporte, com suas duas grandes áreas, CET e SPTrans, e o Programa Ação Centro, na Emurb, por ter recursos destinados ao Centro.

 

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Reportagem

PERÍMETRO AZUL

PONTO DE PARTIDA PARA UM NOVO BOM RETIRO

ALINE GATTONI E LIZANDRA MAGON DE ALMEIDA

Com muito empenho e organização, a Associação Bom Retiro– que reúne moradores e empresários do bairro– está mudando a cara das ruas que integram o Perímetro Azul do projeto de requalificação local

 Ao longo dos últimos quatro anos, vários atores do bairro do Bom Retiro – o tradicional centro paulistano da confecção e venda de roupas e acessórios por atacado – estão protagonizando a requalificação urbana da região. O resultado desse trabalho já pode ser conferido em algumas ruas do chamado Perímetro Azul, que inclui as ruas Aimorés, Carmo Cintra,Cesare Lombroso e um trecho da Ribeiro de Lima (veja mapa ao lado).

A diferença em relação às demais do entorno ruas é nítida. Vitrines com pé direito duplo dão mais visibilidade e imponência aos show-rooms das pronta-entregas. A fiação tanto elétrica como telefônica foi embutida e sumiram da paisagem os transformadores gigantescos que ainda se penduram nos postes da Rua José Paulino e de outras vias transversais. A troca de 90% da rede aérea de força por rede subterrânea consumiu cerca de R$ 4 milhões.

As mudanças não foram só estéticas.Todas as instalações elétricas e hidráulicas das lojas foram revisadas e reparadas.A rede de esgoto foi toda refeita e para isso muitos estabelecimentos sofreram reformas estruturais profundas. Os ajustes na rede de água e esgoto exigiram investimentos de R$ 130 mil. As reformas em 85% dos imóveis é estimada em R$ 50 milhões.

Antes disso, as irregularidades eram muitas. O crescimento do comércio na região teve início na década de 1950(veja Box), trazendo desenvolvimento e também um emaranhado de placas de lojas, postes e fios que enfeiavam a paisagem e afastavam turistas, moradores e compradores. A realidade dessa região chamou a atenção do arquiteto Cleiton Honório de Paula há pouco mais de quatro anos. “Meu projeto de vida sempre foi trabalhar com a recuperação de alguma parte da metrópole, alguma região que tivesse problemas mas que também tivesse condições relativamente boas de superação. No Bom Retiro,a infra-estrutura é bom e a pujança dos negócios garante um potencial enorme de mudanças”, afirma.

A partir de uma ampla pesquisa humana e urbanística, o arquiteto idealizou na época o Projeto Bom Retiro –um plano de desenvolvimento integrado sustentável do bairro, com o apoio de empresários, moradores e instituições sócio-culturais da região. O programa do Projeto foi definido a partir de propostas sugeridas pelas principais lideranças do bairro. As que demonstraram maior potencial foram detalhadas e geraram 30 subprojetos, respaldados financeiramente por diferentes fundos e redes, públicos e privados.O Projeto conta ainda com parceiros como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Pinheiro Neto Advogados,a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Essa mobilização deu origem à Associação Bom Retiro, fundada e hoje dirigida por Cleiton Honório. A análise das propostas demonstrou que o Perímetro Azul poderia dar início ao processo, servindo de modelo para as demais áreas. “São mil metros lineares devias sem camelôs, com aproximada-mente 280 imóveis de uso industrial e venda por atacado”, explica.

Os investimentos foram muitos, assim como o trabalho de articulação entre os moradores e os diversos órgãos da Prefeitura e do Estado. Quando as reformas começaram, foram se espalhando em “efeito dominó” – os empresários que apoiavam o projeto começaram a melhorar suas fachadas,retirando placas e aumentando o pé direito, e foram seguidos por outros, estimulados pela concorrência. “Hoje as frentes dos imóveis estão mais espaçosas e criativas, despertando olhares curiosos das pessoas”, comemora Jonas Kim, empresário local e vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (CDL).

Segundo o arquiteto Cleiton Honório de Paula, as modernizações que vêm sendo feitas na região também respondem a uma queda nos resultados do negócio da confecção no Bom Retiro, da ordem de 15% a 25% nos últimos cinco anos. Isso não é produto da conjuntura econômica, nem da concorrência com outras regiões comerciais – por ser um bairro de atacado, o Bom Retiro não concorre com shopping centers e ainda mantém posição privilegiada em relação a novos pólos, como os de Goiás, Ceará, Paraná e Minas Gerais. O principal concorrente da indústria do Bom Retiro é a importação de produtos chineses. “Isso ocorre no mercado médio nacional, que é o principal destino da produção do bairro, e não no mercado internacional, já que o Bom Retiro ainda é incipiente exportador”,afirma o arquiteto.

Mas se a roupa do bairro perdeu competitividade, o mesmo não pode ser dito da moda. Na região estão as principais confecções de biquínis, por exemplo, um dos produtos de maior valor agregado no setor. As reformas feitas no bairro também pretendem transformar roupa em moda – e quando os valores passam a ser subjetivos,tornam-se muito mais valiosos.

Pesquisa e desenvolvimento

O envolvimento de diversas faculdades no Projeto também está resultando na pesquisa e desenvolvimento de novas soluções urbanísticas. Alguns problemas só poderiam ser resolvidos com altos investimentos, que não podiam ser assumidos por lojistas nem por órgãos públicos. Cleiton acionou,então, pesquisadores universitários e foram criadas soluções que agora podem servir para toda a cidade.

Um exemplo é o equipamento que faz a conexão das transmissões elétricas entre a rede primária (da rua) e secundária (dos estabelecimentos). Para que os equipamentos instalados normal-mente nos postes passasse a fazer parte da rede subterrânea, seria preciso investir em uma blindagem muito cara.“Pode não parecer, mas a rede se deteriora muito mais rápido embaixo da terra do que quando exposta”, explica. Em parceria com a Escola Politécnica da USP, foi desenvolvido um sistema que pode ficar para fora, nas calçadas, mas ocupando muito pouco espaço e sem atrapalhar a paisagem. “Chegamos a um protótipo que reduz o custo em cerca de 35%”, conta.

Nem todos os itens incluídos no Projeto, porém, já foram implantados. O calçamento, por exemplo, ainda precisa ser todo refeito. “Criamos um sistema de placas de concreto pré-moldadas e destacáveis, assentados sem argamassa, para facilitar a manutenção das redes subterrâneas. O trabalho vai incluir a regularização e o alinhamento do piso e a criação de condições de acessibilidade para portadores de necessidades especiais, mas ainda não foi iniciado”, continua Cleiton.

Assim que o trabalho no Perímetro Azul for concluído, outra região – ainda não definida – começará a ser requalificada. O arquiteto afirma, porém, que para esse primeiro perímetro foram conseguidos patrocínios e apoios excepcionais, reunidos a partir do esforço de executar uma área piloto. “Essas condições não devem se repetir nos demais perímetros, então vamos ter de avaliar a exeqüibilidade caso a caso.”

 

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[BOX] NÚMEROS DO BOM RETIRO

Produz 55% da moda feminina brasileira. Reúne 1,5 mil lojas e indústrias– 70% delas pertencentes a migrantes coreanos, que dominam o setor desde a década de 1980. Fatura anualmente cerca de R$ 6 bilhões. Gera 50 mil empregos diretos. Abriga 26,5 mil moradores. Atrai diariamente 70 mil compradores varejistas.


[BOX] DA PROSTITUIÇÃOÀ INDÚSTRIA DA MODA

Uma atividade bastante diversa da atual era desenvolvida na região do Perímetro Azul na primeira metade do século passado. Durante o governo de Ademar de Barros no Estado de São Paulo, e sob a administração municipal de Prestes Maia, em meados dos anos1930, foi decretado o fim da prostituição na Rua dos Timbiras,próxima à Praça da República. As prostitutas foram transferidas então para ruas Aimorés e Cesare Lombroso.A proximidade dos trilhos do trem e a escuridão das vias davam o clima propício aos novos negócios. Em 1953, porém, devido às reclamações dos moradores – em sua maioria imigrantes judeus, italianos,portugueses e espanhóis – o governador Lucas Nogueira Garcez determinou o fechamento das casas de prostituição. O preço dos imóveis caiu, o que facilitou a instalação de pequenos industriais e comerciantes.Decididos a ter seu próprio negócio, os judeus e árabes que se instalaram na região começaram a atender acrescente demanda por roupas feitas,resultado do processo de rápida urbanização por que a cidade vinha passando desde o início dos anos1920. Além da disposição dos empreendedores, o negócio da confecção exigia pouco capital e espaço e era adaptável às instalações à dinâmica doméstica.

 

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Artigo

MENINOS DO BRASIL

AURO DANNY LESCHER*

Breves comentários de um médico psiquiatra acerca de seus sonhos,suas indignações e um pouco da sua vivência, clínica, com dependentes de drogas, e humana, com crianças de rua em São Paulo

Vivemos um mundo esquizofrênico. Há uma cisão que separa um mesmo mundo em dois, distintos e distantes: os que estão “dentro” e os que estão “fora”; os do “centro” e os da “periferia”. O controle dessa situação tem sido bastante ineficaz ao produzir, ao longo do tempo, milhões de pessoas excluídas da possibilidade de viver com dignidade, que é o conceito-chave no qual se baseiam os Direitos Humanos Fundamentais.

A faixa etária da infância e adolescência, cerca de 34% da população da capital paulista, é o segmento mais duramente atingido pela desigualdade social e está concentrada em distritos com grande carência de recursos sociais, educacionais,de lazer etc. O uso de drogas entre meninos e meninas em situação de rua é muito comum e começa acontecer quando eles passam a fazer parte do circuito de sociabilidade da rua.Geralmente, o rompimento dos vínculos familiares e escolares não é desencadeado por esse consumo. A droga faz parte da cultura da rua, seja como fator de integração, válvula de escape ou anestesia face à realidade bastante dura em que vivem.

Somos, infelizmente, uma sociedade que produz e reproduz duas aberrações: crianças e jovens que vivem nas ruas;jovens aprisionados pela violência e pela adrenalina do crime.Como criar vínculos com essas crianças acinzentadas, das quais muitos adultos – talvez a maioria – preferem se afastar,dando logo um trocado ou fingindo não vê-las através das janelas fechadas de seus carros? Essa foi a nossa primeira pergunta, há 10 anos, após assumirmos o desejo de ajudá-los a se sentir cidadãos – já que sonho a gente não economiza. Pusemo-nos a pensar em um projeto que aliviasse as dores e fissuras de cocaína, cola ou crack. Criamos uma superfície ético-estética, com ateliês de artes, hip-hop, capoeira, futebol e informática, para que os encontros e a confiança entre a equipe responsável pelas oficinas e os meninos e meninas começassem a acontecer. O vínculo que se forma é a legitimação afetiva da ajuda. A indagação que se seguiu foi: como nos chamaremos, qual o nome do projeto? Projeto Quixote!

Temos aprendido e ensinado que essas crianças, quando rompem ou interrompem seus vínculos familiares, nas periferias, e se apropriam do espaço das ruas, são protagonistas da cena urbana contemporânea: pequenos Quixotes, exilados dentro de suas cidades, enfrentam dragões e moinhos de vento, banham-se no chafariz da Praça da Sé e “pipam” suas pedras de crack na escadaria da Catedral. Essas crianças que vivem nas ruas são tristes, e a tristeza e violência que sofrem e reproduzem são os dois principais sintomas da nossa grave doença: a esquizofrenia social. Se reconhecermos que a privação de dignidade produz doença e que, inversamente, a sua promoção produz saúde, mesmo que os tempos sejam difíceis para os sonhadores, parece-me que estaremos bem próximos de um belo recomeço.

