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Bióloga
enfatiza: a ordem, hoje, é reduzir, reutilizar e reciclar
o lixo
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Luciano
Sousa
Bióloga Patrícia Blauth fala sobre a importância de diminuirmos o volume de lixo para o bem da cidade |
“Redução
no consumo e no desperdício é a primeira ação para se combater o excesso de
lixo no meio urbano”, disse Patrícia Blauth, bióloga e consultora em
minimização de resíduos, na palestra “Um Encontro com o Lixo no Centro de São
Paulo”, na segunda-feira (12/03), na Associação
Viva o Centro. A preocupação ambiental das pessoas sobre o que se fazer com
o 1,5 kg
de lixo que cada indivíduo produz diariamente contribuiu para que o auditório
da entidade ficasse lotado.
Patrícia alertou que diariamente
a cidade produz 15 mil toneladas de lixo, o que equivale a construir um
edifício de 30 andares todo dia. Ela ainda informou que os resíduos que vão
para os aterros sanitários não se decompõem facilmente e ocupam a área por
tempo indeterminado. “Os metais e alumínios, por exemplo, não oxidam nos
aterros e apenas perdemos espaço.” A bióloga crê que em pouco tempo a cidade
não terá terrenos para depositar os resíduos consumidos.
Reciclar não é tudo
Apesar da necessidade de enviar a
menor quantidade de lixo para os aterros, Patrícia não recomenda a reciclagem
como principal solução. “É possível recusar certas coisas que não iremos
utilizar como excesso de sacolas plásticas ou embrulhos de presentes quando
vamos fazer compras.” Ela alega que no caso do lixo é importante conhecer os
três R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
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Luciano
Sousa
Patrícia mostra uma casca de banana que mesmo sendo orgânica leva até seis meses para ser decomposta |
Patrícia explicou que a
reciclagem pode ser uma desculpa para o desperdício desenfreado. “Eu posso
começar a consumir mais coisas do que o necessário com a desculpa de que depois
é só mandar o lixo para reciclagem.” Ela enfatiza que o primeiro passo para se
combater o excesso de lixo na cidade é a redução do consumo. Após isso, pode-se
reutilizar o que seria lixo, como, por exemplo, uma toalha rasgada que pode
servir como pano de chão, ou uma roupa velha que a pessoa não queira mais pode
ser doada a outro individuo. E se não tiver como reutilizar, aí sim, separar
tudo o que for possível e mandar para a reciclagem. Depois de todo este cuidado
o caminho do que sobrar é o lixo mesmo.
O que Patrícia propõe é uma
mudança cultural, o que considera mais primordial do que uma mudança na
legislação. Ela lembrou que muitas vezes as pessoas acham que estão ajudando na
melhor das intenções, mas na verdade não estão. “Uma escola pode fazer uma
gincana para ver que sala consegue juntar mais latinhas de refrigerante. Com
isso ela e os pais começam a consumir mais refrigerante em lata e deixam de
utilizar refrigerante em vasilhames. A pessoa começa a produzir mais lixo.” Ela
até brincou que se fizéssemos uma excursão daqui a 100 anos em algum aterro da
cidade poderíamos encontrar os copos de plásticos que utilizamos na palestra.
Apesar da proposta utópica, a realidade é bem séria.
Centro
“O Centro é um lugar emblemático
e as mudanças aqui podem surtir efeito em toda cidade”, disse a bióloga. Mesmo
questionando a falta de lugares específicos para se depositar o lixo nos
edifícios da região, Patrícia destaca que as pessoas que vivem, trabalham e
moram na área podem promover mudanças significativas. Depende do empenho de
cada uma.
Segundo a Secretaria Municipal de
Serviços, a cidade produz 15 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 500
toneladas são produzidas na região da Subprefeitura da Sé. Cerca de 80% de todo
o lixo de São Paulo vai para os aterros sanitários, que já estão saturados,
enquanto apenas 1% dos resíduos está no programa de coleta seletiva e
reciclagem.
A Associação Viva o Centro elaborou as “10 Propostas para o Centro”,
onde elenca quais devem ser as prioridades para a região, e ofereceu o
documento à atual gestão na Prefeitura. Uma das propostas descreve a
importância da Zeladoria Urbana por meio da implantação de um sistema
territorializado com a ajuda das Ações Locais e solicita, entre tantas coisas,
a automatização da coleta de lixo, a limpeza pública e o controle da poluição
visual.
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