UM QUADRILÁTERO MODERNO NO CENTRO
Avenida São Luiz e entorno concentram alguns dos exemplares mais
representativos da arquitetura de São Paulo
Ana Francisca Ponzio e Ana Maria Ciccacio
Fotos de Jesus Carlos (Imagenlatina)
Existe no Centro paulistano uma região privilegiada por sua alta concentração de respeitáveis exemplares da arquitetura moderna no Brasil, alguns com projetos assinados por mestres de projeção internacional, caso de Oscar Niemeyer, Franz Heep, Gregori Warchavchik e Jacques Pilon. Essa região, que tem por eixo a Avenida São Luiz, ligeiramente amplificada por seu entorno imediato, bem poderia se tornar conhecida como "Quadrilátero Moderno" — uma licença urbanística inspirada nos vôos libertários das chamadas licenças poéticas, uma vez que não configura um quarteirão na acepção plena do termo. Mas se levado em conta que os edifícios modernos que aí se encontram estão ao alcance de uma leve caminhada, a licença se justifica. A maioria desses prédios têm como característica alguns elementos-chave da arquitetura moderna, como a ausência de recursos meramente retóricos e ornamentais, escassez de citações de estilos históricos europeus, visual despojado e incorporação de inovações técnicas da segunda metade do século XIX e início do século XX, entre elas a estrutura de concreto e elevadores.
Um dos importantes exemplares da arquitetura moderna em São Paulo — o Edifício Esther, contemporâneo do famoso Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, cujo nome original é Edifício do Ministério da Educação e Saúde — localiza-se na Praça da República, 76 a 80. Foi projetado pelos arquitetos Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho e inaugurado em 1938, mantendo até hoje o uso misto — residencial e comercial. Notabiliza-se por suas linhas retas e ausência de ornamentos, além de estrutura rigidamente modulada, constituindo uma síntese das principais características da arquitetura moderna da época — estrutura independente, fachada livre, janela em largura total, volume sobre pilotis e terraço-jardim —, estando por isso mesmo duplamente tombado: pelo Conpresp e pelo Condephaat.
Ainda na Praça da República, mas já na cabeceira da Avenida São Luiz, ergue-se do 177 ao 199 o Edifício Eiffel, projetado por Oscar Niemeyer, totalmente residencial na parte superior com comércio no térreo e sobreloja, que foi inaugurado bem mais tarde, em 1956. É um exemplar valioso por ser um dos primeiros prédios de São Paulo com apartamentos duplex e uma vantagem adicional de silêncio: os quartos se encontram no piso inferior, protegidos dos ruídos do apartamento de cima. Além disso, segundo o arquiteto e professor da FAUUSP Lucio Gomes Machado, "é uma aplicação de uma forma de edifício proposta por Le Corbusier — projeto de prédio com planta em esquema de "Y" —, que ele mesmo nunca conseguiu concretizar". A planta do Eiffel, com sua torre central e dois braços laterais, tem uma disposição similar a esse tipo de projeto corbusieano que não chegou a sair do papel. "Acrescente-se que, do mesmo modo que o Copan e outros edifícios incorporados pelo grupo Roxo Loureiro, o Eiffel propõe extensas áreas comuns diretamente ligadas à rua, com lojas, área de convívio, clube etc", diz o professor.
De chácara a espigões
A Avenida São Luiz, como se conhece hoje, resulta de duas grandes transformações urbanísticas, analisadas em profundidade pelo arquiteto e também professor da FAUUSP José Eduardo Lefévre no livro De Beco a Avenida, a História da Rua São Luiz, a ser publicado pela Edusp no começo de 2004. A primeira, em fins do século XIX, fragmentou a antiga Chácara do Senador Souza Queiroz em grandes lotes para seus filhos, que edificaram palacetes na ainda modesta e estreita Rua São Luiz. Por volta de 1930, ali havia "17 palacetes ou casas de tamanho razoável (isoladas das divisas), mais dois pares de casas geminadas e uma vila de casas para a classe média, a Vila Normanda", conta Lefèvre.
