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Árvores de Natal de recicláveis chamam atenção no Centro
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Rafael de Carvalho
Uma das árvores de Natal de Eduardo Srur, na esquina da Avenida São João com Rua Líbero Badaró |
Por Ana Maria Ciccacio
Na mesma semana do encontro da ONU em Bali, que reuniu 200 nações para discutir maneiras de combater o aquecimento global, o Centro e outros pontos de São Paulo apareceram pontuados por árvores de Natal de recicláveis. A idéia é do artista plástico Eduardo Srur, em mais uma de suas inquietantes intervenções urbanas. As 32 árvores, feitas de embalagens plásticas, latas de alumínio, restos de pneus e madeira, resultam de dobradinha com o Recifran e a Coopamari, entidades de catadores de recicláveis, com patrocínio da CEF.
No Centro as árvores podem ser vistas na frente da Prefeitura, no Viaduto do Chá, no Pátio do Colégio, na Praça da Sé, Bulevar São Bento, na esquina da Avenida São João com a Rua Líbero Badaró, defronte ao Shopping Light e no Largo do Paissandú.
Srur, 33 anos, formado em artes plásticas pela Faap, vem agitando São Paulo nos últimos anos com trabalhos que não passam despercebidos pela mídia e a população em geral. Recentemente, na grande mostra Sesc das Artes, ele assinou a intervenção “Bicicletas”, com alguns desses veículos coloridos cruzando o espaço aéreo da cidade, suspensos por cabos de aço ligando os prédios do Sesc Paulista e do Instituto Itaú Cultural.
Também são dele os 100 caiaques tripulados por 150 vistosos manequins, lançados nas poluídas águas do Rio Pinheiros em 2006, e, ainda, a provocante âncora atrelada ao Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, em 2004. “Essas intervenções contêm tanto uma mensagem visual como lúdica e reflexiva”, diz Srur, rechaçando o rótulo de “artista da ecologia”.
“Sou artista plástico”, brande sem hesitar. Quer dizer que se apropria das manifestações que enxerga na sociedade, faz delas uma releitura e as devolve com novos significados. “Com as árvores, por exemplo, propondo um projeto com uma identidade muito próxima do nosso cotidiano. Utilizo o lixo e o devolvo de forma trabalhada, estou provocando uma reflexão sobre o que estamos jogando fora ou que utilidade devemos dar ao
lixo.
É
uma
escultura
sustentável.”
Em 17 das 32 árvores o artista instalou uma placa de energia solar. A placa carrega uma bateria que alimenta as microlâmpadas (leds) usadas na decoração de cada árvore, acendendo-as
quando a noite cai. “É a primeira vez que faço uma intervenção em tantos pontos diferentes da cidade”, revela o artista. “Foram 10 meses de pesquisa e muitas idas e vindas a órgãos públicos para obter autorização para a instalação das árvores, mas afinal consegui”, festeja.
Como detalhe, no topo de cada árvore o símbolo internacional da reciclagem,
com
as
três
flechas
em
circuito,
significando
a
transformação
de
objetos
materiais
usados
em
novos
produtos
para
o
consumo,
substitui
a
tradicional
Estrela
de
Natal.
Srur, com projetos que não escondem uma grande preocupação com o futuro do planeta e das espécies que ele abriga, vai assim dando sua contribuição também
para
o social, na medida em que se aliou, no caso específico das árvores de Natal, aos catadores de recicláveis.
Para
quem
quiser
saber
mais
sobre
o
trabalho
artístico
de
Srur
é
só
acessar
o
seu
site:
www.eduardosrur.com.br.
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