Quando criamos nossos cursos e assessorias qualificando cerca de 2,5 mil educadores e gestores públicos em vários estados do Brasil, amplificamos a nossa mensagem, tão singela quanto contundente, acerca do consumo de drogas entre crianças e jovens nas ruas de uma grande metrópole ao sul do Equador: criança prefere empinar pipa a “pipar” pedra.

* É psiquiatra, psicoterapeuta e coordenador do Projeto Quixote

 

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Artigo

GOVERNANÇA: O CAMINHO DA RECONSTRUÇÃO INSTITUCIONAL DO ESTADO

ADRIANA ANDRADE E JOSÉ PASCHOAL ROSSETTI*

O conceito de governança é de desenvolvimento recente. A expressão “governança corporativa” foi empregada pela primeira vez em 1991 pelo ativista Robert Monks,nos Estados Unidos. Em 1992, o Comitê Cadbury editou na Inglaterra o primeiro código de boas práticas de governança. Outras iniciativas ocorreram nos anos 1990, até que,em 1999, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) editou o influente “Principles of Corporate Governance”, inspirador dos Códigos de Governança Corporativa atualmente existentes em 70 países, o Brasil entre eles.

No mundo corporativo, a governança surgiu dos conflitos resultantes do fracionamento da propriedade das empresas e do progressivo distanciamento entre os seus acionistas e a gestão executiva, o que levou ao surgimento das mais variadas formas de oportunismo, em detrimento dos interesses dos acionistas.

Paralelamente ao desenvolvimento da governança corporativa, têm sido observados esforços de transposição de seus princípios para o organismo do Estado. Tome-se como exemplo o “conflito de agência”, claramente presente na gestão do Estado. Neste caso, no lugar dos acionistas, como outorgantes estão os contribuintes. Esses esperam que os gestores cuidem da sua eficaz alocação dos impostos e, conseqüentemente,do seu máximo retorno social. Ocorre, porém, que as decisões dos gestores públicos podem conflitar com os interesses dos contribuintes, na forma de “custos de agência”.

Estes são alguns fatores que têm contribuído para sua ocorrência: a expansão do aparelho burocrático do Estado,cujos custos comprimem os recursos para atividades-fim; a criação de empresas estatais, em áreas perfeitamente preenchíveis pela iniciativa privada; as nomeações para cargos de confiança; a inexistência de limitações à geração de déficits; a possibilidade de cobertura de déficits por endividamento irresponsável; o recurso, também sem limitações explicitadas em lei, de aumento imoderado da carga tributária.

Rígidas regras de governança podem ser estabelecidas para limitar e reduzir os fatores que favorecem o oportunismo e a expropriação. Como exemplo, vale o caminho sugerido pelo World Bank Institute que, desde 1996, avalia e classifica 199 países segundo os padrões de governança do Estado.Os critérios estão na tabela anexa, na qual se verifica que os índices brasileiros são mais baixos que os dos demais países da América Latina, um dos piores do mundo.

A alta turbulência política do país comprova estas avaliações. E mostra que a questão-chave do Estado brasileiro não é de governabilidade, até porque esta pode ser construída através de mecanismos espúrios. A questão-chave é a de governança. Enquanto a governabilidade é uma conquista efêmera do poder estabelecido, a governança do Estado é uma conquista da sociedade, estrutural e duradoura. E que pode resultar dos três princípios da boa governança: a conformidade legal, a transparência e a prestação responsável de contas à sociedade.

Critérios de Avaliação

OCDE

América Latina e Caribe

Brasil

1.Liberdade de voz e voto,poder da opinião pública e prestação responsável de contas à sociedade

91,3

59,6

55,8

2.Estabilidade política e institucional

83,5

55,9

43,7

3.Efetividade do governo

89,7

53,9

58,2

4.Qualidade do ambiente regulatório

90,6

56,6

58,1

5.Aplicação das leis:enforcemement versus impunidade

90,3

52,4

46,9

6.Controle da corrupção

91,4

55,8

53,2

MÉDIAS

89,5

55,7

52,7

*Adriana Andrade é professora convidada da Fundação Dom Cabrale José Paschoal Rossetti é também professor e pesquisador da mesma Fundação. São autores de “Governança Corporativa:Fundamentos, Desenvolvimento e Tendências”. 

 

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Entrevista

NEGÓCIO COMBINA COM MEIO AMBIENTE

LIZANDRA MAGON DE ALMEIDA

Para o professor Mario Monzoni,coordenador adjunto do Centro de Estudos em Sustentabilidadeda Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, “se o mundo todo tiver hoje,na média, um consumo igual ao de um americano médio, não há planeta suficiente para prover esses recursos”. Em seu trabalho como professor de graduação e pós-graduação de futuros empresário se homens de negócio, ele tenta mostrar que se as variáveis meio ambiente e problemas sociais forem levadas em conta nas decisões corporativas, novos mercados se abrirão e a economia continuará a rodar. Mas se a visão de curto prazo for mantida,não sobrará ninguém para usufruir os lucros

 

urbs– Gostaria de começar exatamente pelo conceito de sustentabilidade, que é um termo de que temos ouvido falar muito, mas que talvez não seja muito claro para todos.

Mario Monzoni– O conceito de sustentabilidade está ligado à capacidade de alguma coisa se manter no longo prazo. Está um pouco ligado ao conceito de perenidade. Daí temos de qualificar o que estamos chamando de sustentável. Nós trabalhamos bastante a questão da sustentabilidade empresarial, mas podemos também pensar num conceito mais amplo, que é o conceito de desenvolvimento sustentável, que envolve a questão empresarial e também as questões sociais e o planeta de alguma maneira. Então sustentabilidade como a gente concebe é você incorporar questões que não as econômico-financeiras tradicionais num processo de tomada de decisão. À medida que uma empresa incorpora variáveis sociais e ambientais ao tomar uma decisão, ela está incorporando sustentabilidade na sua estratégia. E com isso promove desenvolvimento sustentável. Se falarmos,então, de sustentabilidade empresarial,estamos falando da capacidade das empresas de se manter no longo prazo. Isso também vale para nós como indivíduos. Quando fazemos uma opção de consumo, se colocarmos ao lado das questões econômico-financeiras e da conveniência o impacto que aquela decisão tem sobre relações sociais ou o meio ambiente, estamos incorporando sustentabilidade.

 

Desde quando esse conceito tem sido desenvolvido?

Faz uns 20 anos. Um marco importante é o ano de 1987, quando Gro Harlem Brundtland, primeira ministra norueguesa, criou um conceito do que seria desenvolvimento sustentável: a capacidade de entregarmos para as futuras gerações pelo menos aquilo que encontramos. No mundo empresarial esse conceito fica bastante forte nas décadas de 1980 e1990. O conceito de triple bottom line – que reúne o ambiental, o social e o econômico – vem da proposta de uma consultoria inglesa chamada Sustainability,que criou esse tripé por questões metodológicas. Evidentemente que pode existir um conceito mais amplo de sustentabilidade se questões políticas, étnicas, culturais, entre outras, forem incluídas, mas para facilitar a didática e a metodologia,padronizou-se o conceito que incorpora esses três aspectos no processo de decisão. No Brasil vem caminhando principalmente na década de 1990, com o movimento de responsabilidade social.

 

Isso deve ter tornado o processo de decisão por parte dos empresários muito mais complicado. Eles agora têm de levar em conta uma série de variáveis que nunca existiram, não é?

Eu acho que três coisas importantes aconteceram nos últimos anos que fazem com que o empresariado repense a forma de fazer negócios no século 21. A primeira é que passamos do limite em termos de exploração dos recursos naturais, quanto ao lançamento de resíduos e emissões. O planeta não suporta mais isso. Segundo, a sociedade civil está cada vez mais organizada, consciente e cobra mais das empresas uma atitude responsável. Em terceiro lugar, essa sociedade tem à disposição um aparato de telecomunicações e informática que permite que ela se comunique e se faça escutar. A junção de telecomunicações com informática faz com que a informação seja on-line e todo impacto é trazido para os mercados, que na mesma hora precificam as informações, sejam elas boas ou ruins. O empresário deve ter a leitura adequada desse cenário. Uma coisa importante para a compreensão é que se nós admitimos que brasileiros,chineses, indianos, africanos, temos direito ao desenvolvimento e a uma melhor qualidade de vida, não poderemos seguir o mesmo modelo seguido pelos países desenvolvidos até agora. Se o mundo todo tiver hoje, na média, um consumo igual ao de um americano médio, não há planeta suficiente para prover esses recursos. Precisaríamos de dois ou três planetas. Como trabalhamos num sistema fechado, quer dizer, o planeta é um só, necessariamente teremos de repensar a maneira como isso é feito, em termos globais. Não é fácil. Simples é produzir riqueza a qualquer custo e deixar que os outros paguem a conta. E foi o que aconteceu principalmente nos últimos 50anos. Gerou-se uma riqueza extraordinária, mas com um impacto ambiental absurdo e com uma exclusão, ou falta de inclusão, gigantesca. Existem alguns sintomas por aí, que vão desde as mudanças climáticas até a derrubada de dois prédios lá em Nova York. Então precisamos nos repensar como sociedade e para onde vamos. Não é simples, é preciso adquirir massa crítica de consciência coletiva para conseguir essa mudança.

 

O que se percebe hoje é que existe um discurso muito forte, entre as empresas,sobre responsabilidade social e ambiental, mas ao mesmo tempo a pressão pelos lucros é cada vez maior, especialmente nas grandes corporações, que demandam o retorno para o acionista. Essas idéias não são contraditórias?

O desafio é justamente mostrar que essas idéias não são contraditórias. Esse é o desafio para quem trabalha com isso, como eu. A idéia é mostrar que você está adicionando valor ao acionista. Então não existe uma compensação: agora eu vou deixar de ter lucro porque existe um mandato moral que tenho de seguir, investindo no social porque o governo não o faz, ou estando de acordo com as questões ambientais. Não. Quando você investe e traz isso para o seu processo de tomada de decisão, o que acontece é que você retém e atrai talentos, diminui riscos, diminui custos de seguro, tem crédito mais fácil e mais barato, o que também gera valor ao acionista. Temos trabalhado a sustentabilidade como valor ao acionista, porque assim você satisfaz a roda econômica, que também é necessária. Ninguém está abrindo mão do econômico,porque até agora ninguém inventou nada melhor para fazer funcionar as coisas. O que se está fazendo é trazer outras variáveis para o campo da decisão.

 

Isso ainda está muito distante da nossa realidade?

É um trabalho difícil, que exige a mu-dança de consciência. Hoje nossa civilização é individualista, de curto prazo,consumista, de acumulação. Isso está inoculado, é difícil mudar. Atire a primeira pedra quem nunca se viu come-tendo o crime. E vem por aí uma nova geração louca por consumo e shoppingcenters. As pessoas também são bombardeadas o tempo todo pela televisão: consuma, consuma, consuma e aí você, individualmente, fica impotente. Tem gente que acha que é necessário que uma massa crítica considerável de pessoas repense e adquira esses novos valores para que a sociedade mude de rota, senão provavelmente chegaremos num Estado hobbesiano de novo. De salve-se quem puder.E nós somos muito frágeis. Mas acho que o planeta se salva dessa, embora o homem possa causar um estrago muito grande em proporção à sua biomassa.Mas ele tem de pensar na sobrevivência dele como espécie. O planeta já passou por coisas piores e sobreviveu. Talvez nós, como espécie, é que sejamos colocados em xeque.

 

Você acha então que as coisas estão piorando?

Estão piorando e ainda não pisamos no breque; a gente nem tirou o pé do acelerador. Se resolvermos tomar uma decisão agora, ainda viveremos um período de inércia forte. E muitos efeitos são cumulativos. O gás do efeito estufa, por exemplo, fica 100 anos na atmosfera. Então o que sentimos hoje com as mudanças do clima é resultado do que os nossos tataravôs fizeram, num tempo em que não havia a produção de riquezas existente hoje. Existem alguns malucos, que talvez sejam os sábios, que dizem que para a sociedade tomar uma decisão precisará de algum “11 de setembro ecológico”.Ou seja, um efeito claro, explícito, inquestionável do ponto de vista ambiental que faça com que as pessoas parem e pensem em mudar alguma coisa.

