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Anhangabaú tem que ser preservado

 

Anhangabaú, após um grande evento de massa

A Associação Viva o Centro enviou no começo desta semana ao prefeito José Serra e outras autoridades municipais carta de alerta para que o Vale do Anhangabaú não se torne palco de vandalismos como o praticado na Avenida Paulista na semana passada. O Vale do Anhangabaú teria sido apontado pelo subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, e pelo presidente da São Paulo Turismo, Caio Luiz de Carvalho, como alternativa em declarações à imprensa.

 

A carta de alerta ao poder público começa remetendo à história recente do Centro de São Paulo. “Demorou muito para que o Anhangabaú adquirisse a atual configuração de cartão-postal”, diz o documento.

 

Nos anos 80, quando o Vale abrigou o famoso comício das Diretas Já, sua configuração ainda não era a de um parque urbano, como atualmente, mas sim a de uma avenida larga, com fluxo intenso de veículos ligando Norte e Sul. No começo dos anos 90, o Vale passou por ampla reforma e recebeu um novo paisagismo, enquanto o tráfego pesado de passagem foi todo direcionado para o túnel. No entanto, suas árvores e jardins não tinham chance de se desenvolver plenamente, porque o espaço continuou cedido com freqüência a grandes shows de massa, após os quais o logradouro ficava com o aspecto de terra arrasada. “Foram anos de luta para mudar esse quadro”, afirma o documento.

 

Razões

 

A carta mostra que a beleza atual do logradouro, sua conservação e aparência de verdadeiro cartão postal do Centro se devem aos esforços da Viva o Centro e de empresas privadas a ela associadas e das Ações Locais Anhangabaú e Praça Ramos. Os jardins e fontes do Anhangabaú são mantidos pelo BankBoston. O mesmo acontece com os jardins da Praça Ramos de Azevedo, mantidos da mesma forma pelo Grupo Votorantim e passeios e esculturas, pela Klabin.

 

Segundo a Viva o Centro, o Vale também é inadequado a grandes eventos pelos problemas de acústica que estes causam a toda a vizinhança. “O espaço, além de abrigar o prédio da Prefeitura de São Paulo, reúne cinco dos maiores edifícios da cidade, com grandes empresas, sedes de entidades associativas, vários órgãos públicos que estão sempre em contínua atividade, inclusive noturna, seja pela realização de cursos e seminários nos auditórios dessas instituições seja pelos espetáculos do próprio Teatro Municipal, que não podem ser prejudicados pelo excesso de ruído produzido por eventos de massa.”

 

Paisagem de cartão postal demorou a ser construída

Alguns eventos cuidadosamente projetados e elaborados, com acústica controlada, têm sido, no entanto, realizados no Vale, inclusive com apoio da Viva o Centro. Entre eles podem se mencionar os do Sesc, em passado recente, sem prejuízos, pois a entidade teve o cuidado de proteger os jardins com gradis móveis e providenciou a limpeza da área logo após. É importante frisar que a comemoração dos 450 Anos de São Paulo foi realizada ao longo da Avenida 23 de Maio e não no Anhangabaú, onde apenas se montou o palco voltado para a avenida, ou seja, de costas para o Vale.

 

Não ao retrocesso

 

A Associação Viva o Centro, que já apresentou propostas para o Vale do Anhangabaú, se dispõe a dialogar para se buscar o melhor aproveitamento possível para o logradouro, inclusive para o verdadeiro salão urbano de perto de 1.800 m2 criado pelo grande vão existente sob o Viaduto do Chá, bem como para possibilitar que passageiros de ônibus ou automóveis possam, de dentro dos túneis, acessar  a superfície do Vale, mediante a requalificação das áreas de parada neles existentes.

 

“Seria lamentável que os jardins do Anhangabaú voltassem a correr riscos, ainda mais quando a Associação Viva o Centro propõe à Municipalidade a refuncionalização do Vale, no sentido de que o mesmo retorne a sua vocação natural de portal de acesso ao Centro, sem perda de suas qualidades de pequeno parque central”, conclui a carta.

 

 
 
   
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