ANO X   -   No. 40   -   março / abril 2006
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Panorama  Viva o Centro 15 anos

Reportagens  Capa Praças mantidas pela população
Cidade do México Os problemas e soluções do seu Centro
Brás Revitalização começa das cara nova à região
Proposta Viva o Centro Guichê inteligente no Centro

Artigos Cidades sempre foram Marcas, por Simon Anholt

Entrevista Andrea Matarazzo Um ano à frente da Subprefeitura da Sé

Cultura Comércio Casa Godinho: 80 anos de tradição e charme
Patrimônio A primeira escola de restauro de São Paulo

Idéias Personagens paulistanos do século XIX
Staples Center, Los Angeles

Seções Caro Leitor
Cartas

Galeria
Mix
Viva o Centro Notícias
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Caro Leitor  


É hábito dizer que no Brasil o ano só começa depois do Carnaval. A cada ano, porém, essa máxima parece ser menos verdadeira. O ano de 2006 começou agitado, especialmente no Centro. Eleito como uma das prioridades do atual governo, várias ações foram feitas. E como 2006 é ano eleitoral, só podemos esperar que toda essa agitação continue, para que não fiquemos com a sensação de que tudo foi feito em função dos próximos pleitos. Para avaliar este primeiro ano de gestão José Serra, entrevistamos o secretário de Serviços e subprefeito da Sé Andrea Matarazzo, que fala sobre tudo o que foi realizado e o que ainda está previsto para a região. Nossa reportagem de capa também tem a ver com as ações da Prefeitura, discutindo a “terceirização” da manutenção das praças da capital. A nova administração reviu a legislação e tornou-se mais flexível, para atrair a iniciativa privada. Ninguém mais questiona a importância das parcerias público-privadas, mas permanece a questão sobre a quem cabe a responsabilidade por esse tipo de serviço. A agitação que invade o Centro se espalha pelo entorno e por isso mostramos as mudanças que estão sendo feitas no Brás, bairro vizinho que começa a colher os frutos de um processo de modernização. Continuando a série de reportagens sobre as dez propostas da Viva o Centro para os então candidatos à Prefeitura, divulgadas em 2004, falamos aqui do guichê inteligente, uma proposta que prevê a centralização dos serviços municipais para facilitar a vida de quem pretende investir no Centro. Um artigo desta edição discute um tema muito novo e ainda desconhecido para a maioria das pessoas: assim como os produtos, cidades e países também se tornaram “grifes”. Segundo o especialista Simon Anholt, São Paulo ainda precisa definir sua vocação para assim também estabelecer sua marca.
 

Boa leitura para todos,

 

Lizandra Magon de Almeida

Editora

 

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Cartas  



REVISTA URBS

 

De mi mayor consideración,

Recibo periódicamente la revista urbs y el boletín Informe, que muestran el magnifico trabajo de la Asociación Viva el Centro. Soy testigo de los cambios y mejoras en el Centro de la ciudad de Sao Paulo y considero que se proyecta como un ejemplo para toda América Latina.

Agradeciendo la atención, renuevo a ustedes mi consideración más distinguida.

Atentamente,

 

Roberto Samanez Argumedo

Arquiteto

Cusco – Peru

 

 

Nossa Biblioteca da Universidade São Francisco recebeu a revista urbs nº 39 de dezembro 2005 / janeiro 2006.

Agradecemos o envio, será de grande valia para nosso acervo.

Atenciosamente,

 

Aparecida Almeida

Auxiliar da Biblioteca

Setor de Desenvolvimento de Coleções

Universidade São Francisco

 

 

Recebemos a revista urbs nº 39, edição de dezembro 2005 / janeiro 2006, e o Informe Viva o Centro de dezembro de 2005. Agradecemos o envio.

 

Rosana Gadioli Bruno

Bibliotecária

Biblioteca Central Universidade Braz Cubas

 

 

CINEMAS

Na revista urbs nº 39, a matéria “O exército do telemarketing”, que fala sobre as empresas de telemarketing no Centro da cidade, traz um entrevistado que lembra a falta de salas de cinema na região. Concordo com ele.

Há pouco tempo, minha sogra de 80 anos quis revisitar o Centro. Levei-a para um passeio de carro e ela recordou que nos anos 1940 o namoro acontecia na região: cinema na São João e depois chá no Mappin, com conforto e elegância.

Acredito que nesse processo de revitalização que o Centro passa, cabe sim a volta das grandes salas de cinema na região.

 

Lúcia Oliveira

Jornalista

 

 

FINANCIAMENTO DO BID

À redação da revista urbs

Com muita satisfação e surpresa li o n° 39 da revista urbs, edição de dezembro 2005 / janeiro 2006. O prazer veio da qualidade, profundidade e diversidade dos assuntos apresentados e, a surpresa, da diagramação equilibrada e do padrão superior de trabalho gráfico.

Lendo a reportagem sobre o financiamento do BID, intitulada “Financiamento do BID em questão”, pude perceber que o grande entrave às reformas e modificações necessárias é o poder público, principalmente nas mudanças de legislaturas. São outras pessoas, outras cabeças, outras prioridades e, lá se vão por água abaixo, planos, estudos, projetos.

Melhor seria se fizéssemos um plano diretor, como é comum a todas as grandes cidades do mundo, elaborado pelas forças ativas da sociedade em todos os seus segmentos.

Teríamos ao final uma planilha de obras seguindo critérios de prioridade e, pela qual os governantes executariam, sem direito a modificações, simplesmente as obras designadas aos seus mandatos.

Fica aí minha sugestão.

Aproveito para dizer que esta revista é maravilhosa para ficar com uma tiragem tão pequena. Parabéns, cresçam e fiquem do tamanho de São Paulo.

 

Fernando Antonio Pires

comerciante

 

 

MAPA VIVA O CENTRO

Prezados Senhores,

Parabenizamos a equipe pelo trabalho desenvolvido ao longo do tempo, somos leitores assíduos da revista urbs. Gostaríamos, entretanto, de comunicar que no mapa da página 64, o “Localize-se no Centro”, nosso Centro de Estudos Musicais Tom Jobim aparece como “futura Universidade Livre de Música” e aponta a existência do Hotel Flórida.

Pois bem, onde funcionou o Hotel Flórida é, desde 2001, o Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (antiga Universidade Livre de Música), organização social da Cultura, que contribuiu em muito para a melhoria da região, com a circulação de quase dois mil alunos no Largo General Osório.

Como a Associação Viva o Centro, nós também vamos continuar lutando para que nossa região central volte a ter o mesmo esplendor do passado.

Um grande abraço,

 

Luís Avelima,

diretor técnico

Centro de Estudos Musicais Tom Jobim

 

Caro Luís,

Agradecemos pela informação e comunicamos que já fizemos a atualização neste número. O mapa está passando por uma revisão completa.

 

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  Panorama  

Viva o Centro, 15 anos

Por Marco Antonio Ramos de Almeida, Superintendente Geral da Associação Viva o Centro.

 

A Associação Viva o Centro completa 15 anos de fundação neste 2006. Os problemas do Centro de São Paulo e, mais importante, suas imensas potencialidades, passaram a ter grande visibilidade depois da criação da entidade, em outubro de 1991. O quadro de decadência em que a região se encontrava naquela época se reverteu e ela passou a ser alvo de programas específicos de recuperação e requalificação. Hoje a boa imagem do Centro já agrega valor inclusive para novos empreendimentos, o que seria impensável há uma década e meia.

O consenso hoje é de que seria um desperdício sem paralelo não aproveitar intensamente a região melhor servida em infra-estrutura na cidade e historicamente tão relevante para a Metrópole. O processo de recuperação do Centro agora começa uma nova fase – a das intervenções estruturais. Como exemplo pode-se mencionar o Projeto Nova Luz, destinado a reconfigurar a região do Pólo Luz-Santa Ifigênia e dar-lhe um novo perfil sócio-econômico. Esse tipo de projeto surgido na esteira de uma série de conquistas somente está sendo possível porque a sociedade civil se organizou e foi à luta para convencer a opinião pública e as autoridades sobre a importância social, econômica e simbólica da área central. Trabalho esse que tem atraído pesquisadores até do exterior para conhecer nossa experiência.

A recuperação e iluminação da fachada do Mosteiro de São Bento, o projeto da Sala São Paulo e a nova Praça do Patriarca estão entre as obras de que a Viva o Centro participou diretamente. Foram instalados em edifícios históricos o Centro Cultural Banco do Brasil e o Teatro Abril, restaurados e modernizados os edifícios da Pinacoteca do Estado, Catedral da Sé, Estação da Luz, Mercado Municipal e Faculdade de Direito do Largo São Francisco, e está em obras o edifício da Agência Central dos Correios, entre outros equipamentos de que nos orgulhamos.

As sedes da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) foram instaladas em prédios históricos restaurados e transformados em edifícios inteligentes. Para o coração da cidade vieram a sede da Prefeitura e mais de 20 órgãos superiores das administrações públicas municipal e estadual. Várias empresas e instituições mantenedoras da Viva o Centro decidiram adotar praças e monumentos, chegaram negócios novos, como empresas de telemarketing, aproveitando a enorme rede de cabeamento ótico que foi implantada na área, e é possível que em breve possamos noticiar a instalação de centros operacionais e tecnológicos de ponta. O Centro de São Paulo se reabilitou como bom lugar para moradia e como pólo de vanguarda em cultura, turismo e serviços.

A região central, apesar de hoje estar mais limpa e segura, ainda necessita de um sistema eficiente de zeladoria urbana e de uma atenção permanente às necessidades sociais, que o poder público poderá prover com maior eficácia por meio do projeto de microrregiões proposto pela Viva o Centro e possível com o apoio das Ações Locais, entidades que, sob a coordenação da Associação, reúnem quase 4 mil empresas e organizações, além de moradores do Centro. Outras propostas da Viva o Centro podem ser observadas no site www.vivaocentro.org.br, que a entidade mantém na internet.

 

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  Galeria  

(Por Claudia Casanova)

 

Programa Educativo no CCBB reinicia atividades em março

Democratizar o acesso à cultura e desenvolver valores ligados à cidadania. Com estes pilares, o Programa Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) oferece atividades artísticas e culturais ao público em geral e, especialmente, a crianças e jovens que trabalham e andam pelo Centro – e que, muitas vezes, nem freqüentam a escola. Heloísa Margarido, arte-educadora e coordenadora do projeto, informa que as atividades para esse público começaram porque o CCBB (E5, 45) percebeu o interesse das crianças. “Elas passavam pela porta e queriam conhecer o que existia lá dentro e, quando isso acontecia, um arte-educador sempre as acompanhava pelo espaço. Iniciou-se, então, uma propaganda boca-a-boca e muitas crianças e jovens começaram a aparecer. A procura acabou transformando esse atendimento em uma atividade regular”, afirma.

O projeto também oferece oportunidade para integrantes de instituições e ONGs. É o caso da Casa Taiguara, que há 10 anos abriga meninos e meninas, e lhes oferece cama, comida e assistência psicológica. As atividades – oficinas culturais e práticas, visitas a exposições etc. – são realizadas por uma equipe de arte-educadores e reiniciarão em março. Os encontros acontecerão às quartas-feiras, das 17 às 19h, e aos sábados e domingos, das 11h30 às 13 horas. Mais informações sobre o programa no site www.bb.com.br/cultura

 

Montana Grill Express abre primeira filial na área central

Para aproveitar a movimentação de pessoas e o processo de requalificação que embala o Centro de São Paulo, a rede Montana Grill Express vai inaugurar sua primeira franquia de rua na região. Instalado na Rua XV de Novembro, 317 (E6, E5), o espaço deverá ser inaugurado em março. As expectativas sobre o retorno a ser obtido são as melhores: “A região concentra muitos bancos e escritórios, por isso esperamos um resultado semelhante ao das praças de alimentação de shopping centers, porém em menos tempo e com custos menores”, avalia Najwa Abow Sleiman, franqueada da nova loja.

A rede de restaurantes, que já tem 50 filiais em todo País, tem como especialidade os grelhados, com pratos que acompanham massa ou duas guarnições à escolha do cliente: purê de batatas, fritas, arroz à grega, entre outros. Além da tradicional picanha e do peito de frango, a casa também oferece um prato peculiar: carne de avestruz. Saladas e sanduíches também fazem parte do cardápio.

 

1,47 milhão

Foi o número de refeições consumidas na Rede do Programa Bom Prato em 2005 – unidades Brás, Liberdade, Campos Elíseos e 25 de Março. A refeição é vendida a R$ 1.

 

Rua Avanhandava será modernizada

Reduto de restaurantes renomados da cidade, a Rua Avanhandava (B6, A7) está em obras de modernização. Convênio entre a Associação dos Restaurantes da Rua Avanhandava, que foi criada pelo restauranter Walter Mancini, e a Subprefeitura da Sé – com apoio da Comissão Permanente de Acessibilidade –, o projeto pretende transformar o local em um bulevar e, para isso, realizará obras que farão o alargamento das calçadas em até 2, 5 metros. A modernização promoverá também a troca do piso da calçada e da rua, a reforma no sistema de drenagem e melhorias no paisagismo e no mobiliário urbano.

Previstas para durar quatro meses, as obras compreendem o trecho de 140 metros entre as ruas Martins Fontes e Martinho Prado. Walter Mancini, proprietário de quatro restaurantes da rua – Famiglia Mancini, Walter Mancini Ristorante, Avanhandava 34 e Camarim 37 – é um dos idealizadores do projeto. “Diziam que a região central estava condenada e que não tinha mais jeito, mas eu nunca deixei de sonhar o contrário. Desde que me instalei na Avanhandava, nutro o sonho de transformá-la num bulevar, num lugar aconchegante e agradável, onde as pessoas possam passear tranqüilas e as crianças, brincar de pião. Parece até saudosismo, mas aposto na revitalização do Centro”, declara. O restauranter informa também que após a reforma vai inaugurar uma galeria de arte e um empório.

 

A rua da liberdade

Esta calçada pertence a uma rua que já se chamou São José. Nela viveu o médico e jornalista italiano que, atraído pelo estudo das Ciências Naturais, se interessou pela fauna e flora do Novo Continente – fato que o fez aportar no Brasil em 1826. Liberal, fundou o “O Observador Constitucional”, periódico que fazia duras críticas ao autoritarismo de D. Pedro I. Por conta de seus ideais, dentre os quais se destacam a defesa e a propaganda dos princípios liberais na imprensa paulista, foi assassinado na rua em que morava. Dizem que suas últimas palavras foram: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”. Na imagem, um recorte peculiar do belvedere da Rua Líbero Badaró (D6, E5), uma homenagem ao mártir da luta pela liberdade de imprensa: Giovanni Baptista Líbero Badaró. Foto de Fabio Mattos.

 

Happy hour no Mercadão: mezanino aberto até as 21h

Para celebrar os 73 anos do Mercado Municipal de São Paulo (G4, 59), que foram completados em janeiro, a Secretaria Municipal de Serviços (SMS) preparou uma série de atividades, entre elas a alteração, por 90 dias, do horário de funcionamento do mezanino. A iniciativa, realizada em parceria com a Associação dos Permissionários do Mercado, pretendia avaliar o movimento do novo horário, que durou até 24 de fevereiro. Um calendário com informações sobre os novos horários e datas de funcionamento do happy hour deverá ser lançado até o final de março pela SMS.

Com oito restaurantes, o mezanino tem capacidade para mil pessoas. O espaço foi inaugurado após a grande reforma do Mercado, finalizada no ano passado. Mercadão: Rua da Cantareira, 306.

 

Prefeitura publica decreto para regulamentar tratamento de entulho

São Paulo tem cerca de 10 mil caçambas de entulho irregulares. Para tentar diminuir esse número – que representa 40% do total de caçambas da cidade – e também os depósitos irregulares, a Secretaria Municipal de Serviços (SMS) lançou uma série de medidas que visam a melhoria da gestão do entulho no município.

Entre os aspectos que sofreram mudanças está o lay-out das caçambas e o tempo em que podem ficar nas ruas, que passou de cinco para três dias. Além disso, será mais rápido obter autorização para as Áreas de Transbordo e Triagem (ATTs), locais em que empresas cobram o depósito de entulho para reciclagem e venda. Esse prazo, que chegou a ser de três anos, deverá ser de aproximadamente 15 dias.

O decreto publicado no Diário Oficial também regulamenta a obrigatoriedade dos grandes geradores de resíduos inertes (estabelecimentos que geram entulhos, com volume superior a 50 quilos diários) em se cadastrarem no Departamento de Limpeza Urbana, o Limpurb, sob pena de R$ 1 mil a cada irregularidade.

Com as novas medidas, espera-se também aumentar os locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho (até 1m2), grandes objetos (móveis, poda de árvores etc.) e resíduos recicláveis, os chamados Ecopontos. A relação de empresas que prestam serviços de coleta de resíduos de construção civil pode ser encontrada no site www.limpurb.sp.gov.br.

 

350 toneladas

de alimentos são movimentadas por dia no Mercado Municipal de São Paulo (G4, 59).

Inaugurado em 25/01/1933, o Mercadão, como é conhecido, completou 73 anos

no dia 25 de janeiro, data que coincide com o aniversário da cidade.

 

 

Patrimônio histórico ameaçado

Em épocas de chuva, o Centro Histórico de São Luís fica em estado de alerta. Os casarões da região, feitos de taipa, não são muito resistentes à água e, somando-se ao problema a falta de manutenção, correm sérios riscos com a infiltração. Para se ter uma idéia, no último levantamento da Defesa Civil do Maranhão, que faz visitas periódicas à área, foi constatado que, dos 162 casarões avaliados, 59 imóveis – todos tombados – podem desabar. Ao todo, o Centro Histórico tem cerca de 4,6 mil casarões tombados pelo patrimônio histórico do Estado, dentre eles, 1,3 mil também são tombados pelo governo federal e considerados patrimônio da humanidade pela Unesco.

Um problema que agrava a situação é que a maioria desses imóveis são particulares, sendo que muitos foram invadidos e se transformaram em moradias irregulares, como cortiços.

 

Compromisso prevê diminuição da poluição visual

O Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior do Estado de São Paulo (Sepex-SP) e o governo municipal assinaram compromisso para regularizar a publicidade exterior da capital paulista. Pelo acordo, as empresas responsáveis pela exibição de publicidade se comprometem a retirar as peças instaladas irregularmente em áreas públicas e imóveis tombados e, em contrapartida, a Prefeitura será responsável pela autuação e retirada da peça do local com reincidência de irregularidade no prazo de 72 horas a partir da comunicação efetuada pelo Sepex.

As Subprefeituras serão responsáveis pela autuação dos anúncios indicativos e demais formas de propagandas irregulares. O objetivo do compromisso é reduzir a grande poluição visual existente da cidade.

 

Projeto Restaurante Escola na Assembléia Legislativa

O Restaurante-Escola, projeto da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), é um curso profissionalizante de gastronomia que visa inserir jovens carentes no mercado de trabalho. Com os resultados alcançados nos dois últimos anos – segundo dados da SMADS, 70% dos alunos das turmas formadas saíram empregados –, o projeto também será instalado, em convênio com o Instituto Mensageiro, no prédio da Assembléia Legislativa.

E a novidade não pára por aí. O programa, no novo espaço, também será estendido a mais três áreas: lanchonete-escola, café-escola e padaria-escola. Para Floriano Pesaro, secretário da SMADS, o restaurante-escola é uma oportunidade para os jovens aprenderem uma profissão. “No final do curso, já bem preparados e qualificados, eles têm chance real de continuar trabalhando na área gastronômica”, afirmou.

A primeira etapa do novo empreendimento entrará em funcionamento a partir de fevereiro, com um total de 80 vagas: 60 vagas para a lanchonete-escola e 20 para o café-escola. As próximas etapas – padaria-escola (15 vagas) e restaurante-escola (60 vagas) – serão iniciadas no decorrer do ano. Quem quiser ler mais sobre o projeto, a edição 38 da revista urbs traz o perfil de Volmar Zocche, chef do restaurante-escola da Câmara.

 

Valença passa por requalificação

No final do ano passado, a Assembléia Municipal de Valença, Portugal, aprovou plano de investimento para 2006, pelo qual, entre as diversas ações, destaca-se o programa de requalificação do Centro Histórico. Os principais objetivos do projeto, que será realizado em sete fases, são a reestruturação de grande parte das construções subterrâneas e a alteração do aspecto exterior da fortaleza de Valença. A revitalização, que já está em andamento, começou com uma primeira intervenção na Coroada, região da fortaleza. A segunda fase tem por base os conceitos de redefinição de espaços públicos, pavimentação com unificação e coesão da malha urbana, entre outros.

De arquitetura militar medieval e moderna, o Monumento Nacional de Valença apresenta trechos de muralha e portas da Idade Média. É uma fortificação construída no século 17 – que substituiu uma muralha que remonta ao século 13 – perante a ameaça espanhola durante a Guerra da Restauração. A fortaleza integra-se à linha defensiva estrategicamente colocada na margem esquerda do rio Minho e ao longo da costa Atlântica. Foi renovada nos séculos 18 e 19.

Outros espaços públicos e edifícios do Centro Histórico também passarão por revitalização, em uma ação que visa, além de garantir a preservação do patrimônio histórico, fomentar ainda mais a atividade turística. Após a conclusão das obras, faz parte dos planos da municipalidade, também, candidatar a cidade ao título de patrimônio da humanidade, concedido pela Unesco.

