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23/01/08

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São Paulo ganha no Memorial da América Latina mais uma obra de arte pública de Maria Bonomi

 

Divulgação

“Etnias do Primeiro e Sempre Brasil”, de Maria Bonomi

A mais nova criação da artista plástica Maria Bonomi, o painel “Etnias do Primeiro e Sempre Brasil”, tributo à cultura indígena por sua contribuição à formação do povo brasileiro, será inaugurada nesta quinta-feira (24/1), às 19h, no Memorial da América Latina, como parte das comemorações do 454º aniversário de São Paulo. O painel fica na entrada principal do Memorial, na passagem de nível de 50 metros que liga o metrô a esse conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer.

 

A inauguração de “Etnias” vem na seqüência de outra tão importante quanto, também assinada por Bonomi: a do painel de 3m de altura por 73m de comprimento, em 2005, que retrata a Epopéia Paulista na Estação da Luz. Trata-se de mais uma das obras de arte pública de grande porte concebida pela artista para um local de intensa circulação de pessoas e considerando a importância de seus olhares.   

 

Estarão presentes, além de Maria Bonomi e dos índios que participaram diretamente do projeto, o presidente do Memorial, Fernando Leça, representantes dos patrocinadores da obra – Banco Itaú e Liquigás – políticos e convidados. Segundo Niemeyer, que deu todo apoio à realização do painel, nos últimos dois anos, é relevante e indispensável para a preservação da identidade do Memorial da América Latina privilegiar a presença dos povos indígenas, espalhados em todo o continente latino-americano, lembrada por Darcy Ribeiro no programa de fundação desse centro cultural.

 

Ao todo são dois módulos que totalizam 50 metros de comprimento divididos em três fases sendo, toneladas de cerâmica – que retratam as florestas e a pré-história -, bronze – época das conquistas, bandeirantes e navegantes e alumínio – para contar o mundo contemporâneo. Os materiais caracterizam a história das etnias como presença e embate na evolução do Brasil.

 

Construção a muitas mãos

 

Participaram do projeto cerca de 20 índios das etnias guarani e maraguá, que desenvolveram peças importantes do projeto, como a Situação das Aldeias Hoje (alumínio), Índios Aprisionados (bronze), Índios antes do Descobrimento (cerâmica). Além disso, foram grande fonte de inspiração para a equipe de artistas plásticos do Atelier Maria Bonomi. “Foi emocionante observá-los reproduzindo um pouco da história do Brasil e de suas vidas durante o desenvolvimento das peças. Considero esse registro algo histórico para o País”, comenta Bonomi.

 

Para marcar o trajeto final da instalação, Bonomi criou uma peça de alumínio que retrata o quanto os índios colaboraram na construção da capital do Brasil. Brasília Construída pelos Índios mostra um pouco da visão da própria artista que esteve presente na cidade, em 1960.

 

A passagem subterrânea, que foi ambientada com espelhos e iluminação cenográfica, transformou-se em um espaço interativo, onde o público pode conhecer a cultura do País simplesmente caminhando ao longo dela. A obra funcionará como uma série de fotogramas gigantes e penetráveis, oferecendo um espetáculo em alto e baixo-relevo, chegando até a uma visão contemporânea do tema. As escadarias do local também receberam uma gravação com os nomes das etnias, segundo Darcy Ribeiro, e o título das placas em seqüência na instalação.

 

O painel tem também o objetivo de levar aos deficientes visuais um pouco dessa cultura. Eles poderão tocar as placas e viajar pelo tempo com as peças que contam, por exemplo, a chegada dos portugueses ao Brasil, os rituais sagrados e o canibalismo.

 

Aprovada pelo Ministério da Cultura e orçada em R$ 1.731.820,00, Etnias teve como patrocinadores o Banco Itaú e a Liquigás. As empresas ganharam uma réplica fac-similar de alumínio, datada, numerada e assinada por Maria Bonomi.

 

Aproximadamente 60 pessoas trabalharam no projeto, entre as quais: Maria Bonomi, também curadora, e seu assistente e artista Carlos Pedreañez; os artistas Leonardo Ceolin, Cláudia Braga, Lourdes Sakotami, Vinícius Fragata, Talita Zaragoza e Tiago Mori; na coordenação geral, Maria Helena Peres Oliveira; no projeto Arte Educação, Regina Barros e Alberto da Silva; na consultoria antropológica, Cláudia Andujar e Cildo Oliveira; na arquitetura e montagem, Rodrigo Velasco e o ceramista Antônio Nóbrega. Além de colaboradores, estudantes, estagiários, especialistas em altos-fornos e fundidores de peças de arte.

 

A Fundação Memorial da América Latina e a Associação Viva o Centro são parceiras no processo de requalificação da área central de São Paulo.

 

Serviço

Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda

Entrada Portão 1 / Estacionamento Portão 6

24/1, às 19h

Metrô Barra Funda

 

 
 
   
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