Por essa época, contudo, São Paulo já crescia em ritmo acelerado e logo essa área seria absorvida pelo Centro em expansão. A Rua São Luiz começou a ser alargada em 1942, como parte do projeto elaborado durante a primeira gestão de Prestes Maia para melhorar a circulação viária na cidade. De 13 metros passou a 33. Com isso, o ambiente quase bucólico se alterou radicalmente, permitindo a segunda grande transformação da ocupação do solo no local. "Assim como havia sido rapidamente ocupada nos últimos cinco anos do século XIX com os palacetes, a São Luiz foi rapidamente transformada nas décadas de 1940 e 1950. Em sua nova face, manteve o caráter de local de moradia para uma população de alto poder aquisitivo, mas já com uma característica totalmente diversa. Ruptura do padrão residencial de palacetes, verticalização e presença de atividades comerciais e culturais", explica Lefèvre.
Com a demolição dos palacetes, os grandes lotes — praticamente os maiores da área central — foram sendo ocupados por edifícios acima de 12 andares a partir de 1944, sendo os primeiros os três prédios do Conjunto São Thomaz/Santa Virgília/Santa Rita, e o último, o Hotel Eldorado Boulevard, inaugurado em 1973. Em meio de quadra, entre os exemplares da arquitetura moderna presentes ao longo da Avenida São Luiz, há um notável prédio do arquiteto Franz Heep, o Edifício Ouro Preto, residencial, projetado por Franz Heep, e ao lado dele, com o mesmo uso, o Edifício Moreira Salles, de Gregori Warchavchik.
"Do outro lado da avenida temos o Edifício Conde Sílvio Penteado (números 130 a 140), de Ricardo Capote Valente, um arquiteto não muito conhecido, mas que concebeu um prédio que segue quase à risca os preceitos da arquitetura moderna (já citados), como firmados por alguns grandes nomes internacionais, entre eles o francês Le Corbusier", pontua Lefèvre. E nas esquinas da São Luiz, três ícones da arquitetura paulistana, como se vê a seguir.
O Conjunto Metropolitano, com sua famosa Galeria Metrópole, criado por Salvador Candia e Giancarlo Gasperini, faz uma agradável e proporcionada ligação entre a Praça D. José Gaspar, a Avenida São Luiz e a Rua Basílio da Gama. Harmonicamente projetado tem como uma de suas mais fortes características a interação entre espaço público e privado, já que as entradas da galeria convertem o térreo num espaço permeável à circulação de pedestres entre os três logradouros. Nos rebeldes anos 60, a galeria, além do célebre cinema, era palco de artistas em começo de carreira. Caetano Veloso e Gilberto Gil deram lá os seus primeiros passos em São Paulo, tendo por padrinhos alguns paulistas como Paulinho Nogueira.
O Edifício Itália, na esquina da São Luiz com a Avenida Ipiranga, divide com o Edifício Altino Arantes (edifício sede do Banespa) e o Edifício Copan a primazia dos símbolos de São Paulo. Como o Conjunto Metropolitano, o Itália do arquiteto franco-alemão Franz Heep, construído sobre os terrenos do Circolo Italiano — ainda hoje um dos mais altos de São Paulo, com seus 46 pavimentos — foi projetado para seu térreo também servir de interligação entre os dois logradouros, mas por questões de segurança, na atualidade tem uma de suas entradas fechada. Franz Heep nasceu nos Sudetos como recorda Lucio Gomes Machado, região dominada durante algumas décadas pela Alemanha e hoje situada na República Checa. Mas também morou na França, onde trabalhou com Le Corbusier.
Bem próximo do Edifício Itália ergue-se o Edifício Comandante Linneu Gomes, do arquiteto Oswaldo Arthur Bratke, inaugurado em 1961, que também assina o projeto do Edifício Renata Sampaio Ferreira, outro excelente exemplar da arquitetura moderna, localizado na Rua Araújo, 216.
