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Procura-se o autor desta pintura
Por Ana Maria Ciccacio
Ela está quase apagada, sofreu muito com as enchentes que
invadiam o saguão do bloco residencial do Edifício Brasilar, no Anhangabaú, até anos atrás. Tem
valor artístico, como acredita o curador de arte Fábio Magalhães, ex-presidente
da Pinacoteca, do Masp e do Memorial da América Latina, mas para salvá-la é
preciso saber, primeiro, o nome de seu autor. Quem souber ou tiver pistas para
se chegar a ele, clique aqui
para informar.
O Edifício Brasilar, com frentes para a Rua Quirino de
Andrade, Largo da Memória e Avenida 9 de Julho, foi edificado pela Construtora
Capua & Capua nos anos 1940 para o Banco Hipotecário Lar Brasileiro,
recebendo alvará de funcionamento em 1949. Sua arquitetura moderna, com algum
toque art déco, incorporou os avanços tecnológicos disponíveis na época. O
prédio tem 24 andares, é formado por dois blocos ligados parede e meia, mas
independentes entre si – um destinado a apartamentos (Bloco Residencial, nº 70
da Avenida 9 de Julho, onde está a pintura) e outro a escritórios (Bloco Comercial, nº 40, da mesma
avenida).
Durante anos, quando o Anhangabaú alagava por ocasião
dos temporais de verão, o saguão do Brasilar inundava, chegando as
águas quase à altura da metade do afresco. A destruição pelas águas foi
estancada. As bombas de sucção d’água instaladas no túnel do Anhangabaú passam
por vistorias freqüentes e, acionadas, têm funcionado bem. Apesar disso,
camadas do reboco que dão suporte à pintura começaram a se desprender da parede,
levando com elas partes da composição. Do jeito que está, a pintura não
resistirá por muitos anos mais depois dos tantos em que já foi agredida.
“Precisamos restaurar essa pintura”, afirma o artista
plástico Pedro de Kastro, que cerrou fileiras com dona Edeildes Soares, síndica
do Edifício Brasilar e membro da Diretoria da Ação Local Ladeira da Memória, um
dos núcleos do Programa Ações Locais da Associação
Viva o Centro, em cuja área de atuação fica esse prédio, com o intuito de
recuperá-la. “Tenho a intuição de que ela tem valor cultural para o Centro
de São Paulo. Posso perceber isso no que ainda resta.”
A composição, com tratamento cubista, retrata um casal bem
vestido à esquerda, figuras do povo ao centro e, à direita, um homem de fraque
e cartola em primeiro plano, tendo ao lado um acompanhante que pode ser um
funcionário seu ou um funcionário público. Ao fundo vê-se o Obelisco do Piques,
o monumento mais antigo da cidade, localizado no Largo da Memória, e, em último
plano, provavelmente a Várzea do Carmo com as edificações do Pátio do Colégio
um pouco à frente, no alto. As feições das figuras ao centro são as mais
marcantes e de melhor fatura pictórica, apesar de tão danificadas quanto às
demais.
Dupla pró-ativa
Kastro, morador do Brasilar, com trabalhos reproduzidos em
grandes veículos de comunicação e também na revista urbs, da Viva o Centro, além de uma elogiada exposição no espaço
mantido pelo Instituto Moreira Salles no Shopping Frei Caneca, no ano passado,
está empenhado em salvar a obra. “A assinatura do artista desapareceu junto com
a pintura que existia na base da composição, mas se alguém tiver fotos ou
desenhos dela, ou um catálogo onde ela foi reproduzida, especialistas em
restauro terão como reconstituí-la”, confia.
Dona Edeildes, por sua vez, sonha ver a pintura recuperada
e, na seqüência, quem sabe o Brasilar tombado pelo patrimônio histórico. “As
duas coisas poderiam levar o edifício a um restauro geral, o que lhe devolveria
a majestade.” De sua parte, ela já esteve tanto no Condephaat quanto no Conpresp, em
busca de informações sobre a pintura, mas sem êxito. “Parece que ninguém sabe
me dizer quem fez esse trabalho.” Numa pasta, ela guarda fotos com a composição
desbotada e ofícios, muitos ofícios, embora nada consistente que a ajude a
identificar a pintura. “Ainda não desisti porque tenho esperanças”, diz.
Influência cubista
Foi graças à insistência de Edeildes e Kastro que o
especialista em artes plásticas, Fábio Magalhães, atendeu a convite da Viva o
Centro para vir ao Anhangabaú e visitar o saguão do Brasilar numa ensolarada
manhã do outono passado. Os dois queriam saber se valeria à pena continuar
lutando para encontrar o autor da pintura e recuperar o trabalho.
Magalhães não soube dizer de quem possa ser o afresco, mas
percebeu nele influências do cubismo, acha que é uma obra interessante, com
referências a alguns ícones do Centro Histórico, e ficou de consultar
outros especialistas. Quem sabe alguém possa dar pistas sobre sua autoria e
valor artístico. Segundo Magalhães, de imediato seria necessária uma
intervenção para “estancar o processo de deterioro em que se encontra a obra”,
pois quanto mais tempo ela ficar sem tratamento, mais difícil será recuperá-la.
O problema é que os moradores do edifício não têm como arcar com as despesas.
“Precisamos que alguma empresa se interesse em patrocinar o restauro”, diz dona
Edeildes. O Brasilar é habitado por famílias de classe média baixa.
Se alguém souber de quem é a obra, quando foi feita e se
existe alguma foto ainda nítida da pintura que possa orientar o restauro, e, quem
sabe, até conter a assinatura do autor, pode entrar em contato com a Viva o
Centro clicando aqui. Toda e qualquer informação que possa ajudar a reavê-la
terá utilidade.
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