 

Enquanto isso na tv… Viaduto Santa Ifigênia no comercial da Kaiser

A cerveja para acompanhar os bons momentos da vida. Com esse mote, a produtora O2 Filmes preparou a última campanha da Kaiser, cuja primeira leva de filmes traz como tema o encontro, o destino unindo a vida das pessoas.

No filme publicitário, a “Vida” é representada por uma mulher onírica que flutua entre as nuvens. Do alto ela observa as pessoas e dá seus “empurrõezinhos” para que elas possam se encontrar. As imagens, que foram realizadas pelas ruas da cidade, mostram alguns pontos do Centro e também uma tomada área do Viaduto Santa Ifigênia (foto).

 

BM&F, quinta maior bolsa de futuros do mundo, completa 20 anos. Um orgulho para São Paulo

(Por Ana Maria Cicaccio) A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), quinta maior Bolsa de futuros do mundo, atrás apenas das duas bolsas de Chicago e duas européias do gênero, comemora este ano seu 20º aniversário, marca que coincide com a consolidação da democracia e da estabilidade econômica no Brasil. Com sede no Centro Histórico de São Paulo, em edifício tombado e em cujo saguão o Espaço Cultural BM&F oferece ao público exposições de alto nível com entrada franca, a BM&F está entre as instituições de importância capital para a economia brasileira. A movimentação diária na Bolsa já é superior a 1 milhão de contratos de juros, câmbio, índices e commodities em geral, como destacou seu presidente, Manoel Felix Cinta Neto, em evento de gala na Sala São Paulo, no dia 31 de janeiro, para 1.300 convidados, entre associados, presidentes e diretores de bancos, gestores, instituições de classe e autoridades. Na ocasião foram homenageadas várias personalidades, entre elas Henrique Meirelles, presidente do Banco Central e da Associação Viva o Centro (leia mais à pág. 61), e lançado o livro “BM&F: 20 Anos – A História da Estabilização da Economia Brasileira”, escrito pelos jornalistas Alcides Ferreira e Nilton Horita (leia mais à pág. 30). Num segundo momento, em 13 de fevereiro, a BM&F inaugurou o módulo profissionalizante “Espaço Beleza APBM&F”, em comemoração ao 10º aniversário da Associação Profissionalizante BM&F, entidade voltada à formação profissional de jovens carentes, e lançou o informativo BM&F e Responsabilidade Social. A BM&F está entre as instituições patrocinadoras da Associação Viva o Centro, da qual também é fundadora, em 1991.

 

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Reportagem

CAPA

 

A praça é nossa

Por Fábio de Castro.

 

Diante da falta de recursos para manter as mais de 4 mil praças paulistanas, a Prefeitura de São Paulo flexibilizou as regras de adoção desses espaços públicos e já conseguiu que mais de 800 fossem assumidas pela comunidade e pela iniciativa privada.

 

Gramado maltratado, mato, árvores condenadas representando uma ameaça à primeira ventania. Falta de iluminação, ausência de lixeiras, de sinalização, de placas. Equipamento urbano degradado, buracos, playgrounds com brinquedos quebrados. Lixo amontoado, risco de assalto, abandono. Esta é a realidade da maior parte das praças de São Paulo. Por causa das transformações urbanas e de formas inadequadas de ocupação, o que deveria ser um espaço de todos torna-se terra de ninguém.

O tamanho da cidade dá uma dimensão dramática ao problema: o município tem cerca de 4,4 mil praças, perfazendo, segundo a Prefeitura, uma área total de 20 milhões de m2. Algo como 2,4 mil gramados do estádio do Morumbi. E nesse número não são contabilizadas as centenas de áreas ajardinadas nos corredores de grandes avenidas, por exemplo.

A resposta da Prefeitura ao problema começou com o decreto de um Termo de Cooperação, em abril de 2005, estendendo o direito de “adotar uma praça” a pessoas físicas, entidades, escolas e universidades, além de empresas. A lei deu condições para a criação do programa PraçAção, lançado pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras em outubro, com o objetivo de incentivar a apropriação das praças públicas pela sociedade civil. Além de estimular a adoção, o programa prevê que a sociedade transforme as praças em espaços pedagógicos, de lazer, palcos de diversidade cultural.

Paralelamente ao programa, a Prefeitura autorizou, no fim do ano passado, a contratação de 62 equipes suplementares para cortar o mato que domina a maioria das praças – antes havia 43 equipes para os 20 milhões de m2. “É completamente impossível que a Prefeitura sozinha consiga manter 4 mil praças”, explica o responsável pelo programa PraçAção, Luís Alberto Chaves de Oliveira, da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.

“Além dos limites tradicionais, temos dificuldade em conhecer todo esse universo. Algumas não têm nem mesmo um nome. Por esses motivos, a cidade nunca teve praças bem cuidadas”, diz. Segundo Oliveira, o programa incentiva que a população ocupe esses espaços e se interesse por conservá-los. “A idéia é consolidar uma rede de solidariedade, envolvendo as comunidades próximas a cada praça num exercício de participação social”, define.

Oliveira destaca, ainda, que a Prefeitura não pretende transferir obrigações para a sociedade. “Não é isso. O princípio é que nós entendemos que a cidade é de todos – da população e da cidadania. O governo é um instrumento desta cidadania e o cidadão tem de se ocupar de sua cidade. Todos reclamam do que o governo não faz, mas cada cidadão também tem muito a contribuir. Buscamos construir uma nova forma de participação da gestão da cidade”, defende. A intenção é criar uma cultura que se torne perene, independentemente do governante que estiver na Prefeitura. “Estamos formando nas Subprefeituras pessoas com vocação para essa relação comunitária e estimuladas a melhorar a qualidade de vida da cidade. Se conseguirmos deixar esse legado de pessoas envolvidas, terá sido mais importante do que assinar vários Termos de Cooperação.”

O decreto que regulamenta o Termo de Cooperação determina que o parceiro é responsável pela manutenção e pode, também, implantar um projeto paisagístico na praça, enquanto a Subprefeitura local faz a supervisão. Como contrapartida, o parceiro pode colocar no espaço público adotado placas publicitárias, de acordo com os critérios de lay-out, tamanho e número de peças estabelecidos. “Para não haver poluição visual, as placas têm limitações detalhadas. Se a praça tiver até 200 m2, permitem-se quatro placas com dimensões de meio metro por 0,72 cm afixadas a 30 centímetros do solo. Até 500 m2, são seis placas. Para outras praças maiores, o termo permite uma placa a cada 100 m2 de área conservada”, diz Oliveira.

O processo de adoção de praças foi facilitado pelo decreto de abril, segundo Oliveira. “A entidade ou cidadão interessado em assinar um Termo de Cooperação deve apresentar uma documentação muito simples e uma carta de intenções detalhando o que pretende fazer na área ajardinada e o período de trabalho. A duração máxima do contrato é de três anos”, declara.

O projeto pode ir desde a mera manutenção, limpeza, poda, até a revitalização da área. “Pode ser uma intervenção simples ou complexa. O parceiro pode colocar novos brinquedos, fazer jardins, quadra, ou mudar o perfil da praça. A contrapartida no caso das ONGs, escolas, associações e pessoas físicas é geralmente o próprio benefício de ter nas redondezas uma praça viva e bem cuidada”, explica o coordenador.

A recuperação de praças do Centro tem recebido o apoio das Ações Locais, entidades sem fins lucrativos licenciadas pela Associação Viva o Centro, que têm atuado como articuladoras entre a iniciativa privada e a Prefeitura. Com os objetivos de promover a cidadania e a melhoria na qualidade de vida da região, as Ações Locais têm alcançando grandes conquistas, entre as quais podemos destacar as recuperações da Praça Ramos, feita em parceria com a Klabin e a Cia. Brasileira de Alumínio-CBA, ambas patrocinadoras da Viva o Centro, e da Praça Desembargador Mário Pires, realizada através de parceria com a Quaker. Os jardins e fontes do Vale do Anhangabaú, um dos cartões-postais da cidade, foram recuperados em parceria com o BankBoston, outro patrocinador da Associação. A CBA também patrocinou o restauro do mais antigo monumento da cidade, o Obelisco do Piques, na Ladeira da Memória.

 

Marketing e cidadania

 

Assinando o Termo de Cooperação no início de 2005, a Maringá Turismo se responsabilizou pela praça D. José Gaspar, na região central. Os primeiros passos foram a limpeza e contratação de um paisagista para verificar como tornar o local mais agradável e fazer com que as pessoas se envolvessem na preservação. Os caminhos de terra que avançavam pelos canteiros foram refeitos. Gramados foram replantados e as plantas ganharam cercas de proteção. Plantas e flores ganharam o espaço. “Agora estamos trabalhando para manter a limpeza, instalando seis cestos de lixo, chumbados no solo a fim de evitar depredação”, diz o diretor de Marketing da empresa, Moisés Moraes.

A contrapartida das placas publicitárias não é o principal motivo para a adoção da praça, segundo Moraes. “O objetivo era exercer nosso papel de empresa cidadã – até pela degradação em que a praça se encontrava. Evidente que deixar o espaço mais digno e o Centro mais bonito traz um efeito positivo para a empresa. Há um retorno muito positivo para a marca – fazemos questão de dizer isso para estimular outras empresas a fazerem o mesmo”, declara.

O valor do investimento não é divulgado pela empresa, mas Moraes afirma que se trata de uma quantia alta. “Temos os profissionais de manutenção, paisagista, investimento nas mudas e uma taxa paga para a Prefeitura dentro do programa.” Mesmo assim, a empresa considera a iniciativa vantajosa e pretende adotar mais duas praças em 2006: Júlio Prestes e Júlio de Mesquita, ambas na região central.

O interesse de empresas e entidades pela adoção das praças surpreendeu até mesmo os autores do projeto. A meta estabelecida para o fim de 2005 era que 10% das praças paulistanas estivessem adotadas, mas o ano acabou com 700 praças adotadas ou em processo de adoção. “Chegamos rapidamente a quase 20% do total de praças – o dobro da nossa expectativa. Um modelo é a Subprefeitura da Vila Prudente: quando começamos havia cinco praças adotadas na área e hoje já são 56. Se conseguirmos reproduzir este resultado nas outras Subprefeituras, teremos cerca de 1,5 mil praças adotadas até o fim de 2006”, declara Oliveira. No final de janeiro deste ano, já havia 808 praças adotadas ou em processo de adoção.

Para a idealizadora do PraçAção, Rose Gottardo, no entanto, o objetivo do programa não se limita apenas a aumentar o número de parceiros que adotam praças. O diferencial da idéia é qualificar as parcerias. “Não é um projeto de revitalização – é um projeto de apropriação do espaço público. Não daria certo se não envolvêssemos os vários setores da sociedade. Por isso demos ênfase, por exemplo, à participação das escolas municipais”, diz. Para dar corpo à idéia, o PraçAção foi também vinculado ao programa Escola da Família, da secretaria Estadual de Educação, segundo Rose.

Atualmente há 44 praças adotadas por 47 escolas municipais, como a Praça Pinheiro da Cunha, no Ipiranga, mantida com a ajuda da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Milton Improta. “As escolas parceiras geralmente ocupam as praças alguns dias por semana para educação ambiental, shows de música e atividades de comemoração de datas significativas”, afirma Rose.

“Se conseguirmos fazer a maioria das escolas adotarem uma praça, não teremos mais problemas com a conservação. Há 1.273 escolas municipais na cidade, além de outras mil estaduais, mais cerca de 3 mil particulares. Muitas delas têm praças no entorno”, diz. Se a parceria com as escolas ganhar terreno, Rose acredita, ainda, que o programa terá sua perpetuação garantida, independentemente das mudanças de gestão. “Além disso, ao aderirem à adoção de praças, as escolas vão enfatizar a principal faceta do projeto: o aspecto pedagógico. Queremos incutir no jovem cidadão a cultura de cuidar de sua cidade.”

Para Rose, a parceria com as escolas deverá ajudar a trazer vida para as praças, já que os projetos de adoção poderão estimular o uso pedagógico dos espaços públicos. As escolas levarão atividades educacionais e culturais para a praça, envolvendo a comunidade e promovendo uma ocupação racional do local. “Quando alguém adota uma área verde, mesmo que a Prefeitura fiscalize, existe sempre o risco da área não ser tão bem cuidada. Até que o fiscal perceba e vá cobrar do cooperante a melhoria prometida, há um lapso de tempo. Por isso é importante envolver a comunidade”, diz.

 

Mãos à obra

 

Um exemplo do novo modelo de Termo de Cooperação é a Praça Henrique Lage, na Vila Marieta (Zona Leste), adotada pela Associação Grupo da Melhor Idade Gente Feliz. A coordenadora da entidade, Maria de Lourdes, conta que o grupo resolveu dedicar as atividades do ano de 2005 a melhorias locais. “Ao mesmo tempo descobrimos que a Prefeitura estava com este projeto e resolvemos adotar a praça. Seria uma forma de ganhar um espaço para montar um coral, jogar e fazer atividades ao ar livre”, diz.

O projeto do grupo – formado por 45 pessoas de até 87 anos – inclui limpeza, poda e manutenção. A comunidade se envolveu e forneceu tintas para os canteiros. A floricultura do bairro doou mudas de plantas e flores. “Uma participante do grupo nos comoveu ao dizer que esperou 40 anos para ver a praça desse jeito: florida, bonita, limpa”, diz Lourdes.

A coordenadora afirma que, antes da adoção, a praça estava totalmente destruída. “Havia lixo, pedaços de sofás e outros objetos, queima de lixo e árvores danificadas pelo fogo. Quando a reinauguramos, em outubro, notamos que a comunidade começou a cuidar do local espontaneamente.” O grupo já participou de oficinas em escolas e no gabinete do prefeito, dando depoimentos sobre o sucesso da iniciativa a fim de multiplicá-la.

O coordenador do PraçAção, Luís Oliveira, conta que a diversificação de parceiros inclui clubes, universidades, associações e ONGs, além das escolas. “Já antes do programa, no início da gestão, estabelecemos convênios com a Associação de Clubes da Zona Sul – que reúne cerca de 20 clubes sociais – e com o Sindiclub, que corresponde a mais de 400 clubes pequenos, médios e grandes. Todos foram extremamente receptivos e se mostraram interessados em tornar seus arredores mais bonitos”, diz Oliveira.

O estímulo às parcerias com universidades é outra vertente que o programa pretende desenvolver, segundo o coordenador do programa. “Fizemos uma parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul e eles estão identificando faculdades de Educação Física que podem se envolver com o projeto. A idéia é que cada uma cuide de pelo menos um parque e estabeleça ali atividades físicas orientadas para a população.”

As faculdades deverão implantar equipamentos como barra para ginástica, local de alongamento, indicação de metragem para caminhada. Barracas desmontáveis deverão permitir que professores de Educação Física agendem horários para orientação da população às atividades físicas. “Já há cinco faculdades comprometidas com o projeto e vamos fazer isso em dez espaços espalhados na cidade a partir de fevereiro. Se houver bons resultados, sabemos que outras faculdades vão querer entrar e, com isso, teremos praticamente academias a céu aberto”, prevê o coordenador do programa.

Outros convênios, segundo ele, também foram assinados com clubes como o Rotary e Lions, a União dos Escoteiros, o Sindicato dos Estabelecimentos Escolares do Estado, o Sindicato dos Corretores de Seguros e a Associação Brasileira de Condomínios. Em novembro, o PraçAção garantiu um salto no número de parcerias assinando um convênio com a Rede Record de Televisão para a adoção de 53 praças. A iniciativa, que comemorou os 53 anos da emissora, incluiu praças das 31 Subprefeituras.

A meta do programa é ter, até 2008, de 70 a 100% das praças adotadas. Enquanto isso, algumas empresas já “colecionam” parcerias. A seguradora Porto Seguro, que adotou recentemente a Praça Princesa Isabel e o canteiro central da Avenida Rio Branco – ambas na região central – já assina Termos de Cooperação há cinco anos, responsabilizando-se por praças no Pacaembu, Vila Formosa, Lapa e Penha. “Acreditamos que o Termo de Cooperação é uma ótima solução. O resultado é efetivo desde que a empresa vá com o intuito de colocar a interação com a comunidade em primeiro lugar”, afirma o gerente de Patrimônio da empresa, Renato Remondini.

A praça Princesa Isabel é apontada por Remondini como exemplo de comprometimento comunitário. “A praça estava originalmente deteriorada. Depois de oito meses de intervenção, pela qual, entre outras mudanças, houve a retirada das grades que cercavam o local, há casais namorando e crianças brincando. Com isso veio o apoio da comunidade. Um dos lojistas que estão em volta da praça fornece a água. Outro oferece banheiros e vestiários para o pessoal da manutenção. Os taxistas avisam quando há avarias”, conta.

A transformação compreendeu troca de terra e grama, remodelação das plantas, poda de árvore, construção de caminhos pavimentados e pintura de guias. “O próximo passo é a iluminação. Tínhamos um projeto básico de paisagismo, mas no fim acabamos fazendo mais coisas. Entramos em contato com o Batalhão de Polícia que disponibilizou pessoal para o local.”

 

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Reportagem

Revitalização

 

Uma nova ordem para o Brás

Por Eduardo Fiora.

 

O processo de revitalização, que nos últimos anos tem marcado o Centro de São Paulo, vai, aos poucos, sendo incorporado por áreas contíguas. Um bom exemplo disso é o Brás, bairro com nítido perfil comercial, que começa a rever a sua organização urbana.

 

Várias ações coordenadas tanto pelo poder público municipal quanto pela iniciativa privada procuram dar nova cara à região do Brás, que se fixa, ao lado do Bom Retiro, como importante pólo têxtil da cidade, sobretudo no que diz respeito às vendas no atacado.

Nesse sentido, um grande impulso à revitalização da região – particularmente do quadrilátero formado pelas ruas Barão de Ladário, Júlio Ribeiro, Miller e João Teodoro – veio com a reestruturação do SP Mega Mix, shopping atacadista e de pronta-entrega, inaugurado em 1992. A partir de uma associação do Shopping PoloModa com o grupo SP Mega Mix, nasceu, em setembro de 2005, um novo empreendimento, o MegaPoloModa, que além de centro de compras onde estão instaladas 400 lojas de pronta-entrega, abriga um centro empresarial com 800 m2 por andar, além de um hotel com 136 apartamentos.

O projeto de ampliação do shopping consumiu cerca de R$ 40 milhões, sendo R$ 14 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O empreendimento foi projetado para atender a um público bem definido: visitantes que chegam à região para fazer comprar ou realizar negócios, pernoitando na cidade em função disso. “Este complexo comercial é o maior e mais moderno do Brasil”, diz o Hernani Fernandes Afonso, engenheiro da Matec Engenharia, empresa responsável pela obra. “Conta com heliponto, estacionamento com 500 vagas cobertas para carros, terminal de ônibus com salão de embarque e desembarque com ar condicionado, TVs, cyber café, 30 vagas para ônibus de excursão, acomodações para motoristas e vestiários com chuveiros”, acrescenta.

Os lojistas e consumidores, estes vindos de diversas cidades brasileiras, ganharam várias comodidades para suas compras, já que o shopping dispõe de esteiras rolantes, carrinhos de compras, elevadores, ambiente climatizado e segurança com central de monitoramento em todos os setores. Além disso, há um andar de serviços, com praça de alimentação, casa de câmbio e turismo, bancos e caixas eletrônicos, correios, cabeleireiro e até clínica de beleza.

 

Intervenção viária

 

Para o engenheiro da Matec, o grande diferencial da obra é o estacionamento para os ônibus de excursão, que aliviou o trânsito da região. “O local onde está localizado o MegaPolo fica muito sobrecarregado, pois normalmente os consumidores que chegam a São Paulo dispõem apenas de um ou dois dias para fazer as compras. Assim, o estacionamento beneficiou toda a região do Brás”, comenta.

De fato, o Brás atual revigorou-se em termos da questão viária, definida como prioridade de pela Subprefeitura da Mooca, pois, diariamente, cerca de 150 ônibus, com lojistas e sacoleiros de todo Brasil, chegam diariamente ao bairro. Em dezembro, na época do Natal, esse número dobra. Num trabalho em conjunto com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a administração pública conseguiu disciplinar o fluxo de veículos, impedindo que eles estacionassem irregularmente na região. Nesse sentido, foi criado um bolsão próximo à Rua Oriente (Complexo Oriente), com capacidade para receber 200 ônibus, além de mais cinco estacionamentos particulares, entre eles o do MegaPolo. “Os ônibus atrapalhavam não só o trânsito como também dificultavam a visualização das lojas por parte das pessoas que circulavam pela região com seus carros ou a pé”, comenta o chefe de gabinete da Subprefeitura. Outra vantagem lembrada por Odlak é que, nos estacionamentos, tanto os ônibus quanto as bagagens ficam mais seguros. Além disso, os motoristas não precisam ficar aguardando nos veículos e os serviços de limpezas são efetuados com mais higiene. “Os detritos dos sanitários químicos eram jogados em plena via pública, que muitas vezes servia de banheiro para vários passageiros. Agora isso já não acontece, pois os bolsões contam com sanitários masculino e feminino. Além disso, alguns são dotados de lanchonetes e até mesmo alojamento, como é o caso do complexo Oriente.”

