ANO IX   -   No. 39   -   outubro / novembro 2005
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Panorama  São Paulo, o grande negócio do Centro

Galeria  City tour diário é lançado em São Paulo
Novo Centro Cultural na Rua Álvaro de Carvalho
Teatro Municipal ganha Central de Produção
115 Anos
Sabores, odores e cores
Até dezembro, cidade sedia Bienal Internacional de Arquitetura
Prefeitura realiza força-tarefa de limpeza
Nova sala é inaugurada no Teatro Fábrica
Shopping de atacado é aberto no Brás
1 ANO é o tempo de funcionamento da Galeria Olido.
Obelisco da Ladeira da Memória está sendo recuperado pela CBA
Corretora Vila Velha adquire prédio no Centro
Prefeitura de Paulínia pretende construir uma pirâmide de cristal sobre o Centro Histórico
Sede da Oficina Oswald de Andrade comemora centenário
Edifício Copan é cenário de comercial para a Coca-Cola Francesa
Na região central, 15 praças e áreas verdes são adotadas
Sede da Oficina Oswald de Andrade comemora centenário

Reportagem  Garagens subterrâneas no Centro (Por Fabio de Paula)
O Exército do Telemarketing
Centro reúne o mundo da Justiça (Por Inës Figueiró)
Financiamento do BID em questão (Por Fábio de Castro)
Reformas e restauros em ação (Por Federico Mengozzi)

Artigos Liderança para servir (Por Waldemar Helena Junior*)
O desafio das metrópoles (Por Sérgio Aguiar Matos*)

Entrevista Entrevista: O centro em horário nobre, com Silvio de Abreu

Idéias A Sé de volta À cidade (Por Tomás Rebollo)
Hotéis da metrópole (Por Ana Carla Monteiro*)

Cultura Crônica dos equipamentos culturais de São Paulo (Por Jorge da Cunha Lima)

Notícias Associação Viva o centro renova Direção para o biênio 2005/2007
Descontração e entusiasmo marcaram a 3ª Convenção das Ações Locais
Camisetas para levar São Paulo no peito
Associação recebe boas notícias para o Centro
Experiência da Viva O Centro atrai pesquisadores estrangeiros
Ações Locais, a representatividade nas urnas
Atentados contra a População de rua em São Paulo. E os culpados ?

Seções Carta ao leitor
Cartas
Mix Mesa
Mix Artes e Espetáculos
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  Carta ao Leitor  


Depois de um ano de governo, a administração de José Serra na Prefeitura de São Paulo deu início a diversos projetos e escolheu o Centro da cidade como uma de suas prioridades. Mudanças na região da Luz, reivindicação antiga da Associação Viva o Centro, estão em curso e vários projetos estão em desenvolvimento, encabeçados pela Subprefeitura da Sé. Mas como acontece a cada nova administração, vários projetos da gestão anterior passam por reavaliação. É o que está acontecendo com o financiamento de US$ 100 milhões aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cujo contrato foi assinado no final da gestão Marta Suplicy. Em matéria nesta edição, conheça os argumentos da nova gestão e as preocupações de quem está envolvido no projeto. Mas, mesmo que as obras que dependem do financiamento do BID estejam em regime de espera, outras continuam em andamento, sejam bancadas pela iniciativa pública ou privada. Nas áreas cultural e jurídica, por exemplo, diversos equipamentos estão em construção ou reforma, acompanhando o fluxo de energia da região. Sempre atenta aos nichos e especificidades do Centro, a revista urbs traz nesta edição duas matérias que fazem recortes peculiares. Em uma delas, mostramos a pujança e a capacidade geradora de empregos do setor de telemarketing, que tem no Centro de São Paulo um grande pólo. E na outra abordamos a vocação jurídica da região, que congrega as principais instituições do Judiciário no Estado. Na entrevista desta edição, um personagem que está colocando a cidade e principalmente o Centro em horário nobre: Silvio de Abreu, o autor de novelas da Rede Globo mais paulistano que há. Nosso sempre observador consultor Jorge da Cunha Lima assina um texto que, assim como as imagens da novela "Belíssima", dá orgulho em todo mundo que gosta de São Paulo. Ele faz um amplo levantamento de todas as atrações culturais da cidade, mostrando que a capital do trabalho certamente também é a capital brasileira da cultura. Desfrutem!

Lizandra Magon de Almeida
Editora



  Cartas  


CASA DA BÓIA

Prezados Senhores,

Manifestamos nosso agradecimento em relação à matéria jornalística sobre nossa empresa na mais recente edição da revista urbs.

O texto objetivo, redigido de maneira hábil e clara, conseguiu sintetizar, em apenas duas páginas, os principais conceitos que norteiam as ações comerciais da Casa da Bóia e a nossa real preocupação na preservação deste patrimônio histórico que congrega o edifício sede, os documentos, objetos e registros centenários de nossa loja.

Associados que somos da Viva o Centro, acompanhamos atentamente as movimentações desta entidade em prol de uma região valorizada, recuperada e digna de representar seu passado histórico, sem, entretanto, deixar de olhar para seu futuro.

É na soma de esforços de todos aqueles imbuídos deste ideal de valorização e preservação de nossa história, que podemos tentar fazer frente aos imensos entraves que, infelizmente, em nosso País se interpõem entre o querer fazer e o real executar das ações de preservação.

Atenciosamente,

Mário Roberto Rizkallah, por carta
Diretor da Casa da Bóia


REVISTA URBS

Acusamos o recebimento e agradecemos o envio do material bibliográfico abaixo discriminado, que em muito enriquece nosso acervo: urbs, a revista da metrópole ano 9 (38) ago/set. 2005

Ana Carvas Monteiro, por e-mail
Biblioteca – Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação


Prezados senhores,

O fundamental trabalho de revitalização do Centro da cidade de São Paulo precisa mesmo do embasamento de publicações como a revista urbs, que, aliás, deveria ser mais divulgada. Parabéns pela publicação!

Sandra Carranca, por e-mail
Funcionária Pública


CORREÇÃO

Recebi nesta data a revista urbs nº 38, de agosto/setembro 2005, e reparei que na matéria "Patrimônio cultural e financeiro" as fotos das páginas 25 (Palácio do Comércio) e 26 (Edifício Henrique de Toledo) foram trocadas. Moro próximo à Rua Martins Fontes e o meu primeiro emprego, aos 14 anos, foi exatamente no edifício da Rua 24 de Maio, 35 – o primeiro edifício de estrutura metálica construído na América do Sul. Hoje estou com 61 anos, e lá se vão mais de 47 anos de sua construção. Saudades...

Abraços,

José Carlos Aloe, por e-mail
Condomínio Edifício Lancaster

Agradecemos ao leitor pela correção


PRAÇA ROOSEVELT

Ao ler a revista urbs nº 38, fiquei surpreso quando na página 14 aparece como uma das conquistas das Ações Locais a reforma da Praça Roosevelt. Sendo comerciante desde 1982, gostaria de saber quando foi feita esta reforma, pois a praça continua em estado lamentável. Peço a gentileza de me informarem sobre este tópico.

Obrigado,

Octavio dos Santos, por e-mail

Caro Octávio,

A pequena reforma empreendida pela Subprefeitura da Sé na Praça Roosevelt, em 2002, é uma das conquistas da Ação Local Roosevelt. Entre as providências tomadas, o pentágono (construção em concreto localizada no topo da praça), por onde passavam menores de rua e até criminosos em busca de esconderijo, foi cercado por grades e passou a ser fechado à noite; houve a retirada de bancos e de uma caixa d’água que se encontravam inutilizados; foi feita a substituição por grades das muretas que impediam a visão do interior do logradouro; promoveu-se a eliminação de obstáculos que atravancavam o lugar; cercou-se uma sobra de terreno nos fundos da praça, na Rua Augusta, para evitar que se transformasse em depósito de lixo; foram instaladas grades de segurança junto aos muros baixos do entorno da praça para maior segurança dos alunos da escola municipal ali existente. Moradores e usuários não assistiam a uma intervenção desse porte havia mais de uma década.


RESTAURANTE-ESCOLA

Caros editores,

Estou escrevendo este e-mail para tirar uma dúvida: na última edição da revista urbs, de agosto/setembro, li um perfil que me interessou bastante: "A arte de ensinar", com o chef Volmar Zocche, que atualmente é professor do Restaurante-Escola.

Gostaria de saber como posso obter mais informações sobre como ingressar neste curso. Vocês poderiam me fornecer telefone ou e-mail de contato?

Agradeço desde já a atenção,

Rodrigo Mazo, por e-mail
Estudante

Caro Rodrigo,

Para obter mais informações sobre o curso no Restaurante-Escola, projeto instalado pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, você deve ligar para o tel. (11) 3115-1101.


  Panorama  
São Paulo, o grande negócio do Centro

(Por Marco Antônio Ramos de Almeida – Superintendente Geral da Associação Viva o Centro.)


Temperamento febril e pujança econômica, cosmopolitismo e mescla étnica e racial, sky line de espigões e grande efervescência cultural: São Paulo está para a América do Sul assim como Nova York para a América do Norte. Aqui, como lá, guardadas as proporções, os negócios são o ponto forte da cidade, a boa gastronomia tem qualidade internacional, toda grife que conquista espaço ganha o mundo, a movimentação no mercado de capitais é termômetro continental e não há espetáculo que decole nacionalmente que não tenha antes cativado a platéia local. Agora mesmo em "Belíssima", a novela das oito na Rede Globo, a cidade de São Paulo e seu Centro Histórico alcançam repercussão nacional.

Com seus 10,7 milhões de habitantes, São Paulo é o núcleo de uma região metropolitana com população de 17,8 milhões e que gera em torno de 18,5% do PIB brasileiro. Seu crescimento explosivo colocou-a como quarta cidade no ranking mundial, atrás apenas de Tóquio, Bombaim e Cidade do México. Como cidade mundial que é, está ao lado de Seul, São Francisco, Toronto, Sidney, Bruxelas, Moscou, Madri e Cidade do México, abaixo apenas de um seletíssimo grupo liderado por Nova York. Numa cidade desse porte, o Centro, além de espaço emblemático, de marca da cidade, apresenta todas as condições para receber ainda mais empreendimentos públicos e privados, uma vez que, em matéria de infra-estrutura não há lugar da cidade mais equipado.

O Centro hoje é bem servido em transporte de massa, concentra o maior número de equipamentos culturais da cidade, é o locus da Justiça e de universidades, de grandes escritórios de advocacia e das ruas de comércio especializado. Com cabeamento ótico para atender às demandas da comunicação em âmbito global sedia as duas Bolsas – Bovespa e BM&F – e voltou a abrigar a sede da Prefeitura e de mais de 20 órgãos superiores das administrações públicas municipal e estadual.

Mais limpo e seguro, o Centro de São Paulo, com parte de seu patrimônio histórico recuperado, ganhando investimentos em comércio e serviços e contando com legislação que favorece o uso mais racional e proveitoso do solo, entra definitivamente na agenda de prioridades dos governos, no imaginário da população e na pauta da mídia. Empresas e instituições já estabelecem parcerias em projetos de melhoramento do espaço público e de implantação de atividades de lazer e cultura, assim como na fixação, ampliação e vinda, para a região, de novos negócios.

O Centro caminha para se tornar um paradigma tecnológico, econômico e cultural. O poder público continua presente e ativo nesse sentido. O exemplo mais recente de intervenções está sendo empreendido pela Prefeitura com o Projeto "Nova Luz". A meta é implantar um pólo de desenvolvimento de softwares na região da Luz e Santa Ifigênia, além de call centers, shoppings, supermercados, hospitais, faculdades, novos hotéis e condomínios residenciais, principalmente voltados à classe média. Há um esforço na tentativa de mudar o perfil socioeconômico do lugar, indispensável à sua recuperação, à criação de empregos, à melhoria urbana.

Ignorar os problemas que persistem, contudo, seria agir como avestruz, e isso não está acontecendo, felizmente. O Centro tem presente e, mais ainda, futuro, se questões cruciais, apesar de complexas, forem encaradas com seriedade, como a dos catadores de recicláveis, arrastando suas carroças pelas ruas; a das pessoas, inclusive crianças, morando ao relento; e a dos camelôs, apropriando-se do espaço público, que têm sido enfrentadas pela Subprefeitura da Sé.

Áreas urbanas centrais não são importantes apenas por seu valor histórico-cultural, nem devem ser "congeladas" por isso em esquemas tacanhos de preservação patrimonial, mas também, e de forma muito especial, são importantes por seu valor econômico. Portanto, não se pode desprezar a infra-estrutura construída no Centro de São Paulo. Um programa que conjuga arrojo tecnológico e modernidade com história e cultura, ou seja, negócios e valores culturais, certamente terá, como ocorre em outras metrópoles mundiais o apoio do grande investimento privado.



  Galeria  
City tour diário é lançado em São Paulo

Desvendar a cidade. Essa é a principal proposta de uma parceria entre o Circuito São Paulo e a Rede Parthenon, que oferecerá um city tour com passeios diários. A idéia é explorar e divulgar a cidade como pólo turístico e não somente de negócios. Os passeios também são indicados para quem mora aqui, mas está sempre com pressa e nunca presta atenção em toda a riqueza cultural e histórica que a cidade oferece. "São Paulo é considerada um dos maiores centros mundiais em gastronomia, diversão e lazer. Como a capital paulista é o principal portão de acesso a visitantes estrangeiros, queremos fazer dela um destino turístico, e não somente uma cidade de negócios ou um acesso para outros destinos", afirma Aldo Almeida, idealizador e diretor do Circuito São Paulo. Oferecido gratuitamente aos hóspedes da rede Parthenon, o city tour é aberto ao público em geral – as saídas custam R$ 30,00; e os passeios são realizados de terça-feira a domingo, das 10h às 13h e das 20h às 23h. Durante a semana o city tour mostra os principais pontos turísticos da cidade – como o Pátio do Colégio (F6), a Catedral da Sé (E7, 14), o Teatro Municipal (D5, 71) e o Mercado Municipal (G4, 59). Aos sábados, o passeio é o Tour das Compras, que visita a Rua 25 de Março (F6, F5) e a Rua José Paulino (D1). Aos domingos o passeio é uma viagem pelo tempo, com direito a guias caracterizados como personagens que marcaram a história de São Paulo: o Padre José de Anchieta, a Marquesa de Santos e o maestro Carlos Gomes. A iniciativa conta com o apoio da SP Turismo e da São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPC&VB). Reservas e informações pelo tel. (11) 5181-9914 ou pelo e-mail info@circuitosaopaulo.com.br

Novo Centro Cultural na Rua Álvaro de Carvalho

Na região central de São Paulo, em um espaço que já abrigou, nos anos 20, uma fábrica de ladrilhos e pastilhas, foi inaugurado o Instituto Cultural Capobianco, que terá uma programação diversa com exposições, palestras, peças teatrais e espetáculos de dança.

Instalado na Rua Álvaro de Carvalho, o espaço é uma iniciativa do engenheiro Julio Capobianco, cujo pai, Remo Capobianco, foi dono da fábrica de pastilhas. O prédio de arquitetura italiana fica na área de entorno de imóveis tombados, e por isso sua reforma precisou de autorização do Condephaat. "O prédio não é tombado, mas não pode ser alterado. Fizemos tudo com um grande cuidado. A fachada do prédio foi mantida e o interior, adaptado", explica o engenheiro.Informações sobre a programação no site: www.institutocapobianco.org.br

Teatro Municipal ganha Central de Produção

Localizada no bairro da Vila Guilherme, foi inaugurada a primeira Central de Produção do Teatro Municipal. Com iniciativa da Secretaria Municipal da Cultura e do maestro Jamil Maluf, atual diretor artístico do teatro, o novo espaço – denominado Central de Produção Chico Giacchieri, em homenagem a um importante cenógrafo do Municipal, falecido em 1985 – tem como principal objetivo permitir o armazenamento dos cenários e figurinos de montagens anteriores, tanto para remontagens no próprio Teatro Municipal como para trocas com outros teatros do país e do mundo.

"A Central de Produções tem um importância vital pois, a partir de sua existência, os cenários e figurinos das produções de óperas e balés passam a ter um lugar seguro para seu armazenamento, visando futuras temporadas e permutas com outros teatros. Além disso, o Municipal passa a produzir seus próprios cenários e figurinos – antes, tudo era terceirizado –, significando uma redução de custos de até 50% no valor dessas produções", explica o maestro Jamil Maluf.

A Central também terá uma equipe que trabalhará em um projeto de catalogação de figurinos do acervo do Teatro. Esse trabalho é coordenado pelo professor Fausto Viana e patrocinado pela Fundação Vitae.

115 Anos

Foram completados pela Bolsa de Valores de São Paulo (E5, 48), a Bovespa, no dia 23 de agosto. Como parte das comemorações, a Bolsa inaugurou a Biblioteca Norberto Bobbio na comunidade de Paraisópolis.

Sabores, odores e cores

O movimento começa antes do sol nascer. Dezenas de carregadores andam por suas instalações para garantir que os milhares de sabores, odores e cores – das mais diferentes partes do mundo – estejam à disposição dos clientes. Frutas secas, antepastos, azeitonas, queijos, vinhos e especiarias exóticas fazem parte de seu cenário, mas o local é famoso também por seu gigantesco sanduíche de mortadela. Inaugurado em 1933, foi recentemente reformado e ganhou um mezanino com oito restaurantes que são disputadíssimos nos finais de semana. Na imagem, um ângulo diferente do Mercado Municipal (G4, 59) de São Paulo. Foto de Flavio Moraes.

Até dezembro, cidade sedia Bienal Internacional de Arquitetura

Começou dia 22 de outubro a 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Com o tema "Viver na Cidade: arquitetura – realidade – utopia", a Bienal busca debater com o público alternativas para se viver melhor nas metrópoles.

Realizada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pela Fundação Bienal de São Paulo, a mostra apresenta 200 trabalhos, que foram selecionados para a exposição geral dos arquitetos, e cerca de mil projetos.

Em cartaz até o dia 11 de dezembro, a mostra está instalada na Fundação Bienal de São Paulo, na Av. Pedro Álvares Cabral s/nº – Parque do Ibirapuera (portão 3). Horário: de 3ª a 5ª, das 12h às 22h; sextas, sábados e domingos, das 10h às 22h. Entrada: R$ 12 (Crianças até 6 anos não pagam. Estudantes, crianças de 7 a 12 anos e maiores de 65 anos pagam meia entrada).

Prefeitura realiza força-tarefa de limpeza

Até o mês de dezembro, um mutirão de limpeza com 100 funcionários está sendo realizado na região central da cidade. Denominado Supersemanas de Limpeza, a operação dividiu o Centro em 16 setores para cada um deles receber, durante uma semana, um trabalho de limpeza concentrado. O processo inclui coleta de entulho manual e mecanizado, lavagem de ruas e monumentos, poda de árvores, corte de grama, pintura de guias e sarjetas, tapa-buraco, retirada de faixas, retirada de objetos volumosos etc.

Mais informações sobre os próximos setores de limpeza podem ser obtidas no site http://www.prefei tura.sp.gov.br/portal/a_cida de/no ticias/index.php?p=3879

Nova sala é inaugurada no Teatro Fábrica

Instalado em um antigo galpão industrial, o Teatro Fábrica inaugurou uma nova sala no mês de agosto. Com capacidade para 80 pessoas, a Sala 2 tem 12x15m e sua ocupação tem sido feita por companhias de teatro que ensaiam, dão cursos e apresentam espetáculos. Sérgio Audi, programador da casa, afirma que a nova sala só vem reforçar a vocação do teatro como um espaço de pesquisa. "O Teatro Fábrica quer ser vitrine do que existe de mais moderno nas artes cênicas. O objetivo dos estudos é sempre o de construir uma coisa nova, diferente de tudo que existe", afirma.

