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A capela tem sua origem ligada ao Cemitério dos Aflitos, primeiro cemitério público da cidade destinado ao sepultamento das classes desfavorecidas – pobres, escravos. Muitos sentenciados à forca durante os séculos XVIII e XIX foram enterrados ali, como Francisco José das Chagas, em 1821. Conhecido como Chaguinhas, sua morte comoveu a população paulistana da época fazendo surgir uma devoção em torno desse acontecimento, já que três tentativas de enforcá-lo fracassaram – a corda, misteriosamente, arrebentava.
Construída modestamente em 1779, em taipa de pilão, a Capela dos Aflitos possui acréscimos de alvenaria de tijolos já do final do século XIX que descaracterizaram sua feição original.
Quando foi inaugurado o Cemitério da Consolação, em 1858, o dos Aflitos deixou de desempenhar as suas funções e impedido de funcionar. Anos mais tarde, ignorando os protestos da população, o terreno foi loteado a particulares pelas autoridades eclesiásticas que conservaram apenas o beco (hoje, Rua dos Aflitos) e a capela, que sofreu diversas reformas mal orientadas. Este fato proporcionou a construção desordenada de edifícios no entorno imediato da capela, prejudicando sensivelmente a sua vista.
Embora em mau estado de conservação, possui um remanescente de sacrário do início do século XVIII de grande valor, devido à sua raridade. Ele abriga a imagem de Santo Antônio de Catageró.
É tão pequena a capela que os fiéis
sentam-se nas poucas cadeiras ao lado do
altar. Porque a frente já está quase na
própria rua. O padre que lá reza missa é
o mesmo da Capela das Almas dos Enforcados.
Aflitos e Enforcados são duas capelas que
estão ligadas por sua hitória. Reza a tradição
que os escravos, vindos dos baixos do Carmo,
da várzea do Tamanduateí, subiam a Tabatinguera.
Paravam estatelados na Igrejinha da Boa
Morte. Seguia ao pelourinhom, ali no atual
Largo sete de setembro. Viam o suplício
dos seus irmãos de cor e destino. Seguiam,
não raras vezes, até o Largo da Forca (atual
Liberdade), mais ou menos onde hoje situa-se
a Capela dos Enforcados. Nesta paragem baloiçavam
os corpos inanimados dos escravos à morte
certa.
Seus
irmãos de cor e sorte, desciam aos Aflitos.
e ali compartilhavam a dor de uma vida sem
esperanças. Eis a origem humilde e plangente
da Capelinha de Nossa Senhora dos Aflitos.
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