Os lojistas do centro atacadista do Brás reconhecem que, no tocante ao fluxo viário, a Subprefeitura conseguiu uma vitória. “O trânsito melhorou e também ficamos livres da sujeira que os ônibus deixavam na porta de nossas lojas”, afirma um comerciante local. Mas há ainda quem desafie a lei. Vez por outra é possível encontrar um desses veículos estacionados irregularmente, com passageiros jogando de tudo pelas janelas: copos, sacos plásticos e garrafas pet, por exemplo. Como se vê, é um trabalho que envolve mais do que a simples fiscalização e abraça algo bem mais complexo que é o campo da educação para a cidadania.

O que animou a nova investida da iniciativa privada no Brás foram os números de um comércio já consolidado e com capacidade de crescimento. As 55 ruas do bairro abrigam cerca de 6 mil lojas e confecções. Juntas elas movimentam R$ 35 bilhões por ano, número bastante significativo, pois dados da Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Alshop) mostram que, em todo o Brasil, 557 shopping centers faturaram R$ 50,8 bilhões. “Acontece que nesses locais existe sempre uma ou mais empresas que funcionam como âncoras. No Brás, isso não ocorre”, lembra o presidente da Alobras (a associação dos lojistas do bairro), Shlomo Shoel.

A expectativa dos gestores do projeto MegaPoloModa é um faturamento acima dos R$ 500 milhões. “Somos a alavanca de moda que projeta o Brás na sua nova percepção de atualidade, contextualizando, assim, todo o seu comércio”, afirma a diretora do MegaPoloModa, Margareth Scordamaglio. “O complexo se sustenta por si só, porque gera demanda de clientes cativos, que procuram essas facilidades para fazer seus negócios”, acrescenta. Na visão dos executivos do novo empreendimento, o shopping trará, a médio prazo, impactos positivos em todo o entorno. A proposta é que o comércio vizinho, ao ver que um negócio de alto nível está dando certo, também resolvam investir na modernização de suas próprias lojas, potencializando ainda mais o bairro como um todo.

 

Novo calçamento

 

Empenhado na reurbanização do Brás, o presidente da Alobras aponta como modelo as ações de revitalização que ocorreram na região central da cidade. “Todos nós pudemos ver o sucesso das iniciativas apoiadas ou movidas pela Associação Viva o Centro. Revitalizar nada mais é que organizar o espaço, incluindo a atividade do comércio ambulante”, comenta Shlomo Shoel. Segundo ele, o que aconteceu na região central serve de estímulo para as áreas vizinhas. “Cada lojista tem de estar empenhado nesse processo de revitalização, cuidando do seu espaço e zelando para que ninguém o deteriore. Isso vale tanto para o interior do estabelecimento quanto para a área de calçada”, avalia o presidente da Alobras.

 E justamente no que diz respeito ao calçamento das ruas comerciais do bairro é que a Prefeitura quer trabalhar em conjunto com a iniciativa privada. O objetivo é trazer para o Brás o bem sucedido projeto de reforma do passeio público implementado pelos comerciantes do Itaim Bibi. “As vendas na região tiveram um significativo aumento de 10% depois da reforma das calçadas”, revela o secretário de coordenação das Subprefeituras, Walter Feldman. “No Brás, a primeira rua a receber um novo calçamento será a Oriente. Existe o planejamento, por parte dos comerciantes, de obras em 8 mil m2 de passeio público”, acrescenta.

Mas mesmo antes da reforma no passeio público, o Brás ganhou jovialidade com o investimento dos lojistas em novas vitrines. Em ruas como a Miller, que acabou segmentada em moda feminina, os vitrinistas ousaram adotando um pé direito duplo (cerca de seis metros), o que chama a atenção de quem passa pelo local, hoje bem mais clean do que no passado, quando a poluição visual era um inibidor de vendas, pois escondia a mercadoria em exposição. “Os lojistas da Miller e de outras ruas do bairro contrataram vitrinistas acostumados a trabalhar com importantes grifes de shopping centers. Foi possível adotar esse novo pé direito em várias lojas que mantêm ativa suas próprias fábricas no andar superior”, explica Shlomo Shoel.

Outra iniciativa importante iniciativa da Alobras foi a criação de um fundo próprio de requalificação do bairro. Num primeiro momento, os recursos levantados devem ser investidos na revitalização do Largo da Concórdia, livre dos ambulantes. Segundo Shlomo Shoel, essa iniciativa significa que os lojistas estão assumindo a responsabilidade na retomada da liderança por um Brás mais organizado. “Os empresários estão se mobilizando porque querem um bairro mais bonito, com uma atmosfera agradável para clientes e moradores”, afirma ele.

Para que essa idealização de um bairro belo e agradável se concretize na prática, a Subprefeitura da Mooca teve de intervir, no início de janeiro, no Largo da Concórdia, que mostrava a face ainda desordenada do Brás. Na verdade, nesse espaço urbano, cujo nome lembra harmonia de um convívio, nada concordava com nada. A porta de entrada para o setor comercial da Rua Oriente parecia ser terra de ninguém. O que era passeio público, por exemplo, já não existia mais, pois foi cada metro da calçada, até o meio-fio, havia sido literalmente tomado pelos camelôs. Aglomerados num ponto de ônibus na Rangel Pestana, os passageiros esperavam pelos coletivos em plena avenida, já que a calçada estava apinhada de vendedores. Transitar pelo local, onde se aglomeravam centenas de vendedores ambulantes, era uma verdadeira aventura, que requeria muita paciência, pois só era possível andar a passos curtos, tamanha a concentração de barracas e varais com produtos ilegais.

A reforma dos 10 mil m2 de área urbana está sendo feita em parceria com a Alobras (que desembolsará cerca de R$ 250 mil direcionados às obras. O Largo está cercado com tapumes para reforma completa do piso. Estima-se que até o início de maio os serviços de construção de canteiros, paisagismo, arborização, pintura e colocação do novo passeio público estejam concluídos.

 

Como cão e gato

 

Dentro do contexto de reurbanização do bairro, os lojistas ainda esperam pela solução da questão dos camelôs. Na tentativa de resolver o problema, a Subprefeitura da Mooca fez uma rigorosa revisão do Termo de Permissão de Uso (TPU) – documento base da atividade dos vendedores ambulantes – de milhares de camelôs, validando no final 983 licenças. “No nosso entender não seria possível falar em revitalização do Brás sem que se tocasse nessa delicada questão” , afirma o chefe de gabinete da Subprefeitura, Eduardo Odlak, que coordena todo o processo de readequação desse tipo de atividade.

Segundo ele, a situação no Brás era caótica, tendo fugido ao controle dos órgãos municipais. “Eram mais de 4 mil barracas espalhadas pela região, impedindo a livre circulação de pessoas e carros. Além disso, boa parte das mercadorias não tinha comprovação de origem”, afirma Odlak ao justificar as diversas blitzes feitas em conjunto pela Subprefeitura, Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana (GCM), sobretudo na Rua Oriente, uma das artérias comerciais do bairro.

Diante desse aparato fiscalizador, os ambulantes acabaram reagindo, o que chegou a gerar confrontos com as forças da PM e da própria GCM. “Isso já era esperado. Mas mantemos firme o nosso propósito de só deixar nas ruas os vendedores com TPUs regularizados”, confirma Eduardo Odlak. Segundo ele, a Rua Oriente, por exemplo, suporta no máximo 200 barracas, que podem ser acomodadas adequadamente.

A tarefa proposta pela Subprefeitura é de difícil implementação, já que se trata de um verdadeiro jogo de cão e gato. Quando os agentes da fiscalização passam, os camelôs irregulares recolhem as barracas. Assim que o fiscal deixa o local, elas são montadas de novo. É quase impossível manter a ordem dentro dos padrões legais que determinam uma distância de 15 metros entre as barracas.

Esse cenário de aglomeração está presente, sobretudo, em trechos onde é forte a venda ao varejo, que atrai um volume maior de compradores. Já em ruas como a Miller, local que concentra o comércio atacadista, as barracas estão dispostas como manda a legislação.

 

Movimento na madrugada

 

Ciente de que não basta proibir o comércio irregular nas ruas do bairro, pois há sempre uma constante migração de barracas de um lugar para o outro, a Subprefeitura da Mooca trabalha para de viabilizar um novo conceito de shopping popular. O projeto piloto dessa iniciativa tem como palco a Rua Monsenhor Andrade, vizinha à Rua Oriente. Em um terreno pertencente à Rede Ferroviária Federal, a Prefeitura autorizou o funcionamento, à noite, de 1,6 mil barracas. “Trata-se de uma grande feira popular. Avaliamos como positivos os resultados desse tipo de proposta, tanto é que estamos planejando a abertura de mais três shoppings de menor porte”, explica Odlak.

Mas há quem não veja com bons olhos essa idéia da Subprefeitura. E as críticas vêm justamente do setor empresarial. Para a Alobras, o shopping da Monsenhor Andrade está longe de ser algo que revitalize a região. Segundo a entidade, as atividades da chamada “Feirinha da Madrugada” precisam de ajustes, pois as vendas antes do amanhecer não ficam restritas ao shopping popular, invadindo também ruas vizinhas como a Oriente. “A Subprefeitura não levou em conta que existem lojistas que abrem suas portas bem cedinho, mas não podem fazer isso normalmente, pois muitos ambulantes, nas primeiras horas da manhã, ainda mantêm suas barracas nas calçadas”, afirma Shlomo Shoel.

Instalada há mais de oito anos na Rua Oriente, uma comerciante de roupas femininas dá o tom do descontentamento. “Não vejo melhora alguma com essa novidade do Shopping Popular. Acho que até piorou, pois agora ao abrir a loja às 6 da manhã já encontro um ambulante, que passou a madrugada vendendo seus produtos, bem na porta do meu estabelecimento”, reclama a lojista.

E com todos esses contrastes que o Brás apresenta – formal e informal; ordem e desordem; limpo e sujo – esse bairro, que agora já não dorme mais, o questionamento feito pelo lojista mostra, claramente, que além de fatores econômicos, a reurbanização de determinados bairros da cidade passa pela análise de importantes variantes sociais.

 


Um bairro de migrantes e imigrantes

Os primeiros registros referentes ao bairro do Brás são do início do século 18, quando
foi solicitada a edificação de uma capela em homenagem ao Senhor Jesus de Matosinho em uma chácara pertencente a José Braz.
As primeiras referências a esse senhor constam em atas da Câmara dos Vereadores
de 1769, quando se despachavam várias petições em nome do mesmo.
O Brás era uma região pacata e cheia de chácaras até a chegada de imigrantes italianos. Por conta da presença da Hospedaria dos Imigrantes, localizada até hoje no bairro, alguns italianos chegavam na cidade e preferiam permanecer com suas famílias nas redondezas. Dessa forma, a região passou a receber grande influência italiana, que, assim como as fábricas locais, colaborou para o desenvolvimento da cidade.
O tempo passou e, em meados da década de 40, muitos nordestinos migraram para
São Paulo em razão de uma grande seca registrada naquela região. Por conta disso,
ao longo dos anos o Brás foi perdendo parte de suas características italianas, cedendo lugar à cultura nordestina e à diversificação do comércio. Hoje o bairro com seus
três km2 faz parte do corredor da moda da cidade, com forte presença de outras
culturas como, por exemplo, a oriental (chineses e coreanos).

 

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Reportagem

Outros Centros

 

Revolução Mexicana

Por Fábio de Paula.

 

A região central da Cidade do México guarda algumas semelhanças com o Centro de São Paulo. A área perdeu importância simbólica e financeira com a criação de novos bairros comerciais, mas, há algum tempo, vem assistindo à mobilização da sociedade por sua recuperação. Desde então, edifícios e espaços públicos têm sido reciclados e renovados.

 

O Centro da Cidade do México está passando por uma intensa recuperação, empreendida por agentes públicos e privados. Depois de quase três décadas de esvaziamento e declínio de sua importância como Centro simbólico e financeiro do país, a região começou a ser objeto de estudos e projetos no final da década de 1980.

Desde então, entidades locais conseguiram pressionar o governo a implementar reformas no espaço público da região, o que tem atraído investimentos privados em imóveis, por exemplo. Alguns edifícios que estavam ociosos estão sendo recuperados. E a poluição visual, que era um problema sério na cidade, cedeu lugar a anúncios que não interferem na arquitetura das edificações.

Muitos dos problemas da Cidade do México são semelhantes aos de São Paulo. Dessa forma, as soluções adotadas na capital mexicana mostram que, com simplicidade e persistência, é possível impulsionar a revitalização de regiões centrais.

Assim como em São Paulo, a importância do Centro Histórico da Cidade do México remonta ao período colonial, quando todas as atividades urbanas aconteciam ali. Até a primeira metade do século 19, governo, comércio e serviços estavam restritos à área de apenas 9,7 km2. Sua decadência aconteceu ao longo do século 20, quando a “Cidade Antiga” perdeu valor dentro da dinâmica de expansão urbana e passou a ser chamada apenas de “Centro”.

A luta pela revitalização do Centro Histórico da Cidade do México começou em 1985, quando um grande terremoto destruiu boa parte dos monumentos e edifícios históricos da região. Dois anos depois, o local foi inscrito na lista do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), impulsionando o processo gradual de recuperação.

 “O evento mais significativo, porém, aconteceu em agosto de 2001, quando o governo do Distrito Federal e o Governo Federal do México criaram o Conselho do Centro Histórico da Cidade do México”, acredita a arquiteta Laura Martínez Alarcón, diretora de difusão e promoção do Fideicomiso, agência que implementa as

ações no Centro Histórico. O Conselho foi criado para implantar, a partir da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal (Seduvi/DF), o Programa de Resgate do Centro Histórico da Cidade do México. Em 2002, associou-se ao Patronato do Centro Histórico – organismo privado de incentivo à recuperação da área central – dando origem ao Fideicomiso do Centro Histórico. “O órgão decide sobre a aplicação dos recursos públicos e privados nas obras de infra-estrutura, remodelação de fachadas e renovação do mobiliário urbano da região central”, salienta a arquiteta.

Hoje, o Programa de Resgate do Centro Histórico da Cidade do México integra todas as ações públicas de recuperação da porção mais antiga da região central, que inclui 34 quarteirões e tem uma área semelhante à soma dos distritos Sé e República, em São Paulo. A maior parte dessas ações é coordenada pelo Fideicomiso, que cuida especificamente da região e executa as obras.

 

Ações efetivas

 

Um dos projetos mais significativos realizados na área central da Cidade do México é a implantação de galerias subterrâneas com rede de água e esgoto sob boa parte das vias e calçadões. Executada em 2002, a obra inclui a troca de todos os pavimentos, tanto no leito carroçável quanto nas calçadas de suas principais vias, com pisos adequados ao intenso tráfego de pedestres e veículos.

“Outra ação que trouxe bons resultados foi o programa de revitalização conhecido como Imagem Urbana”, diz Laura Martínez Alarcón. O projeto padronizou os anúncios, toldos e equipamentos urbanos da região central e foi acompanhado da recuperação do exterior de edifícios, incluindo limpeza e pintura, além de um novo projeto de iluminação das fachadas, o que valorizou ainda mais sua arquitetura. “Feito com total apoio da comunidade, o programa Imagem Urbana já conseguir recuperar, desde setembro de 2002, 248 fachadas de cerca de 190 edifícios e renovar 13 ruas e avenidas”, completa.

Assim como os problemas, as características da região também são semelhantes às do Centro de São Paulo. Ocupando 1% do espaço urbano do Distrito Federal, a área tem uma população de menos de 200 mil habitantes, o que significa baixa densidade. E, como na capital paulista, quase todos os problemas urbanos da Cidade do México podem ser vistos ali: conflitos sociais, deterioração dos imóveis, desemprego e subemprego, exclusão social, insegurança, tráfico de drogas e congestionamentos.

A saída de empresas privadas e o esvaziamento dos imóveis residenciais são outros fatores de deterioração do local. “Entre financiar melhorias em imóveis decadentes ou multiplicar a renda mediante a construção de edifícios em áreas novas da cidade, os incorporadores mexicanos preferem a segunda opção”, afirma a arquiteta Laura Martínez Alarcón. Para ela, “os investidores também preferem adaptar os edifícios da região central para uso comercial, em vez de modificá-los para fins habitacionais, o que seria muito mais benéfico em uma região de baixa densidade populacional como o Centro da Cidade do México”.

Mas algumas iniciativas indicam que o poder privado já começa a investir em habitação na região central da Cidade do México, por conta das melhorias no espaço público e da transformação de uma série de edifícios históricos de uso comercial e institucional. O Hotel Habita (ver box) é um exemplo disso. “O governo, por sua vez, segue com programas especiais de habitação na zona central, como o Programa

Emergente para Cuidado de Imóveis com Alto Risco Estrutural”, informa a arquiteta. Desde o início de 2005, foram desapropriados 217 edifícios que abrigavam cortiços, de um total de 249. Os prédios estão sendo reformados e adaptados para o uso residencial das mais 4 mil famílias que vivem ali e pretendem adquirir um apartamento.

Ao longo de 2005, o Fideicomiso já atendeu cerca de 2 mil solicitações relacionadas à recuperação de imóveis históricos na região central, sendo 174 de certificação de restauração de imóveis particulares tombados.

A área central da Cidade do México também é marcada por um grande parque conhecido como Alameda Central. Da mesma forma que as principais praças da região, como a Plaza Seminário e a Plaza Juarez, o local foi objeto de um projeto especial de recuperação, implementado em 2003. Foram reabilitados seus 80 mil m2. O trabalho incluiu novo paisagismo, restauração e limpeza de todos os monumentos, reativação das fontes luminosas e do sistema de irrigação e substituição do mobiliário urbano.

Criado em 1592, a Alameda é o parque urbano mais antigo do continente americano. “Seus traços renascentistas foram criados em 1792 e antecedem os da maior parte dos grandes jardins da Europa”, diz Laura Martínez Alarcón. “A Alameda é a porta de entrada do Centro. Graças à soma de esforços públicos e privados, o local voltou a ser um espaço de visitação.”

 

Apoio da iniciativa privada

 

Segundo o diretor-presidente da Fundação Centro Histórico da Cidade do México, Adrian Pandal, as ações não seriam possíveis sem a ajuda da iniciativa privada, com empresas como a Telmex e a Lighting Power Cia, que patrocinaram a reforma de calçadas, a pavimentação de ruas, a criação de novas praças, o enterramento de postes de eletricidade e a instalação de cabos de fibra ótica em toda a região. Pandal esteve no Brasil para apresentar a bem sucedida experiência mexicana no dia 12 de dezembro de 2004, participando do evento “Aula São Paulo”, no Centro Universitário MariAntonia, da Universidade de São Paulo. Em sua explanação, destacou as ações que procuraram resgatar a beleza do Centro Histórico e transformá-lo em uma região viva nos finais de semana e à noite.

Novo mobiliário urbano foi instalado, de luminárias a lixeiras. Para tornar o Centro Histórico seguro, a Fundação estabeleceu um programa com autoridades locais e federais para um sistema integrado de segurança, com um sistema de alarme centralizado e pontos estratégicos nos quais foram instalados totens para que as pessoas pudessem registrar queixas ou emergências. Também foi estabelecida uma equipe de policiais especializados em situações de crimes, pronto socorro e desastres naturais.

Em relação à cultura, a Fundação Centro Histórico da Cidade do México passou a incentivar e promover manifestações culturais e comemorações durante todo o ano, mesmo à noite ou em finais de semana. Esses eventos valorizam a cultura e o encontro de diferentes classes sociais, além da utilização do espaço público. Para que a população e os turistas conheçam o que o Centro Histórico da Cidade do México oferece, a Fundação criou sua própria revista, um site e pontos de informação que ensinam roteiros turísticos e de caminhada pela região.

Cerca de 14 mil empregos foram criados na região graças a esses estímulos. As medidas contribuíram para a consolidação do processo de revitalização que, além de lucrativo, aumentou a auto-estima do povo mexicano, que agora sente orgulho do espaço que pode ser considerado o berço do país.

 

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Hotel Habita, um exemplo de iniciativa privada

Os arquitetos Enrique Norten e Bernardo Gómez-Pimenta são os responsáveis pelo desenho do edifício, implantado em uma esquina do bairro de Colonia Polanco. Com térreo mais quatro pavimentos, o hotel tem 36 quartos, piscina, academia de ginástica, sauna, bar, espaço para convenções e um restaurante. Em vez de demolir o prédio de apartamentos, os arquitetos optaram por revesti-lo com uma fachada de vidro, que funciona como um “invólucro” da antiga construção.

A distância de um metro entre o vidro e a estrutura original abriu espaço para a implantação de terraços que ampliam a área interna do edifício e rebatem os ruídos da rua.

Durante o dia, as diferentes condições climáticas da Cidade do México propiciam alternados tons e reflexos de luz na fachada de vidro do hotel.

