ANO IX   -   No. 38   -   agosto / setembro 2005
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Panaorama  Participação Comunitária Efetiva

Reportagem  Dez Anos de Ações Locais (Por Inês figueiró)
Preparando o Terreno para a Iniciativa Privada (Por Gustavo Fioratti)
Supervisão Urbana com Qualidade (Por Ana Maria Cicaccio)
Patrimônio Cultural e Financeiro (Por Fábio de Paula e Ana Maria Cicaccio)
Tá o Maior Fuxico (Por Eduardo Fiora)

Artigos Profissãa: Turismo (Por Orlando De Souza)
Mitos e Verdades Sobre os Cupins (Por Marcos Roberto Potenza)

Entrevista Entrevista: Marcos Arbaitman, o potencial turístico do Centro de São Paulo (Por Lizandra Magon de Almeida)

Idéias Arquitetura Inclusiva no Centro de São Paulo (Por Guilherme Magalhães Pupo Santos Orientadora: Sheila Walbe Ornstein)
Centro Actua, Praça da Bandeira (Por Daniel Corsi)

Cultura Centros Culturais: Espaço para Aprendizado (Por Paula Knudsen)

Seções Carta ao leitor
Cartas
Galeria
Mix
Viva o Centro Notícias
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  Carta ao Leitor  


Esta edição da revista urbs comemora o sucesso das Ações Locais, uma iniciativa da Viva o Centro que começou há dez anos e que hoje representa uma força de organização da sociedade civil. Mais de 40 núcleos discutem e encaminham os problemas de cada rua do Centro de São Paulo, cobrando e municiando o poder público de informações para que a solução das principais questões seja rápida e efetiva. Dentro desse espírito de cooperação, a Viva o Centro apresenta em detalhes sua proposta para dividir o Centro em 12 microrregiões para a implantação de um sistema de zeladoria urbana inovador em toda a região. Analisamos também as mudanças já implementadas no pólo Luz-Santa Ifigênia, que começam a estimular investimentos em um setor que ficou praticamente abandonado nos últimos anos. Outras duas reportagens apresentam exemplos de ações que ressaltam a amplitude do processo de requalificação da região central. Em uma delas, abordamos o processo de restauro e retrofit dos edifícios, demonstrando porque é vantajoso investir na recuperação dos imóveis já existentes. A outra revela a reciclagem de tecidos no bairro do Bom Retiro, que alimenta uma indústria paralela de artesanato. A vocação do Centro para o Turismo aparece em dois momentos: no artigo escrito por Orlando de Souza, novo presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, e na entrevista com Marcos Arbaitman, dono de uma das maiores agências de turismo do Brasil e ex-Secretário de Turismo de São Paulo. Conforme o Centro evolui, a revista acompanha suas mudanças. Aos poucos, vamos introduzindo pequenas alterações gráficas que visam tornar a urbs mais agradável e gostosa de ler. Esperamos assim valorizar ainda mais a comunicação com o público que torce e trabalha para que o nosso "Centrão" fique cada vez mais próximo de toda a cidade.

Lizandra Magon de Almeida

Editora



  Cartas  


THEATRO MUNICIPAL

Queria parabenizar a equipe pelo material publicado na seção Idéias - revista urbs edição 37 - sobre o Theatro Municipal. É realmente inevitável passar pelo Centro de São Paulo e admirar aquele belíssimo edifício que completa agora seu centenário. Belo, porém aparentemente distante. Como se sua imponência fosse um tanto quanto inibidora: muitos são os que passam por aquela região durante a semana, mas raros são os que já ousaram subir as escadas para ver o Theatro por perto - o que dirá dos que já assistiram a algum espetáculo de sua programação. Fato que ocorre muitas vezes apenas por desinformação, já que há muitas atividades culturais de altíssima qualidade e com preços bastante acessíveis para toda a população. E quem já se deu o direito de ir a uma ópera, concerto, espetáculo de dança ou de teatro no Municipal sabe que a sensação é de mergulhar na cultura do hoje cercado pela arte de ontem, que decora cada canto do lugar.

Fica a torcida para que projetos como este proposto pelo arquiteto Fábio Frutuoso na última edição sejam analisados e, quem sabe, venham a se tornar realidade em um futuro próximo. Se forem adequadamente explorados todos os espaços do Theatro Municipal em prol da multiplicação de atividades culturais variadas, o Centro de São Paulo terá sua bela e antiga arquitetura povoada por ares renovados de sua população, nascida ou não por aqui.

Atenciosamente,
Elen Campos, por e-mail
Jornalista


REVISTA URBS

Gostaria de parabenizar a revista urbs pelo ótimo serviço que presta à comunidade. Os moradores do Centro de São Paulo reconhecem a importância da revista e da Associação Viva o Centro para a recuperação da cidade, que é cada vez mais notável.

Abraço,
Antonio Barcellos, por e-mail
Médico


REVISTA URBS E CALÇADÕES

Compro a revista urbs na banca de jornal que fica na esquina das avenidas Ipiranga e São Luiz. Tenho amigos que procuraram a revista em outros locais, mas não acharam. Onde mais posso encontrá-la para compra avulsa? Aproveito para dizer que a reportagem sobre calçadões da edição 37 está excelente. Tenho certeza de que sem a opção de usar o automóvel, boa parte das pessoas nem sai de casa. Acho que o Centro é dos pedestres, mas também dos transportes e, por que não, dos automóveis particulares? Muitas pessoas virão à região central se puderem fazê-lo com seu carro.

Parabéns!
Maria de Lourdes Correia, por e-mail
Professora


Cara Maria de Lourdes,

O exemplar avulso da revista urbs pode ser adquirido nos seguintes locais: Banca de Jornal República (Praça da República, em frente ao nº 32 - Centro Tel.: (11) 3256-5116); Banca de Jornal Barão de Itapetininga (Rua Barão de Itapetininga, em frente ao nº 163 - Centro Tel (11) 3259-6927); Banca de Jornal Paulista (Avenida Paulista, em frente ao número 2239 - Cerqueira César); Livraria Bookstore (Rua Padre Leão Peruche, 137 - Tucuruvi Tel (11) 6991-7311); nas livrarias Bookstore das Universidades Mackenzie (Rua Itambé, 45 - Prédio 10 - Subsolo De 2º a 6º das 8h às 17h) e São Judas (Rua Taquari, 546 - Mooca De 2ª a 6ª das 9h30 às 13h); nas livrarias Laselva. Na livraria Laselva é possível também solicitar o exemplar avulso pelo telefone 0800-110052, além, é claro, na sede da Associação Viva o Centro (Rua Líbero Badaró, 425 - 4º andar - Centro).

QUESTÕES SOCIAIS

A reportagem "Atenção total à criança e o fim das esmolas" (revista urbs edição 37) aborda uma temática que há muito está presente no cotidiano dos paulistanos. Concordo quando é dito que as pessoas precisam parar de dar esmolas, pois o ato incentiva as crianças a permanecer nas ruas, mas esta, na maioria das vezes, é a única maneira que encontram para "ajudar" esses menores. Por isso, acredito que uma campanha de conscientização, alertando as pessoas para os malefícios desta prática e mostrando outras formas de ajuda, certamente seria eficaz no combate ao problema.

É preciso que haja uma iniciativa para que a população conheça os programas e as atividades do governo e das ONGs, assim como a transparência e eficácia destas ações.

Marcio Soares, por e-mail
Tecnólogo Gráfico


A METRÓPOLE PAULISTANA

Caros editores,
Tenho 52 anos e sou natural da cidade de São Paulo, cidade onde sempre vivi. Por isso sei apreciar o que a cidade tem de agradável, bonito e prazeroso no meio dessa confusão e poluição toda. E a revista de vocês vem de fato preencher um espaço que antes não havia: o de discutir as questões de real interesse do cidadão paulistano: arte, cultura, ambiente, arquitetura, gastronomia... Parabéns!

Um abraço,
Paulo Victor, por e-mail
Designer Gráfico




  Panorama  
PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA EFETIVA

(Por Marco Antônio Ramos de Azevedo - Presidente da Diretoria Executiva da Associação Viva o Centro.)


Foi para envolver toda a coletividade do Centro de São Paulo no processo de requalificação da área central que a Associação Viva o Centro criou, em 1995, as Ações Locais. Enquanto a Viva o Centro seguiria levando a bandeira pela recuperação do todo, cada Ação Local se concentraria em sua rua ou praça para obter melhorias locais articulando-se com o poder público e com a iniciativa privada. Surgiram, assim, no mês de agosto daquele ano, as cinco primeiras Ações Locais: Álvares Penteado, Barão de Itapetininga, Líbero I, Líbero II e Paissandu.

Era o início de um sistema que, nos últimos dez anos, organizou a sociedade civil em entidades sem fins lucrativos, formadas por representantes de empresas, instituições, condomínios, lojas, escritórios e moradores estabelecidos em cada rua e praça do Centro. Com isso, o governo hoje conhece as necessidades reais da região e a população pode fiscalizar e propor melhorias e soluções na área de atuação de cada Ação Local. Já existem mais de 40 Ações Locais, e são elas as responsáveis por muitas das melhorias implantadas no Centro. Ao que se sabe, em nenhum outro grande centro urbano no mundo existe experiência semelhante.

As Ações Locais surgiram em um momento em que se tornava patente a importância estratégica do Terceiro Setor no envolvimento de coletividades por melhorias na qualidade de vida. Até por conta da Constituição Federal de 1988 não havia mais espaço para o planejamento e a implementação de políticas públicas sem a participação da coletividade.

A Associação Viva o Centro e as Ações Locais deram, ao longo desses dez anos, importante contribuição ao que hoje alguns especialistas chamam de tecnologia social, um conjunto de expertises de construção e disseminação de metodologias de ações sociais criado principalmente a partir da atuação do Terceiro Setor. A sociedade civil se organizou, se fortaleceu e está mais consciente do que nunca de que tem o que sugerir e quer participar da gestão pública.

Cada Ação Local se concentra exclusivamente na microrregião onde atua, mas no fundo os 40 núcleos formam uma rede onde se trocam informações sobre experiências práticas e apoios na hora de replicar uma ação que deu certo ou evitar uma que não funcionou. Muitas

reuniões são organizadas todos os meses pela Viva o Centro com esse fim, além de encontros com especialistas em diferentes assuntos relativos a melhorias urbanas e sociais. A meta sempre é a de que surjam soluções simples, de baixo custo, fácil aplicação e forte impacto para a solução de antigos problemas, ou estímulo de potencialidades latentes.

Completamente despertada para o protagonismo, a sociedade civil do Centro de São Paulo ingressa agora em uma nova fase. Bem estruturadas, perto de realizarem a terceira convenção e a terceira eleição geral (leia na pág. 60), as Ações Locais podem contribuir com muito mais na recuperação do Centro. Elas estão prontas para interagir ainda mais eficientemente com o poder público por meio do programa de supervisão urbana proposto pela Associação Viva o Centro à Prefeitura de São Paulo, como se vê na reportagem da pág. 20.

Pela proposta da Viva o Centro, um sistema territorializado de zeladoria urbana, segurança e fiscalização seria implantado nos distritos Sé e República, podendo ser viabilizado pela criação de uma Oscip - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Esse é um tipo de organização que, além de ser aberto a patrocínios de empresas privadas, pode receber recursos do poder público, sejam humanos, materiais e/ou financeiros. O subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, tem dito que a Suprefeitura tem 2 mil funcionários, mas para tocá-la bastariam 200. Entre os 1,8 mil restantes certamente é possível "garimpar" alguns que tenham interesse e potencial para, bem treinados e motivados, integrar essa Oscip.



  Galeria  


SINDICATO DOS COMERCIÁRIOS COMPRA PRÉDIO NO ANHANGABAÚ

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SCSP) adquiriu, por meio de leilão realizado pelo Bradesco, um edifício de dez andares no Vale do Anhangabaú. A construção possui 4,4 mil de área construída e abrigará a nova Sede Central da organização, que tem cerca de 430 mil associados. Localizado na Rua Formosa (D6, D5), o prédio estava vazio há bastante tempo e foi arrematado por R$ 2,3 milhões.

Ricardo Patah, presidente do SCSP, considera o Vale do Anhangabaú, o "lugar mais belo de São Paulo" e espera "ajudar a valorizar ainda mais a região". "Será um edifício de prestação de serviços que contribuirá com um fluxo de duas mil pessoas por dia", explica.

A nova sede terá também um cybercafé. Esse espaço de convivência abrigará exposições que, como afirma Patah, "contarão a história dos 65 anos do Sindicato".

O SCSP é o maior sindicato de trabalhadores da iniciativa privada no Brasil. Tem sete subsedes - Tatuapé, Pinheiros, Higienópolis, Lapa, República, Santo Amaro e Santana -, um ambulatório médico na Vila Mariana, Clube de Campo em Cotia e Colônia de Férias na Praia Grande. A Sede Central ocupa, no momento, um único andar no Edifício CBI Esplanada, também no Anhangabaú. O Sindicato dos Comerciários é associado à Viva o Centro.

13 MILHÕES

É o número de pessoas que utilizaram a integração metroferroviária na Estação da Luz (E2, 98) em seus seis primeiros meses de funcionamento. Inaugurada em 30 de novembro de 2004, pela integração subterrânea passam cerca de 100 mil pessoas por dia.

RESTAURANTE CARLINO É REINAUGURADO

A Rua Epitácio Pessoa (A5, B5) acaba de ganhar um morador ilustre: o lendário restaurante Carlino, que foi reaberto por seu dono, Antônio Carlos Marino. "O público está voltando, esta é a hora certa de reabrir", afirma. E como a história da casa sempre esteve ligada ao Centro, para a reinauguração o restauranteur não teve dúvidas: o local escolhido teria de ficar na região. "Já recebi propostas para reabrir nos Jardins, mas eu não conseguia imaginar o restaurante lá. O Carlino foi feito no Centro e deve permanecer aqui. É um saudosismo que não pode ir embora."

O restaurante mais antigo da cidade abriu as portas, pela primeira vez, em 1881. O nome, Carlino, era uma homenagem carinhosa, um diminutivo do nome do fundador: Carlo Cecchini. Da Avenida São João (C4, A3), primeiro endereço da casa, o Carlino foi para a Avenida Vieira de Carvalho (B4), no Largo do Arouche, e teve mais dois donos. Marino adquiriu o restaurante em 1978 e sempre manteve a aura que envolvia sua famosa cozinha. Em 2002, entretanto, a casa foi fechada. "A degradação sofrida pelo Centro tinha levado o público embora", revela. Mas o restaurante deixara saudade. O novo espaço ainda estava nos preparativos finais, quando clientes começaram a aparecer todos os dias na porta: "Mas ainda não abriu?", perguntavam a Marino, que teve, então, de abrir as portas mais cedo do que esperava.

A casa serve a tradicional comida italiana, mantendo muitas receitas do primeiro cardápio.

Mais informações pelo telefone 3258-5055.

ESCOLA MUNICIPAL DE BAILADO FAZ 65 ANOS

Fundada em 1940, na gestão do prefeito Prestes Maia, a Escola Municipal de Bailado comemorou em maio seus 65 anos de história. Na época de sua criação, o prefeito delegou a direção a Maria Olenewa, bailarina russa, e Vaslav Welchek. Atualmente a escola é dirigida por Esmeralda Penha Gazal.

Por ser o único centro profissionalizante de dança gratuito da cidade, a concorrência pelas vagas é muito grande, chegando a 30 candidatos por vaga. Hoje, seis décadas depois, a escola já formou mais de 2 mil bailarinos.

VENDO SÃO PAULO DE CIMA

Quando foi inaugurado, a vista panorâmica proporcionada por sua torre era muito diferente. Estávamos nos anos 40 e, nessa época, seus 35 andares e 161,22 metros de altura foram considerados a maior construção de concreto armado do mundo - os edifícios norte-americanos, incluindo o Empire State Building, eram feitos com estruturas metálicas. Hoje, quase 50 anos depois, o topo do Edifício Altino Arantes (E5, 50), o edifício-sede do Banespa, ainda proporciona visões inspiradoras, como este entardecer que ilumina a famosa Avenida São João (C4,A3). Foto de Érico Padrão.

PINHEIRO NETO RECEBE PRÊMIO INTERNACIONAL

A Chambers&Partners, uma das mais respeitadas consultorias jurídicas da Europa, concedeu ao Pinheiro Neto Advogados o prêmio de melhor escritório de advocacia da América do Sul. Entregue pela advogada Cherie Booth, esposa do primeiro-ministro britânico Tony Blair, o prêmio foi recebido em mãos por Antônio Mendes, sócio e membro dos Grupos Executivo e Diretivo."Damos muito valor ao prêmio recebido, que consideramos importantíssimo para o escritório. "Nós o recebemos como reconhecimento pelo esforço contínuo de oferecer serviços jurídicos com excelência e ética, missão que nos norteia desde a fundação do escritório, em 1942", afirma Mendes.

O escritório Pinheiro Neto Advogados é um dos mais renomados do país e fica localizado na região central de São Paulo. É uma das empresas fundadoras e patrocinadoras da Associação Viva o Centro.

NOVO POPCENTRO NA AVENIDA IPIRANGA

Com um espaço de quase 600m2, foi inaugurado um novo centro popular de compras, o popcentro da Avenida Ipiranga (B5, D4). Localizado no número 1.262, o espaço é destinado ao comércio varejista e foi aberto com os 111 boxes já locados, que vendem desde ferramentas até queijos e compotas. "Aqui se vende de tudo, menos produtos piratas. Temos algumas regras, e essa é uma delas", esclarece Amilcar Pinheiro Irineu, presidente da Associação dos Trabalhadores Ambulantes de São Paulo (Atasp) e administrador dos popcentros Ipiranga e Senador Queiroz.

Ocupando a garagem do antigo prédio da Bolsa de Cereais, o espaço foi alugado por R$ 8 mil mensais. O investimento inicial, de R$ 25 mil, ainda não foi pago, mas se considerarmos o sucesso do popcentro localizado na Avenida Senador Queiroz (E3, F3), como afirma Amilcar, tudo indica que a história deva se repetir.

O popcentro Senador Queiroz foi aberto em agosto de 2004 com o objetivo de oferecer um local para as pessoas que trabalhavam irregularmente na Rua 25 de março. Hoje possui 460 boxes em funcionamento e o retorno tem sido ótimo. É o caso de Zeni Luisa de Lima, ambulante que trabalhava nas ruas e hoje tem um box no popcentro: "Aqui temos estrutura para atender bem os clientes. Além disso, pegamos bons atacados e por isso meu rendimento é até cinco vezes maior do que nas ruas".

Para permanecer no centro popular, os trabalhadores têm de pagar R$ 50 semanais, que são destinados ao pagamento do aluguel, segurança e manutenção do espaço. Idealizados pela Atasp, os popcentros se revelam uma ótima alternativa para a desocupação das calçadas da cidade e para a regularização dos ambulantes que não têm licença para trabalhar.

MUSEU DE ENERGIA DE SÃO PAULO É INAUGURADO

Localizado nos Campos Elíseos, o Museu de Energia de São Paulo foi instalado no antigo casarão da família Santos Dumont. A construção, que data de 1890, foi restaurada com patrocínio da Eletropaulo, Voith, Sabesp, Queiroz Galvão, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista e CBA. Com entrada gratuita, o museu fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 18h, e suas exposições temporárias pretendem mostrar aspectos da história da energia e da urbanização de São Paulo. O prédio, que fica na Alameda Cleveland, 601, também passou a abrigar a sede da Fundação Energia e Saneamento, mantenedora do museu.

175 MILHÕES

De pessoas circularam pela Estação Sé de Metrô em 2004. Nos dias úteis aproximadamente 600 mil pessoas passam por lá.

GUARDIÕES MIRINS CUIDARÃO DOS MONUMENTOS DA CIDADE

romovido pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Federação dos Amigos de Museus do Brasil (Fambra), o projeto Guardiões Mirins irá capacitar jovens maiores de 14 anos, de escolas públicas e privadas, para zelar pelo patrimônio histórico da cidade.

Para a escolha dos alunos, a idéia é que professores atuem como monitores e selecionem os jovens que tenham interesse em atuar na função. No começo, o trabalho realizado será voluntário mas a intenção é oferecer, no futuro, uma bolsa-escola.

