ANO V   -   No. 34   -   abril / maio 2004
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Panorama  Marco Antonio Ramos de Almeida

Reportagem  São Vito Luz no fim do túnel
Manutenção Imóveis do Centro exigem restauro
Responsabilidade Sinistro em prédios... Quem assume?
Negócios Opção pelo Centro

Artigos Fernando Henrique Cardoso
Leonardo Barci Castriota

Entrevista Antonio Ermírio de Moraes

Idéias 25 de Março e Florêncio de Abreu Percursos verticais
Conservatório Dramático e Musical de São Paulo História e preservação

Cultura Cultura para todos
Aniversário de São Paulo estimula lançamentos editoriais

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  Cartas  
Papel da VIVA O CENTRO

Sou leitor de urbs e admirador do projeto VIVA O CENTRO, até porque, como paulistano, 48 anos, conheço o Centro de São Paulo desde menino, quando ainda era obrigado a trajar terno de calça curta e boné coco para entrar nos cinemas e, é claro, acompanhado dos pais. O tempo passou e o destino me fez conhecer outras capitais de Estados brasileiros, sendo que na maioria nada se compara com o glamour de nossos prédios e praças... Hoje, minha experiência de vida me faz perceber a importância da luta da Prefeitura, de ONGs como a VIVA O CENTRO e das Ações Locais pela recuperação do Centro e a manutenção do que vem sendo feito... Finalizo registrando meu empenho pessoal nessa luta, não só objetivando lucros e negócios individuais, mas em respeito ao Centro de São Paulo, cidade de que tanto me orgulho por ser a minha terra.
José Alves de Souza Junior
por e-mail



Mapa VIVA O CENTRO


Parabéns pela iniciativa da criação do Mapa VIVA O CENTRO – São Paulo 2004. Embora paulista, confesso que me perco no Centro da cidade, principalmente se estiver de carro, por total desconhecimento da mão de direção de suas principais ruas, distância entre seus pontos turísticos, condições de acesso, entre outros. Agora, com certeza, visitar e revisitar o Centro será menos temeroso e mais prazeroso.
Silvia Regina Mathias por e-mail


Bom Retiro e Ações Locais


Parabéns. Os textos publicados na revista urbs nº 33 refletem a qualidade do trabalho da Associação VIVA O CENTRO e, em particular, da edição da revista. "Bom Retiro, centro da moda" e "O Centro em ação" merecem elogios que gostaríamos que ficassem registrados.
Emmanuel Prado Lopes
Ação Local Pátio do Colégio/Boa Vista
por e-mail



Parabenizo a revista pela edição da matéria "Bom Retiro, centro da moda". Acho que um projeto para revitalização da região é essencial, afinal esta região concentra inúmeros patrimônios históricos, como foi relatado na matéria, além de ser um incontestável pólo comercial, diria até que é um grande shopping a céu aberto, concentrando lojas de excelente qualidade. Gostei dos croquis expostos na matéria, pois parece que foi planejada uma arborização das ruas. Eu e minha esposa particularmente deixamos de freqüentar a região devido à dificuldade de acesso, afinal descíamos no Metrô Luz e tínhamos que atravessar à pé a Estação da Luz, reduto de prostitutas e camelôs. Ir de carro também se constituía em transtorno, pois a região possui poucos estacionamentos pagos. Enfim, acho que se deve pensar na questão do acesso à região de forma que a revitalização se concretize.
Carlos H. Biagolini
Biólogo
por e-mail



450 Anos


Nos 450 Anos da capital paulista, um forte abraço a vocês de urbs. Temos certeza de que muitas das coisas boas que o nosso Centro colhe hoje se deveram à atuação decisiva da VIVA O CENTRO, sempre atenta, inteligente e atuante. São Paulo merece o respeito e o profissionalismo que vocês detêm.
Arlindo & Luciana
por e-mail



Empréstimo do BID/Programa Ação Centro


Antes de tudo, gostaria de parabenizar a equipe da urbs pelo excelente trabalho que a revista vem prestando, não só quando respalda o projeto de revitalização do Centro de São Paulo, mas também por oferecer elementos para que possamos compreender a cidade. Lendo as edições que mantenho cuidadosamente em acervo, concluí que muito já se fez pelo Centro — prédios públicos estão restaurados, as ruas mais limpas, o trânsito menos caótico e a região já conta com áreas de escape, como o shopping e, evidentemente, os centros culturais. No entanto, além do muito que ainda falta, fica a impressão de que, primeiro, as obras são feitas a toque de caixa, portanto executadas sem critérios adequados; segundo, de que lhes falta a devida manutenção. Resultado: como são obras pontuais, feitas isoladamente, antes que outras sejam executadas, as primeiras estão deterioradas. Sendo assim, entendo que o empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento é fundamental para a implementação da recuperação do Centro, já que vai permitir a execução de todo um projeto articulado.
Maria Luíza do Nascimento
por e-mail



Maria Antonia


A reportagem "Uma outra, e mesma, Maria Antonia" reflete a importância desse conjunto para a memória e a imagem da cidade. Referência histórica de um passado recente, o MariAntonia ultrapassa o caráter de marco urbanístico e arquitetônico, ganhando dimensão política e social. Escrito com elegância literária e clareza, o texto está à altura dos mestres citados, hoje figuras históricas do país. Porém, creio que faltou citar o nome de José Serra, que foi líder estudantil naqueles tempos conturbados, hoje, sem dúvida, destaque político no cenário nacional. Contudo, reafirmamos: trata-se de um trabalho de pesquisa aprimorado e excepcional. Parabéns.
Arqt° Eli Kazuyuki Hayasaka e
Haroldo R. Vargas R., da Harvar do Brasil
por e-mail



Quadrilátero moderno


Achei bastante pertinente a matéria de arquitetura sobre o que vocês consideram Quadrilátero Moderno. São Paulo é uma cidade anarquista do ponto de vista urbanístico e o artigo pode funcionar como norte para se refletir sobre algumas questões, como o que aconteceu em nossa megalópole depois da Semana de Arte Moderna de 22. Se em outras áreas houve um hiato, quando se pensa em arquitetura tem-se a sensação de que ocorreram vários outros rompimentos, como traduz os conjuntos arquitetônicos de vários pólos da cidade. Abraços, parabéns e continuem assim.
Ronoel Marama
por e-mail



CORREÇÃO


Reproduzimos abaixo a primeira questão, omitida na seção Entrevista da última edição de urbs, formulada a Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc de São Paulo:
urbs – No Centro já existem três unidades do Sesc: nas ruas do Carmo e Florêncio de Abreu e na Avenida da Consolação. O que motivou a instituição a investir em um novo Sesc, na Rua 24 de Maio?
Danilo Santos de Miranda – A intenção é de requalificar nossa presença no Centro e com uma unidade da fase mais atual do Sesc, onde a cultura, o esporte, os espaços, a arquitetura e a programação de atividades têm sempre uma função educativa, mas também acolhedora e respeitosa em todos os sentidos para com o público da instituição e seus funcionários. Além disso, no Centro ainda não tínhamos nenhuma unidade com esse perfil próxima do Anhangabaú e da Praça da República. Esse perfil temos no Sesc Pompéia, Vila Mariana, Consolação e Ipiranga. E vamos ter em Pinheiros, Santana e Belenzinho. Enfim, em várias unidades na capital.




  Panorama  
Habitação no Centro

MARCO ANTONIO RAMOS DE ALMEIDA
Presidente da Diretoria Executiva da Associação VIVA O CENTRO


Quando se analisa a questão habitacional no Centro de São Paulo, em especial nos distritos históricos Sé e República, dois enfoques se impõem de imediato. Pode-se encarar o repovoamento do Centro como solução, ainda que parcial, para reduzir o alto déficit habitacional da cidade, hoje estimado em mais de 350 mil moradias, ou sob o prisma da contribuição que o repovoamento do Centro traria ao conjunto de ações que estão em curso para recuperá-lo.

O adensamento residencial do Centro Histórico é uma estratégia que poderá se mostrar ilusória se compararmos as possibilidades reais da área de oferecer moradia em condições adequadas com as proporções alcançadas pelo problema em São Paulo. Sabemos que para atender à demanda por moradia na cidade são necessárias políticas habitacionais de grande amplitude, formuladas a partir da análise das causas da perda populacional — cerca de 20% nos últimos dez anos — ocorrida em praticamente todos os bairros consolidados da cidade, dotados de razoável infra-estrutura, e do inchaço das periferias pobres, totalmente carentes de equipamentos sociais e transporte público de qualidade.

Já a plena ocupação residencial do Centro, de forma socialmente diversificada, mesclando habitação social a residências de padrões variados para distintos estratos de renda e composição familiar, é defendida pela VIVA O CENTRO desde sua fundação, como um instrumento fundamental para a requalificação e refuncionalização da área. O Centro, a exemplo das demais áreas bem equipadas da cidade, também registrou um sério esvaziamento nas últimas décadas. Os distritos Sé e República perderam mais de 17 mil moradores entre os censos do IBGE de 1991 e 2000. Hoje residem na área em torno de 67 mil habitantes, 22% menos que no início da década de 90.

Caso se adote a opção defendida pela VIVA O CENTRO, qual seja, a de que se deve atrair moradores de estratos sociais variados para o Centro com o objetivo de incrementar o processo de sua recuperação, duas questões merecem atenção: o que se pode fazer e que precauções tomar?

Para atrair moradores de qualquer padrão de renda para o Centro Histórico é necessário melhorar cada vez mais a qualidade do espaço público — limpeza, segurança, disciplinamento de seu uso, iluminação e acessibilidade. A partir disso, a indústria imobiliária fará sua parte, construindo novas edificações ou reformando as existentes para as faixas de renda média e média alta, como já se nota em alguns lugares.

No caso da moradia de interesse social e baixa renda, para a qual se faz necessário o subsídio público, é fundamental a análise criteriosa dos projetos, que deve ser feita caso a caso. Grandes edifícios são comprovadamente impróprios para a moradia de interesse social por, entre outras razões, apresentar custos de manutenção condominial superiores à capacidade financeira de moradores de baixa renda. A localização adequada do imóvel é fundamental, principalmente para o atendimento das necessidades das crianças. O prédio do antigo Hotel São Paulo, por exemplo, em plena confluência das avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, é flagrantemente inadequado por suas dimensões e localização. Neste caso, estaríamos usando dinheiro público para criar um novo São Vito. Bons projetos evitarão processos futuros de degradação ou de expulsão de habitantes de baixa renda.

Por fim, é bom lembrar que para viabilizar projetos adequados de moradia no Centro já temos, inclusive, uma legislação apropriada, a Lei 12349/97, da Operação Urbana Centro, e que uma série de bairros centrais como Barra Funda, Bom Retiro, Pari, Brás, Mooca, Liberdade têm um enorme potencial para acolher grandes contingentes populacionais que contribuiriam não só para aumentar o número de moradores na região central como para minimizar — aí sim, efetivamente — o problema do déficit habitacional na cidade.

MARCO ANTONIO RAMOS DE ALMEIDA
Presidente da Diretoria Executiva da Associação VIVA O CENTRO



  Reportagem  
LUZ NO FIM DO TÚNEL

Programas de habitação pretendem remodelar a vida em antigos edifícios do Centro, como o São Vito, mas esbarram em um poderoso obstáculo: os altos custos de manutenção, que terão de ser rateados entre os condôminos.

Marcus Figueiredo
Fotos de JESUS CARLOS (Imagenlatina)



Encerrada, dentro da administração municipal, a polêmica em que foi decidida a reforma do Edifício São Vito, surge um desafio para o prédio, um dos mais conhecidos "treme-tremes" do Centro: a adoção de medidas que garantam a manutenção sustentável permanente, para impedir que o edifício, após ser recuperado, entre em um novo processo de degradação nos próximos anos.

O processo de recuperação do São Vito é um exemplo da complexa operação que vem sendo desenvolvida pela Prefeitura com o objetivo de destinar grandes edifícios para Habitações de Interesse Social (HIS) – programa voltado a famílias com renda igual ou inferior a seis salários mínimos. Como em qualquer prédio organizado em condomínio, independentemente da classe social de seus moradores, a manutenção e o funcionamento estão sujeitos à entrada mensal de recursos mediante o pagamento do rateio das despesas pelos moradores.

O problema é que moradores de baixa renda, além de não terem condições de arcar com um valor de condomínio, normalmente elevado, muitas vezes não possuem uma reserva financeira para o caso de perda do emprego ou do trabalho, mesmo informal. Basta lembrar que, atualmente, edifícios como o São Vito sofrem com a inadimplência dos moradores no pagamento das contas. Em alguns casos, o déficit atinge mais da metade dos apartamentos.

Ou seja, não é possível pensar apenas no acesso à moradia, mas em como garantir a segurança e o conforto dos moradores, levando-se em consideração sua condição social. Caso contrário, há o risco de um novo efeito-dominó, em que a falta de recursos para manutenção e funcionamento do imóvel, gerada por novo acúmulo de contas não-pagas, vai novamente comprometer o uso do edifício.

Apesar das divergências quanto à solução adotada pela Prefeitura, os especialistas concordam em um ponto: qualquer projeto de habitação social sustentável vai depender de uma organização dos moradores e do desenvolvimento de soluções para toda a região em que o edifício estiver localizado. Ao poder público cabe o papel de gestor do processo, dependendo do grau de mobilização da comunidade que reside no local.

É exatamente o que está sendo previsto para o São Vito: além da reforma completa de todas as unidades, e da criação de espaços alternativos de vivência, inclusive abertos à visitação pública, todo o entorno será reformado e integrado a espaços como o Mercado Municipal e o Palácio das Indústrias, que será transformado no Museu da Cidade (veja mais informações sobre o São Vito no Box).

Organização e criatividade

A arquiteta Helena Saia – consultora do projeto de remodelação do São Vito – lembra que a maior parte da população beneficiada pelos programas de moradia já passou por algum tipo de experiências com movimentos sociais de reivindicação habitacional, o que já lhe garante certo potencial de organização. Por isso, ela aposta no sistema de autogestão, orientado pelo poder público. Para ela, os próprios moradores têm capacidade de discutir as melhores maneiras de gerenciar o condomínio, como acontece em qualquer edifício residencial.

A arquiteta lembra que, após receberem seus apartamentos, os beneficiados começam a ter despesas que muitas vezes não tinham antes. Em um cenário difícil do ponto de vista econômico, em que o desemprego é um dos mais graves problemas do País, ela sugere a adoção de medidas alternativas para geração de renda do edifício.

No caso do São Vito, foram pensadas várias estratégias para garantir que a reforma – que deve consumir R$ 11 milhões em obras e desapropriações – se sustente. Uma das possibilidades é o aluguel do espaço comercial do térreo por empresas particulares para gerar receita para o condomínio. O dinheiro proveniente desses aluguéis iria para uma espécie de fundo de reserva. "Quem obedecer às regras poderá ficar isento do pagamento durante o período em que estiver desempregado", propõe. O raciocínio, segundo ela, também causaria um efeito benéfico na preservação do patrimônio, uma vez que o esforço para o pagamento das contas em dia seria estimulado.

Outra solução é a divisão do edifício em duas alas, cada uma com uma organização condominial própria. "Cada andar será dividido em duas ‘vilas’, que receberão nomes à escolha dos moradores. Haverá uma portaria para cada uma das vilas, e cada lado do prédio será organizado em um condomínio próprio, para que a quantidade de unidades a serem administradas seja menor", explica o arquiteto responsável pelo projeto de reforma do São Vito, Roberto Loeb.

Segundo Helena, cabe ao poder público o papel de orientar essa população. O problema, afirma, é que muitas vezes as regras impostas pelos programas sociais de habitação acabam prejudicando os moradores. "Muitas vezes o valor cobrado pela administradora do prédio é superior ao da prestação do apartamento. E uma das exigências da Caixa Econômica Federal para fazer o financiamento é que o prédio tenha uma administradora de condomínio", explica. "Não falta criatividade nem para os arquitetos e nem para os moradores. Falta criatividade para quem está no poder", completa.

Ela lembra que a criatividade dos moradores já produziu resultados positivos em edifícios do Centro recuperados e destinados à habitação popular. No Edifício Fernão Sales, que integra o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), por exemplo, os moradores costumam subir pelas escadas para economizar a energia elétrica dos elevadores.

Opinião semelhante é do arquiteto e vereador Nabil Bonduki (PT), autor de vários trabalhos sobre habitação popular. Segundo ele, antes de tudo é necessário definir um plano para que a população possa assumir a gestão do prédio de maneira mais organizada. Isso diminuiria os custos em setores como o da mão-de-obra necessária para manutenção do local.

"É possível pensar em gestões mais comunitárias para os serviços do condomínio, o que diminuiria os custos", diz Bonduki. No caso das grandes edificações, ele também enxerga com bons olhos a possibilidade de exploração comercial de algumas áreas, como o térreo e a cobertura, cujo lucro seria revertido para o uso comum das instalações, como está previsto no projeto da Prefeitura para o São Vito.

A redução dos custos do condomínio nas HIS é um dos obstáculos que deve ser vencido para aumentar a população do Centro, diz Bonduki. Por isso, afirma, o poder público também deve apostar em edifícios com média e baixa densidade, cujas despesas são menores, pois muitas vezes dispensam elevadores e mão-de-obra nas áreas comuns.

Segundo o vereador, o projeto de ocupação deve estar acompanhado do próprio projeto de recuperação física do edifício. "É necessário organizar a população para que haja um processo de formação dos futuros moradores", diz o vereador, citando o poder público como gestor desse processo.

Adaptação cultural

Formação essa que não se resume à questão econômica. Helena Saia lembra que grande parte dos moradores são migrantes com características culturais herdadas de cada terra natal. A falta de quintais, por exemplo, provocaria problemas no convívio comum. "Não é porque estão morando em apartamentos que eles vão abandonar seus hábitos", diz Helena. Isso não impede, entretanto, que eles se adaptem ao novo estilo de moradia.

Os problemas de adaptação do morador, segundo Bonduki, podem ser contornados se houver um processo de gestão organizada. Ele lembra que na administração da ex-prefeita Luiza Erundina, a Superintendência de Habitação Popular da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab) elaborou cartilhas com regras de moradia em condomínio, destinadas à população de baixa renda que passou a morar em apartamentos populares. "A população responde muito bem aos estímulos, mas ela tem de ser incentivada a se organizar", afirma Bonduki.

A partir do momento em que a administração é resolvida e a população é conscientizada dos seus direitos e deveres, os benefícios começam a ser revertidos para a própria cidade, como defendem os urbanistas envolvidos no projeto do São Vito. "A recuperação começa a se espalhar para o quarteirão e para o bairro. À medida que eles (os moradores) estão organizados, em uma segunda etapa eles vão começar a lutar por outros benefícios, como a creche, o asfalto etc.", diz Helena Saia.