À noite, a luminosidade passa de dentro para fora pelos panos de vidro, fazendo com que o edifício irradie luz para a vizinhança.Cada pavimento tem nove quartos organizados em diferentes soluções de planta. Um pátio interno de luz define a distribuição dos cômodos e amplia a entrada de luminosidade nos ambientes. Cada dormitório tem cama, sofá e uma imensa plataforma de vidro que antecede os balcões implantados na área adicionada com a implantação da nova fachada. A cobertura do hotel, dividida em três níveis, é um

caso a parte no projeto. O primeiro é composto por sala de ginástica, sala de reuniões, sauna, massagem e vestiários. No segundo, em uma plataforma suspensa, ficam a piscina, o deck e o bar. E, sobre todos os outros, localiza-se um bar panorâmico que se transformou, desde então, num dos principais locais de badalação da vida noturna da Cidade do México. Um dos principais pontos de atração é a piscina, que reúne um espelho d’água, uma raia para natação e um painel de pastilhas de vidro idealizado pelo artista plástico Jan Hendrix.

Aos poucos, desde que foi construído, o Hotel Habita alterou drasticamente o bairro de Colonia Polanco, localizado bem na divisa entre o Centro Histórico e novas áreas empresariais da Cidade do México. Com altura que varia de um a cinco andares, os imóveis da vizinhança estão sendo modificados e as melhorias no espaço público, empreendidas pelos construtores do hotel, acabaram sendo adotadas pelos proprietários dos imóveis vizinhos. Imagens e outras informações do Hotel Habita podem ser vistas no site www.hotelhabita.com.br.

 

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Reportagem

Proposta Viva o Centro

 

Guichê Inteligente do Centro

Por Ana Maria Cicaccio

 

Um balcão único na administração pública para receber empreendimentos propostos para a área central de São Paulo, agilizando o processo de requalificação do Centro. Em vez de burocracia, eficiência no processo de aprovação de projetos para restauro, reforma e modernização de edifícios tombados, para a edificação de novos e na aplicação das leis de incentivos existentes.

 

Sempre que se fala em reduzir a burocracia nas relações com o governo, prevalece o ceticismo. Contudo, experiências bem sucedidas em outros lugares (leia mais no box “Barcelona, um exemplo”) demonstram que é possível racionalizar a tramitação de um projeto em busca de aprovação do poder público, ainda mais quando se trata de recuperar um Centro urbano, região de marcante valor histórico, simbólico e econômico para as cidades, e de conseguir a adesão de toda a sociedade para a causa.

A criação de um “Guichê Inteligente” na Prefeitura de São Paulo para fazer deslanchar o processo de requalificação do Centro talvez seja, do ponto de vista estratégico, a mais importante das “10 Propostas” da Associação Viva o Centro ao poder público municipal durante a última campanha eleitoral (veja a íntegra do documento no site www.vivaocentro.org.br). “O objetivo do guichê é desobstruir a tramitação das propostas pelos órgãos competentes e funcionar como um estímulo a mais para que empresários e investidores apliquem na área mais emblemática de São Paulo”, afirma o superintendente geral da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida. O guichê, além disso, deveria atuar como uma central de informações e orientação sobre toda a legislação específica do Centro, em especial as leis de incentivos, como a de Operação Urbana Centro (12.349/97), a Lei de Fachadas (12.350/97), a de Incentivos Seletivos a investimentos no Centro em geral (13.496/03) e a Lei 14.096/05 de incentivos seletivos específicos para a região da Luz-Santa Ifigênia, aprovada pela Câmara Municipal em novembro passado.

 

Desperdício

 

Especialistas em gestão pública apontam entre os principais obstáculos ao desenvolvimento econômico o elevado custo e a lentidão da burocracia. Não é fácil um projeto satisfazer a um imenso leque de leis, entre elas algumas defasadas da atualidade de tão antigas que são e outras conflitantes entre si. Nem sempre é possível, também, driblar a falta de coordenação entre departamentos, que muitas vezes exigem do empreendedor os mesmos documentos. E haja fôlego para resistir a idas e vindas a cartórios, taxas duplicadas e a demora dos “comunique-se”, sem contar o pior: ser esquecido em uma pilha de papéis sobre a mesa de alguma repartição.

Para a Viva o Centro, tudo poderia se resolver com a criação de um balcão único – um só protocolo, e não os cinco ou mais exigidos hoje – para receber projetos e empreendimentos destinados à área central. Sua função seria a de encaminhá-los, de forma centralizada e desburocratizada, para a aprovação dos órgãos públicos competentes e, importantíssimo, acompanhá-los e articular a solução de eventuais divergências entre esses mesmos órgãos, a fim de viabilizar a realização de empreendimentos no menor tempo possível. O “Guichê Inteligente” se incumbiria de promover a flexibilização e compatibilização das normas, por vezes conflitantes, relativas a reforma, reciclagem e restauro de edificações, e até de novas construções, com o objetivo de incentivar a modernização e melhor utilização do estoque imobiliário do Centro e para a aplicação dos incentivos a novos negócios na área. A idéia é a de um verdadeiro “Poupatempo” para o empreendedor da região central.

Estudo divulgado no final de 2004 pela Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Cbic) diz que a tramitação de um projeto na administração pública brasileira pode levar até seis vezes mais tempo do que nos EUA, países europeus com economias sólidas e Japão, onde em média é de oito meses. O estudo aponta pelo menos 50 motivos para o atraso no início das obras no Brasil, entre eles: falta de previsibilidade na tramitação do projeto, dificuldade para enquadrá-lo em programas de incentivos, demora na obtenção de alvarás e licenciamentos, e, uma vez iniciada a obra, necessidade de renovação de no mínimo 20 certidões durante a construção, pois a maioria tem diferentes prazos de validade.

 

Corrida de obstáculos

 

Francisco Zorzete, da Companhia de Restauro, empresa responsável pela recuperação das fachadas de importantes edifícios históricos no Centro de São Paulo, entre eles os do Centro Cultural Banco do Brasil, BM&F (leia mais em “Novo pregão para a BM&F”) e Academia Bio Ritmo, está entre os profissionais habituados ao percurso tedioso da aprovação de projetos na Prefeitura, mas se considera um sujeito de sorte. Os projetos de que participou saíram do papel, sua empresa pôde executar a recuperação das fachadas e hoje os prédios são motivo de orgulho na cidade, mas isso não basta.

“Quando alguém é proprietário de um bem tombado – e no Centro Histórico de São Paulo há uma quantidade imensa de bens tombados e/ou protegidos por estar no entorno –, esse proprietário merece ser bem tratado, informado sobre o nível exato do tombamento (se apenas a fachada ou o interior também etc.), enfim, sobre as leis de incentivos que existem e como elas podem beneficiar sua disposição de recuperar esse bem”, afirma Zorzete. “Mas não é o que acontece. Em geral, quando se anuncia que um imóvel foi tombado – e na maioria das vezes a publicação só sai no Diário Oficial do Município, que nem todo mundo lê –, o receio do proprietário é do tal do ‘imexível’.”

Segundo o responsável pela Cia. de Restauro –, se a Prefeitura enviasse uma carta parabenizando o proprietário, mostrando serviço e colocando-se à disposição para auxiliar e agilizar no que fosse possível, já seria mais fácil. Zorzete acha que esse trabalho informativo, educativo e de orientação poderia ser feito por esse escritório especial ou “Guichê Inteligente”, como aconteceu em Barcelona, e mesmo ir além, arbitrando quando houvesse choques entre diferentes leis com base no critério de sempre se elevar a qualidade de vida no Centro.

Mais trabalhoso do que obter aprovação para restaurar uma fachada é querer combinar essa tarefa com reforma e modernização do interior do edifício tombado. Os projetos de arquitetura, elétrica, hidráulica, ar condicionado, pressurização, paisagismo e decoração desenvolvidos pela construtora Habitacon para a Academia Bio Ritmo, em sua filial da Rua XV de Novembro, fizeram a via sacra. Deram entrada na Subprefeitura da Sé, no Conpresp, Condephaat e Contru. “Os tempos de espera foram os de sempre, ou seja, demorados”, lembra o engenheiro civil Guido Camerlingo, coordenador de obras na Habitacon. “Houve necessidade de aprovação dos dois conselhos primeiro para depois termos sinal verde da Prefeitura. Esses órgãos se reúnem, se não me engano, somente uma vez por semana e a gente tem que torcer para que o nosso processo esteja na lista.”

 

Edifício inteligente

 

Camerlingo acha que os problemas para o empreendedor que quiser construir, restaurar, reformar e/ou modernizar imóveis no Centro podem ser facilitados se a recepção dos projetos for centralizada e houver agilidade entre os órgãos para aprovação. “A proposta da Viva o Centro é boa”, segundo o engenheiro, pois o problema é justamente a entrada, análise e saída do projeto de cada um desses órgãos citados. “Na minha opinião, deveria existir uma câmara mista, única e centralizada, para que o projeto fosse analisado como um todo e não por diferentes setores.”

Pensa de modo semelhante o arquiteto Luiz Telles, do escritório que leva seu nome, que coordenou a elaboração do conjunto de itens do projeto para o excelente edifício do Centro Cultural Banco do Brasil-SP, na esquina das ruas da Quitanda e Álvares Penteado. “O que precisamos, junto com o guichê, é de um Conselho da Cidade. Explico. Pode-se apresentar um projeto super-relevante para a cidade, mas se ele não estiver na cabeça daquele técnico X, no órgão Y, esse técnico irá aplicar pura e simplesmente a lei e a cidade pode perder, daí a necessidade desse conselho.”

Segundo Luiz Telles seria a primeira instância a decidir, inclusive, do que se poderá abrir mão, tendo como parâmetro um plano para o desenvolvimento do Centro e o fato de que não se recupera uma área com intervenções em edifícios isolados. Comporiam esse conselho pessoas gabaritadas nas áreas de história, urbanismo, arquitetura de edifícios, sociologia, economia e filosofia. “Em Londres houve algo parecido e, em Paris, processos polêmicos como o do Centro Georges Pompidou (o Beaubourg) foram à discussão pública com representantes da comunidade questionando e dizendo o que achavam e queriam em todos os níveis, até se chegar a um consenso”, lembra Telles. Citando Richard Rogers, um dos autores do Centro Georges Pompidou junto com o italiano Renzo Piano, um Conselho da Cidade deve reunir um grupo com conhecimento e que também, antes de tudo, ame a cidade. “Tudo o que for feito deve levar em conta o futuro e o fato de que plano bom não é estanque. Plano que impossibilite revisões é retrógrado de cara, ou prepotente, porque perde a visão do processo que é uma cidade ao longo do tempo.”

 

Na roda

 

Ao fazer propostas, a Associação Viva o Centro traz para o debate questões ainda pendentes para que o processo de requalificação do Centro possa fluir sem entraves daqui para frente. A idéia do “Guichê Inteligente” é conter a burocracia que produz o desperdício e emperra a aprovação de projetos que beneficiariam a área central da cidade, com possibilidade de tornar seu desenvolvimento sustentável.             

O “Guichê Inteligente” começaria por promover a racionalização do sistema. Em vez de ociosidade por demora na execução de procedimentos, o guichê faria o monitoramento de cada passo da tramitação do projeto, informando ao empreendedor o que fosse necessário providenciar. Com isso, nenhum projeto ficaria empilhado nas repartições e poderia ter seu andamento realmente acompanhado e a mesma informação não seria desnecessariamente registrada em vários setores da Prefeitura.

Como diz Francisco Zorzete, se a Prefeitura encarar o proprietário de um imóvel tombado que queira restaurá-lo, ou um empresário disposto a implantar um novo empreendimento no Centro, como um cliente que também é contribuinte e que seu projeto se destina à cidade como um todo, e não somente a ele em particular, estarão criadas as condições para prestar serviços de melhor qualidade, beneficiando a relação do município com os órgãos públicos e a execução das atividades-fim.

Por fim, a transparência tornou-se condição fundamental nas relações com o governo para que os processos não caiam nos buracos negros da burocracia e os interessados possam acompanhar todos os trâmites sem empecilhos. A internet e a informatização estão aí para ajudar e para dar transparência e visibilidade aos processos. O que se exige daqui em diante é fiscalização em todos os níveis: dos interessados, dos técnicos na administração pública e da sociedade civil organizada. Com isso estará garantido o controle tanto da parte do governo quanto da população, dificultando desvios de finalidade e de recursos e o tráfico de influência e informações.

“Em última análise, a proposta da Viva o Centro, que tanto pode levar o nome de Guichê Inteligente, como de Câmara Mista ou Conselho da Cidade – ou como se julgar mais adequado –, é a criação de uma agência voltada a dar conseqüência a uma decisão antes de mais nada política. E hoje há uma política pública para a valorização do Centro. As dificuldades têm que ser resolvidas ali dentro”, finaliza Ramos de Almeida.

 

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Barcelona, um exemplo

 

Há pouco mais de um mês, a convite da Secretaria Municipal de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, esteve na cidade Ferran Ferrer Viana, diretor do Instituto Municipal de Paisagem Urbana e Qualidade de Vida de Barcelona, para contar sobre uma das mais bem-sucedidas experiências em recuperação de centros históricos e que ganhou projeção internacional a partir das Olimpíadas de 1992, realizadas na capital da Catalunha, Espanha. A campanha “Barcelona, posa’t guapa” (Barcelona, ponha-se bonita), que obteve adesão maciça da população, de empresários, imprensa e celebridades locais, mobilizou a cidade para o restauro.

Entre 1985 e 2001, segundo Ferrer Viana, foram restaurados 600 prédios públicos com patrocínio da iniciativa privada e mais de cinco mil fachadas com incentivos fiscais concedidos pelo poder público, todos com possibilidade do uso das telas de cobertura de fachadas como suporte publicitário. Principalmente, a administração pública em Barcelona criou uma espécie de agência de desenvolvimento da região central, a Agência da Paisagem Urbana, que inspirou a idéia do “Guichê Inteligente” proposta para São Paulo pela Viva o Centro.

Essa agência orquestrou toda a recuperação que hoje tanto orgulha os barceloneses e atrai visitantes do mundo inteiro. Completando
o ciclo, em 1997 foram aprovados os estatutos do Instituto, hoje dirigido por Ferrer Viana, para consolidar o modelo de paisagem urbana adotado.
Tomaram forma os elementos que ao longo de 12 anos tinham sido incorporados ao projeto inicial da campanha. Em síntese, Barcelona
fez um plano, tendo inicialmente à frente o prefeito Joan Clos, nos anos 1980, executou-o graças à adesão dos prefeitos que o sucederam e ainda criou um órgão com a tarefa de zelar pelas conquistas alcançadas e fomentar novas.


Pregão novo para a BM&F*

“Pouco antes de completar dez anos, a BM&F comprou o prédio vizinho, na Rua João Brícola, 37, como parte do seu projeto de expansão. Construído em 1940 para abrigar o Banco Novo Mundo... A decisão de comprar o prédio adjacente foi polêmica. As obras no edifício da Praça Antonio Prado, antes da abertura da BM&F, já tinham sido difíceis... Depois, as regras para construção e reforma de edificações no Centro Velho da metrópole ficaram ainda mais complicadas.

A fachada do prédio vizinho era tombada pelo Patrimônio Histórico, o que, à época, intrigava o superintendente geral Dorival Rodrigues Alves... O prédio vizinho tinha 1.050 m2 de terreno e 10.177 m2 de construção, distribuída em oito andares, sustentados por 25 pilares. Os desafios do projeto envolviam aproveitar melhor o espaço, eliminar o excesso de pilares e integrar o prédio com o edifício da Praça Antonio Prado. Tudo isso deveria ser realizado com a Bolsa em funcionamento, sem alterações na fachada e com obras e movimentação de caminhões apenas durante a madrugada e finais de semana, devido às restrições de tráfego no local.

Era, portanto, uma obra que prometia ser difícil e custosa. Já prevendo esses empecilhos, a BM&F e a Bovespa compraram um terreno na Zona Sul de São Paulo, na região da Avenida Luiz Carlos Berrini, visando sua expansão. Mas, em 1996, Dorival Rodrigues Alves engajou a BM&F nas ações de revitalização do Centro de São Paulo, principalmente no movimento ‘Viva o Centro’. Para ele, a saída da BM&F do Centro de São Paulo causaria um esvaziamento que poderia ser fatal para a região. Assim, foi preciso vencer uma enorme resistência junto ao mercado financeiro para a compra do prédio vizinho e sua posterior reforma. O terreno da Zona Sul foi vendido.

Além das dificuldades para a reforma e da polêmica quanto a sua viabilidade, o prédio vizinho ainda apresentava curiosas coincidências. O arquiteto que fez o projeto destinado à BM&F, Julio Neves, já havia remodelado o prédio antes... De forma análoga ao que foi feito para a reforma do edifício da Praça Antonio Prado, a fachada foi escorada para não desabar e o miolo do prédio da Rua João Brícola foi demolido, andar por andar. Os novos andares deveriam ser integrados ao piso do edifício da Praça Antonio Prado. Mais tarde, modificações na legislação de tombamento permitiram a demolição completa, e não por partes. Não foi possível fazer a implosão do miolo por razões de segurança, já que havia uma estação de metrô embaixo do prédio... Devido à proibição de ampliar a altura do prédio tombado e como havia necessidade de mais espaço, foram escavados quatro subsolos, retirando-se 10 mil m3 de terra do local. A escavação bateu no lençol freático e começou a brotar água no fundo da obra. Para retirá-la, foram necessários equipamentos especiais.

O primeiro subsolo ficou como uma área de serviço para os operadores do pregão. No segundo, uma galeria de visitantes.

No terceiro, ficou o pregão, ocupando 900 m2, área quase três vezes superior ao antigo, que se transformou em uma galeria de exposições, toda em mármore, com recepção para a entrada social e um telão com imagens ao vivo da sala de negociações. Com mais espaço, foi possível fazer no novo pregão os pits, as arenas de negociação, tais como os que existem em Chicago.

A construção consumiu o que havia de mais moderno em tecnologia de telecomunicações, segurança e serviços... Os requintes chegaram a extremos, como instalação de três fontes de energia para evitar interrupções no fornecimento e um sistema de esgoto a vácuo, semelhante ao dos aviões. No dia 28 de janeiro, às 18h30, os funcionários se reuniram nas novas instalações para erguer um brinde. O novo pregão foi inaugurado formalmente em 31 de janeiro de 2000, aniversário da Bolsa.”

*Trechos extraídos do livro “1986-2006 – BM&F, 20 Anos: a História da Estabilização da Economia Brasileira”, lançado em 31 de janeiro de 2006, durante a festa do 20º aniversário da BM&F, na Sala São Paulo (leia mais nas págs 11 e 61).

 

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Artigo

Cidades sempre foram marcas

Por Simon Anholt*

 

Paris é romance. Milão é estilo. Nova York é energia. Tóquio, modernidade e Barcelona, cultura. Essas são as marcas de algumas cidades de países do mundo desenvolvido, e elas estão inextricavelmente ligadas às histórias e aos destinos desses lugares. Mas, e as marcas de cidades de países emergentes? Quais são e que história elas transmitem para o resto do mundo?

No mundo globalizado atual, os locais competem entre si para atrair consumidores, turistas, negócios, investimentos, capital, respeito e atenção. As cidades são grandes referências e indicativos da cultura e da economia de uma nação e, cada vez mais, têm de se lançar o foco sobre elas para entrar em uma competição internacional por fundos, profissionais e fama.

A marca internacional de uma cidade nem sempre está bem ajustada e atualizada – principalmente se ela é olhada do outro lado do planeta. Algumas cidades não atraem muito investimento ou o tipo certo de profissional, porque as suas marcas não são tão fortes ou positivas como mereceriam ser, enquanto outras cidades ainda se beneficiam de uma marca positiva da qual hoje já não são dignas.

É fundamental que os líderes políticos e os agentes de finanças, economia e negócios entendam o que as marcas de suas cidades estão transmitindo. Eles têm de perceber como as suas cidades são vistas por um potencial investidor, visitante, consumidor e pelos cidadãos no mundo. Se a imagem não está de acordo com a realidade, precisam trabalhar para mudá-la.

O Índice de Marcas das Cidades Anholt-GMI (ver box) se baseia em algumas variáveis para captar como as pessoas vêem as cidades. As perguntas referentes à variável presença são sobre o status e a atual posição da cidade em questão no mundo: o que se pensa de sua contribuição para a cultura e a ciência e da forma como é governada. A variável local explora como as pessoas acham que deve ser passear pela cidade. Potencial é sobre as oportunidades econômicas e educacionais que acreditam que a cidade possa oferecer aos visitantes, homens de negócios e imigrantes. Pulso busca saber se consideram a cidade excitante e se seria fácil achar coisas interessantes para se fazer nela. População é sobre a percepção quanto à receptividade e segurança. Finalmente, a variável pré-requisitos apresenta questões sobre as qualidades básicas da cidade: acomodação, escolas, hospitais, transporte, estabelecimentos esportivos e outros.

O estudo Índice de Marcas das Cidades Anholt-GMI foi realizado em 18 países com 17.502 pessoas entre 18 e 64 anos, de variados níveis de renda. As dez melhores marcas de cidades foram para Londres, Paris, Sidney, Roma, Barcelona, Amsterdã, Nova York, Los Angeles, Madrid e Berlim.

São Paulo não foi incluída na primeira edição do estudo e mesmo que tivesse sido, é pouco provável que ela fizesse parte das 25 melhores marcas. Isso porque a capital paulista é menos conhecida do que a maioria das cidades estudadas – e não possui nenhum ponto de referência, como personalidades, eventos ou realizações de relevância mundial.