Na outra ponta, o Edifício Ambassador e Conjunto Zarvos (268 e 258 da Avenida São Luiz), projeto do arquiteto Júlio Neves, figura, segundo Lefèvre, entre os interessantes exemplares da arquitetura moderna em São Paulo, e pelo seu térreo interliga as avenidas São Luiz e Consolação. "Pena que tenha fechado o restaurante Padock", lamenta Lefèvre, se bem que ainda mantenha o chame de suas lojas.
Casos à parte
O Edifício Louvre, no 192 da Avenida São Luiz, tem uma história um pouco mais complicada. De características mais ecléticas, porém com vários elementos da arquitetura moderna, foi projetado e construído por João Artacho Jurado que, por não ter diploma de arquitetura e ser um autodidata, granjeou muita antipatia entre os arquitetos. Jurado também projetou os edifícios Bretagne (na Avenida Higienópolis) e Viadutos (no Viaduto Jacareí com Rua Santo Antonio).
Na opinião de seus críticos, um "sub-Gaudí" (Décio Pignatari) ou um "Gaudí de arrabalde" (Sérgio Teperman), talvez por ter deixado sua marca personalíssima em São Paulo, combinando elementos modernos com fachadas coloridas e que empregam grande diversidade de materiais. "Hoje há uma certa revisão crítica de seu trabalho", diz Lefèvre. "O motivo de sua rejeição na época era o excesso de ornamentação. Ao lado das linhas sóbrias e homogêneas do vizinho Edifício Conde Sílvio Penteado, ele provoca um interessante contraste." E está bem recuperado. Graças à atuação da Ação Local São Luiz, integrante do Programa de Ações Locais de zeladoria urbana criado pela VIVA O CENTRO, o condomínio restaurou sua fachada e está gozando de isenção por 10 anos de IPTU. Outros edifícios na mesma situação são o Princesa Isabel e o Santa Rita. "O Itália está com projeto semelhante em estudos pela Companhia do Restauro", revela Francisco de Paula, da Ação Local São Luiz.
Outro caso nem sempre mencionado entre os exemplares de arquitetura moderna é o do edifício do Hotel Hilton, projetado pelo arquiteto Mário Bardelli e inaugurado em 1971. Trata-se de um dos últimos grandes edifícios construídos na área do Distrito República, no chamado Centro Novo, antes do período de certa letargia na região, observada a partir da década de 70. Foi o primeiro hotel de cadeia internacional, de alto nível, a ser implantado em São Paulo, contanto com espaços para convenções, teatro e restaurantes. Por muito tempo foi considerado um dos símbolos de São Paulo. "Seus pavimentos inferiores, ocupando toda a projeção do terreno, configuram a base para o apoio do volume cilíndrico, o que torna sua presença marcante no cenário do Centro", diz Lucio Gomes Machado, tendo por guia uma idéia mais abrangente de arquitetura moderna (ver o box Arquitetura futurista, art-déco ou moderna?).
E há, ainda, o Edifício da Biblioteca Mário de Andrade, projetado e construído por Jacques Pilon, responsável pela introdução de novos conceitos para os edifícios de escritórios em São Paulo. "O edifício da Mário de Andrade, cujo nome homenageia seu idealizador, tem formas que tentam conciliar um certo classicismo com volumes vinculados ao modernismo, à maneira de algumas tendências da arquitetura moderna adotadas na Alemanha e na Itália na década de 30", lembra Lucio Gomes Machado. O seu importante acervo atrai, como atraiu no passado para a região — então o ponto de charme da cidade, concentrando a vida social e boêmia — importantes intelectuais em busca de dados para seus projetos de pesquisa.
