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02/07/09

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Questão do morador de rua mobiliza 1º Fórum do

Escritório de Inclusão Social Sé e conclui pela união

de forças por soluções realmente eficazes

 

Rafael Martinss

À mesa do 1º Fórum do EIS Sé: Marco Antonio Ramos de Almeida, da Viva o Centro; Oswaldo Picitelli, coordenador do EIS Sé; e José Alarico Rebouças, da ACSP e da Ação Local Nestor Pestana

Por Ana Maria Ciccacio

 

Arregaçar as mangas e articular uma rede de assistência com o objetivo de emancipar pessoas da situação de rua. Foi essa a principal conclusão do 1º Fórum de Desenvolvimento Local do Escritório de Inclusão Social da Sé (EIS Sé), do projeto Nós do Centro, para o qual a Viva o Centro foi convidada a expor o projeto da Aliança pelo Centro Histórico, na terça-feira (30/6).

 

No auditório do EIS Sé, na Rua Riachuelo, o 1º Fórum reuniu principalmente representantes da equipe do Nós do Centro, gente jovem, participativa e interessada em trabalhar por resultados eficazes. A Viva o Centro foi representada por seu superintendente, Marco Antonio Ramos de Almeida. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), uma das entidades privadas que patrocinam a Aliança – as demais são BM&FBovespa, Banco Nossa Caixa e Uniesp –, foi representada pelo diretor superintendente de sua Distrital Centro e presidente da Ação Local Nestor Pestana, José Alarico Rebouças. E o EIS Sé, por seu coordenador, Oswaldo Picitelli.

 

Contribuições para a causa social

 

Rafael Martinss

Picitelli: "É hora de tentar resolver a questão da inclusão social"

O fórum começou com cada participante na plateia se apresentando e dizendo que contribuição trazia para a causa social no Centro de São Paulo. O momento foi de descontração e aproximação entre todos os presentes. Em seguida, o coordenador do EIS Sé explicou que esse primeiro de uma série de fóruns mensais daqui para a frente se tornava especialmente importante por ser a partida para a elaboração de um projeto de inclusão social que realmente funcione para a região.

 

O Projeto Inclusão Social Urbana-Nós do Centro é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo com a União Européia. Busca fortalecer o modelo de gestão de programas de inclusão social em larga escala nos bairros centrais da cidade. Coordenado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), o Projeto Nós do Centro conta ainda com a parceria das secretarias municipais da Cultura, do Trabalho, de Participação e Parceria e de Relações Internacionais, além do apoio das Subprefeituras da Sé e Mooca e diversos parceiros governamentais e não governamentais na implatação de ações (www.nosdocentro.org.br).

 

Segundo Oswaldo Picitelli, é hora de todos colocarem mãos à massa e tentar resolver a questão da inclusão social. “O EIS Sé, do Nós do Centro, se coloca à disposição da Aliança pelo Centro Histórico. Vamos começar pela pequena área do Triângulo Histórico e depois ganhar o Centro inteiro. Para isso já temos o Atenção Urbana, projeto novo que está fazendo a acolhida de pessoas em situação de rua, que iremos discutir e melhorar muito ainda. Para a reflexão deste fórum, proponho três palavras: emancipação, autonomia e participação. ”

 

Associação Comercial

 

O representante da ACSP falou sobre os projetos sociais da entidade, entre eles a escola de formação de jovens para o primeiro emprego no próprio mercado de trabalho disponibilizado pelo comércio, a Comissão de Política Urbana, dedicada à percepção de problemas urbanos cuja solução tem sido intermediada pela Associação Comercial junto às autoridades, e a parceria com a Fundação Orsa, voltada à reforma de cortiços para propiciar melhores condições de vida aos seus habitantes.

 

Viva o Centro

 

O superintendente da Viva o Centro iniciou sua fala observando que tem acompanhado com entusiasmo o trabalho do Nós do Centro. “Desde o nome, tudo é muito apropriado”, observou Marco Antonio Ramos de Almeida. “Uma rede é formada por nós. Nós é que estamos aqui e somos fundamentais para qualquer projeto de desenvolvimento para o Centro.” E passou a explicar o que é a Aliança e como funcionará.

 

A Aliança pelo Centro Histórico encerra uma idéia muito simples. “É uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo, o Governo do Estado e a Associação Viva o Centro, esta patrocinada pela iniciativa privada, para que todos os serviços públicos funcionem da melhor forma possível, visando também ao incremento do turismo como grande gerador de emprego e renda – do pipoqueiro ao magnata –, inicialmente em uma área que é apenas 2% da região abrangida pela Subprefeitura da Sé”, sintetizou Ramos de Almeida. “Nessa pequena área vamos testar uma nova experiência de gestão compartilhada, aprimorá-la e, dando certo, expandi-la para o restante do Centro Histórico, tendo em mente melhorias efetivas nas áreas de zeladoria urbana, promoção social e segurança pública – o tripé de atuação da Aliança.”