Locação social

O arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), José Eduardo de Assis Lefèvre, aponta a locação social como uma das principais soluções para resolver não só a questão da sustentabilidade dos edifícios, mas a democratização do acesso à moradia popular. "Todo o problema habitacional do Brasil está centrado na venda e não no uso do imóvel", diz Lefèvre, lembrando que o sistema de locação é utilizado com sucesso em outros países, como a França.

Segundo ele, a grande vantagem do sistema, que não precisa ser adotado para todos os tipos de habitação destinadas às camadas mais baixas da população, é que a gestão centralizada dos edifícios pelo poder público ou empresas estatais permitiria uma melhor independência financeira do condomínio. "Não adianta imaginar que o problema do São Vito será resolvido se o problema não for pensado de uma forma sistêmica."

Lefèvre salienta que o sistema de locação permite uma gestão mais profissional, em que os interesses coletivos estão acima dos individuais. "A administração de um conjunto tem de ser profissional para a mobilização de recursos de acordo com uma escala de prioridades do edifício", explica.

A diretora do Habicentro, departamento ligado à Superintendência de Habitação Popular da Secretaria de Habitação, Carolina de Castro, afirma que a Prefeitura está ciente da importância do acompanhamento do processo de ocupação dos prédios restaurados e destinados a programas de interesse social. "Em geral, a Prefeitura não tem se retirado após o prédio ser entregue aos moradores. Mesmo na periferia, esse acompanhamento sempre existiu", diz Carolina.

A regra vale para todos os tipos de habitação social que estão sendo viabilizados na cidade. Até o fim do governo, o objetivo é entregar pelo menos 3,5 mil unidades habitacionais para famílias com renda de até seis salários mínimos. Um dos principais programas é o PAR, em parceria com a Caixa Econômica Federal, destinado a famílias com renda mensal entre três e seis salários mínimos. O imóvel é arrendado por 15 anos, sendo que no fim do período o morador tem a possibilidade de comprá-lo, abatendo o valor já pago.

Segundo Carolina, o acompanhamento do poder público na gestão do imóvel depende do grau de mobilização dos moradores. Quanto maior a organização dos condôminos, menor a necessidade de intervenção. "Quando os moradores preenchem os requisitos de organização para que essa fase de acompanhamento seja um pouco mais distante, nós respeitamos. Mas, se houver necessidade de uma presença mais intensa do poder público, nós acompanhamos."

Para o governo municipal, é pouco provável que o São Vito não consiga se manter revitalizado e entre em um novo processo de degradação. Um dos fatores importantes para isso é que a recuperação do prédio faz parte do projeto de requalificação de toda a região do Parque D. Pedro II. "Isso será muito favorável ao edifício, pois em toda a região serão desenvolvidos programas de arte, cultura e lazer", afirma Carolina.

De qualquer forma, o acompanhamento da Prefeitura será fundamental para desenvolver nos condôminos de edifícios como o São Vito maior espírito de comunidade, e também para que o não-pagamento de contas de alguns moradores não comprometa a gestão do edifício inteiro. A dificuldade maior não será reformar e nem reocupar esses espaços, mas manter a qualidade de vida a longo prazo.



Prefeitura investe em imóveis residenciais
  • Para o ex-secretário da Habitação, Paulo Teixeira, a ocupação residencial de antigos prédios, como o São Vito, além de resolver parte do problema habitacional da cidade, tem importância fundamental no processo de recuperação do Centro. Sua expectativa é a de que novos moradores dêem ainda mais vida ao coração da cidade.
  • A iniciativa de incentivar a moradia no Centro precede a reforma do São Vito, e tem um outro perfil. Uma parceria entre Prefeitura e Caixa Econômica Federal, através do PAR – Programa de Arrendamento Residencial, da CEF, já reestruturou e entregou cinco prédios para famílias com renda entre três e seis salários mínimos. Em março foram inaugurados os dois mais recentes, de um total de 14 edifícios, todos na região central. Juntos, somam cerca de 1,8 mil apartamentos.
  • Paulo Teixeira aponta o caso do Edifício Rizkallah Jorge, reaberto em janeiro de 2003, como um dos mais bem-sucedidos dentro do programa. "A reforma ficou muito boa, e as famílias já estruturaram suas vidas lá dentro. Está tudo dando certo", diz. Inaugurado na década de 40, o prédio, embora tombado pelo Patrimônio Histórico por seu valor arquitetônico, estava em estado de abandono. Depois de recuperado, voltou a abrir suas portas, e 167 apartamentos novos em folha puderam finalmente receber algumas das famílias de baixa renda inscritas no programa de seleção da Caixa Econômica, para financiamento de habitação.
  • Para participar, a família deveria comprovar que sua renda estava entre três e seis salários mínimos. Ao ocupar o apartamento, o arrendatário passaria a pagar, no caso do Rizkallah Jorge, um aluguel de R$ 172, que seria reajustado conforme a variação do valor do imóvel. Após 15 anos, o inquilino poderá comprar a unidade, e do valor total será descontado o montante correspondente aos aluguéis pagos até a data. Para Teixeira, é importante que a família tenha capacidade de pagar o condomínio (sempre em torno de R$ 100), além do arrendamento, ou aluguel, para que não se forme um rombo nas contas do edifício – um dos problemas que desestruturou o Edifício São Vito.
  • Quase todos os prédios que entram no programa da Secretaria de Habitação estão vazios, ao contrário do que acontece no São Vito. O próximo passo é desocupar o prédio e iniciar as reformas, que devem acabar no final de 2005. As famílias que deixarem seus apartamentos receberão uma "bolsa-aluguel" para se instalarem em outro imóvel no período de obras. Paulo Teixeira acredita que a espera deve compensar. Agentes sociais da Prefeitura vão monitorar a vida no edifício, para que ele não volte a virar o que, em jargão popular, era conhecido como "treme-treme". (Gustavo Fioratti)



Balança mas não cai
  • Construído em 1959 pela construtora Zarzur Kogan, o Edifício São Vito tinha como objetivo atender a uma população de baixa renda cuja vida estava ligada às atividades do Centro. A cidade começava a receber muitos migrantes e a habitação em torno do Centro – que ainda concentrava a maioria das atividades econômicas da metrópole – escasseava. A construtora então lançou o São Vito, com 25 andares e 24 apartamentos conjugados por andar, um projeto de Aron Kogan.
  • Com o passar do tempo, as atividades econômicas foram se espalhando por São Paulo e o Centro foi perdendo importância. Ao mesmo tempo, parte da população perdeu poder aquisitivo. As características que motivaram a construção do São Vito contribuíram para sua decadência: a grande quantidade de moradores dificultava a administração do condomínio, o que deixou o prédio sem manutenção, e o baixo poder aquisitivo dos moradores também gerou inadimplência e abandono, favorecendo invasões. A situação chegou a um extremo: mais de 500 famílias vivendo em situação de risco, com elevadores em más condições, dívidas enormes com empresas prestadoras de serviços públicos e problemas de segurança.
  • O problema começou no final da década de 70, mas até hoje nenhuma providência concreta tinha sido tomada. O ex-prefeito Jânio Quadros, por exemplo, sugeriu a demolição do que chamou de "pardieiro vertical". Não faltavam opiniões dissonantes para propor soluções. O arquiteto José Eduardo Tibiriçá, vice-presidente da Associação Brasileira dos Arquitetos (AsBea), acreditava que a implosão era uma possibilidade a ser considerada. "O problema do espaço urbano não é exclusivo dos diretamente envolvidos na questão, pois se trata da fruição de uma paisagem urbana de qualidade a que todo o cidadão tem necessidade e direito. Quer dizer, a solução de um problema relativo à paisagem urbana deve atender não somente aos diretamente envolvidos e interessados, mas a um maior número de pessoas", explica.
  • Mas se as próprias características do prédio o ajudaram a chegar à situação atual, a equipe encabeçada pelo arquiteto Roberto Loeb – responsável pelo projeto da reforma – levou esse histórico em conta para conceber uma nova realidade. A reforma vai reduzir a quantidade de unidades. Das 24 quitinetes originais por andar, o novo projeto prevê 15 apartamentos, com plantas diferenciadas, com até dois dormitórios. Essa diferença permitirá atrair moradores de diferentes poderes aquisitivos. Além disso, o prédio será dividido em dois blocos para efeito de administração de condomínio, o que vai diminuir a quantidade de unidades e conseqüentemente o conflito de opiniões.
  • Alternativas financeiras e serviços também estão previstos. No andar térreo, a intenção é construir um restaurante-escola, que treine mão-de-obra qualificada para hotéis e restaurantes. "A idéia não é criar um curso de gastronomia, mas um curso de cozinha prática e barata, que tanto permita a uma dona-de-casa aprender a fazer alimentos de qualidade para vender como treine chapeiros, padeiros e outros profissionais para trabalhar em restaurantes populares e lanchonetes", explica Loeb. Para viabilizar a idéia, foi contatada a Universidade Anhembi Morumbi, que oferece um dos melhores cursos de gastronomia do Brasil. "A proximidade com o Mercado Municipal também é estratégica", acredita o arquiteto.
  • A Prefeitura deve incluir equipamentos que atendam não só à população do edifício, mas de toda a região. Um centro de informática deve ser instalado no térreo, e uma creche no 26º andar. "A cobertura é ideal para que as crianças tenham um espaço ao ar livre. Lá também vamos instalar um mirante, aberto à visitação – já que o lugar tem uma vista privilegiada – e uma capela dedicada a São Vito, que é o padroeiro não só do prédio como da região do Brás", acrescenta Loeb.
  • A decisão de reformar o edifício levou em conta não só a perda de unidades habitacionais do Centro, mas o custo de todo o processo: a desapropriação e a demolição do prédio seriam mais caras do que a desapropriação e reforma, modelo adotado pela Prefeitura. Desde o final do ano passado, vem sendo feito um levantamento da situação de cada unidade. De muitas não se sabia quem era o proprietário, em outras os débitos eram astronômicos.
  • A previsão era a de que até o final de março estaria completo o processo de desapropriação, para que o prédio começasse a ser desocupado. Isso está sendo feito aos poucos, e alguns moradores já deixaram o prédio. As unidades serão avaliadas e todos os proprietários serão indenizados e receberão a bolsa-aluguel durante um ano. Concluídas as obras, os antigos proprietários terão prioridade na recompra das unidades reformadas, de acordo com um ranking estabelecido pela Prefeitura, que leva em conta a situação física e financeira da unidade. "Uma de minhas preocupações era justamente com o destino dessas pessoas", explica Loeb. "Sugeri à Prefeitura que chamasse as imobiliárias e fizesse, em dois fins de semana, uma grande feira de oferta de imóveis, para que as pessoas tivessem condições de encontrar rapidamente um lugar para morar quando o prédio fosse desapropriado", conta.


Olho

A prefeitura deve acompanhar os moradores dos edifícios reformados

O projeto do arquiteto Roberto Loeb para o São Vito prevê a recuperação do entorno.
A reforma prevê a troca dos elevadores e a redução do número de unidades.
No terraço haverá uma creche.
O arquiteto Roberto Loeb planejou a redução do número de apartamentos.
Na lateral, um painel do artista plástico.
Eduardo Sued


  Reportagem  
IMÓVEIS DO CENTRO EXIGEM RESTAURO

Convencer o condomínio de que vale a pena investir nem sempre é fácil, mas quando se consegue a valorização é certa

Ana Cândida Vespucci


Um dos efeitos perversos do esvaziamento do Centro, nas últimas décadas, foi a degradação de parte de seu patrimônio imobiliário de uso residencial e comercial. Edifícios de algumas décadas se tornaram protagonistas de um círculo vicioso: a desocupação afastou investimentos, as estruturas se deterioraram e, conseqüentemente, tornaram-se desinteressantes para proprietários e possíveis ocupantes. Reverter esse processo exige, antes de tudo, a conscientização de que investir na recuperação das opções imobiliárias da região pode ser lucrativo para proprietários, moradores e estabelecimentos comerciais.

Cientes das facilidades existentes no Centro – e das perspectivas que o processo de recuperação vem trazendo – alguns condomínios residenciais já tomaram providências para reverter a deterioração. O Edifício Louvre, por exemplo, localizado na Av. São Luiz, foi um dos que tratou de investir na manutenção e no restauro de seus imóveis. Outros começam a restaurar suas fachadas, saguões e portarias, a exemplo do que vem fazendo o Edifício São Luís, na Praça da República.

Recuperar edifícios que há anos não vêm tendo manutenção adequada não é tarefa fácil. Seja qual for a intervenção necessária, quando se trata de um edifício às vezes é preciso administrar interesses e realidades muito diferentes. Por mais simples que seja uma obra, tudo depende do consenso entre os proprietários. Articular interesses e disponibilidades financeiras é tarefa de fôlego, sobretudo em épocas de dificuldades financeiras, quando a resistência a gastos aumenta. "Condomínio é assim mesmo", diz Cláudio Taveira, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados, responsável pela área imobiliária e urbanística. "Agir individualmente é simples, cada um decide quais suas prioridades, quando e como tratá-las, de acordo com os recursos de que dispõe. Num condomínio é preciso negociar, conquistar adesões, obter maioria."

Sérgio Parador, diretor de mídia do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi) acredita que, em se tratando do Centro, a questão exige considerações preliminares. Por experiência no mercado imobiliário, ele diz que é impossível mobilizar pessoas para despender dinheiro se elas não vislumbrarem sinais de retorno para seus investimentos. Parador insiste que a administração pública municipal não descuide da zeladoria urbana, por exemplo, e coloque de fato em prática o programa de requalificação do Centro. Na sua opinião, mesmo considerando as numerosas melhorias já implementadas pelo poder público, ainda faltam atrativos à área, sem os quais os recursos continuarão migrando para empreendimentos em que a relação custo-benefício seja mais clara.

Parador reconhece, ao mesmo tempo, que a demanda pelo Centro está renascendo e que é hora de investir. "Mas o cenário ainda está nebuloso, gerando dúvidas quanto a seu real poder de atrair ocupação e, conseqüentemente, motivar as necessárias restaurações." O diretor do Secovi lembra, por exemplo, que há prédios inteiros fechados, não por escolha de seus proprietários, mas porque recuperá-los ainda pode representar uma despesa sem certeza de amortização. Para ele, reverter esse quadro é simples, basta que se atenda às exigências básicas do indivíduo que cogita o Centro para se estabelecer. Ele aponta os estacionamentos "absurdamente caros" e a inacessibilidade de veículos particulares como pontos que, se não equacionados, podem manter o investidor afastado da área, a despeito das vantagens que oferece.

Convenção e consenso

Além do consenso entre os proprietários, a reforma de edifícios também está sujeita a vários tipos de regulamentação. Quanto maior a intervenção em um prédio — residencial ou comercial, maior o grau de exigências para realizá-la. Isso inclui desde o quórum de aprovação até a legislação.

É a convenção de condomínio, elaborada segundo os parâmetros do novo Código Civil no capítulo Condomínio Edilício, que determina o quórum necessário para aprovar os vários tipos de reformas. Reformas estruturais, que demandam mudanças profundas como alteração de fachada, aquisição de área ou redestinação do espaço, em geral só podem ser executadas com 100% de adesão. "Convocação extraordinária, edital específico, prazos regulamentares obedecidos. E unanimidade dos condôminos", detalha Taveira. Caso a convenção seja omissa nesse item, continua, ficam valendo então os mesmos dois terços exigidos para a estruturação da convenção e para sua eventual alteração.

Não são obras de vulto, contudo, o que a maioria dos imóveis do Centro demanda. Via de regra, os edifícios exigem cuidados estéticos que respeitem sua configuração original e uma readaptação de suas estruturas às necessidades atuais: redistribuição dos espaços internos de cada unidade, revisões das instalações elétricas e hidráulicas, elevadores mais ágeis, temporizadores de energia, luminárias e lâmpadas eficientes, sensores de presença — itens que têm como característica principal uma adequação à vida moderna. Não é nada que não se consiga com a maioria dos condôminos, ou mesmo com a maioria dos presentes em assembléia, quando se trata simplesmente de adaptar uma fachada. Ainda assim, arregimentar o número de adeptos necessário não é fácil –e melhor que não seja, na opinião de Sérgio Parador.

Se por um lado a convenção dificulta a realização de benfeitorias, por outro protege o condomínio: "A convenção é a Bíblia do prédio, afinal tudo tem de ter regras", afirma Sérgio Parador. Caso contrário, além de cachorro latindo a noite toda, quadras acesas, roupas na janela e saguão que vira playground, o prédio pode se transformar numa torre de Babel listrada, algumas unidades com toldos na janela, outras com varandas fechadas, cada qual com sua esquadria. Taveira concorda: "Sejam quais forem as obras em um edifício, é importante que a maioria dos condôminos esteja de acordo".

Valorização e burocracia

Francisco de Paula, que, junto com o síndico Idinei Luiz Cordeiro, articulou as obras de restauro do Edifício Louvre, prédio residencial com comércio no térreo e sobreloja na Av. São Luiz, sugere a conscientização para mobilizar os condôminos. Foi assim que se conseguiu a adesão da maioria dos mais de 300 titulares ao projeto. A intenção era não apenas recuperar o edifício beneficiando-se da Lei de Fachadas, que dá dez anos de isenção de IPTU, mas também aproveitar para modernizá-lo.

"Remetemos várias circulares, em diferentes momentos, apontando as vantagens financeiras da operação, comprovadas na ponta do lápis. Foi por isso que conseguimos", diz. Além dos ganhos proporcionados pelo incentivo fiscal, o condomínio também está economizando com a modernização de instalações, sobretudo elétricas, sem mencionar a valorização das unidades. "Um apartamento de quarto e sala, com cerca de 80 m2, antes avaliado em R$ 40 mil, hoje não se encontra por menos de R$ 80 mil", diz Cordeiro.

Se por um lado o fato de o Louvre ser um imóvel tombado facilitou, já que não poderia ter sua fachada modificada, por outro dificultou: para manter o padrão original nos menores detalhes, sob inspeção rigorosa do DPH, foi necessário até adquirir revestimento importado. E isso somente depois de um estudo técnico, cerca de dez orçamentos e uma seleção que não privilegiou custos apenas, mas a equação custo-qualidade. Para se enquadrar na lei, o processo gerou perto de 3 mil documentos, da escritura à planta de cada unidade.

Outro condomínio da região não teve o mesmo êxito. O Eiffel, projeto de Oscar Niemeyer, também tombado e residencial, está com sua fachada totalmente recuperada, mas por divergências internas não conseguiu se enquadrar na Lei de Fachadas. O revestimento ficou fora do padrão exigido pelo DPH, pois teria de ser refeito. Por causa do pó e dos transtornos que acarretaria, porém, a obra não foi aprovada pelo condomínio. Elsa Margutti, proprietária de um apartamento no prédio e que estava à frente do processo, até hoje lamenta o desfecho. "O DPH é rigoroso demais e dificulta a reposição de material antigo, já que nem sempre é possível conseguir réplicas perfeitas", comenta.