A capacitação acontecerá por meio de oficinas dadas por especialistas em paisagismo, restauração, guia cultural, manutenção e limpeza de monumentos, entre outros. A primeira equipe de guardiões será treinada no Museu Paulista para o Parque da Independência. Monumentos da região central também farão parte do projeto.

FEIRA PROMOVE ATIVIDADE ARTESANAL E GERAÇÃO DE RENDA

Iniciativa da Cáritas Arquidiocesana, organismo oficial da Igreja Católica, o projeto Feira de Quem Faz incentiva o trabalho artesanal e a conseqüente geração de renda para profissionais desempregados. Dirce Cândida Antônio, expositora e voluntária da Feira, conta que tem obtido um ótimo retorno: "Pude mostrar e expandir o meu trabalho, porque aqui o artesão é valorizado".

Instalado na Rua Jose Bonifácio, 107, o espaço tem 1.500m2 de área e oferece, além de boxes para a exposição dos produtos, cursos gratuitos como pintura em madeira e em cerâmica, bordado, entre outros. Há também um curso de consultoria empresarial dado por professores da Unifei que mostra como adquirir a matéria-prima, qual valor dar ao produto final e até mesmo como montar um negócio. Preço do curso sob consulta. A Feira funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 13h às 18h. Telefone para contato: 3242-0646

RESULTADO DO PROJETO ATELIÊ AMARELO

Noticiado na última edição da revista urbs, o projeto Ateliê Amarelo já teve o resultado divulgado. O tema proposto é uma reflexão social e poética sobre o Centro da cidade, e a comissão curadora, presidida pela artista plástica Maria Bonomi, escolheu as seguintes propostas: Procuramos Ricardo; Sinalização Subjetiva; São Paulo 2005 - Desenho Desígnio; A Madeira e a Luz do Centro; Centros Comunicantes; Praça Vermelha; Tapumes; Na Rua; e Juzarte. Como suplentes foram escolhidas as propostas Brinquedos(?); A Potencialidade Afetivo-Construtiva do Centro de São Paulo; e Diário de Anotações Gráficas.

Os artistas que tiveram seus projetos contemplados irão trabalhar na casa localizada na Rua Gal. Osório (D2, 23), e durante o processo receberão apoio dos curadores. Os trabalhos poderão ser acompanhados por estudantes de artes e demais interessados.

CONVÊNIO INSTITUI COMPLEXO TURÍSTICO CULTURAL RECIFE/OLINDA

Um convênio de cooperação técnica para a implantação do Complexo Turístico Cultural Recife/Olinda foi firmado no dia 27 de abril pelas Prefeituras das duas cidades, pelo Governo de Pernambuco e pelo Governo Federal. Trata-se de um plano de implementação de diretrizes políticas e ações que têm a intenção de promover uma nova fase de desenvolvimento cultural e urbano na região central do Recife.

Para isso, o convênio pretende potencializar e qualificar as atividades econômicas, turísticas e culturais no território, que compreende o espaço urbano entre o Sítio Histórico de Olinda e o Parque da Ex-Estação Rádio Pina. Atrair novos moradores, usuários, comércio e empreendimentos também estão entre as metas. Para execução das ações serão definidas intervenções prioritárias e indicados novos usos e atividades para as áreas. Também será proposto um modelo de gestão compartilhado.

Os participantes responsáveis por assinar o convênio foram: Olívio Dutra, ex-ministro das Cidades; Raquel Rolnik, secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades; Antonio Arantes Neto, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e representante do Ministério da Cultura; Jarbas Vasconcelos, governador de Pernambuco; João Paulo, prefeito de Recife; e Luciana Santos, prefeita de Olinda.

REGIÃO CENTRAL GANHA NOVO TEATRO

O Shopping Frei Caneca acaba de disponibilizar mais uma opção cultural no Centro: o Teatro Shopping Frei Caneca, que ocupa o 6º e 7º pisos do prédio. Com 600 lugares e uma área útil interna de 3.200m2, a arquitetura versátil da casa permite as mais diferentes manifestações culturais: desde montagens teatrais e apresentações de dança até óperas e concertos.

Instalado no distrito Consolação, na Rua Frei Caneca, 569, a coordenação da casa fica a cargo do produtor cultural Sérgio D’Antino, e a programação contará com a consultoria de ilustres nomes do teatro, como Bibi Ferreira, Irene Ravache, Juca de Oliveira, entre outros. A inauguração da programação do teatro aconteceu com o espetáculo "Isto é Brasil", com os bailarinos Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo. Informações sobre a programação pelo telefone (11) 3472-2229.



  Reportagem  

DEZ ANOS DE AÇÕES LOCAIS
(Por Inês figueiró)

O dicionário Aurélio define cidadão como "indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este". No dia-a-dia, o exercício desses direitos e deveres não se restringe a causas de grande abrangência. Pelo contrário, a rua onde moramos ou trabalhamos pode ser um objeto perfeito para o exercício da cidadania

Zelar pela rua em que moramos ou trabalhamos para buscar melhorias de qualidade de vida urbana é justamente a idéia central do Programa de Ações Locais. E o que são as Ações Locais? São entidades sem fins lucrativos que, licenciadas pela Associação Viva o Centro, atuam, cada uma delas em uma determinada microrregião do Centro de São Paulo, servindo como canal de negociação entre a comunidade local e o poder público. Cada Ação Local objetiva melhorar a qualidade de vida das pessoas e as condições de operação das empresas e organizações estabelecidas em sua área de atuação (a microrregião). Com a participação de executivos de empresas, lojistas, profissionais liberais, síndicos de condomínios residenciais e comerciais, moradores e outras pessoas estabelecidas na área de atuação das Ações Locais elas comemoram em agosto uma data bastante significativa: seus dez anos de existência.

"As Ações Locais partem do particular para o todo, já que é mais fácil uma pessoa cuidar da sua porta do que do bairro inteiro", destaca o presidente da diretoria executiva da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida. Com base nessa premissa entraram em funcionamento, em 1995, os primeiros cinco núcleos de Ação Local: Barão de Itapetininga, Líbero I, Paissandu, Líbero II e Álvares Penteado.

O projeto piloto tinha como objetivo testar a idéia. De lá para cá, não parou de se expandir: hoje são mais de 40 Ações Locais em funcionamento no Centro de São Paulo. E o número de núcleos deverá aumentar pois já há uma movimentação para a abertura das Ações Locais nas regiões da Santa Ifigênia e do Glicério. "A demanda tem sido muito grande", conta Teresinha Santana, coordenadora de apoio às Ações Locais na Viva o Centro desde 1997.

A primeira ação realizada pela Viva o Centro para a implementação das Ações Locais foi um levantamento do térreo do Centro para conhecer o que existia no nível da rua, passando por bancos, cafés, cartórios, lojas, portarias de edifícios, bares e restaurantes, centros culturais e tudo o mais que pudesse ser encontrado ao longo das calçadas. O resultado foi o cadastramento de aproximadamente 4 mil estabelecimentos, com a indicação de cerca de mil representantes para participar dos núcleos a serem formados.

Passada uma década do início de sua implantação, hoje mais de 3 mil empresas e entidades participam do projeto. Para participar, basta que a entidade ou morador indique um representante que recebe o título de Conselheiro da Ação Local. Os Conselheiros podem votar e ser votados para a diretoria da Ação Local, e é para eles que a Diretoria deve prestar contas de seus atos.

Flávia Dualibi, representante do 8º Cartório de Notas, é uma das pessoas que resolveu participar ativamente e está fazendo a história da sua Ação Local. Três anos depois do lançamento do Programa, a cartorária assumiu a presidência da Ação Local XV de Novembro, que atua nas ruas XV de Novembro e 3 de Dezembro. Em tom empolgado, apresenta os resultados do trabalho que já dura sete anos: o policiamento melhorou 100%; a varrição, 50%; e a iluminação e o calçamento hoje estão muito bons. "O poder público atua como um parceiro. Ele autoriza reparos, mas não precisa ser o mantenedor", explica. Entra, nesse caso, a conscientização dos usuários da região, os cidadãos, a respeito do seu papel na melhoria do local.

Freqüentadora do Centro desde criança quando seu avô abriu o cartório na rua XV de Novembro, Flávia destaca que as Ações Locais têm um canal direto com a Subprefeitura da Sé. "No nosso caso a iluminação era problemática. Hoje, a Ilumi, que é responsável pela manutenção, responde às nossas solicitações imediatamente", informa.

Quando a questão é um buraco na rua, a Subprefeitura é comunicada. Se há o desejo de reparação imediata e o poder público não tem essa disponibilidade - "nem sempre o meu problema é prioritário", admite a presidente da Ação Local XV de Novembro - o problema pode ser reparado pelo próprio morador/usuário. "Eu não preciso esperar o órgão da Prefeitura chegar para fechar um buraquinho ou refazer uma pequena parte da calçada", diz Flávia.

Engana-se quem pensa que ser chamado a agir na melhoria de seu espaço incomoda. Pelo contrário, aumentou a participação das pessoas no Programa. "Ao perceber que o projeto funciona, mais pessoas aderem. Hoje nossas reuniões quinzenais têm presença de quase 100% dos diretores", conclui Flávia.

As conquistas são o chamariz para novas adesões, confirma Eleonor Miniacci, há cinco anos na presidência da Ação Local Maria Paula. Moradora há 23 anos da região, conta que conheceu o trabalho por meio de um amigo que fazia parte da Ação Local São Francisco. O início dos trabalhos da Ação Local Maria Paula focou o grande número de moradores de rua que ficavam nas portas das casas por conta das ações sociais da Federação Espírita, situada nas imediações. "A comunidade se uniu e o problema foi parcialmente resolvido na época", afirma.

Antes de solucionar essa questão, a primeira conquista da sua Ação Local foi a instalação de um posto policial 24 horas na Praça Craveiro Lopes, que posteriormente foi toda restaurada.

A chegada do policiamento contou com o apoio do condomínio do suntuoso prédio localizado na praça. Um banheiro especial para os policiais foi disponibilizado no edifício e o bar e restaurante localizado no térreo oferecem alimentação aos PMs com descontos especiais.

A implementação da coleta seletiva e a realização de festas são outras atividades presentes no cronograma de atividades da Ação Local Maria Paula, que continua seu desafio de resolver a questão dos moradores de rua que andam pela região e se instalam na porta das casas - a área dessa Ação Local é predominantemente residencial.

Mas nem só de voluntários antigos vive o Programa. Paulo Vieira da Rocha, um participante de atividades da Viva o Centro há três anos, chegou há cinco meses na Ação Local Anhangabaú. Na presidência desde sua adesão oficial, Vieira da Rocha conta que o grande desafio é a melhor utilização do espaço público. "Isso é comum a todas as Ações Locais", destaca.

Assim como os demais dirigentes, o advogado responsável pela gerência do Hotel Central, o mais antigo do Centro, com operação iniciada em 1918, fala bem da limpeza e da iluminação da região. Mas há questões como a falta de banheiros públicos e de estacionamentos que estão sendo levadas à Subprefeitura. O carro-chefe de sua gestão, contudo, é a abertura do calçadão da Avenida São João, construído em 1982, para o tráfego de carros, transformando-o numa rambla nos moldes das existentes em Barcelona. O assunto está sendo discutido entre o poder público e a Associação Viva o Centro (a revista urbs número 37 publicou a proposta da Associação que também pode ser examinada no site www.viva ocentro.org.br).

Essa mudança, afirma, trará outra dinâmica à região, onde camelôs dividem as ruas com pregadores e alto-falantes. O trecho tem diversos hotéis que tiveram sua taxa de ocupação reduzida por conta do fechamento da avenida. "O fato de o cliente não poder estacionar na frente, seja de táxi ou carro próprio, atrapalha", argumenta, dando voz à queixa de seus vizinhos de rua.

As mudanças nas vias públicas têm como objetivo incrementar a utilização do espaço público. A idéia também norteou a luta da Ação Local Líbero I para a reabertura ao tráfego de veículos e pedestres na rua Dr. Falcão Filho, fechada com uma cancela que impedia a circulação de veículos e reduzia o espaço para os pedestres andarem até o metrô. A conquista, obtida no início deste ano, é considerada pelo atual presidente dessa Ação Local, Joaquim Barbosa de Oliveira, como uma das principais. Feito isso, os esforços se direcionam agora para melhorias na Praça do Patriarca.

Enquanto Vieira da Rocha chegou até a Ação Local Anhangabaú por meio do contato que tinha com a Viva o Centro, Barbosa de Oliveira, também advogado, descobriu as Ações Locais a partir de uma matéria de jornal. Terminada a leitura, o profissional, que tem escritório no Centro há 40 anos, decidiu procurar a coordenação do projeto na Associação. Pelo entusiasmo demonstrado, Barbosa de Oliveira foi logo convidado por seus pares a integrar a diretoria dessa Ação Local. De lá para cá o envolvimento só cresceu. Há um ano e meio ocupa a presidência da Ação Local Líbero I. "Como estamos no Centro há muito tempo, a degradação nos preocupava", afirma.

A Ação Local Líbero I tem 40 voluntários inscritos e cerca de dez muito atuantes. "Por ser trabalho voluntário não existem muitas pessoas disponíveis e, mesmo havendo boa vontade, existem várias dificuldades de agenda", explica. Essa mesma opinião é compartilhada por Vieira da Rocha, da Ação Local Anhangabáu, e Eleonor, da Ação Local Maria Paula. "Atrair voluntários nos primeiros anos não foi nada fácil", lembra Teresinha, coordenadora de apoio às Ações Locais, na Associação Viva o Centro.

Na avaliação do subprefeito da Sé, Andrea Mattarazzo, as Ações Locais são a grande alavanca para resolver os problemas do Centro. Há pouco mais de seis meses no cargo, ele destaca que, desde que assumiu seu posto, percebeu que não precisava fazer diagnóstico de cada local do Centro porque as Ações Locais já tinham feito. Ele não esconde sua surpresa diante da situação. "Nunca imaginei que encontraria a sociedade tão organizada e as Ações Locais com tantas informações para embasar o meu trabalho", afirma. São esses diagnósticos que servem de suporte para o trabalho da Subprefeitura sob sua responsabilidade, uma vez que determinam a vontade da sociedade. "Cabe a nós ajudar ou, pelo menos, não atrapalhar os desejos da sociedade", explica.

ELEIÇÕES

A grande representatividade das Ações Locais é obtida no pleito anual que elege os diretores dos núcleos. Até 2003, cada Ação Local fazia sua eleição de forma isolada. A partir de 2004, a Viva o Centro passou a coordenar o processo eleitoral de forma geral e centralizada.

O pleito deste ano será em outubro e acontecerá, assim como em 2004, no Shopping

Light - por ser um lugar de fácil acesso a todos os participantes. No pleito, os conselheiros, representantes dos participantes, escolhem os diretores das suas respectivas Ações Locais e os membros dos seus Conselhos Fiscais. Na eleição são definidos os diretores; depois, em reunião, a nova diretoria escolhe dentre seus membros os ocupantes de cada cargo, inclusive o de presidente. Cabe, então, a essa nova diretoria definir seu plano de trabalho para mais um ano de atuação, com base na demanda dos participantes do núcleo.

ALGUMAS CONQUISTAS DAS AÇÕES LOCAIS

• Recuperação do Vale do Anhangabaú (parceria com Bankboston)

• Recuperação da Praça Ramos (parceria com Klabin e Cia. Brasileira de Alumínio-CBA)

• Recuperação da Praça Desembargador Mário Pires (parceria com a Quaker)

• Fundação da Recifran - Cooperativa de Catadores

• Reforma da Praça Roosevelt

• Refeitório Comunitário da Rua Penaforte Mendes

• Ação no Ministério Público contra a ocupação do espaço público, embasada em dossiê preparado por algumas Ações Locais sobre a atuação irregular de camelôs

• Projeto Tá Limpo/Bovespa de capacitação de camelôs no serviço de recuperação de fachadas.

Serviço:

Para participar da Ação Local de sua rua entre no site: www.vivaocentro.org.br e descubra a que Ação Local ela pertence. Indique seu representante pelo site ou procure algum diretor dessa Ação Local. Todas essas informações estão disponíveis no site.

PRÊMIO ECO 1998

Em um certame muito disputado, a Associação Viva o Centro conquistou com o Programa de Ações Locais o Prêmio ECO 1998 da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil-São Paulo) na categoria Participação Comunitária. No júri, presidido por José Mindlin, havia personalidades como o escritor e jornalista Mário Prata e o presidente da Associação Brasileira de ONGs, Silvio Caccia Bava. Havia 82 projetos inscritos, dos quais alguns mantidos por grandes empresas como a 3M do Brasil, Dow Química, Johnson & Johnson, Perdigão Agroindustrial e Gessy Lever, e somente seis foram contemplados. Entre esses, duas instituições filiadas à Viva o Centro também receberam o Prêmio Eco nesse ano: a BM&F, por sinal patrocinadora do Programa de Ações Locais junto com a Bovespa, pelo projeto Associação Profissionalizante BM&F, e o Banco Itaú, com o Programa de Apoio Comunitário-Proac.





  Reportagem  

PREPARANDO O TERRENO PARA A INICIATIVA PRIVADA
(Por Gustavo Fioratti)

Os subdistritos da Luz e Santa Ifigênia viveram por muito tempo em abandono. Pólos comerciais importantes durante o dia, à noite se transformavam em "Cracolândia", foco de tráfico de drogas e prostituição. Desde o início do ano, a Prefeitura, por intermédio da Subprefeitura da Sé, está implementando ações para melhorar a qualidade do espaço público da região, esperando com isso atrair investimentos privados. Os resultados começam a ser sentidos.

Depois de anos de negligência, a região de Santa Ifigênia recebeu um tratamento de choque. Policiamento, iluminação, limpeza e fiscalização - medidas básicas que finalmente encontram o respaldo do poder público e preparam terreno para que ruas e imóveis localizados no pólo Luz-Santa Ifigênia experimentem a possibilidade de voltar a desfrutar de um bairro seguro e limpo, abandonando de vez o incômodo apelido de "Cracolândia".

O nome depreciativo - que indicava a presença de consumidores e traficantes de drogas - começa a não fazer mais sentido hoje: o policiamento e uma ação contínua da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, em consonância com organizações não-governamentais, tratou de provocar uma sensível diminuição nos crimes desse tipo na região. "Não posso assegurar que não exista mais tráfico de drogas ali, mas a situação ao menos foi controlada", afirma Mário Jordão Toledo Leme, delegado titular da 1ª Seccional de Polícia Civil.

Para os moradores da região, a diminuição da criminalidade é visível. "O ambiente aqui no bairro melhorou 500%. A Cracolândia está realmente acabando. Antes não dava para andar pela região à noite. Agora dá para chegar tarde sem problemas", afirma o porteiro Décio Esteves, 45, morador há 15 anos do edifício Julia Cristiani, que fica na esquina das ruas Santa Ifigênia e General Osório.

Atacando o foco dos problemas

Esses primeiros passos para a recuperação do Pólo Luz-Santa Ifigênia acontecem desde o início do ano, com a gestão do prefeito José Serra, e mobilizam órgãos como Contru, Emurb, Limpurb, Eletropaulo e Sabesp. A operação se consolida não apenas pela presença mais forte da polícia, mas também pelo controle de camelôs, fiscalização sanitária de hotéis, lojas, lanchonetes e padarias, além de coibir

a apropriação ilícita, por meio de "gatos", de energia elétrica e de água.

O número de camelôs nas ruas da região da Santa Ifigênia vem caindo pouco a pouco, com operações conjuntas da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar. Embora o processo seja lento, Toledo Leme identifica a evolução. "O importante é que haja uma constância na fiscalização e que o infrator seja autuado no momento em que quebra a regra. Só chegamos a esse ponto crítico porque faziam vistas grossas. A região ficou abandonada por tanto tempo que o problema atingiu um nível muito difícil de ser resolvido", diz o delegado.

Os problemas provocados pelos vendedores ambulantes são diversos: a Prefeitura deixa de recolher impostos sobre a venda de produtos, em geral contrabandeados ou falsificados; a ocupação das ruas é desordenada e atrapalha o trânsito de pedestres e carros, além de responder pelo aumento da poluição visual e sonora. "Não se ouve nada dentro das lojas de tanto que essa gente grita", diz Osmano Gonçalves, gerente da loja Mundo Digital. "Quando a polícia proíbe os camelôs de ocuparem as ruas, os clientes da minha loja podem até estacionar o carro aqui em frente", diz.