 

E você acha que as empresas estão conscientes disso?

Muitas empresas já se deram conta de que o mundo mudou e que o portifólio do século 21 é diferente. Temos trabalhado bastante com o conceito de que esses desafios globais têm de gerar oportunidades de negócios, que não sejam os tradicionais modelos de curto prazo. Há empresas que perceberam isso e estão moldando estrategicamente. Evidentemente elas terão de garantir a sobrevivência no curto prazo, mas muitas pessoas já pensam no amanhã e vêem como ele será. E não tem a ver com novas jazidas de petróleo: provavelmente pode ser insano queimar petróleo daqui a 20 anos. O que perguntamos é se você, como indústria de petróleo, já pensou nisso ou ainda está pensando se o petróleo vai dar até2056 ou 2065? De repente, em 2020,quem queimar gasolina será preso, por causa das mudanças climáticas. Isso está inoculado na sua empresa como estratégia? Você está pensando em alternativas de energia? Afinal, trata-se de uma empresa de petróleo ou de energia? O investidor está vendo isso: que indicador a empresa está mostrando de que está preocupada com isso? E aí o capital migra.

 

Então o capital está mais atento?

Está, mas ainda é um fenômeno marginal. Acho que, em um futuro próximo,qualquer investimento de capital vai considerar questões sociais e ambientais como default. E não só as análises econômico-financeiras de curto prazo. Problemas e oportunidades sociais e ambientais, não só passivos como ativos, serão jogados no fluxo de caixa, e as decisões tomadas, então, deverão ser outras.Grande parte do capital, porém, ainda tem em seu DNA o “amanhã eu penso no que vou fazer com o problema”.

 

Podemos dizer o mesmo se formos transportar isso para a administração pública, para as cidades, certo?

Nesse aspecto você encontra também a questão política de curto prazo, as dificuldades de mandato, de reeleição. É difícil ter políticos com pensamento de longo prazo, compromissados não só com a carreira política mas com o longo prazo da cidade, do Estado, do país. Aí, talvez,o desafio seja provar que o longo prazo do político individualmente esteja relacionado aos seus compromissos de longo prazo. Mas é complicado mexer nessa matriz de incentivo, porque as coisas estão todas direcionadas para o curto prazo.O próprio mandato é muito curto diante dessas demandas. Quer dizer, saneamento e educação são de longo prazo, então melhor não mexer nisso, melhor mexer naquilo que a pessoa vê no dia seguinte.Se eu diminuir a emissão de gás carbônico, por exemplo, isso pode ter um impacto sobre a saúde pública, mas nós ainda estamos um pouco longe disso, não?

 

Essa visão, de modo geral, não é muito otimista.

O desafio para a nossa geração e talvez para a geração de nossos filhos é transformar esses grandes desafios globais em oportunidades, e perceber que ali existe um monte de mercados. É preciso pensar diferente do que se pensava antes. As soluções estão nos relacionamentos das pessoas, na qualidade em comparação com a quantidade, nas soluções de vento, de sol, de biomassa, de renováveis. Isso não significa desemprego, mas emprego em outras áreas. Aquele argumento de George Bush [presidente dos Estados Unidos] de que isso gera impacto e desemprego de longo prazo é furado. As empresas só poderão ser perenes se mudarem o foco, porque as que se mantiverem na visão de curto prazo vão ter poucas chances, vão dinamitar todas as relações sociais que possuem, com todas as partes interessadas, vão ter muito mais riscos de multas de impacto ambiental, de acesso a mercados, de boicote de consumidores.

 

E como você vê o Brasil dentro desse contexto? Com os recursos naturais que temos, com as questões de energia em pauta.

Acho que vivemos um dilema, porque temos questões emergenciais muito fortes.E às vezes o emergencial atropela principalmente o ambiental, seja de balança comercial, onde o agrobusiness é o grande carro-chefe da geração de dólares. Por outro lado, estamos consumindo biodiversidade na forma de desmatamento,que poderia ser nosso grande trunfo no futuro. Se no futuro um marciano olhar para nós e disser “nossa, no que esse país é bom?”, ele verá que somos bons em floresta, biodiversidade, ecoturismo,em água. Essa é a nossa vocação. E esse é o futuro, o futuro é a água. Só que estamos consumindo isso para pagar dívidas sociais. Então acho que temos de perguntar se é isso mesmo que queremos,ou pelo menos alertar para o fato de que isso está acontecendo. Seja na forma de expansão agrícola, seja na forma de grandes projetos, no que for. Nós estamos consumindo o futuro. É isso mesmo? Ou vamos ficar comprados na hora em que a água for petróleo? Pode ser que eu esteja errado e que o correto mesmo seja produzir soja. Mas será?

 

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Outros Centros

UMA BELLE ÉPOQUE PARA TODOS

O novo embelezamento pelo qual Manaus passa não se limita a revitalizar fachadas. A iniciativa quer fazer com que as pessoas voltem a circular pelo Centro,atraídas pelas atividades culturais que acontecem regularmente no local, e com garantia de segurança.

Com o processo de degradação dos últimos anos, o Centro da cidade foi virando um espaço de comércio decadente,agências bancárias e algumas repartições públicas. Suas praças e calçadas foram totalmente ocupadas por vendedores ambulantes e a deterioração das vias públicas virou um obstáculo para quem não fazia mais questão de ir ao Centro. A total descaracterização das residências antigas tornou-se sintomática. “Para ir ao Centro, só se for obrigado”, se dizia por aqui.

A recuperação do Centro antigo começou a ser efetivada em 1997, quando uma iniciativa inédita da equipe do Departamento de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) esboçou as primeiras linhas do que viria a ser o projeto Belle Époque. O projeto piloto, coordenado na época pelo historiador e artista plástico Otoni Mesquita, incluía a revitalização das fachadas das casas antigas no entorno do Palácio Rio Negro, hoje um Centro Cultural, na Av. Sete de Setembro, próxima das duas pontes romanas,construídas ainda no século 19.

Uma equipe de profissionais – arquitetos, engenheiros, carpinteiros, mestres-de-obras etc. – foi treinada, em parceria com órgãos públicos e privados,entre eles a Fundação Getúlio Vargas e o Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT),por especialistas em restauro de São Paulo e Rio de Janeiro. Cerca de 600trabalhadores foram capacitados.

Segundo a diretora do Departamento do Patrimônio Histórico da SEC,a arquiteta Regina Lobato, a proposta do projeto Belle Époque (que ganhou este nome inspirado na dissertação de mestrado de Otoni Mesquita) era recuperar todos os imóveis do entorno de ícones da cultura e da vida social de Manaus. O primeiro deles foi o Palácio Rio Negro (que já chegou a ser sede do governo), o segundo, a Catedral Metropolitana de Manaus, e então o Teatro Amazonas. No caso da Catedral, não só a igreja mas os imóveis próximos foram todos recuperados.

O Centro de Manaus está mudando de aparência. Casarões e palacetes do início do século 20 em estado de degradação passam por reformas, praças estão sendo recuperadas e ícones da cultura e da economia local, como o Palácio Rio Negro e o Teatro Amazonas, ganharam vivacidade. É o segundo momento de um “embelezamento”, que desta vez não exclui ninguém: comerciantes, turistas, moradores locais, população nativa. Trata-se do projeto Belle Époque, do governo estadual, que vem sendo encaminhado pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC)

Um projeto tão radical deixou os proprietários dos imóveis desconfiados,segundo a arquiteta. Fachadas de alumínios foram retiradas, fiações elétricas modificadas. “No começo, eles ficaram com medo. Mas quando viram pronto,mudaram de idéia. Hoje, nós somos procurados por outros donos de imóveis que também querem a mudança”, diz Regina Lobato. Houve recuperação,mas a destinação continuou como antes.“Se é residência, continua residência.Comércio ou escritório, continua do mesmo jeito”, diz.

Atualmente, equipes de engenheiros estão limpando a cidade das instalações elétricas que poluem visualmente o Centro. A idéia é fazê-las subterrâneas,para “engrandecer o comércio e as fachadas residenciais”, afirma Regina.

Além dos ícones, o governo do Estado também já incluiu no orçamento a reforma de imóveis públicos isolados,como o antigo prédio da Polícia Militar,uma pequena obra-prima do ecletismo arquitetônico, e o legendário Cabaré Chinelo, este no Centro antigo da cidade. O primeiro será transformado no Centro de Arqueologia do Amazonas e o segundo no Museu de Arte Contemporânea.

O novo Teatro Amazonas

De todas as mudanças no visual da cidade, a mais significativa e que realmente levou a população de Manaus a voltar ao Centro foi a realizada no entorno do Teatro Amazonas. Há dois anos,a área foi radicalmente recuperada para virar um ponto de lazer e de cultura.

A antes deteriorada rua José Clemente foi transformada no Largo São Sebastião (em referência à Praça e a Igreja do mesmo nome, bem do lado). O asfalto foi retirado e a pavimentação original, de blocos, recuperada. O trabalho ajudou até mesmo a diminuir o calor.Quem anda pela área sente a diferença.Assim como em outros entornos, no do Teatro Amazonas foi feita a recomposição das calçadas, dos meios-fios e das sarjetas. “Hoje existe uma intensa atividade cultural para revitalizar a praça”,explica Regina.

No local, uma permanente programação cultural, que inclui shows musicais, apresentações teatrais e exibições gratuitas de filmes, ao ar livre. Durante o Festival Amazonense de Ópera, algumas montagens líricas são exibidas no Largo, gratuitamente.

É uma área privilegiada. De um lado, o Teatro Amazonas e, de outro, a Praça São Sebastião, cuja escultura imponente é uma homenagem à aberturados Portos de Manaus para a navegação,no século 19. Nos finais de semana, as pessoas podem andar de carruagens puxadas por cavalos e é na rua perpendicular, a Costa Azevedo, que está começando a recuperação da trilha do bonde, redescoberta após prospecções.

A fascinação pelo bonde, mesmo para quem nunca tinha ouvido falar dele,está em todos os cantos – de peças de teatro e musicais a um protótipo decorativo instalado no Largo São Sebastião.

Quando estiver pronto, o bonde vai circular normalmente, não como sistema viário comum, mas para os visitantes,sejam moradores de Manaus, sejam turistas. Inicialmente, ele vai circular apenas alguns quilômetros, abrangendo as ruas Costa Azevedo, Dez de Julho e Eduardo Ribeiro, todas no entorno do Teatro Amazonas.

Segundo Regina Lobato, a previsão é a de que o bonde já esteja funcionando ainda este ano. A empresa vencedora da licitação é a mesma que recuperou os bondes de Santos (SP). O transporte funcionará apenas para passeio e terá maquinário e assentos semelhantes aos originais. “Vamos separar um trecho das ruas para os bondes”, conta.

Uma parceria com a Prefeitura, conforme a diretora, deve levar, futuramente, o bonde até a área do Porto de Manaus. “Esse projeto forma um conjunto.Se tivéssemos só os bondes, sem nenhuma revitalização, sem trabalho cultural,não funcionaria. Toda essa mudança está fazendo as pessoas gostarem nova-mente do Centro. Até o movimento do comércio cresceu assustadoramente nos últimos anos”, disse.

Para o idealizador do projeto Belle Époque, Otoni Mesquita, a recuperação traz a revalorização dos espaços,mas é preciso dar um uso a eles para que não sejam ocupados pela marginalidade. “Uma das coisas que me incomodava era que, quando o turista vinha aqui, visitava apenas o Teatro Amazonas, o encontro das águas e a floresta. Os outros locais eram esquecidos. Hoje, com a revalorização, o interesse chegou a todos, à população da cidade também. O Centro precisava ser protegido”, afirma.