A capital paulista, como a maioria das cidades e países na América Latina, sofre do “efeito da marca continental”: algumas cidades conseguiram criar uma imagem única, se dissociaram da reputação da região de que fazem parte, mas a maioria não conseguiu e a sua marca permanece ligada à do continente. Talvez o Rio de Janeiro possua a marca mais forte na América Latina, mas, mesmo que no Índice das Cidades tenha ficado na 23ª posição, sua marca ainda é prejudicada pela associação aos aspectos negativos da região.

Não é por acaso que cidades apontadas com grande sucesso no estudo são ricas. Afinal, ter uma reputação forte e positiva internacionalmente é fundamental para ingressar no mercado mundial. É difícil ver cidades como São Paulo competirem efetivamente na economia global sem possuir uma boa imagem. O significado do valor da marca de cidades como São Paulo não é incomum. Se sua reputação internacional é composta na maioria por elementos negativos – como crime, pobreza, poluição e corrupção – provavelmente a cidade não atrairá muitos turistas ou investidores estrangeiros.

Quanto mais entendermos como funciona a reputação dos locais, mais rapidamente vamos aprender o que está envolvido na conquista e no merecimento de uma marca forte, e o que pode ameaçar os seus ativos mais valiosos.

Marketing e propaganda não conseguem fazer uma cidade ruim parecer boa, seria apenas um desperdício de dinheiro. Apenas políticas brand-aware, investimentos e boas condutas podem melhorar a reputação de uma cidade. Como disse Sócrates, “A maneira de ganhar uma boa reputação é se esforçar para ser o que você deseja parecer”.

 

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BOX - Sobre a Pesquisa Anholt GMI-CBI

A Anholt GMI-CBI City Brands Index, ranking anual de cidades de todo mundo, é resultado de uma pesquisa conduzida pela internet em 18 países, com 17.502 mil homens e mulheres de 18 a 64 anos. Foram medidas as marcas de 30 grandes cidades como Amsterdã, Barcelona, Pequim, Berlim, Bruxelas, Cairo, Edimburgo, Gênova, Hong Kong, Joanesburgo, Londres, Los Angeles, Madri, Cidade do México, Milão, Moscou, Nova York, Paris, Praga, Rio de Janeiro, Roma, São Francisco, Cingapura, Estocolmo, Sidney, Tóquio, Toronto e Washington. Os seis assuntos da pesquisa que compõem o Hexágono de Marca das Cidades são: local (percepção das pessoas quanto o aspecto físico de cada cidade); potencial (as oportunidades econômicas e educacionais de cada cidade para visitantes, estrangeiros e negociantes); pulso (estilo de vida urbano); população (impressões sobre receptividade, comunidade e segurança); pré-requisitos (percepções sobre qualidades básicas

de uma cidade) e presença (conhecimento da cidade). Para mais informações sobre a Anholt-GMI City Brands Index, visite www.citybrandsindex.com ou contate a GMI pelo email info@gmi-mr.com.

* é reconhecido como uma das maiores autoridades no conceito de marcas de nações, regiões e cidades. Ele aconselha governos nacionais, incluindo o da Inglaterra e as agências da Organização das Nações Unidas, em estratégias de marca, diplomacia pública, relações culturais, promoção de investimentos e exportações, turismo e desenvolvimento econômico. É também editor dos jornais Place Branding e Public Diplomacy, e autor de livros como Brand New Justice e Brand América, entre outros.

 

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Entrevista

O Centro em pauta

Entrevista com o subprefeito da Sé e secretário municipal de Serviços, Andrea Matarazzo.

 

Por Lizandra Magon de Almeida

 

A área administrada pela Subprefeitura da Sé compreende cerca de 30 km2, perímetro que engloba os bairros da Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé. Desde janeiro de 2005, com o início da gestão de José Serra na Prefeitura de São Paulo, essa importante região histórica e econômica da cidade é comandada pelo administrador de empresas Andrea Matarazzo. Pouco tempo depois, em maio, acumulou o cargo de secretário de Serviços, responsabilizando-se pelas obras de manutenção e pelos contratos de lixo em toda a cidade. Nesta entrevista, ele faz um balanço das realizações obtidas no ano passado em seus dois cargos, especialmente na região central, que é considerada pela atual administração como vital dentro do plano de gestão da Prefeitura

 

Paulistano descendente de italianos, Andréa Matarazzo é mais do que um subprefeito. Mesmo antes de assumir a Secretaria de Serviços, já tinha status de secretário. E assumiu para si a missão de devolver ao Centro de São Paulo a sua grandeza. Desde que tomou posse, acompanha pessoalmente as intervenções realizadas na região da Luz, antiga “Cracolândia”, e faz questão de anotar os buracos e propagandas irregulares que encontra no caminho que faz do Morumbi, onde mora, até seu escritório, na Avenida do Estado.

Na vida pública já foi presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), de 1995 a 1998, secretário de Comunicação no governo Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2001, e embaixador do Brasil na Itália, entre 2001 e 2002. Na iniciativa privada atuou como membro do Conselho Consultivo da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria e presidente do Comitê de Investimento, além de ser conselheiro do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (IEDI) e membro do Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo.

 Em entrevista à revista urbs, o subprefeito e secretário comenta seu primeiro ano de mandato e o processo de recuperação da região central.

 

urbs – Qual sua avaliação para as realizações de 2005, primeiro ano de sua gestão, e quais os planos para 2006? Sendo um ano eleitoral, muitos se perguntam como ficam as ações que já começaram a ser implantadas.

Andrea Matarazzo – Independentemente de ser ano eleitoral, tudo vai continuar andando. Em breve começaremos o processo de licitação para a reforma das Praças da Sé e da República, que deverão ser restauradas ainda em 2006. O projeto da Praça Roosevelt também deverá ficar pronto, e em seguida também abriremos licitação. Paralelamente a isso, abrimos os calçadões das ruas 24 de maio e Dom José de Barros. Os demais serão entregues ainda no primeiro semestre de 2006, assim como o projeto de implantação de 37 câmeras de segurança no Centro. Nós temos feito, também, algumas outras coisas pontuais, mas que são muito importantes para a cidade, como a pintura de muros abandonados na Av. Nove de Julho, ação que está se estendendo para a Av. São Luís e a Rua da Consolação, e a recuperação do Viaduto Nove de Julho e de várias pontes. Este ano teremos também o projeto de macrodrenagem da região do Anhangabaú. Não se trata de um “piscinão”, será um projeto diferente.

Uma proposta da qual eu gosto muito, e que começamos agora na prática, é a regionalização da zeladoria urbana, projeto originário da Viva o Centro que estabelece responsáveis por cada microrregião claramente definida, a exemplo das Ações Locais. A idéia é aperfeiçoar o programa para tentar institucionalizar esse modelo de zeladoria.

Uma deficiência que ainda permanece, mas que já está sendo atacada, é a limpeza: estamos limpando postes, tirando “postinhos” e instalando lixeiras novas, padronizando esse tipo de coisa. Também mudamos a logística da limpeza pública e triplicamos o número de pessoas da região central, principalmente na coleta. Estamos revitalizando a região central, mas a infra-estrutura de apoio é a mesma nos últimos 10 anos. Isso é um absurdo, pois houve um aumento de fluxo de pessoas.

 

E quanto às intervenções do Pólo Luz-Santa Ifigênia?

Trata-se da ação mais importante em relação ao Centro. Esse projeto, que foi denominado Nova Luz, permitirá que toda a vitalidade econômica do Bom Retiro se irradie para outros lugares e também venha para a região central da cidade. Os bairros do Bom Retiro e Santa Ifigênia, que estão de certa forma ilhados, separados pela antiga Cracolândia, voltarão a se integrar. O projeto está andando bem: fizemos a lei de incentivo fiscal e já estamos melhorando a infra-estrutura. A região também foi declarada de utilidade pública e este ano deverá ser desapropriada para efeito de reurbanização, o que deverá atrair não só moradores, mas também empresas ligadas a tecnologia de informação, cultura, educação, que serão as atividades incentivadas.

 

Uma das principais diretrizes do governo atual, desde o início do mandato, tem sido atrair parcerias com a iniciativa privada. Como isso funciona?

Essas parcerias ajudam muito. Isso está acontecendo principalmente nas áreas verdes, para as quais as parcerias com a iniciativa privada tiveram um aumento de 4% para 25% [na página 12, a revista urbs traz uma reportagem sobre o programa adoção de praças]. Um grande facilitador desse trabalho tem sido as Ações Locais da região central, que oferecem um diagnóstico dos problemas e permanentemente pressionam para implementar as soluções. A coordenação e o papel da Viva o Centro, ao meu ver, são vitais, pois é uma entidade que não depende em nada do poder público, nunca pede recursos, pelo contrário, tem nos estimulado a agir e nos oferecido soluções. Esse é um modelo ideal para toda a cidade, poderiam existir várias associações: Viva o Centro, Viva Guaianases, Viva São Mateus etc., sempre com Ações Locais em torno delas.

Ainda há outros projetos nos quais estamos trabalhando, como a Biblioteca Mario de Andrade e a vinda do Museu da Criança para esta região. O projeto de rótula e contra-rótula também está bastante avançado. No entorno do mercado, estamos fazendo um trabalho interessante de reorganização e legalização dos armazéns. Agora vamos pintar todas as fachadas, o que deve dar outra cara à região. Acho que a abertura de um PopCentro nessa área foi extremamente importante, pois são 2,5 mil ambulantes entre os nossos e os que vierem da região do Brás. Sem contar as garagens subterrâneas, que também serão licitadas este ano.

 

E como estão sendo atacadas as questões sociais que persistem no Centro?

Um dos programas de destaque é “O Centro como Sala de Aula”. Por meio dele, as crianças participantes, moradoras da região, utilizam os equipamentos públicos e culturais, o que ajudar a mudar a visão delas com relação às origens da cidade e à valorização da região.

Ainda este ano estamos criando um projeto com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas para o tratamento de crianças de rua dependentes de droga. Trata-se de um modelo novo e mais avançado para as crianças, que oferece atividades das quais elas gostam. Há certas crianças que estão na rua, com liberdade total, e não podem ser simplesmente levadas para as casas de acolhida. O enfoque é diferente. Para nós a rua pode ser aterrorizante num certo sentido, mas para essas crianças não, são crianças especiais. Por terem sobrevivido tanto tempo assim, elas têm uma inteligência muito avançada, esperteza, carisma e, justamente por isso, têm um potencial de recuperação enorme e comovente – tenho conversado com algumas para entender o problema. É preciso oferecer alguma coisa a mais, compatível com essa liberdade que elas têm na rua, atividades esportivas, culturais, sociais, tratamento e acompanhamento.

 

E a questão do tráfico de drogas no Centro?

Considero esse problema do tráfico e do consumo de drogas o grande flagelo da região central. Estamos combatendo o problema e acho possível tirar pelo menos o grosso do crime organizado. O consumo e a venda, porém, ainda persistem e acho que as câmeras que serão colocadas ajudarão muito. É um processo educativo, que exige uma mudança de costume, de hábitos. Isso também serve para a questão dos ambulantes, dos carroceiros, que são grandes problemas hoje.

 

Como enfrentar essa questão dos ambulantes e dos catadores?

São duas questões polêmicas, mas de bases diferentes. Os catadores são os pioneiros da coleta de seletiva de lixo e o que precisa ser feito é organizá-los não só com relação às centrais de triagem, mas também das rotas. Algumas rotas, inclusive, precisam ser mudadas e são eles que deverão nos ajudar a disciplinar o processo, pois muitos catadores independentes fazem a triagem na rua e isso não pode ser tolerado. Os canteiros centrais das avenidas e as praças não são lugar de fazer a separação do lixo como acontece, por exemplo, na Av. Duque de Caxias e em cantos da Praça da Sé – ali nós conseguimos resolver, mas persistindo na fiscalização.

Os ambulantes são outra questão. Temos cerca de mil formalizados, o que é um número razoável diante do tamanho da cidade. O grande problema são os ambulantes ligados ao crime organizado, à pirataria, ao contrabando, ao roubo de cargas. São máfias que temos fiscalizado duramente, tentando combater a origem.

 

Quais as ações previstas para solucionar esse problema?

A fiscalização vai continuar intensa. Um avanço maior também deverá ser alcançado com a autorização do prefeito para dobrarmos o efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM) na região central, que passou de 750 para 1.500 homens.

É preciso lembrar que, no caso dos ambulantes ligados à pirataria, existe, ainda, uma questão ligada à economia e à Justiça, ou seja, vender pirataria, carga roubada, não é um problema social, de emprego informal – é ilegal. Não podemos fazer confusão: pirataria e roubo são crimes. Pode ser que uma parte dessas pessoas trabalhe nessa atividade em função das pressões que sofrem hoje, porque a vida está difícil, e optem pelo emprego formal legal se tiverem uma oportunidade, mas isso depende da melhoria da economia.

 

O que está sendo pensado em relação à habitação no Centro?

Antes de tudo é preciso atrair atividade econômica, pessoas que consomem mais ou menos, mas que precisam trabalhar nas empresas que vêm para cá. Assim como em toda a cidade, é preciso ter essa diversidade – a região central não é para ser só para ricos ou só para pobres, a diversidade é o que caracteriza o lugar. E tem de haver jovens, um trabalho muito bom que tem sido realizado nesse aspecto são as universidades que estão vindo para cá.

 

Já está definida a Universidade que viria para a região da Nova Luz?

Não de forma definitiva. Estamos discutindo, tentando atrair, conversando. A Nova Luz precisará oferecer áreas livres, por isso é fundamental dar início ao processo de desapropriação. Hoje é impossível comprar um terreno ali, pelo próprio modelo fundiário existente na região. São terrenos muito pequenos, com problema de documentação, escritura. A primeira fase foi tirar o crime organizado de lá, melhorar a infra-estrutura, melhorar a limpeza pública, a iluminação, o que precisa continuar sendo feita.

Em paralelo, fizemos o projeto de lei que cria o incentivo fiscal para aquela região, e o certificado de investimento que acaba fazendo com que os impostos municipais sejam praticamente zero naquela região. Agora nós estamos fazendo todo o levantamento, terreno por terreno, situação por situação, dos imóveis para montar o decreto de desapropriação das áreas naquela região, é um trabalho que requer tempo.

 

Essas ações quase sempre resultam no deslocamento de pessoas em situação de rua. O que tem sido feito em termos de ação social em relação a elas?

As pessoas maiores são encaminhadas para albergues da Prefeitura, as crianças vão para tratamento ou casas de acolhida. Mas não se pode obrigá-las a ficar, então é complicado saber o que acontece depois. Para complementar isso, estamos criando o programa que citei em parceria com o Hospital das Clínicas.

 

Organismos como a Comissão Executiva da Operação Urbana Centro e o Pro-Centro, criados pelos governos anteriores, parecem ter sido desativados. Por quê? O que, ou quem, responde por estudar e definir os projetos a serem implementados com os recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)?

Estes organismos não foram desativados. A Comissão Executiva existe e continua suas atividades. Já o Pro-Centro teve o nome alterado na gestão anterior para Ação Centro e está sob a responsabilidade da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que coordena o programa que vai reabilitar áreas degradadas do Centro, algumas delas com os recursos do BID. O programa conta com a parceria e o apoio da iniciativa privada, ONGs e envolve 15 secretarias municipais.

 

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Cultura

COMÉRCIO

 

Prateleiras que contam história

Por Paula Knudsen

 

Chegar ao número 340 da Rua Libero Badaró é como entrar em uma máquina do tempo. Na tradicional mercearia Casa Godinho podemos não só admirar as instalações, conservadas por mais de oito décadas, como também vivenciar um tipo de gentileza à moda antiga que já não se encontra facilmente no comércio.

 

A Casa Godinho foi fundada em 1888 pelo português José Maria Godinho, com sede na Praça da Sé. Em 1924, a mercearia se mudou para o térreo do primeiro arranha-céu de São Paulo, o Edifício Sampaio Moreira, que acabara de ser construído na Rua Líbero Badaró. Miguel Romano, 47, sócio da casa desde 1994 e proprietário desde 2001, diz que é difícil imaginar a mercearia fora do Edifício Sampaio Moreira ou, então, imaginar o Edifício sem a mercearia. O prédio perdeu o status de maior arranha-céu da cidade rapidamente, mas a Casa Godinho permanece como uma das mais tradicionais lojas da cidade, vendendo, como diziam seus anúncios da época, “molhados finos”.

O espaço mantém muito de sua aparência original, com prateleiras de imbuia, piso e balcões originais. Romano trabalha para manter o tom de época da casa: todo móvel novo é envelhecido, para não destoar do resto do estabelecimento. O fato de a casa estar bem conservada já fez com que se tornasse locação para muitas filmagens. Cenas do longa-metragem de Toni Venturi, “Cabra Cega”, ambientado na década de 1970, foram filmadas lá. Para o diretor, “ir lá é como fazer uma visita ao passado, tem o sabor de uma outra época”.

Pouco restou da história de José Maria Godinho, que supostamente não teve herdeiros. Luís Gonçalves da Costa, português, 77, foi sócio da mercearia por 32 anos e conheceu o fundador. “Ele fez poucas visitas à casa após vendê-la. Era um homem bastante reservado”, recorda.

Até o atual proprietário, todos os sócios da casa foram portugueses, e a tradição tem sido transmitida de sócio para sócio. Miguel Romano conta que aprendeu muito do que sabe sobre os produtos e o gerenciamento do local com Luís. E como não acredita que seus filhos tenham o desejo de assumir a mercearia, ele tem a esperança de que o próximo proprietário “tenha cumplicidade com a casa e, como eu, sinta ciúmes desse piso e dessas prateleiras”.

Em um passeio atento pela mercearia é possível encontrar antiguidades, como uma calculadora manual alemã e uma balança antiga. Além disso, estão lá os clichês usados na década de 1930 para imprimir rótulos. O proprietário original importava vinho do Porto em galões, os engarrafava e rotulava em sua mercearia. Lá também estão conservados os registros dos funcionários que passaram pela casa. A ficha número um data de 1946, três anos após a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante a Era Vargas. Entre os ex-funcionários há uma amostra significativa dos imigrantes que chegavam a São Paulo na época. São italianos, alemães, portugueses, russos, tchecos, austríacos, romenos, e até um lituano.

Vários dos quase 3 mil artigos no catálogo da casa ainda são os mesmos do tempo do português Godinho, como o bacalhau norueguês, a alheira (embutido de origem portuguesa que leva vários tipos de carne, miolo de pão e alho), o hadoque, a lingüiça portuguesa e a fava de baunilha (usada para confecção de doces como o marrom glacê). Há produtos procurados principalmente por comunidades imigrantes, como a tinta para pintura de ovos fabricada no Rio Grande do Sul, muito usada pelos alemães na Páscoa; e o trigo mourisco ou kasha, favorito das famílias do Leste Europeu.

A qualidade dos produtos, explica Romano, é resultado de fornecedores bem escolhidos e inspeção de tudo o que é recebido. Nozes, sementes, cereais, frutas secas e cristalizadas são comprados em grandes quantidades e empacotados no próprio estabelecimento, em embalagens transparentes. Isso permite não só que o dono possa checar cada lote que chega, mas também que o cliente possa ver o que está comprando.

Um diferencial da casa é o contato com a clientela, à moda antiga. “Quem chega à loja é sempre recepcionado por um vendedor”, conta o proprietário. O estabelecimento é um dos poucos refúgios comerciais na cidade onde a pressa não impera. Até a informatização foi implantada de maneira que o consumidor não tivesse como simplesmente entrar, escolher e pagar. “A disposição do caixa foi pensada para que, quando o cliente faz sua compra, naturalmente esteja em contato com um vendedor. Enquanto ele paga, sua mercadoria é embalada, com cuidado, em papel, como se fazia antigamente”, afirma.

A clientela da Casa Godinho sempre teve nomes notórios como o jornalista Assis Chateubriand, o governador Adhemar de Barros, o presidente Jânio Quadros, o empresário José Ermírio de Moraes e o atual vice-governador Cláudio Lembo. A paulistana Leonella Giovanninni, 76, recorda que, quando criança, ia à mercearia com seu pai: “Ele era chefe na Souza Cruz e tínhamos um padrão de vida bastante bom. Na época, a alta sociedade se abastecia lá”.

“Temos clientes antigos que hoje visitam a casa só para ‘matar as saudades’, pessoas que vinham com o pai ou avô”, relata Romano. O pai do proprietário, Giuseppe Romano, 80, italiano, ajuda a tocar a casa e lembra da mercearia em outros tempos: “Trabalhei 44 anos no Centro, fui dono de uma casa lotérica. Vi a Casa Godinho na época áurea, formavam-se filas de clientes. O bonde que ia para a Vila Mariana passava aqui na frente”.

 

Atraindo a clientela

 

Atualmente um dos maiores problemas da casa é ser uma loja que vende produtos para a classe média mas que está um pouco mais afastada de seu público alvo – em relação a outros estabelecimentos. “A concorrência aumentou na última década, ficou mais fácil importar. Hoje, há lojas que vendem os mesmos produtos nos Jardins, Morumbi, Moema, bairros com moradores de alto poder aquisitivo”, constata Romano.

