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O Triângulo Histórico
Para trabalhar, estudar, comprar,
passear ou apenas cruzar rumo a outros pontos da cidade. Pode-se afirmar que a
metrópole de São Paulo se acha representada em todos os seus aspectos –
econômico, social, cultural e étnico – na pequenina região compreendida pelo
Triângulo Histórico, em cujos vértices se acham a Praça da Sé e os largos São
Bento e São Francisco. A história da cidade, do Estado de São Paulo e do
desenvolvimento nacional é contada pelo traçado e pelas construções do
Triângulo Histórico. Da conquista do planalto, passando ao bandeirismo, ao
ciclo da cana-de-açúcar, ao apogeu do café, à industrialização, até a inserção
de São Paulo na economia global, é no Triângulo que se tem a maior concentração
de história por metro quadrado da cidade.
Aqui São Paulo tem 454 anos.
Essa pequena área, uma colina
localizada entre os vales do Tamanduateí e Anhangabaú, representa 0,05% da
cidade de São Paulo. Todavia, encontra-se no Triângulo Histórico, significativo
segmento do mercado financeiro do país, como a BM&FBovespa, além de
diversas sedes e agências de praticamente todos os bancos. O poder público tem
presença maciça na área. O Governo do Estado possui seis secretarias e cinco
empresas no Triângulo Histórico, além do Tribunal de Justiça, o Ministério
Público e o Tribunal de Contas. A Prefeitura Municipal, reúne doze de suas
secretarias, 2 empresas e a Ouvidoria do município na área.
Nada menos que dez centros
culturais e 250 bens tombados pelos órgãos de defesa do patrimônio histórico
revelam o potencial turístico do Triângulo.
Democratizar esta área da cidade,
permitindo a fruição de tudo que ela tem a nos oferecer, deve ser uma
prioridade para São Paulo. Esse objetivo pode ser alcançado sem grandes
dificuldades. A região já é dotada de uma excelente infra-estrutura e é
facilmente acessível por transporte de massa de todas as partes da metrópole.
São três estações de Metrô, uma em cada vértice do Triângulo Histórico, além de
três terminais de ônibus na sua proximidade (Bandeira, Dom Pedro II e Pedro
Lessa).
Ao se criar um ambiente propício
à utilização diurna e noturna por parte da população, pode-se esperar uma
grande repercussão midiática de tudo que no Triângulo ocorrer, com efeito
pedagógico e indutivo para outras áreas do Centro e da Cidade.
Antecedentes
Fundação da cidade e a formação do Triângulo Histórico
A escolha da colina pelos
jesuítas portugueses para a fundação de São Paulo, em 1554, se deve a uma
combinação de fatores. Sua topografia estratégica, para a defesa do povoado, é
o mais conhecido por todos. Todavia, o sucesso da povoação no seu início é mais
intimamente ligado à cooperação entre portugueses e indígenas. O terreno usado
para erguer as primeiras construções de São Paulo foi cedido pelos guaianazes,
em área adjacente à sua ocara. Havia então, mútuos interesses. Com essa
vizinhança os portugueses poderiam se apropriar do conhecimento dos indígenas
sobre o território e seu savoir-faire,
ou das inúmeras vantagens que um relacionamento pacífico pudesse trazer.
Ademais, o sítio não havia sido gratuitamente escolhido pelos guaianazes.
Situado entre vales, com trechos
de matas e imensas várzeas cobertas de capim, em parte inundáveis na época das
chuvas, era uma área rica em peixes, aves e caça de pêlo. Os campos
mostraram-se adequados ao plantio de legumes, verduras e frutas, além de
propícios para a criação de gado europeu. Em termos econômicos, os indígenas
sabiam que os jesuítas lhes forneceriam as ferramentas que precisavam para
trabalhar a terra e produzir seus artefatos. O início de São Paulo foi marcado
pela convivência harmoniosa entre portugueses e nativos na colina onde se
formaria o Triângulo Histórico.
Em taipa de pilão, técnica que
viria a se tornar uma tradição paulista, foram construídos os edifícios do
povoado. O traçado inicial de São Paulo se deu em função dos caminhos indígenas
existentes, que foram incorporados pelos portugueses como acessos à vila e
cristalizados ao longo da história a ponto de os percorrermos até hoje. Na
construção dos muros de proteção do povoado, essas entradas foram mantidas
desimpedidas, e, conseqüentemente, deram origem ao arruamento externo. Com a chegada
das outras ordens religiosas dos Carmelitas, Beneditinos e Franciscanos, e a
construção de seus conventos nas bordas da colina, a estrutura para formação
morfológica do Triângulo Histórico estava pronta.
A cidade começava a se esforçar
para estabelecer alguma disciplina em seu urbanismo. As
ruas São Bento e Direita se cruzam em ângulo reto, e com larguras uniformes
mesmo sendo extensas. Esse detalhe demonstra que as vias foram executadas sob
supervisão de um profissional treinado. A esquina despertava a atenção dos
moradores, que a apelidaram de “quatro cantos”. Em 1640, a Câmara dos
Vereadores estabeleceu que todas as novas construções da cidade fossem
aprovadas por ela.
São Paulo foi crescendo
lentamente enquanto os paulistas povoavam o planalto em todas as direções,
multiplicando os núcleos da capitania. Em 1682, a cidade tornou-se
sede da capitania, sendo suas atividades mais relevantes do que as das vilas do
litoral. Em 1711, a
vila foi elevada à cidade pela coroa portuguesa, com aproximadamente 210 casas
e menos de mil habitantes. Sua importância regional já se evidenciava pelo fato
de ter se tornado um entreposto comercial ainda em pequena escala.
Foi no Triângulo Histórico, mais
especificamente no convento franciscano, que foi fundado o primeiro curso
superior do Brasil. A fundação da Faculdade de Direito no Largo São Francisco,
em 1827, induziu profundas mudanças no cotidiano da cidade. As primeiras turmas
que freqüentaram a academia eram formadas, em sua grande maioria, por alunos
vindos de fora da província (entre 1831 e 1875, 74% dos alunos não eram da
província de São Paulo). A presença de jovens vindos de regiões com culturas
distintas, ávidos de progresso intelectual, trouxe uma vitalidade e
efervescência antes desconhecida pelo povo paulistano.
A cidade começa a crescer em um
ritmo espantoso. Após a abertura da São
Paulo Railway em 1867, e impulsionado pelo apogeu do comércio do café, o
crescimento extrapola os limites da colina. Na virada do século, São Paulo já
possuía cerca de 140 mil habitantes. Um crescimento de mais de 12 vezes se
comparado ao ano anterior à fundação da Faculdade de Direito.
Na Planta da Imperial Cidade de São
Paulo, elaborada em 1810 e publicada a seguir, a mancha urbana cercada
aqui e ali de pequenos aglomerados é o próprio Triângulo Histórico. Vem daí a
referência ao Centro como "Cidade", até hoje em uso pelos habitantes
mais antigos de São Paulo. Ir à "Cidade" é ir ao Triângulo Histórico,
ao Centro da origem da imensa metrópole onde vivem mais de 10,8 milhões de
habitantes na atualidade, centro nervoso da economia brasileira e onde se
localiza o maior número de equipamentos culturais de São Paulo.
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