O que ainda falta, durante dessa operação de embelezamento, é o empresariado prestar atenção nas modificações, segundo Mesquita. “Acho que eles ainda não viram o filão que está se transformando o Centro”, diz.

 

 

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BOX [O LUXO PASSAGEIRO DA BELLE ÉPOQUE]

Até metade do século 19, Manaus ainda era uma capital com aspecto de povoado.A cidade só veio sentir o gosto da modernidade no final do século 19, com a expansão da exploração da borracha. De um vilarejo pacato e provinciano,cuja população era predominantemente indígena e mestiça, tornou-se aquela que seria, segundo o poeta carioca Aníbal Amorim, durante sua passagem pelo Amazonas, em 1909, uma das três mais “belas, progressistas e movimentadas” cidades do país, junto com São Paulo e Rio de Janeiro.Influenciado pelo modelo europeu de civilização, o progresso chegou repentinamente. O clima festivo era regra.A exibição de riqueza dos novos-ricos,obrigatória. A estética eclética, como o neo-classicismo e o barroco, tomou conta da arquitetura da cidade, espelhada no modelo francês.Em apenas alguns anos, Manaus viveu uma urbanização sem precedentes.

Em pouco mais de 20 anos a cidade teve tudo aquilo que nunca tivera nos séculos passados. O comércio refletia o sonho de consumo. Levas de imigrantes vieram tentar a sorte. Vivia-se um frisson.A vida cultural era intensa, com cinemas, teatros, música. Quase tudo era importado,da manteiga ao vestuário. Entre 1880e 1920, a população cresceu de 10 mil para 70 mil pessoas. Na luta para domar a selva, Manaus sofreu uma nova concepção de urbanismo. Foi uma das primeiras cidades do país a ter iluminação elétrica,sistemas de esgotos, abastecimento de água, telefonia. Seus edifícios monumentais marcam bem aquela época: Teatro Amazonas, Mercado Municipal Adolpho Lisboa, Alfândega,Palácio da Justiça.

Habitações de madeira e cobertas de palha deram lugar a palacetes e casarões luxuosos. Um cenário urbano que teve seu fim quando a economia da borracha foi minada pela concorrência inglesa. Os políticos queriam que fosse uma cidade planejada. Mas os críticos afirmam que não foi bem assim.Muitos dizem que não houve integração entre o espaço urbano e a natureza.Traços culturais foram deixados de lado e que foi uma “riqueza rápida e para poucos”, como escreveu o escritor Milton Hatoum em Crônicas de Duas Cidades - Belém e Manaus.Daquela época luxuosa,porém, restaram as memórias e os traçados urbanos e arquitetônicos,que misturavam diferentes estilos,do art-nouveau ao neo-clássico.

O historiador Otoni Mesquita diz que Manaus foi uma das poucas cidades brasileiras a viver o belle époque,uma oportunidade trazida pelos benefícios econômicos da expansão da borracha, e a sofrer uma “política de embelezamento” na qual importava o padrão de civilidade da Europa, mesmo às custas de mudanças em sua topografia, com o aterramento de igarapés e o nivelamento de colinas.

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BOX [MONUMENTA TAMBÉM AGE NO CENTRO HISTÓRICO]

Com 336 de existência, Manaus ainda mantém fortes suas origens indígenas. A começar pelo nome, em referência aos índios Manáos, antigos moradores do local.Foi à margem esquerda do Negro que acidade nasceu, expandindo-se séculos depois para o Norte. O seu Centro era o centro do poder, da economia, da sociedade. É esse Centro que um projeto que começa a ser executado este ano pretende recuperar. O Monumenta, projeto do Ministério da Cultura, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e coordenado pela Prefeitura de Manaus. Segundo a conservadora e restauradora da Fundação Municipal de Turismo, especialista em gestão do patrimônio cultural, Elizabeth Chaves, a recuperação vai abranger todo o perímetro do Centro Histórico de Manaus. Prédios públicos serão totalmente recuperados,incluindo suas pinturas decorativas originais. “Ele vai regenerar toda a área considerada mais antiga de Manaus, onde tudo começou, há mais de dois séculos”,explica Elizabeth. Uma das áreas que é amenina dos olhos do Monumenta é a Praça Dom Pedro II, da segunda metade do século 18. A Praça não tem apenas um valor histórico, mas etno-cultural. Embaixo da praça foram encontradas urnas funerárias indígenas que hoje estão guardadas no Museu Amazônico. Acredita-se que todo o entorno da praça, do Paço Municipal (que já foi sede do governo da província e da Prefeitura) e do porto seja um cemitério indígena, conforme descobertas feitas ainda no século 19. Na rua Bernardo Ramos, uma das mais antigas da cidade,duas residências do século 18 estão incluídas no projeto de recuperação. O Monumenta também inclui o Mercado Municipal Adolpho Lisboa e a Praça Nove de Novembro. “Não queremos apenas recuperar, mas dar mecanismos de sustentabilidade à área, a comerciantes e proprietários de imóveis residenciais”,explica. A previsão é que todo o projeto esteja finalizado em dezembro de 2007.Segundo Elizabeth, o Monumenta também tem uma verba que será investida nos imóveis privados do Centro Histórico. Pelo programa, os proprietários poderão concorrer a financiamentos concedidos pelo BID. Os recursos serão liberados a pessoas físicas e jurídicas pela Caixa Econômica Federal. O empréstimo é por meio de licitação. Os proprietários têm 20anos para pagar, a juro zero. Todo o projeto custará R$ 2.296.800,00. O valor será liberado pela Caixa Econômica Federal.

 

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Cultura

EDUCAÇÃO

 

O LICEU QUE FAZ PARTE DA HISTÓRIA PAULISTANA

 

PAULA KNUDSEN

 

Do Teatro Municipal ao MASP, da construção das principais ferrovias do Estado à atuação como primeiro fabricante nacional de hidrômetros, na época em que apenas se começava a discutir o uso racional dos recursos hídricos, o relato dos 133 anos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo se confunde com a história da cidade e do desenvolvimento do país.Hoje, a instituição é uma das mais conceituadas escolas técnicas do Brasil

No começo, o currículo abrangiadesde aulas de botânica e música até desenho arquitetônico. A partir de 1895,com a entrada do engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo na diretoria da escola (cujo escritório foi responsável por grandes projetos em São Paulo, como a Pinacoteca do Estado, o Teatro Municipal, o Mercado Municipal de São Paulo e o Prédio dos Correios), o Liceu começou a focar-se especificamente na formação de trabalhadores para a construção civil. O programa educacional passou a incluir marcenaria, carpintaria,escultura, fundição de bronze e outros ofícios necessários para decorar e ornamentar as novas construções da cidade.

Foi nessa época que a entidade se tornou famosa pela produção de suas oficinas. Em quase todos os prédios públicos, sedes de bancos e casas da burguesia havia obras do Liceu: eram grades,peças de mobiliário, esculturas, lustres e até trabalhos de tapeçaria. Tudo que saía das oficinas era baseado em modelos trazidos da Europa e os lucros das vendas eram revertidos diretamente para o sustento da escola. Vários móveis do Teatro Municipal e do Jockey Clube, a restauração da torre e do relógio da Estação da Luz, a fundição em bronze da estátua do Monumento ao Duque de Caxias e até, posteriormente,os trabalhos nas estruturas do MASP fazem parte da produção do Liceu.

Em seus 133 anos de existência, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo teve sua história diretamente ligada ao desenvolvimento da cidade e mesmo dopais. Sua grade de cursos também se adaptou às mudanças no mercado. Em1923, para atender à demanda gerada pela implantação de extensa malha ferroviária no Estado de São Paulo, nasceu o curso de Mecânica Prática. Também na década de 1930, em sintonia com o processo de industrialização do país, o Liceu começou a trabalhar com matrizes para maquinário industrial. De lá saíram moldes para garrafas, sabonetes e até mãos de bonecas. Em 1932, a instituição se tornaria o primeiro fabricante nacional de hidrômetros. Começava então a discussão no país sobre ouso racional da água.

Indústria filantrópica

Com o tempo, os produtos das oficinas do Liceu, que levavam a marca LAO, foram tomando um curso independente da instituição de ensino. Desde 1971, são fabricados em espaço completamente separado das salas de aula. Hoje, a LAO fica no quilômetro18 da Rodovia Anhangüera e produz aparelhos de medição, entre eles hidrômetros e medidores de gás. Todo o lucro ainda é diretamente revertido para a escola. Juridicamente, a indústria e o Liceu compõem uma só entidade,administrada por um Conselho Superior. O sistema é basicamente o mesmo desde os primórdios da instituição. Para que um novo membro seja aceito no conselho, precisa ser indicado por três outros, e sua participação votada em reunião. O conselho superior elege um conselho diretor que é encarregado da administração prática da organização.O trabalho dos conselheiros é inteiramente voluntário e não existe nenhum tipo de remuneração.

Cid Luiz Racca foi contratado em1998 pelo conselho para administrar o dia-a-dia da LAO e do Liceu de Artes e Ofícios. Ele explica que tal estrutura administrativa tem garantido a unidade filosófica e educativa de atuação da entidade. Também conta que atualmente as pessoas têm dificuldade para entender o conceito de uma indústria completamente filantrópica: “A palavra filantropia ganhou uma conotação bastante negativa nos últimos tempos, pois há muita desonestidade. A mentalidade era muito diferente quando o Liceu nasceu, acho difícil criarem algo parecido atualmente”.

Instalado desde 1951 na Rua da Cantareira, o Liceu teve muitos endereços, entre eles a Rua Libero Badaró (que então se chamava Rua São José),a Rua Santa Tereza, o Largo Sete de Setembro e o prédio que abriga hoje a Pinacoteca. As instalações atuais comportam 15 salas de aula, dez labora-tórios, um canteiro de obras, quadra poliesportiva e sala de musculação.Em mais de 100 anos de existência, a escola se manteve fiel ao seu propósito inicial: oferecer ensino profissionalizante gratuito.

Atualmente, o Ensino Técnico (ou profissionalizante) é ministrado em conjunto com o Ensino Médio. Os alunos têm aulas todos os dias, e em período integral de três a quatro vezes por semana. Eugênia Maria Cavalheiro Bue no, vice-diretora da Escola, explica que tal integração entre Ensino Médio e Profissionalizante permite interdisplinariedade entre os dois cursos, facilitando o aprendizado.

O aluno escolhe o curso profissionalizante quando vai prestar o disputado “vestibulinho” do Liceu. Para garantir que os alunos das escolas públicas consigam vagas, há uma reserva de cota de 30%. As opções de curso atualmente são: Eletrônica, Telecomunicações, Mecânica e Construção Civil (com as especialidades Execução e Projetos). O aluno Gabriel Lodos da Ressurreição, de 18 anos, está cursando Eletrônica e diz que a jornada de estudos é pesada, mas a experiência vale a pena. Ele está decidido a continuar estudando após finalizar o curso.

Vanilde Manara, gerente de Relações com o Mercado do Liceu, conta que muitos alunos conseguem emprego após o término do curso e usam o salário para custear um cursinho ou estudos universitários. Em 2005, uma pesquisa da Folha de S.Paulo colocou a escola entre as instituições que aprovam maior quantidade de alunos nos cursos mais disputados da Universidade de São Paulo. Além do ensino profissionalizante, a instituição oferece alguns cursos de aperfeiçoamento para profissionais, ministrados em parceria com empresas. Desde 2002, o Liceu também incorpora um curso exclusivamente de Ensino Médio, que é pago.