Para Toledo Leme, a presença de vendedores ambulantes traz problemas ainda mais sérios. "Quando conseguimos extinguir o comércio informal em uma região, a criminalidade ali cai em até 80%. A disputa de territórios, o contrabando e as brigas entre os camelôs são os motivos que causam esses crimes", diz o delegado.

De olho nas empresas

Segundo o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, essas medidas de caráter emergencial são fundamentais para que sejam tomadas outras iniciativas do poder público, mas especialmente para que se estimule o interesse do setor privado. "Enquanto a região não usufruir de segurança e limpeza, não haverá empresas interessadas em investir nela", afirma. O subprefeito conta que já visitou os entornos da Santa Ifigênia em companhia de empresários e que muitos grupos demonstram interesse em ocupar imóveis na região. Entre as companhias, Matarazzo cita as construtoras Walter Torre Jr. e a Rovic Incorporações, a Universidade Anhembi-Morumbi e a Universidade de Guarulhos.

Para o subprefeito, a variedade de atividades é fundamental para a recuperação da Santa Ifigênia. Por ser ocupada apenas por estabelecimentos comerciais, a região sofre um esvaziamento crônico após às 19h. Em outras palavras: durante o dia, fica lotada de gente e de carros, e durante a noite fica vazia e abandonada, o que facilita atividades ilegais, como furtos, roubos e tráfico de drogas, ainda que o número de crimes violentos, como homicídios, seja um dos mais baixos da cidade, segundo a Polícia Militar.

Estimular o crescimento de projetos habitacionais e criar um pólo educacional, com a instalação de pelo menos uma universidade, são estratégias que a Prefeitura tenta consolidar principalmente através da isenção de impostos em estudos - Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). "Com o aumento dessas atividades e principalmente da habitação, outros equipamentos (lanchonetes, locadoras de vídeo, pizzarias, padarias e até academias) surgiriam com o tempo, para atender aos moradores e estudantes da área", diz o subprefeito.

A conclusão é que as principais medidas dependem, agora, da iniciativa privada. "Cabe à Prefeitura estimular essa transformação, mas a recuperação de Santa Ifigênia tem de partir basicamente de empresas que tenham interesse em se instalar ali. A Prefeitura sozinha não tem condições de promover essas mudanças", diz Matarazzo. Embora haja expectativa por parte da Subprefeitura quanto ao interesse de grupos empresariais, ainda não há indicação de que alguma das companhias citadas pelo subprefeito vá realmente se instalar na região. Certamente as empresas ainda esperarão algum tempo para ter a certeza de que a Prefeitura manterá o que começou.

"O primeiro passo, que era promover uma limpeza urbana, nós estamos dando", diz Matarazzo. Nesse "primeiro" pacote da Subprefeitura, inclui-se o fechamento de vários estabelecimentos que não estavam de acordo com normas sanitárias ou de segurança. Recentemente, o Contru e a Secretaria da Saúde lacraram com cimento portas e janelas de muitos hotéis, devido às más condições de uso, de limpeza e de conservação dos edifícios.

"É uma pena que a região tenha mudado tanto. Há poucas décadas, o nosso serviço hoteleiro era movimentadíssimo, pois recebia muita gente que chegava na Rodoviária Municipal [localizada em frente à atual Sala São Paulo]", diz Armando Macedo, 70, dono do Hotel Chaves há 27 anos.

Num passado mais distante, mais precisamente na década de 1940, o bairro foi projetado como ponto de venda de novidades tecnológicas e musicais. As duas estações ferroviárias (Júlio Prestes e Luz) e a antiga rodoviária impulsionaram a vocação comercial da área. Hoje, o conglomerado se compõe de mais de 340 lojas de equipamentos eletroeletrônicos, com destaque para vendas de produtos relacionados à informática, além de estar muito próximo de uma série de espaços culturais do Estado e da Prefeitura, cujas programações respondem por parte da revalorização local. A inauguração da Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes, em 1999, e a reforma da Pinacoteca do Estado e do Parque da Luz exemplificam o potencial da região para se tornar um pólo cultural.

Patrimônio histórico

Embora tenha perdido muito de seu valor arquitetônico para a estruturação do complexo comercial, ainda restam por ali alguns pequenos edifícios construídos pela comunidade italiana no início do século, o que levou o Condephaat (órgão estadual do patrimônio histórico) a propor o tombamento do traçado viário e de cerca de 140 imóveis. É uma medida que visa resguardar o valor histórico da região, mas que vem causando polêmica. Com o tombamento, tanto as reformas como as mudanças nas características do entorno precisarão ser autorizadas pelo Conselho, o que compromete o interesse das empresas de se instalar ali e ajudar na recuperação da Santa Ifigênia.

De qualquer forma, toda essa discussão já faz com que o Pólo Luz-Santa Ifigênia receba a atenção que deveria ter recebido há tempos e finalmente possa desfrutar de ações específicas que atendam à sua importância histórica. Muitos dos antigos comerciantes que se instalaram na região a partir da década de 40 e 50 agora têm expectativa de que aquelas ruas respirem os ares da requalificação. Sonho que pode vir a se tornar realidade.

PROPOSTAS PARA A REGIÃO

A tese de que a reestruturação do Pólo Luz-Santa Ifigênia deve se basear principalmente no fortalecimento da diversidade de atividades na região (habitação, comércio, educação, lazer e empresarial) é há tempos defendida pela Associação Viva o Centro. Na época das eleições para a Prefeitura, no final do ano passado, os candidatos receberam um conjunto de propostas para o Centro, elaborado pela Associação, uma delas específica para a região do entorno da Estação da Luz e da Rua Santa Ifigênia.

Enfrentados os principais problemas sociais e estruturais da região - entre eles o comércio informal e o tráfico e consumo drogas - é preciso incentivar programas de habitação, estimular a instalação de empresas e criar ali um pólo educacional, com pelo menos uma instituição de ensino de peso. Uma reforma urbanística que modificaria a malha viária do local também foi estudada pela Associação.

A proposta da Viva o Centro ainda inclui idéias sobre mudanças que poderiam ser realizadas na Praça Júlio Prestes, localizada em frente à estação de mesmo nome, que hoje abriga a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). O projeto promoveria uma maior integração entre a praça e a estação, transformando a área ao ar livre em mais um palco para apresentações da Osesp. O desenho, entre outros detalhes, inclui desníveis na praça que seria usada como anfiteatro.

Uma proposta concebida pela equipe vencedora do concurso "Idéias para um Novo Centro", promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e que foi capitaneada pelo arquiteto João Batista Martinez Correia, transforma a avenida Tiradentes em um bulevar, com passeios largos e arborizados. O tráfego passa a correr por vias subterrâneas, sob o novo espaço, o que possibilita uma mudança paisagística com potencial para revitalizar toda a região da Luz, Bom Retiro e Pari, dinamizando equipamentos culturais já existentes, como a Pinacoteca do Estado, Estação da Luz, Museu de Arte Sacra, Liceu de Artes e Ofícios e Teatro São Pedro, e criando uma entrada monumental para a Cidade (no Centro).

O projeto prevê a implantação de edifícios residenciais no Bairro do Pari, mesclando a atividade comercial e habitacional, inclusive com intervenções voltadas à habitação popular.





  Reportagem  

SUPERVISÃO URBANA COM QUALIDADE
(Por Ana Maria Cicaccio)

Associação Viva o Centro propõe à Prefeitura de São Paulo um sistema territorializado de zeladoria urbana, segurança e fiscalização para os distritos Sé e República, com a participação da coletividade representada pelas Ações Locais


Quando o assunto é gestão pública já se pode mencionar, no Brasil,a existência de um número cada vez maior de experiências participativas nas administrações municipais. A população começa a intervir na definição de prioridades e no aproveitamento de recursos públicos, apontando ao executivo municipal necessidades de melhorias locais e sugerindo como implementá-las. No Centro de São Paulo, com essa finalidade, há 10 anos a coletividade dos distritos Sé e República vem sendo organizada em Ações Locais, programa coordenado pela Associação Viva o Centro (leia reportagem sobre os 10 anos do programa na página 12). Ações Locais são entidades organizadas por ruas e praças do Centro, reunindo empresas, instituições, condomínios residenciais e comerciais empenhados na luta por melhorias no lugar. Portanto, expertise para colaborar de modo ainda mais estreito com a gestão pública é o que não falta.

No contexto da recuperação do Centro e das Dez Propostas para a área, formuladas pela Associação com esse objetivo (publicadas na revista urbs número 35 e disponíveis no site www. vivaocentro.org.br), uma diz respeito à "Implantação de um Sistema Territorializado (por microrregião) de Zeladoria Urbana, Segurança e Fiscalização", que sobressai por ser muito simples e rápida de implantar, custar pouco e ter tudo para possibilitar resultados em termos de qualidade ambiental e social a curto prazo.

"Com essa proposta a Viva o Centro busca dar sua contribuição à formulação de procedimentos administrativos e de estratégias de gestão que atendam de modo eficaz às demandas cada vez mais complexas de um Centro Metropolitano como o de São Paulo", diz o presidente-executivo da entidade, Marco Antonio Ramos de Almeida.

Ações em rede

Em linhas gerais, a proposta consiste em dividir o Centro Histórico (distritos Sé e República), com seus 4,4 km2, ou 0,5% da área da cidade, em 12 microrregiões, e para cada uma delas designar um Supervisor de Área, que dotado de uma estrutura de apoio enxuta, porém bem treinada e equipada, terá a incumbência de fiscalizar a qualidade e a eficiência da zeladoria urbana e da rede de proteção social em sua microrregião. A Supervisão de Área terá a incumbência de acompanhar o atendimento à população carente, o controle do uso e ocupação do espaço público, a fiscalização da manutenção de calçadas, a iluminação e a limpeza pública, a poluição visual e sonora, entre outros itens (leia mais no box Atribuições da supervisão).

A proposta da Viva o Centro também visa a que, tão logo quanto possível, estruturas incumbidas de zelar pela segurança pública, como a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana, adotem esta mesma divisão do Centro. "Com isso teríamos na região central um saudável intercâmbio de informações na área e mútua colaboração na microrregião", afirma Ramos de Almeida.

Contrapartida

Esse sistema de controle intenso e permanente, necessário a uma região que recebe diariamente cerca de 2 milhões de pessoas, terá como contrapartida a colaboração da coletividade já organizada do Centro por meio das mais 40 Ações Locais implantadas.

A gestão integrada de cada microrregião da região central, em cooperação com as Ações Locais nela existentes, tem por objetivo propiciar prontidão, qualidade, constância e eficiência à zeladoria urbana e à rede de proteção social no Centro, de modo a evitar que os problemas se avolumem e/ou agravem com o passar do tempo, o que onera consideravelmente os cofres públicos.

Atores engajados

A proposta de interação sociedade/ governo permitirá à população e aos governantes usufruir os benefícios da contribuição ativa da sociedade civil à gestão pública. As Ações Locais podem apontar aos supervisores de área a urgência de atendimento a pessoas em situação de rua, assim como a necessidade de reparos em pisos de calçadas, intensificação na coleta de lixo, limpeza de bueiros, remoção de veículos, manutenção de iluminação, resolução de problemas de trânsito e esgoto, reformas em guias e sarjetas etc.

O Programa de Ações Locais, iniciado em 1995 e desenvolvido regularmente pela Viva o Centro, com o apoio da BM&F e Bovespa, reúne hoje mais de 40 núcleos, com mais de 3 mil empresas, instituições, condomínios e lojas da área central, além de moradores e proprietários de imóveis na região, para zelar pelas ruas e praças onde se acham estabelecidos. Seu objetivo é a implementação da qualidade de vida urbana, do bem-estar e da segurança em cada rua e praça do Centro em benefício de todos os que moram, trabalham ou circulam na área central.

Viabilizando

Uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) seria a maneira de viabilizar uma proposta como essa. Seria a forma de prover condições para o enfrentamento de problemas que muitas vezes ultrapassam a capacidade isolada da Prefeitura, quer por limites financeiros, quer pelo baixo grau de motivação de parte do funcionalismo público na busca de soluções para os problemas da cidade.

A Oscip pode receber recursos humanos, materiais e financeiros do poder público para executar o trabalho, como já acontece no setor da saúde com muitos hospitais e no setor da promoção social com entidades assistenciais. Hoje, como o grande recurso na Subprefeitura da Sé é de pessoal e não financeiro, como vem repetindo sistematicamente o subprefeito, a alocação de capital humano para esse trabalho já seria excelente começo.

A Subprefeitura da Sé conta com cerca de 2 mil funcionários — "200 bastariam para tocar os serviços", tem dito o subprefeito Andrea Matarazzo. Faltam, porém, caminhões e outros equipamentos. Havendo uma Oscip, ela poderia receber a mão-de-obra disponível na Subprefeitura da Sé e capacitá-la para as novas funções com o apoio, inclusive, de instituições universitárias dispostas a se engajar no trabalho. O primeiro passo seria instaurar um processo motivacional para atrair candidatos entre os funcionários excedentes para as equipes de cada uma das 12 microrregiões. Para aprimorar o trabalho, a organização poderia obter patrocínio com bancos, empresas comerciais e/ou escritórios de atividade liberal, entre outras.

As perspectivas para a viabilização desta nova forma de gestão são das melhores. "As equipes do prefeito José Serra e do subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, já estão estudando nossa proposta", adianta o presidente-executivo da Viva o Centro. Além disso, é muito mais fácil buscar recursos para a compra de equipamentos e até mesmo para insumos e/ou pequenas obras pontuais com a iniciativa privada do que aporte mensal para salário e encargos sociais da contratação de pessoal. Dentro desse esquema, mão-de-obra e respectiva remuneração estariam garantidos.

AS 12 MICRORREGIÕES DO PROGRAMA DE SUPERVISÃO URBANA DO CENTRO DE SÃO PAULO

No Núcleo

1. Vale do Anhangabaú, Praça da Bandeira e Pedro Lessa e área da Brigadeiro Tobias até a Avenida Senador Queiroz

2. Área que compreende o Triângulo Histórico e as ruas Boa Vista e General Carneiro

3. Praça da Sé, Praça João Mendes, Largo São Francisco e arredores

4. Centro Novo, Praça D. José Gaspar e Largo Paissandu

Na Coroa Leste

5. Região da Rua 25 de Março entre a Rua Mauá, Avenida do Estado e Avenida Tiradentes

6. Área especial do Parque D. Pedro II

7. Carmo e área em torno da Avenida Rangel Pestana

8. Área do Glicério entre o Parque D. Pedro II e a Avenida 23 de Maio

Na Coroa Oeste

9. Região entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho e o Viaduto Júlio de Mesquita Filho

10. Praça Roosevelt e Vila Buarque

11. Região do Largo do Arouche e Praça da República

12. Pólo Luz-Santa Ifigênia

ATRIBUIÇÕES DA SUPERVISÃO

1. Limpeza: acompanhamento de varrição, lavagem de espaços públicos, coleta

de lixo, existência de lixeiras, distribuição de panfletos, pichação etc.;

2. Água/Esgoto: notificação de vazamentos de água/esgoto e exalação deodores

provenientes de esgotos;

3. Bueiros e Bocas de Lobo: verificação das condições de bueiros e bocas de lobo, incluindo necessidade de limpeza, reparos e reposição de tampas;

4. Calçada/Leito Carroçável: acompanhamento das condições das calçadas, com notificação da presença de buracos e obstrução da travessia de transeuntes, bem como necessidade de reparos no acabamento do piso;

5. Luz e Força: verificação das condições de iluminação da área, com indicação de lâmpadas queimadas, curto/circuito, ligações clandestinas etc.;

6. Taxi e Ônibus: notificação do surgimento de pontos irregulares, taxistas fechando o acesso a calçadas, abusos por parte de motoristas, estacionamento em fila dupla etc.;

7. Áreas Verdes e Jardins: indicação de árvores comprometidas, precisando de poda, risco à rede elétrica, canteiros que precisam de manutenção etc.;

8. Mobiliário Urbano: verificação de equipamentos, tais como bancas de jornal, floreiras, lixeiras, postes etc., instalados de modo irregular no espaço público;

9. Poluição Visual: notificação de outdoors, placas e painéis publicitários instalados de modo irregular;

10. Gás: indicação de prováveis vazamentos e de armazenamento irregular de gás;

11. Poluição Sonora: acompanhamento de emissão abusiva de ruídos, show informal etc.;

12. Poluição do Ar: verificação dos agentes causadores de poluição do ar;

13. Promoção Social: encaminhamento de crianças/adolescentes e adultos em situação de rua para atendimento pelos órgãos competentes;

14. Segurança: identificação de locais que possam ser alvo de ações criminosas;

15. Ocupação Irregular do Espaço Público: notificação da ocupação irregular do espaço público por camêlos/lojistas/bancas;

16. Vigilância Sanitária: verificação da presença de riscos/agravos à saúde pública por falta de higiene e/ou manipulação inadequada de alimentos em estabelecimentos da região;

17. Manejo Ambiental das Pragas Urbanas: verificação de possíveis focos de dengue, pombos, roedores, morcegos, baratas etc.;

18. Sinalização/Tráfego: acompanhamento das condições de tráfego e necessidade de sinalização;

19. Banheiros Públicos: notificação das condições de funcionamento, higiene e salubridade dos banheiros públicos e seus equipamentos;

20. Defesa Civil: verificação da possibilidade de queda de objetos de janelas e/ou varandas de edifícios sobre o passeio público e de irregularidades existentes nas obras que possam colocar em risco trabalhadores e transeuntes.

CAPACITAÇÃO

Os Supervisores de Área e respectivas equipes deverão passar por um período de capacitação com preparo em:

1. Relacionamento com a comunidade;

2. História do Centro;

3. Práticas dos diversos segmentos da Prefeitura e concessionárias - ilume, Limpurb, Segurança Urbana, Departamento de Patrimônio Histórico/DPH, Vigilância Sanitária,

Eletropaulo, Sabesp, Comgás, Vias Públicas, DET/DSV, Psiu e Desenvolvimento Social.



  Reportagem  

PATRIMÔNIO CULTURAL E FINANCEIRO
(Por Fábio de Paula e Ana Maria Cicaccio)

Preservar o patrimônio construído da cidade, além de colaborar para a melhoria da qualidade de vida, pode gerar lucros. Saiba como obtê-los


A preservação dos imóveis no Centro, tombados ou não pelo patrimônio histórico, é uma necessidade deflagrada pela Associação Viva o Centro há mais de dez anos. Hoje, o processo de renovação é evidente, graças à iniciativa daqueles que recuperaram seus imóveis. Mas ainda é grande a quantidade de edifícios históricos que precisa de recuperação. O principal obstáculo para recuperá-los é o fato de que muitos proprietários não sabem que é possível acumular patrimônio econômico a partir da preservação do patrimônio cultural. "É interessante notar que a palavra patrimônio é usada para as duas coisas. Preservar significa exatamente não perder o patrimônio que se possui, seja financeiro ou cultural", salienta Lucio Gomes Machado, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).

A dificuldade em recuperar os imóveis não acontece por falta de vontade de seus donos. Ela surge pelo desconhecimento das leis que permitem a isenção de impostos em caso de restauro. Um exemplo disso é que a maioria das pessoas não sabe que imóveis localizados no entorno de edifícios tombados também podem se beneficiar de diversas leis de isenção fiscal (veja no box Os benefícios são muitos). E, até mesmo, como encontrar arquitetos e engenheiros que façam o diagnóstico da construção e o projeto de restauro ou recuperação.

Restauro, Recuperação ou Retrofit?

Para a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o termo restauração é usado para denominar qualquer obra de recuperação de prédios de valor histórico, tombados ou não. "Na Europa, onde o conceito de restauro foi criado, é muito difícil estabelecer critérios para as intervenções. Mas esse não é o caso de São Paulo, onde a maior parte do patrimônio histórico remanescente foi construída no período da República. Muitos imóveis foram modificados, mas alguns permanecem com as mesmas características de quando foram construídos", afirma o professor Lucio Gomes.