Shopping de atacado é aberto no Brás

Resultado de uma fusão entre o Shopping Pólo Moda e o SP Mega Mix, foi inaugurado no mês de setembro o complexo de moda atacadista Mega Pólo Moda. O empreendimento, com 90 mil m2, tem 400 lojas de roupas, acessórios e bijuterias, um centro empresarial e um hotel com 136 apartamentos administrado pela Hotelaria Brasil.

O objetivo do projeto é alinhar interesses comerciais de quem está ou aporta na cidade para compras à oferta variada de pontos de venda, acomodações, serviços de lazer e segurança. Para a diretora executiva do Mega Pólo Moda, Margareth Scordamaglio, "O complexo se sustenta por si só, porque gera demanda de clientes cativos, que procuram essas facilidades para fazer seus negócios". Localizado no tradicional bairro do Brás, o shopping fica na Rua Barão de Ladário, 566.

1 ANO é o tempo de funcionamento da Galeria Olido.

Inaugurada no mês de setembro de 2004, a casa já ofereceu 265 shows, 450 filmes, oito exposições e mais de 160 espetáculos de dança. Mais de 100 mil pessoas já passaram pelo espaço cultural.

Obelisco da Ladeira da Memória está sendo recuperado pela CBA

Datado de 1814, o mais antigo monumento da cidade, o Obelisco do Piques, vai recuperar a aparência dos seus áureos tempos. Erguido quando a metrópole ainda era a Província de São Paulo, o Obelisco ficava numa região que era ponto de chegada para quem entrava na cidade, com uma visão privilegiada do Vale do Anhangabaú: o Largo da Memória (C6, D6). Com o passar dos anos, o Largo e o monumento acabaram sendo um dos marcos da deterioração sofrida pelo Centro. Constante alvo de depredações e vandalismo, a Ladeira da Memória chegou a ser reformada por mais de uma vez, mas sem manutenções, a região voltou a ficar deteriorada.

A restauração do monumento será feita a partir de uma parceria entre a Companhia Brasileira do Alumínio, do Grupo Votorantim, e do Departamento do Patrimônio Histórico do Município (DPH). Para Antônio Ermírio de Moraes, presidente da CBA, o restauro não representa um custo elevado para a sua empresa se for considerada "a importância dessa iniciativa para a preservação de um monumento como esse para a cidade de São Paulo". Após o restauro, o monumento receberá manutenção constante por dois anos.

Corretora Vila Velha adquire prédio no Centro

Com o objetivo de oferecer uma melhor estrutura aos clientes e aos seus 250 funcionários, a corretora Vila Velha adquiriu e reformou o Edifício São Bartholomeu, na Av. Ipiranga, 313 (B5, D4). Datado de 1939, o edifício de caráter residencial passou por uma ampla reforma de reestruturação, mas preservou e fez uma releitura da fachada original, o que garantiu a preservação do conceito arquitetônico. O processo, denominado retrofit, demorou mais de um ano e obteve autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Com 11 andares e 5 mil m2 de área, a construção teve todas as divisões internas derrubadas e refeitas. As partes elétrica e hidráulica também foram refeitas. O prédio agora comercial ganhou elevadores modernos, sistemas computadorizados de climatização do ar, segurança, prevenção e combate a incêndio.

Prefeitura de Paulínia pretende construir uma pirâmide de cristal sobre o Centro Histórico

Distante 126 quilômetros da capital paulista, a cidade de Paulínia será palco de um projeto inusitado lançado pela Prefeitura: terá uma pirâmide de cristal construída sobre um conjunto de prédios históricos na região central.

A obra polêmica, que tem gerado diversos debates entre os moradores, está orçada em R$ 114 milhões, mas por ora está paralisada por decisão da Justiça. A construção do "manto de cristal" foi contestada pela ONG AMA-Paulínia (Associação dos Moradores Amigos de Paulínia), que propôs a liminar.

Se concretizado, o projeto da pirâmide terá uma área de projeção no solo de 4,1 mil metros e 20 metros de altura. A obra prevê ainda passarelas, mezaninos internos e um mirante no topo da edificação, que terá acesso por rampas e elevadores.

Sede da Oficina Oswald de Andrade comemora centenário

O edifício que abriga a Oficina Cultural Oswald de Andrade está completando 100 anos. Para celebrar a data, uma programação especial está planejada até o final do ano com cursos, exposições e espetáculos.

O prédio, que fica na Rua Três Rios, 363, foi inaugurado em 1905. Em 1986, já como propriedade da Secretaria de Estado da Cultura, passou a abrigar as Oficinas Culturais Três Rios. Em 1990 o nome foi mudado para Oswald de Andrade. A programação está disponível no site: www. cultura.sp.gov.br

Edifício Copan é cenário de comercial para a Coca-Cola Francesa

Com o mote "Coca-Cola Light, leve e intensa", uma produtora francesa utilizou o edifício Copan (B5, 80) como pano de fundo para a gravação de seu comercial. Colette Laisné, diretora de comunicação da empresa, informou que o prédio foi escolhido por sua arquitetura moderna e interessante.

O filme publicitário, que mostra um modelo deslizando pela arquitetura do edifício, também pôde ser visto na televisão brasileira.

Na região central, 15 praças e áreas verdes são adotadas

Acordo entre a Subprefeitura da Sé e a iniciativa privada garantirá que nos próximos três anos 15 praças e áreas verdes da região central tenham a manutenção financiada por empresas parceiras. São elas: Maringá turismo – Praças Dom José Gaspar (C5,C6) e Julio Prestes (C2); Porto Seguro – Praça Princesa Isabel e Canteiro da Avenida Rio Branco (C3,B2); Ameni Arquitetura – Canteiro Av. Paulista; Arlindo Flores dos Santos – Praça Álvaro Cardoso de Moura; Fundação para o Desenvolvimento da Educação – Canteiros do Colégio Caetano de Campos/Praça da República (B5, 77); Prodesp/Poupatempo – Praça do Carmo; Pearson Cotton Services – Praça Renato Martins Filho; Atlas Schindler – Praça Alberto Lion; Ibis Hotel – Praça Coronel Torquato Tasso Neto; Aster Acelub Lubrificantes e Petróleo – Praça Antonio Candido de Camargo; Cia. City de Desenvolvimento – Praça Arquiteto Barry Parker; Shopping Paulista – Praça Oswaldo Cruz; Sindeprestem – Avenida São Luiz (B5); Univinco/Lourenço Chohfi – Praça Ragueb Chohfi (F5).

Em contrapartida, placas publicitárias das empresas – com critérios pré-estabelecidos de quantidade, lay-out e tamanho – poderão ser colocadas na praças. Os novos parceiros somam-se aos 19 que já existiam, entre eles para a manutenção da Praça 14 Bis, da Praça Ramos de Azevedo etc. Ainda existem praças para serem adotadas, mais informações pelo e-mail andregraziano@prefeitura.sp.gov.br

Sede da Oficina Oswald de Andrade comemora centenário

O edifício que abriga a Oficina Cultural Oswald de Andrade está completando 100 anos. Para celebrar a data, uma programação especial está planejada até o final do ano com cursos, exposições e espetáculos.

O prédio, que fica na Rua Três Rios, 363, foi inaugurado em 1905. Em 1986, já como propriedade da Secretaria de Estado da Cultura, passou a abrigar as Oficinas Culturais Três Rios. Em 1990 o nome foi mudado para Oswald de Andrade.


  Reportagem  
PROPOSTA VIVA O CENTRO

Garagens subterrâneas no Centro
(Por Fabio de Paula)

Para atrair mais visitantes ao Centro e atender quem trabalha e mora na região, a Associação Viva o Centro propõe a construção de garagens subterrâneas de porte pequeno e médio, que facilitem ao público desfrutar de tudo o que a região central proporciona.


Mesmo sendo uma região bem servida por todas as modalidades de transporte público, o Centro de São Paulo ainda carece de soluções para atender quem vem de carro. Para a Associação Viva o Centro, a melhor maneira de resolver essa questão é a construção de garagens subterrâneas de pequeno e médio porte, a exemplo do que já existe nas maiores metrópoles do mundo. Paris, por exemplo, tem mais de 60 estacionamentos no subsolo apenas em seu Centro.

A idéia está incluída nas dez propostas apresentadas pela Associação aos candidatos à Prefeitura de São Paulo no final do ano passado e encontrou eco na administração atual. Em junho passado, foi anunciado que a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) se encarregaria de preparar estudos para o lançamento de cinco editais para a construção desse tipo de garagens em locais como Praça João Mendes, Largo do Paissandu, Teatro Municipal e Mercado Municipal. A conclusão dos estudos estava prevista para setembro, mas até novembro as licitações ainda não tinham sido publicadas.

A proposta prevê que as empresas vencedoras terão o direito de explorar o serviço por 30 anos. Segundo o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, "Mercado, Teatro Municipal, Largo do Paissandu e Fórum João Mendes são quatro dos cinco locais já definidos para receber as garagens, por conta da demanda existente". Para ele, as pessoas que trabalham ou utilizam as opções de lazer e serviços do Centro terão mais uma opção de acessibilidade. É por isso que o município decidiu abrir a concorrência pública da construção nos distritos da Sé e República, com a publicação do decreto 45.980, que regulamenta a Lei 13.688, de 2003, que prevê a cessão de áreas subterrâneas para esse tipo de obra.

A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) foi contratada para fazer o levantamento das instalações subterrâneas da região e dos locais com maior carência de vagas de garagem. Após a conclusão dos estudos e da definição dos locais exatos de execução, a Emurb realizará a licitação e será a responsável pela fiscalização das obras. "Mas todos os gastos de construção serão pagos pelas empresas que operarão os estacionamentos", acrescenta Matarazzo. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark), Sergio Morad, é preciso deixar a cargo da iniciativa privada a definição do tamanho do empreendimento, a partir das informações levantadas no estudo. "Não cabe à Prefeitura estabelecer, por exemplo, a quantidade de vagas. É preciso levantar as informações factuais e deixar a cargo das empresas proponentes os estudos de viabilidade", acredita.

A construção de garagens subterrâneas é uma reivindicação que vem de muito tempo. No governo Celso Pitta (1997-2000), por exemplo, foi feita uma licitação para a construção de um grande estacionamento sob a Praça da República. A licitação foi vencida pelo Consórcio República e pouco depois sua responsabilidade foi transferida para a Persa (Participações e Empreendimentos República S.A.). A garagem teria três pavimentos, com um total de 574 vagas.

A Persa apostava no sucesso do empreendimento, mas as obras nunca foram iniciadas e recentemente seu prazo expirou. Em julho deste ano, o Tribunal de Contas do Município (TCM) julgou irregulares os aditamentos dos prazos para a entrega das licenças que a empresa solicitou e com isso o projeto não deve sair do papel. Segundo Sergio Morad, não havia rotatividade suficiente para justificar um estacionamento como o que tinha sido previsto no projeto. Morad afirma que, para que uma garagem subterrânea seja viável, é preciso que combine diversos fatores: rotatividade, tarifa, número de vagas e financiamento. "O tamanho precisa ser compatível com a rotatividade e a capacidade precisa ser estudada em função da ocupação. Para realizar uma obra desse porte, é preciso montar um consórcio e conseguir financiamento e isso tem sido muito difícil", afirma.

É por isso que a Associação Viva o Centro defende a construção de várias garagens, espalhadas por toda a região central, de porte menor, compatível com a rotatividade, em pontos estratégicos, a fim de reduzir as distâncias entre elas e o destino de seus usuários. Para o presidente do Sindepark, o conceito está correto. "O pior que pode acontecer é haver vaga ociosa. Isso não gera os recursos necessários para pagar os investimentos. Conceitualmente, as garagens menores são mais compatíveis com a realidade da região." Hélio Cerqueira, diretor da Estapar – que administra os dois únicos estacionamentos subterrâneos de São Paulo, nos Jardins e no Hospital das Clínicas, em Pinheiros – acredita que esta é a única saída. "Enquanto esse problema não se resolve, o Centro vai se deteriorando. Garagens de boa qualidade atraem um público mais qualificado."

Estacionamentos irregulares

Segundo outro estudo realizado pela Emurb em 2004, a oferta atual de vagas de garagem no Centro é de cerca de 40 mil, mas boa parte delas é irregular. "Entre as empresas que operam os estacionamentos, somente 25% oferecem condições adequadas de atendimento, incluindo o tamanho dos imóveis, a infra-estrutura existente e a segurança para o usuário e para aqueles que circulam em suas imediações", revelou a então presidente da empresa, Heloísa Proença, que deixou o cargo em 1º de setembro.

Também faltam estacionamentos no Centro – a Emurb avalia que o déficit, no ano passado, era de cerca de 10 mil vagas. E é por isso que os irregulares têm proliferado pelas ruas do Centro, especialmente na região do Largo São Francisco, Praça da Sé e nos arredores da Rua 25 de Março. "Mas estamos certos de que as novas garagens subterrâneas induzirão ao fechamento dos estacionamentos irregulares. Experiências nacionais e internacionais comprovam que a oferta permanente de vagas contribui para a valorização urbana e imobiliária nos locais onde elas são instaladas", completa.

Para Sergio Morad, porém, ainda há diferenças muito grandes entre as microrregiões do Centro: "Temos ilhas valorizadas e outras regiões ainda desvalorizadas. Acredito que algumas regiões do Centro ainda não tenham a demanda que se imagina, por isso é preciso que os estudos sejam muito bem feitos. Existem regiões que ficaram tão desvalorizadas que os imóveis acabaram se transformando em estacionamentos como única opção de aproveitamento. Isso significa que a região perdeu comércio, perdeu o que gerava fluxo de pessoas. Nesses lugares você observa um estacionamento do lado do outro – esses estacionamentos são irregulares, mas pior do que isso é imaginar que o imóvel poderia estar sendo usado para outro fim". No caso da tentativa frustrada da Praça da República, Morad acredita que o projeto não vingou justamente porque o entorno da região ainda não absorveria todas as vagas previstas.

O advogado Mauro Finatti, que trabalha no Centro e vai ao Teatro Municipal regularmente, conta que é um fã da região, mas considera absurda a qualidade dos estacionamentos existentes e a dificuldade de acesso de automóveis a determinados locais. "Estacionar nas proximidades do Teatro Municipal, por exemplo, é uma complicação. As garagens que existem são inseguras e cobram até 20 reais por um período de menos de duas horas. E o trajeto até o Teatro infelizmente é perigoso no período noturno." Finatti apóia a construção de garagens na região desde que não prejudiquem a arquitetura local, o espaço público e o meio ambiente. Para ele, se for um projeto bem elaborado, as garagens subterrâneas só trarão benefícios à região central.

Para a Associação Viva o Centro, a construção das garagens também ajuda no processo de retorno do capital privado para o Centro Histórico. A Associação entende que, por conta da carência de vagas de estacionamento, a região perdeu espaço na disputa pelos negócios da cidade, pois na hora de escolher o local de seus escritórios, os empresários preferem edifícios e regiões com boa oferta de vagas de estacionamento. E também existem as pessoas que trabalham em mais de um local e que precisam do automóvel particular para circular, inclusive por locais bem atendidos pelo Metrô. Além de empresários e pessoas que precisam do automóvel para trabalhar, as garagens subterrâneas atenderão à demanda dos usuários de comércio e serviços, e do crescente número de funcionários públicos que trabalham nos setores institucionais do governo recentemente transferidos para a região. A instalação desses estacionamentos também atrairá mais moradores, já que a maioria dos prédios residenciais do Centro não tem garagem.

Subsolo desconhecido

A última iniciativa de construção de garagens subterrâneas em São Paulo, no final dos anos 1990, culminou na execução de estacionamentos sob a Praça Alexandre Gusmão, no Jardim Paulista, e sob a avenida Doutor Enéas Carvalho de Aguiar, que cruza o Hospital das Clínicas, hoje administradas pela Estapar. No pacote das garagens que seriam construídas, havia algumas previstas para a região central, mas elas não chegaram a sair do papel porque não existia um estudo de viabilidade que indicasse com segurança o custo das obras, pois não se sabe exatamente quais são as interferências que existem no subsolo da região central. O construtor fica com receio de iniciar a obra porque não sabe o que vai encontrar. Como toda fiação e tubulações terão de ser remanejados pelo empreendedor, o custo desse serviço teria de ser embutido na tarifa proposta. E a tarifa tem de ser adequada à região. Sergio Morad exemplifica, citando o caso das fibras óticas, cujo custo de remoção é muito alto. Para a Associação Viva o Centro, um incentivo à construção poderia ser o custo do remanejamento ficar a cargo do poder público, o que conseqüentemente reduziria a tarifa e os riscos.

Como a nova licitação ainda não foi definida, uma vez que depende do estudo em andamento, não se pode garantir que as novas garagens sairão do papel. Mas a Prefeitura afirma que está atenta aos antigos impedimentos e a própria Emurb incluiu o levantamento das instalações subterrâneas nesse estudo.

No Centro, também existem duas antigas garagens de grande porte – uma na Praça Roosevelt, sob a marquise de concreto, e outra na Praça da Bandeira, entre o terminal de ônibus e o prédio da Câmara Municipal. Mesmo sem somarem a quantidade de vagas que contemplaria as necessidades dos freqüentadores do Centro, as duas não chegam a ficar lotadas pois são distantes da região dos calçadões, onde a maioria das pessoas trabalha.



Prefeitura já iniciou a regularização dos estacionamentos no Centro

A Subprefeitura da Sé iniciou um plano contra estabelecimentos que funcionam ilegalmente nas ruas Senador Feijó, Riachuelo e Benjamin Constant, e causam transtornos ao trânsito e aos pedestres que circulam em suas imediações. A medida começou com o fechamento de alguns estacionamentos localizados na região, no final de setembro, por não apresentarem a documentação exigida para o funcionamento.

O processo contra os estacionamentos irregulares começou em maio, quando a Subprefeitura da Sé verificou que boa parte dos estacionamentos da região não tinha alvará de funcionamento porque não respeitam a legislação vigente. A maioria deles, por exemplo, abriga mais veículos do que sua capacidade.

Antes de terem seus estabelecimentos fechados, os proprietários foram intimados a encerrar suas atividades ou regularizar a situação das garagens em dez dias. Mas, para conseguirem o alvará de funcionamento, eles teriam que apresentar na Subprefeitura uma planta do local, documentação do número de vagas oferecidas e do seguro. Como eles não conseguiram regularizar a situação dentro desse prazo, os estabelecimentos foram lacrados.


  Reportagem  
TELEMARKETING

O Exército do Telemarketing

Diariamente, milhares de jovens – muitos deles em seu primeiro emprego – rumam ao Centro de São Paulo para assumir seus assentos em postos de atendimento ao consumidor de empresas de todo o Brasil. 

São os atendentes do telemarketing, uma atividade recente, mas que já emprega mais de 550 mil pessoas em todo o País

Com seu nítido perfil de pólo comercial e de prestação de serviços, a região central de São Paulo, até meados dos anos 90, teve no setor bancário o grande núcleo de contratação de mão-de-obra, sobretudo jovens em seu primeiro emprego que buscavam apoio para custear o ensino superior. Essa situação forçava o departamento de Recursos Humanos das instituições financeiras a atuar na permanente expectativa de uma grande rotatividade nos postos de trabalho que exigissem menor qualificação profissional.

A partir da estabilização e desestatização da economia na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, os bancos enxugaram seus quadros, liberando essa jovem demanda para um segmento em ascensão: o telemarketing. Hoje, num arco que vai do chamado Centro Velho (imediações da Rua XV de Novembro), passa pelo Centro Novo (entorno da Praça da República e Barão de Itapetininga) e atinge o Centro Expandido (Barra Funda), milhares de jovens entre 18 e 25 anos colocam em movimento, durante quatro turnos diários, um grande número de empresas de call center, ou centrais de atendimento, sejam elas de capital multinacional ou genuinamente brasileiras.

