ANO IX
novembro/2000
        No. 164
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO

Editorial
  • O que o Centro espera da prefeita

    Capa:
  • Ação cultural ajuda a recuperar região da Júlio Prestes
  • São Paulo já pode utilizar o disque-denúncia

    Entrevista:
  • CCBB pretende atrair mais gente e atividades ao Centro histórico e financeiro

    Acontece:
  • Viva o Centro entra em seu 10º ano de atividade
  • Centro ganha núcleo de arqueologia paulistana
  • Prossegue em novembro o 7º Festival Internacional de Órgão
  • Em documentos antigos, um painel da democracia
  • Pinacoteca abre exposição de Tide Hellmeister
  • Balé da Cidade encerra temporada de 2000 no Municipal

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Capa  

 

Ação cultural ajuda a recuperar região da Júlio Prestes

A região do Complexo Cultural Júlio Prestes ensaia transformar-se. Em julho, o secretário da Cultura, Marcos Mendonça, e o superintendente do Sebrae, Fernando Leça, assinaram um protocolo cujo piloto já está em experimentação no entorno da Sala São Paulo. A finalidade é fomentar ações empreendedoras no mercado cultural. O know how vem do Programa Empreendedor Cultural (PEC), desenvolvido pelo Sebrae e pela empresa Engenharia Cultural e iniciado no Rio de Janeiro há quatro anos. Hoje ele atua também em Salvador, São Luiz, Recife e João Pessoa.

Em São Paulo, a primeira atividade do PEC foi realizar um diagnóstico sobre as possibilidades de desenvolvimento, via mercado cultural, da Rua General Osório. "Com a colaboração inclusive da Associação Viva o Centro nos aproximamos de moradores, comerciantes e artistas que freqüentam a rua, em razão das quatro lojas de instrumento musicais ali instaladas", relata Áurea Bicalho, coordenadora técnica do PEC. Uma dessas lojas, a Contemporânea, promove rodas de choro e samba, todo sábado, entre 10h e 14h. Essa manifestação artística mudou a história do restaurante Première, em frente à loja, que beirava a falência e hoje é ponto de encontro de músicos e freqüentadores das rodas musicais. O local, que será rebatizado como Rua do Choro, poderá integrar o "corredor cultural" formado pelo Jardim e Estação da Luz, a Pinacoteca do Estado, o Museu de Arte Sacra, o Complexo Júlio Prestes e o antigo prédio do Dops, futura sede da Escola Superior de Música e Artes Cênicas. É importante registrar que o PEC também deu origem à Rede de Agentes Culturais (RAC), movimento espontâneo que aglutina agentes culturais que participam dos cursos e deverá seminários realizados pelo programa. Assim, o potencial do Centro no setor ser grandemente dinamizado a partir de agora.


São Paulo já pode utilizar o disque-denúncia

Em solenidade realizada no final de outubro, com a presença do governador Mário Covas, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública, em conjunto com o Instituto São Paulo Contra a Violência, do qual a Viva o Centro participa, implantou o serviço Disque-Denúncia. Pelo telefone 0800-156315, qualquer pessoa, a qualquer hora e com garantia de anonimato, poderá fornecer à polícia informações sobre delitos e atos de violência. São dez postos de atendimento com 36 operadores, gerenciados pela Atento, uma das maiores empresas de tele-atendimento do País. Toda denúncia recebida será submetida a uma equipe formada por policiais civis e militares que a encaminhará para apuração e as providências necessárias. O denunciante receberá uma senha que lhe permitirá obter informações sobre as investigações e as providências.
 

 

 

Editorial  

 

O que o Centro espera da prefeita

Na crista da maior onda de manifestação coletiva pela renovação e moralização da vida pública da história recente de São Paulo, a psicóloga e ex-deputada federal Marta Suplicy elegeu-se prefeita para o período 2001-2004. Sua campanha foi marcada, entre outras propostas, por um forte interesse e respeito pela área central de São Paulo. Com Geraldo Alckmin, Marta foi, dentre todos os candidatos, quem revelou maior sensibilidade e capacidade de percepção de certas questões que, a despeito de serem cruciais e imperativas, costumavam passar ao largo das sucessivas administrações e podem ser resumidas na expressão "fazer cidade", ou seja, imprimir qualidade urbana, estética, funcional e social tanto à periferia quanto à sacrificada área central, para que ambas, em harmonia com as demais regiões, componham uma cidade mais coerente, equilibrada e dinâmica.