O termo recuperação, por sua vez, é usado para definir reformas que incluem mudanças e adaptações de edifícios não tombados. Retrofit, então, é apenas um sinônimo para recuperação. "Um exemplo de recuperação foi feito no Edifício Monteiro Soares, na Rua Miguel Couto com a Rua Líbero Badaró. As janelas de ferro foram substituídas por outras com caixilhos de alumínio", acrescenta o engenheiro Rafael Nasser, da Refix Engenharia, empresa especializada em restauro e recuperação de fachadas e estruturas.

O restauro é uma solução viável para a maioria dos imóveis antigos de São Paulo, uma vez que foram construídos com qualidade de materiais e estrutura superior à utilizada na construção civil paulistana atualmente. "Recuperar ou restaurar edifícios históricos - levando em conta sua estrutura, volume construído, localização e, eventualmente, fachadas -, é um investimento de alta qualidade", revela o professor. "Mas o estado de conservação do imóvel é fundamental para que elementos como estrutura e fachada tenham vida útil garantida após as obras. Afinal, quando a conservação deixa de ser feita com a regularidade necessária, o imóvel se degrada. E isso aumenta a necessidade de alterações mais profundas", afirma.

Passo-a-passo

O primeiro passo para recuperar um imóvel, portanto, é procurar arquitetos e engenheiros especializados em restauro e patrimônio. Eles estão habilitados a fazer um diagnóstico da construção e avaliar custo e tempo de obra. Após analisar o estado de conservação do edifício, os profissionais criam estratégias específicas de recuperação ou restauro, em conformidade às exigências da lei. Um obstáculo, por exemplo, que somente profissionais habilitados podem resolver é encontrar materiais similares aos usados na construção original, como ferragens e peças em gesso, uma vez que muitos deles não são mais fabricados. "Como esse mercado no Brasil ainda é pequeno, há poucas indústrias que se interessam em produzi-los. Mas a tendência é que a demanda aumente, e, com isso, a oferta de produtos específicos se amplie", acrescenta Lucio Gomes. Em São Paulo, há alguns escritórios especializados na área, como a Refix, a Concrejato, a Gomes Machado Arquitetos Associados, a Compacta e a Cia. do Restauro.

A Secretaria Municipal de Cultura lembra que se o imóvel for tombado é importante saber seu nível de tombamento. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) - vinculado à SMC e ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) - estabelece três níveis: somente fachada; fachada e áreas comuns; e todo o edifício. Além do Conpresp, o tombamento dos imóveis também pode ser feito, no nível federal, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e, no nível estadual, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado (Condephaat).

Qualquer projeto de restauro de um edifício histórico no Centro de São Paulo - tombado ou não - deve então ser encaminhado ao Conpresp e ao Condephaat. Depois de obtidas suas aprovações, o projeto deve ser encaminhado à Subprefeitura da Sé, para que se dê entrada ao processo de restauro.

Tipologias

A maioria dos imóveis antigos que precisam de recuperação pode ser dividida em três tipos principais, conforme seu uso e ocupação: edifícios comerciais, habitacionais e industriais.

Os edifícios de escritórios, que representam a maior parte dos imóveis vazios do Centro de São Paulo, ficaram obsoletos por causa dos equipamentos de informática e das novas exigências de conforto, como banheiros privativos. "A vantagem dos edifícios do Centro é que eles têm pé-direito e estruturas dimensionadas acima dos padrões atuais. Eles são compatíveis com as redes de informática e ar-condicionado, e resistentes a grandes cargas", afirma Lucio Gomes. Outro dado importante é que o Centro é um local estratégico, com a melhor infra-estrutura e equipamentos urbanos da cidade, além da grande circulação de pessoas. "Se esses edifícios são recuperados, a valorização é imediata. No caso de edifícios comerciais, quando se fala em recuperação ou retrofit, a valorização vai de 15% a 20%", afirma Nasser. "O restauro ajuda na melhoria da auto-estima de quem trabalha, circula ou mora no Centro. Além disso, amplia-se a possibilidade de alugar ou vender o imóvel", completa.

Os prédios habitacionais antigos, por sua vez, são facilmente recuperáveis porque, na maioria deles, somente as redes de eletricidade e hidráulica precisam ser renovadas. "Muitos apartamentos antigos são melhores e maiores do que os mais modernos. Suas paredes têm melhor isolamento. São mais confortáveis. Higienópolis é um exemplo de bairro residencial, antigo para os padrões de São Paulo, que continua cheio de vida e é muito valorizado pela posição central na cidade e pela qualidade do espaço público e dos edifícios", acredita Lucio Gomes.

"Um bom exemplo de edifício industrial já recuperado é o Matadouro Municipal, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo. Ele funcionou até a década de 1930, virou depósito da Prefeitura e, no final dos anos 1980, foi transformado na Cinemateca Brasileira, um verdadeiro exemplo de espaço de convivência", completa.

APRENDENDO SOBRE O PATRIMÔNIO

No final do governo Itamar Franco, o Ministério da Educação oficializou a inclusão da disciplina Técnicas Retrospectivas no currículo das instituições brasileiras de ensino superior de arquitetura e urbanismo. Antes disso, algumas escolas já haviam percebido a demanda por profissionais habilitados a fazer um projeto de restauro ou de recuperação de um imóvel com valor histórico, e, por isso, já ministravam cursos de restauro e preservação. No Estado de São Paulo, atualmente, destacam-se os cursos de pós-graduação em restauro da USP, PUC-Camp, Unicsul e Unisantos. "Na FAU-USP, o foco é o restauro de edifícios construídos no período da República, inclusive daqueles construídos sob os preceitos da arquitetura moderna", revela Lucio Gomes Machado, professor da FAUUSP.

Informações:

Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul): (11) 6956-2979 e www.unicsul.br/pos.

Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp): (19) 3756-7088 e www.puc-campinas.edu.br.

Universidade Católica de Santos (UniSantos): (13) 3205-5555 e www.unisantos.br.

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP): (11) 3257-7837 e www.usp.br/fau.

OS BENEFÍCIOS SÃO MUITOS

Para a Secretaria da Habitação e Infra-Estrutura Urbana (Sehab) é importante lembrar que o custo da aprovação de um projeto de recuperação ou restauro, assim como o da obra, é semelhante ao de qualquer outra. Além disso, algumas legislações beneficiam os cidadãos que recuperarem imóveis tombados. Um exemplo é a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Mendonça), de 1990, que estabelece isenção parcial do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para obras de conservação e restauração de bens tombados.

Há também a Lei 10.598, de 1988, que concede 50% de isenção de IPTU por dois anos para imóveis tombados ou não, que estejam em área do Centro especificada pela própria legislação. O privilégio, no caso da Lei de Fachadas para imóveis tombados (12.350/97), pode ir além, vigorando por até dez anos e chegando a 100% de isenção, caso a conservação do imóvel seja permanente. "Anualmente, representantes do DPH e da Sehab fazem uma vistoria. Por isso, não basta restaurar, é importante manter o estado de conservação", completa Rafael Nasser, da Refix Engenharia.

Além dos incentivos municipais, os de âmbito estadual e federal podem ser utilizados, como a Lei de Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado da Cultura (Linc) e a Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (Lei Rouanet). Os interessados em saber como recuperar edifícios no Centro (tombados ou não), e como utilizar benefícios fiscais, podem obter orientação gratuita na Sehab (Tel.: (11) 3241-4359).Empresas, instituições ou pessoas físicas com planos de recuperar imóveis tombados ou não pelo patrimônio histórico em Centros de metrópoles também podem contar com uma linha de crédito especial da Caixa Econômica Federal (CEF) para financiar as obras. Com juros subsidiados, a nova linha de crédito permite financiamentos de R$ 20 mil a R$ 5 milhões, com prazos de pagamento de 12 meses (no mínimo) a 180 meses para pessoa física e de 96 meses para pessoa jurídica. Pode-se contratar o financiamento para projetos de restauro, reforma, modernização, ampliação e até mesmo aquisição para ampliações, desde que em centros urbanos.



  Reportagem  

TÁ O MAIOR FUXICO
(Por Eduardo Fiora)

Nas tradicionais feiras de artesanato, em elegantes vitrines de shopping centers, no cotidiano dos bairros e na intimidade dos lares um número cada vez maior de paulistanos, de diferentes níveis sociais, não se intimida e diz abertamente: como é gostoso fuxicar. E já há quem sustente: fuxicou, gostou e vai continuar fuxicando


Longe de ser um avassalador movimento de massas, com organização definida, o trabalho artesanal que transforma retalhos de tecidos em peças como bolsas, echarpes ou almofadas - o popular "fuxico" -, expande-se capilarmente por meio da ação de sujeitos singulares. Esses homens e mulheres - de jovens a idosos - mostram claramente que uma nova teia sócio-econômica se formou na maior cidade da América Latina.

O marco zero dessa rede coloca mais uma vez em evidência a zona central de São Paulo, já que a ponta inicial se prende, basicamente, ao bairro do Bom Retiro. Nele estão concentradas dezenas de empresas da cadeia de confecção, cujos restos da produção convertem-se em matéria-prima para os "fuxiqueiros". Diariamente, ao cair da tarde, dezenas e dezenas de sacos contendo retalhos de tecidos são colocados, ao ar livre, no corredor têxtil formado pela tradicional Rua José Paulino e adjacências. Subitamente, aquilo que num primeiro momento poderia ser considerado lixo ganha valor de troca. Posteriormente, incorporará também um valor de uso nada desprezível.

Arte e criatividade

Decifrar o pano de fundo que compõe essa complexa teia significa mergulhar em histórias de vida alinhavadas com o precioso fio que marca a sociedade brasileira: a criatividade. Histórias como a de Claudomiro, um artista plástico de 42 anos que começou a fuxicar no ano passado, criando desenhos feitos por sua esposa numa oficina improvisada dentro do apartamento do casal. Pelo menos três vezes por semana, Claudomiro percorre as ruas do Bom Retiro à procura de retalhos para a arte de fuxicar.

Não é uma tarefa tão simples quanto se possa imaginar: a concorrência pela matéria-prima disponível já começa a incorporar uma certa alma capitalista. Os sacos despejados, até então propriedade à disposição do coletivo, são recolhidos ou por catadores autônomos para posterior revenda ou por catadores diaristas, que, com suas carroças, encaminham a coleta para galpões de terceiros. "É preciso fazer amizade com as pessoas, caso contrário volta-se de mãos vazias para casa", revela Claudomiro.

Com diplomacia o artista dialoga com os catadores e alcança, assim, o seu objetivo: sem pagar nada pela mercadoria, prende a um carrinho de feira alguns sacos de restos de tecidos, cujas cores e texturas inspirarão as suas criações, basicamente tapeçarias para parede. Simpático e bom de conversa, ele não tem grandes dificuldades em seduzir sua clientela potencial: vizinhos e amigos. "Eles aprovaram a nossa coleção. As peças que vendemos saem, em média, por 40 reais, com preço máximo de R$ 800". No final do mês, essa atividade, onde o segredo parece estar fincado no tripé diplomacia-criatividade-habilidade manual, gera para Claudomiro e sua esposa uma renda de até R$ 800.

Nas disputadas calçadas do Bom Retiro quem também encontra renda é Nilton, o Bahia, 40 anos. De segunda a sexta-feira, entre 17h e 18h30, ele se empenha em encher sua carroça com sacos e mais sacos de retalhos, cujo destino será um galpão montado em Carapicuíba.

"Você quer saber a origem do fuxico?", pergunta Bahia. "Pois bem, aqui está", acrescenta, mostrando uma pilha de sacos que acabara de recolher. Vinham de uma confecção instalada na José Paulino. "De oito em oito dias, a fábrica libera esses sacos. Acho que cada um deve pesar mais ou menos 5 quilos. Eu recolho tudo, coloco na carroça e levo para Carapicuíba. Lá tem um pessoal que separa os retalhos para quem trabalha com fuxico."

Valor de revenda

São redes assim, totalmente informais, que abastecem fuxiqueiras como Joana Barros, pensionista do INSS, que aos 62 anos descobriu uma nova paixão: "Estou adorando essa história de fuxicar", confessa, ao interromper por alguns instantes suas atividades num curso prático do Senai que ensina técnicas de fuxico e patchwork (outra forma de atividade artesanal com retalhos onde a marca característica é um alinhavo aparente que perpassa todo o trabalho).

O engajamento de Joana nessa rede mostra uma outra face da mesma: a revenda do produto artesanal. Quem conta é a própria artista. "Trabalho em casa, em São Bernardo, fazendo bolsas e outras peças. Como ainda estou aprendendo a lidar com essas técnicas, consigo produzir cerca de oito itens por mês. Tenho uma cliente que compra minhas bolsas não para uso próprio, mas para revendê-las."

Segundo a docente Delva Ribeiro Barros, dos cursos de Fuxico e Patchwork do Senai (unidade Bom Retiro), um saco de 8 quilos de retalhos (comprado a 4 reais) rende até dez bolsas de fuxico. "O custo total de uma bolsa básica pode ficar entre R$ 15 e R$ 20. Se for mais sofisticada, com um tipo de alça mais trabalhada, pode chegar a R$ 30. Geralmente o preço de venda almeja um lucro de 100%". Assim, para confeccionar sua bolsa, Joana gasta R$ 25 e vende a peça por R$ 50. Ao revender esse produto, a cliente da artista de São Bernardo também busca os mesmos 100% de ganho. Assim, a bolsa artesanal custará R$ 100. "Os preços mais caros são comuns nas vitrines de shopping centers. Em feirinhas de artesanato dá para encontrar peças bem mais em conta. Mas onde se vende bem mesmo é junto a amigos e vizinhos, em bazares caseiros." Aliás, é no contexto dos bazares de bairro que nasceu o uso da palavra fuxico para expressar esse tipo de artesanato. Diz a lenda que em pequenas cidades do Nordeste as mulheres costumavam marcar reuniões para bordar e costurar, atividades que faziam entre um fuxico (mexerico) e outro.

Interesses práticos e acadêmicos

Longe de pensar em fofocas, Gabriela Vidotti, 20 anos, sonha com um futuro promissor na área de confecção. "No Senai faço um curso técnico em confecção, além de freqüentar as aulas de fuxico e patchwork. Gosto dessas coisas e, unindo o útil ao agradável, encontrei uma forma de ganhar dinheiro", afirma a estudante. "Já recebi convite para deixar, em consignação, três peças numa loja em Osasco", acrescenta Gabriela, que espera receber por cada item entre R$ 60 e R$ 70.

A intensa movimentação em torno dessas novas atividades tem estimulado um outro tipo de produção: a acadêmica. Já existem trabalhos de conclusão de curso e até mesmo teses de mestrado que abordam as cadeias do fuxico. Tal interesse não é à toa, já que nessa rede misturam-se vários elementos passíveis de análise, desde a informalidade da atividade até a adoção de diferentes modos de produção. Sem a pretensão de dar lições numa área que não lhe é familiar, a professora do Senai, Nelcia Yamamoto, toca num assunto típico das Ciências Econômicas: a divisão do trabalho. "Uma manta, confeccionada a partir do patchwork, pode ser feita a várias mãos", explica. "Uma pessoa se encarrega da técnica de moldar os blocos que comporão o produto final; uma outra fica responsável pela união desses blocos, enquanto que uma terceira perpassa os pontos à mão." Orientações desse tipo é que norteiam os cursos do Senai nesse segmento, com duração de 30 horas. "Existe uma boa demanda. Em 2004 tivemos 12 turmas tanto nos cursos de fuxico quanto no de patchwork", afirma Marcelo Costa, instrutor do Senai na unidade Bom Retiro.

Retalhos ao vento

Estudantes e pesquisadores em São Paulo também ligam o fuxico à questão ambiental, colocando no centro dos estudos um ponto crucial: como lidar, de forma ordenada, com as dez toneladas diárias de resíduos têxteis produzidas pelo pólo de confecção do Bom Retiro? Quem passa pelas ruas do bairro, no final da tarde, encontra um cenário caótico: carroças atrapalhando o trânsito, sacos de retalhos largados ao lado de postes prontos para serem arrastados pelas águas em dias de chuva forte e restos de tecidos levados pelo vento.

Por lei, os grandes geradores de resíduos (acima de 200 litros) têm de providenciar, por conta própria, a remoção do material descartado, algo que, se observado de fato, transformaria radicalmente a paisagem da José Paulino. "Procuro fazer a minha parte, contratando uma empresa que recolhe, três vezes por semana, os resíduos originados pela nossa produção de peças para vestuário", afirma um empresário da região, que prefere não ser identificado.

Mas o destino do lixo recolhido na porta da confecção desse empreendedor não será a cadeia de fuxico e patchwork. Por força de lei, somente empresas cadastradas no Limpurb e que cumprissem uma série de normas poderiam receber esse tipo de carga. Como a teia fuxiqueira é basicamente informal, a empresa de coleta não pode alimentá-la. Sendo assim, os sacos de retalhos são encaminhados para o aterro sanitário, agravando um velho problema: o esgotamento desse tipo de depósito.

Por enquanto não há, no âmbito público ou privado, o encaminhamento de projetos capazes de alterar esse quadro. Tempos atrás, empresários chegaram a discutir com a Prefeitura a possibilidade da centralização dos resíduos têxteis num grande galpão na Avenida do Estado, onde o material poderia ser remanipulado e formalmente inserido na rede do fuxico. Dificuldades de articulação entre o comércio local e os catadores, que temiam ser excluídos desse circuito, fizeram com que a idéia não vingasse. Atualmente, a Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro volta a colocar em pauta a discussão em torno dessa questão, buscando a articulação de um projeto junto à Prefeitura, Sebrae e instituições de ensino. Segundo a diretoria de Meio Ambiente da entidade, nos debates ocorridos recentemente, "as questões ambientais e sociais caminharam juntas". O novo modelo de ação ainda não está definido, mas o desafio continua o mesmo: alicerçar uma boa idéia, que reordene o cotidiano do bairro, sem ferir o principal elo de uma teia repleta de vitalidade: o ser humano.

PASSADO E PRESENTE UNEM CULTURAS

Um lugar tranqüilo, formado por chácaras e sítios, onde a oligarquia paulistana, no século 19, buscava paz e lazer nos fins de semana. Assim era a "Chácara do Bom Retiro", uma extensa área verde entre os rios Tietê e Tamanduateí.Justamente em torno das áreas marginais, ricas em argila, a região conheceu sua primeira grande transformação: a construção de pequenas olarias que inauguraram o empreendedorismo do bairro.

O cenário mudaria radicalmente a partir de 1867, com o aporte de capital inglês, materializado na Estrada de Ferro São Paulo Railway. Com o advento da ferrovia, surgiram depósitos e indústrias, que marcariam o perfil do Bom Retiro, cujos terrenos, loteados a preços atraentes, foram ocupados por imigrantes, sobretudo italianos.

Já no início do século 20, outros grupos de imigrantes como sírios, turcos e libaneses também começaram a residir e montar pequenos estabelecimentos comerciais na região. Nos anos 30 e 40, um bom número de judeus, fugindo dos horrores do nazismo, chegaram a São Paulo e encontraram no Bom Retiro um bairro favorável, não só em termos de moradia, mas, sobretudo, próprio para o desenvolvimento do comércio.

Bastante ativa e dinâmica, a comunidade judaica tornou-se referência no bairro durante os anos 60 e 70. Na década de 80, o Bom Retiro conheceu um novo fluxo migratório. Desta vez foram os sul-coreanos. Ainda hoje, essas diferentes culturas convivem lado a lado, num bairro que, do ponto de vista econômico, tornou-se um grande pólo do setor de confecção (comércio e indústria).



  Artigo  

PROFISSÃO:TURISMO
(Por Orlando De Souza*)


São Paulo é o coração econômico do Brasil e uma das cidades das Américas que mais realiza eventos. Recebe anualmente cerca de 2 milhões de estrangeiros e 7,8 milhões de turistas de outras cidades do país (dados Embratur - Anuário 2003). A cidade também oferece muitas opções de consumo, cultura, gastronomia e lazer. Mas uma faceta do turismo da capital paulistana é pouco abordada: sua capacidade de criação de empregos.

O São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) sempre acreditou que através do desenvolvimento turístico pode-se melhorar também a qualidade de vida dos cidadãos e a economia municipal. Segundo dados do próprio SPCVB, o setor turístico movimenta 56 setores da economia, gera cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos e realiza 90 mil eventos por ano, os quais propiciam mais de R$ 8 bilhões de receita.