"O telemarketing já vinha despontando no cenário econômico brasileiro desde a entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor, lei que obrigou as empresas a estruturarem centrais telefônicas para atender as dúvidas e queixas de seus clientes", afirma a vice-presidente da Associação Brasileira de Telemarketing (ABT), Ana Maria Monteiro. "Depois da privatização do sistema Telebrás, no governo FHC, esse mercado deslanchou de vez, com a entrada de grandes players, ligados, justamente, aos grupos que passaram a controlar a rede de telefonia fixa no Brasil."

Segundo a vice-presidente da ABT, como no Centro paulistano não faltava a oferta de linhas telefônicas, a região apresentou-se como forte candidata a receber investimentos por parte da recém-privatizada telefonia nacional. "Abundância de linhas e uma rede consolidada de transporte coletivo foram os fatores determinantes que levaram as operadoras a se instalar nessa área central da cidade para montar grandes estruturas de telemarketing ativo e receptivo", afirma Ana Maria Monteiro.

Vantagens logísticas

Uma das grandes empresas de telefonia desse setor a optar pelo Centro como pólo de seus negócios no ramo do telemarketing foi a Telefônica, cuja subsidiária, a Atento, tem operações em três pontos distintos da região: Praça da República e ruas Líbero Badaró e Marquês de Itu. Além disso, tem outra base operacional na Barra Funda. "Estamos ao lado de corredores de ônibus, de linhas do metrô e de ramais ferroviários. Isso facilita o acesso às nossas bases operacionais", afirma o diretor de clientes, Mário Câmara. Nas três unidades, a Atento emprega cerca de 15 mil funcionários. No imponente prédio da República circulam, diariamente, mais de 5 mil pessoas. "Foi o nosso primeiro endereço aqui no Centro. Era um imóvel construído havia pouco tempo e ocupado pelo Banespa. Fizemos as adaptações necessárias e ainda tiramos proveito de uma situação técnica, pois foi na região central da capital que começaram a ser ativadas as primeiras linhas digitais, o que nos permitiu atuar com maior agilidade."

Outra grande empresa instalada na Praça da República é a Telefutura, que tem como principais acionistas o Grupo Votorantim e o BankBoston. O diretor comercial, João de Faria Daniel, também reforça que a ágil logística de transportes oferecida na região pesou bastante na hora da escolha do local, ideal para a estruturação do site, como são chamados os complexos físicos das empresas de telemarketing. "Já contávamos com a integração entre metrô e trens. Agora, com a implantação do bilhete único nos ônibus, a locomoção de nossos colaboradores de suas casas até a nossa sede ficou mais fácil", afirma Faria. "Essa grande flexibilidade do transporte coletivo é importante, pois trabalhamos 24 horas por dia, sete dias por semana. Além disso, a maioria de nossos funcionários mora na Zona Leste e Norte, e depende do transporte coletivo", acrescenta o executivo.

Na procura de um prédio para a implantação de seus sites, as empresas de call center dão preferência para imóveis que ofereçam grandes lajes, pois o layout das operações requer generosos vãos livres. Segundo Faria, os prédios do Centro apresentavam esse perfil, o que também facilitou a ida da Telefutura para a Praça da República.

No chamado Centro Expandido, o entorno do metrô Barra Funda, onde existe uma interligação com linhas da CPTM, vai ganhando um novo perfil, justamente com a chegada de empresas de telemarketing. A Atento, instalada por lá há vários anos, ganhou, em outubro de 2004, a companhia de um outro peso pesado do setor: a Contax, pertencente ao grupo Telemar. Boa parte das operações concentradas no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, foi transferida para a Barra Funda, onde a empresa encontrou um prédio com todas as características necessárias para a instalação de uma central de call center: amplos espaços, áreas para implantação de lanchonetes, locais de convivência para os funcionários, estacionamento, salas de treinamentos, entre outras comodidades. Nesse site, que ocupa uma área de 20 mil m2, a Contax conta mais de 2 mil posições de atendimento e 3,8 mil funcionários.

A intensa movimentação dessas empresas no Centro da cidade faz surgir uma série de demandas em áreas como segurança e entretenimento. "Mesmo estando perto do Metrô República, temos de acionar um esquema próprio para garantir que os funcionários, no período noturno, cheguem e saiam do nosso prédio sem problemas", afirma João de Faria, apontando para a necessidade de policiamento no local. Situação semelhante, no mesmo horário, ocorre na Barra Funda. Tanto a Contax quanto a Atento adotaram um sistema de transporte em peruas, que fazem o percurso empresa-metrô, com embarque e desembarque dentro da própria estação, já que consideram as ruas da região pouco seguras para o deslocamento de pedestres à noite.

Na opinião dos executivos das empresas de telemarketing, quando se fala em revitalizar o Centro, é preciso levar em conta o perfil das milhares de pessoas que o setor emprega. "São, sobretudo, jovens que, de acordo com as pesquisas feitas pelo nosso departamento de Recursos Humanos, gostariam, por exemplo, de poder contar com salas de cinema nessa área central", afirma Mário Câmara. "Em nossa política de incentivos, distribuímos ingressos, mas temos de optar por salas distantes das nossas sedes e também das residências de nossos funcionários."

Contratações aquecidas

A se considerar as estatísticas, o Centro será cada vez mais um pólo de trabalhadores jovens, já que o setor continua crescendo. Localizado na Rua Galvão Bueno, na Liberdade, o Centro de Solidariedade ao Trabalhador, entidade ligada à Força Sindical, recebe, mensalmente, pedidos de recrutamento para o preenchimento de centenas de vagas na região central por parte das empresas de telemarketing. "Entre as ocupações que mais empregaram ao longo dos sete anos de atividade do Centro de Solidariedade, a função de operador de telemarketing foi a campeã de contratações", explica o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. "Durante este período foram contratados 445.541 trabalhadores, 37,5 mil somente nessa função", acrescenta o sindicalista. A principal exigência para o cargo é ter o Ensino Médio completo e conhecimentos em informática. O salário varia de R$ 500 a R$ 750, além dos benefícios oferecidos pelo empregador.

Mas existem situações em que as vagas oferecidas significam uma maior remuneração. Muitas empresas norte-americanas montam seus centros de atendimento ao consumidor a partir de bases brasileiras. "O que se exige aqui é um candidato com inglês fluente", explica Ana Maria Monteiro, da ABT. Essa segmentação surge como algo bastante promissor. Consultorias dos EUA estimam que, graças aos significativos avanços na área da tecnologia da informação, milhões de empregos locais na área de serviços vão migrar para países em desenvolvimento nos próximos dez anos. Hoje, a Índia é o grande pólo catalisador, mas o Brasil já começa a ocupar espaços. Estimativas feitas pela ABT em 2004 apontavam que as 600 posições de atendimento internacional passariam a ser 5 mil até o final de 2005. Segundo a vice-presidente da entidade, esses profissionais podem ganhar cerca de US$ 500 mensais. Já empresas da área de medicamentos ou alimentos costumam colocar nos seus call centers profissionais dos respectivos setores. Por ser uma mão-de-obra específica, a remuneração, nesses casos, também fica em patamares diferenciados.

Um conceito em ampliação

Foi nos Estados Unidos, nos anos 80, que nasceu o termo telemarketing, como sinônimo de vendas por telefone. Nessa época, administradoras de cartão de crédito e editoras iniciaram a atividade no Brasil como mais um canal de vendas. Com o Código de Defesa do Consumidor, aprovado em 1990, as empresas foram obrigadas a prestar assistência aos seus clientes e a manter de plantão equipes que pudessem resolver problemas, ouvir reclamações e até receber elogios. Começaram então a ser criados os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Ainda na década de 1990, surgiu o termo call center, significando central de atendimento, que passou a ser utilizado nos diversos segmentos de mercado: comércio, indústria e serviços. O serviço de marketing por telefone passou a extrapolar o domínio das vendas e das centrais de reclamações. Pesquisa, cobrança, agendamento de visitas para vendedores, retenção de clientes, help desk e pós-venda também passaram a ser atribuições do setor.

No início, as empresas mantinham internamente o serviços. Mas a necessidade de reduzir custos fixos e a tendência a concentrar os esforços no negócio principal fizeram com que muitas delas começassem a terceirizar esse tipo de serviço, o que abriu espaço para a criação de empresas especializadas no atendimento ao consumidor. Hoje, as centrais oferecem equipes treinadas especificamente para resolver dúvidas a respeito de um produto ou de uma linha. Em busca da redução de custos é que multinacionais estão procurando esse tipo de serviço em países em desenvolvimento.

Com o advento do CTI (Integração do Computador à Telefonia), as empresas passaram a tratar melhor a sua base de dados, possibilitando agregar fax, conectar-se à Internet (contact center) e oferecer melhores serviços aos clientes. Hoje, o termo telemarketing pode ser entendido como toda e qualquer atividade desenvolvida através de sistemas de telemática e múltiplas mídias, objetivando ações padronizadas e contínuas de marketing. Nos EUA, o setor gera uma receita bruta anual de US$ 435 bilhões e emprega 4 milhões de pessoas, que fazem mais de 100 milhões de ligações por dia. No Brasil estima-se em R$ 67,4 bilhões representando 6,3% do PIB, empregando mais de 550 mil pessoas responsáveis por mais de 10 milhões de ligações diariamente, segundo a ABT. No total, existem no país 70 mil empresas que atuam na área de telemarketing, sendo 60% no Estado de São Paulo.



Desdobramentos profissionais

A grande concentração de empresas de telemarketing no perímetro central da cidade abre espaço para que um outro grupo de profissionais passe a atuar com maior freqüência nessa região: os fonoaudiólogos. Chamados a intervir no desenvolvimento das habilidades de comunicação (saber falar e ouvir corretamente) eles encontraram nos call centers um novo nicho de atuação no mundo corporativo. "Abriram-se portas em empresas prestadoras desse serviço e também em importantes instituições financeiras, que mantêm suas operações de atendimento ao consumidor no Centro de São Paulo", afirma Renata Garcia Allozza, diretora da Comunik, assessoria especializada em fonoaudiologia. Segundo ela, a atuação do fonoaudiólogo no ramo do telemarketing justifica-se pelo fato de os dois grandes patrimônios dos operadores serem justamente a voz e audição, um conjunto que permite a realização de diversos trabalhos educativos, preventivos e corretivos. Allozza alerta que quem passa 6 horas por dia ao telefone tem de saber como lidar com os mecanismos desse conjunto para, de um lado, atuar com desenvoltura e segurança junto aos clientes que atende diariamente, e, do outro, poder cuidar da própria saúde vocal e auditiva. "Procuramos mostrar que recursos podem ser aprimorados, como, por exemplo, entonação e impostação da voz, capacidade auditiva, entre outros. Tudo deve caminhar em harmonia, gerando uma imagem positiva perante o cliente que está do outro lado da linha", afirma a fonoaudióloga. A prática politicamente correta no segmento de telemarketing deveria induzir as empresas do setor a realizar testes regulares de audiometria nos profissionais que lidam com o teleatendimento. Mas nem sempre isso ocorre. "Esse exame é feito no momento da contratação e precisa ser realizado periodicamente. Porém, ainda existem empresas do setor que não agem dessa maneira", diz Renata Allozza. Mas não é só a essa área mais diretamente ligada à saúde que se restringe a interação do fonoaudiólogo com o universo do call center. Como atuam com conceitos de comunicação, esses profissionais, muitas vezes, são chamados a intervir na elaboração dos roteiros que auxiliam os operadores. "Hoje já não se aceita mais um diálogo robotizado entre a central e o cliente. Assim, procuramos incentivar a criação de roteiros baseados numa comunicação humana e agradável", explica a diretora da Comunik.


  Reportagem  
CAPA

Centro reúne o mundo da Justiça
(Por Inës Figueiró)

Uma característica das grandes metrópoles é ter seus serviços jurídicos e de administração concentrados na região do Centro tradicional.


O Centro de São Paulo não só repete essa caracterização, como tem no setor jurídico o responsável, até hoje, por boa parte de sua movimentação

Não se tem dados exatos de quantas pessoas diariamente se dirigem à região com uma motivação relacionada a um dos muitos aparatos jurídicos que ali se encontram – tribunais, fóruns ou escritórios de advogados. Mas uma análise superficial mostra que esse número é significativo. Para se ter uma idéia, só pelo Fórum João Mendes Júnior, maior Fórum do País, localizado na praça homônima, calcula-se que passem, diariamente, 12 mil pessoas. O imponente prédio de 24 andares reúne 12 varas de família, duas de registros, duas de falência e recuperação, uma de hastas públicas, uma vara de infância e juventude e também 42 varas cíveis. Na região da Sé também se encontra outro prédio de peso: o Palácio da Justiça. é nesse prédio de estilo neoclássico, localizado a poucos metros do Marco Zero da Praça da Sé e onde trabalham cerca de 2 mil pessoas, que se reexaminam as sentenças proferidas pelos juízes de primeira instância. Só a soma do número de funcionários presentes nesses dois equipamentos totaliza quase 5,5 mil pessoas.

Ainda nessas redondezas, quem anda por ali encontra a sede da Ordem dos Advogados – seção São Paulo. A entidade está sediada na Praça da Sé, número 385, desde 1954. Sua presença na região central, contudo, data da sua criação, em 1932. "A OAB mudou de endereço duas vezes até chegar a ter sua sede própria, mas sempre ficou pelo Centro. Estar na região central da cidade diz respeito à tradição", explica o presidente da Comissão de Resgate da Memória da Ordem, Fábio Trombetti. Ele destaca que estar a um passo do Tribunal de Justiça é emblemático. "É o advogado perto da Justiça. Um não existe sem o outro", ressalta.

Além do prédio central, a OAB tem uma biblioteca na Praça João Mendes, salas na Praça da Sé e dois prédios próprios no Largo da Pólvora, onde funciona a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, voltada a socorrer advogados com problemas de saúde e incapazes de trabalhar. É em um desses prédios que funciona a Escola Superior de Advocacia (ESA), responsável por ministrar cursos de aprimoramento realizados pela OAB.

Há três anos, outra entidade da classe, a Associação dos Advogados de São Paulo, que reúne cerca de 83 mil profissionais de todo o Estado, decidiu mudar-se para a região central. O prédio da Vila Mariana foi mantido, mas com o funcionamento apenas administrativo. Segundo José Diogo Bastos Neto, presidente da Associação, que funciona no antigo prédio da Bolsa de Valores, a transferência para o Centro fez com que a afluência de pessoas à sede da entidade aumentasse significativamente. No ano passado, os cursos de aperfeiçoamento profissional realizados pela entidade reuniram um total de 10 mil alunos. A expectativa para este ano é que chegue a 12 mil alunos. O advogado conta também que a vinda para o região central significou uma mudança na cultura e na filosofia da entidade. "Essa nova casa é agradável e, por isso, vem sendo muito freqüentada. Antes não existia esse hábito", revela.

"O acesso ao Centro é fácil e ainda oferecemos segurança, que mantemos na rua, entre o prédio e o metrô, no horário dos cursos", conta Bastos Neto. O dirigente é um entusiasta da região. "Não imagino minha vida fora daqui", conta o advogado que mantém seu escritório na região central há 20 anos e não cogita, de forma alguma, mudar. Estar no Centro, onde circula um número significativo de advogados, permite, de acordo com Bastos Neto, muito contato com os colegas. "Encontro com eles na saída para o almoço", destaca.

A escolha pelo imóvel na região central obedeceu ao critério de preço e espaço disponível e também de localização. A mudança para o antigo prédio da Bolsa de Valores – datado de 1940 – promoveu uma grande revitalização do imóvel, que passou por um processo de modernização e ganhou, entre outros elementos, dois pavimentos – originalmente o prédio tinha 7 andares – e uma área central livre. Na reforma, as janelas foram substituídas por caixilhos de alumínio, os dois elevadores existentes foram modernizados e um novo foi instalado. A imponente porta original foi conservada e para mantê-la foi instalada uma antecâmara de vidro transparente e uma segunda porta com abertura e fechamento automático.

A atual sede da Associação tem 8 mil metros quadrados e abriga uma biblioteca com 25 mil obras, quatro auditórios com capacidade total de 600 pessoas e um outro maior, com 350 lugares. Há ainda um posto da Junta Comercial funcionando no prédio e uma sala de apoio para os advogados, usada principalmente pelos sócios que vêm do interior, e que, segundo o dirigente, respondem por metade do total de membros da AASP.

A facilidade de acesso, os preços mais baratos dos imóveis e a tradição jurídica do Centro estão levando escritórios a retornarem para a região, pelo menos com parte de suas atividades. Esse é o caso do Demarest & Almeida, que em 1995, depois de 27 anos na região, se transferiu para o bairro de Pinheiros. No ano passado, o escritório voltou para a região central com uma filial na rua Líbero Badaró, que este ano está sendo ampliada. Ali trabalham 150 pessoas entre advogados, estagiários e funcionários administrativos. "O Centro fez falta", declara Orlando Di Giacomo Filho, um dos sócios mais antigos. Existem também as sociedades de advogados que estão lá há muito tempo, como o escritório Pinheiro Neto, na região há 60 anos, ou o Machado Meyer, no Centro há 30 anos.

Quem também está de malas prontas para a área central é o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que está deixando o prédio na Bela Vista e se transferindo para a Rua Dr. Falcão Filho, ao lado da Prefeitura. "Até o final do ano devemos nos mudar", afirma o presidente do TRE, desembargador Alvaro Lazzarini. A mudança deveu-se à necessidade de um espaço maior. O prédio encontrado, segundo o dirigente, oferecia espaço, bom preço e o metrô praticamente na porta, o que facilitará a movimentação dos cerca de mil funcionários que serão transferidos para o novo prédio.

Essa corrente de mudanças para o Centro deve trazer ainda um grupo de desembargadores do 2º Tribunal de Alçada Criminal para as proximidades do Tribunal de Justiça, além da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). "A PUC Centro vai existir", declara o chefe de gabinete do reitor, Guilherme Gomes. O professor, contudo, explica que ainda não estão definidos os cursos que terão parte de suas classes no prédio conhecido como Palacete do Carmo – está em estudo uma parte da Faculdade de Direito – que será restaurado para receber a escola. O projeto inclui ainda um centro cultural. Além da restauração dos prédios antigos, um novo espaço interligado será construído (a urbs 37 traz uma reportagem sobre o assunto). "O Centro é privilegiado em transportes e equipamentos jurídicos", afirma Gomes.

E não pára por aí. A dimensão de "pequenos municípios" que muitos desses órgãos públicos representam responde por boa parte da vida do Centro paulistano. Além da movimentação de desembargadores, juízes, advogados – dados de pesquisa feita em 1999 pela OAB indicavam a presença de 4.248 advogados atuando na região – e dos demais funcionários empregados nesses equipamentos, eles geram ainda uma movimentação de comércio com sebos, papelarias, operadores de máquinas de copiar, restaurantes e uma série de outros serviços que vivem dessa movimentação.

A academia do Direito

Ao lado da Faculdade de Olinda, o curso de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco, hoje integrante da Universidade de São Paulo, é o mais antigo do Brasil.

As comemorações dos 178 anos da Faculdade e 102 anos do Centro Acadêmico XI de Agosto movimentaram a região em agosto com conferências, homenagens e premiações. O ponto alto, no entanto, foi a inauguração da restauração do "Pátio das Arcadas" e o lançamento do Juizado Especial Cível do Largo de São Francisco.