Para continuar em sintonia com o mercado de trabalho da cidade, o administrador Cid Luiz Racca está preparando um projeto com novos cursos para a escola: tecnólogos de nível superior,voltados para a área de arte e cultura,com especializações em Restauração e Eventos Culturais. “O perfil da cidade de São Paulo é cada vez menos industrial; se volta progressivamente para os setores de entretenimento e cultura”,explica. A idéia dele é que tais cursos comecem a funcionar em dois anos: “A preocupação da cidade com a preservação, conservação e restauro de edifícios e monumentos começou a tomar corpo nos últimos 20 anos. O Liceu faz parte da história de São Paulo e não há nada mais natural do que ele participar ativamente desse processo”.

 

SERVIÇO

Rua da Cantareira,1351

(próximo à Estação Tiradentes do Metrô)

Tel.:(11) 3313.1877

www.liceuescola.com.br

  

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BOX [ESPETÁCULO ARTE E HUMANISMO]

Em 1980, uma das gigantescas antigas oficinas do Liceu (usadas antes para marcenaria, serralheria, fundição) foi convertida em um centro cultural.Lá é apresentado o espetáculo “Arte e Humanismo”, que narra a história da arte desde a Grécia Antiga até o período do Renascimento, a partir de réplicas em gesso de estátuas clássicas. As réplicas de obras de museus europeus como o Louvre foram adquiridas pela instituição em 1906e serviam à época de modelo para os cursos de artes. O espetáculo é destinado principalmente para escolas primárias.

VISITAS de segunda-feira a sexta-feira (horários 9h, 10h30, 14h e 16h).Para escolas públicas são cobrados três reais por aluno; para escolas particulares o preço é de R$ 5,00 por aluno. Para agendamento: (11) 3313-1877ou atendimento@liceuescola.com.br

Mais informações sobre a história do Liceu podem ser encontradas no livro:“Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo– missão excelência” Coord.Margarida Cintra Gordinho Ed. Marca D’Água Ltda.,São Paulo,2000.

 

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Idéias

FRAGMENTOS DA LUZ

 

Projeto vencedor do concurso de escolas da 6ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design propõe revitalização de área da Luz

POR JOSÉ RENATO BICALHO KEHL*

A 6ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design (BIA), que aconteceu de 22 de outubro a 11 de dezembro de 2005 no pavilhão da Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera, é com certeza o mais importante evento ex-positivo de arquitetura no país e o segundo maior do mundo.

Dentro desse panorama, o prêmio conquistado pela equipe de alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) representa uma vitória importante, ainda mais por ser a segunda vez consecutiva que a Fundação vence o concurso de projetos das escolas.

Competente e inovador, com um pé firmemente plantado na realidade socioeconômica do país e o outro na realidade urbana da cidade de São Paulo, o projeto apresentado foi fruto de um trabalho de equipe que envolveu mais de20 pessoas, entre professores, alunos e colaboradores, e foi realizado nas dependências do Laboratório de Práticas Profissionais (LPP) da FAAP, um escritório modelo supervisionado pelo professor Munir Buarraj, que funciona dentro do campus em um pequeno conjunto de salas com não mais de30m2, onde foram instaladas mesas de desenho e três computadores.

Além dos projetos para as bienais, o LPP tem desenvolvido várias outras experiências bem sucedidas, dentre as quais podemos citar a reforma do Edifício Lutetia, importante obra de Ramos de Azevedo do inicio do século20, na Praça do Patriarca, que foi inteiramente restaurado.

O concurso

Conforme constava no site do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), as escolas deveriam enviar projetos que aproveitassem parte de um tecido urbano já existente, com uma área entre100 e 200 mil metros quadrados. O objetivo do concurso era que, a partir da observação das propostas urbanísticas do século passado, como o Move-mento Modernista, fossem criadas no-vas formas de se viver nas cidades. Os projetos não deveriam se restringir apenas às edificações, mas também aos espaços e a todos os equipamentos e complementos urbanos necessários para garantir a qualidade de vida exigida em nosso século.

A comissão julgadora, coordenada pelo arquiteto Edson Elito, foi composta pelos arquitetos David Resnik, de Tel Aviv (Israel), Décio Tozzi e Benno Perelmutter, ambos de São Paulo.

Os critérios para a escolha dos melhores projetos foram, conforme constava na ata do concurso: a conceituação (tema e local escolhidos); diagnóstico; diretrizes urbanísticas e proposta de intervenção; projeto das edificações habitacionais e dos equipamentos urbanos propostos; adequação funcional; adequação técnica; articulação urbana; edilícia e ambiental; respeito e valorização da memória e da história locais; proposta de inclusão social e a expressão arquitetônica. Na mesma ata foi registrado que o projeto vencedor deveria ter “uma abordagem integradora em área complexa envolvendo questões relativas ao patrimônio histórico, ao complexo sistema viário, além de apresentar uma solução de urbanismo aéreo equilibrado e avançado nível teórico”.

O projeto da FAAP foi apresentado em um estande que continha desenhos técnicos, ilustrações, memorial descritivo e maquete de toda a área de intervenção. A apresentação trazia, ainda,um recurso audiovisual: um projetor multimídia mostrava um vídeo em for-mato DVD com depoimentos dos alunos e professores envolvidos no trabalho, com comentários sobre a conceituação do projeto.

“Os Ostras”

A equipe, composta por 11 alunos do 5°ao 9°semestre do curso de Arquitetura, adotou um estranho apelido: eles se auto-intitulavam “Os Ostras”. O local em que se desenvolveu o trabalho não poderia ser mais significativo: um pequeno escritório em uma casa “nos fundos” do campus, quase invisível para quem não fosse um “Ostra” e carinhosamente apelidado pelos alunos de “cafofo”.

Na sala, três computadores, uma grande mesa cheia de plantas e papéis,um painel para fixar recados – no qual se via, além de outras coisas, caricaturas de toda a equipe ao estilo “South Park”,série americana de desenho animado –,uma parede pintada de um azul de gosto duvidoso, uma guitarra elétrica e um amplificador em um canto... realmente um cafofo!

Nos últimos meses do trabalho, os estudantes praticamente fizeram desse espaço sua casa, tanto que pediram autorização para entrar e sair do campus a qualquer hora do dia ou da noite e em qualquer dia da semana: sábados, domingos e feriados, situação, aliás, que se tornou necessária inclusive para os professores envolvidos na orientação.

A equipe se atirou de corpo e alma ao trabalho e este envolvimento resultou em fortes laços de amizade entre pessoas que anteriormente nem se conheciam. O grupo inicial era composto por Cind Octaviano, Débora Montagnanae Larissa Dantas, todas alunas do 9°semestre do curso vespertino. A amiga e colega de turma Marianna Dal Canton foi a próxima convidada para fazer parte do grupo, logo seguida por Alexandre Arana de Souza, André Gehling, Fernanda Vitale, Francisco Parente Neto, Marcelo Altieri, Pedro Henrique Louzada Ferreira e Ricardo Orellana, que completaram a equipe (foto dos alunos ao lado). “De um grupo de desconhecidos fizemos um grupo de amigos”, define Marianna.

 Os “Demônios da Garoa”

Se os alunos se intitulavam “Os Ostras”, os professores orientadores, todos de cabelos brancos, deveriam se chamar os “Demônios da Garoa”. A experiência deste grupo multidisciplinar de orienta-dores ajudou muito no resultado final do trabalho, que não parece de forma nenhuma refletir o peso dos anos. O grupo dos “Demônios da Garoa” contava com professores das áreas de projeto arquitetônico (Francisco Carlos Barros e Munir Buarraj), paisagismo (Nina Jamra Tsukumo),urbanismo (José Guilherme Savoy de Castro), história da arquitetura (Maria Cristina Wolff de Carvalho), técnicas retrospectivas (Haroldo Gallo) e projeto de objetos e comunicação visual (Marcelo Aflalo).

A orientação multifacetada foi benéfica para o trabalho, que ganhou em detalhe e profundidade conceitual.Graças a isso, estabeleceu-se um espírito de equipe entre professores e alunos que aboliu qualquer hierarquia de comando mais rígida, permitindo que as idéias pudessem fluir livremente e todos pudessem contribuir com sugestões para o projeto.

Nas palavras do professor Francisco Barros, “A escola é um projeto coletivo.Esta é uma das conclusões da participação da FAAP na 6ª BIA”.

O projeto

O projeto desenvolvido pelos alunos para o importante bairro central da Luz,fundado oficialmente na década de1870, nos remete a uma outra São Paulo, que não existe mais: a São Paulo da garoa, antes do efeito estufa, quando aqui fazia frio e havia neblina de manhã e garoa à noite. Uma cidade em que a Estação da Luz era motivo de orgulho e os paulistanos podiam acertar o relógio pela partida dos trens da São Paulo Railway lá pelos idos de 1900.

Após 1930, o bairro passou por um processo de esvaziamento e abandono,até que em meados da década de 1990,campanhas como o Projeto Monumenta (Programa de Conservação do Patrimônio Cultural e Urbano do Ministério da Cultura) desenvolveram propostas de requalificação para a região que, por ser uma área com concentração acentuada de bens tombados,atraiu investimentos públicos e privados visando sua recuperação e neste processo já restaurou vários edifícios de valor histórico.

O local escolhido pelos alunos para a realização do projeto apresentava graves problemas de circulação, pois é delimitado pela Av. do Estado e pelo rio Tamanduateí, que seccionam a região a leste, a Av. Tiradentes a oeste e a linha de trem ao sul, o que estimula a desocupação da área, com o esvaziamento ou sub-uso de galpões e residências.

Aproveitando a proposta do programa Monumenta, que sugere a superação da barreira representada pela Av. Tiradentes através de uma passa-rela subterrânea constituída pela parte não utilizada da plataforma de embarque da Estação Luz, os alunos propuseram um conjunto de praças em patamares, acessíveis por escadas e rampas na chegada da passarela ao lado oposto à estação.

Já a barreira da ferrovia seria superada pela construção de uma rua aérea, que interligaria o lado norte ao sul, na qual,sobre um terreno em que hoje existem galpões em desuso, na esquina da Rua Mauá com a Rua Antônio Paes, seria edificado o “Conjunto Mauá”, constituído de três edifícios: um destinado a flats e os outros dois a escritórios, com três níveis de subsolo de estaciona-mento e contando com restaurantes do tipo fast food e centros de eventos.

Com a retirada dos galpões da Rua 25de Janeiro, restariam dois terrenos, longos e estreitos, limitados ao sul pela linha férrea e, ao norte, pela Rua São Caetano, onde estaria localizado o maior José Renato Bicalho Kehlé coordenador do Curso de Arquitetura – FAP/FAAP conjunto de edifícios, sendo o seu uso comercial nos subsolos e térreo, residencial nos pavimentos superiores e institucional na cobertura.

Os apartamentos situados no térreo têm pequenos quintais, enquanto as células comerciais desse pavimento estariam voltadas para praças de uso público.

Para que a rua aérea pudesse cruzar o conjunto de norte a sul, seis módulos de apartamentos foram retirados. Assim, surgiu uma praça aérea em cada edifício com acesso aos apartamentos do 3º pavimento.

O gabarito do edifício seguiu a altura das torres da Igreja de São Cristóvão, definindo cinco andares para a área mais próxima da igreja, e sete na área mais distante, em decorrência da declividade do terreno.

Os andares com 256 metros de ex-tensão foram alinhados a partir da cobertura, constituindo um plano único onde se desenvolve a área social do conjunto, com uma creche, um centro de recreação para idosos e um centro informatizado.

Seu fechamento ao sul é feito em lona tencionada, o que, além de ser uma solução de baixo custo, possibilita a projeção de vídeos noturnos, transformando praça junto à ferrovia em um grande cinema ao ar livre.

O acesso aos apartamentos se dá por corredores nesta face do edifício, soltos da estrutura principal e ligados a esta por meio de passarelas suspensas.