Quando se discutem políticas de geração de empregos, a experiência de São Paulo na área deve ser vista como referência. Um exemplo deste fenômeno ocorreu em 2004, quando a cidade completou 450 anos. A data mobilizou o setor de serviços, aqueceu o mercado de trabalho, e as contratações temporárias foram o carro-chefe. Estima-se que, segundo levantamento da Prefeitura de São Paulo, 45 mil empregos foram gerados na ocasião.

A economia paulistana é sempre algo que merece destaque. O Centro de São Paulo, por exemplo, mantém-se sede de grandes instituições como a Bolsa de Valores e a Federação Brasileira das Associações de Bancos. Grandes escritórios de internet e tecnologia também se encontram fixados na região. A Avenida Paulista, centro financeiro da cidade, registra um movimento de 1 milhão de pessoas por dia.

Consolidando-se a cidade como notória sede do turismo de lazer e negócios, a tendência é tornar postos de trabalho temporários em efetivos e aumentar o número de cidadãos empregados. As autoridades alertam para a oportunidade: "O setor turístico é o que tem mais possibilidades de criar emprego e renda para a população, especialmente em São Paulo, importante pólo turístico de negócios e eventos", salienta constantemente Geraldo Alckmin, governador do Estado.

O que ainda deve ser alvo de muita discussão é a importância da divulgação dos pólos turísticos do Estado, ignorados em sua grande parte não só por visitantes de fora de São Paulo, mas também pelos próprios paulistas. Temos que implementar programas e ações que produzam efetivamente uma perspectiva do aumento do fluxo de turistas para São Paulo.

Talvez um dos setores com mais condições de explorar ao máximo as demandas que a capital paulista oferece é o hoteleiro. Os hotéis de rede e independentes devem desenvolver ações que estimulem o participante de feiras e congressos a ficar mais tempo na cidade. Ao mesmo tempo, as operadoras de turismo podem trabalhar conjuntamente, criando novos e atraentes pacotes turísticos.

Segundo dados da Anhembi Turismo, a receita gerada com hospedagem no 2º semestre de 2004 foi de R$ 640 milhões. Um valor considerável e que deve ser revertido na criação de mais empregos. São Paulo dispõe hoje de 1.113 hotéis e mais de 66 mil apartamentos para todos os estilos e bolsos (dados ABIH - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis). Quanto maior a procura, maior a necessidade de um bom atendimento e, conseqüentemente, de profissionais bem preparados.

Assumi a presidência do SPCVB com o intuito de aumentar o fluxo de visitantes da capital paulista. Incrementar os empregos, a permanência média nos hotéis e a receita devem ser conseqüências deste objetivo principal. A meta da entidade, conforme seu Plano de Marketing, é atingir 15 milhões de turistas até 2010. Todos só serão acolhidos de forma adequada se houver mão-de-obra bem preparada. Para isso, o turismo de São Paulo deve se consolidar como um setor empregatício. Não se pode interromper o processo que abranda um dos principais revezes sociais da cidade e de todo o Brasil.

*Presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau



  Entrevista  
ENTREVISTA: MARCOS ARBAITMAN
O POTENCIAL TURÍSTICO DEO CENTRO DE SÃO PAULO
(Por Lizandra Magon de Almeida)

Em 2004, São Paulo abrigou mais de 73 mil congressos, feiras e eventos. O potencial turístico da cidade na área de negócios é inegável. O que ainda falta são programas que levem esses milhares de turistas que vêm do interior, e até do exterior, a aproveitar também o potencial cultural de São Paulo e, principalmente, do Centro da cidade. Para Marcos Arbaitman, presidente da Maringá Turismo e ex-secretário de Turismo e Esporte do Estado de São Paulo, as expectativas são ótimas, mas ainda há muito a ser feito

Desde criança, Marcos Arbaitman circula pelas ruas do Centro da cidade. Morou na Rua Newton Prado, no Bom Retiro; fez o ginásio no Caetano de Campos, na Praça da República; e quando fez o científico, e estudava à noite, sempre passava para comer um sanduíche no Ponto Chic do Largo do Paissandu. Sua iniciação na área de turismo começou aos 25 anos, na Amazon Tur. Três anos depois recebeu a proposta de se tornar sócio de Henrique Chevis em uma agência de turismo localizada na Avenida São João, 798. Era o ano de 1966, e a história de Arbaitman na Maringá Turismo estava apenas começando. Instalada hoje na Avenida São Luís, a empresa já tem 86 pontos de atendimento em todo o país. Ex-presidente da Hebraica-SP, ex-presidente da União Mundial Macabi, ex-secretário de Esportes e Turismo do Estado de São Paulo (gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin), hoje Arbaitman, além de continuar na presidência de sua empresa, é presidente dos Patronos do Theatro Municipal. E o empresário continua cuidando do Centro como se fosse sua própria casa: acaba de adotar três praças - Dom José Gaspar, Júlio Prestes e Júlio Mesquita - e torce para que sua iniciativa seja seguida por outros empresários da cidade. Do alto de seus mais de 40 anos de experiência profissional, acredita que o Centro tenha tudo para voltar a ser referência turística da cidade.

urbs - Na maioria das capitais do mundo o Centro sempre é o grande cartão de visitas. O senhor acredita que isso também seja possível na cidade de São Paulo?

Marcos Arbaitman - As transformações pelas quais o Centro tem passado mostram que isso é cada vez mais possível. A recuperação do Centro é inexorável. Algumas iniciativas têm contribuído muito para esse processo, como foi o caso da Sala São Paulo. Na época em que foi construída, a região da Praça Júlio Prestes, na qual está localizada, era muito difícil. Hoje é um dos melhores locais para apresentações musicais e de artes no Brasil. E não ficou só nisso: toda a região foi sendo melhorada. Houve investimentos na Pinacoteca, no Museu de Arte Sacra, na recuperação do Teatro São Pedro. Com o apoio que terá do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a região tem tudo para melhorar. O Centro está cada dia melhor, mais bonito e mais completo, e as empresas parecem interessadas em voltar. Se o Centro não fosse atraente, as Casas Bahia, por exemplo, não teriam alugado o edifício que sediou o antigo Mappin, e o Shopping Light não teria se instalado na região.

Que outras alternativas turísticas o Centro pode apresentar?

Nós tínhamos cinemas maravilhosos como o Marrocos, o Paramount etc. Poderíamos fazer desta região uma Broadway. Isso ainda não aconteceu completamente, mas a Galeria Olido é um caminho. O Theatro Municipal também já está sendo recuperado.

Por falar no Theatro Municipal, o senhor assumiu o seu patronato no início deste ano. Quais os projetos para esse equipamento cultural?

O Theatro é um ícone não só do Centro, mas da cidade. Com o apoio da iniciativa privada - como a Phillips do Brasil, as Casas Bahia, o Shopping Light, entre outros - estamos restaurando as quatro fachadas da construção, implantando uma nova iluminação, recuperando a passagem subterrânea. O Theatro Municipal será uma grande alavanca para o sucesso da operação de revitalização do Centro. Estamos com uma programação maravilhosa, que se estenderá durante o ano. A atuação dos patronos é fundamental para isso, porque o Theatro, assim como toda a cidade, não tem muitos recursos, então precisamos buscá-los na iniciativa privada.

O Theatro Municipal passou por momentos de crise no começo deste ano. Havia muitas reclamações, principalmente por parte dos músicos. Quais ações estão sendo tomadas para contornar a situação?

Os músicos receberam contratos, mas ainda precisamos dar uma definição melhor, como fez a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), assumida por Fernando Henrique Cardoso. Se criarmos uma fundação semelhante à que foi feita na Osesp, poderemos dar segurança a todos os corpos estáveis. É muita gente, são 900 pessoas, e o custo para a cidade é muito elevado. Mas é válido porque uma cidade como São Paulo precisa ter tudo isso. Assim, seria interessante obter o investimento privado, afinal, existem muitas leis que beneficiam essas iniciativas. Este é o caminho que estamos procurando com o secretário municipal da Cultura, o diretor do Theatro, os patronos e o próprio prefeito. É a única forma de acabar com o problema da falta de recursos.

E a iniciativa privada tem auxiliado na revitalização do Theatro?

A restauração das fachadas, por exemplo, está sendo feita pela FAAP, que forneceu os arquitetos e o restauradores gratuitamente. As Casas Bahia e o Shopping Light também estão patrocinando. A iniciativa privada tem sido fundamental para diferentes setores. Por exemplo, um problema que o Municipal sempre enfrentou foi o de estacionamento. Com o auxílio do Shopping Light, que cedeu 200 vagas de seu estacionamento nas noites de sábado e domingo, conseguimos resolver esse embate: foi instalado o serviço de valet parking. Já realizamos a experiência duas vezes e foi maravilhoso. O serviço passará a funcionar no segundo semestre.

Um outro projeto que deverá contar com o apoio total da iniciativa privada é a conservação de praças. Queremos que a iniciativa privada adote as praças da cidade. A nossa idéia é fazer uma reunião com empresários para que cada um deles assuma uma, duas ou três praças. A Maringá Turismo já assinou um compromisso com a Subprefeitura da Sé para assumir a imediata responsabilidade da conservação das Praças Dom José Gaspar, Júlio Prestes e Júlio Mesquita. Posteriormente, em conjunto com a Subprefeitura, serão incorporados projetos de paisagismo. E o projeto não engloba apenas praças do Centro, mas da cidade como um todo. São Paulo tem mais de 2 mil praças. A Federação do Comércio já finalizou um projeto para os jardins e canteiros da Avenida 9 de Julho, do túnel até a Praça 14 Bis, e busca parceiros para as obras de recuperação.

Como se dará a conservação e a fiscalização?

A Praça Dom José Gaspar, por exemplo, tem muitos monumentos históricos e bustos que precisam ser recuperados, o jardim precisa ser refeito. Para começar, os funcionários de nossa empresa farão um mutirão de limpeza, e a fiscalização ficará a cargo deles - só neste prédio temos 200 funcionários. Quando descerem para tomar um café, poderão acompanhar como a praça está. Se eles perceberem que há uma lâmpada quebrada, por exemplo, nós mandaremos substituir.

Pode-se criar uma exemplaridade, não é?

A gente espera entusiasmar outras empresas e fazer o mesmo em outras praças do Centro. Minha primeira providência como secretário, no governo Covas, foi justamente recuperar o prédio da Secretaria de Esportes e Turismo, na Praça Antonio Prado. Uma forma de contribuir com a causa da recuperação do Centro. O que estamos fazendo agora, portanto, não difere do que sempre fizemos. É uma maneira de fortalecer a causa defendida pela Viva o Centro.

De que outras iniciativas o empresariado pode participar?

Estamos propondo um projeto de segurança total no Centro, assim como está sendo feito nos Jardins, no qual um grupo de empresários está apoiando a PM e a Guarda Civil para que o bairro fique livre de assaltos. Acredito que se o Centro tiver mais segurança, será muito mais freqüentado, afinal, toda população gosta de vir para a região central, que de fato é muito bonita com seu comércio, seus restaurantes, sua arte e cultura. Há também um trabalho que fazemos há oito anos, desde o governo Mário Covas, para tirar as crianças da rua. É a Associação dos Amigos do Menor pelo Esporte Maior (Amem). Com essa Associação, temos condições de tirar várias crianças das ruas - essas que não têm para onde ir. Nessa situação, um dos 12 juízes da Vara da Infância e da Juventude tem de nos dar a guarda da criança, e a responsabilidade fica por nossa conta. Temos obtido 97% de recuperação desses menores.

O turismo é sua área de trabalho há bastante tempo. Como o senhor vê a evolução desse mercado? O que falta para o desenvolvimento do turismo brasileiro?

O turismo precisa ser apoiado. Um caso de sucesso é o da Espanha, que até 20 anos atrás não tinha essa área desenvolvida. Eles resolveram investir e hoje recebem 65 milhões de turistas vindos do exterior. O Brasil, com toda a sua costa, recebeu, no ano passado, 4,2 milhões de turistas. Ou seja, a necessidade de investimento é nítida. Mas para isso é necessário que os governos municipal, estadual e federal se conscientizem. Afinal, o turismo é o maior gerador de empregos que existe, porque não dá para substituir o trabalho de um funcionário pelo de uma máquina. Para montar um carro você pode colocar um robô, mas só uma pessoa pode atender um cliente. O turismo é feito de gente. De cada dez empregos gerados no mundo, quatro são da área de turismo. As esferas governamentais precisam se conscientizar, porque o turismo está crescendo no Brasil. Para se ter uma idéia, quando eu comecei a trabalhar na área, a American Airlines não operava aqui, e a Pan American tinha apenas três vôos por semana para os EUA. Hoje, só a American Airlines tem 47 vôos por semana para os EUA, o que significa que há outros 47 aviões vindo para cá. E isso sem falar nas outras empresas que se instalaram.

São Paulo tem um turismo muito forte na área de negócios. Como aproveitar esse contingente na área cultural e turística?

Nós poderemos crescer muito mais no turismo receptivo, que significa trazer pessoas do exterior para congressos médicos, eventos, convenções etc. Essas pessoas vêm a trabalho, mas tiram o visto como turistas. Devemos aproveitar e incentivar esse turista a conhecer o Centro no final de semana. Vamos fazer com que vá ao teatro, ao cinema, ou seja, devemos incentivá-lo a usufruir de nossa infra-estrutura turística. Só em 2004, houve 73 mil convenções e eventos na cidade. Este ano deve ultrapassar os 80 mil. Essas pessoas devem aproveitar a capital paulista assim como aproveitamos Nova York, quando vamos à Broadway, ao Metropolitan, aos museus. São Paulo tem essa vocação. E é preciso oferecer estas atrações que valem a pena ser visitadas. Nós temos tantas atrações, mas não estamos aproveitando bem.

O Centro é primordial para isso, e por isso devemos voltar nossa atenção para o desenvolvimento de programas para a área. Quando um turista for ao Theatro Municipal, por exemplo, ele deve ter certeza de que estará em segurança. Eu tive a oportunidade de ser secretário de Turismo e nós criamos, na época, dois programas que visavam ao desenvolvimento turístico da região central. Um programa era o "Conheça o Centro", um passeio a pé pelo Centro, com guias especializados, e o outro programa levava turistas do interior e até do exterior para visitar os sete museus mais importantes da cidade.

O que falta para São Paulo se tornar um grande centro turístico?

Para que o turismo evolua na cidade precisamos tratar da segurança. É uma coisa que temos conversado bastante com o Saulo de Castro [Secretário Estadual da Segurança Pública]. Ele tem lutado bastante. A cidade tem uma diversidade muito grande, recebe milhares de pessoas de todo Brasil. Essas pessoas devem e merecem ter tratamento de saúde, transporte, educação e trabalho. Elas não podem morar miseravelmente numa favela. Se 1% ou 2% desse número de pessoas cai na criminalidade, nós estamos falando de 90 mil pessoas, então o problema também é de caráter social. Para que haja possibilidade de um turismo ainda maior, principalmente para o nosso Centro, é preciso cuidar da segurança. Um outro aspecto é o problema de sinalização da cidade; sinalização para indicar museus, centros culturais. É preciso seguir o exemplo da França, que possui sinalização em até mais de um idioma.

O que devemos aproveitar é a nossa hospitalidade, aqui as pessoas são muito bem recebidas, por isso que precisamos trabalhar essas outras frentes.

E com relação à mão-de-obra? Quer dizer, nós temos essa hospitalidade, mas em termos de profissionalismo nossa formação é muito defasada. A questão da educação ainda pesa bastante?

Mas devemos levar em consideração que estamos muito melhores do que há dez anos. Hoje, 98,4% das crianças estão nas escolas. Só nas escolas públicas do Estado há 6,3 milhões de estudantes, ou seja, daqui a dez anos a situação vai melhorar ainda mais. É claro que isso já deveria ter sido feito há 15 anos, mas não falta mão-de-obra, o que falta é especialização, é treinamento em informática, em línguas. Nossa formação profissional ainda não está no nível que o Brasil precisa, mas estamos caminhando para isso.



  Artigo  

MITOS E VERDADES SOBRE OS CUPINS
(Por Marcos Roberto Potenza)

Considerada uma das pragas urbanas mais temidas, responsável pela queda de árvores, pela destruição de telhados e, às vezes, de ambientes inteiros - quando fabricados em madeira -, os cupins subterrâneos são alvo de diversas especulações que dizem, por exemplo, que eles podem derrubar prédios. Mas afinal, o que é verdade e o que é mito no caso desses insetos?


MITOS

• Eles comem concreto. Para os cupins, o formato da estrutura de madeira e a sua função na construção não importam, o que conta é que os materiais celulósicos são a sua fonte de alimento, e isso exclui o concreto e, portanto, a derrubada de prédios. Algumas espécies de cupins, como a Coptotermes gestroi (C. havilandi), conseguiram se adaptar ao processo de urbanização, e têm grande "plasticidade" na construção de seus ninhos em qualquer tipo de espaço ou vão estrutural na construção. A arborização nas grandes cidades tem sofrido muito com a presença desses insetos, que consomem as raízes e o cerne das árvores prejudicando a absorção de água e nutrientes, podendo levar a morte ou ao tombamento.

• Pó de Cupim e Tudo o que come madeira é cupim. Além dos cupins, também existem as brocas de madeira, pequenos besouros que perfuram portas, molduras e outras estruturas de madeira. As fêmeas destes besouros depositam seus ovos em frestas ou escavam a madeira para depositá-los. Quando as larvas eclodem, elas se alimentam abrindo uma galeria e expelindo um pó muito fino da cor da madeira. Quando o aparecimento deste pó cessa significa que a larva completou o seu desenvolvimento, empupando para depois emergir um besouro adulto e, assim, o ciclo da infestação começa novamente, na própria peça ou em outra. Estes besouros podem depositar centenas de ovos. Diferente dos cupins, eles não causam dano muito severo à madeira, mas se o controle não for realizado ao longo dos anos a peça pode virar pó. Móveis e utensílios de bambu, vime, fibras naturais e algodão cru podem ser infestados por estas brocas, algumas muito pequenas, difíceis de se ver a olho nu. O pó de broca é muito confundido com pequenos grânulos da coloração da madeira, que são as fezes do cupim de madeira seca, expelidos das galerias realizadas.

VERDADES

• Eles já estavam aqui muito antes de Colombo chegar. Enquanto perguntamos de onde o cupim vem, eles se perguntam de onde veio o homem. Centenas de espécies de cupins habitam nossas matas, florestas e cerrados há milhões de anos. Algumas espécies resistiram ao desmatamento, às atividades agrícolas e florestais e ao processo de urbanização conduzido pelo homem. Muitas espécies nativas, por exemplo, na região do Anhangabaú já não existem mais. O desmatamento afeta as populações de cupins presentes no local e algumas tentam adaptar-se ao novo "modelo ambiental" imposto pelo homem, constituído geralmente de grama, arbustos e as estruturas de madeira.

• O grande dispersor de pragas: o homem. Muitos de nós já presenciamos as seguintes situações: a) um móvel velho ou com cupim levado para o sítio ou para a casa de praia. Quando isso acontece, estamos permitindo a disseminação de brocas e cupins de madeira seca para outras regiões e, dessa maneira, contribuímos para um aumento da infestação. b) Peças com broca ou cupim serem queimadas. Na verdade, quando algum móvel está infestado, o melhor a fazer é tratá-lo. Se não houver dano estrutural que já tenha comprometido a peça, esse tratamento sairá mais barato do que a aquisição de outra peça.

Em caso de dúvida, o Instituto Biológico possui um serviço de visita técnica para identificação de pragas urbanas, além das pragas e doenças de plantas ornamentais. É possível também identificar amostras de cupim, broca ou outro inseto encaminhados em frascos com álcool. Para mais informações, o Instituto Biológico - Unidade Laboratorial de Referência em Fitossanidade - fica na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana São Paulo/SP Tel. (11) - 5087.1789. Preços da visita e da identificação por frascos sob consulta.