Em sua visita à Associação Viva o Centro, no dia 22 de setembro, a então candidata discutiu por duas horas, com diretores e associados da entidade e dirigentes das Ações Locais, os problemas mais agudos da área central de São Paulo e comprometeu-se a implementar, em regime de prioridade e com a rapidez possível, nove dentre os dez pontos do documento "São Paulo Eleições 2000 – Carta aos Candidatos" (ver informe nº 161). Ainda que se declarando contrária à proposta de total remoção dos camelôs dos espaços públicos da região, prometeu discipliná-los ao máximo e discutir o assunto mais profundamente caso fosse eleita. Em suma, ela deixou bem claro, e de forma enfática, que se comprometia a desenvolver as propostas da Viva o Centro — resumidamente, implantar uma agência de desenvolvimento para a área central, criar condições para a vinda dos órgãos públicos dos três níveis de governo para o Centro, prestar todo apoio à transferência para cá do gabinete do governador, estimular o uso residencial da região, promover uma ação coordenada para atender à população carente, recuperar o Parque D. Pedro II e as praças e jardins centrais, incentivar a construção de novos edifícios na área e a modernização dos existentes, implantar o distrito teatral e de entretenimento, participar da construção da linha 4 do metrô, requalificar o pólo Luz/Santa Ifigênia e empreender a revisão dos calçadões, entre outras propostas. Quanto aos camelôs, por muitos avaliados como o mais poderoso entrave aos investimentos privados no Centro e ao seu pleno usufruto pela população, o informe considera alvissareiro que Marta, em sua visita à Associação, tenha tratado o assunto sem o habitual paternalismo e falsa tolerância, ou o fingido e interesseiro furor repressivo, que tanto marcam os discursos de campanha, e sim com uma cristalina convicção no poder das negociações e do diálogo entre os atores envolvidos.

Cansados de expectativas alimentadas em outras ocasiões, e em larga medida frustradas, o Centro e sua comunidade esperam que, tão logo assuma a Prefeitura, Marta implemente as medidas emergenciais e dê início aquelas de médio e longo prazo.

O que desta vez parece inegável é que, com a eleição de Marta Suplicy e de um número bem maior de vereadores sérios e progressistas, passam a existir reais condições objetivas e subjetivas para um extraordinário avanço do processo de recuperação da área central, iniciado há quase dez anos pela Associação Viva o Centro num clima de boas relações e mesmo de colaboração — um élan que se dissipou após as eleições de 1992 — com a gestão petista de Luiza Erundina. Reafirmando o que manifestou em 22 de setembro, a Associação coloca-se totalmente à disposição da prefeita eleita e de suas equipes técnicas para discutir o encaminhamento de questões da cidade e especialmente de seu Centro, podendo a nova gestão, neste último caso, contar também com as Ações Locais vinculadas à Viva o Centro, que hoje artifculam grande parte da comunidade da área. Por fim, a Associação felicita Marta Suplicy por sua vitória nas urnas, pela correção e confiabilidade com que conduziu a sua campanha e pela disposição de mobilizar as energias sociais para a grande tarefa que todos temos pela frente.
 

 

 


Entrevista  

 

CCBB pretende atrair mais gente e atividades ao Centro histórico e financeiro

O belíssimo edifício construído no início do século na esquina das ruas da Quitanda e Álvares Penteado, no qual se instalou, em 1927, a agência central paulistana do Banco do Brasil, será a sede do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. À semelhança do CCBB do Rio, será um poderoso indutor de animação e qualidade urbana para o seu entorno — aqui, um dos setores mais monumentais e, à noite, desertos do Centro histórico e financeiro. O informe ouviu a diretora do futuro pólo de cultura, Jussara Silveira.

informe - Como estão as obras?

Jussara Silveira - Na fase de restauração do edifício. A reciclagem física do espaço começou em fevereiro deste ano. Passamos pelas etapas de proteção das áreas a serem restauradas, reforço estrutural do prédio e edificação das áreas que definem a ocupação dos andares.

Qual o investimento total?

O custo total de restauração e adaptação do edifício é de R$7.500.000,00.

A inauguração será mesmo em março?

O processo de restauração é delicado e cuidadoso. Estamos trabalhando para inaugurar o Centro Cultural nos últimos dias de março.

Que formas de expressão estarão contempladas no CCBB paulista?

A programação será estruturada com base em propostas encaminhadas por produtores culturais, artistas, diretores, curadores, instituições culturais, professores, representações diplomáticas e entidades ligadas a artes cênicas e plásticas, audiovisual, idéias, música, patrimônio artístico e histórico e arte-educação.

Como os interessados devem proceder para encaminhar seus projetos culturais?