 

A Viva o Centro, esclareceu seu superintendente, não irá envolver-se diretamente com nenhum desses serviços, por não ter especialização em nenhum deles. “Nós vamos gerar a integração entre os serviços especializados, daí a importância da rede, de pensar em como fazer melhor e fazer juntos. Os problemas deixarão de ser deste ou daquele setor. Todo mundo tem de estar integrado e a nós caberá passar informação, articular. Quem tem expertise é que irá cuidar”. Na área da promoção social, portanto, a expertise do Nós do Centro será fundamental.

 

Rafael Martinss

Marco Antonio Ramos de Almeida: "Vamos gerar a integração entre os serviços, daí a importância da rede"

Plateia com a palavra

 

No momento do debate, com participação da plateia, Fauze Felipe, do Centro de Referência da Diversidade, perguntou o que se pode fazer para “alterar a estrutura mesmo do problema e não só a aparência, questionando por que sempre se fala em Nova York ou Paris como modelos”.

 

Para o superintendente da Viva o Centro, “quando a entidade fala em recuperação do Centro poderia mencionar Havana, também”. E Oswaldo Pecitelli, do EIS Sé, lembrou várias cidades da América do Sul que conhece por ter trabalhado com turismo na região, citando como exemplo de Centro com qualidade o de La Paz, na Bolívia.

 

“Um Centro recuperado gerará trabalho para todos os estratos sociais. É inclusão, sim, mas vai depender de nós”, disse por sua vez Teresinha Santana, da Área de Apoio às Ações Locais, da Viva o Centro. “A gente precisa se perguntar quanto nos importamos de fato com a pessoa em situação de rua e o que podemos fazer para que ela saia dessa condição e seja realmente incluída na sociedade. Morador de rua não tem que sair do Centro. Tem que ser emancipado aqui, encontrar trabalho e moradia aqui, ter atendimento aqui, se precisar. A gente precisa trabalhar por isso, tem que inventar, pode chegar lá.

 

” Valéria da Silva do Nascimento, da Associação Guaianases por Moradia, Arte, Cultura e Esporte, começou por dar um quadro da situação alarmante de sua área, repleta de dependentes químicos e moradores de rua, e concluiu afirmando que a “sociedade civil tem que se envolver, tem que participar e pressionar o poder público para ver os problemas resolvidos”.

 

Para Fauze Felipe, no entanto, toda o comércio em geral não faz escuta para a necessidade de empregabilidade das pessoas em situação de vulnerabilidade, no Centro. “O discurso é de inclusão, mas na prática é completamente diferente.”

     

Rafael Martinss

Plateia altamente participativa no 1º Fórum do EIS Sé deu importante contribuição

Em resposta ao anseio de Fauze, a agente de Desenvolvimento Local do EIS Sé, Isolde Elbers Moreira, reforçou que “está na hora de ser formada uma rede de solidariedade, começando por algum lugar. É como a casa da gente, quando a gente tem que colocar em ordem. Começa a arrumar, a melhorar por algum lugar e depois parte para os demais. Um passo de cada vez”.

 

Conclusões

 

Sintetizando o resultado do 1º Fórum, a agente de Desenvolvimento Econômico do EIS Sé, Ludô, não poderia ter sido mais precisa: “Ao concluir que não é fácil sensibilizar a sociedade para se empenhar de fato para que a pessoa em vulnerabilidade social possa sair dessa situação, extraímos daqui uma tríade muito interessante:

 

1) como é que a gente vai dialogar com a Associação Comercial de São Paulo e tornar seus filiados sensíveis e interessados em resolver o problema?;

 

2) como é que vamos agir para humanizar de verdade a questão, da forma como a Viva o Centro já está fazendo? Daqui têm que sair hoje muitos multiplicadores;

 

3) o fato de existir um projeto para o Triângulo Histórico nos coloca uma questão mais do que pertinente: a população toda, independentemente do estrato social ao qual pertence este ou aquele, é nossa cliente. Trabalhamos para ela. Temos que participar e ajudar a montar essa rede com muita humildade. O que não sei fazer, mas sei quem pode me ensinar, preciso consultar e aprender. Se a gente sensibilizar 1% da população do Triângulo já será um grande avanço.”

 

Já na rede

 

Em tempo: o EIS Sé já mantém parceria com o Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, e tem contado com o apoio de Robson César Correia de Mendonça, que passou por essa situação e conhece como ninguém o problema.

  

 
 
   
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