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São Paulo ganha no Memorial da América Latina
mais uma obra de arte pública de Maria Bonomi
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Divulgação
“Etnias do Primeiro e Sempre Brasil”, de Maria Bonomi |
A mais nova criação
da artista plástica Maria Bonomi, o painel “Etnias do Primeiro e Sempre
Brasil”, tributo à cultura indígena por sua contribuição à formação do povo
brasileiro, será inaugurada nesta quinta-feira (24/1), às 19h, no Memorial da
América Latina, como parte das comemorações do 454º aniversário de São Paulo. O
painel fica na entrada principal do Memorial, na passagem de nível de 50 metros que liga o
metrô a esse conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer.
A inauguração de “Etnias”
vem na seqüência de outra tão importante quanto, também assinada por Bonomi: a
do painel de 3m de altura por 73m de comprimento, em 2005, que retrata a
Epopéia Paulista na Estação da Luz. Trata-se de mais uma das obras de arte
pública de grande porte concebida pela artista para um local de intensa
circulação de pessoas e considerando a importância de seus olhares.
Estarão presentes, além de Maria Bonomi e dos índios que
participaram diretamente do projeto, o presidente do Memorial, Fernando Leça,
representantes dos patrocinadores da obra – Banco Itaú e Liquigás – políticos e
convidados. Segundo Niemeyer, que deu todo apoio à realização do painel, nos
últimos dois anos, é relevante e indispensável para a preservação da identidade
do Memorial da América Latina privilegiar a presença dos povos indígenas,
espalhados em todo o continente latino-americano, lembrada por Darcy Ribeiro no
programa de fundação desse centro cultural.
Ao todo são dois módulos
que totalizam 50 metros
de comprimento divididos em três fases sendo, toneladas de cerâmica – que
retratam as florestas e a pré-história -, bronze – época das conquistas,
bandeirantes e navegantes e alumínio – para contar o mundo contemporâneo. Os
materiais caracterizam a história das etnias como presença e embate na evolução
do Brasil.
Construção a muitas mãos
Participaram do projeto cerca de 20 índios das
etnias guarani e maraguá, que desenvolveram peças importantes do projeto, como
a Situação das Aldeias Hoje (alumínio), Índios Aprisionados
(bronze), Índios antes do Descobrimento (cerâmica). Além disso, foram
grande fonte de inspiração para a equipe de artistas plásticos do Atelier Maria
Bonomi. “Foi emocionante observá-los reproduzindo um pouco da história do
Brasil e de suas vidas durante o desenvolvimento das peças. Considero esse
registro algo histórico para o País”, comenta Bonomi.
Para marcar o trajeto final da
instalação, Bonomi criou uma peça de alumínio que retrata o quanto os índios
colaboraram na construção da capital do Brasil. Brasília Construída pelos
Índios mostra um pouco da visão da própria artista que esteve presente na
cidade, em 1960.
A passagem subterrânea, que foi
ambientada com espelhos e iluminação cenográfica, transformou-se em um espaço
interativo, onde o público pode conhecer a cultura do País simplesmente
caminhando ao longo dela. A obra funcionará como uma série de fotogramas
gigantes e penetráveis, oferecendo um espetáculo em alto e baixo-relevo,
chegando até a uma visão contemporânea do tema. As escadarias do local também
receberam uma gravação com os nomes das etnias, segundo Darcy Ribeiro, e o
título das placas em seqüência na instalação.
O painel tem também o objetivo de
levar aos deficientes visuais um pouco dessa cultura. Eles poderão tocar as
placas e viajar pelo tempo com as peças que contam, por exemplo, a chegada dos
portugueses ao Brasil, os rituais sagrados e o canibalismo.
Aprovada pelo Ministério da
Cultura e orçada em R$ 1.731.820,00, Etnias teve como patrocinadores o
Banco Itaú e a Liquigás. As empresas ganharam uma réplica fac-similar de
alumínio, datada, numerada e assinada por Maria Bonomi.
Aproximadamente 60 pessoas trabalharam no
projeto, entre as quais: Maria Bonomi, também curadora, e seu assistente e
artista Carlos Pedreañez; os artistas Leonardo Ceolin, Cláudia Braga, Lourdes
Sakotami, Vinícius Fragata, Talita Zaragoza e Tiago Mori; na coordenação geral,
Maria Helena Peres Oliveira; no projeto Arte Educação, Regina Barros e
Alberto da Silva; na consultoria antropológica, Cláudia Andujar e Cildo Oliveira;
na arquitetura e montagem, Rodrigo Velasco e o ceramista Antônio Nóbrega. Além
de colaboradores, estudantes, estagiários, especialistas em altos-fornos e
fundidores de peças de arte.
A Fundação Memorial da América
Latina e a Associação Viva o Centro
são parceiras no processo de requalificação da área central de São Paulo.
Serviço
Avenida Auro Soares de Moura
Andrade, 664, Barra Funda
Entrada Portão 1 /
Estacionamento Portão 6
24/1, às 19h
Metrô Barra Funda
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