Na Rua São Caetano, que é mais conhecida como “Rua das Noivas”, foi proposta a remoção de alguns estabelecimentos comerciais – de forma a permitir maior fluidez e estabelecer áreas de descanso para os pedestres –, a definição de uma unidade na comunicação visual, a padronização do calça-mento e a transferência da fiação para dutos subterrâneos.

No trecho entre a Rua Djalma Dutra e a Rua da Cantareira foi proposta a troca do asfalto pela pavimentação em concreto e uma cobertura de tecido tencionada por estrutura metálica, constituindo uma área para a prática de atividades sociais, esportivas e feiras.

Na extremidade norte, a rua aérea encontra outro edifício que se estende ao longo da rua Dr. Pedro Arbues em um eixo norte/sul com características tipas-lógicas semelhantes aos edifícios da Rua25 de Janeiro.

No aspecto arquitetônico, os edifícios projetados em estrutura metálica e com paredes externas em tijolo aparente ‘conversam’ bem com as construções pré-existentes do entorno e não se impõem com uma altura fora de proporção.

Os apartamentos podem ser configurados de acordo com as necessidades de cada morador, pois são divididos por paredes leves e facilmente removíveis.As construções propostas são modernas e, ao mesmo tempo, parecem ter sempre existido ali, ao lado dos galpões e da estrada de ferro.

 

* José Renato Bicalho Kehlé coordenador do Curso de Arquitetura – FAP/FAAP

 

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Idéias

SAVENIDA 9 DE JULHO: UM PERCURSO PELA DANÇA E PELO DRAMA

MARINA MILAN ACAYABA*

“As ruas são a morada do coletivo. O coletivo é um ser eternamente inquieto, eternamente agitado, que, entre os muros dos prédios, vive, experimenta, reconhece e inventa tanto quanto os indivíduos ao abrigo de suas quatro paredes.”

Walter Benjamin

A Avenida 9 de Julho é resultado do modelo de expansão e estruturação urbana baseado na criação de grandes eixos rodoviários que cortam a cidade e conectam seus extremos. Faz parte do Plano de Avenidas idealizado pelo prefeito Prestes Maia em 1929, no qual se estabelecia um perímetro de irradiação que receberia as outras avenidas. Como parte desse conjunto havia o sistema Y,formado pela Avenida 23 de Maio e pela Avenida 9 de Julho, que fariam a ligação norte-sul.

As desapropriações dos terrenos para a abertura da via limitaram-se ao estrita-mente necessário à implantação da calha propriamente dita, criando terrenos pequenos que se abriam para a avenida.Em virtude desse processo, num curto espaço de tempo a avenida já apresentava sua capacidade saturada, congestionada, em conflito tanto com sua função na estrutura viária da cidade (avenida de trânsito rápido), quanto com a qualidade ambiental de seus edifícios, em sua maioria residenciais.

Os edifícios, de maneira geral, foram concebidos com implantação apropriada para uma topografia plana ou com pouca declividade, privilegiando o acesso pela avenida, e virando as costas para as ruas paralelas, que seriam acessos mais favoráveis tanto para o pedestre como para o automóvel.

Esta avenida caracteriza-se, portanto,como um nó de transporte público e infra-estrutura que atravessa os bairros centrais de São Paulo. Apresenta uma massa construída compacta, configurando-se como uma das áreas mais edificadas da cidade, mas com baixa densidade demográfica, além de significativos vazios residuais em suas encostas.

O PROJETO

O trecho escolhido situa-se entre o viaduto Martinho Prado (ligação entre o Bixiga e a rua Augusta) – na escala local – e o Viaduto do Café – no grande eixo leste-oeste. O projeto abre-se para a Avenida 9 de Julho, o Viaduto e as ruas Avanhandava e Santo Antonio,cumprindo a função de reconectar as cotas 745.00 (Avenida 9 de Julho),752.00 (Viaduto Martinho Prado),756.00 (Rua Santo Antonio e Rua Avanhandava).

O edifício, dissolvido entre os dois lados da avenida, permite a travessia pelo Viaduto Martinho Prado conectando dois bairros da cidade (Bela Vista e Consolação), e além deste eixo transversal cria-se também um eixo longitudinal já que as duas partes do programa conectam a Avenida 9 de Julho, levando o pedestre a percorrê-la.

A avenida foi tratada como se fosse um grande edifício ou um espaço único.Os lotes deixaram de ser pensados como elementos isolados e independentes. O projeto conecta diversos pontos da Avenida e permite ao pedestre um percurso livre através deste edifício formado por viadutos e avenidas da cidade.

O projeto, ao priorizar o deslocamento e o fluxo dos pedestres, acaba com o conceito de lote e recria um solo público contínuo. Este espaço, que é fruto de uma ação contínua (o caminhar), ao se definir como um espaço ilimitado produz um território onde o dentro e o fora se confundem. Desaparecem as barreiras e a cidade invade o edifício e vice-versa, entra por seus vazios, conectando cada parte do eixo vertical do edifício ao eixo horizontal que define a avenida.

O programa do edifício buscou no bairro do Bixiga sua inspiração. Este bairro peculiar na cidade de São Paulo tem uma forte tradição cultural, contando com 18 teatros, alguns museus, espaços de dança e uma escola de samba. O edifício devia, portanto, estar ligado às artes, mais precisamente à produção. Um local onde os artistas pudessem trabalhar em contato com o público, quebrando a distância entre o projeto e a exibição da obra de arte, tornando o fazer artístico um elemento atuante no espaço urbano.

Dada a predominância no Bairro das artes dramáticas e da dança, o edifício foi definido como um laboratório de teatro que desse apoio aos espaços de teatro já existentes na região. Neste edifício, além das salas de aula e ensaio, foram criadas oficinas de cenários e figurinos, além de uma biblioteca e dois teatros. O edifício divide-se em duas partes: a escola de dança e de drama junto à rua Santo Antonio e a biblioteca que liga sob o Viaduto do Café. A ligação entre as duas partes acontece pelo Viaduto Martinho Prado.

O edifício principal fica entre a Avenida 9 de Julho e a Rua Santo Antonio, na cabeceira do Viaduto Martinho Prado.Sua implantação procurou abrir o edifício para estes três lados criando praças que conectassem estas três entradas. O terreno retangular é atualmente cercado por muros de arrimo que fazem a transposição dos 12 metros que separam a Avenida 9 de Julho da Rua Santo Antonio. Na Avenida 9 de Julho o limite é dado pela escadaria que faz parte do Viaduto projetado por Prestes Maia. Esta escadaria é incorporada ao edifício cumprindo a função de levar o pedestre da Avenida ao Viaduto.

As funções públicas do edifício (teatros e cafés) localizam-se nas cotas mais baixas, abertas diretamente para cidade. Na cota da Avenida 9 de Julho o edifício abre-se numa grande praça iluminada por um vazio central que permite o visual da Avenida para a Rua Santo Antonio, passando pelo Viaduto e chegando ao topo do edifício. Desta forma, todo o edifício se alça sobre a Avenida 9 de Julho, levando o eixo horizontal da avenida para dentro do volume.

A ligação entre as várias cotas é feita por três elementos principais: as escadas no vazio central; o teatro de Drama com foyerna Rua Santo Antônio, a platéia que liga os níveis 756.00 e 752.00e o palco que se abre para o Viaduto. E,por fim, a parede central, como objeto único eixo do edifício, que leva o olhara vislumbrar os vários andares e compreender a ligação entre os níveis.

O cubo estrutural abriga as salas de aula que se dividem entre a parte baixado drama, com aulas de teatro, e a alta,com as salas de dança. Esses volumes que variam a cada andar criam vazios que ligam os vários níveis, levando o observador a visualizar um espaço fluido. Nos andares de salas de aula ficam duas praças nas cotas que criam espaços abertos voltados para o vazio central.Desta forma, o edifício é todo definido por praças que o percorrem. À noite, quando as luzes se acendem, o fechamento em chapa metálica perfurada deixa ver o que acontece no interior, descortinando o edifício que se transforma em um grande palco para a avenida.

A biblioteca foi desmembrada do corpo principal e abrigada sob o Viaduto do Café. Liga-se à escola através do Viaduto Martinho Prado penetrando o edifício Vésper localizado na rua Avanhandava. No Edifício Vésper localizam-se as salas de leitura e na passarela a estante de livros. Quem vem do Bixiga passa pelos livros e chega à Rua Avanhandava.

Na Rua Santo Antônio, uma praça ocupa o vazio sob o Viaduto do Café criando um percurso até a Avenida 9 de julho. Um espelho d’água debruça-se sobre a avenida e vai buscar com suas águas a imagem do antigo córrego do Saracura.

Assim o percurso fecha formando um anel que engloba a Rua Santo Antônio, o Bixiga, a Rua Avanhandava, a Avenida 9 de Julho, os Viadutos Martinho Prado e do Café que se tornam parte do edifício, fazendo da avenida um todo único.

Trabalho final de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, apresentado por Marina Milan Acayaba, concluído em fevereiro de 2006 e orientado pelo Prof. Angelo Bucci

  

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Mix mesa

A GRÉCIA NO BOM RETIRO

CLAUDIA CASANOVA

Em todo o mundo, poucas cidades podem dizer que têm uma gastronomia tão cosmopolita quanto São Paulo. De fato, com os milhares de restaurantes que a capital paulista oferece, todas as nacionalidades encontram-se representadas. Entre elas, não poderia faltar a cozinha grega, tida como uma das mais saborosas e saudáveis, ainda mais porque seu ícone, o restaurante Acrópoles, é também considerado referência turística da cidade.

Com ambiente despojado e simples,repleto de pôsteres da Grécia e de títulos gastronômicos, o Acrópoles foi fundado em 1959 e sua cozinha é comandada há 20 anos pelo cozinheiro Manoel de Oliveira, que atende pelo curioso nome de Cidão. “É meu apelido desde criança, nem meus parentes lembram muito bem meu nome. É Cido e pronto, e aqui me conhecem como Cidão”,explica. Aos 56 anos, o paulista de Presidente Bernardes começou a trabalhar com culinária aos 19 anos, quando foi trabalhar na cozinha da estrada de ferro da capital. “Fiquei mais ou menos um ano por lá, comecei como ajudante e depois me tornei o cozinheiro”, lembra.

A experiência na cozinha grega se iniciou pouco tempo depois, aos 20 anos,quando começou a trabalhar como ajudante no Olímpia, restaurante que ficava em Pinheiros. “O próprio dono, que era grego, era o cozinheiro-chefe. Fiquei nesse restaurante uns 10 anos”, conta. Foi nessa casa que aprendeu, através de um método bastante inusitado, todos os truques das receitas gregas, como explica: “O dono não chegava ame ensinar direito, ele dizia ‘faz, tenta fazer, porque eu não vou te ensinar. Se ficar ruim, você faz de novo até aprender. Não se preocupe com o material que você vai perder, deixe que eu me responsabilizo’. Daí eu fui fazendo, prestava atenção no que ele fazia e corri atrás”. A primeira receita típica que preparou foi o tradicional Mussaká, espécie de torta preparada com batata, berinjela, carne moída e creme bechamel. Esse prato, aliás, é dos mais pedidos do Acrópoles, que costuma servir uma média de cem refeições por dia. A equipe do restaurante conta com mais dois cozinheiros e dois ajudantes.

O método de ensino do ex-chefe se mostrou bastante eficaz, já que além de Cidão ter se apaixonado pelo tempero e pelas receitas mediterrâneas, hoje ele mesmo cria novos pratos baseados nos fundamentos aprendidos. É o caso, por exemplo, do carneiro com champignon e cebolinhas e do carneiro com alcachofra, que é, como explica o cozinheiro “uma variação de outro prato que existia”. Cidão, que também mora no Bom Retiro, trabalha na cozinha de terça a domingo e, às segundas-feiras, seu dia de folga, costuma cozinhar em casa para a esposa.

