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Expresso Tiradentes
discutido na Viva o Centro
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Fabio
Mattos

Platéia atenta à exposição
do diretor de Projetos Especiais da SPTrans, José Expedicto Prata,
no Auditório da Viva o Centro
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O Expresso
Tiradentes, ex-Fura Fila e ex-Paulistão, que ligará o Centro ao Extremo Leste
de São Paulo e entrará em testes no começo de outubro, foi passado a limpo na quinta-feira
(21/9) para um auditório lotado na Associação
Viva o Centro. Com introdução do presidente da SPTrans, Ulrich Hoffmann, e
apresentação de seu diretor de Projetos Especiais, arquiteto José Expedicto Prata,
os presentes ficaram conhecendo detalhes sobre esse corredor de transporte
coletivo iniciado há 10 anos, cujo investimento deverá ultrapassar R$ 1 bilhão
até sua conclusão em 2009.
O
superintendente da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de
Almeida, abriu o evento agradecendo a presença dos dirigentes
da SPTrans e sua disponibilidade de esmiuçar o projeto incluindo as mudanças
pelas quais passou para a coletividade do Centro, profissionais e empresas do
setor de transporte coletivo e jornalistas. Hoffmann, em nome da SPTrans,
disse estar feliz pela oportunidade de prestar contas à população em uma
entidade com história e comprovada responsabilidade social como a Viva o Centro.
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SPTrans

Vista aérea do Expresso Tiradentes do Parque D.
Pedro II em
direção ao Ipiranga
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Segundo
o presidente da SPTrans, o nome Expresso Tiradentes se justifica pela idéia de
que ele seja um transporte expresso no sentido pleno termo. “A gente espera que
o tempo de viagem entre o Parque D. Pedro e Cidade Tiradentes (32 km) se reduza em mais da metade do tempo.” A expectativa é
de que o novo sistema de transporte, quando concluído, beneficie 1,5 milhão de
paulistanos.
Histórico
Na
primeira parte de sua exposição, o diretor de Projetos Especiais da SPTrans
lembrou que o Expresso Tiradentes surgiu em estudos realizados ainda em 1995 e
desde então já iria do Centro a Cidade de Tiradentes. O que não se imaginava é
que a obra, relançada como marketing da campanha eleitoral à Prefeitura em 1996
fosse se tornar tão polêmica, sendo, depois de iniciada, interrompida por duas
vezes: em 2001 e 2004.
Na
última retomada das obras, no ano passado, Prata diz que a SPTrans encontrou o
seguinte quadro: “Obras iniciadas e inacabadas, obras civis contratadas e não
iniciadas, projetos contratados e não concluídos, elevadores e escadas rolantes
comprados e estocados, pendências jurídicas e administrativas, um passivo
ambiental com problemas em calçadas obstruídas por pilares e 5 km de canaletas servindo de
depósito de lixo, além de outros problemas.”
Diante
do quadro acima e da parcela de projeto já executada, mais o fato de o corredor
ter consumido R$ 450 milhões até 2004 em valores históricos (ou R$ 600 milhões
corrigidos), a atual gestão municipal decidiu concluir as obras. Assim, em 2005
foram investidos mais R$ 9 milhões. E de 2006 a 2009 a expectativa, segundo Prata, é de outros
R$ 710 milhões para terminá-las, ou seja, mais de R$ 1 bi quando todo o
corredor estiver pronto. No bolo a participação se distribui desta forma: 21%
para o projeto piloto de infra-estrutura, vindos do Ministério da Cidade, a
fundo perdido, 27% do BNDES e 52% da Prefeitura.
Características
O
Expresso Tiradentes terá 32 km
de extensão do Parque D. Pedro a Cidade Tiradentes. Desses, 9 km são de via exclusiva,
sendo 8 km
do Parque D. Pedro até o Sacomã, e 1
km do Ipiranga a Dianópolis. Na seqüência, serão
implantados 23 km
de corredor à esquerda, ou seja, de via segregada com ultrapassagem, para não
repetir os problemas do corredor da Avenida Rebouças, segundo Prata. Desses 23 km, 14 km irão de Dianópolis até
São Mateus e 9 km,
de São Mateus a Cidade Tiradentes.
Essas
características acham-se ilustradas nos mapas (clique na foto ao lado para
vê-los). O corredor todo contará com seis
terminais, quatro já existentes: D. Pedro II, Vila Prudente, Cidade Tiradentes
e São Mateus; e dois novos, Sacomã e Cohab Teotônio. 18 estações de
transferência e 29 paradas.
A
SPTrans, segundo seu diretor de Projetos Especiais, está empenhada em que o
novo corredor se torne atraente a ponto de o usuário de transporte individual
ter vontade de deixar o automóvel em casa, mas admitiu que as intervenções para
a conclusão do projeto terão de ter custos moderados. Não entrou no mérito da
perda de qualidade.
Prata
afirmou que o grande impacto ambiental causado pela obra deverá ser minimizado
pela requalificação de seu entorno, incluindo até mesmo projetos de paisagismo,
com plantio de vegetação em canaletas. Isto, segundo ele, poderá estimular
proprietários de terrenos lindeiros ao corredor a investir para melhorá-los. Em
alguns trechos ao longo do corredor estão previstas ciclovias e, junto aos
terminais, alguns bicicletários
A SP
Trans também apresentou sugestões de como melhor integrar o tecido urbano ao
corredor do Expresso Tiradentes, tendo em vista as proposições da Operação
Urbana Diagonal Sul e conforme projeto do escritório Una Arquitetos. Como
exemplo, no Parque D. Pedro o Viaduto Diário Popular poderia ser demolido e todo
o espaço livre poderia ser reajardinado, enquanto o destino do Palácio das
Indústrias seria o de um parque lúdico-científico para a infância e juventude, algo
próximo do Estação Ciência.
Lições
Entre
as intervenções da platéia, ao final da exposição, o engenheiro Plínio Asmann,
ex-secretário de Estado dos Transportes, depois de elogiar o esforço da equipe
de Hoffmann, disse que São Paulo tem que extrair algumas lições de um projeto
como esse, do contrário tudo terá sido inútil. Entre elas, a de que não é
razoável que uma cidade como São Paulo comece um projeto de porte sem uma
configuração financeira prévia e o acompanhamento de um projeto alternativo,
cuja análise deveria ser feita por uma consultoria de experts independente. “Nos
EUA, o Governo Federal não dá auxílio a nenhum projeto municipal ou estadual
que não apresente uma idéia alternativa.”
Para o
superintendente da Associação Viva o
Centro, Marco
Antonio Ramos de Almeida, a cidade de São Paulo não pode mais
tolerar projetos que não sejam bem detalhados, que não tenham dotação
determinada e aprovação prévia da sociedade ou de uma comissão que a
represente. “Voltando à questão do tempo em Santo Agostinho, como o Prata
lembrou, precisamos ter no presente o histórico do passado e um plano para o
futuro, e tudo isso com muita responsabilidade.”
A Associação Viva o Centro tem
acompanhado esse projeto desde meados dos anos 1990, promovendo em 2001 um
debate com especialistas em transportes e representantes do Poder Público, quando
foram abordados os prós e contras do projeto e a conveniência ou não de
continuar a implantá-lo. Questões importantes à época eram a reduzida
capacidade do sistema, a pequena extensão da linha, o aspecto desastroso
da intervenção ao seccionar o tecido urbano com canaletas e vias segregadas,
dividindo e isolando as regiões que atravessaria. A transcrição
desse debate, na íntegra, está no site:
http://www.vivaocentro.org.br/publicacoes/urbs/urbs21.htm.
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