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04/12/09

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Dois artistas em um único espaço

 

Por Renata Cristina Pereira

 

Rafael Martinss

Relevos espaciais de Hélio Oticica

Hélio Oticica e Miguel Bakun, dois artistas com perspectiva diferentes, tem suas obras expostas no Instituto de Arte Contemporânea (Rua Maria Antonieta, 258), de terças e sábados, das 10h às 18, e de domingos e feriados, das 12h às 17h.. O primeiro entrou para a história da arte com um dos grandes artistas experimentais da arte brasileira, o segundo é um dos últimos artífices do nosso modernismo, de influência pós-impressionista.

 

Em “Da Estrutura ao Tempo” reúne catorze desenhos e quatro relevos do carioca Hélio Oticica produzidos entre 1957 e 1959. As obras integram a série Metaesquemas, executada quando o artista tinha 20 anos de idade. Os Metaesquemas investigam relações entre cor, estrutura, linha e plano. O próprio título da série pressupõe a estrutura (esquema), mas também a sua mudança de lugar e condição (meta), transposição e transcendência do esquema.  Esses pequenos guaches sobre o papel são da fase, principalmente em relação ao estudo dos campos do desenho e da pintura.

 

Na exposição há os relevos espaciais, ou seja, Hélio Oticica também colocava forma e cor no espaço, deixando de ser um posicionamento frontal e oferecendo ao público um deslocamento ao redor da obra.  Nessa época estava acontecendo o construtivismo no Brasil, uma heranças das vanguardas européias, e nos anos 50 arte concreta invadiu São Paulo. Hélio Oticica e os outros artistas cariocas representam o grupo neoconcreto que foi uma ruptura do grupo concreto de São Paulo. Os cariocas criticavam os paulistas de usarem a geometria de maneira fria. Então o Helio vai usar a geometria de maneira intuitiva, com mais movimento. Mais tarde o artista renegou essas obras por considerá-las imaturas.

 

Rafael Martinss

Obra de Miguel Bakun

Essa exposição, com peças de colecionadores particulares, está pela primeira vez na cidade desde o incêndio que consumiu parte dos trabalhos de Oticica, em 16 de outubro no Rio de Janeiro.

 

Em “Natureza e Destino”, o artista paranaense Miguel Bakun, autodidata e admirador de Van Gogh, trabalha com paisagem, marinhas e auto-retrato, Em sua paleta de cores há apenas o verde, azul, amarelo e branco. Nas décadas de 1940 e 1950, participou de mostras coletivas e individuais e recebeu diversas premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e Salão de Belas Artes da Primavera do Clube Concórdia, em Curitiba.

 

O Instituto de Arte Contemporânea existe desde 1997 com o objetivo de promover a arte contemporânea e intensifica a pesquisa e a compreensão da Almícar de Castro, Mira Schendel, Sérgio Camargo e Willys de Castro. Para isso, a USP, sensibilizada com o projeto concedeu parto do edifício sede da antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e letras.O IAC também  tem o Núcleo de Documentação e Pesquisa, que trabalha com a documentação desses artistas.

 

 
 
   
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