O Acrópoles

Quem chega no Acrópoles se depara imediatamente com a figura simpática do Sr. Thrassyvoulos Petrakis, que, para facilitar a vida dos brasileiros, passou a atender pela alcunha de Seu Trasso. Responsável por abrir e fechar o restaurante, que funciona das seis da manhã à meia-noite, o grego está na casa desde 1963: foi quando começou a trabalhar de garçom para o antigo dono.Não muito tempo depois, tornou-se gerente e alguns anos mais tarde, sócio da casa – hoje é o único dono.

Uma das principais características do Acrópoles, que atende todos os dias, é sua forma de servir. O próprio cliente vai até a cozinha e escolhe o que deseja comer diretamente dos panelões. E a escolha não é fácil, afinal, além dos quatro pratos que costumam ser preparados todos os dias – carneiro assado, a vitela e uma receita com frutos do mar – Cidão sempre prepara algumas opções extras –também deliciosas –, tais como o carneiro com alcachofra, peixe ao forno, lula recheada, entre outras.

A famosa cozinha faz sucesso até entre gregos que vêm visitar o Brasil. “Até os turistas gregos dizem que a comida aqui é melhor que lá”, conta o sorridente Petrakis. Para o dono, um dos ingredientes básicos desse sucesso é a equipe com quem trabalha, toda formada por brasileiros. “Todo mundo trabalha aqui faz bastante tempo e, para resumir, o que posso dizer é que tenho uma equipe maravilhosa”.

Acrópoles - Rua da Graça, 364 – Bom Retiro. Tel. (11) 3223-4386

 

 

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Mix Artes

NIETZSCHE NO TEATRO IMPRENSA

 

Final do século 19, Viena. Em meio à ebulição intelectual da época e às vésperas do nascimento da psicanálise, Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, está no limite do desespero: tem impulsos suicidas e, apesar deter passado por muitos médicos, não consegue encontrar a cura para suas insuportáveis enxaquecas e convulsões. Nietzsche passa então,por intercessão de sua amante Lou Salomé, a encontrar-se com o médico vienense Josef Breuer – um dos pais da psicanálise, além de professor e amigo de Freud. Nessa mesma época, Breuer está envolvido numa atmosfera de glórias e fracassos: apesar de ter lançado um novo método de terapia, ele vive uma fase de tormentos pois tem obsessivas fantasias sexuais com uma de suas pacientes, Ana O. Trama ficcional com personagens reais, “Quando Nietzsche Chorou” é o primeiro romance do psicanalista Irvin Yalom. Adaptada para o teatro, com direção de Ulisses Cohn, o espetáculo une realidade e ficção, drama existencial e suspense,em uma trama sobre amor, redenção, auto-conhecimento e amizade. Em cartaz no Teatro Imprensa até 6 de agosto, a peça traz no elenco os atores Cássio Scapin e Nelson Baskerville. Ana Paula Arósio, Lígia Cortez e Flávio Tolezani fazem participações especiais em vídeo.

Teatro Imprensa R.Jaceguai,400 – Bela Vista.Tel.:(11) 3241-4203.Sessões às quintas,sextas e sábados às 21 horas e domingos às 19 horas.Ingressos – R$ 50,00 (quintas e sextas-feiras) e R$ 60,00 (sábados e domingos).Meia entrada para estudantes.Duração – 120 minutos.Censura – 14 anos.Até 6 de agosto.

 

ICONOGRAFIABRASILEIRA NA BM&F 

Em cartaz até 12 de junho, a exposição “Imagens e História do Brasil” reúne importantes documentos cartográficos e iconográficos que contam a trajetória do país por meio de mapas, desenhos e gravuras. Datados desde o século 17 os documentos – que pertencem à Coleção Brasiliana, da Fundação Estudar – mostram como o Brasil foi visto e representado em diferentes épocas e sob o prisma de intenções e interesses diversos.

Entre as obras, a exposição traz o trabalho do artista alemão Friedrich Hagedorn (c.1814–c.1889), uma vista inusitada do Pão de Açúcar,até hoje a imagem-ícone do Rio de Janeiro. De fato, a cidade do Rio, porta de entrada do Brasil, lançou mão de sua privilegiada situação geográfica – em que o contorno das montanhas e a vegetação luxuriante estão em constante diálogo com o mar – para construir sua fisionomia de capital imperial. Um outro documento, de 1647, traz o “Mapa do Brasil sob Domínio Holandês”. De autoria de Georg Marcgraf, trata-se de um registro que mostra a ação colonizadora empreendida por Maurício de Nassau, quando parte do Nordeste brasileiro foi dominado pelos holandeses entre1630 e 1654.

Espaço Cultural BM&F(E5-51) Praça Antônio Prado,48,térreo – Centro.Tel.:3119-2404.Horário de funcionamento de segunda a sexta,das 10 às 18h.

 

CAIXA CULTURA DISCUTE MEIO AMBIENTE

Até 3 de julho a Caixa Cultura Galeria Paulista promove os “Encontros Ambientais”,série de palestras e debates sobre a preservação do meio ambiente. Nos seminários,palestrantes dos mais diversos ramos de atividades falam sobre temas que destacam o desmatamento e aquecimento global, a pesquisa de novos materiais, a sustentabilidade no planejamento urbano, a preservação de mananciais, as políticas públicas em reciclagem, a degradação ambiental, o seqüestro e a fixação de carbono, a preservação do solo, o reuso da água, a biodiversidade, fontes de energia renováveis. As palestras têm duração de duas horas e acontecem sempre às segundas-feiras, às 20h,no mezanino da Galeria da Paulista. Entrada franca.

Caixa Cultura Galeria Paulista Av.Paulista,2083 (Conjunto Nacional) – Cerqueira César.Tel.:(11) 3107-0498.Sessões aos sábados e domingos às 16 horas.Grátis – retirar ingressos com uma hora de antecedência.Meia entrada para estudantes.Duração – 80 minutos.Censura – 12 anos.

 

PINACOTECA RECEBE COLEÇÃO BRASILIANA

Para quem quiser conhecer um pouco mais da Coleção Brasiliana, a Pinacoteca do Estado apresenta, até novembro, a mostra “Vistas do Brasil”. Trata-se do segundo convênio firmado entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Estudar e, desta vez, o tema da exposição é a representação da figura humana na arte. Dividida em duas partes, a mostra traz, em um primeiro momento, a idealização do corpo humano na composição de cenas mitológicas e alegóricas – para isso será exposta uma importante e inédita coleção de desenhos do artista Henrique Bernardelli (1858-1936), pertencentes à Pinacoteca do Estado – e na segunda parte mostrará os gêneros artísticos em que a fidelidade ao personagem representado é a principal exigência da obra. “Vistas do Brasil” traz obras inéditas da Coleção Brasiliana, como os raros registros de tipos urbanos brasileiros feitos pelo militar português Joaquim Cândido Guillobel (1787-1859) no início do século 19.

Pinacoteca do Estado (E2,100) Praça da Luz,2 – Metrô Luz (D2).Tel.:(11) 3229-9844.Ingressos:R$ 4 (Para estudantes há meia entrada),aos sábados:grátis.

 

OSESP: CONCERTOS DE JUNHO E JULHO

A programação da temporada 2006, meses de junho e julho, da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo já está com os ingressos avulsos à venda, que podem ser adquiridos na bilheteria da Sala São Paulo (C1-93) ou pelo site da Ticketmaster (www.ticketmas-ter.com.br), que cobra taxa de serviço. Os ingressos avulsos podem ser adquiridos até 60 dias antes da data do concerto. Os valores das entradas ou mais informações sobre os concertos podem ser verificados no site www.osesp.art.br.

Sala São Paulo (C1-93) Praça Julio Prestes s/nº.Tel.:(11) 3337-5414.A bilheteria funciona de segunda a sexta,das 10h00 às 18h00,ou até o início do concerto.Aos sábados:quando houver apresentação,das 10h00 às 16h30,ou até o início do concerto.Aos domingos,quando houver apresentação,desde duas horas antes do concerto.

 

TEATRO DO SESI APRESENTA “O RETRATO DE DORIAN GRAY”

Versão do escritor inglês Oscar Wilde para o mito faustiano da perda da alma em trocados prazeres mundanos, o clássico “O retrato de Dorian Gray” está em cartaz no Teatro Popular do Sesi em versão jovem e moderna, com recursos multimídia de projeção de imagens, criadas pelo cineasta e VJ Thiago Taboada, e interferências sonoras eletrônicas, que são executadas ao vivo pelo DJ Nivaldo Junior.

O elenco é formado pelos atores Marcos Damigo, que fez a adaptação da obra e na peça vive o próprio Dorian Gray, Lavínia Lorenzon, Francisco Brêtas e Sergio Rufino.A direção musical é assinada por Gustavo Karlat e a trilha sonora é executada ao vivo pelos músicos Gabriel Levy e Ana Elisa Colo-mar, em um mix de músicas eruditas e canções de Tom Jobim, Nirvana, Metallica,Björk, entre outros. A peça fica em cartaz até13 de agosto.

Teatro Popular do Sesi Av.Paulista,1313 – Cerqueira César.Tel.:(11) 3146-7407.Sessões aos sábados e domingos às 16 horas.Grátis –retirar ingressos com uma hora de antecedência.Meia entrada para estudantes.Duração – 80 minutos.Censura – 12 anos.Até 13 de agosto.

 

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  Mix Livros  

CINEMA E SOCIEDADE

A partir de filmografia ficcional produzida em São Paulo nas décadas de 1950, período em que a cidade se torna a maior metrópole do país, e de 1960, quando há uma espécie de contraponto à década anterior,São Paulo em Preto & Branco – Cinema e Sociedade Anos 50 e 60(Editora Annablume, 171 páginas, R$30,00) faz um estudo sobre as rupturas e continuidades no aspecto sociourbano da cidade.

O período abordado pelo autor Waldir Salvadore parte da euforia, com clima de liberdade de expressão,e passa rapidamente para a repressão, que acontece com o golpe militar de 1964. Essas transformações rápidas e intensas criam inevitáveis impactos sobre os padrões sociais da capital paulista, os quais são analisados através de aspectos formais e características específicas da linguagem cinematográfica.

 

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PASSEIO PELA MODERNIZAÇÃO

Um passeio fictício pela capital paulista do fim do século 19 é o que propõe a antropóloga Fraya Frehse em seu livro O Tempo das Ruas na São Paulo de Fins de Império (Edusp, 272 páginas, R$ 59,00). Em um cenário que se desenvolve em conseqüência do crescimento econômico, no qual a chegada da ferrovia, dos bondes e da iluminação pública anunciam a modernização da cidade, a autora busca identificar os conflitos existente nas ruas, espaço onde novas formas de sociabilidade se instalavam.

Através de notícias publicadas em jornais, crônicas, cartas, atas da Câmara e fotos de Militão de Azevedo,a autora procura desvendar a modernidade que começava a se instaurar e suas formas de coexistência com os aspectos tradicionais da São Paulo das décadas de 1870 e 1880.

 

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A PRIMEIRA CAPITAL BRASILEIRA

Fundada em 1549, Salvador, que nasceu como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, foi a primeira capital do país. Berço da cultura afro-brasileira, a cidade foi erguida em uma encosta íngreme, que a dividiu em duas partes: a Cidade Baixa e a Alta, ligadas por elevadores e ruas sinuosas.

O livro o Centro Histórico de Salvador (Editora Horizonte, 132 páginas, R$ 79,00) conta a história da cidade e também faz uma análise de sua importância arquitetônica, cultural e social. O projeto de restauração do maior conjunto de edificações das Américas, o Pelourinho, localizado na área central, também faz parte das análises feitas pelos autores, os arquitetos Luiz Antonio Fernandes Cardoso e Maria Adriana Almeida Couto. A obra traz, ainda, um mapa do Centro Histórico da cidade.