Elsa não mora no Eiffel, e sim no Edifício São Luís, esquina da Av. Ipiranga com a Praça da República, outro prédio tombado e que no momento passa por recuperação parcial de fachada e saguão. Embora desanimada, Elsa, que preside a Ação Local República I, continua lutando pela requalificação do Centro de onde não pretende sair, já que não se identifica com outros bairros da cidade: "Conheço cada pedrinha do caminho". E atribui as dificuldades em articular um amplo trabalho de recuperação, principalmente em prédios residenciais, em parte à falta de apreço dos moradores pela área. Na sua avaliação, as pessoas instalam-se no Centro por conveniência e, como ocorre no Eiffel, parcela significativa é de inquilinos, portanto não se interessa nem se envolve com a questão.

Para Francisco de Paula, no entanto, um condomínio bem administrado consegue realizar uma obra de recuperação sem grandes problemas. No Louvre, os recursos disponíveis contemplaram, além da fachada, uma série de outras intervenções de que o edifício precisava: térreo e mezanino, de uso comercial, tiveram piso e forro restaurados, escadas rolantes foram revisadas; os elevadores ganharam temporizadores, as luminárias novas lâmpadas, enfim uma série de medidas foram tomadas com o intuito de modernizar equipamentos em nome da funcionalidade e da economia.

Mas é preciso um certo rigor no controle dos recursos. "No Louvre, 5% das contribuições são encaminhadas ao fundo de reserva para reformas. Quando a cobertura é pequena, o condomínio não tem essa previsão e aí sim uma obra de restauração fica inviável." Além disso, acrescenta Cordeiro, o Louvre dispõe de um diferencial: seu caixa contou com receitas provenientes dos aluguéis de unidades comerciais de propriedade do condomínio.

Melhor prevenir

Antigamente, a Caixa Econômica Federal dispunha de um Plano Condomínio, especialmente destinado a socorrer edifícios sem caixa suficiente para arcar com obras de maior porte. A linha, porém, não existe mais. Como o condomínio não tem personalidade jurídica, todos tinham suas fichas cadastrais analisadas individualmente e cada qual assumia sua parcela, explica Taveira. Embora sem qualquer outra vantagem, o plano oferecia, no entanto, uma simplificação do processo com relação à documentação do prédio.

De qualquer maneira, a velha máxima – melhor prevenir do que remediar – ainda é a melhor solução para qualquer tipo de edifício. Uma boa manutenção preventiva, com o estrito cumprimento das recomendações contidas no Manual do Proprietário, que orienta sobre como tratar os diferentes materiais empregados na obra, e é entregue junto com o imóvel e o Termo de Garantia, continua sendo a melhor fórmula contra a deterioração de qualquer imóvel. O Secovi e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) lançaram um manual complementar ao Manual do Proprietário, com uma seleção das principais orientações sobre como prolongar a vida útil de um edifício e evitar sua degradação.

A publicação aborda da limpeza de mármore e granito aos cuidados com os diferentes materiais de esquadrias e com as instalações elétricas, hidráulicas e de gás. Conservação é fundamental. Se criteriosa, é capaz de evitar despesas com restaurações. Para se ter uma idéia, a Lei de Fachadas não abre espaço para negligências. Durante os dez anos de isenção de IPTU, os serviços de manutenção são acompanhados pelo DPH; caso o condomínio deixe o edifício se deteriorar, o benefício fica cancelado, e como penalidade o condomínio tem ainda de pagar o montante que deixou de recolher.

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  Reportagem  
SINISTRO EM PRÉDIOS... QUEM ASSUME?

Responsabilidade sobre segurança contra incêndios e outras ocorrências graves em edifícios dilui-se entre Prefeitura, Corpo de Bombeiros, proprietário e síndico

MARCELO BALBINO
Fotos de JESUS CARLOS (Imagenlatina)


A tragédia dos edifícios Andraus e Joelma, nos anos 70, deixou evidente a necessidade de um rigoroso planejamento da segurança contra incêndios e outros sinistros nos imóveis de São Paulo. Sob o impacto das duas catástrofes, foi criado na cidade o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), com a finalidade de exercer rigorosa fiscalização sobre as condições de segurança dos edifícios. Mas equivoca-se quem imagina que o Contru é a instância final para questões de segurança dos edifícios. A responsabilidade civil e criminal em casos de sinistros está diluída entre os diferentes atores — proprietários, poder público, síndicos, construtoras — que participam da complexa função de construir, manter e fiscalizar as condições de segurança de um imóvel. Em nome da eficiência, seria muito mais razoável a existência de um órgão centralizador, com plenos poderes para interditar e evacuar edifícios sob ameaça e, ainda, apontar os responsáveis, como muitos imaginam que seja o Contru. Para complicar, o crescimento da inadimplência nos condomínios e as constantes invasões de imóveis por sem-teto são fatores que tornam mais complicada a discussão sobre quem, de fato, ou que órgão do poder público, responde pela segurança das edificações.

O exemplo de um prédio invadido ilustra bem o quanto é difícil definir responsabilidade civil e criminal em casos de sinistro e revela as limitações, desencontros e até conflitos entre os organismos e personagens envolvidos com o assunto. Tratando-se a invasão como um ato político com raízes ou justificativas sociais, tende-se a relegar a um segundo plano questões básicas de segurança. "O Contru pode ser chamado, mas nas invasões não existem responsáveis legais. Nesse caso, o problema da segurança acaba vindo depois das condições sociais, de insalubridade, de saúde. Se recebermos solicitação podemos interditar, mas é preciso verificar antes para onde irão os ocupantes do imóvel", afirma Rosângela Vilarindo Fuzetti, diretora do Contru. O síndico e condomínio, nessas situações específicas, não são legalmente constituídos e não podem ser acionados, restando ao proprietário a tarefa de reaver a posse do imóvel.

Segundo o jurista Carlos Alberto Dabus Maluf, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro do Instituto dos Advogados de São Paulo, no caso de prédios invadidos o problema deve ser encaminhado ao Ministério Público, quando os invasores resistam em deixar o local.

Na opinião do advogado Gustavo D’Acol Cardoso, do escritório Pinheiro Neto Advogados, os proprietários de prédios invadidos podem recorrer ao Poder Judiciário para reavê-los. "Mas continua cabendo à Prefeitura fiscalizar as condições de habitabilidade do edifício invadido, assim como em qualquer outro imóvel", adverte.

Atribuições concorrentes

No tocante à responsabilidade por obras e reparos necessários para a manutenção de um edifício, Cardoso interpreta que síndico e condomínio são quem responde por eventuais sinistros, juntamente com instituições públicas como Prefeitura e Corpo de Bombeiros. "Entendo que existe uma responsabilidade concorrente, uma vez que a autoridade pública tem o dever de fiscalizar, intervir e interditar quando necessário."

Já o Contru sustenta que o responsável por qualquer sinistro, ação civil e criminal num edifício é sempre o seu representante legal de uso. "A responsabilidade do que ocorre dentro de um prédio é do condomínio, representado por um síndico legalmente constituído e eleito em assembléia", diz Rosângela V. Fuzetti. Essa posição tem respaldo na Lei Federal 4.591/64. A legislação em utilização pelo Contru é anterior ao novo Código Civil e compete com ele. "Entendo que a Lei 4.591 só deve valer no tocante à incorporação do edifício (quando ele está em construção). Após o prédio pronto, vale o novo Código Civil e a Prefeitura não fica isenta de seu compromisso legal e moral com a população, ou seja, ela tem que fiscalizar, intervir e interditar em caso de problemas de segurança", diz o advogado Gustavo Cardoso.

A partir de 2001, com a Portaria 614 da Sehab, foi adotado um novo método em São Paulo no caso de edificações de uso residencial multifamiliar. De acordo com essa portaria, o Contru deve notificar, via correio, recomendações técnicas de segurança ao síndico ou ao responsável pelo edifício, mas somente depois de receber uma denúncia que aponte problemas. Ainda segundo a portaria, não serão autuados processos para a emissão das recomendações, "a não ser em casos mais graves, onde o Contru, por não ter função punitiva, os encaminha à Subprefeitura que providencia o rito de multa", diz Rosângela V. Fuzetti.

A portaria 614 foi criada como complemento do Código de Obras do Município, que obriga os edifícios residenciais multifamiliares a apresentar condições mínimas de segurança, e também para discriminar as novas atribuições do Contru. Por essa portaria, somente quando forem descumpridas as normas de segurança exigidas pelo Código de Obras o Contru encaminha queixa, mas apenas em caráter de orientação, uma vez que, como insiste a Assessoria de Imprensa do órgão, seu papel não é responder pela segurança em prédios multifamiliares. A atuação limitada do Contru, depois da portaria 614, difere de suas antigas atribuições, como ocorreu na interdição do Edifício Baronesa de Arary, na Avenida Paulista, em 1993, por risco iminente de incêndio. Atualmente o que se verifica é que as responsabilidades ficam diluídas em várias instâncias, envolvendo diferentes leis, proprietários, síndico e até construtora.

Na prática, como o condomínio tem atribuições e poder limitados, restritos a poucos atos da vida civil, fica difícil imputar-lhe responsabilidades no caso de sinistro. Mesmo o síndico — que tem o dever de diligenciar a guarda das partes comuns e prestar serviços que interessem aos proprietários — responde apenas em casos de omissão em suas funções precípuas. A lei obriga a contratação de seguro para todas as edificações, para garantir os bens comuns. "O síndico só pode ser acionado em caso de omissão, mas muito raramente isso acontece. Ele é apenas um representante. Caso contrário, ninguém iria concordar em ser síndico. No caso de sinistro, o seguro do prédio cobre os danos. Aí, sim, o síndico deve estar atento para saber se os pagamentos do seguro estão em dia", afirma Dabus Maluf. Segundo o jurista, diversos fatores devem ser analisados no caso de um sinistro, resultando num conjunto de provas. "A Prefeitura deveria fiscalizar, mas na prática não consegue vistoriar tudo. Normalmente, em caso de sinistro o problema se resolve no âmbito do próprio prédio, sendo apurado por meio de assembléias e discussões internas. Cada um responde por si", complementa.

Na distribuição dos direitos e deveres de cada um, a construtora também tem sua parcela de abrangência. O empreiteiro deve se responsabilizar por qualquer ocorrência causada por construção defeituosa e utilização de materiais incompatíveis ou insuficientes, nos cinco primeiros anos de seu funcionamento.

Questões relativas à arrecadação financeira do condomínio também podem influenciar diretamente a qualidade dos cuidados com a segurança do prédio. Como exemplo, Dabus Maluf cita a recente alteração do novo Código Civil que baixou a multa por inadimplência no condomínio de 20% para 2% sobre o valor de débito. "Por causa dessa mudança, a maioria dos condomínios acaba ficando sem caixa para executar o planejamento de sua segurança. Isso pode influenciar despesas com recarregamento dos extintores, manutenção e implementação de sistemas preventivos."

Falta de vigilância

Normalmente as vistorias do Contru ocorrem por demanda, quando há denúncia ou por suspeita de irregularidade. O órgão verifica edifícios comerciais, industriais e residenciais com dimensões acima de 750m2. Também licencia equipamentos como bombas de combustível e elevadores. Já a documentação para o funcionamento comercial ou ocupação habitacional desses imóveis fica a cargo da Subprefeitura, que emite alvarás ou o "Habite-se".

Especialmente nas construções residenciais, o gerente de projetos técnicos da consultoria Serviços Técnicos de Avaliações do Patrimônio e Engenharia (Setape), Celso Iazzetti, constata uma fiscalização pouco cuidadosa. "Existem prédios em São Paulo que nem são muito velhos, mas não mais possuem as mangueiras de incêndio e mesmo hidrantes", afirma. O Corpo de Bombeiros, que também atua na verificação de sistemas de combate e proteção contra incêndios e emite o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), revela opinião similar. "Pode acontecer de prédios residenciais obterem o primeiro AVCB, com duração de três anos, apenas para liberar o imóvel junto à Prefeitura. Passado esse prazo, a maioria não renova essa licença e a prevenção contra incêndio fica irregular em relação às normas do Corpo de Bombeiros", explica o primeiro-tenente PM Rodrigo de Lima Dib, da Divisão de Atividades Técnicas (DAT) do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Os parâmetros de avaliação dos bombeiros são regulamentados por decreto estadual de 2001 e tratam especificamente dos quesitos de proteção e combate a incêndios como mangueiras, hidrantes e saídas de emergência, entre outros. Locais de concentração pública, como shoppings, cinemas ou teatros, devem apresentar o AVCB a cada dois anos. Nos demais casos, em prédios e instalações novas, o documento vale por três anos. Feiras, congressos e shows também necessitam de vistoria prévia e aprovação que vale apenas para o evento específico.

O âmbito das atribuições do Contru é mais abrangente que o do Corpo de Bombeiros e engloba a estrutura e a estabilidade das edificações, além dos sistemas elétrico, hidráulico e de proteção contra incêndios. O órgão emite o Auto de Vistoria e Segurança (AVS), que vale por cinco anos. "São legislações distintas, que cuidam da mesma matéria, mas com critérios e prazos diferentes e às vezes até conflitantes", lembra Rosângela V. Fuzetti. O AVS é exigido por lei para edificações com mais de 750m2, construídas antes de 1975. A falta desse certificado acarreta notificação emitida pelo Contru e, posteriormente, consecutivas multas da Subprefeitura, caso o proprietário não apresente o projeto de modernização, conforme o Código de Obras, no prazo de 30 dias. As construções realizadas a partir de 1975 devem apresentar as normas de segurança desde a aprovação do projeto, de acordo com a Prefeitura, que em seguida acompanha o processo de construção das obras e pode fiscalizá-lo no futuro.

Diante do excesso de leis e órgãos envolvidos no tema, o advogado Cardoso, sugere a revisão da legislação de segurança. "Por vezes as leis são até conflitantes. Uma idéia seria constituir uma comissão de juristas e notáveis, em conjunto com a Câmara de Vereadores local, para consolidar o que existe e uniformizar as orientações."

OLHO - Síndico só é acionado em caso de omissão Há excesso de leis e de órgãos envolvidos
Em dez anos, o Projeto de Restauração e Revitalização do Pelourinho recuperou cerca de 500 prédios e investiu em torno de R$ 70 milhões, assim distribuídos: Edifício São Vito: combinação arriscada de grande estrutura predial e insegurança.


  Reportagem  
OPÇÃO PELO CENTRO

Várias empresas já enxergam os benefícios propiciados pelo processo de recuperação do Centro e começam a escolher a região para instalar suas sedes. O recente movimento já indica um segundo impulso, que atende à demanda da grande população que trabalha por aqui.

Flavia Pardini
Fotos de JESUS CARLOS (Imagenlatina)


Depois de mais de 20 anos afastada do Centro, a Exxon redescobriu as vantagens da região. E, se a empresa migrou de volta com a intenção de permanecer por muito tempo, apenas segue uma tendência: outras companhias também já enxergaram os benefícios que o processo de recuperação do Centro pode proporcionar para vários tipos de negócios. Na lista de quem está apostando no coração da cidade, mudando-se para lá ou ampliando suas instalações, estão várias instituições, como a academia Bio Ritmo e a empresa de automação comercial e bancária NCR.

"Estamos aqui há um ano e meio, fizemos um investimento alto, mas valeu a pena", diz Élcio Giusti, diretor da Exxon Mobil. "Viemos para ficar." Para a subsidiária da empresa norte-americana de petróleo, a mudança de volta para o Centro teve uma motivação econômica, mas outras empresas tomaram o caminho da "cidade" de olho em alguns filões de mercado que ficaram dormentes por muito tempo. A Bio Ritmo Academia abriu, em janeiro de 2003, uma de suas maiores unidades de São Paulo na Rua XV de Novembro. A NCR, empresa sediada há 60 anos na Rua da Figueira, instalou sua primeira fábrica na América Latina no local, para produzir caixas automáticos para bancos. Uma filial da Fininvest hoje ocupa o prédio que até há pouco tempo abrigava a tradicional Casa Fretin. A Universidade Anhembi Morumbi está no edifício que foi do BankBoston há um ano e meio e outras universidades começam a namorar a região.

Saudades do Centro

Giusti conta que a Exxon operava próximo à Praça da República até meados dos anos 1980 e que "o pessoal tinha muitas boas lembranças daqui". Quando a empresa começou a pesquisar locações para reagrupar suas unidades em São Paulo – um escritório da Mobil Oil na Rua Alexandre Dumas, no bairro do Brooklin, zona sul, e uma área industrial na Mooca, zona leste – o Centro pareceu uma boa alternativa, especialmente depois do início dos esforços de recuperação.

Segundo o empresário, os executivos da empresa não gostaram muito dos imóveis disponíveis na área da Av. Luiz Carlos Berrini e, embora tenham analisado a região da Paulista "com muito cuidado", acabaram optando pelo Centro. "O aspecto econômico pesa, o aluguel aqui é bem mais barato, e é sempre melhor ter o menor custo fixo possível."

O escritório da Exxon na Líbero Badaró hoje emprega 80 funcionários e recebe diariamente vários outros que trabalham em sistema de "home office". Por isso, diz Giusti, a farta oferta de transporte público na região também pesou bastante na decisão da empresa. "Estamos bem no meio de duas estações do metrô, a Anhangabaú e a São Bento", comemora. A preocupação inicial da empresa com a disponibilidade de vagas de estacionamento no entorno do escritório foi "facilmente resolvida", diz Giusti, com o aluguel de vagas em estacionamentos particulares.

"Foi uma história com final feliz", garante o diretor da Exxon. "Eu estava preparado para ter um probleminha ou outro, mas até agora não tivemos nenhum." Ao invés disso, a Exxon teve duas boas surpresas. A primeira impressão de Giusti, de que o Centro ainda era uma região insegura para moradores e trabalhadores, não se confirmou. Ele percebeu que o policiamento foi intensificado e nenhum funcionário até hoje teve problemas de segurança. A segunda surpresa foi a ótima qualidade da infra-estrutura de telecomunicações no Centro, como a rede de fibras óticas, por exemplo. "É muito superior à da região da Berrini, provavelmente resultado de investimentos antigos para as bolsas, os bancos."

Além de tudo, conta Giusti, o moral do "pessoal" do escritório anda alto. "Para os funcionários é ótimo, o comércio é super ativo, o pessoal gosta de sair na hora do almoço, comprar uma coisinha ou outra." E onde tem demanda, cria-se a oferta. É justamente para atender gente como os funcionários da Exxon que várias outras empresas estão investindo na região.

Reação em cadeia

A Academia Bio Ritmo, por exemplo, veio para o Centro atraída pela oferta de algumas empresas, como o BankBoston e o Banco Itaú, de subsidiar programas de condicionamento físico para seus funcionários. "O BankBoston queria montar uma academia interna e vimos que havia demanda na região, um tipo de ocupação eminentemente do setor financeiro. Acabamos formatando um produto para atender essa turma", diz Edgard Corona, presidente da Bio Ritmo. O investimento na unidade do Centro, segundo ele, foi de cerca de R$ 6 milhões.

