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15/02/07

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Crianças em situação de rua, no Centro,
terão atendimento especial

 

Por Wellington Alves

 

Flavio Moraes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Programa Equilíbrio tem como meta a reintegração das crianças a suas famílias

Com o objetivo de reintegrar à sociedade crianças que vivem em situação de rua no Centro de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab assinou na quarta-feira (14/2) o decreto que institui o Programa Equilíbrio. As ações acontecerão por uma parceria entre a Prefeitura e o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas com o apoio do projeto Quixote e da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que fará a abordagem aos jovens. O Centro Esportivo Raul Tabajara, na Barra Funda, será restaurado para abrigar as atividades do Equilíbrio.      

 

Segundo a idealizadora e coordenadora do Programa Equilíbrio, Sandra Scivoletto, a proposta é levar as crianças a locais atraentes a elas, com alternativas saudáveis para poupar o tempo e desenvolver as potencialidades. “Nas ruas elas encontram as drogas muito cedo e isso prejudica o seu desenvolvimento normal.” Já Kassab acredita que é possível “fazer uma cidade mais justa para as crianças”.

 

Em princípio, o Equilíbrio irá atender aos jovens residentes nas seis casas de acolhida da Prefeitura na região central, que são 90 até o momento. Depois começará o trabalho de abordagem nas ruas incentivando as crianças a aceitar o tratamento oferecido no Projeto. Elas serão encaminhadas à casas de acolhida, receberão tratamento ambulatorial com 19 profissionais, além de ter acesso a atividades esportivas e educacionais. Quase 600 crianças serão atendidas ao todo.

 

Apoio familiar

 

Para o presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Wagner Farid Gattaz, a frágil estrutura familiar facilita a entrada das crianças no mundo das ruas e dos entorpecentes. “A falta de escolha faz com que elas desenvolvam vários transtornos, entre eles a drogadicção, ao procurarem as ruas”, destacou.

 

Segundo Sandra, a equipe do Equilíbrio começará o tratamento com as crianças e depois procurará as famílias, fazendo assim um trabalho de integração. Floriano Pesaro, secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, salientou que o atendimento contínuo visa à reinserção delas à sociedade: “Nós não queremos que elas fiquem nos abrigos da Prefeitura, mas que retornem às suas famílias”.

 

Sonho

 

“Eles são iguais aos nossos filhos, mas ficaram sem objetivos”, disse Andrea Matarazzo, secretário de Coordenação das Subprefeituras e subprefeito da Sé, em relação às crianças em situação de rua. Ele lembrou que a população de rua no Centro da cidade é muito grande, mas é possível fazer um tratamento diferenciado para as crianças.

 

A coordenadora do Programa garantiu que uma das metas da equipe de trabalho é fazer com que cada jovem tenha uma meta a atingir a longo prazo: “Se o menino for bom em futebol, por exemplo, nós podemos tentar arranjar um teste para ele em um clube”. Além disso, os jovens de 14 a 16 anos serão inseridos em programas como o Aprendiz e Primeiro Emprego.

 

Sandra acredita que o diferencial do Equilíbrio será justamente incentivar os jovens a buscar um sonho. “O Programa tenta dar oportunidades. Essas crianças têm a sensação de serem invisíveis. Ser ignorado uma vez é ruim, mas a vida inteira não dá, e gera uma revolta que muitas vezes utiliza a violência como válvula de escape. Não é uma questão só de saúde pública, mas de dar oportunidades às crianças”.

 

O Programa Equilíbrio envolve, pela Prefeitura, as secretarias municipais de Assistência e Desenvolvimento Social, Coordenação das Subprefeituras e Saúde, além da Subprefeitura da Sé.

 

 
 
   
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