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Crianças em
situação de rua, no Centro, terão atendimento especial
Por Wellington Alves
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Flavio
Moraes
Programa Equilíbrio tem como meta
a reintegração das crianças a suas famílias
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Com o objetivo de
reintegrar à sociedade crianças que vivem em situação de rua no Centro de São
Paulo, o prefeito
Gilberto Kassab assinou na quarta-feira (14/2) o decreto que
institui o Programa Equilíbrio. As ações acontecerão por uma parceria entre a
Prefeitura e o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas com o apoio do
projeto Quixote e da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que fará a
abordagem aos jovens. O Centro Esportivo Raul Tabajara, na Barra Funda, será
restaurado para abrigar as atividades do Equilíbrio.
Segundo a idealizadora e
coordenadora do Programa Equilíbrio, Sandra Scivoletto, a proposta é levar as
crianças a locais atraentes a elas, com alternativas saudáveis para poupar o
tempo e desenvolver as potencialidades. “Nas ruas elas encontram as drogas
muito cedo e isso prejudica o seu desenvolvimento normal.” Já Kassab acredita
que é possível “fazer uma cidade mais justa para as crianças”.
Em princípio, o Equilíbrio
irá atender aos jovens residentes nas seis casas de acolhida da Prefeitura na
região central, que são 90 até o momento. Depois começará o trabalho de
abordagem nas ruas incentivando as crianças a aceitar o tratamento oferecido no
Projeto. Elas serão encaminhadas à casas de acolhida, receberão tratamento
ambulatorial com 19 profissionais, além de ter acesso a atividades esportivas e
educacionais. Quase 600 crianças serão atendidas ao todo.
Apoio familiar
Para o presidente do
Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Wagner
Farid Gattaz, a frágil estrutura familiar facilita a entrada das crianças no
mundo das ruas e dos entorpecentes. “A falta de escolha faz com que elas
desenvolvam vários transtornos, entre eles a drogadicção, ao procurarem as ruas”,
destacou.
Segundo Sandra, a equipe
do Equilíbrio começará o tratamento com as crianças e depois procurará as
famílias, fazendo assim um trabalho de integração. Floriano
Pesaro, secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento
Social, salientou que o atendimento contínuo visa à reinserção delas à sociedade:
“Nós não queremos que elas fiquem nos abrigos da Prefeitura, mas que retornem
às suas famílias”.
Sonho
“Eles são iguais aos
nossos filhos, mas ficaram sem objetivos”, disse Andrea
Matarazzo, secretário de Coordenação
das Subprefeituras e subprefeito da Sé, em relação às crianças em situação de
rua. Ele lembrou que a população de rua no Centro da cidade é muito grande, mas
é possível fazer um tratamento diferenciado para as crianças.
A coordenadora do
Programa garantiu que uma das metas da equipe de trabalho é fazer com que cada
jovem tenha uma meta a atingir a longo prazo: “Se o menino for bom em futebol,
por exemplo, nós podemos tentar arranjar um teste para ele em um clube”. Além
disso, os jovens de 14 a
16 anos serão inseridos em programas como o Aprendiz e Primeiro Emprego.
Sandra acredita que o diferencial
do Equilíbrio será justamente incentivar os jovens a buscar um sonho. “O
Programa tenta dar oportunidades. Essas crianças têm a sensação de serem
invisíveis. Ser ignorado uma vez é ruim, mas a vida inteira não dá, e gera uma
revolta que muitas vezes utiliza a violência como válvula de escape. Não é uma
questão só de saúde pública, mas de dar oportunidades às crianças”.
O Programa Equilíbrio
envolve, pela Prefeitura, as secretarias municipais de Assistência e
Desenvolvimento Social, Coordenação
das Subprefeituras e Saúde, além da Subprefeitura da Sé.
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