Com uma pequena ajuda das empresas, os funcionários são incentivados a descer até a academia para malhar. "É um plano de saúde, e não de doença. Ou seja, é para evitar ficar doente", brinca Corona. A unidade local da Bio Ritmo ocupa uma área de 4 mil metros quadrados, dispõe de 45 esteiras e vários outros aparelhos de ginástica e foi desenhada pelo arquiteto João Armentano. Segundo Corona, a Bio Ritmo não tem concorrência na região. "É uma demanda de um setor muito específico que não estava sendo atendida."

Depois de um ano, Corona avalia que o desempenho da unidade tem sido bom. Ainda está aquém do que foi planejado em 2001, mas considerando que em 2003 o poder aquisitivo dos brasileiros encolheu significativamente, ele avalia o resultado como satisfatório: a academia conta hoje com 1,8 mil alunos. "Aquela unidade é muito grande, comporta 2,5 mil alunos, faltam apenas 700 para ela ficar com a operação brilhante", diz Corona.

Corona acredita que o Centro tem um bom potencial para empresas interessadas em instalar-se ali. Para a Bio Ritmo, em particular, o que ainda está faltando é a facilidade de circulação de pessoas dentro da própria região. "Às vezes, o sujeito está a dez quarteirões e tem um inconveniente para chegar à academia", diz ele, lembrando a necessidade de um ônibus circular para o Centro.

Além da academia, a região do Centro hoje oferece várias alternativas de ensino superior para a população que passa a maior parte do dia na "cidade" e aproveita para estudar antes de voltar para casa. A Universidade Anhembi-Morumbi instalou-se no antigo prédio do BankBoston, também na Líbero Badaró, em 2002. E este ano a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) realizou o primeiro vestibular para nova unidade da Liberdade. "Consideramos a Liberdade como parte do Centro", afirma o diretor Fábio Figueiredo. Tanto que, antes de fechar negócio para o imóvel da Rua Galvão Bueno, a universidade considerou alugar o prédio do Extra-Mappin. Ao contrário da Exxon, o fator econômico no caso da Unicsul pesou contra: o aluguel do antigo Mappin foi considerado exagerado.

Cerca de mil alunos inauguraram as aulas no novo prédio da Unicsul na Liberdade em fevereiro. A projeção é atingir cerca de 6 mil alunos em três ou quatro anos. O investimento inicial em infra-estrutura tecnológica, equipamentos e adaptações do imóvel chega a R$ 3 milhões, mas deve subir para até R$ 8 milhões em quatro anos.

"A principal demanda no Centro é da população circulante, pessoas que trabalham lá, além de sindicatos, financeiras", diz Figueiredo. "A população residente não é o forte, tanto que os cursos diurnos lá são mais fracos do que em outros lugares da cidade." Por isso mesmo, a proximidade do metrô, para a Unicsul, é essencial. "O melhor endereço que existe é perto do metrô, não importa de qual a estação", garante o Figueiredo. A nova unidade da Unicsul fica perto das estações São Joaquim e Liberdade.

Ampliação

A proximidade do metrô também é estratégica para a multinacional norte-americana NCR, instalada na Rua da Figueira, ao lado da estação Pedro II. A empresa construiu sua sede no local na década de 60 já vislumbrando a possibilidade de criar uma linha de produção. Na época, era especializada em caixas registradoras, mas com a evolução tecnológica foi ampliando sua linha de produtos.

Atualmente produz equipamentos de automação bancária e comercial, e softwares de suporte à decisão e gestão do relacionamento com o cliente, em cinco fábricas espalhadas pelo mundo, de onde são importados os produtos vendidos no Brasil. Além disso, também tem equipes de assistência técnica. Segundo o diretor de vendas para soluções financeiras Romeo Gonçalez (foto), diante do espaço existente, a empresa aprovou com mais facilidade o projeto de criar uma linha de montagem de caixas automáticos no local. "Fizemos um investimento pesado, contratamos pessoal e já estamos começando a colher os frutos. A fábrica foi inaugurada oficialmente em março e estamos entregando o primeiro lote de equipamentos para o Banco 24 Horas", explica.

A permanência da empresa no Brás, com o aproveitamento do espaço para a linha de montagem, respondeu a uma conjunção de fatores. "Avaliamos várias opções, mas decidimos ficar porque já tínhamos uma estrutura pronta. Só precisamos fazer algumas adaptações e aqui estamos bem servidos de vias de acesso e a menos de uma quadra do metrô", continua.

A ampliação da NCR apresenta várias vantagens para a região. A produção não acarreta resíduos poluentes, por ser de alta tecnologia, e cerca de cem novos empregos de alto nível estão sendo gerados.

A recuperação do Centro de São Paulo é fundamental para que mais empresas sigam o exemplo da Exxon, da Bio Ritmo, da Unicsul e várias outras, concordam os empresários. O sucesso dessas empresas serve de atrativo para que outras venham, e para que mais pessoas circulem, trabalhem, façam compras, ginástica, inglês e, quem sabe, venham morar no Centro. E dar mais vitalidade às empresas que apostaram no coração de São Paulo. "Quanto mais o centro se revigorar, quanto mais houver entretenimento, mais cultura, mais lazer, mais postos de trabalho, melhor para a gente", resume Figueiredo.

OLHO - Segurança surpreendeu Exxon mobil
  • Infra-estrutura do Centro e preços mais acessíveis são fatores de escolha para empresas
  • A Academia Bio Ritmo atende principalmente à demanda de executivos de bancos e instituições financeiras
  • A NCR criou uma linha de montagem de caixas automáticos
  • Sistema de automação comercial da NCR.
  • Modelo comemorativo dos 50 anos da empresa no Brasil.



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Viva o centro

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO*


Quando cheguei a São Paulo, vindo do Rio de Janeiro, no final da década de 30, o Centro era o coração da cidade. Ir ao escritório era ir ao Centro. Ir às livrarias era ir ao Centro. Ir ao teatro era ir ao Theatro Municipal, para depois tomar chá na Casa Mappin. Havia ali, mais do que edifícios, um certo tipo de sociabilidade inter-pessoal típica de uma cidade que deixara de ser provinciana mas não se tornara ainda a metrópole que viria a ser.

Com o correr das décadas, São Paulo cresceu velozmente e o Centro deixou de ser o que era. Os escritórios deslocaram-se para a região da Avenida Paulista, estenderam-se em seguida para a Avenida Faria Lima e acabaram por esparramar-se pela cidade. Com as livrarias, os restaurantes e as casas de espetáculo, deu-se o mesmo. O Centro esvaziou-se. Pensou-se que estivesse condenado ao declínio.

Que ele agora ressurja, como vem ressurgindo, é sinal da extraordinária capacidade de renovação de São Paulo. O seu ressurgimento é obra de muitas mãos: do setor privado, do setor público – governos federal, estadual e municipal, os dois últimos mais diretamente envolvidos – e da sociedade civil, organizada em torno da Associação Viva o Centro.

Para quem ficou anos sem residir em São Paulo, impressiona ver as transformações que ocorrem na região central da cidade, em ambos os lados do Vale do Anhangabaú. Vêem-me de imediato à memória os exemplos da Pinacoteca do Estado, inteiramente reformada pelo brilhante arquiteto Paulo Mendes da Rocha; da Estação da Luz, restaurada para tornar-se um centro cultural da língua portuguesa; da Sala São Paulo, na antiga estação Júlio Prestes, onde não poucas vezes peguei o trem da antiga Sorocabana; do Centro Cultural Banco do Brasil etc.

Não se trata apenas do reerguimento material do Centro. Mas também da sua recuperação como local de produção e fruição de cultura, nas suas mais diversas formas. Em ambas as vertentes, o que interessa é melhorar a qualidade da convivência coletiva. Não só ali, mas em outras regiões da cidade. Nesse sentido, o Centro tem uma importância simbólica especial. Fazê-lo ressurgir é uma espécie de prova de que a cidade é capaz de construir soluções coletivas para os seus problemas.

Em meu regresso a São Paulo, vejo-me também de volta ao Centro. Desde que deixei a Presidência da República, venho-me dedicando à constituição do Instituto Fernando Henrique Cardoso, uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação com partidos políticos. O IFHC foi criado com dois objetivos. O primeiro deles é guardar, conservar e organizar o acervo de documentos que reuni ao longo de minha vida de sociólogo, senador, ministro das Relações Exteriores e da Fazenda e Presidente da República. Poderão ter acesso a eles estudiosos e pesquisadores. Além disso, haverá no futuro a possibilidade de consultá-los, em parte, por meio da Internet. O segundo objetivo do Instituto é promover a geração e difusão de conhecimento por meio do debate de vários temas que interessam ao Brasil e à sociedade brasileira. Já que a inter-pessoalidade da velha São Paulo não pode ser restabelecida, faremos uso intenso da Internet para dar publicidade à produção do Instituto.

Entre todos os temas que pretendemos abordar, cabe aqui destacar um só: as metrópoles.

Esse é um assunto que interessa a nós e ao mundo. As metrópoles representam uma espécie de síntese dos problemas e das possibilidades extremas da época em que vivemos, desde a interconexão global até a segregação social, desde as formas mais sofisticadas de produção e consumo até as formas mais brutais de relacionamento. Não por acaso a ONU escolheu-as como um dos temas globais abordados na série de grandes conferências patrocinadas por ela ao longo dos anos 90.

Nada mais apropriado, pois, que o IFHC, a ser inaugurado neste primeiro semestre, esteja localizado às margens do Vale de Anhangabaú, ao lado da Praça Ramos, bem nas imediações no Theatro Municipal.

Tomara a localização nos inspire a fazer bem o nosso trabalho. E que nosso trabalho possa ajudar a revitalização do Centro. Não vejo melhor maneira de retribuir a acolhida.

*Presidente de 1995 a 2002, senador, sociólogo e professor universitário.



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Contramão da história
Diante do projeto do governo Aécio Neves de criar um novo centro administrativo em Belo Horizonte, o arquiteto Leonardo Barci Castriota (foto) defende o complexo da Praça da Liberdade

Leonardo Barci Castriota*


Num momento em que as principais cidades brasileiras empenham-se em recuperar os seus centros históricos – e São Paulo é um bom exemplo, com a junção de esforços dos governos estadual e municipal – , Belo Horizonte ameaça caminhar na contramão da história. O atual governador de Minas, Aécio Neves tem se empenhado desde o ano passado em retirar os órgãos administrativos da região da Praça da Liberdade e, nos moldes dos projetos faraônicos dos anos 70, criar um Centro Administrativo em área hoje ocupada pelo Aeroporto Carlos Prates. Isso tudo chancelado pelo traço mágico de Oscar Niemeyer, que seria o responsável pelo desenho do centro monofuncional, que viria, aliás, a ocupar área hoje destinada pelo Plano Diretor da cidade a abrigar um parque ecológico

Elemento referencial da capital mineira desde o Plano de Aarão Reis, o conjunto arquitetônico e urbanístico da Praça da Liberdade constitui, sem dúvida, um dos mais importantes referenciais simbólicos da cidade, bem caracterizado como o centro do poder político e administrativo do Estado de Minas Gerais. Esta intenção já é cuidadosamente expressa no próprio plano, no qual largas avenidas em perspectiva compuseram as linhas focais para o panorama eclético do edifício do Palácio da Liberdade. Paulatinamente, a paisagem da Praça da Liberdade se construiu: a princípio com os edifícios das Secretarias de Estado, que completavam o desenho estilístico da sede do governo; posteriormente com os modernistas Edifício Niemeyer, o Edifício Mape e o Edifício Sede do IPSEMG e, finalmente, com a inserção do atual Museu de Mineralogia (conhecido como "Rainha da Sucata"), de linguagem pós-moderna, constituindo assim uma espécie de síntese de nossa história arquitetônica.

Além disso, cabe destacar que, apesar de pensada como o local do Poder no plano original, a Praça da Liberdade logo vai se tornar espaço de sociabilidade e importante referência cultural, sendo intensamente apropriada pela população da cidade ao longo de todo o século XX. Assim, vai ser o seu uso como espaço cotidiano, intenso desde o início da história de nossa cidade, e não só a sua representatividade como patrimônio arquitetônico, que a leva a ocupar um lugar privilegiado no imaginário e no patrimônio cultural da cidade de Belo Horizonte.

Se a burocracia estatal já não cabe mais nos edifícios, a retirada total do poder público da Praça seria, a nosso ver, um erro histórico. Propor transformar aquele espaço num gigantesco "centro cultural" a céu aberto, ocupado por museus, galerias de arte e outras instituições culturais (como se as nossas, existentes e não no papel, não padecessem de crônica falta de recurso para se manter com decência!) parece-nos, no mínimo, desconhecer como funcionam as cidades de verdade, aquelas que souberam criar espaços vivos e apropriados pela população. Antes de mais nada, esta visão revela uma noção estática e museificante da cultura como algo apartado da vida.

A esse erro, vem se somar um outro, igualmente grave: a produção de um gigantesco centro monofuncional, torres que de dia abrigariam dezenas de milhares de funcionários púbicos e que à noite constituiriam um perigoso e indesejado vazio urbano. Aqui também a experiência nos ensina: os projetos desta natureza, que pipocaram por todo o território nacional durante a ditadura militar, foram rotundos fracassos, e hoje se observa a tendência oposta, de volta dos órgãos públicos às áreas centrais das cidades.

*Arquiteto, ex-Diretor do Patrimônio de Belo Horizonte, ex-Presidente do IAB-MG e atual Diretor da Escola de Arquitetura da UFMG.



  Galeria  
Obras no Correio sem previsão de término


As obras da agência central dos Correios parecem mesmo intermináveis. Quem passa pela Praça do Correio já se acostumou a ver o prédio em eterna reestruturação. Desde 1998, quando se iniciou, a reforma tem passado por diversas crises que vêm atrasando sua finalização (foto). Se antes eram problemas administrativos advindos da mudança presidencial, conforme afirmou a assessoria de imprensa dos Correios, a próxima pedra no caminho promete ser a captação de recursos para a construção do Centro Cultural que o prédio vai abrigar.

A primeira etapa da obra, que teve sua retomada em 2002, tinha seu término previsto para o final do ano passado. Essa etapa ainda continua em curso, e consiste na reforma do andar térreo e do mezanino do edifício, de acordo com o projeto arquitetônico vencedor do concurso dos Correios, criado pelo Una Arquitetos. No térreo voltará a funcionar a agência central dos Correios, e no mezanino haverá uma agência filatélica, com a venda de selos diferenciados e exposição de selos raros e documentos que contam a história da instituição. Essa parte da obra está sendo financiada pelos próprios Correios. Se mesmo assim há demora, o paulistano pode esperar ainda muito mais para ver toda a construção chegar ao fim.

Isso porque a segunda etapa, que consiste na instalação de um centro cultural no prédio, ainda não tem financiamento garantido. O centro cultural deve ser instalado nos primeiro, segundo e terceiro andares do edifício, espaços que serão usados para atividades culturais como exposições, cursos e apresentações. O projeto também prevê a construção de um depósito na parte de trás do prédio. Em cima dele, haveria um espaço para abrigar duas salas de cinema e uma de teatro. Aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o financiamento depende da iniciativa privada. O que significa que o paulistano ainda pode demorar a ver a conclusão do projeto.


Imesp instala livraria no Centro


Um novo ponto de encontro para os amantes da leitura foi instalado na Rua XV de Novembro (foto). A Livraria Imprensa Oficial / ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) ocupa o saguão do prédio que abriga diversas Secretarias de Estado recém-instaladas, e coloca à disposição dos leitores o catálogo da própria Imesp e também das principais editoras universitárias brasileiras.

Diante dessa especialização, a livraria tem tudo para atrair o público acadêmico ao Centro, revigorando o espírito intelectual do local. É no que acredita o presidente da Imesp, Hubert Alquéres. Para ele, a iniciativa ampliará a oferta de obras de qualidade na região. "Neste novo espaço estarão expostos mais de 400 títulos editados pela Imprensa Oficial e por editoras universitárias de todo Brasil, produzidos sempre com a proposta de destacar temas interessantes que certamente não seriam produzidos por editoras comerciais. Iniciativas como essa são de vital importância para que o Centro possa atrair e conquistar cada vez mais cidadãos, tornando-se outra vez um pólo importante na cidade", comenta Alquéres.

A Livraria da Imprensa Oficial funciona de segunda a sexta das 8 às 18 horas e aos sábados, das 8 às 14 horas, na Rua XV de Novembro, 336.


Casarão Santos Dumont abrigará Museu da Energia


O Centro de São Paulo terá mais um de seus imóveis restaurados. Desta vez, a iniciativa partiu da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, que viu no Casarão Santos Dumont o lugar ideal para implantar sua sede. Construído em 1894, o edifício que pertenceu ao irmão do aviador, Henrique Dumont, e em 1927 abrigou o Colégio Estáfaros, foi cedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo à Fundação em regime de comodato.

De um total de cinco prédios, dois serão restaurados segundo as características originais, e abrigarão os escritórios e arquivos da Fundação, o Museu da Energia e também uma área de lazer, com jardim e café. O destino das outras três construções deve ser a demolição. O conjunto fica localizado na esquina da Alameda Nothmann com a Alameda Cleveland, nos Campos Elíseos.

Foi feito um trabalho de pesquisa com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a arquitetura local, incluindo a recuperação de fotos e entrevistas com antigos alunos do Colégio.

A inauguração da primeira etapa do projeto está prevista para novembro deste ano, com o funcionamento dos prédios do Museu e dos escritórios. O jardim, o café e o prédio do arquivo ainda dependem da captação de recursos.


Modernidade em alta


O prédio da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou recentemente por uma reforma. Além da manutenção na fachada, tombada como patrimônio histórico, o prédio contou ainda com uma modernização no seu principal ambiente: o pregão (foto). A obra durou 70 dias e mobilizou um batalhão de 115 operários. A sala de operações da Bolsa foi duplicada, resultando agora em uma área de 100 metros quadrados. O antigo forro de madeira foi trocado por 800 metros quadrados de gesso. E tudo isso com a Bovespa em pleno funcionamento.

Em breve, o pregão ficará ainda mais moderno. Um vidiwall substituirá o monitor central de cristal líquido, no qual é apresentada a evolução dos índices da Bovespa, entre os quais o Ibovespa. Serão duas telas de 60 polegadas sobrepostas. Além da melhoria estética e tecnológica, o novo painel é um equipamento multimídia, que pode reproduzir, por exemplo, dados enviados por computadores e sistema de vídeo.

Além disso, foi inaugurada a nova sede da Biblioteca Emílio Rangel, que saiu dos porões do prédio da Bovespa e agora fica na rua Três de Dezembro, nº 38. Seu espaço foi reestruturado, assim como o sistema de busca para seus 20 mil títulos.

Na mesma rua passa a funcionar também o espaço de exposição Centro de Memória João Batista Diana – em homenagem ao funcionário que dedicou mais de 50 anos à Bovespa e teve atuação fundamental na organização de seu acervo histórico.


