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Com o Masp Centro, galeria retoma vocação cultural
A volta das duas Graças, esculturas em bronze de Victor Brecheret, ao seu locus tradicional na Galeria Prestes Maia, assinalou no final de novembro a retomada do espaço para atividades culturais com a inauguração da mostra de pinturas, fotos, documentos históricos, projetos arquitetônicos e urbanísticos São Paulo – De Vila a Metrópole, pelo Museu de Arte de São Paulo, Masp. A montagem dessa mostra teve o patrocínio da BM&F, BankBoston, Bovespa e Método Engenharia, além do apoio da Viva o Centro, TV Cultura e Prefeitura.
As instalações no Salão Almeida Júnior são ainda provisórias. O equipamento museológico definitivo (climatização, dispositivos de segurança, monitoramento eletrônico etc.) dependerá de patrocínio privado e não tem data de implantação. Enquanto isso não ocorrer, o local não poderá receber grandes exposições com obras originais, inclusive as dos circuitos internacionais e do próprio acervo do Masp, tido hoje como um dos mais importantes da América do Sul. A Galeria Prestes Maia ficará restrita, portanto, a mostras com obras que não impliquem maiores riscos.
Segundo o presidente do Masp, Júlio Neves, algumas obras de adequação do espaço já foram feitas para a exposição em cartaz. "Mas a obra completa só ficará pronta daqui a R$ 5 milhões", diz Neves, referindo-se à necessidade de captação de recursos com a iniciativa privada para que o Masp Centro se torne realmente uma referência cultural. A mostra pode ser vista de 2a. a sábado, das 11h às 18h, até 19 de maio. Metrô Anhangabaú/ Saída Rua Dr. Falcão/Galeria Prestes Maia. Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (estudante). A entrada é livre mediante a apresentação de documento de identificação.
Solenidade dá início ao Ano 10 da Viva o Centro
Um ato comemorativo com a presença de autoridades, convidados e associados nos salões da sede central do Jockey Club de São Paulo, na Rua Boa Vista, no dia 30 de novembro, deu início oficial ao décimo ano de atividades da Associação Viva o Centro. Durante o coquetel, um telão exibiu, no sistema de data show, aspectos do Centro e um breve histórico da Associação. No final do evento, o presidente da Viva o Centro e também presidente mundial do BankBoston, Henrique de Campos Meirelles, transmitiu aos presentes por videoconferência, de Buenos Aires, onde se encontrava naquele momento, a sua mensagem de fé inabalável no futuro do Centro de São Paulo.
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Editorial
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A Associação Viva o Centro está iniciando o seu décimo ano de trabalho pela requalificação da área central de São Paulo. Os nove anos completados em outubro representam o cumprimento, com um ano de antecedência e conquistas antecipadas, da primeira etapa, de dez anos, prevista em seu programa de trabalho, tornado público em 1991. Nele estabelecia-se que a primeira década de atividades teria como objetivo sustar o curso de declínio da região para, numa etapa seguinte, também de dez anos, tornar ascendente essa curva até o objetivo final — um Centro requalificado. O fato de que o declínio já esteja contido e a região desfrute de equipamentos e infra-estrutura previstos apenas para a segunda etapa comprova cabalmente que a empreitada inicial coroou-se de êxito e que a seguinte deverá valer-se de seus efeitos sinérgicos. Como saldo da etapa que vai se encerrando, o Centro volta a figurar na agenda de prioridades do poder público, na pauta da mídia e no cotidiano, imaginário e universo afetivo de sua população, a qual o julgava praticamente perdido.
Inicialmente com as suas preocupações restritas ao território conhecido como Centro histórico, a Associação, como decorrência dos conhecimentos e experiências que acumulou ao longo do tempo, é hoje uma entidade de projeção metropolitana, na mesma medida em que, graças principalmente ao seu esforço pioneiro, a área central passou a ser enxergada como o território fecundo da metrópole e não mais o seu repositório de problemas e mazelas; como a região articulada e articuladora de São Paulo e não o seu buraco-negro de insolvências urbanas e sociais. Essas considerações dão uma idéia da magnitude das tarefas que hão de vir na segunda década. A boa novidade é que elas estarão solidamemente assentadas numa equação já resolvida — a área central é o núcleo de integração da metrópole precária e periférica à metrópole moderna e pujante — e numa base material já instalada ou em instalação, composta por grandes centros culturais, infra-estrutura avançada, novos empreendimentos e uma coletividade atuante, organizada em Ações Locais, programa da Viva o Centro patrocinado por dois gigantes institucionais da área, a Bovespa e a BM&F.