Outro motivo da diminuição de clientes é o êxodo das grandes empresas e diretorias de bancos do Centro, que traziam muitos clientes para a casa. Para o proprietário, uma das soluções possíveis para reaproximar seu público é facilitar o acesso: “A região carece de estacionamentos e segurança. É necessária a criação de bolsões de estacionamento para que as pessoas possam vir de carro e ter maior comodidade”. Para ele a revitalização do Centro já melhorou muitas coisas, mas “ainda há um longo caminho a ser percorrido para transformar a região central em um lugar aonde pessoas venham passear e fazer compras”.

Para reconquistar os consumidores antigos e atrair novos, a mercearia tem expandido seu leque de serviços. Em 2001, a Casa Godinho ganhou padaria, venda por internet e serviço de entregas. Hoje, pela manhã, o público é formado principalmente por gente jovem, que toma café na padaria. “Desde 2001 conseguimos fazer as vendas duplicarem”, diz Ieda della Fuente, 37, esposa do proprietário, que também trabalha no local. A venda por internet recebe pedidos de vários estados e faz bastante sucesso no interior de São Paulo.

Em março de 2006, a mercearia vai passar por reformas e melhorias. O próximo passo de Romano será expandir e transformar a casa em uma Confraria, à moda portuguesa. Serão cerca de 40 lugares em um mezanino que ficará acima da futura adega. “Quero fazer um lugar para as pessoas se sentarem e tomarem uma taça de vinho, e também comerem um bolinho de bacalhau e sanduíches feitos com produtos da casa”, diz.

 

Casa Godinho – Rua Libero Badaró, 340 - Centro

Tel.: (11) 3104.1520 / 3105.1625

www.casagodinho.com.br

 

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Bacalhau tem nome

Quem visita a Casa Godinho pela primeira vez, além de reparar na aura de tradição e qualidade, também se depara com o slogan da casa: “Bacalhau tem nome”. O produto é o mais vendido e hoje só perde em faturamento para a somatória dos produtos vendidos na padaria. Mensalmente a mercearia vende 200 quilos do peixe, mas em datas comemorativas o número aumenta consideravelmente. No Natal as vendas chegam a atingir duas toneladas e, na Páscoa, três.

Miguel Romano explica que o segredo de qualidade do bacalhau está na combinação de bons fornecedores, avaliação atenta da carne e a conservação cuidadosa. Quando o produto chega, ele observa, por exemplo, se não há manchas escuras causadas por sangramentos. Depois avalia o lombo do peixe, que deve ser alto, e a própria carne, que deve ter cor homogênea e clara. A peça precisa ser analisada ainda inteira, pois uma vez em postas não é mais possível fazer essa avaliação.

Dentro da loja o bacalhau é, como diz Romano, “tratado como um ‘neném’”. Poucas peças ficam à mostra, e mesmo essas são recolhidas todo dia. O proprietário conta que tem clientes que vão lá todos os anos comprar o peixe para as festas e recebe pedidos pela internet do Rio de Janeiro, Brasília e até Rondônia.

 

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Cultura

Restaurando a história de São Paulo

Por Marcus Lopes

 

Inaugurada em 2005, a Escola Paulista de Restauro é a primeira do gênero na cidade. Criada especialmente para o ensino da técnica de recuperação e preservação, o espaço quer preencher duas lacunas: formar mão-de-obra especializada e fazer com que a população reflita sobre a importância de se preservar o que é, na verdade, a própria identidade da cidade: o seu patrimônio histórico.

 

A primeira impressão de quem passa pelo número 91 da Rua Major Diogo, como não se vê quase ninguém circulando por ali, é que o suntuoso casarão aguarda o mesmo destino de muitas casas antigas da região do Bexiga. Como foram construídas em terrenos grandes e posteriormente foram sendo abandonadas, acabaram sendo derrubadas para a construção de prédios ou a instalação de estacionamentos.

Nem uma coisa e nem outra. Desde o ano passado, a residência Almeida Nogueira abriga a Escola Paulista de Restauro, a primeira escola da cidade criada especialmente para o ensino do restauro e preservação do patrimônio histórico. O espaço oferece cursos multidisciplinares e extra-acadêmicos para a formação de mão-de-obra especializada na recuperação de bens históricos em todos os níveis, desde pedreiros e encanadores até arquitetos e historiadores.

“Só há uma saída para a preservação do patrimônio histórico: educar as pessoas”, explica Francisco Zorzete, proprietário da Companhia de Restauro e um dos idealizadores do projeto. A idéia de montar a escola surgiu no ano passado, quando um dos herdeiros da família Almeida Nogueira apresentou o casarão a Zorzete e perguntou o que podia ser feito. “Pensei no meu grande sonho, que era montar uma escola de restauro”, lembra. A família cedeu a casa por dez anos ao Museu a Céu Aberto , uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e à Companhia do Restauro, que montaram a escola.

Em novembro foi realizado o primeiro curso, de Metodologia de Projetos de Restauro. A primeira turma – com 20 pessoas, entre historiadores e arquitetos – teve 30 horas de aulas práticas e teóricas para atuação na área de restauração do patrimônio histórico.

Os planos para 2006 são ambiciosos. A meta é atender cerca de 500 alunos em cursos de metodologia de projetos, iluminação e pintura, entre outros. O público também deve ser mais eclético. Além de historiadores e arquitetos, a proposta é atrair técnicos, como pedreiros, encanadores e eletricistas. “Há uma carência de mão de obra especializada, como carpinteiros e pedreiros”, explica Zorzete, cuja empresa foi responsável pela restauração de vários bens históricos paulistanos no Centro, como o Centro Cultural Banco do Brasil, o Shopping Light e o Edifício Itália. “É muito importante para quem está executando o trabalho de restauro discutir as técnicas de recuperação, o respeito à edificação e suas características originais”, completa.

Paciência, muita paciência. Assim a arquiteta Paula Fernandes Dias define o trabalho de restauração de bens históricos. Apaixonada pela área de tombamento e preservação, ela participou da primeira turma da Escola Paulista de Restauro, no ano passado.

“Tudo tem de ter paciência, é como uma terapia”, diz Paula, que destaca as aulas práticas de restauração. Os alunos aprenderam, entre outras técnicas, a retirada de pinturas das paredes com espátulas, para chegar à pintura original. “Às vezes há cinco ou mais camadas de tinta, e nós vamos descobrindo murais, desenhos etc. É surpreendente o modo como é feito sem machucar o detalhe original”, conta.

Para a arquiteta, cursos de restauração são essenciais para o aprimoramento profissional. Ela lembra que a reforma de imóveis históricos, ou mesmo novas construções próximas a locais tombados, exige uma série de estudos técnicos e legais para não comprometer o bem histórico. “Quando o arquiteto conhece essas questões, talvez nem seja preciso contratar outro profissional para fazer esses levantamentos.” Além das exigências legais para alterações em edificações tombadas, a arquiteta lembra que há outras restrições, como volumetria e uso adequado da parte interna do imóvel. “É lógico que tudo depende do uso que o proprietário pretende dar para o imóvel e se é permitido por lei”, salienta.

 

Cursos    

 

Os cursos seguem dois eixos centrais: pensar na questão da preservação aliada às técnicas práticas de restauração. A própria sede da escola, que deve ser completamente restaurada, servirá como laboratório prático e teórico dos alunos. Construída no final da década de 1910, para abrigar a família do advogado José Luiz de Almeida Nogueira, a casa, de estilo eclético, tem características peculiares em seus mais de 700 m2 e 14 cômodos. Em 2002, uma resolução do Conpresp (órgão municipal de defesa do patrimônio histórico) incluiu a casa na lista de imóveis tombados pelo inegável valor histórico, arquitetônico, ambiental e afetivo.

E há muito trabalho para ser realizado, já que tudo é original, das portas de pinho-de-riga às janelas. A primeira curiosidade refere-se ao próprio projeto da construção, que está sendo estudado pela Companhia de Restauro. Não se sabe exatamente o motivo, mas, apesar do tamanho da residência, há apenas um banheiro e localizado perto da cozinha. Uma das hipóteses é que o projeto original não contemplava banheiro interno, prática comum na época, e que depois houve essa adaptação. Ainda na cozinha, um curioso sistema de campainha manual instalado perto das despensas servia para acionar os empregados pelos donos diretamente dos cômodos. Outra peça que chama a atenção é um lavatório de louça instalado em um dos quartos.

O grande quintal, que abrigava o pomar, também servirá como sala de aula a céu aberto para os alunos, no curso de arqueologia urbana. “Toda casa muito antiga tem coisas interessantes enterradas no quintal, como pedaços de louça e latas”, explica Zorzete. Aliás, tudo que já foi encontrado está sendo cuidadosamente guardado, desde garrafas e copos a livros antigos e revistas, que serão catalogados.

 

Cooperativismo

 

Outra preocupação dos proprietários da escola é ampliar a formação dos alunos para além das técnicas de restauro. “Vamos falar também de outras questões, como cooperativismo e formação de empreendedores”, diz Zorzete. O objetivo é que alguns alunos tenham condições de formar equipes completas de trabalho, com pedreiros, encanadores e eletricistas especializados em restauro. “Não basta só trabalhar, eles têm de saber como chegar no mercado e, quem sabe, formar equipes e cooperativas.”

Não há previsão de quando o restauro completo da edificação será concluído, mas os alunos não devem ficar sem trabalhos práticos quando não houver mais o que fazer na residência. “Vamos para o bairro todo, onde há muito a ser feito”, explica Zorzete, apontando para as ruas do Bexiga.

Uma das propostas da Escola Paulista de Restauro é que ela não seja apenas dos alunos e fique nos limites do sobrado, voltado para poucas pessoas. Assim como o vizinho Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) é uma referência na história do teatro paulistano, a idéia é que a casa sirva como palco de reflexões e discussões sobre a preservação do patrimônio histórico, com palestras, workshops, debates, roteiros de turismo histórico e intercâmbios. No futuro, também deve ser montado um café e uma biblioteca aberta ao público.

“Queremos atrair a população para falar sobre a importância de preservação do patrimônio histórico”, diz. Ele cita como exemplo os moradores do prédio ao lado do sobrado, que, não raramente, atiram objetos pela janela, o que já danificou o telhado da casa. “As pessoas jogam coisas porque simplesmente não sabem o valor histórico da casa. Podem ter medo, por exemplo, de que ela seja invadida. É preciso informá-las, pois aí elas não jogam mais objetos.”

 

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Escolas de restauro no Brasil

Aliar a recuperação do patrimônio histórico com projetos de inclusão social tem sido o principal motivo para a criação de escolas de restauro em todo o País. Além de aumentar a oferta de mão-de-obra especializada na área de recuperação de bens históricos, os cursos têm o objetivo de promover a capacitação profissional da população de baixa renda, principalmente jovens.

Em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, o projeto Oficina Escola de Artes e Ofícios atua desde 1999 na formação de jovens para a restauração do patrimônio histórico da cidade. O projeto, promovido pela Prefeitura da cidade, é reconhecido internacionalmente e tem apoio de entidades internacionais, como o Centro Europeu de Restauração Schloss Raesfeld. No total, mais de 100 jovens se formaram para atuar como carpinteiros, restauradores e pintores de edificações históricas. O projeto acabou sendo exportado para Itu, onde também será desenvolvido pela Prefeitura local a partir deste ano.

Projeto semelhante é desenvolvido em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba. Parte dos 92 prédios históricos tombados está sendo recuperada por jovens carentes entre 16 e 18 anos, que recebem auxílio mensal e aulas práticas e teóricas de restauro.

Em São Luís (MA) foi aberta no ano passado a primeira Escola de Azulejaria do país. A escola faz parte do projeto de recuperação do centro histórico da cidade, conhecida pelos revestimentos de azulejos nas fachadas, e da vizinha Alcântara.

No caso, a principal meta da escola é formar pessoas que atuem na fabricação de novas peças para reposição, nos mesmos moldes dos azulejos originais instalados nos casarões históricos da capital do Maranhão.

Em Pernambuco, a Oficina Escola para a Restauração de Bens Imóveis dos Sítios Históricos do Recife oferece qualificação profissional para cerca de 70 jovens por ano. O curso é de 1.040 horas e ensina cinco ofícios da área de restauração de bens imóveis: alvenaria e estuque, pintura, marcenaria e carpintaria, serralheria e cantaria. O projeto conta com financiamento do Ministério do Trabalho e Emprego e é uma importante porta de entrada no mercado profissional para os jovens. Atualmente, cerca de 50% dos jovens que passaram pela escola trabalham na recuperação de edificações do Recife.

 

 

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Agenda de cursos

Metodologia de Projeto de Restauro para Bens de Interesse Histórico

O curso será ministrado por técnicos especializados da Companhia de Restauro e coordenado pela arquiteta restauradora Ana Marta Ditolvo, com aulas práticas e teóricas. O objetivo do curso é capacitar profissionais das áreas de arquitetura, engenharia, artes e história para atuação na área de restauração de patrimônio histórico.

Número de Vagas: 20

Período: Turma 1 e 2: 10,11, 17 e 18 de Fevereiro de 2006

Horário: Sexta-feira das 19 hs às 21:30 hs e sábados das 9 hs às 18 hs

Preço: R$ 800,00 (oitocentos reais), divididos em duas vezes.

 

Iluminação de Patrimônio Histórico

O curso será ministrado por Plinio Godoy, engenheiro elétrico formado pela Escola de Engenharia do Instituto Mauá de Tecnologia em 1988, diretor técnico da empresa Luz Urbana Engenharia, especializada em iluminação Urbana e de Valorização de Patrimônio Histórico. O objetivo do curso é capacitar profissionais das áreas afins para atuação específica na iluminação de patrimônio cultural.

Número de Vagas: 20

Datas: Turma 1: 15 de Fevereiro de 2006 - Turma 2: 15 de Março de 2006

Horário: das 9 hs às 18:00 hs - quartas feiras / Preço: R$ 200,00 (duzentos reais ), dividido em duas vezes

 

Prospecções Estatigráficas

O curso será ministrado por Sidnei Fischer e Kátia Magri, Artistas Plásticos, com experiência de 19 anos em prospecções estatigráficas em obras de patrimônio histórico. Através de aulas práticas, tem por objetivo instrumentalizar profissionais das áreas afins para atuação em prospecções estruturais e pictóricas.

Número de Vagas: 20

Datas: Turma 1: 24, 25, 31 de Março e 01 de Abril de 2006 - Turma 2: 28, 29 de Abril e 05, 06 de Maio de 2006

Horário: das 9 hs às 17:00 hs / Preço: R$ 500,00, dividido em duas vezes

Informações e inscrições no telefone (11) 3326-2700, com Ângela

E-mail: escola@companhiaderestauro.com.br

 

Escola Paulista de Restauro

Rua Major Diogo, 91, Bela Vista. Telefone: 3326-2700 (Companhia de restauro)

 

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Idéias

Personagens paulistanos do século XX

Por Marcelo Eduardo Leite*

 

Considerada uma das maiores metrópoles mundiais, São Paulo já teve seus dias de cidade pequena. É nessa São Paulo de menos de 50 mil habitantes, mas que já despontava para o crescimento, que o fotógrafo Militão de Azevedo registrou cenas do cotidiano e dos personagens da cidade. Produzidas entre 1865 e 1887, suas imagens se tornaram essenciais para entender os costumes e modismos do período. Por meio do estudo destas fotografias, o trabalho analisa os personagens da cidade e revela, além de um processo de auto-afirmação da população, uma característica que predomina até hoje na sociedade paulistana: sua heterogeneidade humana.

 

A segunda metade do século a cidade de São Paulo foi um tempo privilegiado para as transformações que a sociedade brasileira vivia, seja no tocante à economia ou no que diz respeito aos novos costumes que aqui aportaram. São Paulo era a capital de uma província que tinha papel determinante na vida política e econômica da nação, sendo ponto de passagem e de parada de inúmeras pessoas que viajam do Rio de Janeiro às províncias do sul. A cidade foi palco de vários acontecimentos importantes mesmo com uma população razoavelmente pequena: seu número de habitantes girou, de 1860 a 1886, entre 25 mil e 47 mil. A área mais urbanizada da cidade, a Freguesia da Sé, tinha 13 mil habitantes em 1886 e os bairros do entorno, formados por habitações rurais e semi-rurais, somavam, também em 1886, 34 mil pessoas.

Para se deslocarem até a área central, os habitantes desses bairros do entorno tinham de passar por pontes que cruzavam os rios, riachos e córregos da cidade. Foi justamente esse vaivém de pessoas que fez das pontes um inusitado espaço de interação social: por elas passavam tropeiros, carreteiros, lavadeiras e escravos, personagens que, em sua maioria, exerciam seus ofícios no Centro da cidade. É nesse cenário também que o contingente negro residente na cidade, apesar de ser relativamente pequeno, teve sua visibilidade multiplicada, afinal, a rua era o seu espaço de convívio e expressão: lá se reuniam, aglomerando-se nos largos e chafarizes, onde faziam as rodas de capoeira e batuque. Tais concentrações despertavam a indignação de parte da população que ainda definia a casa como seu espaço de sociabilidade. Esses limites geográficos da cidade foram sendo alterados aos poucos pelas transformações vividas, sendo a instalação da ferrovia um dos principais fomentadores de mudanças.

É por meio dessas mudanças que a sociedade apresentava novas formas de se fazer ver e representar, adaptando seus costumes de economia agrária aos modismos vindos das principais cidades européias. E nesse momento, ao construir as suas auto-imagens, as pessoas encontravam um aliado muito importante: o fotógrafo, já que é nele que a população pode ter um cúmplice para sua afirmação na cena social de então.

 

Militão de Azevedo

 

É nesse contexto que chega a São Paulo, vindo do Rio de Janeiro, um dos personagens mais ilustres de toda a sua história: Militão Augusto de Azevedo. Vindo inicialmente para trabalhar como ator, acompanhando a Companhia Dramática Nacional, ele acaba, pouco depois, tornando-se fotógrafo, profissão que viria a consagrá-lo como um dos mais importantes profissionais que já passaram pela cidade. Sua atividade tem inicio no ateliê Carneiro & Gaspar, onde trabalhou como fotógrafo e gerente até 1875, momento em que adquiriu o estabelecimento e o transformou no ateliê Photographia Americana, que ficou em atividade até 1885.

As imagens de Militão que vemos neste artigo se inserem num tipo de fotografia que se populariza em nosso país no século 19: os retratos feitos em estúdio. Assim como a maioria dos estabelecimentos do período, o ateliê de Militão tem especificamente nas cartes de visite seu produto mais difundido e popular. As cartes de visite são retratos no tamanho 5 por 9 centímetros que, por serem feitos em série por um sistema de lentes múltiplas, aproveitam mais espaço no negativo de colódio úmido, o que barateia o produto.

No período em que Militão atua na capital paulista existem aproximadamente seis ateliês fotográficos instalados, sendo que o ateliê Photographia Americana se destaca por ser o mais popular. Ao analisar as imagens deixadas pelo fotógrafo, notamos que foram retratados alguns personagens oriundos das camadas mais pobres da sociedade, principalmente as fotos produzidas no Photographia Americana, que ficava na Rua da Imperatriz, 58, defronte à Igreja do Rosário – ponto de encontro da população negra paulistana. Os demais estúdios da cidade ficavam instalados nas regiões dos Largos da Sé e São Francisco, o que permitiu a característica peculiar do estúdio de Militão, já que sua localização, sem dúvida, explica em parte a grande quantidade de negros fotografados, bem como a própria forma em que estes apareciam nessas fotos: como cidadãos à procura de uma afirmação social.

Por estar próxima do ateliê, a Igreja do Rosário acabou tendo uma importância maior do que inicialmente possa parecer: ao seu lado existiam pequenos casebres pertencentes à Irmandade, que eram ocupados por negros, e ali também ficava localizado o cemitério dos negros, espaço onde eram realizados rituais religiosos. Na rua onde ficavam a Igreja e o ateliê, os escravos se aglomeravam nas quitandas, casinhas e nas escadas da própria Igreja, sendo o comércio de rua muito intenso naquela área.

Alem da população negra, outros segmentos sociais que usaram a fotografia carte de visite para se fazer ver foi a classe trabalhadora em geral e, também, parte da elite – a clientela do ateliê de Militão de Azevedo era bastante plural. É nesse espaço que o fotógrafo e os clientes interagiam, buscando na composição da cena algum tipo de representação. Essa busca fazia com que ambos ficassem atentos à escolha da pose, da roupa, da mobília e da indumentária cênica, componentes que tinham um papel fundamental nessa produção. Dois aspectos devem ser lembrados de imediato no que diz respeito às vestimentas. Primeiramente, devemos destacar o fato de os ateliês oferecerem aos seus clientes algumas peças para a composição das fotografias – mas, é importante lembrar, na oficina fotográfica, as pessoas também podiam desfilar o guarda-roupa pessoal. É no estúdio que os clientes exercitavam, de certa maneira, seu senso crítico com relação à própria composição das fotografias. Atuando diretamente na construção dos retratos, os clientes interagiam não só no processo de escolha da pose, roupa e indumentária, mas também analisavam posteriormente os resultados obtidos. Isso indica que realmente havia um processo de auto-afirmação no sentido mais explícito do termo, sendo que, por meio das imagens carte de visite, os mais variados segmentos da população participavam desse processo.