Bienal de Design Gráfico revela crescimento do setor


O amadurecimento do design brasileiro pode ser conferido na 7ª edição da Bienal de Design Gráfico, realizada pela Associação de Design Gráfico (ADG). O evento acontece no Memorial da América Latina até o dia 30 de maio, apresentando 369 trabalhos dos melhores profissionais brasileiros. Este ano, a organização espera superar a marca dos 60 mil visitantes, público registrado na última edição, em 2002, que aconteceu no Sesc Pompéia.

Os trabalhos foram divididos em 17 categorias – como sinalização, materiais impressos, internet, livros, identidade corporativa entre outras – e três obras de cada categoria foram selecionadas para a exposição. Ao todo, mais de 2 mil projetos foram inscritos, o que dá mostras da pujança do setor.

Pela primeira vez, a Bienal de Design Gráfico acontece em paralelo com a Icograda, maior evento do gênero no mundo. A parceria inédita entre Icograda e ADG trouxe ao Brasil profissionais de reconhecimento internacional, para discutir a importância do design na vida moderna, preocupação que permeia todas as atividades do evento.

7ª Bienal de Design Gráfico

Onde: Memorial da América Latina – Galeria Martha Tragua
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Metrô Barra Funda, tel. (11) 3823-4600.
Quando: terça a quinta: 10h às 22h, sexta a domingo: 10h às 18h.
Entrada grátis
Acesso para deficientes Estacionamento: R$10,00.



  Entrevista  
COMPROMISSO COM O BRASIL E COM O CENTRO

Edição de Lizandra Magon de Almeida
Fotos de TADEU BRUNELLI
ANTONIO ERMÍRIO DE MORAES


A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), uma das patrocinadoras da Associação Viva o Centro, faz parte do Grupo Votorantim. A empresa – sediada junto à Praça Ramos de Azevedo – mantém sua sede no Centro, e é de lá que Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Conselho de Administração, gerencia seus negócios.

Neste diálogo com a revista urbs, o empresário Antonio Ermírio de Moraes conversa com os conselheiros Jorge da Cunha Lima, presidente da TV Cultura, e Regina Meyer, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, sobre política brasileira, miséria, cultura e, principalmente, o Centro de São Paulo – onde está instalada a sede do Grupo Votorantim, do qual é presidente do Conselho de Administração. Fiel defensor da recuperação da região, ele acredita que a vocação do Centro para os próximos anos deve ser educacional. Com a chegada da juventude, afirma, tudo o mais viria naturalmente.

Aos 76 anos, Antonio Ermírio se mantém atento aos problemas da cidade, e guarda uma rotina incansável de trabalho. Diariamente, chega ao hospital Beneficência Portuguesa, do qual é presidente, às 6 horas da manhã. Fica até as 7 horas, quando ruma para o Centro – onde fez questão de permanecer mesmo depois que parte dos escritórios da empresa se mudaram para a região dos Jardins (Zona Sul). Ao sair da Votorantim, às 19 horas, volta ao hospital e só depois de conferir se tudo está em ordem é que encerra seu expediente.

Com uma magnífica vista do Vale do Anhangabaú, logo atrás do Teatro Municipal, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), uma das empresas da holding, aposta no Centro como pólo econômico paulistano. Instalado no antigo Hotel Esplanada – que foi cenário da minissérie global "Um Só Coração" – o Grupo Votorantim é o maior conglomerado nacional privado, e tem se destacado como grande exportador de cimento, alumínio, zinco, níquel e aço, além de participação destacada no setor de energia elétrica.

Nesta entrevista, o leitor acompanha o bate-papo informal, realizado em 26 de fevereiro na sede do Grupo.

Jorge da Cunha Lima: Antes de falarmos do Centro, e de sua atuação na área da cultura, gostaria de colocar uma questão para sua consideração. Tenho a sensação, por exemplo, de que no Brasil houve uma folclorização da idéia da miséria, que aparece sempre ligada à idéia do sertão, do rural. Como um dos nossos maiores industriais, como você vê isso?

Antonio Ermírio de Moraes: Não sei se é bem assim. Conheci bastante o Brasil, e conheci o Brasil de 1950. Andava muito pelo norte da Bahia, Pernambuco, Ceará, e via aquela miséria. Mas ninguém morria de fome. O Brasil de 1950 era um Brasil pobre mesmo, o pessoal andava descalço, mas nunca vi ninguém morrer de fome. Uma vez passei lá 15 dias, bem no interior. Petrolina era um deserto, não tinha nada. Por isso acho maravilhoso esse projeto do [presidente] Lula de fazer irrigação, porque pode segurar as pessoas que vêm para cá procurando emprego e não encontram.

JCL: Você não acha que essa miséria, essa pobreza urbana, é pior do que a pobreza chamada rural?

Regina Meyer: Só para complementar, gostaria de comentar que houve uma inversão. Antes a pobreza estava distante, e as metrópoles eram menos pobres. Hoje as cidades são os verdadeiros focos da miséria.

AE: Essa inversão ocorreu porque há dez, onze anos não havia falta de emprego. Mas o sítio que sustentava duas ou três pessoas hoje tem que sustentar 20. Essa que é a grande miséria hoje. As pessoas vêm para cá a procura de emprego e não encontram. Em 1986, na época em que fui candidato a governador de São Paulo, visitei todas as favelas da cidade. E lá você encontrava sujeira, falta de higiene. Mas todo mundo tinha sua televisão, sua rádio-vitrola boa.

RM: E não ia ao dentista, né? É isso que chamamos de pobreza...

AE: Mas acho que de 1986 para cá houve uma queda muito grande no poder aquisitivo, porque mais e mais pessoas vieram para cá a procura de um emprego. É por isso que eu gosto desse projeto do Lula. Uma parte do rio São Francisco irrigou aquela área de Petrolina, e hoje ali há um pomar. Verduras, manga, uva, o ano inteiro. Uma transformação fantástica num curto espaço de tempo. Esta é a realidade, o Nordeste precisa de água. E 30 milhões de nordestinos estão lá, precisando de emprego. O nordestino é um agricultor por excelência. Ele gosta de plantar, a vida dele é essa. Quando chega aqui, ele não se adapta bem. [O empresário se refere ao projeto de transposição do rio São Francisco, um grande projeto de irrigação, bastante antigo, que só foi sistematizado no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, mas nunca colocado em prática. Hoje se tornou uma bandeira do governo Lula.]

JCL: Todo mundo disse que o ano passado foi péssimo, que foi o pior ano do Brasil, que a economia estava uma porcaria. No entanto, os bancos tiveram um lucro fantástico. E me parece que foi bom também para a indústria.

AE: Não foi um ano tão ruim assim, porque o Brasil está evoluindo muito no campo da exportação. O que salvou a indústria foi a exportação, para aqueles que tiveram competência. Nós estamos crescendo, nas linhas principais, nestes últimos 10 anos, pelo menos 9% ao ano. Mas, no mercado interno, a verdade é que as grandes obras também estão sem recursos. Hoje, o mercado de cimento caiu 11%, mas o país precisa crescer. Uma coisa horrorosa. A CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) desde 1955, quando começou a produzir, até hoje, cresce 9,2% ao ano. Até 2009, se eu estiver vivo, vai continuar crescendo 9% ao ano.

JCL: Esses bons resultados foram só de indústrias exportadoras?

AE: Para você ter uma idéia, nós estamos exportando principalmente produtos do setor básico – alumínio, zinco, níquel e aço. Exportamos 50% da produção, principalmente para a Europa. Os EUA ainda consomem menos de nós, por isso agora estamos atacando mais os EUA, América do Norte. Mas com a Alca é difícil. Os EUA não querem abrir mão de nada.

RM: E se aderíssemos à Alca [Área de Livre Comércio das Américas], o sr. acha que seria melhor para o Brasil?

AE: Seria ótimo. Acho que indispensável para que o Brasil possa continuar crescendo. Porque o país precisa crescer. No mundo inteiro, nos últimos 50 anos, o mundo cresceu em média 3,94% ao ano, 4% ao ano. Enquanto isso, nós crescemos de 1% a 2%. Isso significa que estamos indo para trás.

JCL: E onde é que está o nó? O que está errado?

AE: Falta de rumo. Brasileiro é bom trabalhador. Brasileiro é um trabalhador excelente. Todo mundo que vem de fora – alemães, ingleses, austríacos, africanos – para montar equipamentos nas fábricas fica admirado com a capacidade dos brasileiros de aprender rápido. E com disposição para trabalhar. É por isso que eu acredito muito no nordestino. O nordestino vem para cá para trabalhar. Agora precisa dar recursos para ele trabalhar na agricultura. O Brasil tem um total de florestas inexploradas de 444 milhões de hectares. Na agricultura, usamos hoje 50 milhões de hectares. Existem mais florestas que poderiam ser campo para cultivo. É brutal, há uma capacidade enorme de campo. Quem trabalha sabe. Como é que você vai crescer? Nós crescemos 9% ao ano. Será que a massa trabalhadora cresce na mesma razão? Claro que não. Para exportar, para ser eficiente, você tem que mecanizar o máximo possível e empregar o mínimo possível.

JCL: A própria lógica da globalização é antiemprego.

AE: Eu não tenho dúvida disso. Você cada vez tem que produzir mais, tem que ser mais eficiente para manter o emprego. Mas você precisa trabalhar muito, criar outras empresas para poder dar emprego.

RM: E quais seriam estas outras empresas?

AE: O campo agrícola oferece condições excelentes.

RM: Mais do que serviços na cidade?

AE: As cidades estão lotadas.

JCL: Bem, um segundo ponto que queremos abordar é o seguinte: a cidade e o Centro, onde estamos agora. Qual você acha que vai ser, nestes próximos 20 anos, a vocação da cidade?

AE: A minha grande esperança no Centro de São Paulo, que é um desafio muito grande, é que ele se torne um centro universitário. É fácil tomar um metrô e descer na porta da escola. Olha o Colégio São Bento, por exemplo: iam fechar. Felizmente isso não aconteceu. Acho que aqui se pode fazer uma coisa bem feita, cuidar desse Centro com carinho. Sempre foi muito abandonado, o governo se mudou para o Ibirapuera, o Morumbi, e esqueceram daqui. Felizmente agora estão voltando. Isso é muito importante. O Centro é muito bonito. Aqui, por exemplo, tinha uns 200 mendigos. Um dia desci lá e falei: "Preciso tirar vocês daqui". Ali era um mictório, era um mau cheiro desgraçado. Um dia eu disse ‘vamos dar um jeito’. Vamos limpar, arrumar esse jardim. Depois, se vocês quiserem, vocês podem voltar para cá. Da minha sala eu via a praça Ramos, uma coisa horrorosa, o pessoal dormindo sempre com uma garrafa de cachaça do lado. Então nós fizemos um movimento, eles saíram pacificamente. Agora sempre vejo uma mãe que vem aqui passear com a filhinha... Quando eu era pequeno isso existia. Depois sumiu. É gostoso de ver.

RM: É muito bonito, acho que isso realmente mudou pelo fato de a Votorantim tomar conta desta praça, assim como o BankBoston, do Vale do Anhangabaú. Mas a gente precisa ter responsabilidade também com essa população que está aí e que não tem onde ficar

AE: Se a senhora sair pelo Vale do Anhangabaú, depois pegar a avenida 23 de Maio, tem um anel ali. Naquele anel, tem um posto de polícia. A 50 metros, a criançada cheira cola. Aqui na rua Formosa também é uma coisa horrorosa. Olha, essa criançada não pode ficar na rua. É preciso arrumar um local para eles. E tem lugar.

RM: E é uma população relativamente pequena, é um problema ainda possível de ser enfrentado.

AE: O que são 10 mil pessoas, que é o número de pessoas que dormem nas ruas da cidade de São Paulo? Acho um número muito pequeno. Dá para resolver. Tem que fazer uma coisa bem feita para que essas pessoas tenham um lugar para sobreviver. Mais de 50% dessas pessoas não são aqui de São Paulo. Vieram para tentar a vida, conseguir um emprego. A verdade é essa: no passado tinha emprego. Na campanha de 86, eu passava pelas favelas, e todo mundo estava empregado. Hoje em dia não há mais.

RM: A Votorantim tem algum interesse em investir na área Central?

AE: Nós estamos aqui e vamos continuar. Grande parte dos nossos escritórios foi para Rua Amauri [em Cidade Jardim]. Eu não saí, estou aqui. Achei que é importante privilegiar o Centro. Da família, desta última geração, eu sou o único aqui. O demais foram para lá, que é mais confortável. Mas não para mim. Lá pode ser mais perto, mas eu acho que vale a pena ter um pouco de amor ao Centro.

RM: Gostei muito da sua idéia de que isso aqui é um lugar de atividade universitária por excelência. A "Integração Centro", que está sendo realizada na região da Luz pelo Governo do Estado de São Paulo, para concentrar ali as quatro linhas do metrô, é um projeto muito importante. O Centro vai ser cada vez mais o lugar mais fácil de se chegar. Mas o sr. vê aqui de sua janela este imóvel do Mappin. É um imóvel muito importante para ficar fechado, não acha?

AE: Não deve ficar fechado, muito pelo contrário. Tem algumas faculdades que já estão sondando para transformar isso aqui num grande centro universitário

RM: Quando o Mappin funcionava, havia uma freqüência de dois milhões de pessoas por dia na calçada em frente. Esse número talvez tenha diminuído, porque o Mappin está fechado.

AE: Não estou criticando ninguém, mas o Extra poderia ter continuado no prédio. Ainda mais sabendo que ele pertence à Santa Casa de Misericórdia.

RM: O Governo do Estado poderia fazer alguma coisa nesse térreo, um centro de informações, um Poupa Tempo. Mas o centro das grandes cidades do mundo, o centro de Berlim por exemplo, na verdade foi construído por grandes corporações.

AE: Precisa fazer a mesma coisa aqui, agora. Eu não estou criticando ninguém, mas tem que ter um pouco mais de raiz, um pouco mais de amor. Não é só dinheiro, não.

RM: Para o Centro se tornar um centro universitário, seria importante adotar, por exemplo, o cursinho da Poli, que é um cursinho fantástico. Hoje em dia o cursinho da Poli está lá perto da TV Cultura [Água Branca, Zona Oeste de São Paulo], que é um lugar completamente fora de mão. Eu olho para esses prédios e penso que aqui é um lugar para se colocar cursinhos, que empregam universitários, empregam uma porção de gente. Seria fantástico.

AE: Vai atrair para cá gente que trabalha. É só começar, depois, o resto vêm. O Governo municipal poderia fazer uma campanha para reduzir os impostos, para que viessem para cá.

RM: Mas você sabe que já teve isso. A operação Bairro-Centro era isso.

AE: Mas precisa divulgar bastante, não é?

RM: Acontece que São Paulo tem um excesso de oferta resultante da especulação imobiliária, então o incentivo não ajuda muito.

AE: A senhora veja o seguinte, eu quando saio da Beneficência Portuguesa, pego a 23 de Maio. Quando saio da 23 de Maio e pego a Avenida Ibirapuera, vejo pelo menos sete prédios, cada um com 20 andares no mínimo, sem uma luz acesa. Tudo "Aluga-se". Não dá para entender.

RM: Eu acho que os incentivos no Centro não deveriam ser só para as pessoas voltarem, mas para atividades específicas, como por exemplo a educação. Toda faculdade pública e particular teria que ter uma sede no Centro. E qual seria a estratégia para trazer as universidades para o Centro?

AE: Eu acho que a forma mais barata é pela iniciativa privada.

RM: Ali no Pari, por exemplo, tem um espaço com 150 mil metros quadrados que pertence à Rede Ferroviária Federal. A Rede Ferroviária pode negociar isso com a Prefeitura, com o Governo do Estado. Ali é um campus nato. E eu acho que o estudante ganharia muito saindo da Cidade Universitária.

JCL: Você, que é um homem de cultura, autor teatral, o que acha do Centro se transformar numa Broadway, numa região de teatros, cinemas?

AE: Eu sou do tempo que você ia à avenida São João, tinha o Art Palácio, Bandeirantes, Ipiranga, tudo coisa boa, coisa fina. Hoje não tem mais nada. O que tem lá são estes shows vagabundos de strip-tease, estamos reduzidos ao fim da picada. Que falta de cultura!

JCL: Você acha isso recuperável? Acha que isso poderia se transformar numa Broadway?

AE: Bom, não sou muito fã da Broadway não, porque das poucas vezes que fui lá, não gostei do cheiro de pipoca... [risos] Mas dá para fazer, por que não?

RM: Quem sabe a Votorantim faz um espaço cultural ali?

AE: É de se pensar...

JCL: Quem sabe no Cine Marrocos? Ele é muito bonito e podia se transformar num teatro de comédia, um teatro de repertório.

AE: Pois é, o Marrocos está jogado às traças. Aliás, fecharam quase todos os cinemas por ali, nessa região aqui do Paissandu. Se a gente conseguir transformar esse Centro num centro universitário, aí não tenho dúvidas de que haverá um desenvolvimento da cultura também. A primeira etapa é essa, porque não dá para transformar tudo ao mesmo tempo. O resto vem sozinho, vem mesmo.

OLHO - O empresário prefere permanecer no centro aos 76 anos, mantém expediente diário

  • A CBA vem crescendo 9% ao ano desde a sua fundação
  • Para Regina Meyer, é uma boa idéia atrair estudantes
  • Cunha Lima sugeriu a criação de um teatro de comédia
  • O bate-papo aconteceu na sede do Grupo Votorantim



  Idéias  
25 de março e florêncio de abreu
percursos verticais

Anna Paula de Sousa e Silva*


Em seu trabalho de graduação, pela Faculdade de Belas Artes a autora propôs a criação de um sistema de circulação vertical, que ligasse os prédios das ruas Florêncio de Abreu e 25 de Março.

A solução pretende disciplinar o movimento de pedestres e reduzir a poluição visual.

A região da Rua 25 de Março é conhecida como um dos pontos comerciais mais importantes de São Paulo. As 28 ruas de seu entorno comprovam a vocação comercial dessa parte da capital paulista, iniciada às margens das águas de rios que até hoje banham suas terras e que são testemunhas do crescimento da metrópole.

O leito do rio Tamanduateí deu origem à região, recebendo a princípio a denominação de Ladeira do Porto Geral, depois apenas Ladeira Porto Geral. Dali se retirava areia, facilitando o embarque e desembarque das mercadorias que vinham trazidas pelas embarcações que subiam e desciam a Serra do Mar, passando pelo rio Ipiranga. A travessia da Várzea do Glicério era difícil, razão pela qual o caminho feito pelos barcos no areal permitia o deslize.

Como principal via da área comercial, a 25 de Março perfaz um trajeto de mais de quatro quarteirões, e teve alguns nomes diferentes ao longo dos anos, como Rua das Sete Voltas, denominada depois de Rua da Várzea do Glicério e, por fim, Rua de Baixo. A Cidade Baixa corresponde, hoje, ao Bairro do Brás. Os Mosteiros de São Bento, a Igreja de São Francisco e a Praça da Sé formavam a Cidade Alta.