O Pátio das Arcadas é um dos grandes símbolos da Faculdade de Direito da USP, pois está entre os lugares que permaneceram após a demolição do antigo prédio, que abrigou o Convento de São Francisco. Com a demolição, realizada em 1933, além do Pátio das Arcadas só restaram o relógio, o pátio menor e a tríade dos poetas românticos. Com a autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), todas as fachadas internas e externas da Faculdade do Largo São Francisco estão sendo restauradas. O trabalho começou em maio de 2004 e deve ser completado até novembro deste ano.

O custo inicial da obra foi de R$ 1,5 milhão. O lançamento do Juizado Especial Cível complementa os serviços oferecidos pelo Departamento Jurídico XI de Agosto, que há mais de 85 anos tem por finalidade aliar formação acadêmica à prestação de serviço judiciário à população.

O atendimento será feito por estudantes, supervisionados por encarregados do estágio e por funcionários do Juizado.

Estarão disponíveis serviços desde consultas e orientação geral sobre como conseguir documentos para entrar com uma ação até informações sobre o andamento do processo para quem já tem ação em trâmite. O Juizado Especial Cível julga causas que envolvam até 40 salários mínimos. Pautado pelos artigos da Lei de Assistência Judiciária Gratuita, o atendimento será voltado a pessoas de baixa renda e as causas a serem atendidas, neste juizado, serão as do âmbito civil e consumidor.


  Reportagem  
INVESTIMENTO

Financiamento do BID em questão
(Por Fábio de Castro)

Com a mudança de gestão na Prefeitura de São Paulo, o programa de investimentos para o Centro com os recursos do financiamento de U$ 100 milhões do BID está passando por uma revisão. Quase um ano depois do início do mandato de José Serra, as indefinições sobre o novo formato do programa ainda são muito grandes.


O programa de obras e ações a serem executadas no Centro com os recursos do empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está passando por uma reformulação, e o debate em torno dos rumos que ele deve seguir está esquentando. O empréstimo foi obtido no fim da gestão Celso Pitta, quando, no bojo da renegociação da dívida do município com o Governo Federal, ficou acertado que a Prefeitura poderia contrair um empréstimo de US$ 100 milhões com BID para a execução de um programa de obras na região central. Durante a gestão Marta Suplicy, o programa original foi reformado resultando num conjunto de cerca de 130 ações e projetos que somariam um montante final de U$ 168 milhões. Isso porque, ao empréstimo do BID, se deveriam somar, em contrapartida ao financiamento, mais US$ 68 milhões da Prefeitura – originalmente o valor da contrapartida era maior, cerca de U$ 80 milhões. Até o fim de 2004, já haviam sido investidos aproximadamente US$ 20 milhões desses recursos. Com o início da gestão atual, a nova equipe responsável pelo programa levantou uma série de dúvidas em relação às prioridades ali estabelecidas.

A equipe que trabalhou na reformulação do plano na gestão de Marta Suplicy defende a coerência e a integração das ações do programa resultante desse trabalho, criticando sua suspensão. Segundo a ex-presidente da Emurb, Nadia Somekh, que coordenava o programa na gestão anterior, a cidade pode perder com a suspensão das atividades. "Estou extremamente preocupada com o andamento do programa. Não porque haja atraso – um projeto urbano dessa dimensão normalmente leva décadas para ser implementado – mas porque o processo foi parado."

A atual gestão, do prefeito José Serra, sustenta que os projetos não estão parados, mas que passam por uma imprescindível reavaliação. Imprescindível porque as ações não estariam bem articuladas e teriam suas prioridades mal dimensionadas. Além disso, argumenta-se que o volume dos recursos disponibilizados pelo BID diminuiu substancialmente com a desvalorização do dólar em relação ao real: quando o empréstimo foi concedido, os US$ 100 milhões valiam cerca de R$ 350 milhões, enquanto aos valores atuais não chegam a R$ 240 milhões.

Nadia afirma que, apesar dos recursos do BID serem aparentemente vultosos, eles são tímidos diante do que precisa ser feito no Centro e o programa depende de uma busca constante de novos investimentos. "O Ação Centro [nome pelo qual o programa foi batizado na gestão Marta] é um processo complexo, composto de várias ações que, mais do que investimentos definitivos, alavancam novos investimentos. Ele demanda um alto esforço de gestão. É um projeto motor e não poderia ficar parado – principalmente porque deixamos tudo engatilhado e conseguimos aprovar este financiamento de US$ 100 milhões do BID em tempo recorde", afirma.

O ex-presidente do ProCentro, organismo que desenvolveu o programa durante a gestão Pitta – e que serviu de matriz para o Ação Centro –, Sanderley Fiusa, afirma que, no fim da gestão Pitta, o governo municipal já estava pronto para captar os recursos e dar início aos processos de licitação, mas uma crise política paralisou a Prefeitura. "Não havia ambiente. Embora a crise não envolvesse a Secretaria de Habitação, à qual se vinculava o ProCentro, seria impossível convencer a opinião pública de que, àquela altura, se tratasse de uma iniciativa correta". Fiusa, que se responsabilizou pessoalmente por buscar o contato com o BID em Washington (EUA), diz não ter acompanhado "o desdobramento do programa após o fim da gestão Pitta". Já Nadia Somekh afirma que o novo programa é uma completa reorganização do elaborado pelo ProCentro. "Achamos que o programa do ProCentro era muito limitado porque não permitia a participação de todas as entidades da sociedade civil organizada", afirma.

Na gestão José Serra, a coordenação do Ação Centro passou para a Subprefeitura da Sé. O engenheiro Antonio José Zagatto, assessor da Subprefeitura, confirma que a atual gestão ainda não gastou nada dos recursos do BID, mas questiona o detalhamento dos projetos deixados pelo programa original. "Até queríamos imprimir urgência em algumas das 130 ações do programa apresentado ao BID. Mas na maioria delas havia apenas diretrizes do projeto básico – não havia projetos num grau de detalhamento suficiente para os processos de licitação. Esses processos são longos e gastamos tempo com eles. Tivemos que detalhar, por exemplo, os projetos de reformas das praças, que já estão avançados."

Um exemplo da necessidade de reavaliação, segundo o engenheiro, é o projeto de rótula e contra-rótula, que pretendia levar todos os ônibus do Centro para o canteiro central das avenidas. "Precisamos estudar isso melhor. O conceito é correto, mas, hoje, tomar uma decisão dessas seria uma temeridade. Ao fazer corredores, dificulta-se a passagem dos veículos de um lado para o outro da pista. Precisamos levar em consideração a fluidez do trânsito."

De todos os projetos em reformulação, o maior é o dos "piscinões" na Praça da Bandeira e na Praça 14 Bis. "Esses projetos, já colocados para o BID, envolviam um volume muito grande de recursos. A Prefeitura está avaliando soluções alternativas que sejam mais econômicas e que também causem um volume menor de interferência na circulação do Centro."

Os projetos de reurbanização e paisagismo das praças da Sé e da República, que consumiriam R$ 4,5 milhões e estão quase prontos, são outro exemplo da reavaliação. "O projeto da Praça da República teve de ser repensado em face das obras do metrô. O projeto da Sé está sendo revisto para deixar a praça mais transparente à vista, facilitando a manutenção. Além do paisagismo, vamos fazer iluminação, drenagem e reformular a ocupação."

Também está sendo repensado o projeto de readequação do edifício do Palácio das Indústrias, onde, segundo o programa, seria implantado o Museu da Cidade. "A idéia é desistir do museu e instalar outra atividade que atraia bastante gente. Achamos que a cidade já tem muitos museus e pouca visitação – e esse não tem nem acervo significativo. Ali é um local onde precisamos criar vida. A idéia mais provável é o Museu da Criança, modelo inspirado no conceito americano de Children Museum", afirma Zagatto. Apesar de trazer o termo "museu" no nome, trata-se de um espaço de exposição de tecnologia, com atividades educacionais, físicas e culturais voltado para o público infantil.

Segundo o engenheiro, o modelo se assemelha à Estação Ciência, da Universidade de São Paulo. O novo projeto, entretanto, sofrerá uma redução drástica de investimento. "Tinham sido reservados R$ 20 milhões para a readequação do Palácio das Indústrias e da Casa das Retortas, mas deve haver um corte de até 80%. Faremos basicamente uma manutenção bem feita do edifício e o museu será bancado pela iniciativa privada", completa.

O abrangente conjunto de intervenções previsto no programa Ação Centro se divide em cinco eixos principais: recuperação de áreas degradadas, melhoria da qualidade ambiental, fomento da pluralidade econômica, inclusão social e reversão do esvaziamento residencial do Centro. "O programa é bom e a divisão nos cinco eixos é ideal", afirma Zagatto, "mas precisamos de uma reformulação dos projetos para buscar uma melhoria dos resultados finais a serem obtidos com esse dinheiro. Gastando em 130 ações com pouca articulação entre si, teremos pouco impacto. Havia muita colagem. Queremos montar um programa mais integrado, mais coerente e mais sistêmico", diz.

A ex-presidente da Emurb, no entanto, acredita que a característica principal daquele programa era justamente a articulação entre as ações. "O programa foi um esforço de coordenação de tudo o que já vinha acontecendo no Centro, mas com o foco definido para atingir os objetivos de recuperar a área – chamo a atenção para isso, não se trata de revitalizar. O Centro tem vida: temos 2 milhões de habitantes que passam por lá todos os dias. Precisávamos de um planejamento para restaurar a região naqueles cinco eixos."

Habitação e inclusão social

Uma das principais discussões suscitadas pela revisão do programa pela atual coordenação do Ação Centro diz respeito às questões de transformação do perfil econômico, recuperação da função residencial e inclusão social. O responsável pela reavaliação do plano, Antonio José Zagatto, considera que a versão original não condiz com a idéia, fundamental nas diretrizes do programa, de pensar o Centro como um espaço de todos. "Havia uma grande ênfase para habitação de baixa renda. Acreditamos que deve haver preocupação com os diversos níveis de renda. Achamos também que a solução da questão habitacional passa pelo uso de recursos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e não só do BID. Queremos ainda direcionar parte do aporte de investimentos privados para atividades que venham a melhorar os espaços públicos da região."

Weber Sutti, técnico do Instituto Pólis que acompanhou todo o programa e participou do Fórum do Ação Centro, acha que o programa original tinha grandes qualidades e defeitos, mas teme que a reavaliação vá suprimir do programa justamente os projetos que garantiam alguma proteção da população de baixa renda nos destinos do Centro. "Estamos muito preocupados. O programa original já era tímido neste aspecto. As diretrizes exigidas pelo BID trabalhavam com a idéia de recuperação do investimento com o aumento do IPTU da região. Quando se trabalha na perspectiva de aumento do valor imobiliário, é inevitável que se expulse a população pobre", pontua.

A conseqüência, na avaliação de Sutti, é que a população mais carente será expulsa de onde existe a maior parte de infra-estrutura de transporte e empregos. "Sabemos o que acontece nesses casos. Excluída do Centro, essa população vai ocupar áreas de mananciais, favelas e rios, como aconteceu historicamente. Política de habitação ali é fundamental."

Nadia Somekh, ex-coordenadora executiva do programa, concorda com a avaliação de Zagatto sobre a necessidade de equilíbrio, mas não acha que o Ação Centro tenha privilegiado demais a habitação popular. "Não precisamos excluir o povão, mas o Centro não é só deles também, é de todas as classes sociais. As ações de habitação para os mais pobres têm subsídios. O uso residencial faz parte dessa lógica de usos e atividades no Centro. Para os mais pobres havia o programa ‘Morar no Centro’, com recuperação de edifícios de pequenos apartamentos, para fazer com que essa camada permanecesse ali", lembra Nadia. O "Morar no Centro" foi o primeiro projeto a receber os recursos do BID, para finalização do conjunto habitacional do Parque do Gato.

Zagatto considera que os projetos sociais estão incluídos na revisão já que, assim como o programa de modo geral, eram bastante esparsos. "Havia muitos projetos soltos. Estamos integrando os projetos deste eixo com o Monumenta e o projeto da Região Santa Ifigênia-Luz. Pretendemos desapropriar alguns edifícios para construção de edifícios residenciais e mistos."

"O que a equipe responsável pela revisão do programa considera como ‘projetos soltos’ pode ser também encarado como uma somatória de ações coordenadas que fazem melhorar a vida do local", rebate Sutti, o técnico do Pólis. Mas, na sua opinião, o que causa mais temor é que a reavaliação resulte num Centro mais elitista. "Todos os mecanismos de controle da sociedade civil foram extintos desde o começo do ano.

A comissão executiva provisória e o Fórum Ação Centro não foram mais convocados. Já oficiamos a Emurb e não tivemos resposta. A falta de qualquer interface pública preocupa. Estão rediscutindo, mas não se sabe com que parâmetros, com que estudos e com qual redirecionamento. Temos medo de que a reavaliação seja mais um fator de higiene social que hoje vemos no Centro."

Mecanismos de Participação

Nadia ressalta que a concepção do programa incluiu mecanismos para evitar sua interrupção em caso de mudança de gestão, entre elas a definição de uma coordenação executiva (vinculada à Emurb, agora à Subprefeitura da Sé) e a criação do Fórum Ação Centro, para garantir a participação da sociedade civil – e que inclui a Associação Viva o Centro – e o próprio monitoramento do BID conforme os desembolsos feitos pela Prefeitura em função das necessidades do projeto. "Minha preocupação é que o Fórum não se reuniu mais desde o começo do ano. Isso acarreta uma falta de transparência na gestão dos recursos – o Fórum foi nossa maior conquista. Não sabemos com que critérios eles estão reavaliando o programa."

A criação do Fórum Ação Centro, na opinião da ex-presidente da Emurb, comprovou que havia coerência entre os objetivos do programa e os anseios da sociedade. "Havia uma mobilização de movimentos populares, de moradia, empresários, tentando resgatar o que entendemos que é o conceito de Centro: um lugar de diversidade de atividades e de classes sociais. Constatamos que nos últimos anos o Centro veio se popularizando por uma série de fatores. O que tentávamos era devolvê-lo para todos os cidadãos. Ele não é nem das elites, nem só dos pobres. Todo mundo gosta do Centro. A imprensa também ajudou a construir uma confiança nesse programa."

Zagatto acredita numa reconvocação do Fórum depois de concluída a montagem do novo programa que, para ele, é uma questão de responsabilidade pública. "Estamos fazendo isso de comum acordo com o BID e provamos que é essencial. Além do fato básico de que temos menos dinheiro para gastar por causa do câmbio, não se pode esquecer que esse dinheiro é de financiamento, não de orçamento fiscal proveniente de tributos. A Prefeitura vai ter de começar a pagá-lo em alguns anos. Se não usarmos esses recursos financeiros de forma muito cuidadosa, vamos complicar a situação financeira da Prefeitura", argumenta.



Participação Necessária

A Associação Viva o Centro foi criada em 1991 com a precípua missão de articular a participação da iniciativa privada e da sociedade civil organizada nos esforços pela recuperação do Centro de São Paulo por meio de ações próprias e de parcerias com o poder público em todos os seus níveis. Em 1993, o executivo municipal, por proposta da Viva o Centro, criou o ProCentro para coordenar e harmonizar, no âmbito municipal, as ações de recuperação do Centro. Desde então, a Viva o Centro participa desse organismo, o que facilitou em muito a mediação entre seus associados, a comunidade da área central e o poder público. Foi no âmbito do ProCentro que se entabularam as negociações para o empréstimo de US$ 100 milhões do BID para as ações de recuperação do Centro.

Na gestão Marta, o ProCentro mudou de nome tornando-se Ação Centro. Desde a posse da nova gestão municipal, no entanto, tal organismo não se reúne, o que contraria seu próprio propósito. Para o encaminhando das questões do dia-a-dia de cada microrregião do Centro, a Associação criou, em 1995, o Programa de Ações Locais. Hoje, mais de 4.000 empresas, entidades, condomínios e moradores participam de mais de 40 núcleos de Ações Locais, que funcionam como interlocutores de cada rua e de cada praça do Centro de São Paulo com a Viva o Centro e o poder público.

Para agilizar ainda mais esse processo, a Associação propôs à nova gestão municipal a criação de 12 microrregiões em um programa de supervisão urbana do Centro de São Paulo, objeto de reportagem publicada na edição anterior de urbs. Todas essas formas de participação estão amplamente descritas no site www.vivaocentro.org.br. Portanto, o que não falta é comunidade articulada para um diálogo eficiente e proveitoso com o poder público.


  Reportagem  
CAPA

Reformas e restauros em ação
(Por Federico Mengozzi)

Obras restauradas, adaptadas ou construídas mostram que a região central está viva e que esbanja dinamismo. O abandono cede lugar a investimentos públicos e privados, que estão recuperando edifícios, requalificando-os ou erguendo novas instalações


Os exemplos são vários. A fachada da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi restaurada e revela, em vez da cor indefinida – cor de poluição – um tom bem claro de cinza. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) comprou um prédio de 12 andares e se prepara para inaugurar sua nova reitoria na Rua Quirino de Andrade. A Estação da Luz da Nossa Língua será inaugurada até dezembro e formará com a Pinacoteca do Estado e a Sala São Paulo um dos principais pólos culturais da cidade.

Há muito, a Faculdade de Direito, desde 1828 instalada no Largo de São Francisco – a ponto de se apropriar do nome do logradouro – pedia um restauro. A Universidade de São Paulo empenhou-se e aceitou o desafio, que foi feito de cima para baixo, pois os pináculos estavam caindo. Sem os andaimes e as telas de proteção, a fachada mostra um desconhecido cinza-claro e o Pátio das Arcadas, um dos pontos remanescentes do prédio original, está renovado. Segundo o diretor da Faculdade, Eduardo César Silveira Vita Marchi, que faz parte do novo Conselho Diretor da Associação Viva o Centro, as Arcadas, que sobreviveram às provas do tempo – passando por manifestações, incêndios, revoluções – agora estão renovadas e continuam a simbolizar a "luta pela liberdade, pela democracia e pelos direitos dos cidadãos". Acredita-se que o restauro contaminará, no melhor sentido do termo, os prédios adjacentes, como, num dos extremos do largo, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, com sua elegante arquitetura art nouveau de derivação austríaca.

Educação: área agitada

É justamente no campo da educação que o Centro apresenta mais novidades. Na Praça do Patriarca, a Fundação Armando Álvares Penteado reformou o edifício Lutetia, dos anos 20, e começa a empreender a Residência Artística – Faap, inspirando-se na Cité Internationale des Arts, de Paris, na qual artistas de todo o mundo permanecem por um tempo determinado para aprimorarem seus trabalhos em um ambiente de intercâmbio cultural. O edifício tem oito pavimentos, além de térreo e subsolo. A fachada foi preservada e o interior remodelado com novos sistemas elétricos, hidráulicos e de ar-condicionado, redes de cabeamento de lógica e telefonia, instalando-se dez lofts, dois por andar, mais salas de exposições, lounge e livraria (veja matéria completa na edição 37). A primeira artista, a escultora francesa Rachel Poignant, já se instalou no edifício e ficará por aqui, vivendo e trabalhando, até o final do ano. Para 2006, já há duas residências fechadas para a permanência de três a seis meses. Para Marcos Moraes, coordenador do curso de Artes Plásticas da Faap, o projeto está na fase experimental e sua implantação será gradativa. "Estamos inaugurando um conceito novo, que certamente contribuirá, ao trazer artistas de várias áreas, para a requalificação do Centro."

Por sua vez, o campus da tradicional Universidade Mackenzie, no Centro expandido, passa por uma ampliação e está ganhando, no complexo da Consolação, um edifício de nove andares para abrigar até 4,5 mil alunos.