Copan
Um dos mais belos exemplares da arquitetura moderna em São Paulo é, sem dúvida, o Edifício Copan, com planta em "S", na Avenida Ipiranga, 200. Cerca de 5 mil moradores de todas as classes sociais vivem em 1.160 unidades, que vão de quitinetes de 29 m2 a amplos apartamentos de até 214 m2. Um enorme sucesso do ponto de vista da convivência na diversidade social. O Copan do arquiteto Oscar Niemeyer com a colaboração de Carlos Lemos é uma cidade com população maior do que 450 municípios do país e está para entrar em reforma, com obras orçadas em mais ou menos R$ 20 milhões, segundo seu síndico, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, também presidente da Ação Local Ipiranga I.
O Copan é resultado da agregação de vários lotes vizinhos à São Luiz, comunicando-se com esta avenida através da parte baixa do Edifício Conde Sílvio Penteado. Essa ligação, um item importante da arquitetura moderna, tem hoje circulação restrita e controlada. Por seu volume, o Copan tem uma presença marcante quando visto à distância. No entanto, pode passar despercebido das ruas vizinhas, com exceção da Avenida Ipiranga. "O Copan foi projetado de tal forma que deveria ter um prédio situado entre ele e a Avenida Ipiranga, mais baixo, que inicialmente seria um hotel do mesmo grupo que o construiu, e que era do arquiteto Henrique Mindlin", lembra Lefèvre. "Mas no final esse prédio acabou não sendo construído e, em seu lugar, foi erguido o edifício que hoje é do Bradesco, um projeto interessante do arquiteto Carlos Lemos, mas a parte térrea, na ligação com o Copan, ficou um pouco fechada. Não é uma ligação tão aberta, a meu ver, como seria desejável."
Para Lucio Gomes Machado, o Copan é uma das obras de Niemeyer em que o arquiteto imprimiu uma revisão das propostas iniciais da arquitetura moderna, conforme divulgada por Le Corbusier e outros mestres europeus. "No Copan, Niemeyer introduz a curva, apropriando-se da liberdade permitida pelo concreto armado, em contraposição aos volumes prismáticos das décadas de 20 e 30."
Em pontos opostos
Nesta mostra, que não tem a pretensão de ser completa, nem de esgotar o assunto, mais dois edifícios merecem figurar no quadrilátero moderno: o Edifício do IAB, na Rua Bento Freitas, 306 a 314, e o Edifício O Estado de S. Paulo, na esquina das ruas Major Quedinho e Martins Fontes.
O prédio da Bento Freitas não é apenas a sede da seção paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), mas também um edifício que concentra escritórios de arquitetos. Paulo Mendes da Rocha, Haron Cohen e Ciro Pirondi têm escritórios ali. A Fundação Vilanova Artigas também. O edifício resultou do esforço conjunto de um grupo de arquitetos comprometidos com a implantação e a difusão dos princípios da arquitetura moderna, num momento marcado, no imediato pós-guerra e após o regime ditatorial de Getúlio Vargas, pelo clima de redemocratização do país e do "ressurgimento" paulista.
Projetado por Rino Levi e Roberto Cerqueira Cesar, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Galiano Ciampaglia, Abelardo de Souza, Hélio Duarte e Zenon Lotufo, selecionados por concurso julgado por Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Firmino Saldanha, é síntese do que havia de mais representativo no repertório da arquitetura moderna brasileira de então. Além disso, incorporou uma série de obras de arte de indubitável valor de autoria de Alexander Calder, Antonio Bandeira, Bruno Giorgi e, posteriormente, de Ubirajara Ribeiro. O edifício, que está para ser restaurado a partir de projeto coordenado pelo arquiteto Lucio Gomes Machado, alcançou com o tempo um significado simbólico como palco e fórum permanente de lutas sociais pela justiça e liberdade e pela melhoria das condições da profissão do arquiteto.