O início da Rua 25 de Março como pólo comercial deu-se quando a Rua Florêncio de Abreu, que até então era o maior centro de comércio, passou a ser estendida em direção à área da Estação da Luz, o que provocou o encarecimento do preço dos aluguéis.

As modificações começaram na década de 1930, com a criação da Indústria Nacional. A aceleração dessa industrialização fez com que os lojistas da 25 de Março dessem maior importância aos tecidos.

Sírios e libaneses se encarregaram de disseminar a prática da venda mascateira ou de porta em porta. Eles ficavam concentrados nas ruas Senador Feijó, Brigadeiro Tobias, Florêncio de Abreu e na própria 25 de Março, continuando com essa situação até a década de 1950, quando houve uma expansão do setor de armarinhos, cutelaria, sazonais, etc.

Após o desenvolvimento de chácaras, com a drenagem da Várzea do Carmo e a fixação de árabes nessa região, iniciou-se a urbanização, que promoveu uma alta de aluguéis, empurrando os comerciantes para a Rua de Baixo, onde os preços eram mais acessíveis.

Circulação difícil

A região da 25 de Março é o segundo endereço mais visitado em São Paulo, com uma circulação de cerca de 400 mil pessoas em dias normais. Em época de festas, chega a 700 mil. Por isso, apesar de ali se encontrarem produtos a preços realmente baixos, as dificuldades no trânsito, no transporte e na própria locomoção prejudicam a circulação dos consumidores. É o chamado "turismo de compra", que traz, de todos os cantos do Brasil, as sacoleiras, em busca de produtos para revenda, muitas delas voltando ao local de origem no mesmo dia.

O "turismo de compras" conta com mais de 80 hotéis localizados no Centro de São Paulo. Para atender a demanda de consumidores, foi construído, em 1994, o Terminal Rodoviário 25 de Março, atrás do Palácio das Indústrias. A maior parte dos excursionistas-comerciantes vem dos estados de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Pará, Bahia e interior de São Paulo.

As más condições para circulação de pedestres e veículos, o abandono de edifícios comerciais e a irregularidade do movimento nos arredores do Largo São Bento (alto, durante o dia, baixo, durante a noite) já se tornaram problemas crônicos do Centro da cidade. Um projeto que reestruture a organização espacial da região pode solucionar esses problemas, provocados principalmente pela desenfreada e tumultuada ocupação de estabelecimentos comerciais, além da presença de vendedores ambulantes e de uma volumosa passagem de pedestres pela região.

Nesse contexto, um projeto para integrar as chamadas Cidade Alta e a Cidade Baixa – representadas pelas ruas Florêncio de Abreu e 25 de Março –, criando um novo complexo de vias e a reutilização de imóveis comerciais e residenciais, pode ser uma sugestão urbanística simples. Segundo o trabalho que desenvolvi, algumas vias aéreas otimizariam a circulação ao se integrarem aos corredores e espaços de edifícios ocupados com o comércio chamado vertical. Para completar, é importante o incentivo do uso residencial de alguns dos conjuntos, garantindo assim uma uniformidade de movimento de pedestres pelos espaços da região durante o dia e a noite.

Paisagismo e acessibilidade

Parte dessa proposta ainda responde pela necessidade de uma reformulação paisagística. A padronização de propagandas e outdoors, por exemplo, é fundamental para que o ambiente se torne mais bonito e saudável. A poluição visual seria amenizada com a criação de uma comunicação visual padronizada, menos agressiva. Atualmente as ruas que cercam o Largo São Bento estão repletas de placas de propaganda, sem qualquer controle de poluição visual.

Quanto à adequação do uso dos edifícios, como os prédios vazios – alguns dos quais hoje estão em situação de abandono – são projetados principalmente para o uso comercial e de serviços, não recomendamos sua ocupação residencial. O sexto pavimento de cada prédio (a 17 metros de altura em relação à Rua 25 de Março) seria destinado à circulação de pedestres. Um consumidor poderia transitar por esses espaços graças às passagens aéreas. O problema das edificações de pouca verticalização, ou de pouco interesse arquitetônico e histórico, poderia ser solucionado com a locação de suas unidades para novos pontos comerciais. Os cinco primeiros pavimentos seriam reservados ao comércio e serviços, o sexto pavimento permaneceria livre à circulação de pedestres. Passagens aéreas articulariam os edifícios vizinhos e a outra porção da edificação residencial.

Incentivar o uso residencial de alguns imóveis da região é outro fator importante para a recuperação desta área. Segundo o projeto, seriam criados edifícios residenciais cujos embasamentos estariam destinados a atividades comerciais e de serviços. O acesso para o bloco residencial se daria apenas pela Rua Florêncio de Abreu, evitando assim conflitos de circulação. Os acessos aos blocos comerciais e de serviços seriam feitos pela Rua 25 de março, através de passagens térreas ou de caixas de escadas e elevadores, e também pela Florêncio de Abreu, com acessos localizados no térreo das edificações.

A criação de vias aéreas e internas entre edifícios, com a integração dos espaços de pavimentos que estejam a 17 metros de altura em relação à Rua 25 de Março, daria maior fluência à circulação de pedestres, que hoje congestiona a região. A denominada "Cidade Aérea" ainda conta com um tratamento paisagístico que inclui áreas verdes, que servirão também como local de descanso e alimentação.

O resultado desse projeto de reestruturação urbanística, enfim, tem como principais objetivos otimizar o comércio, acrescentar usos, adensar a região com uso residencial, articular espaços públicos, criar circulações alternativas, melhorar o fluxo de veículos e de pedestres, melhorar a paisagem e o ambiente urbano, garantindo assim a qualidade dos espaços.

*Artigo e Trabalho Final de Graduação de Anna Paula de Sousa e Silva. Orientador: Ângelo Bucci.

Banca examinadora: Prof. Arq Carlos Leite de Souza, Prof. Arq. Renato Dal Pian e Prof. Arq. Alexandre Delijaicov.



  Idéias  
Conservatório dramático e musical de São Paulo

História e preservação
Jaime Cunha Junior*


Analisando as mudanças e reformas feitas ao longo de quase um século, o projeto pretende aliar preservação e modernização, a fim de otimizar as funções do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

O foco deste trabalho, cujo objeto de estudo é o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, está em afirmar a possibilidade de qualificação do espaço urbano, tendo como referência as relações entre a arquitetura e a memória da cidade. As questões centrais abordadas no projeto acompanham as idéias da atual direção da instituição, empenhada em retomar as obras de restauro do edifício principal e organizar e abrir ao público seu importante acervo de partituras, hoje acomodado em péssimas condições, colocando em risco a integridade física destes documentos.

O primeiro passo para a elaboração do projeto deveria atender às seguintes questões: Como interferir neste edifício, conhecido desde o início do século pela excelente acústica de sua sala de concertos, e que em 1910 passou a servir como sede de um importante centro de formação musical da cidade? Que considerações são necessárias para se repensar este mesmo edifício sem deixar de lado sua importância cultural e seu valor memorial para a cidade de São Paulo? Enfim, como interferir em um edifício de valor histórico, sede de uma instituição prestes a comemorar o centenário de sua fundação?

A proposta principal, com base nessas questões, opera sobre duas escalas de intervenção: a primeira estabelece diretrizes de ocupação e preservação para toda a quadra onde se localiza o conservatório; a segunda, define o projeto de restauração do edifício e a construção de um novo anexo para o Conservatório Dramático e Musical.

O desenvolvimento destas duas escalas de intervenção foi encaminhado a partir da realização de um rigoroso trabalho de pesquisa, que resultou em um rico inventário sobre a quadra e seu entorno. O levantamento de material iconográfico, análises de campo e estratigráficas do edifício, investigou as transformações ocorridas no Conservatório e em suas imediações, sobretudo as grandes obras de reurbanização executadas durante a década de 80, a exemplo da pedestrialização de parte da avenida São João e a construção do novo Parque Anhangabaú.

Sobre as diretrizes de ocupação para toda área em estudo: o programa adotado tem como referência algumas hipóteses lançadas pela Secretaria Municipal de Cultura, que estudam a possibilidade de transferir parte das instalações do Balé da Cidade, dos corais municipais, dos corpos estáveis e da área administrativa do Teatro Municipal para o edifício Domingos Fernandes Alonso, localizado no Largo do Paissandu. As referidas atividades, nesse projeto, seriam deslocadas para uma área atualmente ocupada pelo Recanto Infantil Monteiro Lobato e também para um edifício, localizado na Praça Ramos, atualmente ocupado por uma rede de comércio popular, que seria transformado em anexo do Teatro Municipal. O Cine Marrocos também integraria o complexo, como uma segunda sala de concertos do teatro.

O projeto realizado para o Conservatório Dramático e Musical prevê a possibilidade de ligação entre estas diversas atividades através de pequenas praças localizadas no interior da quadra.

Histórico

Em cerca de um século, parte do edifício, construído em 1895, sofreu várias modificações, que se concentraram nas áreas de apoio e serviço e no esquema de circulação vertical do edifício (elevadores e escadarias). Essas alterações procuravam dar conta da construção de novos pavimentos. A primeira reforma, realizada em 1898, adaptava as instalações do prédio para o funcionamento de um Hotel. Os anexos ganharam mais um andar e foram ampliados até alcançarem os fundos do lote. Neste trecho, foram construídas duas alas de dormitórios, de modo que entre elas fosse criado um pequeno pátio.

Em 1910, o edifício foi comprado pelo Conservatório. As obras de adaptação para o novo uso trouxeram mais dois pavimentos nas construções anexas, e todas as instalações de palco foram ampliadas. O esquema de circulação tornou-se mais complexo: antes resolvido em um único núcleo, agora procurava através de duas novas escadas separar e controlar o acesso de alunos e do público em geral. Com o novo projeto, uma nova escadaria fazia a ligação direta entre o saguão e o auditório. Não há indícios de grandes alterações na arquitetura do edifício, no período compreendido entre a reforma de adaptação para conservatório (1910) e o início das obras de restauração e construção de um novo anexo, iniciadas na década de 80.

Sabe-se que em 1954, o edifício já apresentava sinais de má conservação. Na década de 80, os trabalhos de restauração foram encaminhados pelo Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo - DPH e as obras de construção do anexo pela Empresa Municipal de Urbanização (EMURB). Mas apenas parte do projeto de restauro foi executada. As obras concentraram-se na solução dos problemas mais graves de infiltração e vazamento e na reconstituição do espaço original do edifício, que havia se descaracterizado com as primeiras reformas. A remoção da escadaria frontal de acesso ao auditório e a reconstituição do esquema de acesso pela Avenida São João, são exemplos dessa retomada do desenho original.

Quanto ao projeto arquitetônico do anexo, executado na década de 80, a solução adotada dividiu o conjunto existente em duas partes: a primeira, localizada entre a face da fachada principal, da avenida São João, até o limite da platéia e inicio do palco, foi totalmente preservada. A segunda, a partir deste mesmo ponto: as edificações existentes foram demolidas e no lugar foi construído um novo edifício que concentra a circulação vertical de todo o conjunto e abriga as salas de aula, camarins e demais áreas de apoio, além de um novo palco.

Reformas e preservação

Tendo em vista tantas modificações, o projeto para o futuro Conservatório reconstitui certos esquemas alterados pelas sucessivas reformas e adaptações. Retoma-se o esquema de circulação concentrado em uma única caixa de escadas, localizada junto à parede lateral esquerda do edifício, à maneira da solução original, porém com um novo desenho e solução estrutural, de modo que seja possível interromper fluxos indesejáveis: a distribuição das atividades pelos andares possibilita a separação da circulação de público comum e a dos alunos do conservatório.

Desde os primeiros estudos manteve-se a idéia de reafirmar o acesso da Avenida São João como entrada principal do Conservatório, devolvendo ao saguão a tarefa de receber e distribuir o público. Na edificação anexa, são propostos, em continuidade ao espaço do saguão: um pequeno café e uma área de exposições que animam a pequena e acolhedora praça que se desenha no interior da quadra. No subsolo, propõe-se o rebaixamento do piso em 1,20 m de altura, a fim de atingir pé-direito suficiente para a instalação da biblioteca e das áreas de manutenção e restauro de seu acervo.

As salas de aula foram organizadas nos pavimentos superiores e distribuem-se através de um corredor central, de forma que a ventilação e a insolação sejam garantidas pela possibilidade de abertura para a praça interna ou pela criação de pequenos pátios na lateral oposta à praça. A demarcação entre a interface do edifício tombado e do edifício novo foi resolvida com a criação de uma área de transição, localizada na parte traseira do palco. Neste trecho, as áreas de piso foram desenhadas com chapas perfuradas, fixadas sobre estrutura metálica. Com esta solução também foi resolvido o problema da ventilação nesta parte do edifício.

O espaço livre existente junto à rua Conselheiro Crispiniano e que se estende até a nova edificação – contínua ao conservatório tombado – conforma uma nova praça no interior da quadra, dando acesso e espaço externo às atividades públicas. Deste modo, procura-se através de uma "estratégia do desenho", que o edifício supere sua condição de objeto isolado e se integre ao espaço urbano. Uma boa contribuição para uma cidade que considere o espaço público essencial à experiência da vida coletiva.

* Artigo baseado na monografia final realizada por Jaime Cunha Jr. no Curso de Especialização em Patrimônio Arquitetônico da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Orientador: Professor Gino Caldato
Banca Examinadora: Prof. Dr. Wilson
Ribeiro dos Santos e Prof. Dra. Lia Mayumi



  Cultura  
CULTURA PARA TODOS

LILA DE OLIVEIRA


O Centro de São Paulo respira história e cultura. Marco de acontecimentos importantes da cidade, hoje abriga opções de lazer para todos os gostos e bolsos. Contam pontos para uma visita a facilidade de acesso e a diversidade de atrações: são teatros, igrejas, museus, bibliotecas e centros culturais a preços bastante acessíveis.

Nos últimos dez anos, a região vem sofrendo dezenas de transformações graças aos esforços da sociedade civil, do Governo e da iniciativa privada. Entre essas ações, destacam-se as reformas da Estação Júlio Prestes, da Pinacoteca do Estado, da Estação da Luz e do DOPS que, assim como outras construções históricas, foram revitalizadas para oferecer serviços de alto nível à população.

Para quem gosta de música, o Centro oferece algumas das melhores opções do país. A Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado, fica na antiga Estação Júlio Prestes e equipara-se às três melhores salas de concerto do mundo: a Boston Symphonic Hall, nos Estados Unidos, a Musikvereinssaal, na Áustria, e o Concertgebouw, na Holanda. Aos domingos, há apresentações por apenas R$ 2.

O Mosteiro de São Bento também oferece música de alta qualidade. Além de sua forte importância histórica – foi fundado em 1600 e abriga a sepultura do bandeirante Fernão Dias Paes – o mosteiro possui um órgão de seis mil tubos e as missas, ministradas em português e latim, são acompanhadas por um coral de monges, que entoam cantos gregorianos. Um espetáculo no mínimo emocionante.

Os amantes do teatro também não têm do que se queixar. São mais de 30 casas oferecendo espetáculos diversos. No coração da cidade está o Municipal, uma das construções mais imponentes de São Paulo e local marcante na história da dramaturgia no país. No Bixiga, além das deliciosas cantinas italianas, estão alguns dos teatros de maior tradição na cidade como o TBC, o Oficina e o Cultura Artística, além do bem equipado Teatro Abril, do Sérgio Cardoso, que se destaca como sede da Orquestra Jazz Sinfônica e da Banda Sinfônica do Estado.

Recentemente, um novo pólo teatral estabeleceu-se na Praça Roosevelt, colocando em cena atores e atrizes do circuito alternativo. A região é sede do Teatro X e da Companhia de Teatro Os Satyros, perto de onde já estava o vanguardista Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Mais afastados do Centro Velho, estão o Centro Universitário MariAntonia – que realiza oficinas e exposições – e o Theatro São Pedro, um representante da mistura entre o neoclássico e o art nouveau, que hoje costuma oferecer apresentações de orquestras, óperas e grupos de dança.

Outra opção é fazer um passeio dedicado às artes plásticas. A Pinacoteca do Estado de São Paulo, que já virou referência na cidade, possui um acervo precioso. Lá estão expostas esculturas de Auguste Rodin e Camille Claudel e telas dos brasileiros Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outros. Em janeiro deste ano foi inaugurada a Estação Pinacoteca, que ocupa o antigo prédio do DOPS e dá espaço para uma coleção particular de arte moderna brasileira, cedida pela Fundação José e Paulina Nemrovsky. Para conhecer os trabalhos de jovens artistas, a Casa Lutétia, uma das mais novas atrações do centro, é uma boa pedida. Lá fica a sucursal do Centro do Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), que dá espaço tanto a jovens quanto a consagrados artistas.

A Nossa Caixa é a mais nova instituição a unir banco e arte em um espaço cultural no centro. O Espaço Nossa Caixa, inaugurado em janeiro, ocupa uma área de 300 metros quadrados na sede do banco, destinado a exposições, palestras, mostras fotográficas e exibição de filmes. Já o Conjunto Cultural da Caixa, da Caixa Econômica Federal, promove exposições de artes plásticas e espetáculos de dança e teatrais. Lá, há ainda um museu que retrata a história da instituição.

Outro delicioso reduto artístico da região central ligado a uma instituição bancária é o Centro Cultural Banco do Brasil, que fica em um charmoso prédio de 1901. Abriga constantes exposições de arte (geralmente gratuitas), espetáculos de dança, teatro e música, uma oficina de criação musical e um cinema com 80 lugares, dedicado a mostras e programas especiais. Na página 56, você conhece um pouco da programação do CCBB para este ano.

Pelas ruas do Centro também estão espalhados alguns museus históricos que, aliados à arquitetura típica da região, permitem que o visitante tenha a sensação de uma legítima viagem no tempo. O Museu Padre Anchieta, por exemplo, é uma parada obrigatória. Ali há objetos e mapas que nos transportam para o século da fundação da vila que virou metrópole. O Instituto Histórico e Geográfico, com hemeroteca, mapoteca e documentos raros, é outra opção.

Se o interesse maior for na religião, o Museu de Arte Sacra, que possui cerca de 4 mil peças, sendo que 800 estão em exposição. Para compreender um pouco melhor a formação da sociedade paulistana, vale fazer uma visita ao Memorial do Imigrante, antiga sede da hospedaria onde os recém-chegados de outros países passavam seus primeiros dias no Brasil. Além de apreciar objetos, fotografias e registros históricos, o visitante pode dar um passeio em um autêntico bonde do começo do século.

O Banespa também investiu na preservação da sua memória criando um museu. O visitante pode conhecer ambientes onde os antigos funcionários trabalhavam, apreciar quadros de artistas brasileiros e consultar a biblioteca. Para terminar, uma boa pedida é ir à torre, no 35º andar do edifício, de onde se tem uma ampla visão da cidade.

