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São Paulo cresceu... Agora nosso dever é cuidar da
cidade
Por
Wellington Alves
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Rafael de Carvalho
Professora Madalena Pedroso fala sobre a transformação de São Paulo em metrópole |
A frase acima, dita pela professora Madalena
Pedroso, foi o mote da palestra que proferiu, na terça-feira, na Associação
Viva o Centro sobre o “Município de São Paulo, sua Geografia e História”.
Sem futuro no século XVI pela falta de minérios e solo fértil, a Vila de
Piratininga se transformou na grande metrópole de hoje. O evento abriu o ciclo
de Palestras Viva o Centro em parceria com a Universidade Anhembi
Morumbi, com o objetivo de colaborar com a formação de interessados no processo
de requalificação do Centro
Madalena relatou o crescimento de São Paulo
sob as diversas perspectivas que este abrange. “A grande vantagem aqui foi a
pobreza do solo que, desvalorizado, favoreceu a expansão urbana pelo crescimento
das habitações e do interesse de empresas”, disse a professora, que lembra: “Os
rios nascem na capital paulista e se encaminham para o interior, então este
centro hidrográfico natural foi vantajoso, pois as ferrovias surgiram nos
espigões entre os rios.”
A professora afirma que o triângulo histórico
inicial, entre as ruas Direita, São Bento e XV de Novembro, teve grande
relevância para São Paulo, assim como o Parque Dom Pedro, que estava localizado
em uma região de várzea, porém fértil. As indústrias começam a surgir com
destaque na capital no período entre as duas guerras mundiais do século XX,
ficando em bairros próximos dos rios Tamandatueí e Pinheiros. Já bairros como
Consolação, Santa Cecília e Vila Mariana despontam como residenciais.
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Rafael de Carvalho
Para Madalena, devemos amar a cidade em que vivemos e nos sentirmos responsáveis por ela |
Raio
X
Analisar como a cidade se expandiu e o que
isso significa só é possível fazendo uma comparação entre o passado e o
presente. Madalena fez isso e mostrou que realmente a metrópole mudou muito. Com
uma área de 1.509 km2, o
município tinha a indústria como atividade
principal nas décadas de 1960 e 1970, hoje substituída pelo setor de serviços.
Os primeiros registros da população
paulistana são de agosto de 1872, em que São
Paulo contava com 31.385 pessoas. Um século e pouco depois,
em setembro de 1980, a
metrópole abrigava 8.493.226 habitantes, ou seja, 270 vezes mais. Em agosto de
2000, ano do último censo, São Paulo tinha 10.405.867 pessoas.
Madalena lembrou que em 1991 houve uma nova
divisão espacial da cidade, que foi dividida em 96 distritos, baseada em seus
eixos naturais, marcos históricos, avenidas e densidade populacional. “Devemos
destacar o solo da cidade que é estável e pouco permeável para agüentar todo o
volume que está sobre ele”.
São Paulo é conhecida como terra da garoa e
uma cidade em que as quatro estações do ano podem ocorrer num mesmo dia.
Madalena concorda com essa definição. Na capital paulista o clima é tropical
úmido de planalto, conhecido pelas fortes variações de tempo. Estando cerca de 800 metros acima do
nível do mar, a temperatura média do município fica entre 17ºC e 18ºC.
Nossa
contribuição
A relação relevo e solo interfere no clima,
mas, segundo a professora, deve se levar em conta as ações humanas no espaço
urbano. “A ilha de calor (concentração de calor em uma única região) faz com
que na Praça do Correio a temperatura esteja 10ºC acima do que na Serra da
Cantareira, e no mesmo horário.” Ela disse que isso acontece pela falta de
árvores no Centro, além do excesso de concreto na região, tanto no chão como
nos prédios, o que acaba não absorvendo o calor. “Toda interferência na
natureza gera impacto.”
Madalena conclui que: “A cidade é uma grande
mãe. Devemos amá-la e nos sentirmos responsáveis por ela e para isso é
necessário um senso de comunidade. A Associação Viva o Centro é um exemplo
de atuação, pois o Centro melhorou muito. Ainda falta um incentivo maior à
habitação nessa região, mas vale destacar que a atuação de cada pessoa é
importante nesse processo de requalificação do Centro”.
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