    

Os paulistanos de Militão de Azevedo

 

O material aqui apresentado privilegia imagens produzidas no ateliê Photographia Americana no período em que, além do fotógrafo, Militão é também o proprietário do espaço – o que corresponde à etapa final de sua produção retratística. Foi possivelmente nesse período, também, que o fotógrafo teve mais liberdade em sua atuação profissional: ele estava em contato direto com a cidade, que vivia o início de sua grande transformação urbana. A gigantesca produção de retratos deixada é testemunho insubstituível das pessoas que viveram – ou passaram – por ela.

Os registros produzidos pelos ateliês fotográficos, como sabido, teve um papel importante na afirmação das famílias, entre elas, as de imigrantes no fim do século 19. É o que parece estar evidenciado no retrato 1. Cumprindo a saga de parte dos clientes do ateliê, a mulher traja o que parece ser sua indumentária de trabalho: um avental. Sob ele, uma saia confeccionada em tecido rústico quadriculado, que se estende até a altura dos seus tornozelos, em xadrez, que também é a estampa da camisa. Vestindo paletó e calça preta, sob o qual vemos um apertado colete, está seu esposo. Sob o terno, uma camisa branca, que também pode ser vista sob a manga esquerda do seu casaco, anunciando a possibilidade de a roupa ser parte da indumentária oferecida pelo ateliê fotográfico, o que era comum.

O retrato 2 manifesta o espírito das últimas décadas da escravidão: a procura de novas formas de afirmação por parte da população negra. O homem descansa o braço esquerdo sobre a mulher e toca o seu ombro. Quanto à vestimenta, a casaca está presa apenas pelo botão superior, o que permite uma abertura, mostrando a parte inferior do colete, aparentemente apertado. Seu

olhar é sério, seus cabelos curtos estão divididos ao meio. A mulher, apoiando o cotovelo esquerdo sobre o ‘balcão’ da sala de poses, procura imobilidade. Assim como o companheiro, ela também veste roupa escura. Seu cabelo, dividido ao meio, parece ter sido preparado para a encenação fotográfica.

Estas imagens também nos remetem à importância que um retrato desse tipo deve ter para a população negra. Dessa forma, devemos realmente considerar que a fotografia assume um papel importante na afirmação desses segmentos, mesmo que, para tal, essas pessoas tivessem de seguir padrões definidos pelos modismos predominantes.

No retrato 3, podemos notar como Militão usa com maestria a oposição entre os tons claros e escuros. No centro da cena, apoiada na mesa da sala de poses, a menina olha diretamente para a câmera fotográfica. A roupa branca se destaca com relação à cor da sua pele. Os sapatos de cor preta constituem um elemento que destaca a modelo do chão malhado em tons claros e escuros do ateliê. Em seu pescoço, vemos um crucifixo metálico, sustentado por uma fita escura. O painel de fundo, ligeiramente desfocado, está postado no canto superior da fotografia – recurso notado com freqüência nos casos em que o fotógrafo procura dar destaque maior aos elementos de cena usados no primeiro plano da imagem.

Outro tipo de retrato comum é o que mostra irmãos posando juntos. Essas imagens, juntamente com os retratos de casais, cumprem um papel de afirmação da unidade familiar. É o exemplo do retrato 4: do lado esquerdo, o menino, sentado confortavelmente na cadeira de madeira, veste um terno visivelmente folgado em seu corpo; isso pode ser notado principalmente nas golas do paletó. A expressão é séria, porém sua forma relaxada de sentar exprime descontração. Sua roupa está em sintonia com a moda da época. Postada ao seu lado, a menina tem o braço direito apoiado sobre uma mesa. Seu olhar é sério e direto. Seu vestido branco, com babados, aparenta não estar ajustado perfeitamente ao seu corpo. Notamos, inclusive, que as mangas estão ligeiramente enroladas, detalhe que é mais visível no braço esquerdo. Os cabelos estão divididos ao meio.

Outra marca peculiar do trabalho de Militão vem da sua proximidade com o meio artístico. O retrato 5 é um bom exemplo: nele, a cadeira cênica está colocada de frente para o fotógrafo e ocupa o lado direito do registro, sendo agora utilizada para dar apoio ao pé esquerdo do modelo. As pernas abertas demonstram um desembaraço pouco visto na maior parte das fotografias do acervo. Um cinto aperta o quadril, a roupa colante ostenta franjas nas partes inferior e superior da peça. O branco da calça e roupa contrasta com a bota preta – a mesma cor dos seus cabelos cacheados. Nessa foto, Militão abre mão de um importante recurso cênico das cartes de visite: o painel de fundo. Ao excluir a paisagem de fundo dos retratos, destaca-se o modelo, sua vestimenta e também os móveis que atingem uma projeção maior. Ainda nessa linha, temos a cliente que vai ao ateliê com o claro objetivo de se retratar com sua indumentária de trabalho. Tal afirmação é conseguida também por meio de símbolos referentes à ocupação do indivíduo, tais como roupas e ferramentas de trabalho. No retrato 6, há um homem vestindo uma camisa branca, com as mangas arregaçadas um pouco acima dos cotovelos. Calça escura com as barras tocando os seus calçados, aparentemente uma velha bota, sem brilho e com manchas. Na cabeça, um chapéu preto. A face ostenta longas costeletas, bigode e vistosa barba, que se alonga até a altura do seu peito. Ele ocupa exatamente a parte central da fotografia, o que dá equilíbrio à imagem. Seu olhar fita diretamente o fotógrafo. Essa concordância entre as linhas da imagem remete diretamente ao elemento central desse retrato: a ferramenta de trabalho. Na construção cênica, homem e ferramenta, diante dos nossos olhos, são agora indivisíveis. A fotografia mostra que a ferramenta de trabalho aparece como uma extensão do retratado, tornando-se algo que este traz consigo, na busca de sua auto-afirmação.             

Aqui, nessa São Paulo que observamos de forma tão privilegiada por meio dos personagens retratados por Militão de Azevedo, chegam e desaparecem novos valores, criando e ao mesmo tempo excluindo formas de expressão. Se, para uns, usar sapatos é uma forma de afirmação, outros se posicionam ao lado do cavalete ou com a pá. As imagens de Militão, como seus personagens, são uma fonte insubstituível de informações que remetem a uma história que se inclina diretamente aos detalhes do dia-a-dia. Esta possibilidade de análise, aberta por seus retratos, nos permite conviver com um espaço de afirmação social que é gerado nos ateliês – o que considero uma fonte imprescindível para entender a sociedade brasileira. Tais imagens geram mais questões e, por outro lado, se encaixam numa complexa teia que nos ajuda a compreender que cidade é essa.

 

*Marcelo Eduardo Leite é pesquisador do programa de pós-graduação em multimeios da Unicamp (marceloeduardoleite@hotmail.com)

 

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Idéias

Staples Center, Los Angeles

Por Patrícia Akinaga*

 

Premiado na última Bienal Internacional de Arquitetura, projeto criado para os espaços livres ao redor do Staples Center – famoso ginásio sediado na área central de Los Angeles, Califórnia – levantou junto à comunidade local as prioridades e as possibilidades de viabilizar áreas verdes na região.

A iniciativa começou após a construção do Staples Center, um ginásio de esportes para o time de basquete Los Angeles Lakers, quando a empreendedora L.A. Arena Land Company comprometeu-se a implementar um programa de benefícios à comunidade da área central da cidade. Esse programa foi criado para maximizar os benefícios gerados pela implantação do L.A. Live, projeto de uso misto que inclui atividades de comércio, moradia, escritórios e entretenimento na mesma região.

Um acordo foi firmado, então, entre a empreendedora e a Figueroa Corridor Coalition for Economic Justice – entidade que reúne 31 associações, instituições religiosas e ONGs. A iniciativa resultou em um estudo do Centro de Los Angeles, nas vizinhanças do ginásio, cujo objetivo era o de identificar espaços livres ao redor do Staples Center que pudessem abrigar áreas para esportes, lazer e eventos culturais.

 O escritório de arquitetura paisagística Mia Lehrer + Associates, de Los Angeles, foi contratado para realizar esse estudo, desenvolvendo em um prazo de seis meses o projeto urbanístico – que teve a arquiteta e paisagista brasileira Patrícia Akinaga como designer e gerente.  

A área de projeto

 

O estudo incluiu um inventário de possíveis projetos para os espaços livres dentro da área de 1,6 km de raio, que teria o ginásio como centro. O investimento para a realização da proposta foi estabelecido em US$ 1 milhão.

A área abriga aproximadamente 420 mil pessoas, servidas por escassos locais de lazer. A média de hectares de parque por mil residentes era de menos de 0,18 hectares (a recomendação da Associação Nacional Americana de Parques e Recreação é de 4 hectares).

A população local é, em sua maioria, composta de latinos, fato que se reflete na própria arquitetura das casas, dos edifícios e na sinalização dos estabelecimentos comerciais.

 

Processo

 

Em uma primeira etapa, foi realizado um levantamento completo da infra-estrutura existente de lazer e a real necessidade de parques, espaços livres e oportunidades para atividades ligadas à recreação dentro da área densamente urbanizada – composta pelos bairros de Pico Union, Westlake e South Park, entre outros. Seguiu-se a esta fase a identificação de oportunidades como estacionamentos subutilizados, vielas de serviço e terrenos baldios.

Para complementar os dados de campo foram subcontratados pela equipe o escritório PCR especializado em GIS (Geographic Information System), que analisou aspectos como densidade, renda, etnia e faixa etária dos moradores da área, e a consultoria do Sedway Group, especializado no mercado imobiliário, que estimou o custo de aquisição de propriedades dentro da área e examinou a infra-estrutura existente.

 

Workshops com a comunidade local

 

No esforço de integrar os residentes e os empresários locais para o objetivo comum, o escritório promoveu uma série de workshops em local cedido pelo Exército da Salvação. A divulgação foi feita através de panfletos distribuídos em escolas, centros comunitários e igrejas da área. Nestes workshops, os participantes foram divididos em pequenos grupos para que pudessem expressar suas opiniões sobre os parques existentes, os potenciais, o programa desejável e as áreas de maior prioridade e estratégias para a utilização dos recursos disponíveis. Mais de 600 pessoas participaram ativamente do processo.

Paralelamente o mapa resultante do estudo de GIS demonstrou que as regiões de maior densidade demográfica, onde a população compunha-se de jovens de baixa renda, eram prioritárias para o projeto.

 

Soluções

 

Após a análise de todo material coletado, o escritório de arquitetura paisagística Mia Lehrer + Associates elaborou uma série de opções para o investimento proposto, como, por exemplo, melhorias nas estruturas existentes ou a criação de protótipos para novos espaços livres, de escalas diversas como pocket parks, pequenos, médios e grandes parques sem terrenos definidos mas com características que os qualificassem como potencialidades. Também apresentou os custos, objetivando prover o maior número de opções para o investimento e garantir sua viabilidade.

Foram desenvolvidos também projetos específicos que incluíam a readequação do sistema viário para a ampliação do Centro Comunitário Toberman e aproveitamento de áreas subutilizadas como o estacionamento do Los Angeles Photo Center e terreno baldio adjacente ao Parque Venice Hope, carente de um núcleo de recreação. Além disso, a Secretaria de Educação demonstrou interesse no uso conjunto de suas instalações durante as férias escolares e fins de semana com a comunidade local, em troca de auxílio na zeladoria desses espaços.

Esse estudo verificou a necessidade da busca de novos recursos para a concretização do grande número de projetos possíveis, apontados tanto pela população como pelas associações e grande capital. Para isso, englobou a documentação de fontes de investimentos adicionais, como fundos federais e patrocínios privados.

A solução encontrada foi utilizar o fundo proposto em pequenas melhorias de curto e longo prazo, ao invés de investi-lo de uma vez em apenas um projeto. Vale salientar que o apoio político foi importante para a realização do projeto, através das Secretarias Municipais de Parques e Áreas Verdes, Educação e Bem Estar Social, bem como a participação efetiva de vereadores, administradores regionais, agências de desenvolvimento e das entidades locais que perceberam a necessidade de se reverter o processo de degradação da área central de Los Angeles.

Além de material base para o processo de arrecadação de fundos, o estudo serviu como diretriz para a implementação de novos projetos na área. O envolvimento crescente da comunidade garantiu a ampliação do programa.

Nosso papel foi importante tanto como mediadores quanto como agentes transformadores do processo. Nosso trabalho foi traduzir os anseios coletivos e chegar a soluções que atendessem ao interesse comum dos diversos grupos envolvidos. Mais do que isso, atingimos o objetivo de reforçar a importância de investimentos em um sistema coeso de espaços livres para os centros urbanos adensados, integrando transporte, moradia, identidade cultural e lazer.

 

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O mercado imobiliário se beneficia com melhorias na área central de Los Angeles

A área central de Los Angeles tem sofrido transformações consideráveis nos últimos cinco anos. O mercado imobiliário viu na disponibilidade de terras – imóveis subutilizados e/ou vagos — a oportunidade para retorno certo de investimento. Projetos como a criação de novos espaços para lazer, moradia e entretenimento têm se mostrado instrumentos eficientes para a valorização dos imóveis.

Em 1998 foi fundado o Downtown Center Business Improvement District (DCBID), uma coalizão de 480 proprietários reunidos em uma comissão, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no Centro da cidade. A organização ajuda o centro financeiro, composto de 65 quadras, a atingir seu potencial máximo como um lugar para se viver, trabalhar e se divertir. Um dos mecanismos principais para que o objetivo fosse atingido foi a criação da Purple Patrol, um grupo de pessoas uniformizadas que andam pelo centro distribuindo informações sobre atrações, mercado imobiliário e oportunidades. Nos fins de semana, guiam grupos em visitas a imóveis para locação e venda gratuitamente, contando a história de cada empreendimento. Muitos dos edifícios antes abandonados foram convertidos de comerciais para residenciais, destinados à classe média. Imóveis de dois dormitórios são alugados por valores estimados entre U$ 1,4 mil a U$ 2,2 mil, em uma área antes degradada. O modelo tem se multiplicado e o aumento do valor da terra é uma realidade.

Projetos sociais na área do Skidrow, conhecida pela presença de mendigos, também estão sendo implementados por uma exigência do poder público aos empreendedores. A criação de abrigos, centros comunitários e habitação popular – uma forma de minimizar o impacto da transformação – são alguns exemplos. As associações de bairro e ONGs estão preocupadas com a simples expulsão da comunidade local – que é composta, em sua maioria, por latinos e negros –, e têm se organizado para tornar constante o processo participativo e o investimento efetivo na melhoria das condições de vida desta população.

Outro distrito formado na área com investimento da AEG, mesmo grupo da L.A. Land Arena Company do Staples Center, é o L.A. Live de entretenimento que está atraindo a implantação de estúdios e teatros, promovendo melhorias urbanas como readequação de vias e calçadas, arborização e sinalização.

A parceria público-privada mostrou-se eficiente. As iniciativas propostas foram bem sucedidas do ponto de vista empresarial e da Prefeitura, e os processos participativos junto a comunidade promovidos por arquitetos e outros consultores têm viabilizado muitas delas. A mobilização e a apropriação dos projetos pela população são medidas positivas que asseguram, de certo modo, sua manutenção, principalmente dos espaços de uso público, como ruas e praças.

*Patricia Akinaga é arquiteta, formada pela FAUUSP em 1996. Em 2000 fez mestrado em Arquitetura Paisagística pelo College of Environmental Design, University of California. (patricia.akinaga@gmail.com)

 

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Mix mesa

A cozinha da Dona Maria

Por Claudia Casanova

 

Nos últimos 32 anos, de segunda à sábado, Maria Antônia Vilena Costa, a Dona Maria, cumpre a mesma rotina: levanta cedo para chegar por volta das 8h30 no Bar Léo, na Rua Aurora. É lá que comanda a cozinha e é responsável pelos bolinhos de bacalhau mais famosos da cidade. E não é apenas a receita portuguesa que faz sucesso: os pratos alemães, como o goulash, e a bacalhoada espanhola também têm seus clientes cativos. “Uma vez eu estava aqui cozinhando e de repente vi que o Pelé estava na janelinha. Ele veio falar comigo pois queria conhecer quem fazia a famosa bacalhoada que tanto queria experimentar”, conta orgulhosa. Diferente da bacalhoada portuguesa, com batatas e cebolas, a bacalhoada do Léo leva bacalhau desfiado e grão de bico.

Com 58 anos, Dona Maria diz que não pensa em deixar a cozinha, “ficarei aqui até quando agüentar’, e completa: “nos dias em que não tenho de vir para cá, sinto muito falta”. Não é para menos. É na cozinha, lugar que define como o “seu território”, que Dona Maria passa o dia inteiro correndo com sua assistente, Marlene, para garantir que as cerca de 80 refeições diárias fiquem prontas. Além dos pratos, às quartas e sábados ela prepara os bolinhos de bacalhau, que somente aos sábados têm mais de 600 unidades vendidas – e quase sempre servem de acompanhamento para o famoso chopp da casa.

Para quem pensa que Dona Maria, aos domingos, prefere ficar longe das panelas, ela avisa que nesse dia faz questão de preparar os pratos favoritos dos sete netos. “Eu adoro cozinhar, por isso faço tudo o que eles gostam. E eles pedem de tudo: macarronada, panqueca, gnocchi.”

Nascida no Pará, veio com 17 anos para São Paulo. Chegou trazendo sua única filha, para trabalhar em uma casa de conhecidos. Logo depois iniciou sua experiência em restaurantes. O primeiro lugar em que trabalhou foi no Salada Paulista, casa que ficava na Avenida Ipiranga. “Nunca havia trabalhado na cozinha, mas eu já tinha aquela experiência de casa que a gente tem”, afirma. Foi lá que o mais antigo funcionário do Bar Léo – o sr. Luís Vieira, que já está aposentado mas não deixa de freqüentar o local –, conheceu o trabalho de Dona Maria e a indicou para trabalhar no famoso bar da Rua Aurora. A paraense começou como assistente no Bar Léo e depois de alguns anos assumiu a direção da cozinha, função que exerce com maestria até hoje. Quem teve oportunidade de conhecer alguma de suas receitas ou o bolinho de bacalhau garante.  

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O Bar Léo

 

Localizado na Rua Aurora, o Bar Léo acomoda 60 pessoas sentadas, mas nos dias de maior movimento muitas pessoas ficam na calçada – e não se importam em ficar em pé. Tudo para tomar aquele que é tido por muitos críticos como o melhor chopp da cidade.

A principal atração da casa, o chopp da Brahma, chega diariamente em barris, que são acondicionados em locais refrigerados entre 2º C e 7º C para manter suas características. A bebida sai das biqueiras de uma chopeira alemã antiga e chega às mãos dos clientes a 0º C, acompanhada por um colarinho cremoso com quase 5 cm de espessura. Para se ter uma idéia do cuidado com que a bebida é servida, os copos são lavados com sabão neutro de origem alemã, o que garante o sabor e a cremosidade do colarinho.

Porções e petiscos acompanham a bebida: além do bolinho de bacalhau, que é servido às quartas e sábados, há também canapés, bolinho de carne, salsicha aperitivo, entre outros. O cardápio da cozinha traz uma especialidade por dia e as refeições são servidas das 11h até as 15h, de segunda à sexta.

O bar fica aberto de segunda à sexta, das 10h45 às 20h30 e, aos sábados, até as 16h. Não abre aos domingos.

 

Bar Léo – Rua Aurora, 100 – Santa Ifigênia. Tel. (11) 3221-0247

 

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Mix Artes

Vamos ao teatro?

Para comemorar os cem anos do nascimento de Samuel Beckett, escritor e dramaturgo irlandês considerado um dos expoentes do Teatro do Absurdo, o Sesc Belenzinho apresenta, até 26 de março, o clássico “Esperando Godot”. Escrita em 1948, a peça mostra um diálogo sem sentido entre dois vagabundos, Vladimir e Estragon, em uma mistura de comédia e uma pungente – e trágica – imagem do destino humano. Com direção de Gabriel Vilela, a montagem tem a participação das atrizes Bete Coelho, Magali Biff, Lavínia Pannunzio e Vera Zimmermann. A temporada será apresentada de sexta a domingos, às 21 horas. Duração: 100 minutos. Ingressos: R$ 15,00, R$ 10,00 (usuário matriculado) e R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes, aposentados e estudantes com carteirinha).

Inédita no Brasil, “A Noite Antes da Floresta”, primeira peça do dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, ganha montagem no Espaço dos Satyros, com estréia prevista para 17 de fevereiro. Escrita em 1977, a peça narra o encontro de dois seres que vagam pela noite. Um homem que, sem ter para onde ir, tenta se comunicar com outro homem na rua. Não se vê o interlocutor, que pode ser o próprio espectador, ou alguém oculto, ou, ainda, um duplo do personagem. Koltès, que foi pouco encenado no Brasil, começa a ser reverenciado em todo o mundo, com peças sendo apresentadas em diversos países.

No Espaço dos Satyros o monólogo é encenado pelo ator Otávio Martins e tem direção de Francisco Medeiros. As apresentações acontecem às sextas-feiras, às 21h30. Duração: 80 minutos. Ingressos e final de temporada: a confirmar.