Dois importantes núcleos de pesquisa também estão no centro. A Biblioteca Municipal Mário de Andrade – que conta com um imenso acervo de livros, mapas, jornais e revistas, além de documentos provenientes da ONU – e a Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, com amplo material específico para essa faixa etária, destacando-se a obra do autor que dá nome ao espaço.

Portanto, não é exagero dizer que, em um final de semana, é possível montar um belo roteiro cultural sem sair do centro da cidade. É o que é melhor: gastando pouco e sem tirar o carro da garagem, já que é possível ir de um lugar a outro de metrô.

OUTROS

Rua Barra Funda, 171
Metrô Marechal Deodoro
(11) 3667-0499


12 - Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato (A-5)
Rua General Jardim, 485
(11) 3256-4122


13 - Centro Universitário Maria Antonia
Rua Maria Antonia, 294
(11) 3237-1815


14 - Teatro Cultura Artística (B-6)
Rua Nestor Pestana, 196 - Metrô República
(11) 3258-3616


15 - Teatro de Arena Eugênio Kusnet (B-6)
Rua Teodoro Baima, 94 - Metrô República
(11) 3256-9463


16 - Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1316
Metrô Bresser
(11) 6693-0917


18 - Museu Banespa (E-5)
Rua João Brícola, 24 - Metrô São Bento
(11) 3249-7180


19 - Espaço Nossa Caixa (F-6)
Rua Álvares Penteado, 70 - Metrô Sé
(11) 3244-6838


20 - Conjunto Cultural da Caixa (F-6)
Praça da Sé, 111 - Metrô Sé
(11) 3107-0498


21 - Museu de Arte Sacra (F-1)
Av. Tiradentes, 676 - Metrô Tiradentes
(11) 3326-1373


22 - Instituto Histórico e Geográfico (E-6)
Rua Benjamin Constant, 158 - Metrô Sé
(11) 3242-8064


23 - Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) (C-8)
Rua Major Diogo, 311
(11) 3104-5523


24 - Teatro Oficina (C-8)
Rua Jaceguai, 520
(11) 3106-2818


25 - Teatro Sérgio Cardoso (B-8)
Rua Rui Barbosa, 153
(11) 251-5122


26 - Teatro X (A-6) Praça Franklin Roosevelt, 124
Metrô República
(11) 3255-2829


27 - Companhia de Teatro Os Satyros (A-6)
Praça Franklin Roosevelt, 214
Metrô República
(11) 3258-6345


Vide Mapa do Centro na página 65

1 - Teatro Municipal (D-5)*
Praça Ramos de Azevedo, s/n - Metrô Anhangabaú (11) 222-8698
Construído em 1911 para atender à ópera, hoje recebe espetáculos variados, principalmente orquestras e balés.
Funciona para visitação de segunda a sexta, das 10h30 às18h00 e, aos sábados, das 12h00 às 17h00.

2 - Museu Padre Anchieta (F-6)*
Pátio do Colégio, 2 - Metrô Sé (11) 3105-6899
O Museu fica no Pátio do Colégio e exibe dezenas de peças de arte sacra, além de mapas antigos da cidade. Um dos destaques é a pia batismal na qual José de Anchieta batizava os índios. Funciona de terça a domingo, das 9h00 às 17h00.

3 - Estação Pinacoteca (D-2)*
Largo General Osório, 66 - Metrô Luz (11) 222-8968
O antigo prédio do DOPS abriga agora a extensão da Pinacoteca do Estado, dando continuidade às atividades do museu.
Aberto de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

4 - Sala São Paulo (C-1)*
Praça Júlio Prestes, s/n - Metrô Luz (11) 3337-5414
No ambiente, cuja arquitetura é um espetáculo à parte, são realizadas apresentações de orquestras sinfônicas e de câmara.
Confira o horário dos espetáculos.

5 - Pinacoteca do Estado (E-2)*
Praça da Luz, 2 - Metrô Luz (11) 229-9844
Abriga exposições temporárias e acervo permanente com obras de Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, entre outros. Aberta de terça a domingo, das 10h00 às 17h30

6 - Centro Cultural Banco do Brasil (E-5)*
Rua Álvares Penteado, 112 - Metrô São Bento (11) 3313-3651
Realiza exposições, palestras e debates relacionados à literatura e às artes plásticas, visuais e cênicas, e tem também teatro e cinema.
Funciona de terça a domingo, das 12h00 às 20h00.

7 - Mosteiro de São Bento (E-4)*
Largo de São Bento, s/n - Metrô São Bento (11) 228-3633/3617
A arquitetura, rica em vitrais alemães, já vale uma visita. Depois de apreciar os cantos gregorianos dos monges nas missas, o visitante pode experimentar o pão de São Bento.

As missas acontecem de segunda à sexta, às 7h00 e às 17h25, aos sábados, às 6h00, e aos domingos, às 10h00 e às 17h00.

8 - Teatro Abril (D-7)*
Av. Brigadeiro Luís Antonio, 411 (11) 3101-5055
Já recebeu os históricos festivais de música da Rede Record e hoje apresenta musicais adaptados da Broadway e grandes produções.

A bilheteria funciona de segunda e quarta, das 11h00 às 19h00, quinta e sexta, das 11h00 às 21h00 e aos sábados, das 12h00 às 20h30.

9 - Biblioteca Municipal
Mário de Andrade (C-6)*
Rua da Consolação, 94 - Metrô Anhangabaú (11) 3256-5270
Seu acervo contém mais de três milhões de itens, incluino livros raros ilustrados por Henry Matisse, aquarelas originais de Rugendas e uma das mais importantes coleções de livros de arte de São Paulo.
De segunda a sexta, das 9h00 às 21h00 e aos sábados, das 9h00 às 18h00.

10 - edifício Lutétia (E-5)*
Praça do Patriarca, 78 - Metrô Sé (11) 3662-7200
O prédio foi projetado por Ramos de Azevedo nos anos 20 e hoje, tombado, abriga uma extensão do Museu de Arte Brasileira da Faap (o MAB-Faap Centro).

Aberta ao público de segunda a sexta das 10h00 às 18h00 e aos sábados, das 10h00 às 14h00.


  Cultura  
Aniversário de São Paulo estimula lançamentos editoriais

Shows, exposições e palestras estão agitando a vida dos que moram ou freqüentam a cidade, para a comemoração dos 450 anos de São Paulo. O mercado editorial também apostou forte no aniversário da metrópole. Estima-se que até dezembro de 2004 cerca de cem títulos que trazem São Paulo como foco chegarão às livrarias.

Daniel Petrillo

A questão urbana deve ser compreendida como questão humana, então repleta de complexidades e também de possibilidades. Os projetos urbanos com sentido amplo,dentro de nossa sociedade já bastante urbanizada, têm que ser um veículo de transformações sociais, alterando a tradicional perpetuaçãoda miséria como forma recorrente de controle político.

Os livros abrangem todos os tipos de publicações – de análises arquitetônicas e sociais a verdadeiras obras de arte, ricamente ilustradas, passando por depoimentos de moradores sobre a cidade e registros fotográficos.

Aproveitando o gancho do aniversário, os lançamentos começaram a pipocar no final de 2003, e as prateleiras das livrarias já estão recheadas desses trabalhos.

É o caso de São Paulo, 450 Razões para Amar. Lançado pela Editora M. Books, o livro traz depoimentos de moradores ilustres e anônimos de São Paulo. Os 450 entrevistados revelam suas opiniões sobre a cidade respondendo três perguntas: por que gostam de São Paulo, o que São Paulo tem que as outras cidades não têm e qual o lugar ou programa imperdível na cidade?

Para o governador Geraldo Alckmin, por exemplo, "São Paulo é uma cidade de vida própria, cosmopolita. Tem seus problemas, mas é uma colméia de trabalho. É generosa, sem preconceitos, e acolhe a todos de braços abertos". Já o presidente da Diretoria Executiva da Associação Viva o

Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, recomenda um passeio pela região central da cidade. "Nela há esplêndidos edifícios e monumentos, um cenário urbano surpreendente e uma vitalidade talvez sem paralelo em qualquer outra cidade do mundo." Literatura fácil e divertida, o livro é um painel com todas as faces da cidade. Além dos depoimentos, a obra também é recheada de fotos dos principais pontos de São Paulo, que, conforme o apresentador Marcelo Tas, "é como uma mulher madura e inquieta. Um dia se sente feia, no outro bonita, mas está sempre segura da sua inteligência e poder de sedução".

Imagens PROMISSORAS

Quem procura fotos históricas poderá se deliciar com o livro São Paulo de Piratininga: de pouso de tropas a metrópole. Nele é possível transitar pela história de São Paulo do fim do século XIX e início do século XX por meio das imagens de uma cidade marcada pela chegada da ferrovia. As fotos foram encontradas durante a reforma do Centro de Documentação e Informação do jornal O Estado de S.Paulo e constituem uma raridade descoberta por acaso. Muitas delas são de autoria desconhecida, mas muitas foram identificadas e contextualizadas a partir de uma extensa pesquisa realizada pela Editora Terceiro Nome, que publicou o livro em parceria com o jornal. Ao todo, o acervo é composto de 740 imagens, que vão de 1860 a 1930, e hoje estão disponíveis em baixa resolução no site da Editora (www.terceironome.com.br), podendo ser utilizadas gratuitamente em trabalhos e pesquisas. Deixando um pouco de lado as modificações arquitetônicas para focalizar os habitantes de uma cidade em transição, o livro emocionou a prefeita Marta Suplicy, que foi presenteada com um exemplar pelo jornalista Ruy Mesquita Filho. Ela chegou a comparar a cidade retratada com os cenários de ficção criados pela Rede Globo para a minissérie "Um só coração".

Outra publicação que abrange esta época é São Paulo Relembrada – Militão, um novo álbum comparativo, que refaz a trajetória do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo.

Ele foi o primeiro a retratar a cidade de São Paulo quando ainda era uma vila. Realizado pelo jornalista Eduardo Magossi, o livro dispõe lado a lado as fotos de Militão, datadas de 1862, com as do jornalista, tiradas em 2003.

Comparando as imagens é possível acompanhar a evolução da cidade. Da Rua da Quitanda, por exemplo, só restou o formato em curva. Magossi trabalhou para que o ângulo de suas fotos se aproximasse o máximo possível das do fotógrafo do século XIX. Além das fotos, o livro oferece textos do próprio Magossi, da jornalista Mara Luquet e do pesquisador Jalber Pessoa sobre a história econômica da cidade. Militão também é o tema do livro de Pedro Corrêa do Lago, lançado pela Editora Capivara.

Em Militão Augusto de Azevedo, encontramos fotos de 1862/63 que nos revelam novamente uma São Paulo bucólica, ainda distante de se tornar uma metrópole.

Essa mesma transição também é discutida em São Paulo – Vila, Cidade, Metrópole, de Nestor Goulart Reis, livro oficial do aniversário da cidade, que contou com o patrocínio do nosso associado BankBoston. Com acabamento e impressão de alta qualidade, a obra nos faz viajar pela história paulista através de textos, mapas, fotos e ilustrações. Desta vez, a obra vai além do surgimento das ferrovias e do café, e avança até os dias de hoje, quando a cidade se torna uma metrópole marcada por sua importância cultural e econômica.

Temas históricos

A agitação resultante do crescimento – e que hoje é marca registrada da cidade – contrasta com o título da obra de Roberto Pompeu de Toledo: A Capital da Solidão.

Convidado pela Editora Objetiva a prestar uma homenagem a São Paulo, Pompeu foi mais um a se embrenhar na difícil, mas prazerosa, tarefa de desvendar a história paulistana.

Durante quatro anos, pesquisou a evolução da vila distante do mar,separada pela serra, que por três séculos permaneceu isolada e solitária. Dividido em três partes,

Começos, Incertezas e Arrancada, o livro percorre de 1530 a 1900 de forma leve e fluida, e é ilustrado com rico material iconográfico.

E se o assunto é história, outro projeto que presenteia os paulistanos é São Paulo, Anos Luz. Escrito por Okky de Souza e concebido pelo jornalista Gilberto Dimenstein, o livro marcou o início do projeto que tem como objetivo aproximar alunos das escolas públicas da história de São Paulo. Parte do currículo de 2003 dos alunos das Escolas Luz – localizadas no Centro da cidade – o livro ultrapassa as barreiras acadêmicas e revela-se uma agradável leitura para todos os interessados no desenvolvimento da cidade. Em suas páginas é possível encontrar a saga dos imigrantes estrangeiros e nordestinos, a chegada do futebol e o surgimento da Avenida Paulista.

A cidade que surgiu em torno de um colégio fundado por jesuítas tem sua história marcada pela presença da Igreja

Católica. Essa relação é desvendada pelo livro Catolicismo em São Paulo – 450 anos de presença da Igreja

Católica em São Paulo, das Edições Paulinas. Com organização de Ney de Souza, doutor em história eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, a publicação faz uma análise da contribuição da Igreja Católica à cidade, percorrendo a História nos períodos colonial, imperial e republicano.

Traços artísticos

O cartunista Paulo Caruso também mostra sua visão sobre a metrópole, em São Paulo por Paulo Caruso – um olhar bem-humorado sobre a grande metrópole. Nele o cartunista esquece os políticos – tema sempre presente em suas obras – e exibe 90 imagens inéditas sobre os moradores e, principalmente, sobre a arquitetura paulistana. Para esses desenhos Caruso se apoiou na região compreendida entre os rios Pinheiros e Tietê. Aqui vemos a São Paulo contemporânea de uma forma familiar e cotidiana.

Deixando o humor de lado, mas mantendo traços artísticos, é como a arquiteta e artista plástica Teresa Saraiva projeta nas páginas do livro São Paulo – Traços Urbanos a cidade. Seus 70 desenhos a lápis, com tons impressionistas e abstratos, registram os principais pontos da cidade de forma sensível. Traduzem o espírito ao mesmo tempo veloz e saudosista que convivem em São Paulo.

Muitas outras obras homenageiam os 450 anos da cidade. São livros que mostram o respeito de quem vive ou admira São Paulo através da qualidade das fotos, dos textos, das impressões e dos acabamentos. Sem dúvida, grandes presentes.

Serviço

São Paulo, 450 Razões para Amar
Milton Assumpção Filho e Ernesto Yoshida M. Books
R$ 60,00

São Paulo 450 Anos Luz Okky de Souza
Cultura Editores
R$ 45,00

São Paulo de Piratininga Grupo Estado e José Alfredo Vidigal
Ed. Terceiro Nome
www.terceironome.com.br
R$ 130,00

São Paulo Relembrada Mara Luquet, Jalber Pessoa e Eduardo Magossi
JSN
R$ 75,00

Militão Augusto de Azevedo Pedro Corrêa do Lago
Ed. Capivara
www.capivaraeditora.com.br
R$ 110,00

São Paulo Vila, Cidade, Metrópole Nestor Goulart Reis
Via das Artes - www.viadasartes.com.br
R$ 150,00

Catolicismo em São Paulo Ney de Souza (org.)
Edições Paulinas
www.paulinas.org.br
R$ 84,00

São Paulo por Paulo Caruso Paulo Caruso
Imesp
www.imesp.com.br
R$ 100,00

São Paulo - Traços Urbanos
Teresa Saraiva
Trends Engenharia
(ainda não lançado comercialmente)



  Mix Artes e Espetáculos  
Experimentalismo e arte teatral


Acostumada a encenar suas peças em lugares pouco convencionais, a Cia. Fábrica São Paulo inaugurou em janeiro um complexo teatral na Rua da Consolação, resultado do Programa Municipal de Fomento ao Teatro de 2002. Agora em sede própria, o grupo está novamente em um lugar inusitado: uma fábrica de rádios, abandonada há 30 anos. O local pôde ser reformado graças ao apoio da iniciativa privada. Mais de 20 empresas colaboraram, dando origem a um espaço que abrange uma área de 1.250 metros quadrados. O complexo conta com uma sala de espetáculos para 240 pessoas, salas de ensaio, central de criação e produção, área de convivência e estacionamento.

Além de apresentar as peças de seu repertório ao grande público, a Cia. Fábrica pretende intensificar sua parceria com escolas, especialmente da rede pública, promovendo espetáculos a baixo custo e também oferecendo um trabalho personalizado junto aos professores e alunos.

A idéia de levar o trabalho para espaços alternativos surgiu junto com o grupo. Desde 1986 a companhia ocupava um antigo cinema de bairro – o Cine São Geraldo, na Lapa. Acostumada a se apresentar em galpões e prédios abandonados, o novo teatro recupera o formato de palco italiano, fazendo com que a companhia deixe um pouco de lado o teatro de arena. Um dos destaques de seu repertório é a leitura muito peculiar de "A Falecida", de Nelson Rodrigues, que teve sua estréia no Canterbury Festival, na Inglaterra, em 1998. Nessa versão, os quatro atores da companhia interpretam 19 personagens sem sair de cena, colocando o público muito mais próximo da arte teatral.

Teatro Fábrica São Paulo – Rua Consolação, 1623 - Metrô República
Tel: (11) 3255-5922.


Arte brasileira do século XIX


O Centro de Documentação Musical Maestro Eleazar de Carvalho, um dos mais completos centros de pesquisa musical do país, está instalado junto da Estação Júlio Prestes, e integra a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Organizado em uma midiateca que reúne em CDs, vídeos, gravações de rádio e TV e material impresso por CDM oferece desde biografias de grandes músicos até a história completa das principais orquestras. O espaço é harmonioso e o silêncio próprio de uma biblioteca. Inaugurado em 2000, funciona no mezanino da Sala São Paulo e mantém à disposição do estudioso 1.400 partituras, programas de concertos, bibliografia variada e vasta documentação sobre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp. Também reúne 300 CDs e DVDs com apresentações de orquestras famosas, conta com cabines de som individual e um pequeno auditório, de dez lugares. Todo o acervo permite pesquisa de imagem, na videoteca, ou leitura, na hemeroteca. O CDM não é o primeiro, mas é o único centro de documentação especializado em repertório sinfônico. No Centro Cultural São Paulo e na Universidade de São Paulo, há espaços semelhantes. Como material de referência em papel, o CDM dispõe da coleção The New Grove, uma das principais obras de referência da música erudita e da ópera, além do acervo da Universidade de Cambridge, doado pela própria instituição. O nome do CDM é uma homenagem ao ex-regente titular da Osesp, Eleazar de Carvalho. O maestro ocupou a regência por 24 anos, tendo morrido em 1996, aos 84 anos.

Centro de Documentação Musical Maestro Eleazar de Carvalho
Pça. Júlio Prestes, s\nº/ Mezanino - Luz. Metrô Luz. Tel. 3351.8190.
E-Mail: documentacao@osesp.art.br.
Horário: 2ª a 6ª das 08h30 às 17h00. Entrada franca.