Ainda carente de cuidados básicos como recuperação dos espaços públicos, limpeza, manutenção e policiamento, mas em franco processo de resgate ou reforço de seus atributos de centralidade metropolitana, esse é o Centro que a nova administração municipal vai encontrar em janeiro e que, em repetidas ocasiões, foi apontado pela prefeita eleita como uma das prioridades de sua gestão. O sucesso da segunda etapa do projeto de trabalho da Associação vai ser completo na medida em que essa disposição de priorizar o Centro se materialize em parcerias bem articuladas com a sociedade civil e a iniciativa privada, das quais a Viva o Centro é interlocutora para as questões da área.
ECT, compromisso com a cidade
A direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ECT, condicionou a construção do Centro Cultural dos Correios, segundo projeto vencedor de concurso nacional, a eventuais patrocínios e parcerias, dispondo-se somente a gastar o necessário à instalação da agência postal (ver entrevista). Considerando-se que é de São Paulo que vem a maior parte do faturamento da empresa, e que é forte tendência moderna as empresas retribuírem, em equipamentos culturais e sociais, o sucesso de que desfrutam no seu meio social, a Viva o Centro espera que a ECT reveja a sua posição e se comprometa a construir o Centro Cultural, com ou sem parcerias.
Feliz 2001
A Diretoria, funcionários e colaboradores da Associação Viva o Centro desejam um feliz e produtivo 2001 aos seus associados, amigos e, em particular, aos jornalistas que, em seus veículos de comunicação — jornais, revistas, rádio, TV, Internet — muito têm ajudado a tornar realidade o sonho de um Centro metropolitano dinâmico, belo e não-excludente.
Férias coletivas
Os funcionários da Associação Viva o Centro, como fazem todos os anos, estarão em férias coletivas entre os dias 26 de dezembro e 14 de janeiro, reiniciando suas atividades no dia 15.
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Entrevista
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Centro Cultural dos Correios só com parcerias, diz ECT
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) volta a acenar positivamente para a implantação do Centro Cultural dos Correios, no Vale do Anhangabaú, que meses atrás esteve ameaçado de não se concretizar, mas condiciona sua implantação ao estabelecimento de parcerias com outras entidades. Helena Aires de Arruda, chefe da Divisão de Ação Cultural da ECT, em Brasília, fala do assunto.
informe – Em que cidades brasileiras a EBCT já converteu seus edifícios históricos em espaços culturais?
Helena Aires de Arruda – No Rio de Janeiro temos o Espaço Cultural dos Correios desde 1992 e, em Salvador, o Centro de Memória e Cultura dos Correios, no Pelourinho, desde abril deste ano. Há estudos para implantar instituições semelhantes no Recife, em Porto Alegre e em São Paulo, onde o edifício da agência central, no Vale do Anhangabaú, é tido como a menina dos olhos da EBCT.
Por que "menina dos olhos"?
Aí há um conjunto de fatores: a importância histórica do edifício, o fato de ele estar no coração da cidade de São Paulo e ter no entorno prédios igualmente importantes, como o do Teatro Municipal, o fato de o Vale do Anhangabaú ter abrigado movimentos significativos, como o das Diretas Já, e ainda por haver uma forte ligação afetiva dos paulistas com a agência central dos Correios. Além disso, porque o projeto é grandioso, tanto do ponto de vista do que deverá abrigar quanto dos recursos que demanda.
Qual o montante dos recursos?
Para a primeira etapa, que compreende a instalação de uma moderna agência central no térreo do edifício, a ECT estará entrando com os recursos necessários, que giram entre R$ 6 milhões a R$ 7 milhões. Já para a implantação do Espaço Cultural, ou seja, para a implementação do projeto vencedor do concurso público, do Una Arquitetos, precisaríamos de recursos estimados em R$ 30 milhões e para isso necessitamos de parcerias, tanto para o gerenciamento como para a captação desse montante.
Já existe, da parte da iniciativa privada, alguma sinalização positiva a esse respeito?
Temos tido contato com algumas instituições de porte no país que têm experiência em gestão de recursos e gerenciamento de projetos culturais. Por enquanto, como ainda não há nada confirmado, não podemos citar nomes.
Durante todo este ano os paulistanos se sentiram frustrados, achando que o Espaço Cultural dos Correios não sairia. Há chances agora?