Perto da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, na Rua Quirino de Andrade, a Unesp instala, a partir do próximo ano, sua nova reitoria. O prédio de 12 pavimentos, com 7.816 metros quadrados de área construída, erguido nos anos 60, foi comprado do Banco Itaú por R$ 6,7 milhões, a serem pagos em cinco anos. Com o equivalente a pouco mais de dois anos de aluguel gastos para locar sua sede atual, na região da Avenida Paulista, ou R$ 3 milhões por ano, a Unesp se livra desse ônus e conta com um edifício de sua propriedade, podendo investir em sua razão de ser: ensino e pesquisa. O prédio, afirma o reitor Marcos Macari, é o ponto de partida para a organização de seu próprio campus em São Paulo. A Unesp já possui um braço instalado na área central, em plena Praça da Sé: a Universidade do Livro, para estudos sobre a edição de livros, e o Centro de Documentação e Memória, para preservar documentos próprios ou ligados à história sócio-política contemporânea do Brasil.

Cultura em expansão

A Estação da Luz da Nossa Língua é outra iniciativa, mas ligada à cultura. Assim que estiver em ação terá como objetivo preservar, ao mesmo tempo, a língua portuguesa e a arquitetura vitoriana de um dos marcos mais importantes da cidade: a centenária Estação da Luz, testemunha da época áurea da cultura cafeeira e da saga da imigração que fez de São Paulo uma das maiores metrópoles do mundo. Os trabalhos de restauro da estação começaram em maio de 2003, devolvendo-lhe a aparência de meados da década de 40, antes do incêndio que a descaracterizou. Da cobertura às esquadrias, com um apuro técnico que chegou à análise da composição das argamassas usadas, tudo sofreu intervenção, inclusive o relógio que, por décadas, marcou a hora oficial da cidade. Hoje, a estação surge toda em amarelo. Para definir a cor, várias prospecções foram feitas, estudando-se as camadas de tinta originais – experts referendaram a escolha, que é valorizada com a iluminação noturna.

Se não houver contratempos, a Estação da Luz da Nossa Língua, que ocupará três pavimentos do prédio, sem interferir nas atividades de transporte do complexo, será inaugurada até dezembro. O que se quer é criar um centro de referência, preservação e celebração da língua portuguesa, que é, vale ressaltar, falada nos cinco continentes. Para o poeta e antropólogo Antonio Risério, um dos mentores do novo espaço, o primeiro museu de idioma do mundo será o "parque de diversões da língua portuguesa", já que se valerá de toda tecnologia existente, multimídia e suportes audiovisuais, mantendo sala de capacitação para professores e de consultas, promovendo atividades como exposições e palestras. De certa forma, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade tem uma preocupação afim e sua reforma, incluindo uma ampliação que promete expandir seus 11 mil para 16 mil metros quadrados, está para sair. Esse será um dos projetos beneficiados pelo financiamento que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destina para o Centro.

Outra reforma e restauro em curso é a do Masp-Centro, na Galeria Prestes Maia, que liga a Praça do Patriarca ao Vale do Anhangabaú. Até o final do ano, essa extensão do Museu de Arte de São Paulo, que também abriga a sede do Instituto Brasil de Arte e Moda, estará funcionando, prevê o administrador do espaço, Celso Vieira. Os trabalhos, efetuados num imóvel tombado, constaram, entre outros itens, da readequação do espaço, restauro de piso e paredes em mármore, instalação de elevadores para deficientes físicos e carga, instalação elétrica e hidráulica, equipamentos de segurança, sistema de ar-condicionado etc. O relógio da galeria voltou a funcionar. "O espaço estava sem condições. Havia vazamentos. Não servia para a atividade museológica", diz Vieira. A prioridade do equipamento cultural será a arte brasileira – os artistas já estão procurando o espaço para expor. Já o Instituto Brasil de Arte e Moda será inteiramente dedicado ao desenvolvimento do setor, enfocando criação, gestão, marketing e tecnologia, com aulas, exposições, eventos etc.

"Após as reformas", garante Vieira, "o Masp-Centro promoverá grandes exposições e será um dos points culturais da cidade." A promessa não é nova, mas a torcida é grande.

Novos órgãos jurídicos

Dois órgãos públicos, o Tribunal de Justiça de São Paulo e o Tribunal Regional Eleitoral, também têm obras à vista. O primeiro assinou um pré-contrato de locação de um prédio de 25 andares em construção na Rua Conde de Sarzedas, próxima à Praça da Sé, e, assim que tudo estiver pronto, para lá serão transferidos alguns dos gabinetes de desembargadores que ocupam atualmente um edifício na Avenida Paulista. Já o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) comprou um edifício de 15 andares na Rua Dr. Falcão Filho, em frente à nova Prefeitura, e ali pretende, depois que o prédio, inacabado, passar por uma reforma, instalar seções que a sede da Rua Francisca Miquelina já não comporta.

Da mesma forma, instituições bancárias se expandem na área central. Recentemente, a Caixa Econômica Federal inaugurou agências nas ruas Direita, Líbero Badaró e Álvares Penteado. O Banco do Brasil também ampliou seu número de agências no Centro. Em 2004, foram inauguradas cinco agências: Rua General Osório, Praça Dr. João Mendes, Edifício Itália, Praça do Patriarca e Galeria Olido. Este ano, mais duas: Rua das Palmeiras e Rua Anhaia. Hoje, existem 21 agências do Banco do Brasil na região – a mais antiga foi aberta em 1917.

A Prefeitura promete ainda, assim que tiver os recursos liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o início das obras de recuperação das praças da Sé, República e Coronel Fernando Prestes. Quem gosta de novidade deve ficar atento à área central. A região, que ontem era sinônimo de estagnação, hoje significa o oposto. E que oposto!


  Artigo  
Liderança para servir
(Por Waldemar Helena Junior*)


Você tem se perguntado por que o mundo anda tão confuso? Por que tudo é imprevisível e instável? Se quer saber por onde anda a tão sonhada paz interior, não se desespere. Você não está sozinho.

Estamos sendo protagonistas de um tsunami interno e externo, no ponto exato da mutação. Prova disso são os repetidos fenômenos a que a humanidade tem sido submetida e que, agora, observa ou é diretamente impactada com mais intensidade: como a sensação de alienação, a desagregação familiar, a violência, a intensa procura por centros de cultos e crenças, na busca de significados ou sentidos da existência.

O lado bom dos acontecimentos é que o ser humano, extremamente adaptável, inicia uma transformação no modo de ver as coisas e na forma de interagir com seus grupos específicos e com a sociedade. Nessa era de grande transformação, alguns valores emergem e começam a moldar o ser humano formatando um novo perfil de liderança.

Ética, transparência, respeito, solidariedade, compaixão e atitude amorável despontam, nesse cenário complexo e desafiador, como valores essenciais. A liderança tem sido esculpida no uso do poder como nobre missão de servir ao bem comum.

Você pode puxar pela memória um nome, uma pessoa com estas características. Pode ter pensado na Madre Teresa de Calcutá, em Dalai Lama, ou Jack Welch ou ainda em outros nomes tão conhecidos quanto estes. Mas não precisamos ir muito longe para encontrar líderes a serviço da comunidade.

Exemplos concretos de líderes servidores são as pessoas que participam voluntariamente no programa de Ações Locais, da Associação Viva o Centro. Em seu décimo ano de programa é fácil perceber, em cada voluntário, os valores que os tornam líderes. Valores que se expressam por meio de ações em prol da comunidade local.

Mas o que é mesmo um valor? Como fazê-lo ter valor? O valor é um dos pilares de sustentação de uma sociedade, empresa, instituição, família. E só vale realmente se for colocado em prática. A prática dos novos valores faz parte da rotina diária dos voluntários das Ações Locais que trabalham para viver numa cidade melhor.

Por isso, o despertar e o desenvolver competências é fundamental para transformar os valores em ações. Competências referem-se a querer, saber e fazer. Não basta querer, estar motivado e autoconfiante. O fazer se expressa por intermédio de comportamentos do tipo: liderar, ter paixão pelo que faz, estruturar e manter times ou equipes engajadas, comprometer as pessoas na causa comum.

Liderança é a habilidade de influenciar pessoas a trabalhar entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum. A chave para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos.

Nesse contexto, o novo líder é alguém inspirador e admirado. Com forte visão para o futuro. Destaca-se em seu segmento, tornando-se referência a ser seguida. Mais do que um empreendedor, ele sabe como transformar a realidade, envolvendo as pessoas e o ambiente à sua volta.

Por meio da transparência e da ética, o novo líder respeita as diferenças, aceita inovações, abre espaço permanente para as contribuições e participações das pessoas a sua volta. Usa o poder com a missão de servir aos seus públicos, e sabe compartilhar sucessos e dificuldades como prática do aprendizado da humildade.

Senhores, bem-vindos ao mundo da transformação!

*Advogado e consultor da Franquality, é especialista na área de Desenvolvimento Organizacional e Gerencial. É autor dos livros "Alquimia do Encontro – um guia de qualidade nas relações pessoais e profissionais" e "Memórias do Coração"


  Artigo  
O desafio das metrópoles
(Por Sérgio Aguiar Matos*)


Estive em Bangcoc, na Tailândia, há alguns meses, para uma missão jornalística. Hospedei-me, por quase dez dias, num hotel localizado à região central da cidade. Certamente, um dos melhores lugares para se conhecer o "pulsar" das ruas da grande metrópole asiática.

Da janela do hotel, plantado na Siam Square, avistava-se um rocambole urbano. Prédios, casas, linhas de trem, túneis, torres, viadutos, templos. Mais parecia um cenário de SimCity 2000 ou Transport Tycoon, aqueles joguinhos de computador que simulam gestão de cidades. O país, que há 20 anos era visto como lugar exótico e de desenvolvimento letárgico, hoje avança a todo vapor. Exporta quase US$ 100 bilhões, sobretudo em produtos semi-manufaturados, tais como autopeças e maquinários, e abastece o mercado asiático.

Bangcoc, com cerca de 9 milhões de habitantes, é a locomotiva esfumaçante do desenvolvimento do País. É também a porta de entrada para o Sudeste Asiático, assim como São Paulo o é para outros destinos do Brasil e da América do Sul. Um hub de conexão para países vizinhos, como Vietnã, Laos e Camboja. Por isto, a afluência de turistas, empresários e executivos é grande. A vida de Bangcoc, principalmente de seu Centro, é intensa.

A dinâmica non-stop de Bangcoc pode ser primeiramente sentida no trânsito. Táxis, carros, caminhões e os "tuk-tuks" – típico veículo tailândes de três rodas – dividem as apertadas vias públicas. Leva-se horas para percorrer alguns quilômetros. O sinal vermelho é desconfortavelmente demorado. A sensação é de agonia, lembra São Paulo.

A Tailândia ferve o ano inteiro. No pico da manhã, a temperatura atinge facilmente 40 graus. Como Bangcoc é um caldeirão pavimentado, o calor fica retido, tudo parece escaldar. A isso, acompanha-se uma intoxicação generalizada de aromas. Nas ruas centrais, feiras abertas. O tempero da cozinha tailandesa se instala no ar. A pluralidade de odores confunde o olfato e intensifica a atmosfera.

Ao mesmo tempo em que se vê o ritmo alucinante da capital tailandesa – e as implicações urbanísticas e arquitetônicas trazidas com isso –, vê-se também a preocupação progressiva das autoridades em zelar por seu patrimônio histórico e cultural. A Tailândia é um país majoritariamente budista. Cerca de 90% da população é adepta da religião. A capital possui diversos templos e edifícios históricos. Pelos palácios sagrados, anda-se somente descalço. Os horários para o fluxo de pessoas são rigorosamente controlados. Existe uma série de políticas com vistas à preservação de seus "tesouros".

A preocupação dos tailandeses em adaptar, de modo responsável e inteligente, a vida moderna aos legados históricos e culturais da cidade faz a mente atravessar oceanos e pensar no centro metropolitano de São Paulo. Lá, quanto aqui, resguardadas as diferenças e realidades, a mesma necessidade e o desafio de conjugar modernidade, história e cultura – nos aspectos sociais, arquitetônicos e urbanísticos.

Por aqui, ações voltadas à revitalização do Centro da metrópole visam integrar a constante atualização da sociedade ao patrimônio construído outrora. Assentar, com segurança, a ebulição da metrópole sobre a exuberância de lugares como o Viaduto do Chá e a Praça da Sé. Despertar o interesse do jovem em torno do Centro. Em suma, fazer conviver – a um só tempo e com harmonia – negócios e valores. Desenvolvimento econômico e história. Presente e passado.

Em Bangcoc, e como parece ser em São Paulo, isto é mais que um compromisso. É um dever cívico e profissão de respeito às gerações que nos antecederam.

* Jornalista, assessor da Presidência Internacional da Gazeta Mercantil e consultor de Conteúdo & Projetos da Editora JB


  Entrevista  
O centro em horário nobre

As telenovelas brasileiras surgiram na década de 1950 e de lá para cá se transformaram em um fenômeno cultural que, por muitas vezes, fez o país parar para assistir o final de uma trama.

Foi exatamente o que aconteceu com a "Próxima Vítima", novela do autor Silvio de Abreu que atingiu, no capítulo final, picos de 64 pontos no Ibope. Foi por meio dessa trama também que o Mercado Municipal de São Paulo – representado pela "barraca do Juca" – ficou famoso não só no Brasil, mas também em países como Rússia e Cuba. Na novela que acaba de estrear, "Belíssima",

Silvio de Abreu revela novamente a cidade e, desta vez, dá destaque para a região central


Autor de 13 novelas na Rede Globo, das quais 12 foram ambientadas em São Paulo, Silvio de Abreu é paulistano da Liberdade e faz questão de mostrar o que a cidade tem de melhor. Não que faça vistas grossas para os problemas. Para ele, a cidade precisa resolver urgentemente as desigualdades sociais, que ainda saltam aos olhos de todos os que andam nas ruas. Sempre atento a temas polêmicos que possam suscitar discussões a partir de suas tramas, Silvio de Abreu estreou em novembro a novela "Belíssima", que aborda o mundo da moda e põe o dedo na ferida dos padrões estéticos impostos pela era das top models adolescentes e magérrimas. A novela mostra bairros como Jardins e Bom Retiro, além do próprio Centro – seu eterno cenário. E também aproveita a diversidade de nacionalidades para incluir na história uma família multirracial. Essa mistura total de etnias e a forma como se mesclam na cidade, aliás, é o que ele considera o grande encanto da metrópole.

urbsA novela "Belíssima" traz, mais uma vez, a capital paulista como pano de fundo. Qual a importância da cidade na trama?

Silvio de Abreu – Em minhas novelas, meu interesse é o de revelar a cidade. E agora mostraremos um lado diferente da capital paulista: não apenas o lado chique, das ruas da moda e shoppings. A trama acontece em torno de uma fábrica de lingerie, chamada Belíssima. Assim, mostraremos também regiões industriais, periferias. Parte da trama também se desenvolverá nas ruas do Centro. A primeira cena da novela já registrou toda essa vontade de mostrar São Paulo: um grande desfile de lingerie pela cidade toda. Modelos famosas nos pontos principais: no Teatro Municipal, andando pelo Anhangabaú, na Av. Paulista, na Praça João Mendes. Mas essa é só uma cena. Depois, durante a novela toda, valorizaremos esses lugares.

Como a novela pode ajudar a valorizar uma cidade ou uma região?

Quando fiz "Guerra dos Sexos", divulgamos o Shopping Eldorado, inaugurado no final da novela. Depois, aquela região toda foi valorizada. Para a novela foi bom, assim como para a cidade. E os lugares se tornaram famosos. Muita gente, inclusive, vinha de outras cidades e fazia excursões para esses lugares. Até hoje, aliás, se faz isso dependendo da novela que estiver fazendo sucesso.

A maior parte das novelas da Rede Globo são gravadas no Projac, onde são construídas as cidades cenográficas. Com "Belíssima" é a mesma coisa?

Pela primeira vez, poderemos gravar aqui a cada 15 dias. Apesar de sempre retratar São Paulo, na maioria das novelas o início era filmado aqui e depois continuávamos as gravações no Rio – em cidade cenográfica ou nas ruas, que eram maquiadas para que parecessem São Paulo. Esta é a primeira novela – e eu já estou na 13ª produção – cujas externas são gravadas aqui. Mas, de toda forma, há uma cidade cenográfica no Rio de Janeiro, pois o clima em São Paulo é terrível e nunca sabemos quando será possível gravar ou não. E uma novela não pode parar.

Quais os objetivos dessa mudança?

Só desse jeito realmente mostrarei os lugares que sempre foram citados e que apareciam mais ou menos. Só agora teremos cenas reais na Praça da Sé, na Rua Direita, no Largo São Bento, enfim, em todo o Centro.

São Paulo começou a fazer muito sucesso nas suas novelas e diversas partes já foram mostradas em suas ficções. Uma relação pessoal com a cidade é essencial para transferi-la à trama?

"Vereda Tropical" mostrava uma parte da zona leste; "Cambalacho" e "Rainha da Sucata" mostravam a zona norte; "A Próxima Vítima" mostrava o Morumbi – tinha a "bonitona do Morumbi" –, e também o Mercado Municipal. Tudo isso é muito próximo a mim, e uma novela deve passar essa coisa verdadeira, porque senão você não se comunica com o público. Não posso fazer só pela razão, tenho de usar a emoção, e a emoção está na vida: onde você vai, o que conhece, o que vê, o que vive, onde você passeia.

Com relação às outras novelas, considerando as cenas que foram gravadas aqui, é possível perceber alguma melhoria no Centro? Como isso será retratado em "Belíssima"?

Em termos de arquitetura, eu acho que sim: o Centro está muito mais bonito, mais limpo. Toda aquela parte do Patriarca, da Ramos de Azevedo, do Viaduto do Chá está mais bonita. Mas há um outro lado que não melhorou, que é o aspecto social. Os problemas sociais são grandes e deveriam ser resolvidos em primeiro lugar. A cidade é boa quando as pessoas vivem bem. É ótimo que seja bonito, mas se não existir tranqüilidade para andar na rua não adianta nada. Hoje é quase impossível andar: os camelôs ocupam uma parte muito grande, há muita violência e muita sujeira. Eu tentarei fazer uma novela um pouco mais glamourizada, afinal, faço uma obra de ficção. Então vamos mostrar só o que São Paulo tem de bonito. Mas sabemos que ainda tem muita coisa a ser feita.

Qual é o tema da novela?

Quero mostrar uma outra São Paulo, porque tirando o problema social – que é o mais grave –, acho que esta é uma cidade excelente para se viver. E São Paulo é extremamente interessante para ambientar tramas de ficção, porque tem lugares diferenciados. Posso ter uma cena elegante na Faria Lima, assim como uma cena policial na Boca do Lixo. É uma cidade que tem tudo. E São Paulo também tem muitos nichos de imigrantes: árabes, gregos, italianos, portugueses. A novela é sobre isso. Além do glamour, a novela tem uma família que é toda misturada: um turco que se casou com uma grega; a filha que casou com o japonês, depois com o português e depois com o espanhol. Eles moram juntos em um casarão situado num lugar fictício entre os Campos Elíseos e o Bom Retiro.

Por que um lugar fictício?

Porque eu queria um casarão e no Bom Retiro não há mais casarões. E o bairro Campos Elíseos é muito árido para se formar uma família. Lá não tem cara de bairro onde você vai morar, não tem um entorno de bairro. Então escolhemos a fachada de um casarão dos Campos Elíseos e a partir daí reproduzimos na cidade cenográfica.

Qual sua relação com a região central?

Eu gosto muito de andar no Centro, conheço bem a região e gosto dali. Nasci na Liberdade, morei na região do Glicério, estudei no Colégio Nossa Senhora da Paz, na Rua do Glicério, e depois no Colégio Paulistano, que ficava na Rua Taguá. Comecei a trabalhar como office-boy no Centro. Já trabalhei também como balconista em uma loja de discos na São Bento e depois na Praça Ramos de Azevedo.

