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Retrospectiva de Basquiat chega ao CCBB São Paulo

31/01/2018

Com 80 peças, chegou a São Paulo no dia do aniversário da cidade (25 de janeiro) uma retrospectiva do artista Jean-Michel Basquiat. Apesar da curta carreira, entre os 17 e 27 anos, o nova-iorquino teve uma produção intensa, sendo considerado um dos nomes mais importantes da década de 80. Os trabalhos expostos no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da capital paulista, apresentam o pintor, desenhista e gravurista desde o início da carreira com os graffiti até o auge do processo, quando alcançou patamar elevado de valor no mercado da arte.

Para se ter uma ideia, em maio de 2017, uma de suas telas chegou à casa dos US$ 100 milhões em um leilão da Sotheby's (uma obra sem título, de 1982, vendida ao bilionário japonês Yusaku Maezawa). Foi a primeira obra feita a partir dos anos 80 a alcançar tal valor e a sexta mais cara leiloada em toda a história - estima-se que o preço de um Basquiat aumentou mais de dez vezes nos últimos 15 anos. Na última edição da Miami Art Basel, no mês passado, um simples desenho do artista gerou uma acirrada negociação entre Leonardo Di Caprio e a galeria Van de Weghe, que terminou com o astro desembolsando US$ 850 mil.

"A obra dele manteve a atualidade, um fascínio, tanto da parte visual, estética, quanto do conteúdo", ressalta o curador Pieter Tjabbes, ao comentar como os trabalhos ainda mostram forte apelo, especialmente entre os jovens. "Ele tem um trabalho intuitivo. Insere tudo o que está fazendo, pensando, o que está acontecendo ao redor dele entra nas obras, seja em imagens, seja em palavras. Ele é uma esponja", acrescenta, ao explicar um pouco sobre o método de Basquiat, que costumava deixar o rádio e a televisão ligados ao mesmo tempo enquanto trabalhava no ateliê. "Ele era bombardeado por todas essas informações o tempo inteiro".

Processo intenso

Essa estimulação com elementos de diversas fontes parece ser, na opinião do curador, um dos traços que aproxima o artista das gerações atuais. "Ele está em constante contato com o mundo ao redor. Isso talvez seja parte do apelo que tem hoje, essa nova geração é totalmente antenada, 24 horas por dia conectada em informação".

A imersão era tão intensa que até o apartamento onde vivia se tornava parte de sua obra. "Ele pinta tudo que está no apartamento: a geladeira, a porta do banheiro", comenta o curador. Essa porta, assim como outros objetos semelhantes usados como suporte pelo artista - esquadrias de janela e peças de madeira - pode ser vista na mostra. A exposição é, segundo Tjabbes, a maior do artista feita no Brasil.

O talento ímpar e o esforço trouxeram resultados rápidos para o jovem artista. Em 1982, com 21 anos, chegou a participar da Documenta de Kassel, na Alemanha, uma das principais mostras de arte contemporânea do mundo. O renome fez com que o valor de suas obras também subisse rápido, uma das razões, segundo Tjabbes, pelas quais é difícil encontrar os trabalhos de Basquiat em museus e instituições públicas. "Quando os museus começaram a se interessar, os preços já estavam proibitivos. O resultado é que relativamente poucos museus têm obras dele nas coleções", diz. As obras da exposição do CCBB são de uma coleção particular.

Basquiat

Jean-Michel Basquiat e algumas de suas obras (Foto: Divulgação)

Curiosidades de Basquiat

Nascido no Brooklyn em 1960, filho de pai de origem haitiana e de mãe porto-riquenha, Basquiat demonstrava desde pequeno ser bem acima da média: aos 4 anos já sabia ler e escrever e, aos 6, diante de seu talento ímpar para o desenho, passou a ser membro júnior do Brooklyn Museum.

Aos 16, foi expulso da escola e, na sequência, de casa. Morou nas ruas por alguns meses e depois foi viver de favor com amigos, sustentando-se com a venda de cartões-postais e camisetas customizadas. Passava boa parte do tempo grafitando nas paredes dos prédios e das estações de metrô do SoHo e do Lower East Side, nas quais assinava como SAMO (abreviação de Same Old Shit). 

O jornal independente Village Voice, bíblia da cena cool da época, começou a destacar a produção do artista e, aos poucos, Basquiat foi se tornando o queridinho do momento. Em 1979, participou do clipe de "Rapture", hit do grupo Blondie, e, em 1980, foi convidado pela primeira vez a participar de uma exposição ao lado de Kenny Scharf, Jenny Holzer e Kiki Smith.

A partir daí, alcançou o estrelato: começou a vender como água, ganhou as capas das revistas, namorou Madonna, teve um "bromance" com David Bowie e caiu nas graças do pai do pop, Andy Warhol, de quem se tornou amigo inseparável - no campo artístico, assinaram cerca de 150 pinturas juntos.

 

Música e negritude

 Apesar da rápida ascensão, Basquiat ainda se sentia afetado pelo racismo, e a temática negra era uma presença constante em suas obras. "Ele era um artista negro, afroamericano, dentro de um meio de artes que era quase totalmente branco. Então, a obra sempre permeia esse viés de crítica sobre o sistema. Basquiat ressalta muito negros importantes na música e nos esportes", lembra o curador.

A música, em especial o hip hop, era outra influência importante em seu trabalho. "A ligação que a obra dele tem com a música falada", destaca Tjabbes. Mesclar palavras com imagens é também uma característica marcante de várias obras. Assim como a inserção de desenhos por meio de colagens. "O desenho aparece tanto como desenho mesmo, como nos quadros. Ele insere nos quadros, cola, pinta por cima".

A exposição fica em São Paulo até abril, de onde segue para as unidades do CCBB em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, encerrando as exibições no Brasil em janeiro de 2019. Atualmente, Basquiat é tema de uma elogiada exposição no Barbican Centre de Londres e já tem mostras programadas em Frankfurt e Paris para este ano.

Com informações da rede EBC e Vogue.

SERVIÇO

Basquiat no CCBB de São Paulo: Rua Álvares Penteado, 112. De 25 de janeiro a 1º de abril

 

 

 

 

 

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1 Comentário

  1. Gravatar of Esquadrias de Alumínio
    Esquadrias de Alumínio Postado quinta-feira, 26 de abril de 2018 às 15:17:36

    Exatamente o que eu procurava sobre esquadrias de alumínio

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