*Pesquisador científico do Instituto Biológico/APTA



  Idéias  
ARQUITETURA INCLUSIVA NO CENTRO DE SÃO PAULO
(Por Guilherme Magalhães Pupo Santos* OrientadorA: Sheila Walbe Ornstein)

Apresentado como trabalho de conclusão de curso na FAUUSP, este projeto propõe um edifício de habitação localizado no Centro de São Paulo, na região da Praça da República, que insere o idoso como morador e indivíduo da comunidade A idéia inicial do trabalho é englobar e discutir conceitos propostos em um concurso internacional de estudantes1, dentre os quais vale destacar a "simbiose", ou seja, a relação de benefício mútuo entre idosos e a comunidade, bem como a "acessibilidade", esta no sentido de planejar um ambiente com recursos básicos acessíveis que possibilitem seu completo usufruto, acrescentando os critérios de produção arquitetônica no contexto da cidade de São Paulo. Busca-se uma abordagem inovadora do tema que não exclua outras atividades do prédio e não restrinja o seu público apenas aos idosos. A intenção é criar um espaço não-fechado que seja diferente de um asilo ou de um centro de cuidados, um local, portanto, de convívio abrangente a todas as idades.


Conceitos

Ao utilizar os conceitos propostos pelo concurso de estudantes, temos o mote inicial para a elaboração de um programa arquitetônico baseado num paradigma contemporâneo - o da inclusão que se configura como sustentável e interessante à sociedade. Hoje, o termo Arquitetura Inclusiva é usado em vários países como uma forma de identificar uma abordagem social mais justa e igualitária por meio do desenho de projeto, assim como o termo Desenho Universal, que associa a si princípios e diretrizes tomados aqui como uma das variáveis do trabalho desenvolvido: Uso Eqüitativo; Flexibilidade de Uso; Uso Simples e Intuitivo; Informação Perceptível; Tolerância aos Erros; Exigência de Pouco Esforço Físico; Existência de Espaços de Aproximação e Uso.

Foram usadas também outras referências como a norma "NBR 9050 - Acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiências a Edificações, Espaço, Mobiliário e Equipamentos Urbanos" (recentemente revisada pelo Comitê Brasileiro de Acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas) e bibliografia específica sobre barreiras arquitetônicas e acessibilidade. Tais conceitos são, em geral, avanços em relação à prática atual da arquitetura no Brasil, muitas voltadas exclusivamente a um usuário livre de quaisquer deficiências. A norma brasileira (NBR 9050) define com razoável precisão as exigências em projeto e especifica as necessidades para portadores de deficiências, mas se restringe à definição básica de acessibilidade: é necessário pensar além da norma para garantir a sustentabilidade de uma comunidade mais justa.

Uma das justificativas deste projeto encontra-se na mudança do perfil da distribuição proporcional de faixas etárias da população, com o aumento da expectativa média de vida e uma diminuição gradual das taxas de fecundidade geral no Brasil. No Estado de São Paulo, a proporção de pessoas com mais de 60 anos em 2000 foi de 8,5%#, com a projeção de atingir 10% da população total em 20102, o que acarretará num crescente desafio para a sociedade atual no sentido de garantir o que é determinado, por exemplo, no Estatuto do Idoso, em vigor desde janeiro de 2004:

"Art. 8° O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta lei e da legislação vigente."

A sociedade volta-se então para uma solução que não exclua o idoso, e sim que o integre à comunidade.

Habitação no Centro

A necessidade de mudar a prioridade de investimentos na cidade - concretizada na concepção do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (Lei 13.430 de 13 de setembro de 2002) - recai com grande ênfase sobre o Centro Histórico pois responde à pressão pela requalificação de áreas centrais degradadas.

A região central permanece com invejável infra-estrutura urbana, mas não possui mais caráter habitacional e, pelo contrário, sua situação é de evasão da população residente: de 1991 a 2000 a Subprefeitura da Sé, na qual se insere a República, perdeu mais de 10% de sua população#3. Acredita-se que focalizar novas idéias na região em questão ajuda a contribuir para sua valorização. Uma destas idéias é propor novos usos em terrenos existentes e questionar a atual ocupação do Centro, colocando-o como um espaço privilegiado para o uso habitacional.

O Projeto

O terreno escolhido é atualmente utilizado como estacionamento e fica em uma Zona Centralidade Polar (foto pág. 42). Com área de 4.266 m2, situa-se na quadra entre a Praça da República e a Rua Aurora (Figura 1). O projeto pretende tirar partido das duas frentes do terreno criando uma ligação através de uma galeria comercial no térreo (Figura 2). Trata-se, portanto, de um edifício de uso misto.

O térreo (Figura 3) inclui em seu programa, além de um restaurante e lojas, um centro de convivência e uma praça interna (Figura 4), salas multiuso, uma biblioteca com sala de leitura e uma sala de informática. A idéia é propiciar um espaço de troca de experiências, uma "simbiose" entre as diferentes faixas etárias e diferentes indivíduos, através de, por exemplo, a criação de espaços para o trabalho voluntário, apontado pela ONU como uma força de envelhecimento ativo e de desenvolvimento social.

A distribuição dos apartamentos em planta busca criar um ambiente amigável de vizinhança ou vila, tentando reproduzir uma característica única deste tipo de organização habitacional que é a solidariedade mútua entre os moradores. Os apartamentos são ligados por um terraço comum (Figura 5) que se constitui num espaço intermediário entre o privado interno e o coletivo externo. A existência deste espaços, assim como de terraços em cada apartamento, possibilita a personalização de cada habitação, valorizando o fator de identidade com o ambiente construído.

Foram desenvolvidas três tipologias, atendendo a diferentes perfis familiares. Foram previstos 14 apartamentos com a tipologia "A" - até 6 moradores; 15 apartamentos com a tipologia "B" - até 4 moradores; e 35 com a tipologia "C" - até 2 moradores (Figura 6), totalizando 64 apartamentos, distribuídos em cinco pavimentos, com uma população total de 190 moradores. A distribuição dos apartamentos criou dois tipos de pavimentos, que, alternados a cada andar, criam uma volumetria fragmentada com diferentes posições dos terraços nas unidades tipo "C".

Todas as unidades são adaptáveis à demanda por necessidades especiais, como as de usuários de cadeira de rodas, uma vez que tanto idosos como jovens podem desenvolver algum tipo de restrição física, permanente ou não, em algum momento da vida. A atenção aos desníveis e rampas, com inclinações adequadas e sinalizações táteis, assim como sinalização sonora e visual nos elevadores e espaços de circulação e permanência livres de barreiras foram pensados nesta proposta para todas as funções do edifício.

A proposta neste tipo de projeto não é fazer apartamentos previamente adaptados às necessidades especiais, mas sim possibilitar a flexibilidade para mudanças futuras. Os banheiros, por exemplo, têm as dimensões mínimas para se evitar alterações drásticas na planta e restringir a adaptação aos equipamentos, barras de apoio e outras conveniências.

O projeto prevê ainda dois pavimentos de estacionamentos, sendo um deles aberto ao uso público e à exploração comercial por parte do condomínio. Isto mitigaria a substituição do antigo uso do terreno ao mesmo tempo que geraria uma fonte de sustentação financeira do edifício.

A possibilidade de abranger um ampla faixa de moradores de diferentes perfis, em convivência mútua, faz com que a proposta se configure como um espaço plural potencialmente mais justo. A complementação espacial do edifício com a Praça da República faria surgir então uma relação afetiva mais estreita, algo que deve ser visto como fundamental para o Centro de São Paulo e para Cidade como um todo.

*Guilherme Magalhães Pupo Santos é arquiteto formado pela FAUUSP em 2004 (guilhermepupo@yahoo.com.br)



  Idéias  
CENTRO ACTUA, PRAÇA DA BANDEIRA
(Por Daniel Corsi*)
Trabalho propõe transformar a situação urbana e sua paisagem através de novas linguagens e interpretações, trazendo uma possibilidade diferente à população através da atual tecnologia. Apresentada para a conclusão do curso de arquitetura, a proposta ganhou os dois prêmios concedidos aos alunos FAU-Mackenzie - Prêmios Miguel Forte e Telésforo Cristófani, ambos edição 2003 -, e foi indicada ao Concurso Ópera Prima

O projeto define-se como um acontecimento através da arquitetura e do urbanismo. "Actua" significa Ativação Cultural, Territorial e Urbana pela Arquitetura. O termo surgiu através da análise do homem contemporâneo e da cidade atual - meio em que vive -, quando seus potenciais e necessidades se revelam, possibilitando a investigação de novas formas de pensar o espaço, assim como suas funções, formas e tecnologias. Do mesmo modo, a cidade mostra seu caráter mutante e revela-se como um locus que esteve sempre negado pelas incursões urbanas, podendo tornar-se um importante marco para a metrópole.

O tema

A comunicação e a informação apresentam-se, atualmente, como uma realidade para a sociedade do futuro. Revolucionados pela tecnologia digital, os caminhos para a interação e disseminação de cultura tornaram-se infinitos. Torna-se cada vez mais necessário apresentar ao homem as novidades e possibilidades dessa nova realidade, da qual já faz parte, para seu desenvolvimento. Dessa forma, a reflexão sobre arquitetura, que possui em sua essência um caráter comunicativo, deve investigar em sua natureza essas novas tecnologias, não existindo apenas como uma forma rígida e sim como o movimento do indivíduo no tempo e espaço. Explorando a velocidade e a inexistência de fronteiras físicas, é possível tornar o conhecimento acessível através de uma arquitetura da era digital.

O local

A escolha da Praça da Bandeira aconteceu por muitas razões, dentre as mais importantes o fato de o local ser de profunda importância funcional e, principalmente, simbólica para a cidade, retomando e relendo idéias que se originaram com Prestes Maia - prefeito de São Paulo de 1938 a 1945 e de 1961 a 1965 -, e que hoje, assim como o próprio lugar, parecem estar praticamente perdidas no tempo.

Uma segunda meta era a de apresentar uma solução bastante investigativa e crítica através de leituras urbanas e arquitetônicas bastante contemporâneas. Localizada no eixo do Vale do Anhangabaú, a Praça da Bandeira constitui-se num grande vazio urbano, ainda repreendido pela razão que até hoje caracteriza a região: a geografia. O que se tem é um obstáculo secular, não interinamente transposto e tampouco conectado perfeitamente à malha urbana.

Apesar disso, sua importância remonta ao passado em que o encontro dos três rios (Anhangabaú, Itororó e Saracura) era visível e sua topografia intocada. Posteriormente, o local tornou-se uma importante ligação entre o Centro Velho e o Centro Novo da cidade, mas somente através dos planos de Prestes Maia seu caráter simbólico foi revelado. Em seu Plano de Avenidas, o Paço Municipal situa-se exatamente na confluência do sistema "Y" de circulação que atravessa toda a cidade, definido pelas Avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Prestes Maia. A Praça da Bandeira localiza-se num dos pontos mais ricos na história da cidade, porém sempre abrigou funções modestas, sendo relegada até hoje à

uma importância irrisória no contexto urbano. Este projeto propõe a criação de uma arquitetura que revele este lugar e sua história, organizando seus fluxos e criando um marco que se anuncia diante do Vale do Anhangabaú, o verdadeiro Centro de São Paulo.

O projeto

Para o desenvolvimento do trabalho, o projeto elaborado foi dividido em três escalas: escala A (Rede Digital e a Metrópole), escala B (a Área Central) e escala C (a Praça da Bandeira). Partindo de uma visão total para uma particular, o processo ocorre de acordo com as alternativas de ocupação espacial oferecidas pelos conceitos primários do projeto. Assim, podemos colocar em discussão desde a metrópole em sua totalidade - analisando sua conformação -, a maneira como se organiza e as possibilidades de interação de seus componentes. É possível discutir até um edifício ou objetos mais singulares como elementos que também constituem o meio.

O intuito desse processo é evidenciar a importância de cada elemento, mostrando a maneira como cada um se comporta quando a essencialidade de seu papel é a mesma ao analisarmos o todo ou cada parte com que interage em sua natureza.

A Escala A - Rede Digital - traz a criação de uma rede digital de informação na metrópole de São Paulo, onde uma célula primária (Praça da Bandeira) e outras secundárias (pontos implantados como um "anel" virtual na metrópole) interagem entre si. Com a Escala B - Área Central, o projeto busca revelar a "poética urbana", desde a organização dos seus fluxos até a contemplação de seus eixos. Superar o obstáculo urbano, conectando os altos de vale - definidos pelos Centros Velho e Novo -, ligando o Largo da Memória, Largo São Francisco e Praça da Bandeira. Criar um novo núcleo gerador de "vida" no Centro, explorando sua condição de signo central e de identidade urbana.

Na Escala C - Praça da Bandeira -, o extenso programa inicia-se na cota inferior com a reformulação do Terminal Urbano existente - essencial na cidade -, concentrando-o numa única plataforma radial provida de inúmeros equipamentos. Na cota intermediária estão as galerias de conexão e exposições, onde chegam passarelas e acessos. No mesmo nível está o Complexo Musical composto pelo Museu da Memória Sonora e Visual, pela sede da Orquestra Experimental de Repertório (lá abrigada hoje) e por um Teatro com capacidade para mil espectadores. Na cota superior revela-se a "topografia operativa" através das praças, criada para ligar todos os espaços urbanos e arquitetônicos, sendo uma solução que, pensada como uma geografia, adapta-se perfeitamente ao sítio que é, em sua essência, topográfico. O Centro Cultural de Mídias, composto por inúmeros usos, todos culturais, encerra o foco deste projeto.

O edifício nasce, antes de tudo, de um desejo, ou vontade, essencialmente expressionista, de sintetizar em si tudo o que acontece ao redor. Três qualidades concedem a ele uma identidade muito forte: seu programa, sua estrutura e sua forma. Esta última é, sem dúvida, o que mais causa surpresa ao observá-lo. Porém, por mais casual que pareça ser, ela detém em si um conteúdo e uma carga de significados muito intensos. Podemos fundamentá-la através de alguns pontos principais que se inserem na leitura de poética urbana: o desejo de ser um marco vertical, símbolo para a cidade e para o Vale; conter o aspecto cênico de transformar a paisagem local, sendo legível a partir de qualquer velocidade e acolhendo em si todo o Vale que se descortina diante dela; expressar o movimento interno de todos os fluxos e usos abrigados; assim como a arquitetura criada produz energia, seu entorno também é tenso e tomado por forças que são expressas através da linguagem arquitetônica.

Nesse espaço urbano onde existe uma infinidade de acontecimentos simultâneos, há o desejo de também traduzir, e expressar pela sua forma, o que consiste seu entorno. Portanto, forças como o olhar, o som, os fluidos, os movimentos e os significados são os elementos característicos. Interpretando-as sistematicamente, percebemos que todos elas provém de três direções predominantes que correspondem à Avenida 23 de Maio, Nove de Julho e ao próprio Vale de Anhangabaú. Desse modo, a forma do edifício busca a expressão de uma força oposta a todas estas, revelando-se como um elemento que reage ao meio no qual está inserido.

Sua estrutura, totalmente metálica, consiste em dois anéis, um central que abriga elevadores, shafts e grande parte da carga estrutural; e outro perimetral, que se define por uma malha de pilares, vigas e contraventamentos, sustentando as duas peles de vidro e possibilitando a plasticidade formal do edifício. Uma arquitetura que se movimenta e envolve, ao mesmo tempo em que é envolvida pelo lugar. Trata-se da realização do espetáculo urbano através de uma nova linguagem formal e arquitetural.

*Daniel Corsi é arquiteto formado na FAU-Mackenzie em 2003 (d.corsi@uol.com.br)



  Cultura  
CENTROS CULTURAIS: ESPAÇO PARA APRENDIZADO
(Por Paula Knudsen)

Um dos grandes desafios dos espaços culturais é atrair e manter seu público. Atualmente, grandes exposições de vulto internacional, patrocinadas pelas leis de incentivo à cultura, disputam audiência com os tradicionais museus e centros culturais. Atraem um bom público principalmente porque têm mais espaço na mídia. Mas grande parte das instituições tradicionais já têm projetos criados para atrair o público que mais interessa: o jovem, aquele que ainda vai freqüentar muitas vezes o local e que pode se tornar um multiplicador


Formar o público jovem não é apenas atrair as escolas e filas de estudantes entediados, mas provocar o interesse e o questionamento dos alunos, para que eles, espontaneamente, queiram voltar. É através do binômio arte-educação que essa parceria pode acontecer.

"Há muito preconceito contra a educação, principalmente nos museus. O museu tem de ser comprometido com a visibilidade da arte e uma escola com muitos educadores", acredita Ana Mae Barbosa, arte-educadora e ex-diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Para ela, é fundamental que a concepção de educação mude no país e que todas as instituições assumam sua parcela de responsabilidade.

Projetos

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) investe no trabalho educativo e no diálogo com o público em seu espaço através de projetos, que são abertos para visitas de escolas, ONGs, abrigos e outras instituições. Um deles é o "Histórias do Centro", que apresenta ao público o prédio datado de 1901. Há também visitas guiadas por educadores, seguidas de oficinas de reflexão sobre o que foi visto.

O CCBB também prepara ações educativas vinculadas a todas as suas exposições. O projeto "Centro de Expressão e Construção", traz oficinas temáticas que deverão mudar trimestralmente. Para Heloísa Margarido Sales, arte-educadora e coordenadora das oficinas, o primeiro tema, "Resíduos e Reciclos", que começou dia 20 junho, foi escolhido pela necessidade de pensar o lixo nas grandes cidades: "Não teremos espaço para tanto lixo. A questão já é seriamente discutida na Europa, precisamos debater o assunto". A oficina acontece por meio da leitura de artigos, vídeos e discussão sobre o tema.

Heloísa ainda explica que o objetivo principal é iluminar várias faces da discussão e formar cada vez um público maior para o CCBB. "Se você vai a um lugar e tem uma discussão que te prende, te mobiliza, realiza um trabalho do seu interesse, sente que seu tempo foi bem contemplado, tende a voltar ao local."

Investindo nos educadores

O CCBB também investe na relação com os professores. No programa "Diálogos e Reflexões - Encontros com Educadores", eles discutem sobre arte com os coordenadores, refletem sobre o material das exposições e recebem materiais para trabalhar com os alunos. Para Ana Mae Barbosa, o CCBB está fazendo um trabalho excepcional com os professores. "O contato deles é fundamental uma vez que, quando levam os alunos à exposição, temos uma garantia de que esse assunto será discutido em sala de aula", explica.

A Pinacoteca do Estado também investe nessa relação com os professores e, além das visitas monitoradas, promove o projeto "Bem Vindo, Professor!", em parceria com as Secretarias Estaduais de Cultura e Educação.

O trabalho atende escolas do ensino médio da rede estadual. São feitos encontros de preparação com os professores para que levem suas classes. São 16 horas de trabalho de conscientização para o uso produtivo da visita que será feita com os alunos.

Esses professores levam os alunos à Pinacoteca e lá, com o acompanhamento de educadores, visitam o acervo e realizam uma atividade que resulta em manifestações artísticas dos alunos. Para atender aos que cursam período noturno, a Pinacoteca abre eventualmente entre 19h30 e 21h. Outro braço do projeto é o trabalho com os assistentes técnicos pedagógicos - professores responsáveis pela capacitação contínua de seus colegas - são 40 horas de cursos.

"Não se trata nem de formar público, mas, principalmente, de garantir acesso ao que o cidadão tem direito: à cultura", explica a coordenadora de Ação Educativa da Pinacoteca, Mila Chiovatto. "Além de projetos para escolas temos trabalhos com deficientes e públicos marginalizados".

Ana Mae ainda é mais radical quanto ao termo "formação de público": "Prefiro não falar em formação de público e sim em dar acesso às obras de arte para todas as classes. O discurso de que é importante ampliar a platéia sacraliza a obra".

O Centro Cultural São Paulo também trabalha com mestres e estudantes por meio de seu Núcleo de Ação Educativa, promovendo monitorias que acompanham as exposições, visitas à gibiteca com discussões sobre a linguagem dos quadrinhos e passeios monitorados para conhecer a arquitetura do espaço. Além disso, oferece encontros para os professores interessados em conhecer e discutir o conteúdo das monitorias.

Não só os museus e centros culturais promovem a aproximação com as escolas. Desde 2002 a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) desenvolve o projeto "Programa de Formação de Público". Aberto para instituições sócio-culturais, e escolas públicas e particulares, é constituído por workshops de capacitação para professores, ensaios gerais abertos e concertos didáticos.

Para Susana Ester Krüger, coordenadora dos programas educacionais da Osesp, este é um projeto de formação de público a médio e longo prazos, que garantirá os espectadores de amanhã. É importante por ser uma maneira de fazer com que o ensino musical volte às escolas. Por ser um trabalho em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, estudantes de escolas estaduais têm o transporte garantido.