Aproximar o público infantil, e toda a família, da dança contemporânea. É essa a proposta do espetáculo “Curiosidade”, que o Teatro Fábrica apresenta na Sala 02 a partir de 04 de março. Tomando por base o próprio significado da palavra “curiosidade”, o espetáculo da Cia Corppoema de Dança e Criação Contemporânea pretende envolver toda a família num jogo de descobertas e brincadeiras, que são permeadas por uma atmosfera musical ancorada em cantigas populares brasileiras.

O elenco é composto por Bia Novaes, Camilla Rodrigues, Juliana Torres, Maria Fernanda Silva, Renata Lima, Renata Silva. Fica em cartaz até o dia 26 de março. Duração 45 minutos. Temporada: Sábados e domingos às 16h. Ingresso: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia) para estudantes e terceira idade.

Sesc Belenzinho Avenida Álvaro Ramos, 915 – Metrô Belém. Tel (11) 6602-3701.

Capacidade: 100 lugares. No final do espetáculo, o SESC disponibilizará ao público

um serviço gratuito de transporte (van) até a estação Belém do Metrô.

 

Espaço dos Satyros Praça Roosevelt, 214 – Centro (A6). Telefone (11) 3258-6345. Capacidade: 50 lugares.

 

Teatro Fábrica Rua da Consolação 1623 – Bela Vista (B6). Reservas e informações: Tel.: 3255-5922. Estacionamento conveniado R$ 5,00 

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CCBB: Cuba e cinema

 Até 23 de abril o público paulistano poderá ver no Centro Cultural Banco do Brasil a exposição “Arte de Cuba”. A mostra, que depois segue para os CCBBs do Rio de Janeiro e Brasília, apresenta um significativo conjunto de peças do país, num panorama que abrange desde o período do surgimento das vanguardas até as produções contemporâneas.

A mostra destaca a consolidação da arte moderna nas primeiras décadas do século passado, os movimentos abstratos, a pluralidade estética que acompanha as mudanças da revolução nos anos 60 e 70 e a renovação e experimentação características dos anos 80 até os dias atuais. No total, são cerca de 177 obras de 61 artistas. Entre eles, nomes como Wifredo Lam, Marcelo Pogolotti, Luis Martínez Pedro, Raúl Martínez, Flavio Garciandía, Lázaro Saavedra e Carlos Garaicoa, entre outros. A curadoria é de Ania Rodríguez. Entrada franca.

De 14 de fevereiro a 5 de março, o público do CCBB também poderá acompanhar a mostra de filmes “A montagem no Cinema”, que faz uma homenagem a alguns montadores brasileiros que iniciaram suas carreiras montando produções até o início da década de 1990.

O objetivo da mostra é colocar em evidência essa atividade que, embora seja de grande relevância na concepção de um filme, ainda é pouco conhecida e debatida pelo público em geral. Os ingressos custam R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada) por sessão. Quem quiser, pode adquirir um Cinepasse com validade para todas as sessões da mostra – R$ 8,00 e R$ 4,00 (meia-entrada). O cinepasse deverá ser trocado pelo ingresso com meia hora de antecedência.

CCBB (E5-45) R. Alvares Penteado, 112 – Centro. Tel.: (11) 3113-3651 

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Exposição “Frestas” na Casa da Dona Yayá

Com estréia prevista para 19 de fevereiro, e em cartaz até 19 de março, a Casa da Dona Yayá apresenta a exposição “Frestas”, da artista plástica Ana Calzavara. As pinturas a óleo sobre madeira e tela são resultado, em sua maioria, de produção realizada em 2005 para o mestrado da artista em Poéticas Visuais na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP).

A base do trabalho é o olhar sobre a capital paulista, evidenciando, sobretudo, os lugares marcados por um certo abandono, nos quais muros, vãos e fachadas são testemunhos de construções passadas que foram sendo substituídas por estacionamentos, galpões de aluguel ou simplesmente restaram em meio à paisagem urbana.

A exposição abrirá diariamente ao público, exceto aos sábados, das 10 às 16hs.

 

Casa da Dona Yayá

Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista (C8, B7). Tel.: 3106 3562. 

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Outras exposições

Até 25 de março, o Conjunto Cultural da Caixa apresenta a mostra coletiva “Além

do Muro”, com obras de artistas da Alemanha Oriental – quando o país ainda era dividido. Os quadros fazem parte da coleção de Francisco Chagas Freitas, diplomata brasileiro que trabalhou na cidade entre 1984 e 1991. O espaço fica aberto de terça a domingo, das 9 às 21h.

O Espaço Cultural BM&F abriu sua programação 2006 com uma homenagem a Santo Dumont em comemoração ao centenário do vôo do 14 Bis. É a exposição “Santos Dumont – O Vôo de um Gênio”, que fica em cartaz até 31 de março com fotografias históricas e réplicas dos aparelhos criados pelo brasileiro. O Espaço Cultural BM&F fica no hall de entrada do prédio da Bolsa de Mercadorias & Futuro e pode ser visitado de segunda a sexta, das 10 às 18h.

 

Conjunto Cultural da Caixa – Sé Praça. da Sé, 111 (E6, F6) – Centro. Tel:. (11) 3107-0498.

Espaço Cultural BM&F (E5, 51) Praça Antônio Prado, 48 – Centro. Tel.: (11) 3119-2404 

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Pinacoteca: religiosidade e Lygia Clark

Exposição da Pinacoteca do Estado, “Olha que Eu Vim lá de Longe” traz duas mostras de fotografias que provocam um diálogo entre arte e religiosidade no Brasil e em Cuba. As séries inéditas, que trazem cerca de 100 imagens em preto e branco, pertencem aos fotógrafos Gisele Martins e Jorge Luís Alveres Pupo.

Na série “Invoke Ogun”, o cubano Pupo traça um percurso do vodu haitiano realizado na região oriental de Cuba, entre 1999 e 2004. A linguagem gestual, os ritos de passagem e a adoração da natureza são algumas das características retratadas. Já a brasileira Gisele optou por registrar as celebrações da religiosidade afro-brasileiras realizadas na Igreja Nossa Senhora da Achiropita e no terreiro do Pai Francisco de Oxum, ambos localizados no bairro do Bixiga. Com curadoria de Diógenes Moura, a exposição fica em cartaz até março.

Também na Pinacoteca, a artista Lygia Clark ganhou retrospectiva que refaz sua trajetória, com destaque à fase mais tardia de sua produção, em que incorpora conceitos psicanalíticos e busca romper a distância entre público e obra.

“Do Objeto ao Acontecimento” traz 138 trabalhos da artista brasileira, entre esculturas, pinturas, colagens e entrevistas em vídeo feitas pela curadora, a psicanalista Suely Rolnik. Alguns dos originais são expostos pela primeira vez, como os “Objetos Relacionais” que participavam da “Estruturação do Self”, última proposição de Lygia Clark (1976-88), na qual a artista explora a potência terapêutica de suas invenções.

A mostra foi organizada pelo Musée de Beaux-arts de Nantes e pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, com colaboração da Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark”, do Rio de Janeiro. Em cartaz até 26 de março. De terça a domingo, das 10h às 18h.

 

Pinacoteca do Estado (E2, 100)

Praça da Luz, 2 – Metrô Luz (D2). Tel. (11) 3229-9844.

R$ 4 (p/ estudantes: R$ 2, sáb.: grátis)

 

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  Mix Livros  

São Paulo e Rio de Janeiro

Organizado por Maria Cristina Schicchi e Dênio Benfatti, o livro Urbanismo: Dossiê São Paulo – Rio de Janeiro (Editoras Prourb/PUCCamp, 324 páginas, R$ 45,00) traz 24 artigos – de pesquisadores de São Paulo e Rio de Janeiro –, que analisam projetos urbanos das duas cidades.

Avaliando os programas e projetos urbanísticos realizados – ou apenas propostos – nos últimos 15 anos, a obra destaca não apenas as especificidades de cada cidade, mas também dados semelhantes entre elas, tais como o esvaziamento das áreas centrais e o crescimento das periferias.

Um dos articulistas do livro, a arquiteta Regina Meyer, é a editora de arquitetura e urbanismo da revista urbs. Em seu texto, avalia como os projetos em São Paulo, com o objetivo de oferecer maior eficiência no deslocamento da população, favorecem a expansão urbana em detrimento da organização de setores já consolidados. A obra é uma edição especial da revista “Oculum Ensaios”. 

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Raízes culturais

Produzido a pedido do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o livro A Arte do Artesanato Brasileiro (Editora Talento, 180 páginas, R$ 80,00) registra e divulga o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), que foi criado com o objetivo de gerar oportunidades de trabalho e renda e de promover esse trabalho manual no país e no exterior.

Essencialmente fotográfica, a obra traz peças de todos os estados do país, revelando a riqueza da matéria prima utilizada e a influência das raças que compõem o nosso povo. Trata-se de um registro importante de nossas raízes, que ainda são preservadas pelas mãos hábeis de milhares de artistas anônimos. O livro apresenta versões em inglês e espanhol. 

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Ferrovias em cartões postais

No mais novo livro da série “Lembranças” – os anteriores foram “Lembranças de São Paulo” (volumes dedicados à capital, ao interior e ao litoral) e “Lembranças do Brasil” –, os autores João Emílio Gerodetti e Carlos Conejo nos fazem passear novamente pelo tempo e, desta vez, resgatam a história das ferrovias brasileiras.

A obra As ferrovias do Brasil (Editora Solaris, 260 páginas, R$ 158,00) traz 550 imagens coloridas que foram produzidas, em sua maioria, nas primeiras três décadas do século 20, período em que os trens ainda faziam parte no cotidiano dos brasileiros e as ferrovias representavam importante marco de desenvolvimento. O livro também tem versão em inglês. 

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Parceria Público-Privada

Livro do português Carlos José Lopes Balsas, Urbanismo Comercial e Parcerias Público-Privado (Observatório do Comércio de Lisboa/GEPE – Gabinete de Estudo e Prospectiva Econômica, 163 páginas, 20,00 €) discute as experiências americana e inglesa nos temas de revitalização comercial, criação de parcerias público-privadas e também gestão do Centro das cidades.

As análises levantadas trazem dados atualizados de boas práticas internacionais nesse tipo de parceria, além de identificar os diferentes papéis que cada interveniente pode desenvolver. O livro também oferece princípios orientadores para a continuidade dessas práticas, tão necessárias para a gestão das cidades. 

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As mudanças nos Centros Urbanos

Com textos sobre projetos produzidos em sete capitais brasileiras – Aracaju, Belém, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Luís e São Paulo –, o livro Intervenções em Centros Urbanos – Objetivos, estratégias e resultados (Ed. Manole, 311 páginas, R$ 55,00 ) discute as mudanças que vêm ocorrendo nessas áreas desde a década de 1950 – em todo o mundo –, apresentando os objetivos e avaliando os resultados.

Com a participação de diversos autores – entre eles acadêmicos, gestores públicos, arquitetos e urbanistas –, a obra tem caráter didático e é direcionada a estudantes, professores, pesquisadores e pessoas que se interessem pelo tema. A organização é das arquitetas Heliana Comin Vargas e Ana Luísa Howard de Castilho.

 

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Mix Sites

Rua 25 de março: www.25demarco.com.br

Uma das mais movimentadas ruas de comércio do Brasil tem um site que lista suas lojas por categoria – acessórios, bebidas, fantasias, bijuterias etc. – e traz um link de “promoções” pelo qual o internauta pode conhecer algumas das pechinchas que só a região pode oferecer.

Na página também há informações sobre bancos 24h, dicas de restaurantes, estacionamentos e muitos outros serviços que facilitam a vida de quem circula por lá. Em “história da 25” é possível ver algumas fotos de tempos antigos e imagens mais atuais. 

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Prêmio pulitzer: www.pulitzer.org

Criado em 1917 pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (EUA), o prêmio Pulitzer é a mais importante distinção da imprensa norte-americana – e um dos mais renomados mundialmente. O site oficial do prêmio traz a relação dos ganhadores, jornalistas e escritores, desde a primeira edição até os dias atuais.

A história do húngaro Joseph Pulitzer, que foi homenageado com o título da premiação por ter criado um novo paradigma de jornalismo com os jornais St. Louis Dispatch e o New York World, e a do próprio prêmio estão no link “history”. Em inglês. 

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Aleijadinho: www.aleijadinho.com

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é alvo de muitas especulações sobre sua real existência. Muitos historiadores, por conta de algumas documentações históricas, chegam a negar que ele tenha vivido. Quem não duvida afirma que o artista, além de símbolo do barroco brasileiro, nasceu em Ouro Preto em 1730.

Responsável por muitas obras-primas, como a Portada da Igreja do Santuário do Senhor de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, o artista mineiro ganhou um site dedicado à sua história. A página traz informações sobre seu nascimento e discute a polêmica em torno de sua existência. 

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Obras raras: www.obrasraras.usp.br

Com a Biblioteca Digital de Obras Raras e Especiais da USP agora é possível não só conhecer, mas também imprimir – para uso não comercial – publicações antiqüíssimas, entre elas livros dos séculos 15 e 16. É caso, por exemplo, do livro “Anotações de D. Manuel”, de 1539.

Atualmente são 38 livros digitalizados integralmente, que foram escolhidos segundo critérios de antiguidade, valor histórico e inexistência de novas impressões ou edições do título. O site permite, ainda, a pesquisa do acervo de 1225 títulos da Biblioteca a partir de títulos, autores ou períodos.

 

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  Notícias  

Associação amplia auditório

Para fazer frente à ampliação do número de seus associados e dos participantes das Ações Locais, bem como da quantidade de palestras e reuniões que realiza, a Associação Viva o Centro começou 2006 com seu auditório completamente renovado. O espaço ficou maior – agora possui 100 lugares – e, aproveitando as janelas panorâmicas da sede, abriu-se para a bela paisagem arborizada do Vale do Anhangabaú. Tornou-se, principalmente, um espaço flexível, podendo abrigar diferentes eventos, pois suas cadeiras são removíveis conforme a necessidade.

Dessa forma, pode transformar-se com rapidez em sala de reuniões com mesa para até 45 pessoas. Além disso, uma sala complementar, com parede de vidro, permite trabalhos independentes, ou de apoio ao auditório. O conjunto também pode ser utilizado por terceiros, mediante contribuição destinada a apoiar os objetivos da entidade. Basta contatar Claudenir Chinski pelo tel. 3398-8806, ou pelo e-mail claudenir@vivao centro.org.br. 

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Melhora limpeza pública no centro

A qualidade e regularidade nos serviços de limpeza pública sempre foram reivindicações da Associação Viva o Centro e das Ações Locais no quesito zeladoria urbana no Centro. Pois no começo deste ano, a Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo, tendo à frente o também subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, triplicou o número de equipes responsáveis pela varrição das ruas da região central da cidade. Cerca de 500 garis, divididos em três turnos, foram destacados para mutirões que começaram em 8 de janeiro e irão até 8 de abril nos distritos Sé e República, Liberdade, Cambuci e Nova Luz. Auxiliam na limpeza de ruas e monumentos seis carros-pipa (com água de reuso) e seis antares (caminhões com água quente). Antes, o trabalho de varrição nessa área, incluindo a Lapa, era feito somente por 23 equipes de seis pessoas, em um total de 138 funcionários. A “força tarefa” atuará apenas por 90 dias em regime de 24 horas com revezamento das turmas. A expectativa da coletividade é de que o trabalho tenha continuidade após o período experimental, pois funciona. 

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Capacitação profissional gratuita na região central

Desde o começo de fevereiro, 60 jovens de 16 a 30 anos recebem capacitação profissional gratuita no Centro graças a parceria estabelecida entre a Ação Local Pátio do Colégio/Boa Vista, a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, do Governo do Estado de São Paulo, e a Universidade Anhembi Morumbi/Interamérica, em seu Campus Anhangabaú. São dois diferentes cursos – Organização e Montagem de Eventos e Recepcionistas –, cada um com carga horária de 200 horas e 30 alunos. O objetivo é preparar pessoal que, ao se formar, poderá encontrar colocação na própria área central, onde cada vez mais se realizam eventos, o que demanda a necessidade de bom atendimento na recepção em escritórios das mais variadas empresas. A Ação Local Pátio do Colégio/Boa Vista está em contato com gerentes de RH de empresas e instituições estabelecidas na região para montar outros cursos que preencham as necessidades de formação de seus funcionários. Acompanhe pelo site www.ongs.org.br/patio-boavista. 

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BM&F homenageia henrique meireles

Durante a megafesta black-tie comemorativa dos 20 anos da BM&F, em 31 de janeiro na Sala São Paulo, um dos homenageados foi o presidente da Viva o Centro, Henrique Meirelles, por sua capacidade empresarial e espírito público. No ato de entrega de um óleo sobre tela do pintor Gregório Gruber, que tem se dedicado a retratar o Centro de São Paulo, pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, Meirelles foi saudado com as seguintes palavras: “Com espírito público, Henrique Meirelles assumiu o cargo de Presidente do Banco Central do Brasil, uma das missões mais desafiadoras em qualquer país, em qualquer economia. Henrique Meirelles dirigiu o Banco de Boston com grande espírito empresarial, mas imprimiu também a essa instituição caráter de empresa-cidadã. A criação da Associação Viva o Centro deve muito a Henrique Meirelles. Nesse ponto, as histórias de Meirelles e da BM&F convergem, pois nessa casa também se cultiva a cidadania. A decisão da BM&F de permanecer no Centro tem muito a ver com recuperação e revalorização urbanas. O aproveitamento de áreas já com infra-estrutura libera recursos para investimentos nos bairros pobres que tanto apoio necessitam de nossa sociedade”. 

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Ação local João Mendes adota praça João Mendes e Largo 7 de setembro

A Ação Local João Mendes, representada por sua presidente, a advogada Carmem Patrícia Coelho Nogueira, assinou em meados de dezembro dois Termos de Cooperação com a Subprefeitura da Sé, formalizando a adoção da Praça João Mendes e do Largo 7 de Setembro (7,5 mil m2) pela comunidade. Para comemorar, duas apresentações musicais, aproveitando a confraternização natalina, no saguão do Fórum João Mendes: uma com o Coro Feminino da Igreja Presbiteriana de Vila Mariana, regido por Miriam Carpinetti, e outra com a Banda Musical da Guarda Civil Metropolitana. Com a adoção, a Ação Local João Mendes, com apoio da comunidade estabelecida na região, aí incluída a ONG Oisca do Brasil, vai custear a recomposição do paisagismo nos dois logradouros, seguindo projeto do arquiteto André Graziano, da Subprefeitura da Sé. “Conheci o arquiteto em um dos encontros que a Viva o Centro promoveu em sua sede entre autoridades e dirigentes de Ações Locais”, lembra Carmen. “A Viva o Centro ensina a pescar, se a gente não se mexe não tem milagre.” Outros apoios serão bem-vindos (advcarmen@uol.com.br). 

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Os 15 anos da Viva o Centro tem selo comemorativo

Para marcar os 15 anos da Viva o Centro, a serem completados em outubro próximo, a entidade adotou um selo que será aplicado em toda a sua comunicação durante este ano de 2006. O selo reproduz parte da primeira logomarca da Associação, cujo símbolo foi o edifício do Teatro Municipal de São Paulo, e a atual, com uma versão estilizada do marco zero da cidade, localizado diante da Catedral da Sé. Ao adotar a nova logomarca, no começo de 2005, a Viva o Centro procurou incorporar nela toda a diversidade que caracteriza o Centro. A nova logomarca, com os braços da “rosa dos ventos”, que compõem o marco zero, atravessando o círculo que a contém, quer demonstrar que tudo o que acontece no Centro repercute por toda a metrópole.

 

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PATROCINADORES Revista URBS

Patrocínio:

Banco Itaú Serasa
Bank Boston
Apoio Institucional:

Prefeitura do Município de São Paulo

 

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Revista Urbs - Publicação bimestral editada pela Associação Viva o Centro, com o patrocínio especial do Bank Boston, Banco Itaú Serasa e Pinheiro Neto - Advogados; e apoio institucional da Prefeitura Municipal do Município de São Paulo.

Conselho Editorial: Jorge da Cunha Lima, Marco Antonio Ramos de Almeida, Mary Lou Paris, Marta Dora Grostein, Regina Prosperi Meyer, Rosely Carmona, Lu Rodrigues, Ana Maria Ciccacio (secretária).

Editora:
Lizandra Magon de Almeida
Editora Assistente: Claudia Casanova
Editora de Arte: Andrea Melo
Editora de arquitetura e urbanismo: Regina Prosperi Meyer
Colaboram nesta edição: Ana Maria Ciccaccio, Claudia Casanova, Eduardo Fiora, Fábio de Castro, Fábio de Paula, Marcelo Eduardo Leite, Marcus Lopes, Patricia Akinaga, Paula Knudsen e Simon Anholt
Fotografia: Jesus Carlos (Imagenlatina), Marcelo Santos
Tratamento de imagens: Delcine de Assis
Fotolito: Unigraph
Impressão: Takano Editora Gráfica

Redação, Administração e Circulação:
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Fone (011) 3106-8205
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urbs pode ser adquirida através de assinatura e venda avulsa e é distribuida gratuitamente a um mailling especial da Associação Viva o Centro.