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“Bicho geográfico” ataca o Centro
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Rua XV de Novembro: valas precariamente cobertas com areia, podendo causar acidentes
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De 60 dias para cá, o piso de importantes logradouros como
o Anhangabaú, Praça do Patriarca, Ladeira Porto Geral e ruas Três de Dezembro e
XV de Novembro, entre outros, exibe uma cicatriz contínua, parecendo atacado
pelo popular “bicho geográfico”, que entra por baixo da pele, cava túneis labirínticos
e deixa marcado o lugar por onde passa. Tampas de caixas de passagem no caminho
das cicatrizes indicam que a responsável pela quebradeira é a GVT/Oi, operadora
de telefonia instalando fibras óticas. Não se vê inteiro mais nenhum dos
calçamentos recentemente refeitos no Centro de São Paulo, protesta a Associação Viva o Centro, e o risco de
acidentes é alto.
Técnicos da Subprefeitura da Sé informaram que a
operadora obteve autorização para instalar cinco quilômetros de vias para
embutir fibras óticas, com previsão de término das obras em 12/12 próximo. Além
dos locais já citados, também integram o circuito do novo cabeamento ótico
trechos do Largo São Bento, das ruas João Brícola, Anchieta, Boa Vista, XV de
Novembro, Líbero Badaró e Quitanda, Praça do Patriarca, Vale do Anhangabaú, Rua
Formosa, Praça Ramos de Azevedo, Avenida São João e Rua 7 de Abril.
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Obras comprometem a beleza da Rua Três de Dezembro
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Na sexta-feira passada (24/11), a equipe de obras da
SubSé fez vistoria em alguns dos logradouros nos quais a GVT/Oi vem trabalhando
e verificou várias irregularidades. A empresa não vinha cumprindo recomendações
elementares em matéria de obras públicas, como identificar e sinalizar a obra,
bem como providenciar dispositivos para assegurar que nenhum acidente ocorra
com pedestres. Vários pontos das obras não haviam sido cimentados provisoriamente,
mas apenas cobertos com areia, que à primeira chuva escorreu. Diante do quadro
de desrespeito total à coletividade do Centro, a SubSé intimou a empresa a
identificar a obra e a proteger o calçamento com placas metálicas ou a cimentar
as valas para evitar acidentes.
Multas
Com a chegada da nova semana o que se viu foi a
continuidade dos problemas. Na segunda-feira (27/11), a fiscalização voltou às
ruas vistoriadas e, depois de constatar que nenhuma das determinações havia
sido cumprida, decidiu multar a operadora. E no dia seguinte, voltou a fazê-lo,
totalizando a aplicação de seis multas até agora na empresa, algo em torno de R$ 20 mil.
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Rua XV de Novembro, vista do alto: o “bicho geográfico” esteve em ação do lado direito
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Além de acompanhar o processo, as equipes de
zeladoria urbana e de fiscalização da Subprefeitura também farão a checagem
final das obras e, como garantem os técnicos, se o trabalho não estiver a
contento, terá de ser refeito. Pelo estabelecido na autorização concedida pela municipalidade
para os trabalhos, o piso deve ser entregue como foi encontrado. Nesta
quarta-feira o que já se via no Centro, numa disposição de interesse da empresa
em resolver o problema, era a sinalização da obra com fitas amarelas e pretas,
até então inexistente.
A Viva o Centro
sempre defendeu o bom estado do passeio público e do leito carroçável de ruas e
avenidas como um cartão de visitas do Centro, mas o que se vê hoje é a total
desarticulação entre as concessionárias e suas inúmeras subcontratadas e a
Prefeitura com seus diversos organismos responsáveis por autorizar, controlar,
fiscalizar e até bloquear, se for o caso, esses serviços. E essa integração,
num espaço tão freqüentado, especialmente por pedestres, como é o caso do
Centro, precisa ser total.
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