Diversidade é o lema do CCBB


Uma programação eclética, que cobre as mais diversas artes, é a proposta do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (CCBB-SP) para 2004. Nos próximos meses, estão programadas mostras de artistas plásticos como o escultor paulistano Nuno Ramos, que cria peças especialmente para o aniversário do CCBB, discutindo a inquietação e a experimentação; e Rosana Palazyan, que faz uma retrospectiva de 15 anos de carreira, sempre utilizando referências lúdicas para criar esculturas e telas de denúncia social.

No teatro, o CCBB reserva espaço para o especial Renato Borghi - 45 Anos de Teatro e a peça A Dama da Lapa. No segundo semestre, a montagem teatral Alô Alô, Terezinha! trará para o palco alguns dos grandes momentos que marcaram a carreira de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, na televisão.

Já a dança contemporânea será o tema dos debates Dança em Pauta, organizados pela jornalista Ana Francisca Ponzio. A música clássica na série Bach e Brahms, a Trajetória de Dois Gênios, a música eletrônica com Loop B e seu show Livre Elétron, o Forró de Cabo a Rabo, a música russa em Viagem Musical à Terra dos Czares, e a música popular brasileira em A Era dos Festivais também estarão presentes na programação do CCBB este ano.

E no cinema, o CCBB abrigará parte da programação dos principais festivais que acontecem em São Paulo, como a 17ª Mostra do Audiovisual Paulista, o festival de documentários É Tudo Verdade 2004, o Festival do Minuto Paulistano, Filme Fashion, Clássicos do Cinema Espanhol, 15º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e o 12º Mix Brasil.

Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Álvares Penteado, 112. Metrô São Bento. (E5) Tel: (11) 3113-3651. Endereço eletrônico: www.cultura-e.com.br. Todos os dias, das 10h às 21h. Entrada franca; apresentações com preços variáveis.


Impressões visuais de São Paulo


Uma bela amostra do rico acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) de fotografias e iconografia de São Paulo está em exposição em três mostras comemorativas do aniversário da cidade.

A mais completa delas, intitulada A imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles conta com 450 imagens, extraídas do acervo de 130 mil peças existentes no acervo do IMS. A retrospectiva, que parte de 1860, traça um relato visual dos caminhos da metrópole desde então.

Sediada na Galeria do SESI, a exposição tem uma ambientação primorosa. Algumas imagens do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo – um dos pioneiros da fotografia paulistana – foram tiradas em seqüência, criando ambientes em 360º. Essa idéia está presente na exposição, que reproduziu as imagens em salas onde se pode apreciar visões completas de aspectos da cidade de São Paulo.

Já a exposição São Paulo Contemporânea, (fotos) que acontece na sede paulistana do Instituto, em Higienópolis, apresenta um ensaio sobre a cidade dos dias de hoje feito por Cristiano Mascaro, um dos fotógrafos mais experientes no registro de paisagens urbanas.

Uma seleção especial das duas mostras pode ser apreciada na Galeria do IMS, que fica junto aos cinemas Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca. Mais informações sobre as mostras estão no site do IMS: www.ims.com.br

Galeria de Arte do Sesi (térreo do prédio da FIESP) – Av. Paulista, 1313 – Jardim Paulista. Metrô Trianon Masp. De terça a sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 19. Entrada franca.

Instituto Moreira Salles – Rua Piauí, 844, 1º andar – Higienópolis – Metrô Santa Cecília. Tel. (11) 3825-2560. De terça a sexta, das 13h às 19h; sábado e domingo, das 13h às 18h.




  Mix Livro  


O legado de Ramos de Azevedo
O Edifício Caetano de Campos, atual sede da Secretaria de Estado da Educação, o Teatro Municipal, a Santa Casa de Misericórdia, o Palácio das Indústrias no Parque D. Pedro II, a agência central dos Correios no Vale do Anhangabaú e o prédio do Liceu de Artes e Ofícios, que hoje abriga a Pinacoteca do Estado — o Centro está repleto de obras projetadas por Francisco de Paula Ramos de Azevedo, a maioria tombada pelo patrimônio histórico. Mas o mapa da mina para situar no tempo e no espaço a obra deste engenheiro-arquiteto que se tornou o principal representante brasileiro do chamado estilo eclético se acha no livro Ramos de Azevedo, da arquiteta Maria Cristina Wolff de Carvalho (Edusp e Fapesp, Série Artistas Brasileiros/Arquitetura, 408 páginas, R$ 79). Constituído de exaustiva pesquisa e de reproduções de fotos, plantas e desenhos, o trabalho de Maria Cristina analisa a versatilidade dos métodos projetuais empregados por Ramos de Azevedo tendo como ponto de partida o contexto da arquitetura da segunda metade do século XIX na Europa e a expansão de sua prática no Brasil.

Em sintonia com o cotidiano paulista
João Walter Toscano, organização de Rosa Camargo Artigas (Editora Unesp e Instituto Takano, 186 páginas, R$ 105), focaliza um dos mais premiados discípulos de Vilanova Artigas, que se diplomou pela FAUUSP em 1956. A obra de Toscano, com quase uma centena de projetos, inclui vários campi da Unesp no interior paulista, o projeto para o Centro de Ciências da USP em São Paulo e várias estações de trem e ônibus localizadas na capital, entre elas as estações Largo 13 de Maio, Jurubatuba e Pêssego. Desenhos, croquis, plantas e fotos, além de textos analíticos, fornecem o panorama de uma criação contemporânea que dialoga com o cotidiano paulista e que rendeu ao arquiteto sua escolha como um dos representantes da Arquitetura Brasileira na 8ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, em 2002.

Inclusão social detalhada em livro
Fala-se muito na questão da exclusão social em São Paulo, mas um livro é indispensável quando se pretende adentrar em seu mapeamento e quando a meta é conhecer e analisar os programas de inclusão social desenvolvidos nos dois últimos anos pelo poder público municipal. Trata-se de Outra Cidade é Possível – Alternativas de Inclusão Social em São Paulo, organizado por Marcio Pochmann, economista, professor e secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade (Cortez Editora, 264 páginas, R$ 25). A publicação, antecedida pelo volume Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade – Novos Caminhos para a Inclusão Social, é importante instrumento para jornalistas, sociólogos, economistas, pesquisadores da área, assistentes sociais, parlamentares em geral e gestores de políticas públicas.

Metrópole e legislação
O conceito de região metropolitana tem voltado com força crescente à ordem do dia, dada a necessidade de soluções que demandam o envolvimento de todos os entes municipais formadores de tais conglomerados urbanos quando se trata de resolver problemas de destinação do lixo, segurança, preservação ambiental e/ou otimização dos recursos hídricos, entre outros. No estudo Relações Intergovernamentais na Metrópole – Adequação Institucional para a Ação (Instituto de Estudos Avançados da USP, Coleção Documentos nº 26, 24 páginas, R$ 3, estavan@edu.usp.br), o sociólogo Antonio Marcos Capobianco, da Emplasa, busca caminhos alternativos à atual institucionalidade, inclusive no rumo de uma repactuação por uma maior autonomização da "instância metropolitana".

Primórdios do comércio
A primeira associação de negociantes paulistas, que irá dar origem à Associação Comercial de São Paulo, surgiu em 1884 na capital e expandiu-se no mesmo ritmo acelerado do crescimento urbano verificado pela cidade, que explode a partir dos anos 30. Uma cidade, como diria Fernand Braudel, alimenta-se de movimento. E é de movimento econômico e de pujança comercial em seus primórdios que trata o livro Comércio e Vida Urbana na Cidade de São Paulo (1889-1930), de Marisa Midori Deaecto (Editora Senac, 235 páginas, R$ 40). A pesquisa empreendida resgata em sua inteireza uma cidade que já tendia a ser, em meados de 1.500, quando foi fundada, a capital geográfica do Brasil, como a chamou Jaime Cortesão.




  Mix Mesa  
SÃO PAULO, CAPITAL GASTRONÔMICA

João Podanovsky
Fotos de Jesus Carlos (Imagenlatina)


Berço do explosivo Virado (argamassa calórica de feijão e toucinho misturados com farinha de milho, comida básica dos bruto-heróicos bandeirantes), do sublime Cuscuz Paulista (rico bolo salgado, que nada tem a ver com o africano Cuscuz Marroquino), do Bauru (inventado em 1936 no antigo bar Ponto Chic do Largo Paissandu), do Beirute (criação do restaurante Bambi há 50 anos), do Filé Moraes (atração rescendente a alho desde 1914), da vedetíssima Pizza e da exuberante Macarronada Cantineira (recriações paulistanas a partir de fórmulas italianas brilhantes e escandalosamente desrespeitadas), São Paulo é, sem dúvida, um extraordinário centro gastronômico, bem colocado no ranking das principais capitais mundiais da gastronomia.

Título justificado tanto pela quantidade de casas de pasto espalhadas pela cidade quanto pela diversidade de cozinhas típicas de todas as regiões brasileiras e de todos os quadrantes do mundo, bem como, e principalmente, pela qualidade admirável de iguarias executadas por um bom número de cozinheiros espalhados pela cidade, anônimos ou festejados, tupiniquins ou importados. São Paulo, delírio de glutões e gurmês.

Forçados pelas circunstâncias (local de trabalho distante do lar), ou favorecidos pela fortuna, os paulistanos comem com freqüência, muitos até diariamente, fora de casa. O leque de opções abre-se-lhes imenso.

Os mais pobres tapeiam o estômago com gostosos cachorros-quentes lambuzados de maionese, cheirosos churrascos-de-gato, pastéis deliciosos, pães recheados com carne-louca ou lingüiça calabresa e vinagrete. Pelas ruas, abundam carrinhos, trailers, towners, kombis, barraquinhas, caixotes superpostos, com esses e outros maravilhosos quebra-galhos ao alcance de bolsos humildes.

Os menos pobres, em geral portadores de vales-refeição, fartam-se de variadíssima comida por quilo, acotovelam-se em cantinas e restaurantes populares, banqueteiam-se com ítalo-paulistanos macarrões e lasanhas, folgam o nó da gravata, espirram molho vermelho nas alvas camisas executivas, limpam o prato com miolo de pão. À entrada das incontáveis casas de pasto populares, lousas-cardápios acenam com bifes acebolados, à cavalo, à milanesa, panquecas e sarapatel, picadinhos e jabás, pratos-feitos e comerciais. A maioria adere ao prato do dia: segunda-feira Virado; terça Dobradinha; quarta Feijoada; quinta Macarronada; sexta Peixe (Filé de Pescada ou Bacalhoada); sábado novamente Feijoada.

Os da angustiada baixa classe-média, que posam de privilegiados com comovente dignidade, fartam-se de carnes sem conta nas churrascarias-rodízio, com seus esplêndidos bufês de infinitas saladas.

Os ricos repoltreiam-se às mesas caras. Alguns chegam a pagar um salário-mínimo por uma única refeição regada a vinho nobre em casas milionárias. Para eles o sabor do que de melhor inventou a arte culinária neste país sem limites e neste planetinha chamado Terra. Porque, meu senhor, minha senhora, em São Paulo podem-se comer sublimidades da arte culinária francesa, italiana, japonesa e de quase cinqüenta outros países.

Bem-aventurados os ricos, pois a eles está reservado o sabor aliciente do caviar e da lagosta, do camarão e do filet mignon. Mais bem-aventurados ainda os pobres, porque a eles está reservado o paladar sem igual das cheirosas comidas de botequim.

Come-se bem, muito bem, em São Paulo.

Mas esta megalópole, na qual barracos de papelão são sombreados por arranha-céus de alto luxo, é palco de uma estupidificante distorção: enquanto uns praticam a glutonaria, perdulariamente, outros, sem-teto e sem-trabalho, disputam restos de comida nas lixeiras e lixões. Poderíamos talvez dizer de São Paulo o que certa vez (anos 60), quando dirigente da FAO (agência da ONU voltada para a alimentação e agricultura), disse do mundo o médico e sociólogo Josué de Castro, autor da estarrecedora Geografia da Fome: "Enquanto metade da humanidade não come, a outra metade não dorme, com medo da que não come".



  Notícias  


VIVA O CENTRO INAUGURA SEDE PRÓPRIA

Na última semana de janeiro, quando a cidade de São Paulo comemorou seus 450 anos, a Associação VIVA O CENTRO deu início a uma nova fase de sua história. Inaugurou sua sede própria, à Rua Líbero Badaró, 425, 4º andar, Edifício Grande São Paulo, e, para marcar a ocasião lançou o Mapa Viva o Centro – São Paulo 2004, durante evento que lotou a entidade, com destaque para as presenças do governador Geraldo Alckmin, da prefeita Marta Suplicy e do presidente do BankBoston no Brasil, Geraldo Carbone, além do subprefeito da Sé, Sérgio Torrecillas, secretários estaduais e municipais, membros de Ações Locais e parceiros da entidade. A nova sede, com cerca de 500 metros quadrados, 300 a mais do que a anterior, foi doada pelo BankBoston, que investiu a inda R$ 100 mil em sua reforma e instalações.

Centro cada vez mais seguro

O Centro está mais seguro. Essa é uma das grandes conquistas da VIVA O CENTRO, que desde sua fundação vem encaminhando propostas, articulando parcerias e apoiando os esforços nesse sentido das secretarias de Estado da Segurança Pública e Municipal de Segurança Urbana. Hoje a região central, até as imediações da Avenida Paulista, conta com 4.200 soldados da Polícia Militar, cerca de 390 deles incorporados ao contingente no começo de março com a formatura da Turma São Paulo 450 Anos, de que foi paraninfo o presidente da Diretoria Executiva da VIVA O CENTRO, Marco Antonio Ramos de Almeida (foto). Com o reforço a região se acha muito mais policiada (leia abaixo) e o registro de furtos continua caindo. Governo do Estado e Prefeitura vêm se articulando nessa área, tendo a Polícia Militar instalado 13 bases comunitárias da 1ª e da 2ª Cias do 7º BPM, constituídas de cabines fixas, trailers ou vans em pontos estratégicos, e a Guarda Civil Metropoliana, oito bases comunitárias fixas informatizadas, equipadas com viaturas, motos e bicicletas, atuando em regime de 24h. bases comunitárias da polícia no Centro

PM Avenida Ipiranga, Ladeira General Carneiro, Largo do Arouche, Largo São Bento, Pátio do Colégio, Praça Craveiro Lopes, Praça da República, Praça da Sé, Praça Desembargador Mário Pires, Praça Ramos de Azevedo, Santa Ifigênia, Vale do Anhangabaú e Viaduto do Chá GCM Praça Craveiro Lopes, Praça D. Orione, Parque D. Pedro II, Praça da República, Praça Roosevelt, Praça Sagrado Coração de Jesus, Praça da Sé e Vale do Anhangabaú

Ações locais com força total em 2004

Fortalecido pelo número cada vez maior de Conselheiros da Comunidade –- hoje são mais de três mil em 43 Ações Locais –, o Programa de Ações Locais, criado pela VIVA O CENTRO em 1996 e formado por ONGs organizadas por logradouros (ruas e praças) do Centro, terá um ano de muitas atividades. Exemplos: De mensais agora são semanais as Reuniões Temáticas da VIVA O CENTRO (foto), encontros promovidos pela Associação entre representantes do poder público e/ou especialistas em segurança, promoção social, comércio informal ou manutenção dos espaços públicos com integrantes das Ações Locais para dinamizar o processo de zeladoria urbana no Centro. Ainda no primeiro semestre, o Programa estará realizando a Convenção Anual das Ações Locais e, no segundo, irá promover as Eleições Gerais para que representantes de empresas, instituições, lojas, escritórios e moradores de cada área do Centro elejam as Diretorias e Conselhos Fiscais de suas respectivas Ações Locais.

Candidatos serão convidados a expor plataformas

A VIVA O CENTRO, como fez nas três últimas eleições, se prepara para convidar os candidatos à Prefeitura de São Paulo a expor suas plataformas para enfrentar alguns dos grandes problemas da cidade, com ênfase na região central (foto). Ao mesmo tempo, a Associação elabora o documento São Paulo Eleições 2004, contendo propostas de medidas prioritárias para a área central nos próximos quatro anos, a ser entregue aos postulantes quando comparecerem à entidade. Durante a campanha eleitoral de 2000, praticamente todos os candidatos atenderam ao convite da VIVA O CENTRO, quando foram recebidos por amplas platéias formadas por seus associados e por integrantes das Ações Locais.

VIVA O CENTRO prepara Seminário Brasil-Alemanha

Até o final do ano a Associação VIVA O CENTRO e o Instituto Martius-Staden – importante instituição teuto-brasileira localizada no Centro de São Paulo – vão promover o 1º Seminário Brasil-Alemanha, a exemplo do 1º Seminário Brasil-Espanha resultante, no ano passado, de parceria entre a entidade e o Instituto Cervantes de São Paulo. A temática do Seminário Brasil-Alemanha ainda está em elaboração, mas pode-se adiantar que estará concentrada em questões que fomentem o intercâmbio de experiências urbanístico-culturais entre a cidade de São Paulo e as principais cidades alemães, como Berlim (foto).

Anhembi Morumbi entrega certificados de inclusão digital

Mais 90 jovens, em geral office boys, atendentes e ascensoristas que trabalham em empresas localizadas no Centro, receberam, em meados de fevereiro, os certificados de conclusão do segundo curso do Projeto Fim de Semana Digital, promovido pela Anhembi Morumbi em parceria com a VIVA O CENTRO. Esse número é quase nove vezes maior do que o da primeira turma. "A importância desse trabalho está em dar acesso digital a pessoas que não teriam como pagar um curso de informática, permitindo-lhes ascender à cidadania, e não apenas ensinar comandos no computador", diz Luciana Aparecida Santos, uma das coordenadoras do projeto desenvolvido pela Anhembi Morumbi. Para a turma que se formou este ano será dada a possibilidade de prosseguir o aprendizado com cursos de web design e auxiliar administrativo, ambos voltados à preparação desses jovens para um melhor desempenho profissional.



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Revista Urbs - Publicação bimestral editada pela Associação Viva o Centro, com o patrocínio especial do Bank Boston, Banco Itaú Serasa e Pinheiro Neto - Advogados; e apoio institucional da Prefeitura Municipal do Município de São Paulo.

Conselho Editorial: Jorge da Cunha Lima, Jule Barreto, Marco Antonio Ramos de Almeida, Mary Lou Paris, Marta Dora Grostein, Regina Prosperi Meyer, Rosely Carmona, Antonio José A. G. Zagatto, Lu Rodrigues, Ana Maria Ciccacio (secretária).

Editor: Jule Barreto
Editora Assistente: Ana Maria Ciccacio
Editora de Arte: Lu Rodrigues
Editora de arquitetura e urbanismo: Regina Prosperi Meyer
Colaboram nesta edição: Ana Francisca Ponzio, Frederico Mengozzi, João Podanovski, Marcos Capobianco, Marcos Garuti (Traço), Katia Canova (produção de imagens)
Fotografia: Jesus Carlos (Imagenlatina), Marcelo Santos
Tratamento de imagens: Delcine de Assis
Fotolito: Unigraph
Impressão: Takano Editora Gráfica

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