A inscrição de projetos será feita através de acesso a um site cultural, que o Banco do Brasil lançará em breve, e preenchimento de formulário próprio. Os projetos inscritos serão selecionados pela equipe que coordena as três unidades do Centro Cultural, em Brasília, Rio e São Paulo.

Que melhorias o Centro Cultural pode trazer ao Centro?

O Centro Cultural vai atrair pessoas para o Centro e ampliar o tempo de permanência das pessoas na região. E certamente outras atividades serão atraídas para as redondezas, movimentando e resgatando um cenário que foi freqüentado por personalidades modernistas como Mário e Oswald de Andrade e Anita Malfatti. É muito importante lembrar que há onze anos, quando foi criada a unidade do Rio de Janeiro, o entorno do Centro Cultural carioca era uma região degradada. Hoje, ela está revitalizada e é freqüentada por estudantes e pessoas que trabalham no Centro. Muitos desses frequentadores permanecem até alta madrugada em bares, restaurantes e outras atividades que se instalaram nos prédios vizinhos ao Centro Cultural.
 

 

  


Acontece  

 

Viva o Centro entra em seu 10º ano de atividade

Criada em outubro de 1991, a Associação Viva o Centro está iniciando seu décimo ano de intenso trabalho a favor da área central de São Paulo. Como parte das comemorações, a entidade vai intensificar o seu calendário de eventos e criar prêmios especiais para profissionais e instituições que mais se destaquem em atividades de interesse do Centro e de seu processo de requalificação. A data do décimo aniversário da Associação, em outubro de 2001, será marcada por uma grande comemoração.


Centro ganha núcleo de arqueologia paulistana

O início das atividades do Núcleo de Referência Arqueológica da Cidade de São Paulo, vinculado ao Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria Municipal da Cultura e instalado na Casa Número 1 (Rua Roberto Simonsen, 136B, fone 3105-2030, metrô Sé), histórica construção situada ao lado do Solar da Marquesa de Santos, é marcado pela exposição Cerâmica Paulista, com um acervo de artefatos utilitários, ligados ao cotidiano doméstico desde o século XVII, resgatados em pesquisas arqueológicas na cidade. Diariamente das 9h às 17h, entrada livre.


Prossegue em novembro o 7º Festival Internacional de Órgão

Hoje uma referência internacional em sua especialidade, o Festival Internacional São Bento de Órgão, em sua sétima edição, apresenta no dia 7 de novembro o organista brasileiro Marco Aurélio Lischt executando obras de Nicolas de Grigny, Bach, Olivier Messiaen, Louis Vierne e do brasileiro Alexandre Rachid. No dia 21 será a vez do alemão Martin Bernreuther, com obras de Bach, Pedro de Araújo, Amaral Vieira, Marcel Dupré, Widor, Cochereau, Saint-Saëns e Viernhe. O Festival Internacional é uma realização do Mosteiro de São Bento e da Associação Viva o Centro, com patrocínio do BankBoston e apoio de diversas empresas e instituições. Às 20h30, com entrada grátis. Manobristas à porta (entrada pela Rua Boa Vista). O local têm acesso para deficientes.


Em documentos antigos, um painel da democracia

A história do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo é contada em exposição de documentos, fotos e objetos relativos às eleições neste século no Estado, no Salão dos Passos Perdidos do Palácio da Justiça (Praça Clovis Bevilacqua, 2º andar, fone 3105-7533, metro Sé).A mostra dá uma idéia bastante precisa da evolução das práticas eleitorais em São Paulo e do amadurecimento da democracia. A entrada é franca. A realização é dos museus do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do TRE/SP.


Pinacoteca abre exposição de Tide Hellmeister

Artista gráfico de prestígio internacional, o brasileiro Tide Hellmeister expõe sua produção recente de trabalhos gráficos, pinturas, objetos e colagens na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2, fone 229-9811, metrô Luz, saída Jardim da Luz). A mostra Colagens, Uma Aventura Tipográfica pode ser vista de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, com entrada grátis.


Balé da Cidade encerra temporada de 2000 no Municipal

A temporada 2000 do Balé da Cidade será oficialmente encerrada com apresentações de trechos dos espetáculos In Pulso, de Henrique Rodovalho, Trindade, de Luiz Arrieta, Shogun, de Ivonice Satie e Paixão, de Deborah Colker, nos dias 25 a 18 de novembro às 21h e 19, às 14h e 19h, no Teatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, fone 222-8698, metrô Anhangabaú - saída Xavier de Toledo). Como acontece em todas as temporadas, o Balé e a cenografia do Municipal encantarão as platéias. Não perca. Preços populares.