Quanto ao Edifício O Estado de S. Paulo, quase frontal à Avenida São Luiz, que foi construído para sede desse importante matutino paulista e também abrigou os estúdios da Rádio Eldorado e o famoso Hotel Jaraguá, o projeto é de Jacques Pilon. Segundo o arquiteto Miguel Juliano, que responde pela reforma do prédio para sediar o hotel Holiday Inn Select Jaraguá, prestes a entrar em regime de soft opening e com inauguração prevista para o dia 25 de janeiro de 2004 — o antigo Hotel Jaraguá foi inaugurado em 25 de janeiro de 1954, nos 400 anos da cidade —, "foi Franz Heep quem o vestiu de modernidade". Heep, trazido por Pilon ao Brasil, havia trabalhado 20 anos no escritório de Le Corbusier, além de ter sido grande amigo de Walther Gropius, o homem da Bauhaus, e outro dos grandes nomes da modernidade na arquitetura do século XX.
O paulistano, geralmente desatento em sua pressa de cruzar o Centro, pouco dá conta da riqueza existente no quadrilátero moderno. Mas ela está lá, generosa, com os térreos de alguns de seus edifícios em geral abertos, com comércio e comunicando logradouros entre si. Um convite à fruição da arquitetura como arte.
* Z8-200 é uma categoria do zoneamento que garante a preservação de edifícios de interesse histórico e arquitetônico e, a partir da Resolução 44/1992 do Conpresp, também indica que esses edifícios se encontram em processo de tombamento, segundo informações colhidas no DPH.
** Além da proteção indicada, a quase totalidade dos edifícios do quadrilátero moderno encontra-se em área envoltória de outros bens tombados.
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ARQUITETURA FUTURISTA, ART-DÉCO OU MODERNISTA?
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LUCIO GOMES MACHADO*
Quando Gregori Warchavichik, Rino Levi ou Flávio de Carvalho projetavam suas obras pioneiras em São Paulo, muitas
pessoas se chocavam com aquela "arquitetura futurista", um "estilo" estranho, importado da Europa e que não teria qualquer relação com a cultura local.
Ainda hoje, quando não se sabe muito bem como qualificar uma nova proposta de arquitetura, é comum chamá-la de "futurista". Pois futurista deve designar um movimento artístico surgido na Itália, após a Primeira Guerra Mundial, sob a liderança de Marinetti e que teve pouca repercussão na Arquitetura.
Ao escapar desta primeira armadilha, é freqüente encontrarmos a designação de art-déco para os edifícios que prenunciavam a renovação que se seguiria com a ampla adoção, entre nós, da arquitetura moderna. Art-déco designa precisamente um estilo de decoração vinculado ao que foi propagado pela Exposition Internationale des Arts Décoratifs e Industriels Modernes, organizada em Paris, em 1925.
Outra armadilha. Em razão da predominância de formas retilíneas e da aplicação de ornamentos geometrizados, o art-déco é muitas vezes assimilado a uma forma de expressão arquitetônica, sobretudo quando se trata de formas que têm como referência uma tendência desenvolvida na Alemanha e na Itália, nas décadas de 20 e 30, com preponderância de plantas e fachadas formadas por retângulos associados a semi-círculos.
A rigor, essas expressões designam diferentes faces da arquitetura moderna.
São várias as referências que podem caracterizar a arquitetura moderna. Por exemplo, a utilização de algumas inovações técnicas que caracterizaram a segunda metade do século XIX e início do século XX: estruturas de aço ou concreto, vedações com vidro, elevadores e outros equipamentos mecânicos, elementos fabricados em usina etc. Isto é, o edifício passava a ser um produto industrial, que deveria atender aos novos programas e às grandes massas urbanas.
Para atender a estas novas características, novas formas de projetar foram desenvolvidas, buscando analogias nas vanguardas artísticas do século XX – sobretudo no cubismo – e deixando de lado a rígida composição e o vocabulário do neoclassicismo, liberando o universo formal ou identificando a forma do que será construído com as funções que ali seriam abrigadas, mas eliminando sempre, radicalmente, o ornamento artesanal.
Cuidado com certos rótulos. Nem sempre designam corretamente o conteúdo.
* Arquiteto, professor da FAUUSP.
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