Certamente a inauguração da mostra fotográfica Brasis, em cartaz no momento, e o 52º Salão Paulista de Belas Artes, de 25 de janeiro a 25 de fevereiro, no ano que vem, demonstram o firme propósito da ECT de implantar seu Espaço Cultural no Anhangabaú. Após o Salão, a empresa estará abrindo a licitação, devendo as obras da primeira fase, a da agência, começarem no máximo em meados de 2001.
Qual seria a previsão de entrega da segunda fase?
Nosso plano é que, tão logo termine a parte que podemos fazer com recursos próprios, já tenhamos encaminhado a fase seguinte, que é a da efetiva implantação do Espaço Cultural. Por enquanto é prematuro falar em alguma data. Mas poderíamos estimar, para um projeto desse porte, a entrega em dois anos, talvez em meados de 2003.
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Acontece
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VI Festival de Órgão em CD
Paralelamente ao VII Festival Internacional São Bento de Órgão, que tem lotado os concertos na basílica do Mosteiro de São Bento, está sendo lançado o CD com gravações ao vivo da edição do ano passado, toda dedicada à música latino-americana. Obras de Amaral Vieira, Ramón Noble, Juan Bautista Plaza, Alberto Ginastera e Ernst Mahle, entre outros, compõem o acervo interpretado por renomados organistas vindos especialmente para o festival. O CD, cuja tiragem só foi possível graças ao patrocínio da BM&F, acha-se à venda no Mosteiro de São Bento (Largo São Bento, s/n) por R$ 15.
Júlio Prestes ganha espaço teatral
O Centro se prepara para inaugurar mais um espaço cultural dentro do projeto de requalificação da região apoiado pelo Governo Mário Covas, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura. Dentro do Complexo Cultural Júlio Prestes, o Concourse da Estação, inteiramente remodelado com área de camarins, deverá abrigar a partir de 15 de dezembro o espetáculo "Os Lusíadas", produzido por Ruth Escobar. "Para que o Concourse se tornasse um espaço definitivo da Secretaria, foi feito um acordo com a Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), no qual nos comprometemos a construir uma nova entrada para o público da estação e uma nova bilheteria, cujas obras já se encontram em fase de finalização", explica o engenheiro Bento Carlos Martinez Neto, responsável pelas reformas. A adaptação do espaço é um projeto do arquiteto Ruy Ohtake, que está sendo desenvolvido pela arquiteta da Secretaria, Carla Polli.
À venda cartões do Travessia
Com apoio da Fundação BankBoston e da Associação Viva o Centro, a Fundação Travessia, voltada ao trabalho com menores em situação de rua, acaba de colocar à disposição do público em geral a Coleção 2000, composta por seis cartões de Natal criados por crianças e adolescentes entre 10 e 18 anos. A venda dos cartões levantará recursos para a Fundação Travessia e outras quatro entidades parceiras. Procure-os no Shopping Light, onde os trabalhos que lhes deram origem se acham expostos até 26 de dezembro, no terceiro andar; Sindicato dos Bancários (Rua São Bento, 413) ou na Livraria Tantas Palavras (Rua Lisboa, 568).
Clube de Xadrez chega aos cem anos
O histórico Clube de Xadrez São Paulo, freqüentado por figuras ilustres como Washington Luiz, Ramos de Azevedo e Figueiredo Ferraz, no passado, e, mais recentemente, pelo governador Mário Covas e pelo melhor enxadrista brasileiro do momento, Gilberto Milos, começa a se preparar para o centenário, em 2002. Crianças e jovens têm sido o principal alvo dos investimentos do clube, que ao longo de todo esse tempo acolheu e formou praticamente todos os grandes mestres do país. Além de promover um amplo torneio inter-escolar, a sede localizada à Rua Araújo, 154, Centro, abre-se todo segundo domingo do mês a estudantes das redes municipal e estadual de ensino, apreciadores de um xeque-mate.
Salão de Belas Artes abre inscrições
Estão abertas até 18 de dezembro as inscrições para o 52º Salão Paulista de Belas Artes/2001, que terá lugar a partir de 25 de janeiro no Espaço Cultural dos Correios, no Vale do Anhangabaú. As inscrições podem ser feitas das 9 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, à Rua Mauá, 51. Maiores informações podem ser obtidas no site http://www.uol.com.br/salaopaulista ou pelo e-mail: salaopaulita@uol.com.br.
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