 

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ENGENHARIA HIDRÁULICA

Responsável, entre outros projetos, por introduzir os reservatórios de detenção urbanos no Brasil – conhecidos popularmente como “piscinões” –, o engenheiro Aluísio Canholi é autor de Drenagem Urbana e Controle de Enchentes (Oficina do Texto,304 páginas, R$ 68,00). A publicação tem alto valor didático e técnico: introduz novos conceitos de projeto e propõe medidas estruturais não-convencionais para a drenagem das grandes cidades.

Com a publicação, uma lacuna técnica importante do tema é preenchida: o livro pode ser usado como fonte de consulta para estudantes e profissionais da área e atua também como referência para planejadores urbanos e outros profissionais de áreas correlatas, envolvidos com a infra-estrutura das cidades e seus diversos impactos.

 

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ADHEMAR DE BARROS

Natural de Piracicaba, Adhemar de Barros começou sua carreira política na revolução paulista de 1932. Governou São Paulo por 12 anos: foi interventor nomeado por Getúlio Vargas, deputado estadual, prefeito e duas vezes governador,cargos exercidos numa época em que o Estado foi a principal engrenagem para a industrialização e modernização do país. Sua atuação política inclui também quatro candidaturas à Presidência da República e a fundação do Partido Social Progressista (PSP).

Registrar essa trajetória é o mote de Adhemar de Barros – Trajetória e Realizações (Editora Terceiro Nome, 239 páginas, R$ 50,00), obra produzida a partir da sistematização e síntese de vasto acervo de documentos e fotos doados pela família do ex-governador ao Arquivo do Estado de São Paulo. Escrita pelo jornalista Paulo Cannabrava Filho, o livro não se define como biografia, mas como um resgate histórico de um grande realizador.

 

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Mix Sites

AGÊNCIA MAGNUM: www.magnumphotos.com

Eram os anos da Segunda Guerra Mundial quando o fotógrafo Robert Capa (1913-1954) decidiu fundar, junta-mente com David Seymour (1911-1956), Henri Cartier Bresson (1908-2004) e George Rodger (1908-1995),uma cooperativa de fotojornalismo. A Agência Magnum tinha como objetivo oferecer aos associados a liberdade para decidir os rumos dos trabalhos a serem realizados.

Hoje, a agência tem 60 membros e milhões de fotos em arquivo, como as famosas imagens de Capa que retratam a Guerra Civil Espanhola. Pelo site é possível também comprar os livros editados não só pelo Grupo Magnum,mas por diferentes editoras.

  

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 ARQUITETOS SEM FRONTEIRAS – BRASIL: www.asf.org.br

Presente em mais de 15 países, a Associação Arquitetos sem Fronteiras (ASF) é uma rede com sedes independentes entre si, mas que compartilham o interesse em aliar pesquisa e prática a projetos de caráter social. No Brasil, a Associação foi criada em 2003 e visa a criação de projetos que melhorem a qualidade de vida das comunidades.

O site traz notícias e informações sobre a ASF, assim como dados sobre projetos em andamento. É o caso do primeiro presídio APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) a ser inaugurado em Santa Luzia, Minas Gerais. Criado em 1974, o método APAC propõe um presídio sem policiais, no qual os próprios internos, com a ajuda de voluntários, são responsáveis pelo bom funcionamento do local.

  

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WORLD OF ESCHER: www.worldofescher.com

Nascido em 1898, M.C.Escher é mundialmente conhecido por seu trabalho que utiliza sofisticados meios de ilusão visual, criando grafismos e construções impossíveis. Suas obras são inconfundíveis e mostram, por exemplo, escadas que parecem conduzir, ao mesmo tempo, para cima e para baixo.

O site o “Mundo de Escher” é, na verdade, uma loja virtual que vende tudo o que é possível imaginar sobre o artista gráfico holandês: cartazes, gravatas, quebra-cabeças, calendários, softwares, livros, camisetas, entre outros muitos itens. Há também um fórum e uma newsletter que informa sobre as exposições pelo mundo. Em inglês.

  

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MAM: www.mam.org.br

O site do Museu de Arte Moderna de São Paulo tem um acervo on line que traz trabalhos de artistas como Tarsila do Amaral, Alex Flemming, Farnese de Andrade, entre outros. A pesquisa do acervo pode ser feita por artista, categoria, período e procedência. Informações sobre o horário de funcionamento, as exposições em cartaz e os eventos especiais também podem ser encontradas nos links de serviço: “Informações Gerais” e “Acontece no MAM”.

Fundado em 1948 pelo industrial Ciccillo Matarazzo Sobrinho, o Museu de Arte Moderna de São Paulo tem hoje cerca de 4 mil peças que se dividem em pintura, escultora, desenho, fotografia, vídeo, instalação e performance.

 

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  Notícias  

PAULO MENDES DA ROCHA: MERECIDO RECONHECIMENTO

A Associação Viva o Centro congratulou-se com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha pela conquista da mais alta honraria em sua área, o Prêmio Pritzker, pelo conjunto da obra. Em 1992, a Viva o Centro encomendou ao arquiteto o projeto da reurbanização e do pórtico-cobertura da Praça do Patriarca, no Centro de São Paulo, e o ofertou à Prefeitura,que somente o executou 10 anos mais tarde, inaugurando a obra em2003. Mendes da Rocha é o segundo brasileiro a receber o Pritzker, o primeiro foi Oscar Niemeyer em 1988. “Essa premiação representa o reconhecimento internacional a um trabalho que, olhado de qualquer ângulo– seja o da concepção arquitetônica para prédios novos, seja o do restauro do patrimônio histórico com reforma e modernização das instalações para facilitar seu uso na atualidade, ou o da reurbanização de espaços públicos,com intervenção artística – chama a atenção por sua inventividade e ousa-dia”, observou o superintendente da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida. Entre outros projetos de Mendes da Rocha, também se acham no Centro os elogiados retrofits da Pinacoteca do Estado e da Estação da Luz, o desta última para receber as instalações do Museu da Língua Portuguesa. O Prêmio Pritzker, constituído de uma medalha de bronze e US$ 100 mil, foi criado em 1979 pela família Pritzker, de Chicago, proprietária da rede Hyatt de hotéis.

 

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OS CINCO ANOSDO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL EM SÃO PAULO

Até março deste ano, o CCBB-SP recebeu cerca de 3milhões de visitantes, sendo que a média diária de público hoje é de aproximadamente 2,5 mil pessoas. Nesses cinco anos de atividade, o CCBB patrocinou e realizou 781 eventos, em áreas de atuação que vão das artes plásticas às audiovisuais, passando pelo teatro, dança,música e programas de cunho educativo. No total, foram mais de 10 mil apresentações no Centro de São Paulo. A Associação Viva o Centro tem orgulho de ter contribuído para a instalação do CCBB em São Paulo.No começo da década de 90, quando a Viva o Centro contava poucos anos de vida, representantes da diretoria do Banco do Brasil procuraram a direção da entidade manifestando a intenção de instalar no Centro de São Paulo um equipamento cultural nos moldes do que vinha fazendo muito sucesso no Rio de Janeiro.Desde o primeiro momento, a Associação esteve entre os entusiastas do projeto e, em 2001, pôde compartilhar da inauguração do Centro Cultural Banco do Brasil-São Paulo na primeira agência do BB instalada no Estado, depois de completamente restaurada e modernizada para a nova função. No feriado de Tiradentes,o CCBB-SP, para cuja programação os veículos de comunicação da Viva o Centro estão sempre abertos, fez aniversário, e seus números são veementes.

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EM DATA SHOW,SUGESTÕES PARAMELHORAR APRAÇA ROOSEVELT

Com 10 anos de existência, as Ações Locais já testaram quase todas as formas de levar ao poder público diagnósticos dos problemas encontrados em suas áreas de atuação e sugestões para resolvê-los. Foram cartas, ofícios, dossiês,relatórios, fotos, filmes e clippings de imprensa. O mais novo meio – um audiovisual produzido por computador em Power Point para exibição em data show – foi apresentado durante a segunda reunião deste ano do Conselho de Representantes do Programa de Ações Locais, realizada no começo de abril na sede da Associação Viva o Centro, pela diretora de Assuntos de Zeladoria Urbana da Ação Local Roosevelt, Nair Fiorot. O competente trabalho foi exibido a título de exemplaridade e, de imediato, várias Ações Locais mostraram-se interessadas em aderir à técnica.

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CAMPOS ELÍSEOS DEVE HOSPEDAR CHEFES DE ESTADO

O elegante Palácio Campos Elíseos, que foi sede do Governo do Estado de 1911 a 1965, deverá recuperar sua configuração original para abrigar recepções oficiais e hospedar chefes de Estado em visita à cidade de São Paulo, ficando, fora dessas ocasiões especiais, permanentemente aberto à visitação pública. A autora dessa proposta, aceita pelo então governador Geraldo Alckmin, em março, foi feita pela Associação Viva o Centro, como integrante do Conselho de Orientação do Restauro do Palácio Campos Elíseos. A boa notícia foi dada pelo então secretário de Estado João Carlos de Souza Meirelles, da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, pasta que ocupava o Palácio. O Conselho, presidido por Ruy Martins Altenfelder Silva, ex-secretário da pasta, além de órgãos do Governo de São Paulo, reúne personalidades como o ex-governador Laudo Natel, último governante a ocupar o Campos Elíseos,e entidades da sociedade civil.

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MURO ESCONDE BELEZA DA LUZ

Com a inauguração do Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz, cuja fachada foi totalmente restaurada,o que sobressai na paisagem é um “horrendo muro de concreto encobrindo a visão da magnífica estação para milhares de pessoas que diariamente trafegam pela Avenida Tiradentes, a mais importante via de ligação Norte-Sul” na cidade de São Paulo. Preocupada, a Associação Viva o Centro, ardorosa defensora do restauro e da instalação do museu nas dependências da Estação, propôs aos órgãos públicos envolvidos que se estude com urgência uma forma de eliminar esse muro, trocando-o por outro tipo de proteção que mantenha a segurança no local, mas sem encobrir a paisagem. De imediato, responderam favoravelmente o secretário de Estado da Cultura, João Baptista de Andrade, e o diretor do Museu da Língua Portuguesa, Antonio Carlos de Moraes Sartini. O muro é de responsabilidade da CPTM.

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PATROCINADORES Revista URBS

Patrocínio:

Banco Itaú Serasa
Bank Boston
Apoio Institucional:

Prefeitura do Município de São Paulo

 

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Revista Urbs - Publicação bimestral editada pela Associação Viva o Centro, com o patrocínio especial do Bank Boston, Banco Itaú Serasa e Pinheiro Neto - Advogados; e apoio institucional da Prefeitura Municipal do Município de São Paulo.

Conselho Editorial: Jorge da Cunha Lima, Marco Antonio Ramos de Almeida, Mary Lou Paris, Marta Dora Grostein, Regina Prosperi Meyer, Rosely Carmona, Lu Rodrigues, Ana Maria Ciccacio (secretária).

Editora:
Lizandra Magon de Almeida
Editora Assistente: Lu Rodrigues (Trix Agência de Serviços Fotográficos)
Editora de Arte: Andrea Melo
Editora de arquitetura e urbanismo: Regina Prosperi Meyer
Colaboram nesta edição:
Ana Maria Cicaccio, Aline Gattoni, Auro Danny Lescher, Adriana deAndrade Solé,Andrea Melo, Claudia Casanova, Eduardo Fiora, Elaíze Farias, Fábio de Castro, Fernando Carvall, José Renato Bicalho Kehl, José Paschoal Rosseti, Marina Milan Acayaba e Paula Knudsen.
Impressão:
Arizona

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urbs pode ser adquirida através de assinatura e venda avulsa e é distribuida gratuitamente a um mailling especial da Associação Viva o Centro.