A falta de transporte, segundo Ana Mae, pode ser um grande problema quando se fala de aproximação de públicos carentes: "É preciso reservar verba para trazer as crianças. Não se pode esquecer há dificuldade financeira de pagar o ônibus".

Nem sempre a idéia é formar um público para um espaço específico. William Okubo, diretor da Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, explica que o intuito dos projetos da biblioteca não é tanto fazer com que os alunos retornem ao espaço. Muitos vêm de outras regiões da cidade, por isso a visita é uma boa oportunidade de mostrar como se usufrui uma biblioteca, para que possam repetir a experiência em suas escolas ou bairros.

O espaço promove visitas monitoradas e os encontros "A Escola na Biblioteca". São cinco visitas da escola à biblioteca para que as crianças tenham a chance de conhecer melhor, não só as salas, mas também realizar atividades relacionadas à literatura. Antes desses encontros, os professores e a equipe da biblioteca elaboram temas e discussões que entrarão em pauta.

Um outro equipamento cultural que promove encontros com as escolas é o Theatro Municipal. Com seu projeto "Cena Viva". Como explica Vivian Buckup, diretora cênica do projeto, a idéia é introduzir o público ao espetáculo e ao cotidiano da ópera.

Cortinas levantadas, antes da apresentação o espectador assiste à montagem do cenário, descobre como se escolhe cantores e figurino, qual é a função de cada um na equipe.

Para o maestro Jamil Maluf, idealizador do projeto, esse trabalho aproxima o público não só da arte, mas também dos artistas. Vivian acrescenta: "O projeto é acessível a todo tipo de público e classe social, principalmente para quem não tem muito ou nenhum acesso à ópera".

Para Ana Mae, os projetos elaborados pelos aparatos culturais também apontam um risco. "O Estado tem abandonado os museus públicos, e eles têm de procurar patrocinadores, que se interessam somente por números. Assim, muitas exposições acabam apelando para as escolas apenas para aumentar o público. No entanto, muitas dessas visitas são verdadeiras preleções, sem espaço para discussão. Levar crianças para dentro de um museu dessa maneira é um instrumento de martírio."

SÃO PAULO É UMA ESCOLA?

Um novo projeto - que alia espaços culturais à educação - começou a ser implantado pela Secretaria Municipal de Educação, Subprefeitura da Sé e o Projeto Aprendiz. Batizado de "O Centro pode ser uma sala de aula", é baseado no conceito de Cidades Educadoras, que prega que a cidade deve ser também um espaço privilegiado de educação e interação social. O movimento é representado pela Associação Internacional de Cidades Educadoras, baseada na Espanha e em mais de 100 cidades associadas no mundo inteiro.

O projeto, segundo o Secretário Municipal de Educação, José Aristodemo Pinotti, vem para resolver um brutal paradoxo: "À exceção das escolas de lata, há escolas muito bem equipadas e até escolas ótimas como os CEUs. Temos transporte e a merenda é boa. Como o ensino tem resultados tão ruins? É que não há milagre que possa ser feito com tão pouco tempo em sala de aula. Os estabelecimentos têm três turnos diurnos, com teoricamentequatro horas de permanência. Descontando-se entrada, saída, intervalos, sobram somente duas horas e meia. Esses alunos, depois da escola, não vão como a classe média para o balé, ginástica, reforço escolar etc. Assistem TV ou ficam na rua".

A idéia do projeto é fazer com que os alunos da rede pública possam usufruir as excelentes oportunidades culturais da cidade de São Paulo e passem o dia inteiro no processo pedagógico, explica Pinotti. "Existem estudos fundamentados que mostram que a criança que participa de atividades culturais vai melhor na escola." O projeto formará 40 educadores comunitários entre professores, diretores e coordenadores da escola, que terão 120 horas de curso no Projeto Aprendiz. Eles serão a ligação entre a escola e os espaços culturais, além de mapear outras oportunidades da região. Vão organizar as visitas e levar informação à comunidade sobre as atividades.

Os alunos também já estão percorrendo os centros culturais e museus do Centro.

A idéia é que eles visitem os espaços acompanhados pelos educadores comunitários e monitores do espaço, depois façam um trabalho relacionado à visita. Para a professora Olga Arruda, coordenadora do projeto, esta é uma maneira da escola incentivar a comunidade a se apropriar do espaço e tomar conhecimento dos eventos do Centro.

O projeto vai atender 18 escolas da região, totalizando aproximadamente 4 mil alunos.

O transporte será gratuito e foi fornecido pela Comgás.

"O Centro pode ser uma sala de aula" é somente o início de um projeto que deve

se expandir, a partir de 2006, para o resto da cidade, englobando atividades

culturais, esportivas e de reforço escolar. "Vamos dar continuidade até conseguir

que todas as crianças da rede pública passem o dia inteiro no processo

pedagógico", promete o secretário.

COMO PARTICIPAR DOS PROJETOS

Theatro Municipal

"Cena Aberta".São três apresentações por mês. Agendamento escolas públicas com Vera. Tel.: (11) 223-3022 R. 256

Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato

Programa de Visitas Monitoradas. Agendamento de visitas escolares com Aparecida Uliani e Maria Haila.

Tel: (11) 3256-4122 R. 103

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Sala São Paulo)

Projeto "Descubra a Orquestra". Escolas interessadas em participar do programa no

segundo semestre. Tel.: (11) 3351-8229

Centro Cultural Banco do Brasil

"Histórias do Centro"; "Diálogos e Reflexões"; "Encontros com Educadores"; "Ciclo de encontros". Mais informações: Tel: (11) 3113-3649

Pinacoteca do Estado

Agendamento de visitas monitoradas para grupos escolares e outras organizações:

Tel: (11) 3227-1655/3313-4396

Centro Cultural São Paulo

Agendamento para as atividades de monitoria: Tel: (11) 3277-3611, ramal 268



  Comércio  
LIÇÃO DE CASA
(Por Fabio de Paula e Lizandra Magon de Almeida)

Se cada um dos moradores e empresários de São Paulo cuidasse de seus imóveis, a qualidade de vida na cidade seria melhor. Quem dá a lição é o empresário Mario Roberto Rizkallah que, graças à sua luta pela preservação de edifício tombado onde está a Casa da Bóia, alavanca negócios e faz a cidade ficar mais bonita


A Casa da Bóia é um dos mais antigos e tradicionais pontos comerciais do Centro de São Paulo. Fundada em 1898 pelo imigrante sírio Rizkallah Jorge Tahan, a loja ocupa um edifício eclético da rua Florêncio de Abreu, bem atrás da Igreja de São Bento. O segredo dos seus 107 anos de existência é o respeito da família Rizkallah, e do atual proprietário, Mario Roberto Rizkallah, à memória da família e à história da loja. Em 1997, Mario restaurou o prédio e criou um museu no segundo andar.

O espaço se transformou em uma referência de preservação do patrimônio paulistano e ajudou a aumentar seus negócios. E o empresário disponibiliza objetos, textos e imagens sobre a história da Casa da Bóia que apresentam a evolução do comércio paulistano no último século. "O museu conta a história da família, a história do comércio, a história da indústria. As pessoas ficam encantadas", revela.

Pioneirismo

Desde sua fundação, a Casa da Bóia é uma referência na comercialização de materiais hidráulicos. Sua história começa na cidade de Alepo, no noroeste da Síria, onde Rizkallah Jorge nasceu em 1867. Desde criança, ele trabalhou com seu pai como comerciante e artesão de metais. Acompanhado de alguns amigos, emigrou para a capital paulista em 1895. Mas, diferente da maioria dos imigrantes sírio-libaneses, que no Brasil preferiam trabalhar com comércio de tecidos e miudezas, Rizkallah optou por dar continuidade à sua profissão, uma vez que, no final do século 19, a indústria metalúrgica no país ainda era incipiente.

Em 1898, o imigrante sírio trouxe sua esposa para a cidade e fundou a Rizkallah Jorge & Cia., indústria de fabricação de materiais hidráulicos não-ferrosos, como canos e conexões de cobre e bronze. Nessa época, São Paulo passava por uma reforma urbana que deu início à distribuição de água encanada. Foi quando surgiram as primeiras caixas d’água e a necessidade de bóias, que deram origem ao nome posterior da loja. "O saneamento começou com Emílio Ribas e Oswaldo Cruz, por causa da febre amarela. Como não existia fabricação local de bóias para caixa d´água, a produção de meu avô teve muita saída", completa Mario, neto do fundador.

Mario assumiu o negócio da família em 1997 e, desde então, tem trabalhado ativamente na preservação do edifício onde está a loja. Os negócios da família se diversificaram e, hoje, ele trabalha apenas com o comércio. "Aliás, a empresa só começou a ser chamada oficialmente de Casa da Bóia em 1951, quando a família decidiu assumir o ‘apelido’", revela. Sua preocupação com o patrimônio é tanta que, como os imóveis tombados na cidade de São Paulo não podem ter placas que escondam a fachada, em sua loja somente uma bóia e um pequeno banner, pendurados diariamente pelos funcionários na frente do edifício, indicam que ali funciona o estabelecimento.

A restauração da Casa da Bóia foi um das primeiras a acontecer em edifícios privados na cidade de São Paulo. A obra começou em 1997, quando Mario descobriu os benefícios da Lei das Fachadas. Ele então contratou um escritório de arquitetura especializado em recuperação de edifícios históricos. Foram restaurados a fachada e o interior do casarão. A obra foi tão criteriosa que, após a remoção de seis camadas de tinta, foi possível recuperar a pintura decorativa original das salas que abrigam o museu. "Existe uma diferença entre restaurar e contratar um pintor que só vai fazer a pintura. É um grande negócio para se fazer pela empresa, e sai muito barato. Nós tivemos um grande retorno da imprensa, que não esperávamos, pois não fizemos o restauro com esse objetivo. Mas acabamos descobrindo que isso é um gancho fundamental, porque se a pessoa faz um trabalho bem-feito ela tem retorno, se ela faz qualquer coisa, não receberá nada em troca", afirma o atual proprietário.

Mario continua ampliando o acervo do museu e trabalha ativamente na recuperação do entorno de seu imóvel. Ele é presidente da Associação dos Lojistas da Florêncio de Abreu (Alfa), que luta principalmente para combater a presença dos camelôs na tradicional via de comércio de ferragens. Tanto a Alfa quanto a Casa da Bóia são associadas à Viva o Centro.

RIZKALLAH JORGE, UM EMPRESÁRIO DE VISÃO

Na parte superior do sobrado da Rua Florêncio de Abreu, o museu da Casa da Bóia conta parte da história do comércio no Brasil, relembra a importância dos migrantes para a construção da cidade e, principalmente, revela a história pessoal de um pioneiro, com uma visão de negócios muito à frente de seu tempo.

Ao chegar ao Brasil, Rizkallah Jorge empregou-se em uma empresa metalúrgica como faxineiro. Em três anos não só tinha sido promovido como teve condições de comprar a empresa. "Ao contrário de outros imigrantes que foram mascatear, ele preferiu um trabalho mais próximo do que sabia fazer. Como não sabia a língua, trabalhou como faxineiro, mas com o tempo foi mostrando ao patrão que era um bom artesão, e em três anos comprou a empresa", afirma o neto Mario Rizkallah.

Além da empresa, Rizkallah investiu bastante em imóveis e também inovou na forma de administrá-los. Mandou imprimir um contrato padrão de aluguel, no qual só era necessário incluir os dados pessoais do inquilino e as informações sobre o imóvel. "Muito antes do computador, ele facilitou o trabalho padronizando os contratos", explica Mario. Quando a empresa começou a crescer, antes mesmo de se chamar Casa da Bóia, Rizkallah foi à Inglaterra buscar um mestre artesão para melhorar a qualidade de seus produtos. Um investimento em treinamento e reciclagem profissional que muita gente até hoje não pratica. Os documentos expostos no Museu contam estas e outras histórias. O pano de fundo do acervo é a evolução da cidade de São Paulo desde 1898 e um dos destaques são dois vídeos, feitos a partir de películas originais de 1928, que apresentam o funcionamento da loja e da fábrica.

Para conhecê-lo basta agendar a visita pelo telefone (11) 3227.0999, de segunda a sábado. No site www.casadaboia.com.br também é possível fazer um passeio virtual pelo museu e conhecer um pouco da história da família Rizkallah.

Casa da Bóia - Rua Florêncio de Abreu, 123. Metrô São Bento. São Paulo - SP. Tel.: (11) 3228.6255. Estacionamento gratuito no n° 131. Segunda a sexta, das 8h às 17h45; sábado, das 8h30 às 12h.



  Mix Mesa  


A ARTE DE ENSINAR
(Por Claudia Casanova)


Meio brasileiro, meio italiano. É assim que podemos definir o chef Volmar Zocche. Nascido em Nova Veneza, Santa Catarina, mudou-se para a Itália ainda criança, e desde então alterna temporadas lá e aqui. Mas desde que foi apresentado ao projeto Restaurante-Escola, e se tornou o responsável pela cozinha, não está muito certo de que ainda possa voltar para Milão. Afinal, além da paixão pela gastronomia, a arte de ensinar sempre esteve entre seus maiores prazeres.

A última - e aparentemente definitiva - vinda ao Brasil aconteceu em 1997, quando veio inaugurar o restaurante Namarilena, nos Jardins. "A idéia era estruturar a casa e o cardápio. Ia ficar por dois meses, mas fiquei um ano e meio", conta Zocche. Depois, abriu dois restaurantes próprios: Il Villaggio d'Italia, em Moema, e o Zocche Restaurante, no Itaim. Foi então que um amigo, também chef, o indicou para participar do Restaurante-Escola. "Quando cheguei aqui pela primeira vez, não havia nada ainda, só o chão. Pensei que não fosse ter realmente algum projeto", conta. Felizmente a previsão não se confirmou. Logo Zocche recebeu uma ligação avisando que a inauguração do espaço aconteceria em um mês. "Foi uma correria, mas tudo tem dado certo. Os resultados têm se mostrado bastante satisfatórios", revela o chef.

Zocche começou a se encantar pela cozinha aos 14 anos. Foi nessa época que decidiu voltar a morar na Itália e ouviu do pai que teria de "se virar sozinho". Começou, então, a trabalhar em uma padaria. Depois, ingressou na faculdade de veterinária, mas mesmo assim não abandonou a área gastronômica. Acabou fazendo, durante um ano, um curso na Academia de Cozinha Italiana e logo depois conseguiu seu primeiro trabalho como chef. Foi assim que, contrariando os desejos paternos, optou mesmo por trabalhar na área: "Meu pai queria que eu me tornasse veterinário, mas eu não queria. Tinha paixão por cozinha, aprendia tudo com muita facilidade. Com 21 anos, junto com um sócio, abri meu primeiro restaurante em Milão".

Nessa fase também começou a dar aulas de culinária: "Foi para alguns clientes do restaurante que queriam aprender sobre a cozinha. Eu sempre tive um pouco desse dom, pois ensinar gastronomia não é fácil", conta o chef que passou a ganhar experiência na área: deu aulas no Egito e aqui no Brasil, antes de inaugurar o Restaurante-Escola. Só em São Paulo e em Belo Horizonte Zocche teve cerca de quatro mil alunos.

A participação no projeto Restaurante-Escola foi motivada, principalmente, pela escassa mão-de-obra especializada, situação que enfrentou quando teve seus próprios restaurantes. "Eu tinha 45 funcionários e nenhum tinha um curso. O que acontece é que muitas pessoas não têm outra opção e acabam trabalhando na cozinha. Não é uma escolha delas e sim um acaso. Um curso como este era o que estava faltando."

A maior parte dos alunos que se formou até agora, 120 pessoas, está bem empregada na área. "A procura de mão-de-obra está sendo muito grande. As empresas e restaurantes ligam todos os dias", conta Zocche. E um contrato está para ser firmado com a Prefeitura de Milão, que concederá quatro bolsas de estudo para os alunos que mais se destacarem. Sem dúvida uma experiência única, para toda a vida. "A gente encaminha, dá o pontapé inicial", complementa.

O Restaurante-Escola

Os seis meses de aulas teóricas e práticas em alta gastronomia têm o objetivo de qualificar jovens para o trabalho em restaurantes. É um curso sobre culinária, salão, cidadania e até noções de língua francesa. São 60 jovens por turma - todos de famílias carentes. "O curso é uma chance de ouro, porque trabalho na área não vai faltar nunca e não dá para chefiar uma cozinha sem ter um curso e sem ter experiência", finaliza o chef.

O restaurante de Cozinha Internacional fica aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h30.

Restaurante-Escola - 1º Subsolo da Câmara Municipal, Viaduto Jaceguai, 100 - Centro (C7) Tel.: (11) 3115-1101



  Mix Artes e Espetáculos  


A HISTÓRIA DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO BRASILEIRO

Trazer ao público a história pouco conhecida de nossos ancestrais e traçar um retrato da produção rupestre brasileira é o tema de "Antes - Histórias da Pré-História", exposição do Centro Cultural Banco do Brasil. Contadas por meio de evidências históricas, documentação em mídia, filmes e esqueletos, as histórias tiveram grande sucesso de público nos CCBBs do Rio de Janeiro e Brasília, atraindo mais de 750 mil pessoas.

As 150 peças que compõem a exposição - vindas de importantes acervos do Brasil e do exterior -, mostram a faceta de um Brasil singular, que existiu muito antes do contato com o povo europeu. São pinturas, gravuras, cerâmicas, objetos em pedra e osso, instrumentos de caça e utensílios de até 30 mil anos que revelam palavras, posturas e gestos.

Com curadoria de Niéde Guidon e Ane-Marie Pessis, a exposição está dividida em três partes: Litoral, Interior e Amazônia. Em cartaz até 25 de setembro. Entrada gratuita.

CCBB (E5-45) R. Álvares Penteado, 112 São Paulo - SP Tel.: (11) 3113-3651

CONCERTOS NO TEATRO SÃO BENTO

Mantendo sua tradição de apresentar grandes produções culturais, o Teatro São Bento programou para 2005 diversos concertos nacionais e internacionais. Apresentados sempre às terças-feiras às 21h, para o segundo semestre há diferentes opções em "Concertos Internacionais" e "Concertos Nacionais - Série Aquarela". Informações sobre os espetáculos e venda de ingressos pelo telefone (11) 3188-4157. Atendimento das 11h às 19h.

Concertos Internacionais:

16 de agosto QUARTETTO DAVID di Milano (Itália)

27 de setembro KREMLIN CHAMBER ORCHESTRA (Rússia)

18 de outubro SALZBURG CHAMBER SOLOISTS (Áustria)

08 de novembro THE DUTCH TRIO (Holanda)

06 de dezembro PRAGUE CHAMBER CHOIR (República Tcheca)

Concertos Nacionais: Série Aquarela:

02 de agosto Homenagem aos 200 anos de morte de Bocherini

(Regente: Ronaldo Bologna)

20 de setembro Concerto Brasil - França (Regente: Abel Rocha)

13 de dezembro Concerto de Natal (na Basílica do Mosteiro

(Regente: Carlos Moreno)

Mosteiro de São Bento (E4-56) Largo do São Bento, s/n

São Paulo - SP Tel.: (11) 3328-8796

PINTURAS, SUCATAS E O SER HUMANO

Paulina Pinsky, Gabriela Gusmão e Vitor Mizael estão em exposições individuais que podem ser vistas até 14 de agosto no Centro Cultural da Caixa, na Praça da Sé.

Na exposição "Tapetes", Paulina Pinsky traz pinturas inspiradas na tapeçaria oriental. As obras, produzidas com técnica de óleo sobre tela, ultrapassam os limites impostos por molduras, que foram encontradas nas ruas e em antiquários. Instalada na Galeria Humberto Betetto, a exposição tem 25 obras no total, sendo que cinco delas compõem uma instalação.

"Rua dos Inventos", exposição de Gabriela Gusmão, revela-se uma criativa homenagem à comunidade que vive e trabalha nas ruas. A mostra é composta por fotografias e artefatos feitos por pequenos prestadores de serviços, vendedores ambulantes e moradores de rua a partir de matéria-prima barata ou material encontrado no lixo. Instalada na Galeria Neuter Michelon, a exposição é resultado de uma

extensa pesquisa feita pela autora entre agosto de 1998 e julho de 2001, período em que ela coletou fotos e depoimentos sobre o universo visual das ruas das cidades, principalmente da zona sul e centro do Rio de Janeiro.