Em geral, a maioria das novelas se passa no Rio de Janeiro ou em algum lugar exótico do Brasil. Diante de sua experiência de 13 novelas, existe alguma diferença entre a acolhida do público de acordo com o local onde a novela é ambientada?

Eu acho que não muda nada. De um modo geral, as novelas na Rede Globo sempre fazem sucesso. Mas demorou para um novela das oito ser sediada em São Paulo. Isso só aconteceu em 1990, com "Rainha da Sucata" – e as novelas, na Globo, começaram a ser feitas nos anos 60, ou seja, nos deviam isso há muito tempo. Antes sempre era no Rio ou Nordeste, mas isso porque a maioria dos autores era desses lugares.

Sua primeira novela na Rede Globo foi encenada em São Paulo?

Quando fui para a emissora, a primeira novela que fiz foi "Pecado Rasgado". Por uma questão de produção eles quiseram que a novela se passasse no Rio. Eu não gostei de ter feito a novela e ela não fez sucesso. A segunda novela – "Jogo da Vida" – impus que fosse em São Paulo, porque meus personagens são paulistanos: eles falam de um jeito paulistano, têm a cabeça do paulista. E os paulistanos são diferentes dos cariocas, e esse foi o problema de "Pecado Rasgado": levar a trama para o Rio. Não adianta eu pegar um personagem paulistano e levar para o Rio, porque eu não consigo raciocinar como carioca. Não consigo entender como alguém pode usar terno e gravata para ir trabalhar e abrir a janela e dar de cara com a praia. Praia, para mim, é para passar o fim de semana.

A maior parte de suas novelas foi feita para o horário das sete, e algumas para o das oito, como "Belíssima" . Isso faz alguma diferença?

As novelas das sete horas costumam ser mais engraçadas, enquanto as histórias das oito horas precisam de uma certa densidade dramática. É necessário colocar assuntos mais sociais para discutir, e assim entram temas como o homossexualismo, drogas etc. As pessoas gostam de poder falar sobre esses temas. "Belíssima", por exemplo, traz toda uma discussão sobre a beleza e sobre esses padrões absurdos que são impostos, que fazem com que as mulheres de todas as idades queiram se parecer com as modelos, que são meninas de 13 anos! É sobre essa opressão em que vivemos, na qual a aparência acaba sendo muito mais importante do que o pensamento, do que as coisas que você faz. As pessoas olham para você e te vêem de uma determinada maneira, e é justamente essa maneira superficial que acaba contando. Ninguém vai a fundo porque tudo está muito superficial.

Qual é a trama principal?

Uma personagem chamada Julia, interpretada por Glória Pires, é filha de uma mulher que foi belíssima – e que dá nome à fábrica de lingerie –, e por isso é muito pressionada pelo fato de não ser dona de uma beleza muito especial. Ela é uma mulher comum. Hoje, Julia é a presidente da Belíssima, mas ela não tem nada a ver com esse mundo de beleza e glamour. E a avó dela, interpretada por Fernanda Montenegro, faz questão de manter esse mito da belíssima, transformando a mãe de Julia no maior ícone de beleza que já surgiu no país. E esse mito pressiona o personagem de Glória Pires o tempo todo, pois ela não consegue suplantá-lo.

E nossa sociedade está repleta de mitos.

Exatamente, assim como Julia não tem como lutar contra o mito, isso acontece com a maioria das pessoas. Quando as meninas se comparam: "Ah, estou gorda, a Gisele Bünchen é que é magra". É evidente, ela é modelo. O nível de comparação é muito desigual, e isso cria um certo complexo de aparência que é muito desagradável. As próprias pessoas tidas como lindas só se preocupam umas com as outras. É uma competição para ver quem está mais bonita, quem está aparecendo mais... Esse tipo de situação faz com que, em vez de termos uma sociedade onde se valoriza o que se pensa, a superficialidade seja muito mais valorizada. Vivemos numa era de pura futilidade. Esse é o mote central da novela.

Muitas de suas novelas contribuíram para a discussão de problemas sociais, trazendo à tona temas às vezes polêmicos. Isso se repete em "Belíssima"?

Sim. Além da questão da beleza, um outro tema a ser tratado será o de meninas que são enganadas e obrigadas a se prostituir. Elas vão procurar emprego, por exemplo, para ser bailarina. Daí vêem um anúncio de bailarinas para a Grécia. Quando chegam lá, percebem que a vaga é uma armadilha: elas têm o passaporte roubado pela quadrilha e são obrigadas a se prostituir. Elas não têm como sair dali, pois suas famílias são ameaçadas. A pessoa vira uma escrava. Isso acontece muito, já conheci pessoas que passaram por essa situação. No mundo inteiro está se falando nesse problema, temos de alertar a sociedade. Essas mulheres viram escravas e são vendidas entre as quadrilhas e por isso vão mudando de país. Vão, por exemplo, do Líbano para a Grécia. É por isso que a novela começa na Grécia. E também começa lá por outra razão: como estou falando de beleza, a essência da beleza está lá: o mito grego da beleza. A novela das oito deve ter um tema forte porque as pessoas querem assuntos para discutir.

O sr. acredita que uma novela pode mudar a opinião das pessoas?

Eu fico impressionado como uma novela promove discussões, como gera assunto, mas não acho que ela seja capaz de mudar o raciocínio das pessoas. O que uma novela pode fazer é levantar temas que serão discutidos dentro das casas de uma maneira diferente do que seriam normalmente. Tive muito essa experiência. Com relação ao homossexualismo, com relação à violência, à honestidade. Por exemplo, esse negócio de questionar se vale ou não a pena ser honesto num país onde não existe a menor honestidade, porque as leis daqui são sempre para ajudar quem sai da lei, pois é tão fácil burlar...

E o problema continua ainda...

Porque se as pessoas realmente prestassem atenção no que vêem numa novela, o mundo seria ótimo. Desde que as novelas começaram a ser feitas, há mais de 40 anos, a mesma idéia foi passada diversas vezes: vale a pena ser bom, o bandido perde, o mocinho sempre é bom, mas ninguém acredita... Então não venham me dizer que a novela muda a cabeça das pessoas, porque não muda. Mas que provoca discussão, isso provoca. Por exemplo, hoje o homossexualismo é visto com muito mais tolerância do que era antes, porque se discutiu o assunto. A condição dos negros dentro da sociedade também. Mas não acho que acabou esse preconceito, pois o preconceito é uma coisa individual, mas os direitos estão iguais, e a novela ajuda. É um absurdo dizer, mas a primeira vez que uma novela teve uma família de negros, que não fosse de empregados, faxineiros ou escravos, foi em "A Próxima Vítima". Quando escrevi isso fui muito criticado, "isso não existe no Brasil, negro na classe média não existe". Agora já mudou muito. E a gente vê isso até na hora de escolher os atores. Muitas vezes não tem. Conforme vão surgindo os papéis, vão surgindo os atores.

Para finalizar, qual característica o sr. considera essencial em São Paulo?

Eu acho que a característica principal da cidade é que todo mundo acaba se entendendo e se mistura. O judeu se mistura com o árabe, o grego com o turco. Eles vivem, convivem e acabam se dando bem, a cidade tem isso de bom. Mesmo que o bairro da Liberdade seja um lugar de japonês, há também italianos, portugueses. Minha família mesmo é assim: minha mãe é italiana e casou com meu pai, que era português. Eles foram morar na Liberdade, que tem essa predominância japonesa. Mas depois da Rua 25 de Março já havia os turcos, então era tudo junto, e eu cresci nessa mistura. São Paulo tem essa característica: todo mundo vive bem junto.


  Idéias  
A Sé de volta À cidade
(Por Tomás Rebollo)

Projeto para a Sé propõe substituição do jardim dos patamares por uma nova ligação entre a estação de metrô e a Praça, através de um novo edifício: a Oficina Santa Helena.


A Praça da Sé já foi palco de importantes momentos na história de nosso país. Cedendo seu espaço ao cotidiano da cidade, e também a manifestações e protestos, sempre foi, por excelência, local de encontros: entre o homem e a história; entre o cidadão e a metrópole; entre o um e o outro; entre a parte e o todo.

Hoje, a Praça não cumpre mais esse papel. Ainda que a área diante da Catedral abrigue certo movimento, a imensidão restante do espaço passa os dias melancolicamente vazia, à espera de algo que lhe faça voltar a participar da vida da cidade.

Histórico da Praça Atual

Construída na década de 1970, juntamente com a maior estação de transporte metropolitano do País, a Praça da Sé foi imaginada como resposta às críticas sofridas pela Praça Roosevelt, concluída poucos anos antes, e por isso o partido adotado foi o de se construir uma praça-parque para dar um aspecto mais humanista e de animação ao espaço.

O projeto, inicialmente desenvolvido por Roberto Burle Marx, passou por várias etapas e modificações, até ser concluído pela equipe de técnicos da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).

Vinte e cinco anos depois

Infelizmente, a praça-parque executada não obteve o sucesso esperado e o resultado atual é o grande vazio urbano em que se transformou a maior parte da área: o jardim dos patamares, construído sobre a laje de cobertura da estação.

Tanto espacialmente quanto funcionalmente, a relação entre o vazio das antigas Praças (Sé e Clóvis) e suas "caixas" construídas contribuía para que funcionassem relativamente bem.

Uma das razões para isso é que, com a demolição do quarteirão que separava essas antigas praças, a relação de equilíbrio entre seus respectivos vazios e suas "caixas" construídas se perdeu. A estação do metrô, que com seus milhões de passageiros poderia contribuir e dar vida a esse espaço, não o faz.

Outro motivo para o fracasso do atual jardim dos patamares é a própria ambigüidade programática inerente à proposta de se fazer uma praça-jardim-contemplativa na Sé.

A Nova Praça da Sé

Para que a Praça da Sé volte a fazer parte da cidade, é necessário abandonar a idéia de praça-parque que deu origem ao jardim dos patamares. É preciso reconstruir sua estrutura espacial, dando significado aos vazios e à sua relação com a massa edificada. A estação do metrô deve "transbordar" para o térreo da cidade. Para isso são necessárias as seguintes ações:

1. A demolição total do jardim dos patamares, expondo as duas lajes da estação do metrô, criando-se duas praças secas.

2. A transformação da passagem subterrânea para a praça junto ao corpo de bombeiros em marquise aberta para a nova praça inferior. Os espaços disponíveis na lateral sul do corredor seriam ocupados por postos de serviço e comércio, criando uma borda funcionalmente ativa para esta parte da praça.

3. A construção de uma nova saída da estação de metrô, através de uma abertura na laje da extremidade leste da construção existente.

4. A construção, sobre essa nova saída da estação, da Oficina Santa Helena, um equipamento de inclusão social através da educação.

Oficina Santa Helena

Seus usuários terão acesso a um grande acervo de livros, filmes, músicas, imagens etc. Receberão a chave para entender e explorar o conhecimento arquivado, através da ajuda de instrutores, professores, pessoas dispostas a ensinar o que sabem. Além das atividades didáticas um pouco mais "organizadas", serão oferecidas também atividades "desconexas": acesso livre à internet, midiatecas, atividades lúdicas, exposições etc.

A Oficina Santa Helena deve ser, principalmente, um lugar de encontros onde o conhecimento possa ser construído não apenas através da consulta àquele já imortalizado, mas a partir da relação entre as pessoas que o freqüentam.

Assim, este edifício foi imaginado como uma continuação do espaço público da Praça e da estação, que flui para dentro das midiatecas e das oficinas através do jogo de rampas lançadas sobre o vão aberto na laje da estação: uma rua interna.

Santa Helena, nome dado à oficina, é o nome de um grupo de artistas que reuniu, na década de 1930, os pintores Francisco Rebolo, Alfredo Volpi, Aldo Bonadei, Clóvis Graciano, Fulvio Pennacchi, Humberto Rosa, Manoel Martins, Mario Zanini e Alfredo Rizzotti. É também o nome de um antigo edifício que não existe mais – assim como o grupo. Não se trata apenas de uma homenagem póstuma, mas também de uma lembrança do passado da Praça da Sé que pode nos ajudar a imaginar seu futuro. Trazer a vida de volta à Sé é uma condição inadiável para a construção de uma cidade democrática que saiba acolher e integrar à experiência da Metrópole todos os seus filhos.

*Tomás Rebollo é arquiteto formado pela FAUUSP em 2005 - (tomasrebollo@uol.com.br)


  Idéias  
Hotéis da metrópole
(Por Ana Carla Monteiro*)

O trabalho discute a evolução da arquitetura hoteleira de São Paulo através do contexto urbano e histórico da cidade. Os grandes hotéis do Centro são o eixo do estudo que procura resgatar e compreender o período construtivo de 1941 a 1970.

O desenvolvimento da arquitetura hoteleira da terceira maior cidade do mundo está intimamente ligado à sua evolução econômica e social. O período selecionado para a análise, de 1945 a 1970, é de crucial importância para São Paulo pois o crescimento econômico da época originou novas regras de edificação e diretrizes de urbanização.

Mas para analisar as mudanças ocorridas e, conseqüentemente, a produção hoteleira, foi necessário fazer um recorte temporal mais amplo e voltar ao início do século 19. Num primeiro momento houve a clara necessidade de compreender a importância da ferrovia nesta evolução, sobretudo a importância da Estação da Luz. A análise registrou uma rota de crescimento originária da Estação que se expandiu ao Centro Novo, e se transformou no foco do estudo.

Pouso de tropeiros/hospedarias Tempo de passagem

A primeira fase de construções destinadas ao uso hoteleiro se deu ao longo da Vila de São Paulo, próximo aos principais acessos de entrada e posteriormente perto dos principais edifícios da cidade. Não eram construções de destaque na malha urbana.

Nessa época, a cidade ainda não tinha atrativos que cativassem a permanência de viajantes, por isso a principal característica dessas construções era o uso rápido e temporário. A maioria dos viajantes que passavam pela cidade era de tropeiros que iam atrás de riquezas seguindo a rota interior-litoral.

No que diz respeito à grande hospedagem, o primeiro grande edifício da cidade com caráter de uso temporário foi a Hospedaria dos Imigrantes. A construção recebia os imigrantes que vinham de diferentes partes do mundo, principalmente da Itália, e ficou instalada primeiramente no bairro do Bom Retiro, assim como os demais hotéis construídos no período. As péssimas condições de funcionamento e as crescentes epidemias de gripe e varíola que atingira a região determinaram a construção de outro edifício, também próximo à Ferrovia, no bairro do Brás.

Os primeiros hotéis


Tempo de permanência

Com o advento da República, inicia-se um processo de expansão da área urbanizada de São Paulo e de modernização de sua área central. Essa nova movimentação acontece por meio do retalhamento das chácaras do entorno para a implantação descontrolada de loteamentos por toda parte.

A nova estrutura política e, sobretudo, econômica, vinculada ao café, traz à cidade avanços tecnológicos e um capital jamais visto. São Paulo perde os ares de uma cidade provinciana e, com isso, a sociedade emergente exige novos padrões de vida e de instalações.

Diferentemente da cidade do Rio de Janeiro, que a partir de 1808 – com a chegada da Família Real – houve um crescimento da rede hoteleira, na capital paulista o crescimento considerável aconteceu somente em meados do século 19, com a instalação da Academia de Direito do Lago de São Francisco, hoje Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

A cidade ainda está centrada em sua formação inicial de urbanização, no Triângulo Central, e tem seus principais elementos hoteleiros localizados próximo à Faculdade de Direito e às estações ferroviárias da cidade. Um dos mais notáveis deste período foi o Grande Hotel, construído na Rua de São Bento, esquina do Beco da Lapa (atual Rua Miguel Couto) por encomenda do alemão Frederico Glete.

Além desses, os hotéis situados perto das Estações da Luz e Sorocabana, chamados de conjunto hoteleiro da Rua Mauá (antiga Rua da Estação), são as construções típicas da época pois ilustram a ascensão de São Paulo. Esses hotéis são o testemunho de uma atividade que foi bastante comum quando o Centro mantinha o maior comércio do Estado de São Paulo. Os hotéis antigos, meros pontos de passagem, adquirem agora nova relação com a cidade em crescimento, passando a representar a expansão econômica da capital e de uma sociedade que procura permanecer mais tempo na região.

Os luxuosos hotéis dos anos 20


Tempo da belle époque paulistana

As crescentes exportações de café levaram à capitalização de recursos, o que permitiu a formação das primeiras indústrias de São Paulo, também favorecidas com o excedente de mão-de-obra imigrante.

Neste momento os hotéis mudam de perfil construtivo e arquitetônico. Surgem os luxuosos hotéis, próximos ao Teatro Municipal, destinados a abrigar os grandes barões do café e os emergentes industriais. O uso dos elevadores intensifica a altura das construções e, ao mesmo tempo, o ecletismo é eleito como fonte de inspiração arquitetônica.

A expansão da cidade, as melhorias urbanas, a melhoria dos serviços de transportes e a especulação imobiliária acarretam um crescimento vertiginoso da região central. A escala urbana, então restrita ao Centro Histórico, é alterada bruscamente e a cidade prepara-se para as novas adequações urbanas e arquitetônicas. O Centro Histórico torna-se inviável para conceber os novos projetos e a malha urbana espalha-se para as regiões da Avenida Ipiranga, Avenida São Luís e Avenida Paulista.

O crescimento dos espaços públicos – praças, teatros e cinemas – e do uso noturno de diversos estabelecimentos, devido à iluminação pública, modificam os modos e costumes da sociedade paulistana.

A década de 20 teve a inauguração do Hotel Terminus (localizado na atual Avenida Prestes Maia, onde fica o Edifício da Receita Federal), com mais de 200 quartos, e do moderno Hotel Esplanada, em 1923, com 250 quartos (atual sede do Grupo Votorantim). Este hotel, construído ao lado do Teatro Municipal, foi considerado o ponto de encontro da elite paulistana.

Hotéis da metrópole


Tempo de investimento

São Paulo, em meados do século 20, era uma cidade em franco desenvolvimento e necessitava de novas edificações que simbolizassem seu crescimento populacional e espacial. A demanda por novos serviços e a industrialização em grande escala favoreciam esse processo. Nos anos 50 a cidade se preparava para comemorar seu 4º Centenário e deveria se consolidar como a locomotiva da Nação.

Além disso, a capital paulista procurava em cada esquina o registro de uma nova metrópole que não parava de crescer e de se modernizar.

Os novos hotéis que surgiam na cidade visavam a valorização das relações entre as pessoas e a cidade. As várias funções, como cinemas, restaurantes públicos, lojas, incorporadas em um mesmo edifício, exemplificam essa questão e são trabalhadas como o grande desafio da nova arquitetura.

Surge, assim, o Hotel Metropolitano, termo adotado em um artigo da revista Acrópole em 19431. O artigo afirma que o Hotel Metropolitano "terá de harmonizar-se com a vizinhança urbana, devendo se exprimir num corpo linearmente simples. A beleza estética da construção resultará infalivelmente da coordenação do aspecto exterior com as necessidades internas".

A crescente metropolização e a entrada do automóvel traziam à cidade a demanda por novos pontos de encontro já que, nos anos 50, esse papel deixa de pertencer às ruas. Na era metropolitana, em uma cidade que não pode parar de crescer, as ruas são tomadas por automóveis que circulam em elevadas velocidades. As galerias comerciais e outros projetos de uso misto, como os hotéis aqui estudados, são a resposta espontânea à crescente demanda metropolitana.

Em síntese, a cidade necessitava perder o ar provinciano e colonial. A intensa verticalização era direcionada à construção da cidade modernizada, difundida pelo cinema com as imagens de Nova York e outros grandes centros urbanos. São Paulo, a cidade que mais crescia na América Latina, não poderia ficar atrás.