Em cartaz no Espaço Octogonal, "Auto-Retrato", exposição do artista plástico Vitor Mizael, é composta de 24 desenhos em nanquim que mostram os lados externo e interno do ser humano, mostrando o que está realmente dentro e fora dele: seus ossos e roupas.

O artista brinca com o fetiche que envolve os corpos, acoplando pequenas figuras aos desenhos. Também adiciona às obras frases que expressam seu próprio estado de espírito. Todas as exposições têm entrada franca.

Conjunto Cultural da Caixa Praça da Sé, 111 (E6,F6) São Paulo - SP

Tel.: (11) 3107-0498. Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h.

DICAS TEATRAIS

A região central apresenta diversas opções de peças teatrais. Para esta edição destacamos "El Dia Que Me Quieras", do Grupo Folias d’Arte e "O Pneu e a Nascente", do grupo Porta Aberta.

Escrita em 1979 pelo dramaturgo venezuelano José Ignácio Cabrujas, "El Dia Que Me Quieras" mostra o esforço da tradicional família Ancizar em manter o glamour dos velhos tempos. Para discutir a corrosão do sonho socialista e o fortalecimento do capitalismo, a trama bem-humorada acontece na noite em que a família decadente recebe uma visita do cantor de tango Carlos Gardel. Com direção de Marco Antônio Rodrigues, a peça fica em cartaz por tempo indeterminado.

Espetáculo infantil do grupo Porta Aberta, "O Pneu e a Nascente" fala da preservação do meio-ambiente de uma forma lúdica e divertida. Para chamar a atenção do espectador infantil para um tema tão sério, o grupo criou uma fábula sensível e divertida que conta a história de um sabiá sapeca, de uma árvore centenária, de uma lavadeira e de uma limpa nascente que viviam tranqüilos até receberem a visita de um pneu careca e atrapalhado.

Recomendada para crianças a partir de cinco anos, a peça é uma ótima oportunidade para mostrar ao público infantil o quanto é importante respeitar os limites da natureza. Com direção de Rafael Masini, a peça fica em cartaz até 28 de agosto

Galpão do Folias

Rua Ana Cintra, 213 Santa Cecília São Paulo - SP

Tel.: (11) 3361-2223. Sessões de quinta

à sábado, às 21h. R$ 20. Estac. R$ 4

Teatro Fábrica

Rua da Consolação, 1623 - Bela Vista Tel.: (11) 3288-0136.

Até 28/08. R$12

ANTONIO FERRIGNO GANHA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL NA PINACOTECA

Nascido em Salerno, na Itália, Antônio Ferrigno morou no Brasil durante 12 anos, de 1893 a 1905. Durante esse período fez inúmeros trabalhos que registraram as paisagens paulistanas - o litoral, o interior e a própria cidade - e se transformaram em importantes documentos históricos. Para marcar os 100 anos de sua partida, e retratar sua produção em terras brasileiras, a Pinacoteca do Estado preparou sua primeira exposição individual. "Antônio Ferrigno, Cem Anos Depois" integra as comemorações do I Centenário da Fundação Pinacoteca do Estado.

Além de retratar cenas do cotidiano, como o quadro "Lavadeiras do Rio Tamanduateí", um dos grandes destaques da exposição é a série de 12 telas sobre o cultivo de café. Expostas em Paris, essa pinturas foram encomendadas pelo Conde da Serra Negra e serviram como publicidade para a nossa produção cafeeira. Em cartaz até 14 de agosto.

Pinacoteca do Estado (E2-100) Praça da Luz, 2

Tel.: (11) 3299-9844. Aberta de terça a domingo, das 10h às 18h.

Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia), grátis aos sábados.

OLIDO: MÚSICA AO MEIO-DIA

A programação do "Meio-dia no Olido" traz integrantes dos corais Lírico e Paulistano do Theatro Municipal para interpretar trechos da ópera "La Cambiale di Matrimonio", de Rossini. Com duração de 60 minutos, o espetáculo é apresentado na sala Olido, que tem 293 lugares, sempre às quartas-feiras.

Galeria Olido Av. São João, 473 (C4, A3)

São Paulo - SP. Tel.: (11) 3334-0001 r. 1951.



  Mix Livros  


QUESTÕES AMBIENTAIS

Lançado por ocasião dos dez anos do Instituto Socioambiental - entidade sem fins lucrativos classificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - o Almanaque Brasil Socioambiental (Instituto Socioambiental, 480 páginas, R$ 30,00) é um convite à reflexão sobre as grandes questões ambientais da sociedade brasileira.

Com a apresentação de alternativas para conciliar o desenvolvimento e a valorização da diversidade ambiental do país, a publicação teve a colaboração de 82 autores e 16 consultores entre jornalistas, cientistas e especialistas. São 12 capítulos temáticos, 75 verbetes, mapas, ilustrações e também 12 ensaios fotográficos autorais. O leitor ainda tem acesso a uma relação de endereços de organizações governamentais e da sociedade civil ligadas ao tema. Um mapa-pôster dos ambientes brasileiros e o encarte "Você sabe o impacto que gera no planeta" completam a obra.

Elaborado especialmente para o público estudantil do Ensino Fundamental e Médio, o almanaque é também uma referência aos cidadãos e entidades socialmente responsáveis. A obra pode ser adquirida pelo site http://www.socioambiental.org

FRAGMENTOS DE CIDADES

Os ensaios de O Imaginário da Cidade (Editoras UnB e Imprensa Oficial, 194 páginas, R$ 18,00) trazem fragmentos de mapas de diferentes lugares. Por meio da leitura, essas impressões de cidades reais se juntam e ganham um sentido de unidade. Em seu conjunto, a obra mostra que à medida que as cidades crescem, elas desvanecem e, por esse motivo, os mapas já não podem organizar os espaços.

Organizados por Rogério Lima e Ronaldo Costa Fernandes, os textos investigam como as diversas formas de imaginação sobre as cidades se entrecruzam em realizações literárias e em outros formatos narrativos para mostrar lugares tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidos.

EVOLUÇÃO URBANA

Um registro do Vale do Anhangabaú desde a época em que ainda era floresta virgem até os dias de hoje. E mais do que isso: a temática de Anhangabaú - História e Urbanismo (Editoras Senac e Imprensa Oficial, 240 páginas, R$55,00) não se restringe apenas a essa região pois enfoca o desenvolvimento da capital paulista como um todo.

Através de textos, fotos - algumas do antropólogo Claude Lévi-Strauss -, mapas e plantas urbanas, a publicação de José Geraldo Simões Júnior mostra as mudanças no tecido urbano, a formação das principais vias e bairros e também alguns personagens que se transformaram em nomes de ruas.

Por retratar uma importante faceta da evolução urbana de São Paulo nos últimos quatro séculos, o título é interessante a todos os leitores que buscam conhecer e compreender como aconteceu o desenvolvimento da maior metrópole da América Latina.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO

Em tese defendida em 1996 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), a urbanista Sarah Feldman abordou o período em que o zoneamento da cidade começou a ser feito, transformando-se na principal ferramenta de planejamento urbano.

O livro Planejamento e Zoneamento - São Paulo: 1947-1972 (Edusp, 312 páginas, R$ 52,00) é a versão atualizada da tese, trazendo os projetos, mapas, descrições das leis de zoneamento e estatísticas. Trata-se de uma reconstrução histórica do urbanismo da cidade de São Paulo entre os anos de 1947 e 1972, na qual poderemos entender o processo de planejamento através das elaboração e aprovação de leis, para as quais são demonstrados os interesses atendidos e as áreas da cidade atingidas pelas mudanças.


VIDA CULTURAL PAULISTANA

A efervescência cultural do Centro de São Paulo nos anos 50 e 60 deixou suas marcas na história da música popular brasileira. Para retratar o período, o jornalista Helvio Borelli entrevistou - com consultoria e supervisão do músico Sabá (do Jongo Trio) - cantores, músicos e empresários que viveram e fizeram parte desse tempo. O resultado está em Noites Paulistanas - Histórias e Revelações Musicais das Décadas de 50 e 60 (Arte & Ciência Editora, 156 páginas, R$ 33,80).

As primeiras apresentações de César Camargo Mariano, quando ele tinha 13 anos; o histórico show "Três na Bossa", com Elis Regina, Jair Rodrigues e Jongo Trio em abril de 1965; o roteiro das casas noturnas (entre elas as emblemáticas A Baiúca e Nick Bar) estão entre os fatos registrados. Com prefácio de Zuza Homem de Mello, a publicação é um resgate do cenário cultural paulistano em uma época norteada pelo desbravamento do novo e do inusitado.





  Mix Sites  


lA SOMBRA: http://www.revistalasombra.com.ar

Revista eletrônica argentina, publica fotografias enviadas por pessoas de todo o mundo, com ênfase em trabalhos latino-americanos. Criada em 1997, no site ficam disponibilizadas as imagens publicadas nas cinco últimas edições - que são sempre temáticas, como por exemplo "auto-retrato", "a noite" e "a natureza".

As pessoas que tiverem interesse em enviar seus trabalhos devem acessar o link "convocatória" para ler as indicações de formato e resolução. Uma boa vitrine para a exposição de fotos, a página, entretanto, não fornece informações completas dos autores, apenas o nome. Em espanhol.

MEMORIAL AMÉRICA LATINA: www.memorial.org.br

Além da programação do espaço, o que inclui a biblioteca e a videoteca, o site do Memorial traz informações sobre obras de arte, o conteúdo da revista editada pela instituição e links culturais.

Também há notícias sobre a América Latina e em "Arte em palavras" estão disponibilizados os áudios das palestras do projeto de mesmo nome, no qual diferentes personalidades comentam uma obra específica, ou a sua trajetória pessoal e profissional. Entre os arquivos há um depoimento autobiográfico do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa e outro do rapper Thaíde, que comenta a produção artística e cultural latino-americana.

REFORMA URBANA: www.forumreformaurbana.org.br

Formar uma rede de organizações, movimentos populares, entidades e de profissionais que queiram debater o direito de usufruir a cidade é um dos objetivos do Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).

Na página da organização, que desenvolve políticas públicas para promover a reforma urbana das cidades brasileiras, o internauta poderá acompanhar a legislação referente ao tema, acessar documentos e também participar de discussões. Há também um parte destinada à notícias e links sobre organizações e temas relacionados.

OFICINAS CULTURAIS:www.oficinasculturais.sp.gov.br

Com o objetivo de beneficiar a população por meio da inclusão cultural, o Programa de Oficinas Culturais do Departamento de Formação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura oferece cursos e oficinas gratuitas.

O site do Programa é um serviço de informações no qual são disponibilizadas aos internautas, as datas de inscrições, os resumos explicativos da programação e também os resultados de oficinas e concursos.





  Notícias  


CASAS BAHIA, A MAIS NOVA PARCEIRA

A Associação Viva o Centro ganhou mais uma importante aliada na recuperação do Centro de São Paulo: as Casas Bahia, que em maio completaram oito meses da inauguração de sua maior loja em área de exposição de produtos, a da Praça Ramos de Azevedo, em um edifício-símbolo do varejo paulistano, o que abrigou o antigo Mappin.

A grande rede varejista do país, com 453 lojas, 40 mil funcionários e faturamento de R$ 9 bilhões em 2004, é a mais nova associada da Viva o Centro. A filial das Casas Bahia na Praça Ramos é também a única loja da rede a ter em cada andar uma linha específica de produtos em exposição, além de quiosque de café e chocolate para a comodidade dos clientes. "Era preciso resgatar o prestígio do local e, principalmente, contribuir com a recuperação do Centro de São Paulo. A loja é uma homenagem das Casas Bahia à cidade", diz o vice-presidente do grupo, Michael Klein.

Entre outras ações complementares de apoio à requalificação do Centro, as Casas Bahia uniram-se ao Shopping Center Light e ambos firmaram parceria com a Subprefeitura da Sé para o patrocínio do restauro da passagem subterrânea na movimentada esquina da Rua Xavier de Toledo com o Viaduto do Chá, fechada há dez anos.

O lugar deverá reabrir em poucos meses.

VIVA O CENTRO PROPÕE TRATAMENTO DIFERENCIADO ÀS CALÇADAS DO CENTRO

Ao participar do Fórum Paulistano de Passeio Público, durante o qual a Prefeitura de São Paulo anunciou seu projeto para melhorar as calçadas da cidade, o presidente executivo da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, reforçou posições sempre defendidas pela entidade nesse quesito. "No Centro, os logradouros exigem tratamento específico para se adequar ao imenso fluxo de pedestres e ao patrimônio histórico", disse Marco Antonio. "As calçadas, na região central, possuem um caráter muito mais público do que em qualquer outro lugar da cidade, devido ao imenso número de pessoas que por elas circulam: algo em torno de 2 milhões ao dia - fato que por si só exige uma verdadeira engenharia de tráfego de pedestres." As calçadas devem ter somente o mínimo indispensável de equipamentos e mobiliário disputando espaço com as pessoas. No Centro, além disso, as calçadas têm de ser o mais discretas possível para não competir com o patrimônio tombado. "Por tudo isso, a Viva o Centro recomenda a adoção, em todo o Centro de São Paulo, do ladrilho hidráulico na cor natural (cinza), mais econômico, durável e de fácil manutenção", completou o presidente.

VEM AÍ A 3ª CONVENÇÃO DAS AÇÕES LOCAIS

Dando início às comemorações dos dez anos da criação das Ações Locais pela Associação Viva o Centro, a 3ª Convenção das Ações Locais será realizada no dia 27 de agosto, no Hotel Jaraguá. As Ações Locais são entidades organizadas por ruas e praças da área central para zelar por esses logradouros. O Programa de Ações Locais é coordenado pela Viva o Centro e tem o patrocínio da BM&F e da Bovespa. Durante a convenção anual, os participantes reservam o dia para atualizar conceitos e aprofundar a interação entre os núcleos. A "Convenção dos 10 Anos" terá como temas "Liderança para Servir" e "Ética na Ação Comunitária", sob a coordenação de Waldemar Helena Júnior, da Franquality Consultoria em Recursos Humanos. Com vários projetos implementados e uma atuação intensa, as Ações Locais tornaram-se um exemplo de como a sociedade civil organizada pode fazer a diferença em uma cidade com as dimensões de São Paulo. Para reservar sua vaga no evento os dirigentes devem se comunicar com Teresinha Santana, na Coordenação de Apoio às Ações Locais, pelo tel. 3242-3415 e 3398-8807, fax 3398-4816 ou e-mail teresinha@vivaocentro.org.br. As vagas são limitadas.

ESTREITANDO OS LAÇOS COM A COLETIVIDADE DO CENTRO

Como em anos anteriores, a Associação Viva o Centro continua a proporcionar uma série de cursos a conselheiros e dirigentes de Ações Locais graças a várias parcerias. Com o Centro de Educação Ambiental da Luz (CEA Luz), é oferecida uma nova versão do "Curso de Educação Ambiental", que oferece aos participantes de instrumentos para uma atuação efetiva em proteção do meio ambiente. Com o escritório especializado em gestão sustentável, Allure, há o curso de Contabilidade Básica para o Terceiro Setor. Já com a União Brasileira de Escritores (UBE) são dois os cursos: "Arte de Falar", ministrado pela fonoaudióloga Sueli Carlos, e "Introdução à Oratória e Integração Social", a cargo do advogado João Meirelles Câmara. Da parceria com a UBE, uma Oficina de Poesia na Viva o Centro, realizada no ano passado sob orientação do poeta e escritor Lourival Sodré, resultou a publicação da coletânea Novas Poéticas, lançada pelos autores em junho deste ano.

ELEIÇÕES GERAIS NAS AÇÕES LOCAIS. AINDA DÁ PARA PARTICIPAR

Já começou a movimentação para a campanha eleitoral de renovação das Diretorias e dos Conselhos Fiscais das mais de 40 Ações Locais existentes no Centro de São Paulo.

A eleição se reveste de caráter especial neste ano em que as Ações Locais comemoram o 10º Aniversário. Devem ir às urnas representantes de mais de 3 mil empresas, instituições, condomínios e lojas estabelecidos no Centro, além de moradores e proprietários de imóveis na região, para o preenchimento de cerca de 500 postos. O calendário e o regulamento eleitoral estão no site www.vivaocentro.org.br.

Calendário Eleitoral 2005

27/8
Lançamento da Campanha Eleições Gerais 2005

29/8 a 16/9
Período para registro na Associação Viva o Centro das candidaturas a Diretor e a membro do Conselho Fiscal das Ações Locais

Até 16/9
Todos os Conselheiros/Representantes cadastrados na Viva o Centro podem se candidatar

Até 30/9
Data final para adesão a uma Ação Local para ter direito a votar

19/10
Eleições Gerais no saguão do Shopping Light

20/10
A partir das 15h, início das apurações na Viva o Centro

03/11
Sessão solene de posse dos membros das Diretorias e Conselhos Fiscais eleitos

CENTRO HISTÓRICO LANÇA COWPARADE NA CIDADE

A Cowparade, mostra internacional de rua de esculturas de vacas em tamanho natural, decoradas por artistas locais em cada cidade que se realiza, chega finalmente a São Paulo - será inaugurada em setembro - e conta com o apoio da Viva o Centro. No lançamento do evento, em junho, no Centro Histórico de São Paulo, os organizadores exibiram a Ecovaca criada pela artista plástica Annita Kaufmann, com patrocínio da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), uma das instituições filiadas à Associação. Encantadas, crianças de uma Escola Municipal do Bairro do Jaguaré, que visitavam o Centro naquele momento, pediram para subir no lombo da Ecovaca (foto). A exposição vai colocar São Paulo ao lado de cidades que já realizaram alguma ou várias edições, como Nova York, Tóquio, Bruxelas e Sidney, Praga e Chicago, além de possibilitar a democratização da arte e, por fim, contribuir com uma entidade de combate à exploração infantil. A venda das esculturas, ao término do evento, será revertida à Fundação Abrinq.

ROTARY CLUB SÉ HOMENAGEIA VIVA O CENTRO

Para comemorar seu centenário, completado este ano, o Rotary Club Sé homenageou com o Diploma de Excelência Profissional várias personalidades atuantes no Centro de São Paulo por seu espírito público e trabalho em prol de melhorias no Distrito Sé. O presidente executivo da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, está entre os homenageados por seu trabalho à frente da entidade. O Diploma de Excelência Profissional foi entregue em uma das reuniões do Rotary Sé por seu presidente, Alfredo Marques, no começo de junho, no restaurante do Jockey Club de São Paulo.

VIVA O CENTRO EM EVENTOS SOBRE URBANISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS

Representada por seu presidente executivo, Marco Antonio Ramos de Almeida, a Associação participou das mesas de três importantes eventos promovidos por entidades parceiras nos últimos meses de maio e junho. Foram eles: o segundo debate do ciclo "Fazendo a Cidade", sobre o tema "Requalificação Pública", realizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) em parceria com o Instituto Tomie Ohtake; o Seminário de Políticas Públicas para o Centro de São Paulo, organizado pelo Sindicato dos Engenheiros e Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, FAU-Mackenzie, Centro de Convivência É de Lei, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e Instituto Polis, com o apoio da FAUUSP, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Seguridade e Assistência da PUC e gabinetes dos vereadores Paulo Teixeira e Chico Macena; e a 18ª edição do Congresso Internacional de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo (Cihat), promovida pela Associação Brasileira de Entidades de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo (Abresi), uma das entidadesque integram a Comissão Consultiva de Turismo da Viva o Centro.



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Conselho Editorial: Jorge da Cunha Lima, Jule Barreto, Marco Antonio Ramos de Almeida, Mary Lou Paris, Marta Dora Grostein, Regina Prosperi Meyer, Rosely Carmona, Antonio José A. G. Zagatto, Lu Rodrigues, Ana Maria Ciccacio (secretária).

Editor: Jule Barreto
Editora Assistente: Ana Maria Ciccacio
Editora de Arte: Lu Rodrigues
Editora de arquitetura e urbanismo: Regina Prosperi Meyer
Colaboram nesta edição: Ana Francisca Ponzio, Frederico Mengozzi, João Podanovski, Marcos Capobianco, Marcos Garuti (Traço), Katia Canova (produção de imagens)
Fotografia: Jesus Carlos (Imagenlatina), Marcelo Santos
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