  Cultura  
Crônica dos equipamentos culturais de São Paulo
(Por Jorge da Cunha Lima)

São Paulo, que já foi cognominada a maior cidade industrial da América Latina, hoje éuma das maiores metrópoles culturais do mundo. É bonita na imensidão de uma tomada aérea e no requinte de um detalhe. Equipa-se com três culturas complementares: trabalho, paladar e prazer. Fiquemos com a última, que é um importante paradigma da ascensão dos serviços no cenário econômico.


Em maio de 2004 tive a oportunidade de pesquisar: de "A Babá", de Juca de Oliveira, a textos de Garcia Llorca, passando por Pirandello, Dario Fo, Goethe, Shakespeare, Guarnieri, Camus, Euclides da Cunha e Plínio Marcos, havia 142 espetáculos teatrais em cartaz

na cidade de São Paulo. Convencionalmente temos 79 teatros (incluindo salas de concerto) na área central (Centro Histórico e bairros do entorno). Daria para encenar quase duas peças por teatro, isto sem contabilizar os espetáculos informais, em bocas de cena de igrejas, escolas, hotéis, bares, cinemas e até sob lonas. Somente Paris, com 338 montagens teatrais no mesmo período, apresenta mais peças de teatro simultaneamente em cartaz. Em Londres somei 117, uma diferença favorável a São Paulo em 10%. Nossa cidade espanta por seu vigor cultural.

Quando Secretário da Cultura do Estado de São Paulo realizamos uma pesquisa de amplo espectro, na qual a principal pergunta era: O que é cultura para você? 60% dos entrevistados responderam: o Teatro Municipal. Essa surpreendente resposta mostra o quanto o equipamento cultural simboliza o setor, mesmo se os seus conteúdos são estranhos ao entrevistado. Se cultural é tudo o que favorece a identidade do cidadão, no caso do Teatro Municipal, o cidadão, inconscientemente, confundiu o símbolo com sua própria identidade. Os valores mais profundos e às vezes visíveis da identidade são sempre a compreensão, a contemplação e a participação. Nesse sentido, nada é mais relevante do que o papel do espaço público. Teatro é espaço público, tanto quanto a praça.

Em Paris, população e poder público se uniram quando a Avenida Champs Elysées, a mais importante da cidade, revelou sintomas de deterioração. Nouvell, o arquiteto chamado para resolver o problema, sabia que o que é belo não deteriora. Fez um projeto ambicioso. Calçadas e escadarias cobertas de granito, replante de duas fileiras de árvores seculares, acabamento impecável até na sarjeta. Deu no que deu: a avenida recuperou seu esplendor, voltou a ser um bem comum para uso e contemplação de todos.

Bem público

Em São Paulo, o Ibirapuera foi concebido por Niemayer no IVº Centenário da cidade como espaço aberto ao público em toda a sua dimensão vegetal e cultural, com edificações que acolheriam bienais, Picassos, acervos permanentes e transitórios do melhor da modernidade. Uma grande escultura de Brecheret abre o caminho desses prazeres. E, hoje, uma fonte luminosa e sonora os completa. Pena que a proporção de parques em uma cidade de mil quilômetros quadrados, como São Paulo, seja ainda diminuta, senão ridícula.

Espaço público tem que ser belo, limpo, iluminado, seguro e, definitivamente, público, sem o enxerto de bancas privilegiadas de revistas, de cozinhas ambulantes e balcões de vendedores irregulares. O bairro do Chiado – um bem cultural de Lisboa e da humanidade – queimou porque as vias públicas estavam congestionadas por esses utensílios privados, impedindo que o Corpo de Bombeiros tivesse acesso ao sinistro.

Na história dos bons governos, o Estado sempre teve papel relevante no planejamento, execução e manutenção dos espaços públicos, ao ar livre ou não. Na história recente há dois exemplos extraordinários: Barcelona e Paris.

Barcelona, a pretexto das Olimpíadas, concebeu uma nova cidade dentro da cidade já eterna. Embora todas as dimensões do urbanismo tenham sido pensadas – e realizadas –, a marca da transformação da cidade foi artística; portanto, cultural. Todo espaço, além de público, foi concebido como espaço de contemplação. Nunca se colocou tanta escultura – e poetas – nas ruas em tão pouco tempo e de tão boa qualidade.

Paris, sem qualquer pretexto, tem consciência disso desde que Hausmann redesenhou a cidade para transformá-la em monumento definitivo da humanidade. Mais recentemente, os governantes do pós-guerra entenderam que o lado cultural da cidade deveria prevalecer sobre os demais. Pompidou sintetizou essa estratégia com um plano ambicioso de equipamentos culturais, que previa o Centro Pompidou, o La Villete (Cidade das Ciências), o Museu D’Orsay, a Pirâmide e o grande átrio do Louvre e o Museu Picasso. A Biblioteca Nacional foi consolidada por Mitterrand.

Quando Pompidou apresentou a proposta, o ministro das Finanças disse que o custo seria absurdo, cerca de US$ 6 bilhões. Pompidou pediu-lhe, então, que trouxessem o mapa do anel rodoviário (Péripherique) em construção no entorno de Paris. Disse ao engenheiro que fizesse uma intersecção numa extensão do anel que custasse os mesmos US$ 6 bilhões. O traço pareceu exíguo na magnitude da obra. Pompidou afirmou: "É o que vamos gastar no projeto cultural". Tudo construído, anos depois, Paris foi a cidade que mais atraiu turistas no mundo, com divisas para o caixa do governo – desde a implantação da proposta – da ordem de US$ 30 bilhões.

Em números

Na cidade de São Paulo não há qualquer outra região, a não ser o Centro, em que a densidade de equipamentos culturais seja tão grande. Nos distritos que conformam a atual Suprefeitura da Sé, somados Pari e Brás, há nada menos do que 79 teatros e salas de concerto, quatro unidades do Sesc, 37 museus, 18 centros culturais e 19 cinemas. Das 348 bibliotecas existentes no município, 120 estão no Centro. Há na área 29 instituições de ensino superior com mais de 100 mil alunos e cerca de outros 100 mil em escolas públicas e privadas de ensino infantil, fundamental e médio, segundo dados de um estudo de Isaura Botelho e Carlos Torres Freire, intitulado "Equipamentos e Serviços Culturais na Região Central da Cidade de São Paulo", publicado em 2004.

São Paulo é bem provida de equipamentos culturais, mas com uma distribuição pouco democrática, como demonstra cabalmente o trabalho citado. A maioria dos equipamentos construídos pelo Estado localiza-se no Centro, e a dos equipamentos privados perto da moradia e do comércio das classes mais abastadas.

À exceção de alguns equipamentos públicos, geralmente municipais, como bibliotecas e centros esportivos, a periferia da cidade continua privada de qualquer tipo de equipamento cultural.

Se a população quiser ver uma grande exposição, assistir a um concerto importante, conferir um espetáculo teatral novo ou consultar um livro raro, deverá se deslocar para o Centro ou algum bairro nobre. Só há uma compensação para essa situação: o Centro é muito bem servido de transporte de massa, sendo atendido por várias linhas de ônibus circulares, pelas duas linhas de metrô, Norte-Sul e Leste-Oeste, e logo mais também pela Linha 4, que ligará a Estação da Luz à Vila Sônia, conectando-se à Linha Verde, da Paulista, e por trens suburbanos da CPTM.

Essencial

Pode ter havido uma ou outra variação nos dados acima, para mais ou para menos. Dificilmente terá mudado a proporção do desequilíbrio, pois a maioria dos novos equipamentos foi implementada com o auxílio das leis de incentivo fiscal à cultura, que beneficiaram quase sempre o ponto de vista do incentivado, mais influenciado pelo mercado do que pela necessidade social de cultura.

Os governos têm se mostrado mais ativos na percepção de que a cultura pode representar um bom investimento em imagem política, muito mais do que a infra-estrutura. Além de propiciar retorno institucional, a cultura tornou-se matéria de primeira necessidade para as camadas menos abastadas, pois hoje o conhecimento geral é um dos principais atributos para a obtenção de emprego.

Em uma grande cidade, a compreensão do fenômeno artístico-cultural pode se dar pela quantidade e pela qualidade dos produtos propostos à população. Como o gosto é uma questão de oferta, cidades com vocação cultural, como Paris, Barcelona, Nova York e São Paulo, precisam trabalhar em grande escala. Devem ser território livre a todo tipo de novidade e, ao mesmo tempo, exibir acervos que remetam à tradição, como devem abrigar múltiplas temporadas de eventos culturais.

Depois dos Jogos Olímpicos que transfiguraram sua paisagem urbana, Barcelona passou a abrigar o Fórum Mundial de Cultura em área totalmente recuperada do lumpen urbano, dispondo de uma quantidade invejável de equipamentos de natureza cultural, além de quatro hotéis cinco estrelas, o que nos remete a uma última questão.

Universalidade

A arte não pode ser apenas uma proposta da classe dominante, que se arroga o direito de impor seu juízo de valor, nem pode ser prerrogativa do ressentido ou do populacho. Uma arte exclusivamente propositiva, seja em salas de compreensão, ou mesmo de mero entretenimento, corre o risco duplo de se elitizar demasiadamente ou de vulgarizar-se por exigência do mercado. Arte é arte, sua fruição deve ser universal.

A questão é de participação. E participação tem um sentido muito amplo. Começa com a escolha do projeto cultural público a partir do mais amplo universo de representação da sociedade criativa. Participação pressupõe educação artística, coisa extinta de nossos currículos há muito tempo. Música instrumental, canto orfeônico, desenho artístico, teatro, dança, desapareceram da grade curricular na maioria das escolas. Onde funcionam, ainda que por exceção, produzem resultados fantásticos.

A participação pressupõe uma série de requisitos: montagem amadora de instalações e espetáculos artísticos, o hábito do sarau, incentivo à prática da produção coletiva e, acima de tudo, condições de acesso. Acesso se conquista pela oferta e pela publicidade da oferta. Acesso pressupõe condições favoráveis de preço, ou de gratuidade, em todos os espetáculos, ainda que em tempos delimitados como os da campanha "Vá ao Teatro", período em que o custo dos espetáculos têm preços reduzidíssimos.

Em grandes cidades participação requer, ainda, o hábito da associação entre os indivíduos – condição que pode se dar no âmbito institucional (universidades, institutos culturais, bibliotecas, cineclubes) ou ideológico, isto é, por ideal político, estético ou religioso. Seja qual for, todos sempre deságuam em um interesse artístico.

Agrupando

Na minha geração proliferaram os grupos. Quase todos se reuniam no Centro da cidade. Eu freqüentei por cinco anos a turma da esquina, do relógio do Mappin – todos eram súditos da Cinemateca. Havia a turma da Biblioteca, da qual participaram FHC e Giannotti, que por sua vez eram súditos freqüentadores da Biblioteca Municipal.

Havia as dezenas de turmas da Ipiranga com a São João, formadas por súditos do Jeca Tatu e do Pari Bar, que reunia membros das mais diversas tribos. Enquanto o crítico Sergio Milliet se sentava placidamente à mesa, que lhe era cativa, o poeta Roberto Piva chegou a dar tiros no toldo azul do bar, a bala cravando-se na cabeça de outro poeta, esse em bronze, Mário de Andrade.

Brilhantes freqüentadores do Barbazul e do Pari Bar foram uns jovens de Araraquara, de brilhantíssima e precoce estatura: o filósofo Roberto Salinas, o escritor Ignácio de Loyola Brandão e o conselheiro José Celso Martinez Correia. Essas esquinas e esses bares também são espaços públicos, mas o maior deles, aprofundado na bela arquitetura de Joaquim Guedes e no proselitismo evangélico e musical de Paulo Cotrim, foi o João Sebastião Bar. Em sua gloriosa memória registram-se sobre o tampo do piano Gaveau, de Ana Stella Schic: Elis Regina, Claudete Soares, Ana Lucia, Elizete Cardozo e Silvinha Telles. Ao piano, Antonio Carlos Jobim. Ao violão, João Gilberto. Na escadinha do mezanino, dando sopa, Chico Buarque e dois meninos muito eloqüentes, chegados da Bahia: Gilberto e Caetano.

No dia 13 de dezembro de 1968 Cotrim fechou o João e pôs uma placa na porta: "Fechado por absoluta falta de inteligência". Parece que naquela noite também fechou o Centro. Pior, fechou a coisa pública, que só iria reabrir com o lento fim da ditadura: longa via – e sacra – que atravessamos até hoje.

*Colaborou na pesquisa Alessandro de Oliveira Fenner

Equipamentos culturais na cidade e no Centro de São Paulo*
Equipamento São Paulo Centro
Biblioteca 348 120
Sala de teatro e de concerto 157 79
Museu 110 37
Centro Cultural 40 18
Centro Desportivo Municipal 136 1
Escola de Samba 107 10
Unidade do Sesc 16 4
Shopping Center 52 8
Patrimônio Tombado 139 77


Dados de maio de 2004
  São Paulo Paris Londres
Salas de cinema 236 989 391
Salas de teatro e de concerto 157 160 114
Espetáculos teatrais em cartaz 142 279 117


  Mix Mesa  


Até sonhando
(Por Claudia Casanova)


O chef carioca Robson Reis da Silva não teve tempo de escolher sua profissão: quando percebeu já havia enveredado pelo mundo da cozinha. Hoje, mais de 30 anos depois, sabe que teve muita sorte, pois não se imagina trabalhando em outra área. "Nunca parei para pensar em outra coisa, eu adoro o que faço. Eu até sonho com as receitas", afirma sorrindo. "É como se fosse uma música, eu sonho e quando acordo vou correndo anotar." A última receita "sonhada" foi a de um peixe com molho de agrião. O resultado ficou ótimo, "mas o custo não compensava", explica o chef. Outras receitas deram certo e estão como sugestão no cardápio do Café Girondino, casa onde trabalha desde a inauguração, em 1998. "É o caso das iscas de frango com gergelim e molho shoyu com raiz forte", conta.

Sua iniciação na cozinha foi aos 15 anos, idade em que arranjou seu primeiro emprego de ajudante em uma casa de família. Tudo começou em Recife, cidade para onde a família havia se mudado. "A minha mãe não queria que eu e meus irmãos ficássemos pelas ruas sem fazer nada. Foi então que comecei a trabalhar."

Quando completou 18 anos veio para São Paulo, pois tinha um primo que já trabalhava em um restaurante na região dos Jardins. Robson começou a trabalhar nesse mesmo restaurante e ficou lá por um ano e meio. "Eu queria crescer e vi que não teria essa oportunidade lá, então, pedi para sair." Começou a trabalhar na boate Hippopotamus, que ficava na Avenida Nove de Julho. Nesse emprego também começou como ajudante, mas estava sempre atento para aprender coisas novas. "Houve um dia em que o açougueiro faltou e o chef perguntou: ‘E agora?’ Aí eu me ofereci pois sempre prestava atenção em como as coisas eram feitas. Eu sempre quis aprender a fazer tudo e ficava pedindo para preparar os molhos e outras coisas. Assim, devagarzinho, fui aprendendo, até que me tornei cozinheiro."

Depois de seis anos na boate, foi trabalhar no Hotel Transamérica. "Entrei como ajudante e saí como subchef", conta orgulhoso. Foi então que uma nova oportunidade surgiu: trabalhar como chef executivo no restaurante do Aeroporto de Congonhas. A responsabilidade era grande pois Robson deveria coordenar as refeições das companhias aéreas. Saiu de lá ao receber um convite para trabalhar em um novo restaurante que pretendia resgatar a história de São Paulo e oferecer uma opção requintada e charmosa em pleno Largo do São Bento. Era o Café Girondino, no qual está até hoje e pretende ficar "até se aposentar". Hoje, o chef e sua equipe – um subchef e três cozinheiros – cuidam do cardápio variado e preparam cerca de 300 refeições diárias.

Café Girondino

A São Paulo do início do século 20 foi marcada pelo progresso e pelo charme da belle époque. A região formada pelo chamado "velho triângulo", formado pelos Largos de São Bento, da Sé e São Francisco, espelhava esse tempo e sediava inúmeros cafés, charutarias, confeitarias e restaurantes. Nesse cenário se destacou o primeiro Café Girondino. Para resgatar essa história, dois empresários do ramo de calçados, os irmãos Carlos Alberto e Luiz Messias, bons gourmets e apaixonados pelo Centro de São Paulo, resolveram reabrir o famoso estabelecimento. Cafeteria, restaurante e choperia, os três andares do Café Girondino trazem essa São Paulo que não existe mais. É o que explica Solange Meirinho, gerente da casa: "Trata-se de uma homenagem à memória paulistana e o local escolhido foi a São Bento, no Centro, um ótimo ponto em uma das mais conhecidas ruas comerciais da cidade".

A casa fica aberta de segunda à quinta, das 7h30 às 23h; às sextas até às 24h; sábados, das 8h às 20h; domingos, das 8h às 19h. O restaurante oferece um buffet de saladas completo e serviço à la carte, com pratos variados que incluem massas e carnes grelhadas. Há também a sugestão do chef, com um prato para cada dia da semana.

Serviço: Café Girondino - Rua Boa Vista, 365
Centro (E5) - Tel.: (11) 3229-4574


  Mix Artes e Espetáculos  


Henfil no CCBB

Um dos maiores e mais irreverentes cartunistas brasileiros, Henrique de Souza Filho, o Henfil, ganha exposição com mais de 400 desenhos no Centro Cultural Banco do Brasil. Organizada em seis partes, a mostra apresenta 27 personagens criados pelo artista mineiro que começou a ganhar fama a partir de 1969, no jornal O Pasquim. Nascidos nas décadas de 1960 e 1970, os personagens de Henfil seguem despertando a atenção por seu humor ácido que critica a desigualdade social, a fome, a corrupção, a violência, o racismo, a ausência do Estado, o abuso econômico etc.

No primeiro bloco da exposição, sob o tema "Turma da Caatinga", são apresentados os personagens Capitão Zeferino, Bode Orelana, Graúna, Onça Glorinha e Grauninha. A segunda parte traz os "Fradinhos" – o Cumprido e o Baixim –, personagens cujo humor cáustico e apimentado cruzaram fronteiras: foram comprados por jornais ingleses sob o nome de Mad Monks.

No terceiro bloco estão os desenhos de "Ubaldo, o Paranóico", surgido em 1975, quando a cada dia um amigo ou conhecido era levado para interrogatórios no DOI-Codi. "Outros Personagens" é o tema do quarto bloco, dedicado aos personagens que fizeram história nas páginas de esporte, como o Urubu, Bacalhau, Pó de Arroz, Cri-cri, Gato Pingado, entre outros. O quinto e o sexto bloco da exposição trazem como tema, respectivamente, "Outros Desenhos" e "Orelhão". A exposição, que já passou pelo CCBB do Rio de Janeiro e de Brasília, fica em cartaz em São Paulo até 15 de janeiro.

Entrada franca.
CCBB (E5-45) R. Álvares Penteado, 112 Centro
Tel.: (11) 3113-3651


Laís Bodansky estréia direção teatral

Conhecida por seu trabalho no cinema – ela assinou o premiado filme "Bicho de sete cabeças" –, Laís Bodansky estréia na direção teatral com "Nossa Juventude", do autor americano Kenneth Lonergan. Em cartaz até 18 de dezembro, a peça mostra 48 horas da vida de três jovens sufocados por uma cultura cujos valores se baseiam no dinheiro, poder e sucesso. No elenco estão os atores Paulo Vilhena, Gustavo Machado e Silvia Lourenço. O espetáculo é também a primeira produção teatral da atriz Maria Luisa Mendonça em parceria com a dramaturgista Christiane Riera.

Teatro Sesc Anchieta Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação.
Tel.: (11) 3234-3000. Sextas-feiras e sábados às 21h e domingos às 20h.
Ingressos – R$ 20,00 (público geral); R$ 15,00 (usuário matriculado, estudantes com carteirinha e pessoas com mais de 60 anos) e R$ 10,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados). Censura – 14 anos. Tel.: (11) 3107-0498. Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h.


Cena da tragicomédia "Num bosque"
Onde está a verdade?

Em cartaz até 29 de dezembro no Teatro Sérgio Cardoso – sala Paschoal Carlos Magno –, a peça "Num Bosque" aborda as mentiras que as pessoas criam para preservar sua auto-imagem. A história, que se passa em uma cidade pequena, trata de um crime cujas testemunhas, durante a investigação, contam diferentes versões do fato. Onde estará, enfim, a verdade?

Encenada pela Cia. Círculo da Miragem, a tragicomédia é baseada em um conto de R. Akutagawa, um dos principais nomes de literatura japonesa. Com direção de Francisco de Assis, que também assina a adaptação, a peça traz os atores Daniel Warren, Ruy Andrade, Cristina Jimenes, Sandra Bermudis, Marcos Almeida e Edimilson Andrade.

Teatro Sérgio Cardoso R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista.
Tel.: (11) 3288-0136. Sessões às quartas e quintas-feiras - 21h. Ingressos - R$ 20,00 (meia entrada para estudantes e pessoas acima de 65 anos). Censura – 12 anos.


Coral de Praga faz apresentação única no Mosteiro São Bento

Destacado como um dos melhores conjuntos vocais do Leste Europeu, o Prague Chamber Choir foi formado em 1990. Desde então tem se apresentado com renomadas orquestras, tais como Czech Philharmonic, Prague Symphony Orchestra, Israel Philharmonic Orchestra, Radio Symphony Orchestra Stuttgart, Bruckner Orchestra Linz, Zagreb Philharmonic, Orchestra della Toscana Firenze, Orchestra A. Toscanini Parma, NDR Hamburg and Bamberg Symphony Orchestra, entre outras.

No dia 8 de dezembro, às 21h, o público paulistano terá uma oportunidade única de ver a apresentação do grupo no teatro do Mosteiro de São Bento. Será o encerramento da série Concertos Internacionais – Grandes Obras , que o teatro vem apresentando desde o primeiro semestre. Mais informações sobre a compra de ingressos pelo tel. (11) 3188-4157.

Mosteiro de São Bento
(E4-56) Largo do São Bento, s/n São Paulo – SP Tel.: (11) 3328-8796


O universo de Nelson Rodrigues

Espetáculo que mostra a evolução da dramaturgia de Nelson Rodrigues, "17 x Nelson – O inferno de todos nós", traz, em ordem cronológica, 17 cenas escolhidas de diferentes peças do autor.

Encenada pela companhia Antikatártika Teatral, a peça – costurada por coros – se passa no inferno e convida o público a sentar frente a frente às relações limites dos personagens rodrigueanos, sem divisão de palco e platéia, mas sem perder o distanciamento necessário para a reflexão. Direção de Nelson Baskerville. Em cartaz até 18 de dezembro.

Teatro Fábrica Rua da Consolação, 1623 – Bela Vista Tel.: (11) 3288-0136.
Sessões aos sábados às 19h e domingos às 18h. Ingressos a R$ 20,00 .
Faixa Etária Recomendada: a partir de 14 anos


Gravuras e ilustrações na Estação Pinacoteca

Abordando o lado ilustrador de Alex Cerveny, artista que também produz pinturas, escultoras e gravuras, a exposição "Desenhos de Ilustrações" apresenta trabalhos criados para o jornal Folha de S. Paulo – coluna de Barbara Gancia – e para os livros "Vejam como eu sei escrever", de José Paulo Paes (Editora Ática) e "Pindorama", de Paulo Tatit e Sandra Peres (Cosac & Naify). Natural de São Paulo, Cerveny já expôs sua arte em galerias nacionais e também em exposições internacionais como a 21ª Bienal de São Paulo e a mostra Viva Brasil Viva, na Suécia.

"Objetos Frágeis", exposição de Claudio Murabac, traz 120 gravuras produzidas pelo artista na última década. Com curadoria de Tadeu Chiarelli, a mostra aborda aspectos fundamentais dos trabalhos de Murabac, tais como a diversidade de técnicas empregadas e a utilização de figuras relacionadas ao corpo humano. Nascido em Rio Claro, o artista coordenou, entre 1989 e 2003, o Ateliê Livre de Gravura do Museu Lasar Segall e, atualmente, é professor da professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. As duas exposições ficam em cartaz até 26 de janeiro.

Estação Pinacoteca
Estação Pinacoteca Lgo. Gal. Osório (D2), 66 – Luz.
Tel.: (11) 3337-0185
Aberta de terça a domingo, das 10h às 18h.
Entrada: R$ 4, grátis aos sábados.


  Mix Livros  
Arquitetura da América Latina

Em seu novo livro, o arquiteto Hugo Segawa, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, faz uma análise da produção arquitetônica da América Latina a partir da década de 1980. Lançado pela editora espanhola Gustavo Gili, Arquitectura Latinoamericana Contemporánea (136 páginas, R$ 110,00) traz o debate intelectual no meio profissional e acadêmico nestas duas últimas décadas, o que permite reconhecer alguns do arquitetos mais importantes e entender a complexidade da cultura latino-americana no contexto mundial.

A obra também traz diversas ilustrações do britânico Colin Ross – todas em preto e branco – feitas especialmente para a publicação. Em espanhol.


Legado racionalista

Responsável por inserir a arquitetura racionalista no Brasil, o francês Victor Dubugras (1868-1933) tem seu legado homenageado no livro Victor Dubugras - Precursor da Arquitetura Moderna na América Latina (Edusp/Quota de Arte, 144 páginas, R$ 88,00). A publicação, cuja autoria é de Nestor Goulart Rei, leva ao estudo da formação da arquitetura moderna na América Latina, em especial no Brasil, e permite compreender como atuais realizações ainda estão ligadas às lições de Dubugras e seus discípulos.

Formado em arquitetura na Argentina, Dubugras chegou à capital paulista em 1891. Foi responsável, entre outras realizações, pelo projeto de reurbanização da Ladeira da Memória, concluído em 1922. Edição bilíngüe em português e francês.


Cidades Universitárias

Sexto volume dos Cadernos do Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo, Cidades Universitárias: Patrimônio Urbanístico e Arquitetônico da USP (Edusp/Imprensa Oficial, 360 páginas, R$ 90,00) aborda a questão do patrimônio cultural da Universidade, refletindo sua construção material ao longo do tempo.

A publicação é composta de duas partes: na primeira, autores de diversas áreas de atuação problematizam a relação "cidade e cidade universitária". A segunda parte traz inventários que mostram a implantação dos campi e seus edifícios principais, as mudanças e intervenções ocorridas, assim como as relações estabelecidas com as cidades onde estão implantados. O livro pode ser adquirido nas livrarias da Edusp.


Conhecendo o Brasil

Oferecer aos turistas um olhar panorâmico sobre a arquitetura, o patrimônio, a natureza, a arte e a cultura do Brasil é a proposta do Guia Unicard Unibanco Brasil (Editora Bei, 576 páginas, R$ 89,00). Publicação criteriosa com 320 fotos, 120 mapas e textos de personalidades nacionais e estrangeiras – como Sebastião Salgado, Zuenir Ventura, Nelson Motta e o estilista italiano Valentino –, o guia revela o que o país tem de melhor.

São disponibilizados 22 destinos selecionados, pelos quais é possível fazer até 92 roteiros e passeios, uma lista comentada de mais de 800 restaurantes e hotéis e uma seção de serviços. O guia já está disponível também para os Estados Unidos e para o mercado de língua espanhola.


Organizações não governamentais

A sociedade brasileira assistiu, durante a década de 1990, ao fortalecimento do Terceiro Setor, o que pôde ser observado no aumento significativo de organizações da sociedade civil que atuam neste segmento, nos recursos mobilizados e, principalmente, na diversificação das ações sociais empreendidas. Em Terceiro Setor: Regulação no Brasil (Editora Peirópolis, 128 páginas, R$ 39,00), o autor Eduardo Szazi convidou especialistas em Direito para discutir temas como os fundos patrimoniais, os termos de parceria como alternativa aos convênios, o conceito legal de público no Terceiro Setor, entre outros. Trata-se do segundo título da série Temas Polêmicos, que busca promover o debate sobre questões atuais que afetam cotidianamente a vida das organizações.


  Mix Sites  
Museum Of Modern Art: www.moma.org

Localizado em Nova York, o Moma, Museum of Modern Art, é considerado um dos mais importantes do cenário internacional. Fundado como instituição educacional em 1929, hoje sua coleção tem mais de 150 mil peças, entre pinturas, esculturas, fotografias, objetos de design e outros itens.

Pelo site é possível conhecer uma parte do acervo: a coleção on-line traz 822 artistas, entre eles nomes como Francis Bacon, Salvador Dalí e Pablo Picasso. É possível pesquisar por década, por artista, título das obras, país de origem e ano. Em inglês.


Zupi: www.zupi.com.br

Desenvolvida para promover e fomentar o que há de melhor nos campos de design, arte, internet e comunicação, a revista on-line Zupi está no ar desde 2002. Além de divulgar eventos e concursos, o site traz notícias, colunas e portifólios. O internauta pode se cadastrar para receber a newsletter quinzenal e enviar seus trabalhos para divulgação.

O site também tem uma loja virtual que vende camisetas, uma coletânea de trabalhos de design artístico e experimental criada por talentos do mundo todo, e edições da revista Tupigrafia.


Almanack Paulistano: www.almanack.paulistano.nom.br

Página do Instituto Maturidade de Estudos do Desenvolvimento Humano, o Almanack Paulistano traz um rico material, muitas vezes ilustrado, sobre a São Paulo de antigamente. Há reportagens dessa época, ilustrações e informações sobre a arquitetura, a culinária, as ruas, o primeiro recenseamento, e muitas outros itens.

Uma relação de contos, poemas e obras de artistas plásticos está disponível para os internautas que queiram conhecer um pouco mais sobre as origens da maior metrópole da América Latina.


Ministério do Turismo: www.turismo.gov.br

Intitulado Portal Brasileiro do Turismo, o site do Ministério traz diversas informações para quem quer viajar pelo Brasil. Pelo site é possível traçar um roteiro escolhendo a região, o estado e o perfil de viagem a ser realizada: de esportes, negócios e eventos, cultural, férias e ecoturismo.

Direcionado principalmente para o turista estrangeiro, o portal oferece dica de apoio ao turista, informações sobre eventos, clima, moeda e endereços de escritórios de turismo no exterior. Uma galeria de imagens disponibiliza fotos de diversas cidades brasileiras.


  Notícias  


Associação Viva o centro renova Direção para o biênio 2005/2007

Henrique Meirelles, fundador da Viva o Centro, foi reeleito presidente da entidade em Assembléia Geral dos associados realizada no começo de outubro. Inicialmente, em sessão extraordinária, a assembléia aprovou uma atualização do Estatuto da entidade, preparada pelo associado Pinheiro Neto Advogados, com dupla finalidade: flexibilizar a administração e adaptar o documento às recentes alterações feitas no Código Civil Brasileiro.

Na seqüência, em sessão ordinária, foram discutidos e aprovados os relatórios e as contas da Associação relativas a 2004, auditadas pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes e aprovadas pelo Conselho Fiscal da entidade. Por fim, a Assembléia confirmou, por aclamação, a nova direção da Viva o Centro para o biênio 2005/2007. Como presidente reeleito, Meirelles lidera o novo Conselho Diretor da Associação, formado por presidentes e diretores das principais entidades participantes. O novo Comitê Executivo completa-se com: Alencar Costa (Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de São Paulo) e Roberto Mateus Ordini (Associação Comercial de São Paulo-ACSP) nas vice-presidências, Luiz Eduardo Ramos Lisboa (Associação Brasileira de Bancos Internacionais-ABBI) na secretaria, Wilson Antonio Salmeron Gutierrez (Febraban) na tesouraria e Elzo Aparecido de Barroso (Bovespa) na controladoria. Marco Antonio Ramos de Almeida fica na Superintendência Geral da Associação. O Conselho Fiscal ficou assim constituído: José Joaquim Boarin (Conselho Regional de Contabilidade), José Maria Giaretta Camargo (ex-presidente do Sindicato dos Contabilistas) e Sebastião Luiz Gonçalves dos Santos (presidente do Sindicato dos Contabilistas).


Descontração e entusiasmo marcaram a 3ª Convenção das Ações Locais

O imenso salão do Hotel Jaraguá reservado para a 3ª Convenção das Ações Locais, que marcou os 10 anos dessas entidades surgidas para zelar e lutar por melhorias em ruas e praças do Centro, ficou lotado de dirigentes das Ações Locais e convidados. O evento, realizado pela Viva o Centro, foi patrocinado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e focou os temas "Liderança para Servir" e "Ética nas Ações Comunitárias", expostos por Waldemar Helena Júnior, da Franquality Consultoria em Recursos Humanos. Na abertura, o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, falou sobre os mutirões de limpeza e zeladoria implementados pela Subprefeitura no Centro. "Esse serviço terá grande avanço quando o implantarmos de forma definitiva nos distritos Sé e República como proposto pela Viva o Centro, isto é, com a colaboração das Ações Locais desses distritos", disse Matarazzo. Ao final, foi feito o lançamento oficial das Eleições Gerais 2005 nas Ações Locais, com ida às urnas em 19 de outubro, fechando o evento com um almoço de confraternização.


Camisetas para levar São Paulo no peito

A Associação Viva o Centro lançou no começo da primavera uma coleção de camisetas com estampas de alguns dos principais ícones do Centro Histórico de São Paulo, entre eles o Mercadão, o Edifício Copan e a Estação da Luz. As estampas são assinadas por três renomados artistas: o fotógrafo Cristiano Mascaro, a desenhista Carla Caffé e o chargista Paulo Caruso (foto). A novidade, sob a grife "Coleção São Paulo", resulta de parceria com a empresa Santana Screen, tradicional fornecedora de produtos têxteis para o mercado publicitário. A Viva o Centro buscava há tempos oferecer a simpatizantes da causa da recuperação do Centro, turistas e cidadãos em geral, uma coleção de camisetas que reproduzisse edifícios históricos, como forma de difundir a importância da área e a necessidade de requalificá-la, além de angariar fundos para a entidade. As camisetas estão à venda no site www.submarino.com.br/vejasp e também podem ser adquiridas na sede da Viva o Centro – Rua Líbero Badaró, 425, 4º andar – em duas versões: branca (R$ 33) e preta (R$ 35).


Associação recebe boas notícias para o Centro

O Centro de São Paulo deve abrigar a partir do ano que vem uma escola para técnicos de cinema e um memorial do artesanato para difundir o que é produzido pelo setor em todo o Estado de São Paulo. A primeira boa nova foi trazida à Viva o Centro por um grupo seleto da cinematografia paulista, formado pelo cineasta Ugo Giorgetti, que está para lançar o filme "Boleiros 2"; por Pedro Lazzarini, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica de São Paulo (Sindcine), entidade autora do projeto da escola; pelo produtor de cinema Luís Eduardo Pereira; por Toni de Souza, presidente do Instituto de Estudos Audiovisuais Roberto Santos, e Marília Santos, viúva do cineasta Roberto Santos e membro das diretorias do Sindcine e do Instituto. A segunda notícia chegou por intermédio de Claury Santos Alves da Silva, responsável pela Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco), órgão da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho voltado à promoção, desenvolvimento, divulgação e comercialização do artesanato paulista. Os dois projetos receberam o apoio da Associação por estarem afinados com o processo de recuperação do Centro.


Experiência da Viva O Centro atrai pesquisadores estrangeiros

No começo deste semestre o professor português Carlos José Lopes Balsas – doutorado pela universidade norte-americana de Massachussets e hoje no corpo docente da Escola de Planejamento da Arizona State University (EUA) – e o pesquisador austríaco Michael Moser – mestrando do Instituto de Geografia da Universidade Insbruck – visitaram a Associação Viva o Centro em busca de informações e atualização. Balsas, especialista em urbanismo e planejamento regional, veio pela segunda vez a São Paulo e, como da vez anterior, visitou a Viva o Centro para acompanhar o trabalho realizado pela entidade em benefício da área central da cidade. O professor, que foi recebido pelo superintendente geral da Associação, Marco Antonio Ramos de Almeida, consultou o banco de dados da entidade e obteve informações adicionais sobre as Ações Locais. A permanência de Moser foi mais longa. Ele veio estudar in locu como a Associação tem norteado sua luta pela requalificação do Centro e como organizou a coletividade da região em Ações Locais para reivindicar melhorias pontuais em ruas e praças da área.


Ações Locais, a representatividade nas urnas

Em outubro o Centro de São Paulo se agitou com as eleições gerais para renovar as Diretorias e Conselhos Fiscais das 41 Ações Locais que, sob coordenação da Associação Viva o Centro, zelam por ruas e praças da área. A votação, como no ano passado, foi realizada no saguão do Shopping Center Light durante todo o dia, tendo o apoio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e o patrocínio da Bovespa e BM&F. Foram às urnas representantes de cerca de 4 mil empresas, condomínios, instituições e lojas estabelecidos no Centro, além de moradores e proprietários de imóveis na região, para o preenchimento de mais de 500 postos. Na boca das urnas, vários eleitores comentavam que, unidos, têm conseguido pleitear e realizar benfeitorias que individualmente seriam impossíveis. Em conjunto, e representando toda uma coletividade, é menos árdua a busca por soluções dos problemas que um lugar apresenta. Os eleitos tomaram posse conjunta em cerimônia realizada no dia 3 de novembro, no auditório do Sindicato dos Contabilistas, entidade associada à Viva o Centro.


Atentados contra a População de rua em São Paulo. E os culpados ?

Há pouco mais de um ano, em nota oficial publicada nesta seção da revista urbs, a Associação Viva o Centro manifestou seu repúdio aos atentados perpetrados em pleno Centro da cidade contra indefesos moradores de rua, pedindo ao mesmo tempo a concentração dos esforços, por parte do poder público, no sentido de descobrir os autores dos crimes e dar proteção emergencial a quem continuasse ameaçado. Até agora, contudo, as autoridades não encontraram os responsáveis pelos atentados, que, repetindo o que foi dito no ano passado, de forma alguma podem ficar impunes.

A expectativa é de que o ano de 2005 não termine sem que os autores sejam identificados e submetidos à Justiça.


PATROCINADORES Revista URBS

Patrocínio:

Banco Itaú Serasa
Bank Boston
Apoio Institucional:

Prefeitura do Município de São Paulo
Revista Urbs - Publicação bimestral editada pela Associação Viva o Centro, com o patrocínio especial do Bank Boston, Banco Itaú Serasa e Pinheiro Neto - Advogados; e apoio institucional da Prefeitura Municipal do Município de São Paulo.

Conselho Editorial: Jorge da Cunha Lima, Jule Barreto, Marco Antonio Ramos de Almeida, Mary Lou Paris, Marta Dora Grostein, Regina Prosperi Meyer, Rosely Carmona, Antonio José A. G. Zagatto, Lu Rodrigues, Ana Maria Ciccacio (secretária).

Editor: Jule Barreto
Editora Assistente: Ana Maria Ciccacio
Editora de Arte: Lu Rodrigues
Editora de arquitetura e urbanismo: Regina Prosperi Meyer
Colaboram nesta edição: Ana Francisca Ponzio, Frederico Mengozzi, João Podanovski, Marcos Capobianco, Marcos Garuti (Traço), Katia Canova (produção de imagens)
Fotografia: Jesus Carlos (Imagenlatina), Marcelo Santos
Tratamento de imagens: Delcine de Assis
Fotolito: Unigraph
Impressão: Takano Editora Gráfica

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urbs pode ser adquirida através de assinatura e venda avulsa e é distribuida gratuitamente a um mailling especial da Associação Viva o Centro.